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11 de setembro : Homenagem a Salvador Allende em um Chile diferente #AllendeVive

“Este 11 de setembro vai ser diferente porque o Chile já não é o mesmo”, afirmaram os organizadores da grande marcha deste domingo em homenagem ao ex-presidente Salvador Allende e às vítimas do pinochetismo. Na convocação ao tradicional tributo, a Associação de Familiares de Detentos e Desaparecidos (AFDD) e o Grupo de Familiares de Executados Políticos ressaltaram a singularidade desta comemoração neste ano, inscrita em um clima de mobilizações sociais com características anti-neoliberais. Esperamos que esta seja uma homenagem massiva, destacou Lorena Pizarro, presidenta da AFDD, que reflexionou a respeito do significado da mobilização deste dia, convocada para render tributo e também para demandar a construção de uma verdadeira democracia no Chile, sublinhou. Convidamos as famílias a unir-se a esta manifestação para que ganhemos o direito de manifestar nas ruas, destacou Pizarro. Para hoje está prevista a habitual peregrinação de cada 11 de setembro no Chile, que vai até o Cemitério Geral, partindo desta vez da central Praça dos Heróis de Santiago. O Museu da Memória programa além disso “uma homenagem audiovisual para os homens e mulheres mortos pela violência de Estado entre 11 de setembro de 1973 e 10 de março de 1990”. A iniciativa consiste em projetar em uma tela gigante umas duas mil fotografias de pessoas que foram assassinadas ou desaparecidas durante o regime de terror imposto pela ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Como parte do tributo ao líder da Unidade Popular, foi realizado ontem um emotivo ato político e cultural na praça da Constituição desta cidade, do qual participaram destacadas bandas musicais chilenas como Legua York e Los Rockers, além de cantores populares, poetas e atores. “Salvador Allende inspira e é parte da reconstituição hoje do povo chileno que luta”, destacou na ocasião o presidente do Comitê Executivo do Socialismo Allendista, Esteban Silva. “Allende, acrescentou, está mais vivo que nunca hoje na luta dos estudantes por uma educação estatal e laica, e na demanda por uma Assembleia Constituinte por uma nova Constituição”. Enfatizou também o legado do ex-presidente seu próprio neto Pablo Sepúlveda Allende, quem mencionou a efervescência social que vive o país sul-americano e a vigência do pensamento allendista nas lutas atuais do povo de Chile. Marcaram presença também no ato um grupo de parlamentares da Argentina, Brasil e Uruguai que assistem como delegados ao Terceiro Encontro Latino-americano pela Verdade e a Justiça, inaugurado na última sexta-feira na Universidade de Santiago.

Que estranho paradoxo sobre Allende, apontou dias atrás o escritor chileno Antonio Skármeta: “Um homem que teve três funerais e se mantém muito vivo no coração de seu povo”.

Relembrando…

Dois atentados. Dois fatos históricos diferentes. O do Chile foi cometido há 32 anos e anda meio esquecido. Vale relembrá-lo.
Em 11 de setembro de 73, a mais sólida democracia da América do sul sofreu um atentado que deixou uns 30 mil mortos no seu rasto. O Chile foi vítima de um golpe militar, perpetrado pelas três Forças Armadas, com o objetivo de quebrar a esperança de se construir um país socialista pela via eleitoral.
Salvador Allende, após três derrotas, venceu as eleições presidenciais em 1970. O imperialismo americano não podia permitir que a “via chilena para o socialismo” vingasse e fosse um exemplo para a América Latina. Por isso, junto com a burguesia chilena conspirou e chamou os militares para acabar com aquela experiência. Allende foi derrubado. O Palácio de la Moneda, assim como várias fábricas onde estavam trabalhadores dispostos a resistir, foram bombardeados.
Com o golpe, dezenas de milhares de pessoas foram presas, torturadas e exiladas. Se calcula que de 10 a 30 mil foram assassinados ou se tornaram os famosos desaparecidos, vitimas da ditadura do general Pinochet. A esquerda foi quebrada. Com isso os Estados Unidos puderam dirigir tranqüilamente a economia chilena, sem freios. O Chile foi o primeiro país do mundo onde se implantou o projeto neoliberal. Os famosos Chicago Boys, os defensores da doutrina neoliberal, liderados pelo economista Milton Friedman ali testaram os resultados dos planos neoliberais.

Tudo isso exigiu um atentado terrorista contra a esquerda e o povo chileno que custou 30 mil mortos. Dez vezes mais do que o número de mortos no atentado em Nova Iorque em 2001, quando caíram as duas Torres Gêmeas e que, com razão, comoveu o mundo.

Victor Jara, o cantor de Venceremos

Há vários filmes dobre o Golpe do Chile de 1973. O mais recente é Machuca, mas há outros quase clássicos: ‘Chove sobre Santiago’, ‘Missing – O desaparecido’ e ‘A Casa dos Espírito’. Em ‘Chove sobre Santiago’, uma das cenas mais chocantes é a de milhares de presos, no dia 11 de setembro, amontoados no Estádio Nacional de Santiago. Muitos foram mortos sob tortura ou com um tiro na nuca ali mesmo. Outros seguiram para várias prisões ou acabaram sendo jogados vivos ao mar de aviões militares.
No estádio um dos presos era o cantor e poeta Victor Jara. Os torturadores lhe deram um violão e o forçaram a cantar o Hino da Unidade Popular que tantas vezes ele tinha cantado junto com o povo. Victor Jara teve suas mãos cortadas para nunca mais, com seu violão, cantar Venceremos.

Santa Maria de Iquique: um massacre em 1907

A matança da Escola Santa Maria, na cidade de Iquique, no norte do Chile é um dos fatos mais trágicos vividos pelos trabalhadores chilenos. Foi no dia 21 de dezembro de 1907. Foram assassinados mais de 3.000 trabalhadores do salitre, que estavam em greve por melhores salários e para que se mudasse o sistema de pagamento de vales para dinheiro.

Trecho da Cantata Santa María de Iquique, de Luis Advis

“Vamos mujer / Partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.
Toma mujer mi manta, te abrigará.
Ponte al niñito en brazos, no llorará.
va a sonreir, disle cantarás un canto,
se va a dormir.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Largo camino tienes que recorrer,
atravesando cerros, vamos mujer.
Vamos mujer, confía, que hay que llegar,
en la ciudad, podremos
ver todo el mar.
Dicen que Iquique es grande como un salar,
que hay muchas casas lindas te gustarán.
Te gustarán, confia como que hay Dios,
allá en el puerto todo va a ser mejor.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Vamos mujer, partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.”

via Prensa Latina & Núcleo Piratininga, com os meus sinceros agradecimentos a Heloisa Helena Rousselet de Alencar(Nininha), por ter me apresentado o Quilapayún, nos idos anos 70…

NR: Em 1998 estava participando do 6´ Festival Chileno de Curtas-Metragens de Santiago, junto com meu amigo também cineasta Robinson Roberto e assistimos à estréia de um documentário chamado “Fernando está de volta.”, de Silvio Caiozzi. Muitos anos depois, Ricardo Aronovich , (diretor de fotografia de “Missing – O Desaparecido”, de Costa-Gavras ) foi meu professor num Estágio Avançado da FEMIS na UnB e nas rodas de café contou muitas outras histórias sobre o filme e a ditadura chilena.

O documentário “Fernando ha vuelto” mostra como médicas legistas trabalhando no necrotério de Santiago (Oficina de Identificación del Instituto Médico Legal) conseguem identificar os corpos de  desaparecidos prisioneiros da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Os médicos demonstram as técnicas utilizadas em um caso recentemente resolvido: os restos de um homem encontrado enterrado, junto com muitos outros, no Pátio 29 do Cemitério Geral de Santiago, em 1991.Os restos mortais são de Fernando Olivares Mori, um chileno de 27 anos de idade que trabalhava para as Nações Unidas . Ele desapareceu em  5 de outubro de 1973. Após quatro anos de trabalho, os médicos com sucesso conseguem estabelecer a identidade de Fernando e, uma vez que já voltaram seus restos mortais para sua viúva, comunicar oficialmente a causa da morte (quase sempre tortura e execução sumária). Imagens do documentário testemunham o impacto que o retorno de Fernando tem em sua família: seu filho, seus irmãos e sua mãe. Seu testemunho ilustra como quão irrelevantes as convicções políticas podem ser quando se trata de sofrimento humano.

Um momento muito tenso, porque no Cine Pedro de Valdivia estava a família de Allende e o filme trata justamente de uma ossada que é identificada e tem , finalmente, um enterro cristão. No Chile, as feridas ainda estão abertas. Quase 40 anos depois…

#AllendeVive entrou nos Top Trends do Twitter Brasil neste domingo. 

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Moto-aventura : Quase 10.000 km pela Patagônia

Por quê viajar ?

Amyr Klink, o ilustre navegante já dizia:

Um homem precisa viajar. Por sua conta, não por meio de histórias, imagens, livros ou TV. Precisa viajar por si, com seus olhos e pés, para entender o que é seu. Para um dia plantar as suas árvores e dar-lhes valor. Conhecer o frio para desfrutar o calor. E o oposto. Sentir a distância e o desabrigo para estar bem sob o próprio teto. Um homem precisa viajar para lugares que não conhece para quebrar essa arrogância que nos faz ver o mundo como o imaginamos, e não simplesmente como é ou pode ser; que nos faz professores e doutores do que não vimos, quando deveríamos ser alunos, e simplesmente ir ver”.

Porto Alegre sempre foi um lugar mágico e estratégico. A proximidade com o Mercosul e com o sudeste faz da cidade um perfeito ponto para saltos maiores. Como uma viagem de moto pelo Uruguai, Argentina e Chile. Não tem lugar melhor para zarpar. E foi assim que fizemos. E é por onde começa o nosso relato destes quase 10.000 km pela Patagônia argentina e chilena , de abril a maio, com a intenção de gastar (em média) menos de 100 dólares por dia entre gasolina, comida, hospedagem, pedágios e cerveja. Uma viagem com poucas fotos e muito chão.

1º dia – Como sempre em POA muitas festas na Cidade Baixa, com chorinho e muita cerveja Polar, contando e ouvindo lorotas com a Lê (a artista plástica e audiovisual Letícia). Deixamos as malas por lá, porque a partir daqui só mochila e alforge, a XT 660 tava esperando em Curitiba. Deu prá tomar mais “umas Polar” porque este trechinho também seria de avião.

2º dia – Cedo no aeroporto, muita neblina, mas deu teto e chegamos em Curitiba de manhã cedo. Fui buscar a moto na garagem, e daí prás lojas da João Negrão, no centro de Curitiba, prá colocar as tralhas, porque a XT tava pelada. Moto preparada, alforges colocados,vacina nos pneus, óleo Yamalube cambiado pelo Motul 5100, bolha, bauleto, etc. À noite, que seria para descanso virou mais uma noite de festa, com muita tequila e chopp , acompanhando o irmão da Z , meu cunhado Zalber. Todos sabem que pegar estrada com ressaca não é nada aconselhável, mas como tinha um trecho pequeno , de uns 250 km no outro dia, deu prá chutar novamente a jaca.

3º dia – Estraaaaaaaada!!! Saída de Curitiba na hora que deu prá acordar, rumo ao litoral paulistano, primeiro povoado do Brasil. 246 km pela Régis Bittencourt, BR 116. Entrando a direita em Jacupiranga, passando por Pariquera-Açu. Uma ressaca lascada, vento batendo no rosto, BR 116. Um almoço deu uma reconfortada no estômago e a velha Coca rebateu de vez. Só 246 km de asfalto bom e sinalizado. O problema é que ao chegar em Cananéia + festa, isca de cação, caranguejo, cerveja gelada. Ô vida infernal…loop, moto contínuo, ou a técnica cinematográfica da narrativa elíptica.

4º dia e 5º dia , foi nesta mesma levada, ostra, caranguejo, cação, cerveja…Fui dormir cedo porque no outro dia tinha estrada.

6º dia – Acordar cedo, tudo escuro, a moto abastecida . Presenciar o amanhecer do dia no Vale do Ribeira é muito legal. O sol nascendo e batendo nos retrovisores. Neste dia , um trecho de Cananéia/SP a Florianópolis/SC  570 km pela Régis Bittencourt e BR 101 . Uma passagem por São Francisco do Sul, o sol ainda firme, onde tava rolando  um Encontro Nacional de Motociclistas, o Moto São Chico.  Na programação bandas de rock, escolha da rainha , festival de bandas de garagem, baile dos anos 70, 80 e 90, troféu para motoclubes, sorteio de brindes e camisetas, exposição e venda de peças, acessórios e equipamentos para motos, além de passeio de motos do centro até as praias.  Não pudemos ficar , porque nosso objetivo estava mais à frente. Almoço (peixe) em Camboriu e chegada à noitinha em Floripa, debaixo de chuva. E daí aquela história de quem viaja de moto e não consegue fazer reserva de hotel porque nem sabe se vai chegar naquele dia. Sexta à noite, hotéis lotados, etc,etc. Comemos um X Salada que era maior que o prato, Nem deu prá provar uma branquinha no Mercado. Fui abaixo de chuva até a Praia Mole prá encontrar meu velho amigo Olintho Jr, mas ele não tava, era feriado, devia estar na praia da Ferrugem tocando os butecos dele.

7º dia –  Florianópolis/SC a Porto Alegre/RS – 466 km Chuva, chuva e chuva. Uma parada naquelas lojas de malha de beira de estrada prá reforçar a bagagem para o frio que viria pela frente e ao entrar na free-way em Osório ligar para Porto Alegre onde o Kiko, a Rosane e o Renan esperavam com um baita de um jantar. Noosssa ! Quase mata a nossa vontade de tomar umas Polar com a Lê lá pela Cidade Baixa. Mas deu tudo certo. Tava junto a amiga nordestina uruguaia Milena e ficamos discutindo cinema até altas horas.

Centro histórico de Pelotas / RS

Centro histórico de Pelotas / RS

8º dia –  Porto Alegre a Pelotas – Depois de uma bela macarronada preparada pela Reny e Suely, estrada. 260 km pela BR 116 cheia de desvios e pontes caídas pois tinha ocorrido um dilúvio dias antes perto de São Lourenço do Sul. O friozinho dá uma apertada. Mas ainda não estamos usando a 2ª pele. Hospedagem no hotel do Léo, que tem garagem para motos, um Xis maior que o prato de Florianópolis no Rei do Frango, umas cervejas e vamos dormir para encarar o Taim no dia seguinte, acabaram as mordomias tipo dormir até mais tarde, bons almoços,etc.

Este é o único posto entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar

Curral Alto : Este é o único posto entre Rio Grande e Santa Vitória do Palmar

9º dia – Pelotas/RS a Rocha/Uru – 393 km pela Tradicional BR 471 até Chui e depois Ruta 9, até Rocha. Põe frio neste trecho, maninho. Deu para manter um “train” em torno dos 110 km por hora, olhando a bela vida selvagem do Taim e tendo muito cuidado com os atropelamentos.

Em Chuí providenciamos a Carta Verde, e passamos o primeiro perrengue em questão de plata : a agência BB de Chui tinha sido inundada um dia antes e as máquinas estavam quase todas quebradas. Na aduana uruguaia muita hospitalidade e desembaraço em poucos minutos. O veículo tem que estar no seu nome, ou se estiver alienado, com uma carta da financeira liberando a saída do Brasil com firma reconhecida em cartório. Em nenhum dos países do Mercosul é necessário a PID (Permissão Internacional para Dirigir) que é um documento meio jurássico e grande. Mas por este mesmo motivo sempre aconselho que leve a PID, ela já me tirou de várias tentativas claras de extorsão. Você faz cara de desentendido pro guarda e mostra a PID. Como ele quase sempre nunca conhece o documento, para não ficar mal na foto, faz uma cara que entendeu e te libera.

A Fortaleza de Santa Tereza merece ser visitada por quem for pela Ruta 9

A Fortaleza de Santa Tereza merece ser visitada por quem for pela Ruta 9

Neste dia deu prá visitar direito a Fortaleza de Santa Tereza no lusco-fusco da tarde (na minha infância comi muito churrasco aí no seu belo parque, a gente acampava e depois ía tomar banho de mar no frio !) e chegamos congelados em Rocha. Desta vez , nem uma cerveja. Banho quente e cama. Brrrrr

10º dia –  Rocha a Montevideo – São 235 km em trecho light, via San Carlos, Maldonado e Punta del Este com estradas ótimas, bonitas e cercadas por belos gramados emoldurando a paisagem castelhana.

Chegada em Montevideo a tempo de almoçar no Mercado do Porto e curtir um cochilo na Rambla, ao por do sol

Chegada em Montevideo a tempo de almoçar no Mercado do Porto e curtir um cochilo na Rambla, ao por do sol

Iniciamos uma bela amizade com Patrícia, prima-irmã da Norteña. Dia agradável, sol e pouco vento, prá curtir mesmo a paisagem. Chegada em Montevideo entrei pela Rambla e contornei a cidade até o centro, no hotel que tinha reservado pela Net. Barato e confortável. Moto na garagem, muitas caminhadas pela av. 18 de Julho, parrilladas, Mercado do Porto. Nos desencontramos da amiga da Lê, a Milena que tinha ido neste ínterim para Montevideo de ônibus. Uma pena, fica prá outra, Milena !

11º dia  Montevideo/Colônia do Sacramento/ Buenos Aires 184 km pela Ruta 1 até Colônia do Sacramento, uma das cidades mais simpáticas que já conheci e que merecia mais uns dois dias de exploração.

No Buquebus, com todo o espaço do mundo, a única moto

No Buquebus, com todo o espaço do mundo, a única moto

Mas a vida de viajero é assim mesmo , vai ficar para outra oportunidade. Pegamos o BuqueBus rápido” das 16:30 . Paguei 237 pesos pela moto,mais 580 pesos de passagem: Total = 817 pesos ou seja, aproximadamente US$ 180 . Entrei em Buenos Aires às 18 hs, na hora do rush, um verdadeiro inferno, sem GPS. Entrar numa cidade desconhecida já é complicado. Do tamanho de B. Aires então… Com a colaboração dos taxistas e um mapa impresso do Google Maps achei o hotel também já reservado pela Net, da rede Best Western. Incrível, mais barato que muito muquifo que enfrentei pela frente !

Foi o hotel mais chicoso e mais barato de toda a viagem. Bom , 2 dias para explorar BA, com suas Quilmes, ,tango, etc,etc…

12º dia  Buenos Aires/AR a Azul/AR 305 km pela Ruta 3 , dia de sufoco , do começo dos ventos patagônicos, chuva intensa, caminhões. Quem já andou pelas carreteras da Patagônia sabe do que estou falando. Não é um ventinho qualquer. É uma ventania constante, que te obriga a andar inclinado numa reta com a moto. E que depois da passagem de um caminhão e o seu deslocamento de ar, te obriga a fazer correções de rota que em nenhuma moto-escola do mundo ensinam, tudo isto em frações de segundo. Idem quando vc ultrapassa uma carreta e por breves instantes tem um “alívio” da força do vento. Na saída, você tem que equilibrar o redemoinho empurrado pela frente do caminhão e a volta do vento natural lateral. Uma, duas , dez, vinte vezes até que é divertido. Mas quando vc encara mais de 300 km nesta situação, lhe garanto : não é nada divertido !

Se o vento vem pela esquerda então é um desespero a cada carreta que cruza com você, a moto sai no meio de um espiral de vento e logo a seguir tem que equilibrar com o vento lateral. É um sufoco ! Chega a cansar e doer o braço !

Em Azul, encontramos o Jorge, da Posta del Viajero en Moto, que nos recebeu muito bem. Assinamos o seu livro de presença e fomos em busca de um hotel barato, com “cochera” e banho quente.

Jorge, um figuraço internacionalmente conhecido do "La Posta del Viajero en Moto", recebendo todo mundo de braços abertos

Jorge, um figuraço internacionalmente conhecido do “La Posta del Viajero en Moto”, recebendo todo mundo de braços abertos

Ruta 3 é vento e carreta o tempo inteiro.

Ruta 3 é vento e carreta o tempo inteiro.

Daí, tudo "Azul"?

Daí, tudo “Azul”?

 

Noite fria nas ruas de Azul

Noite fria nas ruas de Azul

A noite, um “vacio” no capricho e algumas Stella Artois encerraram a visita a Azul, que tem uma pracinha legal, etc…

13º dia Azul/AR a Bahia Blanca/AR 334 km pela Ruta 3, EP 51 e RP 76 – chuva, chuva, chuva….Frio, frio, frio….

Pedágios – Na Argentina, em geral moto não paga pedágio, tendo uma saída lateral específica e livre. Mas cuidado ! Algumas destas saídas tem pequenas armadilhas, como cavaletes, correntes e pista muito escorregadia.

Um trecho relativamente curto, mas chegamos exaustos. Improvisamos uma “secadeira” no apartamento : botas , luvas e roupas estratégicamente colocadas nas saídas da estufa, em cima do abajur, perto da lâmpada. Funcionou ! O brabo foi ter que ir ao supermercado na noite fria só com chinelo de dedo ! Compramos pizza, batata frita, cerveja e umas ameixas lindas ! (Perderíamos as ameixas na entrada da Província de  Rio Negro. Na Argentina, assim como na passagem entre fronteiras, na divisa das Províncias não é permitida a entrada de alimentos que não sejam industrializados. Um cachorrinho chato e com jeito de poucos amigos denunciou o alforge que levava as frutas).

Bahia Blanca : totalmente molhados e com muito frio

Bahia Blanca : totalmente molhados e com muito frio

e necessidade de auxílio externo prá aquecer.

e necessidade de auxílio externo prá aquecer.

Natália, nosso anjo salvador no deserto...

Natália, nosso anjo salvador no deserto…

14º dia  Bahia Blanca/AR a Villa Regina , província de Rio Negro/AR 445 km pela RN 22.

Trecho com o frio aumentando, perdemos de cara numa barreira sanitária as lindas ameixas compradas em Bahia Blanca.  E fiquei sem gasolina (pane seca) a aproximadamente 14 km de Choele-Choel, no meio do deserto , após Rio Colorado. Sinceramente, não lembro porque não abasteci em Rio Colorado. E foi aquela velha e conhecida história: com o vento de proa, o consumo da moto aumentou e daí…PQP, uma garrafa pet teria resolvido o problema. Domingo, dia tenso. Por toda a sorte do mundo e dos anjos protetores dos motociclistas a moto parou perto do que parecia uma pedreira abandonada. Já tinha planos de esconder a moto atrás de um arbusto e encarar a pé o trecho quando apareceu um cachorro latindo. Sinal de gente ! Vejo um guarda vindo em minha direção… era “uma” guarda, Natália ! Deixei a moto com a Zane e a guarda Natália,e fui de carona, num caminhão que a Natália conseguiu parar na estrada colocando uns cones,  até Choele-Choel comprar gasolina. Como era domingo o movimento que já é comumente reduzido naquela estrada, estava quase a zero. Pedi ajuda da Polícia Caminera, e depois de uma boa conversa, em ele parou um conservadíssimo Ford Falcon com um casal que aceitou me dar carona.

A gasolina argentina em geral é melhor que a nossa. Mas vai a dica. Não confie nas distâncias. Se vai encarar um trecho meio desértico , leve uma ou duas garrafas Pet de 2 litros nos alforges. Quatro litros na XT equivalem a quase 100 quilômetros e pode representar a diferença entre sufoco e tranquilidade !

15º dia  Villa Regina/AR a San Carlos de Bariloche/  659 km pela RN 237  e RN 22, passando por Neuquén , onde fizemos compras numa loja de alpinismo para reforçar a indumentária pois o frio chegou para matar  !Em Neuquén, com os Andes chegando perto e o frio aumentando, recorri à tática das luvas cirúrgicas por baixo das luvas de couro. Funciona bem , esquenta e não deixa molhar a mão, mesmo que a luva exterior não segure bem a água. Comprei uma dúzia, das mais baratas, e deu para o resto da viagem. Lição do dia : Assim como não se deve fazer compras em supermercado com fome, não se deve comprar roupas para o frio , estando com frio !

Em Bariloche, em plenos Andes paramos na Pousada dos Alpes, vai entender. Mas nada que um “vacio” preparado na hora no “El Bolicho de Alberto” não resolva.

Tombo besta – Alguém haverá de me contestar: todo tombo é besta ! Mas tem uns que são mais bestas que os outros. Foi o meu caso. Ao entrar numa rampinha de um restaurante em Bariloche, por alguma destas falta de atenção quando vc se sente em zona segura, não acelerei o suficiente para dar tração na moto. Resultado : ela apagou, a moto veio com tudo prá trás e daí meu irmão, não tem freio que segure. Não caí, larguei a moto no chão. Nem eu nem minha companheira nos machucamos, e ainda demos boas gargalhadas. Mas tive que trocar a pedaleira, que entortou a ponta e começou a machucar o pé da Zane.

Fomos até o Cerro Catedral, tradicional estação de esqui. mas ainda não estava nevando….

Da janela lateral, do quarto de dormir...

Da janela lateral, do quarto de dormir…

Paradoxo : no meio dos Andes, o nome da pousada é "Los Alpes"

Paradoxo : no meio dos Andes, o nome da pousada é “Los Alpes”

16º dia  Bariloche/AR a Osorno/Ch – 85 km até Villa Angostura, contornando o lago Nahuel Huapi. Mais uns 100 km até o vulcão Puyehue. Saída da Argentina e entrada no Chile pelo Paso Cardenal Samoré (Alfândega Chilena El Pajarito). O Paso Samoré é importante porque é um dos únicos que não fecha durante o inverno. ( Irônicamente, em 2011, a atividade do vulcão Puyehue não somente fechou o Paso como infernizou a vida e o comércio daquela região.) Depois, uns 80 km até Osorno

Osorno/CH

Osorno/CH

Vai aí uma Kunstmann Torobayo Ale ?

Vai aí uma Kunstmann Torobayo Ale ?

Dificuldades de comunicação em Osorno, os telefones publicos não te entendem, você não entende os telefones públicos e nem a garçonete… cachorros atacando a moto, caímos num bar até que bacana que servia umas  Kunstmann Torobayo Ale .

17º dia :Osorno/Ch a Chillán/Ch 542 km pela Ruta 5, Panamericana . No caminho , à direita uma placa indicava o lugar onde “Nada é pior”. Acredite se quiser, mas Peor es Nada existe !!! E escapou de um terremoto !

A Ruta 5, a via Panamericana é uma delícia para se viajar. Mas cuidado ! Os "carabineros" estão atentos e excesso de velocidade no Chile dá cadeia !

A Ruta 5, a via Panamericana é uma delícia para se viajar. Mas cuidado ! Os “carabineros” estão atentos e excesso de velocidade no Chile dá cadeia !

Em todo o Chile, a rede Copec de 50 em 50 km com postos e café quente

Em todo o Chile, a rede Copec de 50 em 50 km com postos e café quente

Na subida de "Los Caracoles" estava tão tenso que esqueci de colocar a luva da mão direita. Cheguei lá em cima com a mão quase congelada.

Na subida de “Los Caracoles” estava tão tenso que esqueci de colocar a luva da mão direita. Cheguei lá em cima com a mão quase congelada.

18º dia : Chillán/Ch a Mendoza/AR 784 km pela Ruta 5 e Ruta 7 – Trecho deslumbrante mas cansativo com a passagem de Los Caracoles, ao lado do Aconcágua.

Cruzando o Centro de esqui Los Penitentes, Puente Del Inca, Parque do Aconcagua, Túnel internacional Cristo Redentor e Los Caracoles você chega na aduana, um galpão enorme, estranho e sombrio, mas abrigado do vento, da chuva e da neve. Lá dentro ficam as aduanas chilena e argentina. É também um refúgio nas borrascas, comuns na região no inverno.

Depois de rodarmos muito após o Paso  Fronterizo Los Libertadores chegamos em Uspallata, cidade com um Cassino na sua rua principal. Café no YPF, e decidimos seguir viagem pela RN-7, depois Ruta 40 (uma espécie de BR 101 argentina),

Mendoza estava a pouco mais de 100 kms.  A estrada por ali é traiçoeira, muitos túneis em curva, o que à noite representa perigo redobrado.  No meio do caminho resolvemos parar no primeiro povoado que oferecesse hospedagem, mas estava tudo lotado, a estrada estava em obras, e os hotéis e pousadas de beira de estrada estavam  integralmente ocupados pelos engenheiros e funcionários da empreiteira. Novamente na estrada, já ficando tarde, o cansaço batendo, começamos a ver miragens. Qualquer conjunto de luzes ao horizonte era motivo prá imaginar um pequeno povoado com uma pousada simples e aconchegante. E daí, eu e Zane enxergamos um edifício de vidro, vários andares, ao longe. Uma cidade ! Luzes feéricas iluminando a nossa imaginária cidade ! Rodei mais uns quilômetros , as luzes aumentando de intensidade, vi que teria que sair do eixo da rodovia, pois a “cidade” ficava à esquerda. Achei a entrada, num pequeno trevo, fui me aproximando, me aproximando…. e o nosso hotel 5 estrelas representado pelo prédio de mais de 6 andares, todo de vidro e iluminado, nada mais era que a refinaria de petróleo da YPF, em Luján de Cuyo.

Volto prá estrada abatido, desencantado da vida, hotel, no sonho alegria me dá e nele você está !

Mico : Vi um posto YPF todo chicoso, a luz de advertência da XT já ligada há bastante tempo, preciso abastecer. Paro a moto, a garupa desce, coloco o pezinho, desço , abro o tanque e fico esperando. Todas as pessoas no posto, nos carros me olhando, com espanto. Até que o frentista , simpaticamente ( mas certamente “gargalhando por dentro” ) perguntou ;

– Maestro, su moto es a gás natural ?

Percebi rapidamente a mancada, dei uma risada , fechei o tanque e caí fora. Só na saída, ao olhar a placa, ele deve ter reparado que eu sou brasileiro. Ah, Pelé e Maradona, esta rivalidade de vocês está passando dos limites !

Para compensar os micos da refinaria e do posto de GNv, Mendoza nos proporcionou ótimos bares e uma vida noturna boêmia e agitada. Valeu ! ( Também merecia mais uns 3 dias de exploração, fica prá outra )

Nos postos de gasolina sempre as pegadas dos aventureiros

Nos postos de gasolina sempre as pegadas dos aventureiros

19º dia :  Mendoza/AR a Rio Cuarto/AR 513 km, ruta 7, passando por San Luis e Villa Mercedes.  

Rio Cuarto – Paramos numa hospedaria esquisita na praça, não recordo o nome. Largamos a moto numa garagem, e fomos bater perna atrás de uma carne suculenta. Com 100 % de indicações, venceu o “Siga la Vaca !!!” , um templo ao consumo de carne argentina. O lugar é ótimo, mas vive lotado. E tem razões para isso . Você paga uma taxa fixa e come e bebe à vontade, vinho ou cerveja. É  uma espécie de buffet, com saladas e sobremesas, e uma chapa e uma grelha com diversas espécies de carne que você pede ao churrasqueiro. Cara , é muito barato e bom ! A cerveja é de primeira, o vinho idem, e a carne nem se fala ! Noite de fartura em Rio Cuarto, para compensar os dias franciscanos nas estradas e cidadelas argentinas !

Bandos de BMW, matilhas de XT660, enxames de V-Stroms : é a vida selvagem

Bandos de BMW, matilhas de XT660, enxames de V-Stroms : é a vida selvagem

20º dia :  Rio Cuarto/AR a San Francisco/Ar,  300 km passando por Villa Maria , RN 158  

Na Argentina, muitos trechos com asfalto ruim que provocam desconforto no motociclista

Na Argentina, muitos trechos com asfalto ruim que provocam desconforto no motociclista

San Jaime de La Frontera/AR : fazendo amigos

San Jaime de La Frontera/AR : fazendo amigos

21º dia San Francisco/Ar  a Paraná/AR o Google Maps perde a referência , porque se passa por um túnel sobre o rio. 160 km + 281 km até San Jaime de la Frontera pela RN 127

22º dia  San Jaime de la Frontera/AR a Porto Alegre/RSTocada muito forte, no outro dia vôo marcado de volta a Porto Velho. Primeiro Uruguaiana, aduana, café brasileiro, notícias do Gre-Nal, cambio 176 km pela RP 126 + 630 km pela BR 290, passando por Alegrete, Rosário do Sul, São Gabriel, Butiá, Eldorado do Sul.

Já no Brasil, num posto de gasolina em Alegrete/RS "encarando" a BR 290

Já no Brasil, num posto de gasolina em Alegrete/RS “encarando” a BR 290

23º dia  – Tirar bauleto, alforges, lavar a moto, capa, garagem. almoço na Tristeza , pegar as coisas na Lê e Aeroporto, prá encarar o vôo da madrugada para P.Velho. Só sei que foi assim. E quem quiser que conte outra… cumbeira da beira do rio Madeiiira….

…………………………………..

Por quê viajar ? Por quê ficar longe de pessoas importantes durante vários dias ?

Encerro com dois poemas de Leminski :

Inverno

É tudo o que sinto

Viver

É sucinto

……………

pelos caminhos que ando
um dia vai ser
só não sei quando…

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Próxima Estación : Atacama !!!!

Leia também : Viagem pela Interoceânica até Machu Picchu. De moto, até de carro eu vou !

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Arquivado em Delírio Cotidiano

Viagem pela Interoceânica, até Machu Picchu. De moto, até de carro eu vou ! Incrível !

Por Beto Bertagna

Sexta-feira chuvosa, início da noite, já estava há uma semana de férias “brancas” ou seja, trabalhando e com uma vontade doida de me aventurar pelo mundo. Dou uma olhada nos sites da Gol, Tam, Trip. Tudo caro demais, alta estação, poucas opções. Daí chega um amigo e pergunta: “Por quê não vai de carro ?’ . Tá bem. De carro. Mas prá onde? Estou em Porto Velho. Rio Branco eu já conheço muito bem , a Chapada dos Guimarães no Mato Grosso também…Ir para outra cidadezinha qualquer não ía provocar o que em linguagem DOS seria um “format :cérebro” ( ou Ctrl + Alt + De l) que eu estava precisando. Na  minha cabeça tinha planejado outra viagem, pelo Lago Titicaca, Oceano Pacífico, San Pedro de Atacama, Salar de Uyuni, Puno, Copacabana, Cusco, Machu Picchu, tudo de moto. Mas janeiro é uma época meia ingrata, muitas chuvas… mas peraí : Machu Picchu ? A cabeça roda, os pensamentos voam, se você for esperar sempre as condições ideais…Fazer agora, o que puder, com o que tem nas mãos… Chamo a Zane, minha amada e eterna companheira de aventuras e faço o convite, ela topa e vamos comemorar com umas Originais. Moto fica prá outra vez, carro está pronto, balanceado, correia dentada nova, pneus e suspensão em dia. Saímos no sábado pela manhã. Sem GPS (com planos de comprar um Garmin Zumo 660 em Cusco).  Poucos mapas impressos rapidamente, pouca informação e lá vamos nós.

Balsa : Travessia do Rio Madeira

Balsa : Travessia do Rio Madeira

Viagem até Rio Branco, aproximadamente 500 km, com uma balsa que cruza o rio Madeira em aproximadamente 40 minutos e custa R$ 13,50 por carro. Tinha motivos mais do que sentimentais e afetivos para pernoitar em Rio Branco ( afinal Vivica mora lá !).

(Se necessitar, os contatos do Consulado Peruano no Acre -Rio Branco são: R. Maranhão, 280 – Bosque – Centro Cep: 69908-240 Telefone: (68) 3224-2727 / 0777 Fax: (68) 3224-1122 email: consulperu-riobranco@rree.gob.pe.)

Quem não quer passar em Rio Branco deve entrar a esquerda numa rotatória  existente na BR 364 cerca de 30 km antes da capital acreana, na Estrada do Pacífico, que leva a Xapuri, Epitaciolândia, Brasiléia e Assis Brasil (BR 317) Mas atenção,entre à esquerda, porque à direita vai para Boca do Acre, no Amazonas.Mais alguns quilômetros à frente, passando por Capixaba, vale a pena conhecer Xapuri e descansar  na Pousada Villa Verde principalmente para  quem está vindo de Porto Velho rumo a Cusco,  porque é praticamente a metade do caminho. Para quem está indo a Brasiléia/Cobija fazer compras também é uma boa.

Chegando em Assis Brasil você já está na fronteira. Vá até a Polícia Federal e carimbe seu passaporte dando saída do Brasil. Este procedimento é uma forma de barrar a saída de quem tem problemas com a justiça no país. Sem isso, você não consegue entrar no Peru.

Entrada e Av. princidpa de Iñapari - Cuzco 763 km / Lima 1868 km foto : Z. Santos

Entrada e Av. principal de Iñapari – Cuzco 763 km / Lima 1868 km foto : Z. Santos

Documentos necessários na aduana peruana : xerox do passaporte ( c/ original), xerox da CNH (c/original), xerox do documento do carro/moto em seu nome, ou em nome de um dos passageiros (c/ original). Se o veículo estiver alienado a alguma financeira, você precisará de uma declaração da instituição registrada em cartório, liberando o veículo para sair do país. Vão colocar um adesivo da SUNAT no parabrisa do carro (Superintendência Nacional de Administração Tributária), a Receita Federal peruana, indicando que você é turista e o prazo de internação do veículo. Não sei se em moto colocam o tal adesivo. Também não sei se é bom ou ruim na questão “propina” , acho que , segundo o Raulzito, “é bandeira demais, meu deus !”. No meu caso passei incólume pelas blitz, mas ouvi muitas reclamações na aduana em Iñapari de brasileiros que vinham do norte peruano.

Primeira Dica

Eles não te obrigam a portar a PID (Permissão Internacional para Dirigir). Mas vale a pena fazer a sua, em qualquer Ciretran ou Detran. Paga-se uma taxa de aproximadamente R$ 40,00 e em dois dias você tem um documento que vale o mesmo prazo da carteira tradicional, e acredite, vai te tirar de encrencas… Na Argentina e no Peru, os guardas por não conhecerem direito o documento me liberaram para não passar vergonha certa vez…

Outra coisa que na fronteira não te obrigam é fazer o SOAT (um seguro semelhante à Carta Verde, comumente exigida no Chile, Argentina, Uruguai,etc). Mas faça assim mesmo, ele elimina mais uns %  a possibilidade de você ser achacado por um policial no meio do caminho. Em Iñapari, na fronteira,  ninguém vai saber te explicar nada. Já em Puerto Maldonado,   200 km adiante,  uma cidade com mais recursos , você conseguirá pagar o SOAT .

Afinal uma cláusula do Código de Trânsito do Peru diz ” Todos los vehículos automotores que circulen por el territorio nacional deben contar con el SOAT. ” O SOAT cobre riscos por pessoa ocupante do carro ou moto, ou até de um pedestre até os limites de :

Você vai precisar de soles “en efectivo” durante a viagem, por isso providencie o câmbio logo na fronteira. Câmbio é aquela coisa que você que viaja já sabe. Vai dançar na entrada e vai dançar na saída. Mas não há outro jeito.

Segunda Dica

Use um cartão pré-carregado tipo Visa Travel Money em dólares. Além de não pagar os 6 % que o governo brasileiro anda cobrando dos cartões internacionais em uso noutros países, você pode sacar e pagar contas na moeda local, esteja onde estiver. Isto tira um pouco da preocupação com as perdas nos câmbios e no problema de ficar sem dinheiro no meio da viagem. 

Os postos de gasolina (“grifos”) só aceitam em espécie, os hotéis e restaurantes de estrada também. Motos como a XT 660 não enfrentam problema de falta de combustível na estrada, apesar da autonomia pequena, em média de 300 km.  Mas vale a pena encher o tanque logo na entrada, a gasolina peruana é vendida em galões ( 3,75 litros) com 84 ,90 ou 95 octanas.  Esta última você só encontra nos postos Repsol em Lima ou Cusco (quanto maior a octanagem, maior a resistência à ignição espontânea). Para entender melhor, se um motor de elevada compressão levar gasolina de baixas octanas a mistura pode explodir antes da faísca da vela, quando o pistão ainda está subindo no cilindro, e assim existe uma contra-força à inércia do pistão (o pistão está subindo e a explosão já está forçando-o a  descer antes do seu curso estar completo) o que provoca perda de potência e muito maior desgaste e esforço do motor.

Se um motor de reduzida compressão levar gasolina de maior número de octanas a mistura pode explodir mais tarde do que o esperado e também reduz a potência porque o pistão já iniciou o curso para baixo sem a impulsão da explosão e apenas porque a tal é forçado pela inércia do mancal o que vai roubar força às revoluções do motor.

No Brasil a gasolina comum possui 87 octanas, com mistura de alcool anidro. A Premiun possui 91 octanas. A gasolina peruana mais barata é a de 84 octanas e custa na região de Puerto Maldonado uns 11 soles ou aproximadamente 2,90 soles o litro. É só fazer a conversão para reais. Quando passei lá o câmbio estava em 1R$ = 1,45 soles, ou seja a gasolina custava em torno de R$ 2,00. Mas se puder abasteça com a 90. Na fronteira a diferença de preço é muito grande, creio que deve haver algum subsídio por se tratar de fronteira e região amazônica. Mas o preço mais barato que encontrei foi em Puerto Maldonado. À medida que se adentra para o centro do país a diferença entre os tipos de gasolina cai bastante.

"Grifo" em Iñapari  foto : Z. Santos

“Grifo” em Iñapari/Província de Madre de Dios/Peru  foto : Z. Santos

Terceira Dica

Se for o caso, consiga a Carteira Mundial de Estudante no site http://www.carteiradoestudante.com.br . Ela custa R$ 40,00 , vale até o final do mês de  março do ano seguinte e em muitos locais legais de visitar você terá 50 % de desconto, o que por si só já paga a carteira.

A Rodovia Interoceânica tem 1.500 Km no Brasil e no Peru a “Carretera Interoceânica Sur” tem 1.100 Km somando 2.600 Km, atingindo a Cordilheira dos Andes a 4.800 metros de altitude. Sua rota passa por mais de  50 povos indígenas peruanos, com 207 pontes ,foi construída a um  custo aproximado de quase dois bilhões de dólares, gerou emprego para 4.000 trabalhadores pelas empreiteiras brasileiras Odebrecht, Andrade Gutierrez, Camargo Corrêa e Queiroz Galvão.

Veículos de 3 rodas, com a frente de moto, muito comuns no Peru e Bolívia

Veículos de 3 rodas, com a frente de moto, muito comuns no Peru e Bolívia

Prepare seu “portunhol” porque você vai precisar ! Fora as expressões comuns como “gasolina, aduana, Coca-Cola” (certa vez um amigo meu no Uruguay pediu uma “Cueca Cuela” ! Só faltei acrescentar : com faruefa ! ) algumas você vai ter que aprender. (Mesmo gasolina pode ser “nafta” .)  Lá vai : Longe / lejo-lejano ; Perto / cerca-cerquita ; Largo / ancho  ; Estreito / angosto ; Fechado / cerrado ; Café / desayuno ;  Janta / cena ; Colher / cuchara ; Faca / cutillo ; Garfo /tenedor ; Copo / bazo : Carne bovina / rez ; Frango / pollo ; Batata / papa ; Alface / lechuga ; Salsicha / chorizo ; Ovo/huevo ; Peixe/pescado ; Azeite / aceite de oliva ; Porco/cerdo ; Pimenta /ají ; Pneu / llanta  Roda / aro

Pronto , você já não vai passar fome. Qualquer dúvida consulte o Diccionario Castellano .

Os "derrumbes" são comuns na época das chuvas, tanto na Amazônia quanto no Altiplano

Os “derrumbes” são comuns na época das chuvas, tanto na Amazônia quanto no Altiplano

Quarta Dica

Faça vacina uns 20 dias antes contra Febre Amarela e leve à Anvisa para receber o Certificado Internacional de Vacinação ( um amarelinho, com data e lote da vacina). Vai que no meio da viagem você resolve entrar na Bolívia, por exemplo.

Adelante ! Estamos no Peru, próxima parada Puerto Maldonado. Até lá um asfalto ótimo, bem sinalizado e uma sequência de uns 300 quebra-molas em “áreas urbanas” sendo que este conceito é muito vago, pode ser uma choupana abandonada ou um agrupamento de 3 casas com uma escola. Atrasa prá caramba o ritmo da viagem, numa infinidade de freia, troca de marcha, acelera… De moto deve ser barbada transpor estas barreiras, respeitando é claro os pedestres,etc,etc,etc e alguns animais que às vezes aparecem pela pista. Eu por exemplo, tive orgulho de salvar um jabuti, que se arrastava no meio da pista ! Levantei-o e coloquei numa área alagadiça no mesmo rumo que ele estava tomando , mas fora da pista e livre do perigo de ser atropelado.

Este se salvou por pouco ! foto:Z.Santos

Este se salvou por pouco ! foto:Z.Santos

Na estrada , começamos a ter uma outra lição. Podemos ver a floresta amazônica em sua exuberância natural. Os peruanos ainda preservam suas florestas ao lado da rodovia, que passa a ser uma linha preta no meio do verde. Rondônia e Acre, com suas insanas máquinas de exploração do ” tudo em nome do progresso “, conseguiram acabar com qualquer vestígio de floresta às margens da BR 364 e BR 317, É ridículo para os brasileiros que vieram para estas plagas recentemente, mas vão conhecer a Amazônia através do Peru !

Neste trecho da estrada você cruza com muitas Vans/lotação com bagageiros completamente carregados e antigas Corollas Fielder, fazendo o mesmo serviço.

Vegetação exuberante acompanha a Interoceânica amazônica foto : Z. Santos

Vegetação exuberante acompanha a Interoceânica amazônica foto : Z. Santos

Chegamos em Puerto Maldonado ! Uma bela ponte substitui a antiga travessia por balsa, amplamente relatada por viajantes de moto e de carro. O trânsito é meio caótico e vale a lei da buzina mais alta ! Mas nada que se compare mais tarde  a Cusco e seus táxis malucos.

Em Puerto Maldonado, também dá para sacar soles em um “cajero” automático Visa  existente na Plaza de Armas. Há quem diga que a cidade tem a ver com as peripécias do irlandês Brian Sweeney Fitzgerald, ou Fitzcarraldo, na pronúncia dos índios e na imaginação fértil do cineasta alemão Werner Herzog. Houve de fato um Carlos Fermin Fitzcarrald, o brutal barão da borracha de Iquitos que explorou o Madre de Diós e fundou Puerto Maldonado. Verdades à parte, compensa ver o filme antes de viajar, uma belíssima produção de Werner Herzog, com Klaus Kinski fazendo o papel principal.(Se possível também veja “Burden of dreams” , o making of da produção caótica do filme que perdeu  Jason Robards no meio da filmagem por motivos de saúde, em que Herzog tem que apontar um revólver para Kinski continuar o filme, há um conflito entre Peru e Equador no meio das filmagens, enfim , coisas para o messiânico Herzog lutar desesperadamente. Bem, mas esta já é outra história…

Quinta Dica

No caminho, vários quiosques e bolichos anunciam desayuno e truchas fritas. São as trutas, peixes de águas gélidas, que os peruano servem fritas com batatas cozidas. Peça também um “mate de coca”, que é delicioso e ajuda a aquecer o corpo e prevenir os males da altura. Nas cidades, o ceviche é um prato imperdível. Aproveite para fazer um contato mais próximo com a cultura andina.

Puerto Maldonado. Um obelisco? Uma torre ? Uma escultura ? foto: Z.Santos

Puerto Maldonado. Um obelisco? Uma torre ? Uma escultura ? foto: Z.Santos

Passando Puerto Maldonado, você ainda terá uns 140 km de estradas planas em território amazônico. Tem um parador em ampliação (Família Mendez) que tem um banheiro bem cuidado, possívelmente o melhor até chegar em Cusco. É hora de cruzar um garimpo de ouro a céu aberto, às margens da RN 26, a Carretera Interoceânica Sur.  Reduza um pouco a velocidade, por segurança, porque as pessoas atravessam a pista sem a menor preocupação ( há varios “borrachos”, afinal é uma currutela de garimpo) e por diversão, porque você verá várias cenas pitorescas, como placas de buates, hotéis em cima de palafitas, “casas” à venda, enfim , uma babel.  Depois de Quincemil, começa a serra de Santa Rosa e a aventura pela Cordilheira Real. A serra é bem íngreme e lembra um pouco a passagem entre o Chile e a Argentina, Los Caracoles. A serra também serve para desmistificar algumas coisas. Por exemplo, vi um Pálio 1.0 subindo na minha frente. Ele anda um pouco mais “despacio” , mas anda !

foto : B.Bertagna

foto : B.Bertagna

 O velho Marea não decepciona nas curvas e mostra porque durante muito tempo foi a viatura de interceptação dos “Carabinieri” italianos. As curvas agora são em U, o ar começa a ficar rarefeito e a temperatura a baixar. Nas curvas vale a lei da Buzina (Claxon).Nos caminhos sinuosos, apareciam de vez em quando bandos de G650gs, matilhas de XT 660, enxames de V-Stroms. Por falar nisso, cruzei com ônibus da Movil Tours, que faz o trecho Rio Branco X Cusco às quartas-feiras e aos sábados., com saída às 10 hs.  A paisagem muda e aparecem as lhamas para compor o cenário andino.  A esta altura (da montanha e do campeonato) quem tiver algum problema com o mal da altitude (o soroche) já vai sentir alguns efeitos : dor de cabeça, tontura, enjôo. Vale a pena parar em algum bolicho na beira da estrada e tomar um mate de coca, ao preço de 1 ou 2 soles. Banheiro também é problema, principalmente se um dos viajantes for mulher. Os “griffos” não tem a estrutura que você está acostumado em postos de gasolina no Brasil , que mais parecem hoje um Shopping Center. Nem é necessário dizer para levar sempre absorvente e papel higiênico de reserva.  Estamos indo agora em direção ao vale do Inambari/Madre de Dios que marca a transição entre a selva amazônica e o início do altiplano.

Diferenças de temperatura brutais em poucas horas.

Diferenças de temperatura brutais em poucas horas.

Após cruzar a cidade de Mazuko, preste muita atenção. Há uma bifurcação : seguindo reto vai-se para Puno/Juliaca/Lago Titicaca. Tem que virar à direita, sentido Cusco e atravessar uma bela ponte sobre o rio Inambari, um afluente do rio Madre de Diós . ( Ainda ouviremos falar muito deste nome : a hidrelétrica de Inambari (2,2 mil MW), é um empreendimento orçado em  US$ 4 bilhões e fica a 300 km da fronteira. Será construída pelo Brasil , que importará do Peru 80 % da energia produzida pela usina , a um custo estimado de US$ 52 o MWh)

Mais algumas horas e se chega a Marcapata, com uma paisagem deslumbrante, ao lado de vulcões extintos, e a assombrosa cordilheira. Na ida, já noite escura, havia um “derrumbe” a 500 metros de Marcapata, o que nos fez dormir na cidade num hotel simples mas aconchegante. A porta do quarto dava para a praça da cidade. A porta do banheiro também saía na rua. Mas tudo muito barato, e os donos foram gentis e corteses o tempo inteiro. Um rápido passeio em Marcapata nos leva à igreja de São Francisco, feita de taipa e coberta com palha.

 Após mais um monte de curvas em U, a 4.000 metros de altitude, estamos próximos do Vale Sagrado dos Incas.

Os povoados se sucedem, com suas casinhas de taipa e de pedras, com varandas e plantações de batata nos quintais. As mães peruanas carregam os “niños” nas costas em faixas enroladas sobre as crianças.

foto : Z. Santos

foto : Z. Santos

Os pastores cuidam dos seus rebanhos de alpacas e lhamas. Chegamos já nas proximidades de Cuzco, e seus tesouros culturais, entre eles o mais idolatrado, procurado e festejado por turistas e aventureiros do mundo inteiro : Machu Picchu.

Não deve existir no mundo inteiro “Mané”  que tenha ido a Cusco e não tenha conhecido Machu Picchu.

Sexta Dica 

O período seco, sem chuvas, se estende de maio a setembro. Coincide com o período de alta  estação de Machu Picchu(junho/julho), quando há um incremento no número de turistas europeus. É a melhor época também para subir o Huayna Picchu , porque você terá uma visão aberta de Machu Picchu. Mas também é a época da neve nas estradas.

Em todo o canto do mundo, os aventureiros deixam seus rastros.

Em todo o canto do mundo, os aventureiros deixam seus rastros.

Sétima Dica

Preste bem atenção porque 7 é o número do mentiroso. Para os males das alturas ( Sorojchi na Bolivia, Soroche no Perú e Ecuador, Apunamiento na Argentina e Yeyo na Colombia)) não levamos o tal do oxigênio em lata ( cerca de 25 soles nas boas farmácias) , não mascamos folha de coca ( cerca de 3 soles um saco que dá prá mascar o ano inteiro), não tomamos Dramin, Diamox (acetazolamida), Sorojchi Pills,  nada. Fizemos a tática da hiperhidratação com Cuzqueña bem gelada. Cuidado ! Na maioria dos povoados e até mesmo em Cuzco servem ela natural ! Diga que é brasileiro e que gosta de cerveja gelada, a maioria dos estabelecimentos que vende este tipo de produto perecível e  sensível irá entender. Bebemos muita, mas muita mesmo, Cuzqueña. Tem a pilsen (loura) a Lager ( roja ) e a de trigo (Premium), todas excelentes. Deu uma dorzinha de cabeça que logo passou e atribuímos à altura. Fondo blanco !!! De 6 a 10 soles a “botella” de 620 ml. De 4 a 6 soles a “Personal”, equivalente à Long Neck (350 ml). Pode acompanhar um pisco puro, equivalente da nossa branquinha, só que feito de uva graduação alcoólica= 46º). Se preferir, pisco sour, quase uma caipirinha (fieito com clara de ovo,limão, açucar,gelo e angostura).

Uma das poucas fotos que a Zane não bateu

Uma das poucas fotos que a Zane não bateu

Oitava Dica

Não se arrisque a transitar com seu carro/moto por Cusco. Não vale a pena ! O trânsito é completamente maluco, as ruas estreitas,  lotações ensandecidas, táxis que não param de buzinar. Em 2 horas consegui levar dois esporros das guardetes ( as mulheres são maioria  na guarda de trânsito). Me livrei de multa pela cara de choro( olhos arregalados como filhote de gato) e porque ainda desconfio que elas não sabiam como multar um veículo estrangeiro. O táxi custa 3 soles fixos de dia, e 4 soles de noite. Vá de táxi (rezando, porque ele vai tentar atropelar velhinhas, fechar o ônibus que é 25 vezes maior que ele, etc,etc) E você ainda fica liberado para o tratamento de hiperhidratação contra o soroche sugerido algumas linhas acima ( Cuzqueñas bem geladas). 

Estamos chegando em Cusco, começa a aumentar o movimento na estrada, comércios feios da periferia se pronunciam (como em quase todas as cidades do mundo). A chegada é pela Av. de la Cultura, uma extensão da rodovia e é relativamente encontrar a Plaza de Armas, no centro histórico e nevrálgico da cidade.  Cusco , situada no sudeste do Vale de Huatanay ou Vale Sagrado dos Incas,  a 3400 metros do nível do mar, tem hoje cerca de 300.000 habitantes. Em idioma quíchua significa “umbigo”, talvez por ser a capital administrativa e cultural do Tahuantinsuyu, ou Império Inca. Em 1983 , foi declarada Patrimônio Mundial pela Unesco. A cidade já foi destruída por dois grandes terremotos : um em 1650 e o outro trezentos anos após, 1950. A Igreja da Companhia de Jesus foi destruída parcialmente pelos terremotos e  restaurada pelo governo peruano.  Vale a pena pagar um guia pelo menos para visitar esta igreja e a Catedral, você descobrirá muitas histórias interessantes como o Nosso Senhor dos Tremores, um Cristo que foi enegrecido pela fumaça das velas dos fiéis e que todos os anos é levado em procissão pela cidade, durante a Semana Santa .

Nona Dica

Vale a pena comprar o “Boleto Turístico del Cusco” por 130 soles, e com direito a visitar 16 lugares ( Moray, Ollantaytambo, Pisac, Chinchero, Tambomachay, Pukapukara, Q´enqo, Saqsayhuamán, os aquedutos de Tipón com as igrejas coloniais de Andahuaylillas e Huaro, Pikillacta, Museo de Sítio de Qoricancha, Museu Municipal de Arte Contemporânea, Museu Histórico Regional, Museu de Arte Popular, Monumento Pachacuteq e Centro Qosqo de Arte Nativo. Você pode também comprar por circuito I, II e III, pagando 70 soles. O boleto vale por 10 dias e é individualizado.

Sem me aprofundar muito 10 locais indispensáveis para visitar em Cusco :

1. Catedral (Plaza de Armas) Também com muitos quadros como “A Última Ceia”, de Marcos Sapaca Inca, de 1753. A catedral e a Igreja da Companhia de Jesus foram construídas em cima de antigos palácios incas e destruídas parcialmente pelos terremotos  de 1650 e 1950.

2. Igreja da Companhia de Jesus (Plaza de Armas) Um dos maiores retábulos que já vi , ornado em ouro. Um museu de quadros a óleo fantásticos pintados por artistas indígenas como Marcos Sapaca Inca.

3. Qorikancha / Igreja e Convento dos Dominicanos / Museu Arqueológico. Entrada pela Av. El Sol. O Centro Qosco de Arte Nativo fica quase em frente.

4. Igreja das Mercês

5. Museu Inka – Se você gosta de arqueologia, é uma tarde inteira para visitar.

6. Espetáculo de música andina e dança folclórica no Centro Qosco de Arte Nativo, na Av. El Sol, diáriamente, no final da tarde.

7. Museu de Arte Pré-Colombiana

8. Igreja e Convento de São Francisco de Assis

9. Igreja de San Blas

10.Museu de História Regional ( Casa de Garcilaso de la Vega).

Música andina e dança cusqueña no Centro Qosco, na Av. El Sol. Espetáculos diferentes todos os dias por volta de 18 hs (se informe). O ingresso custa 25 soles per capita, se você não tiver o boleto turístico. foto:Z. Santos

Música andina e dança cusqueña no Centro Qosco, na Av. El Sol. Espetáculos diferentes todos os dias por volta de 18 hs (se informe). O ingresso custa 25 soles per capita, se você não tiver o boleto turístico. foto: Z. Santos

Vista noturna da lateral da Igreja da Companhia de Jesus e Qoricancha, a partir da Av. El Sol. foto:Z.Santos

Vista noturna da lateral do Convento Dominicano e Qorikancha, a partir da Av. El Sol. foto: Z.Santos

Vista diurna do Convento Dominicano e do sítio arqueológico de Oricancha

Vista diurna do Convento Dominicano e do sítio arqueológico de Qorikancha

Ruas de Cusco : em cada pedra as marcas da história

Ruas de Cusco : em cada pedra as marcas da história

Saída meio complicada para Chinchero. Dobre no posto Repsol da Av. El Sol, a direita e siga em frente. Ollantaytambo: 77 km

Saída meio complicada para Chinchero. Dobre no posto Repsol da Av. El Sol, a direita e siga em frente. Ollantaytambo: 77 km

Uma boa opção é ir de Cusco a Ollantaytambo (onde você pode guardar o carro/moto) via Chinchero. Se você não pretende prosseguir até Lima ou Nazca e for voltar pela Interoceânica rumo ao Brasil, e não quiser mais passar por Cusco, uma ótima rota é Urubamba, Calca, Pisac e Pikilaqta, saindo a 45 km de Cusco rumo a Puerto Maldonado.

Nos arredores : Saqsayamán , Qenqo e Pukapukara .  Atenção: todos estes lugares merecem visita demorada ! Para quem está focado em Machu Picchu, vale subir a estrada via Chinchero passando em Urubamba e chegando em Ollantaytambo (onde você pode guardar o carro/moto) . Depois, se  não pretende prosseguir até Lima ou Nazca , vai voltar pela Interoceânica rumo ao Brasil  e não quer mais passar por Cusco, uma ótima rota é Urubamba, Calca, Pisac e Pikilaqta, saindo a 45 km de Cusco rumo a Puerto Maldonado.(clique no mapa para ampliar)

De  Ollantaytambo saem os trens até Águas Calientes, onde você terá que pernoitar caso queira subir o Huayna Picchu. Ao lado da estação de trem, dá prá deixar o carro/moto no estacionamento. No caso da Inca Rail, um trem mais chicoso (passagem a US$ 85, ida e volta, por pessoa, com direito a chá de coca, snacks, barrinha de cereal, sucos e chocolate) o estacionamento é na faixa. Se você for com a Peru Rail, o estacionamento custa 3 soles a hora. Como você vai passar a noite e o dia , fica no mínimo em 72 soles.

Sítio Arqueológico de Ollantaytambo

Complexo Arqueológico de Ollantaytambo

Plaza de Armas em Ollantaytambo, um vilarejo que preserva o desenho urbano e os muros feitos pelos incas. foto:Z.Santos

Plaza de Armas em Ollantaytambo, um vilarejo que preserva o desenho urbano e os muros feitos pelos incas. foto: Z.Santos

Rua estreita calçada com pedras. Ollantaytambo

Rua estreita calçada com pedras. Ollantaytambo

Pronto. Já estamos na estação de Trem em Ollantaytambo. Mais 1:40 minutos de viagem e estamos em Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu ! Quem consegue ficar acordado com o balanço do trem , avista belas paisagens como a do rio…. que serpenteia a cordilheira, acompanhando os trilhos.Compre o bilhete marcado para as poltronas do lado esquerdo do trem, cuja vista é mais legal !

Paisagem da janela do carro de passageiros da Inca Rail.

Paisagem da janela do carro de passageiros da Inca Rail.

Vista parcial de Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu

Vista parcial de Águas Calientes, nos pés do Machu Picchu

Agora é jogar prá dentro um “1/2 pollo” , megahidratar com as nossas Cuzqueñas e procurar uma pousada barata para dormir, porque o despertar será às 04:30 da manhã para pegar os primeiros micro-ônibus que sobem a montanha ( o primeiro sai às 5:30 hs, mas a “cola” já está imensa, nesta hora).

Este é o boleto que você imprime pela Internet.

Este é o boleto que deve ser comprado e impresso pela Internet.Dá acesso ao Huayna Picchu pela manhã e na volta, Machu Picchu até a hora de fechar, 17 hs, se quiser.

Décima Dica:

Se você vai subir  o Huayna Picchu tem que reservar o ingresso com bastante antecedência. Os grupos são limitados em dois, um que sai às 7 hs da manhã com 200 pessoas e outro sobe às 10, com mais 200. O ticket para Machu Picchu e Huyana Picchu é específico.Faça a reserva no site oficial aqui http://www.machupicchu.gob.pe/  . Não esqueça de liberar as janelas pop-up do seu navegador. O site foi melhorado no dia 31 de janeiro de 2012, segundo um comunicado do Ministério da Cultura do Peru.

O preço do ingresso para Huayna Picchu/Machu Picchu é de 152 soles para cada adulto. Somente para Machu Picchu, o ingresso custa 128 soles e só podem entrar 2.500 pessoas por dia.  Depois de fazer a reserva, você tem duas horas para confirmar o pagamento senão a reserva cai. ( Se estiver já dentro do Peru e não conseguir via On Line, vale a pena enfrentar uma “cola” (fila) enorme no Banco de La Nación del Peru para pagar a confirmação da reserva. O horário de funcionamento dos bancos é das 8:00 às 17:30 hs. Em Iñapari, há uma agência na Plaza de Armas. Em Puerto Maldonado, o banco fica na Calle Daniel Alcides Carrión N° 241-243 – Distrito: Tambopata, telefone 082 571 210. Aos sábados , o banco abre das 9 da manhã às 13 hs. O cartão de crédito aceito no pagamento on-line é o Visa. Se estiver na época de alta temporada nem sonhe em deixar para fazer a reserva na última hora, Você não vai conseguir !

6:40 da manhã. Fila para entrar no Huayna Picchu.

6:40 da manhã. Fila para entrar no Huayna Picchu.

Informações extra-oficiais dão conta que quem for estudante (com a carteira da ISIC) só pode comprar ingresso no  Escritório da Dirección Regional de Cultura – Cusco , Av. de la Cultura 238 (em frente ao estadio Universitario), Librería del Ministerio de Cultura (Casa Garcilaso) Condominio Huáscar Cusco – Perú, de segunda a sexta-feira das  8:00 as 16:00 horas ( é a avenida que dá prosseguimento à estrada logo que se chega a Cusco vindo de Puerto Maldonado) e no  Escritório do Centro Cultural de Machupicchu , em Aguas Calientes, já no povoado aos pés de Machu Picchu, de segunda a domingo, das 5:20 às 21horas. Isto porque houve tentativa de fraude com os boletos de estudante. Você pode mudar o nome ou a data do portador do ingresso com as seguintes penalidades : Se até 24 hs antes, 30 % do valor, se até 48 hs antes, 25 % do valor, se 72 hs ou mais , 10 % do valor. Quem quiser fazer o Caminho Inca, só pode comprar o ingresso nas agências da Direccion Regional de Cultura.

Pernas bambas, um pouco de falta de ar, emoção. Depois da descida do Huayna Picchu, ficamos o resto do dia vasculhando, admirando, sorvendo Machu Picchu aos pedacinhos , que delícia !

Após este dia bem cansativo ainda dirigi uns 150 quilômetros. Como a ida foi via Cusco/Chinchero , voltei via Urubamba, Calca, Pisac, Pikilaqta sentido Urcos. Atenção : Em Pisac, a saída é via San Salvador. Cruze a ponte e é a primeira rua à esquerda, na verdade já a rodovia. Mas não siga em frente para não chegar em Cusco novamente.

Nas alturas do Wayna Picchu

Nas alturas do Huayna Picchu…

cansaço e felicidade.

…cansaço e felicidade.

Confesso que saí do Peru com uma dúvida : afinal é ceviche ou cebiche ? Putz, esqueci de colocar mais fotos de Machu Picchu no blog. Mas também, nem precisa, tem tanta foto na net. O Marea rola suavemente na estrada de volta, chuvas, pensamentos… Meus amigos do sul, agora poderão fazer toda a perna via Pacífico. Conhecer a Chapada, Villa Bella da Santíssima Trindade. Logo asfaltam de novo a BR 319  até Manaus. Daí… San Pedro de Atacama é logo ali…documentos que precisa…dá prá ir em 10 dias…A 66 tá com ciúmes… E o GPS Garmin 660, tinha esquecido ! Mas dizem que em Iquique tudo é barato e então…Estrada !

Ouça aqui Machu Picchu, de Hermes Aquino

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Primeiros Pés

O fotógrafo inglês Tom Robinson, junto com sua mulher, Verity criou um site muito interessante para quem gosta de fazer aquelas fotinhos prontas para o Facebook. As fotos com os pés dos dois aparece em todos os lugares que o casal visitou (e foram muitos !). Confira aqui ! E depois , com a chegada da filha Matilda, passaram a ser 6 pés. Genial ! São mais de 90 fotos maravilhosas dos pés  de Tom e Verity que cruzaram Portugal, Bélgica, Croácia, Áustria, Romênia, Bulgária, Suíça, França, Tailândia, Camboja, Vietnã, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Chile, Argentina, Brasil, Bolívia, Peru, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Belize e México.

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Primeiros Pés

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O fotógrafo inglês Tom Robinson, junto com sua mulher, Verity criou um site muito interessante para quem gosta de fazer aquelas fotinhos prontas para o Facebook. As fotos com os pés dos dois aparece em todos os lugares que o casal visitou (e foram muitos !). Confira aqui ! E depois , com a chegada da filha Matilda, passaram a ser 6 pés. Genial ! São mais de 90 fotos maravilhosas dos pés  de Tom e Verity que cruzaram Portugal, Bélgica, Croácia, Áustria, Romênia, Bulgária, Suíça, França, Tailândia, Camboja, Vietnã, Singapura, Austrália, Nova Zelândia, Índia, Chile, Argentina, Brasil, Bolívia, Peru, Costa Rica, Nicarágua, Honduras, Guatemala, Belize e México.

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Vem aí… Dakar 2012 !

Baixe o mapa em arquivo PDF Rally-Dakar 2012 Argentina-Chile-Peru

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Pelé e Maradona : eterna rivalidade e ciúme explicado

fonte: Murcego Alvinegro

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