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Escuela Internacional de Cine e TV de Cuba : última semana de inscrições

As inscrições para o processo seletivo do curso regular 2012 / 2015 da EICTV se encerram no dia 10 de março. As provas serão aplicadas nos dias 16 e 17 de março, em cinco cidades: Belo Horizonte / MG, Recife / PE, Florianópolis / SC, Goiânia / GO Belém / PA.   O curso tem duração de 3 anos. O início está previsto para setembro de 2012 e término em julho de 2015.

Os candidatos devem ter entre 22 e 29 anos (nascidos entre 1982 e 1990) e preencher e enviar por e-mail a ficha de inscrição indicando o local onde fará os exames.

No dia da prova, deverá apresentar seu currículo impresso, carta de motivação, autorretrato em qualquer suporte, técnica ou formato e um arquivo pessoal (portfólio) com materiais em cine, vídeo, foto fixa, música, artes gráficas, literatura, teatro, imprensa, e outros, em cuja elaboração haja participado ou desempenhado um papel significativo e criativo, além de pagar uma taxa de 50 reais.

Cada candidato responderá a 2 provas escritas, no dia 16 de março: uma de conhecimentos gerais e uma correspondente à especialização que escolheu. Serão oferecidas oito especializações – DireçãoProduçãoRoteiro,FotografiaSomDocumentárioEdição e (especialidade nova) TV e Novas Mídias. Os candidatos aprovados nas provas escritas passarão por entrevista oral no dia seguinte (17 de março).

As informações completas e fichas de inscrição estão disponiveis na internet através dos sites da Associação Curta Minas / ABD-MG (www.curtaminas.com.br), da Fundação Joaquim Nabuco / PE (www.fundaj.gov.br), da AGEPEL / GO (www.agepel.go.gov.br), do SINTRACINE / SC (www. sintracine.org), do Instituto de Artes do Pará (www.iap.alcantara.net.br) e pelo blog www.eictvpara.blogspot.com

Após o preenchimento, a ficha de inscrição deve ser enviada por e-mail para eictvbrasil@gmail.com.

Coordenação Seleção EICTV 2011 – Brasil . contatar o Guigo Pádua (eictvbrasil@gmail.com) ou pelo fone (31) 9635-1026 .

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Idec alerta : projeto de lei ameaça liberdade de internautas

O projeto de lei 84/99, que tramita em caráter de urgência, limitará significativamente a liberdade dos consumidores na internet, além de ameaçar sua privacidade, alertou o Idec (Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor). O instituto entende que a proposta, conhecida como PL Azeredo, vai limitar a privacidade dos cidadãos, uma vez que instaura o monitoramento integral de suas ações na rede. A medida vai também permitir que os provedores de internet coletem e guardem os dados pessoais sem regulação prévia. O projeto de lei, que ficou conhecido como ‘AI-5 da internet’, fazendo referência ao ato que restringiu direitos civis na época da ditadura militar, mostra-se polêmico, sobretudo, por limitar a disseminação de informações na rede.Resumidamente, o Idec observa que as punições para crimes cometidos na rede acabam esbarrando em ações cotidianas dos consumidores, como o compartilhamento de conteúdos, a transferência de músicas já compradas de um CD para um computador ou outros dispositivos eletrônicos e o desbloqueio de aparelhos celulares. A preocupação do instituto  aumenta na medida em que a possível aprovação do projeto se aproxima. Como tramita em caráter de urgência, pode ser votado assim que a Câmara voltar do recesso parlamentar. O Idec reivindica que o projeto seja colocado na Comissão de Direitos do Consumidor, permitindo tanto o debate aberto quanto a revisão da proposta, antes que ela seja colocada em votação. Adicionalmente, o instituto observa que, antes da aprovação de qualquer projeto sobre crimes na internet, é preciso antes criar um marco civil sobre o tema. “O PL prevê que os provedores de internet, que já retêm as informações sobre os históricos de navegação dos consumidores na rede, ganhem poder de polícia e passem a monitorar os usuários”, afirma o advogado do Idec, Guilherme Varella.

via Infomoney

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Começa a ser dado um importante passo para a comunicação digital (via Somos andando)

Começa a ser dado um importante passo para a comunicação digital Hoje uma pessoa que faça comunicação digital e não tenha um faturamento anual suficientemente grande para transformar sua atividade em uma microempresa não tem alternativas de formalização para que possa obter uma renda com seu trabalho. Mas as notícias são boas.  … Read More via Somos andando

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Imprensa inconsequente contribui para trazer o AI5 Digital de volta (via Somos andando)

Imprensa inconsequente contribui para trazer o AI5 Digital de volta A “maior onda de ataques a sites do governo”, segundo os que entendem do metiê, não passou de um ataque primário, cujo único resultado poderia ser tirar os sites do ar, sem qualquer tipo de acesso a informações ou prejuízos maiores ao governo. Pois estes ataques estão agora sendo usados como justificativa para retomar um projeto de lei extremamente nocivo, que criminaliza usuários de internet, tira-lhes sua privacidade, instaura o vigilantismo… Read More via Somos andando

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Mayara Petruso no Twitter : MPF investiga denúncia de racismo. Pai diz que "tem raiva de quem tem preconceito". Irmão divulga carta e pede compreensão. A xenofobia da paulicéia mina os alicerces da República

Perfeito seria se não houvesse xenofobia, homofobia e preconceito racial. Mas eu já me contentaria se ao menos os estudantes universitários de classe média — que supostamente representam 4% da elite intelectual do país, culta e esclarecida — não fossem os responsáveis por difundir essa forma de preconceito. Mayara já apagou suas contas no Twitter e Facebook, mas o registro fica aqui, pra que ela não esqueça do dia em que, ao invés de se desculparpelas besteiras que disse, optou por se esconder e fingir que nada aconteceu.

UPDATE

E ainda tem gente que apoia os comentários da Mayara e aproveita pra chamar os nordestinos de ladrões, assassinos e estupradores.

A OAB de Pernambuco entrou nesta quarta-feira(3) com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra a estudante de direito Mayara Petruso, que chocou o Brasil com mensagens racistas postadas no Twitter logo após a eleição de Dilma Rousseff no domingo. Vários usuários se manifestaram de forma ofensiva aos nordestinos, mas, segundo a asessoria de imprensa da OAB-PE, a ação será concentrada em Mayara “porque foi ela quem começou”. Dentre vários posts ofensivos, Mayara escreveu: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado” (sic). Caberá ao Ministério Público Federal investigar o caso, e decidir se Mayara é passível de punição. A garota será alvo de duas ações: uma por racismo e outra por “incitação pública ao ato delituoso”. A primeira estipula pena de 2 a 5 anos de detenção, e a segunda, de 3 a 6 meses de reclusão ou multa. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável. O escritório de advocacia Peixoto e Cury Advogados, em São Paulo, onde Mayara era estagiária, divulgou nota nesta quarta-feira lamentando a postura da estudante. Ela já não trabalha mais no escritório. “Com muito pesar e indignação, (o Peixoto e Cury Advogados) lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, diz o escritório, em nota divulgada à imprensa. Não é a primeira ação na Justiça que apura crimes de xenofobia contra nordestinos praticados na internet. O Ministério Público Federal investiga denúncias de racismo por parte de membros de uma comunidade no Orkut chamada “Eu odeio nordestinos”. O tumblr Xenofobia Não reúne uma série de “print screens” de ofensas de usuários a nordestinos no Twitter, como “Só Hitler acaba com a raça dos petistas, construindo câmara de gás no Nordeste e matando geral” . O objetivo da ação contra Mayara, segundo a OAB-PE, é acabar com a percepção que existe de que manifestações odiosas na internet acabam impunes.

Presidente da OAB/PE explica notícia crime contra Mayara Petruso

O repórter André Rossi entrevistou Henrique Mariano, presidente da OAB/PE, que encaminhou notícia crime contra a estudante de Direito Mayara Petruso, baseada no crime de racismo e incitação de homicídio.

Seguem trechos da entrevista:

“Encaminhamos uma notícia-crime perante o Ministério Público Federal do Estado de São Paulo para que essa pessoa responda penalmente pela prática dos crimes de racismo, previsto no artigo 20, caput e § 2º, da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, com reclusão de dois a cinco anos e multa, e também pela prática do crime de incitação pública a prática de crime, prevista no artigo 286 do Código Penal, com pena de três a seis meses ou multa.”“Ao postar aquelas declarações, ela expressamente sugere que se mate um nordestino afogado. Ela incitou o homicídio e incorreu a prática delituosa de racismo, que configura crime inafiançável.”“Hoje em dia, essas redes sociais se equiparam a veículos de comunicação, como de fato são. Postadas essas declarações, é como se elas fossem para um jornal, uma televisão. Essas práticas ofendem, caracterizam ódio e configuram crime de racismo contra toda a população nordestina.”“Pelo crime de racismo ela pode ser condenada a reclusão de dois a cinco anos, com multa. Pela prática de incitação pública a violência e homicídio ela pode ser condenada a detenção de três a seis meses, ou multada.”“Ela é acadêmica. Nós hoje pela manhã entramos com um pedido da seccional da OAB/SP para que seja verificada a condição de estagiária. A OAB pode instaurar um procedimento administrativo para apurar as infrações dela na condição de estagiária. Essa declaração dela contraria o respeito e a dignidade das pessoas. E, como futura profissional de Direito, quem tem obrigação legal de defender os direitos humanos, a justiça social, ela contraria também todos os princípios que embasam e norteiam a atividade jurídica no Brasil. O advogado tem o dever de defender a Constituição, a ordem jurídica, os direitos humanos e a defesa social. Ela contrariou todos esses princípios.”“Eu acho que não houve influência (da disputa eleitoral), porque não é a primeira vez que isso acontece contra o povo nordestino. Já houve várias declarações que feriram a honra dos nordestinos.””Neste caso, no ato da infração já houve a identificação dela, e já foi divulgado seu perfil. Nós do OAB/PE ainda não apresentamos notícia-crime contra os outros infratores porque eles ainda não foram identificados.”

Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

O onda de tweets racistas que proliferou nas redes sociais – especialmente no Twitter – depois dos resultados das eleiçõespresidenciais estimulou a criação do Dia do Nordeste do Facebook.

diadonordeste

A iniciativa é tratada como um evento da rede social – por meio de um recurso do Facebook, pessoas são convidadas a participar por meio de comentários e conversas.  O Dia do Nordeste está programado para ser realizado entre a zero de sábado (dia 6/11) e zero do domingo (7/11). A definição de uma data tem o efeito simbólico e funciona para mobilizar as pessoas para aquele dia específico. Afinal, hoje mesmo já é possível entrar e se manifestar. O objetivo é postar mensagens positivas (vídeos, comentários tc) relacionadas ao Nordeste e que destaquem questões culturais, por exemplo, conforme me explicou Mira Caetano, uma das organizadoras do Dia do Facebook no Nordeste. “Essa ideia surgiu de um sentimento de indignação muito grande que senti com os posts no Twitter. Não sou nordestina, sou paulista, mas vivi na Paraíba durante quatro anos e me senti profundamente atingida. Então pensei que poderíamos dar uma resposta criativa a essa ‘xenofobia’ reacionária ao Nordeste”, disse Mira, que é cientista social formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Nesta sexta ja página contava com a confirmação de mais de 850 pessoas.

Deu na Folha On Line : ‘Se ela escreveu aquilo, vai ter que pagar’, diz pai de estudante acusada de racismo

“A gente acha que os tempos são modernos, mas ainda é como Roma. O pessoal mata e depois aplaude”, diz à Folha Antonino Petruso, pai da estudante Mayara Petruso, 21, investigada pelo Ministério Público Federal de São Paulo por suposto crime de racismo após mensagens anti-nordestinos postadas no Twitter.No domingo, após Dilma Rousseff (PT) ser anunciada vencedora das eleições, Mayara publicou no Twitter um pedido: que matassem os nordestinos afogados.Como vários usuários de redes sociais, a universitária responsabilizava o Nordeste pela vitória ,que  na verdade teria acontecido mesmo sem os votos da região. Dono do Supermercado do Papai, em Bragança Paulista (interior de São Paulo), onde mora, Antonino diz não ter um bom relacionamento com Mayara. Tampouco se dão bem, segundo Antonino, a estudante e as três irmãs dela. A garota é fruto de um relacionamento extraconjugal dele. Ele afirma que vai repensar se continua com os depósitos bancários mensais na conta da filha. A ajuda financeira, explicou, era voluntária, pois ela já é maior de idade. “Tenho raiva de quem faz preconceito, seja amarelo, branco, azul, pobre, rico. Se ela realmente escreveu aquilo, vai ter que pagar.” Ele também disse ter estranhado a posição da filha. A garota, segundo Antonino, é “carinhosa” e “adora bichos”. Estudante do sexto período, Mayara não tem ido às aulas. A faculdade onde estuda fica próxima ao apartamento onde mora sozinha, no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. A Folha esteve na casa apontada por familiares como sendo da mãe dela, em Bragança Paulista. A princípio, um homem atendeu e disse que a mulher poderia ser encontrada no salão de beleza vizinho ao endereço. Uma funcionária do estabelecimento, contudo, disse que não conhecia nem a mãe, nem a garota. Depois, voltou atrás e afirmou se tratar “de um caso delicado”. Disse que Mayara “vai falar quando tiver de falar”.

Suposta carta de Sérgio Petruso, irmão de Mayara: “Peço desculpas por minha irmã Mayara Petruso”

Gente, sou o Sérgio Petruso, autor desse blog, irmão da Mayara Petruso e quero esclarecer o seguinte: Não concordo com os textos que minha irmã publicou no twitter, discriminando pessoas do Nordeste, ainda mais que somos descendentes de nordestinos, nossos avós maternos são baianos. Sei que ela cometeu uma futilidade, um ato discriminatório, mas a Mayara não tinha sã consciência do que estava realmente provocando. Inclusive, o agora ex- namorado dela é um nordestino (paraibano) e terminou o namoro por causa da pressão que todos nós estamos sofrendo. Mas, compreendam, foi um arroubo da juventude e inexperiência de Mayara, e ela está arrependida e não tinha dimensão do ato provocado. Não tiro a razão da boa imprensa e do povo brasileiro por terem rechaçado as publicações dela, mas não vejo motivos para tanto alarde e para tanta discriminação com Mayara e com o povo de qualquer lugar. Muitos nordestinos e de outras regiões estão enviando textos com preconceitos contra a mulher que ela é, tecendo comentários também discriminatórios com os paulistas e agredindo famílias. Os sdela foram preconceituosos, porém ingênuos. Mas não é motivo para esse separatismo propagado nas reações e comentários de muitos. O que minha irmã precisa é de um orientação e, pasmem, não foi ela a única discriminar a Dilma e as pessoas que a elegeram. A campanha eleitoral mostrou isso com mais amplitude. Eu mesmo votei na Dilma e fui chamado de burro, por alguns amigos. Isso tem razão de ser?  Deêm uma olhada na net e verão coisas muito mais horrorosas do que o momento infeliz da minha irmã. Pessoas muito mais esclarecidas, com mais poderio intelectual e financeiro do que a grande maioria da população brasileira também têm discriminado os nordestinos, os pobres, os negros, os brancos, os índios, etc. Há várias vertentes do preconceito soltas mundo afora. São os preconceitos econômicos, de raças, de cor, religiosos, sexuais e mais uma série. Vejam quantos políticos se posicionam contra o casamento gay, do qual eu sou contra, mas não condeno? Quantas pessoas discriminam abertamente os pobres, seja por renegar os seus direitos, seja por renegar a sua ascenção? Quantas pessoas discriminam os sulistas, nortistas, paulistas, baianos, paraibanos e muito mais, abertamente, e nada acontece?   Minha irmã errou, mas vocês que estão emitindo opiniões e comentários agressivos também estão sendo preconceituosos contra uma mulher, uma jovem na flor da idade. É essa educação que queremos para a juventude? Ela, hoje, só chora e seu arrependimento é válido, é uma retomada de consciência pelo erro cometido. Não vejam no seu comentário um explosivo para a deflagração e bombardeamento de mais preconceitos. O fato já aconteceu, ela errou, mas devemos é ensiná-la a pensar diferente, pois minha maninha querida não matou e não roubou ninguém. Ela é dócil, meiga, inteligente, linda, amorosa, e como ser humano tem que ser compreendida e perdoada por algum ato falho. Não transformem o Brasil numa Torre de Babel, nem transformem a minha irmã em uma nova Geisy Arruda às avessas e não coloquem uma saia justa na vida dela. Desculpem o desabafo. Eu também sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor no coração. Minha irmã Mayara, eu te amo! Brasileiros e brasileiras, amo todos vocês!(Sérgio Petruso -05/11/2010)

Carta de uma blogueira a Mayra Petruso ( Mundo Público, Universos Particulares )

Prezada Mayara,

Não te conheço, não sei como é a sua vida, a sua rotina. A única coisa que eu sei é que você mora em São Paulo, um estado que – evidentemente – é um dos estados mais importantes deste país, haja vista a sua posição em relação aos negócios e a população aí existente – a maior do país. E também, sei que, no domingo, na sua “dor” de ter visto o seu governador ser derrotado nas urnas, soltou barbaridades a respeito de toda uma população que, de certa forma, também contribui para que o seu estado seja do jeito que é. Me deu nojo de ler o que li, e que fiz questão de destacar em cima dos meus escritos. N-O-J-O. Não há descrição mais justa que essa. Minha cara, você pensou, pesou e ponderou, como estudante de Direito que é, de como suas palavras poderiam ser interpretadas? De como seu desabafo preconceituoso desencadeou outras palavras de outras mentes tão atrasadas como a sua? De como isso bateu na cabeça de todo e qualquer nordestino deste país, independentemente de quem ele tenha votado? Você não bateu simplesmente em 18, 3 milhões dos 55 que votaram em Dilma, você acertou em quase 54 milhões, em todos os 9 estados deste Nordeste multicultural, deste Nordeste de tantas faces, pensares e atitudes!
Você foi muito infeliz em seu comentário… Não há desculpa para isso. Me pergunto: O que você sabe da Região Nordeste? Muito pouco, pelo jeito, né? Sua noção de história é muito contemporânea, o que é bizarro para alguém que quer ser advogada. Lembremos, minha cara, que o Nordeste, por muito e muito tempo, em especial durante os séculos de Brasil Colônia, carregou todo este país nas costas. Em especial, dois estados: a Bahia (a primeira capital deste país) e Pernambuco (que, com a sua cana-de-açúcar, segurou o país inteiro e, com o seu idealismo, lutou para que este país fosse o que fosse hoje – não é à toa que, mesmo na história recente, na luta pela redemocratização deste Brasil, os pernambucanos estiveram na luta). E então, minha querida? Vocês falam mal da gente, mas vocês também tem o nosso sangue! Pois foram nordestinos que desceram para aí e começaram a desbravar novos espaços neste país. Foram nordestinos que levantaram Brasília, foram nordestinos que encararam a fase da borracha no Norte. Será possível que a história recente deste Estado tão rico esquece o passado?

Relação dos Estados onde Dilma venceu – Até o Sudeste!

E Mayara, você se deteve assistindo tudo? Olhando pela Internet? Pois, tirando seu estado, o Sudeste levou Dilma ao poder. A majoritária do Norte também. Mesmo o Pará, que elegeu um tucano para ser governador, mesmo ali a nossa presidenta venceu. Perdemos no Sul e no Centro-Oeste (com exceção de Brasília, claro!), tudo bem. Não quero ficar discutindo os lauréis de quem venceu aqui ou ali. Mas simplesmente te dizer: SE não fosse TODOS estes votos, Dilma não estaria onde está. Se quer botar culpa em alguém, coloque em todos os 56% das pessoas que votaram nela, não em uma parcela do país.

Dessa crise eleitoreira e sem-sentido, ocasionaram comentários cada vez mais estúpidos, tolos e estapafúrdios.
Sabe, minha cara? Não posso falar pelo Nordeste todo, mas me orgulho inteiramente de SER NORDESTINA e de NUNCA TER VOTADO EM TUCANO, EM ESPECIAL O SERRA. E sabe por quê? Durante muito tempo, seu estado foi a menina dos olhos do governo de FHC, deixando nós à margem de um país que é de todos nós!  E hoje, pelo menos no meu estado, um dos maiores do Nordeste, posso te ressaltar: temos sim o Bolsa Família, mas também, neste mês, atingimos um índice recorde em empregos criados por aqui. Temos universidades públicas em vários locais do Interior, nós que durante muito tempo, só tínhamos duas e uma estadual que tinha “taxa de manutenção”, ou seja, nada pública. Temos um estaleiro que irá gerar mais empregos para nós, e até mesmo para vocês que estão aí com seu orgulho paulistano.
Não “nos vendemos” por comida, mas por melhores condições que só conseguimos nestes oito anos. Há muita coisa a ser feita, e eu destaco isso; agora, se fosse realmente assim, se nós que votamos em Dilma somos “mortos de fome”, o que você diria dos cariocas? Dos mineiros? Pois também votaram nela!Infelizmente, um fato gerou preconceitos ridículos. Tudo porque ninguém lembra de onde veio, de onde este Brasil começou. Pelo fato de serem “o maior Estado”, podem falar de meio mundo, mas são capazes de colocar palhaços, estilistas e políticos polêmicos no poder – e com altos índices de votação! De onde foi que saiu o Paulo Maluf? O Celso Pitta? Onde é a base política de José Dirceu? (isso pra você não dizer que estou sendo apenas esquerdista). Coisas toscas como “não ter Internet”… Hahaha. Ou como “nunca pegaria nordestina”… Tenho certeza que tem muita gente que eu conheço (paulistas, inclusive) que não teriam essa sua opinião preconceituosa, senhor Maxi! Por experiência própria – e posso nem ser tão gata (aliás, eu nunca fui gata!) como as mulheres de seu estado… E claro, tem muita gata aí que adoraria provar do “tempero nordestino”, pois acham os nossos homens muito sensuais. Por quê será, hein? =)Para a minha tristeza, cara Mayara, coisas ditas por você, por Maxi e tantos outros que coloquei como exemplo e os que rolam Twitter, Facebook e Orkut e outros espaços afora, não são exclusividade sua. São a ideia fixa de uma parte da sociedade brasileira que pensa que ser nordestino é ser inferior, é quase como ser um dalit tupiniquim, no qual nem se pode pisar a sombra sob o risco de ficar impuro, tal qual o rio Tietê (eu tinha que ser infame, eu tinha!) Mas outra parte desta sociedade, A NOSSA PARTE, grita para quem quiser ouvir, de qualquer canto deste país e do mundo: EU TENHO ORGULHO DE SER NORDESTIN@! De ser multicultural, de levar em sua cultura nomes consagrados na música (mesmo o Chico Buarque, carioca e de pai paulista, tem sangue pernambucano nas veias, e aí?), na literatura, na política (Lula taí pra quem quiser ver!) e na história desse rico país em que nós TODOS, nortistas, nordestinos, centro-oestistas, sudestinos e sulistas, vivemos e construímos e também destruímos cotidianamente. De ter as melhores festas deste país. De ter lindas paisagens, de ter um povo cheio de contrastes e histórias. De ser rico, de todas as formas possíveis.E para terminar, Mayara, desejo a você MUITO JUÍZO, e, se um dia você tiver condições, visite nossa região. Nosso povo é hospitaleiro, é inteligente, e vai te ensinar muita coisa. Pense bem nas suas atitudes e aprenda com as consequências do seu erro. E cuidado com esse mundo chamado Internet. Quer queiram, quer não; todo o país e todo o mundo pode nos ver – e atitudes como a sua, graças a Deus e à tecnologia, podem ser vistas, provadas (mesmo que se deletem perfis, sempre existirá um Print Screen no teclado para guardar coisas revoltantes como essa!), julgadas e enfim justiçadas.
Não a quero mal, nem vou perder tempo mandando você pra certos locais. Quero apenas a justiça. Para você e para quem ainda tem o pensamento estúpido e nazista de separação “regional” num país que é uma mistura de todos aqueles que pisaram por esta terra. Brancos, negros, índios, orientais. Católicos, evangélicos, espíritas, muçulmanos, buditas, judeus, umbandistas, ateus. Homens, mulheres. Heteros, gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais. Da Serra da Contamana, do Arroio Chuí, da Ponta de Seixas, do Monte Caburaí. Enfim, de todos aqueles que habitam os 8.514.876,599 km² deste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, que tantos estrangeiros querem conhecer e, os que conhecem, amam. Que Deus abençoe A TODO O BRASIL, igualmente! Saudações nordestinas, e especificamente pernambucanas,

Thaís Soledade.

A defesa de Mayara e a carta da leitora
Em defesa da estudante Mayara

por JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL*, na Folha

Não parece justo que Mayara seja demonizada como paulista racista, quando o mote da campanha eleitoral foi o da oposição entre as regiões. Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro. É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos. Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas. Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger. Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se “enquadraria” em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.
É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo. Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão. Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto. O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua. Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados. São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação. Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país. Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos. Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade. Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União. Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões. Se não dermos um basta a esse estratagema para manutenção no poder, várias Mayaras surgirão, em São Paulo, em Pernambuco, por todo o Brasil, e corremos o risco de perder o que temos de mais característico, a tolerância. Em nome de meu saudoso avô pernambucano, peço aos brasileiros que se mantenham unidos e fortes!

*JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, advogada, é professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

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Para o Painel do Leitor

Racismo às avessas

Lendo as absurdas argumentações da professora Janaina Paschoal “Em defesa da estudante Mayara”, lembrei que grandes pesquisadores do racismo e preconceito no Brasil, como Roger Bastide e Florestan Fernandes, denunciaram a lógica da inversão. Graças a ela, não apenas não somos racistas, como, ademais, tudo que acontece é culpa da vítima. Se não fossem os negros, os nordestinos, os pobres, as prostitutas, os homossexuais, se Lula não fosse presidente, a estudante Mayara não teria cometido o destempério de pedir o assassinato de ninguém e tampouco teria sido demonizada. Coitadinha dela!

Heloísa Fernandes, professora associada de Sociologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP)

Fátima Oliveira: A xenofobia da pauliceia mina os alicerces da República
por Fátima Oliveira, eO Tempo
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br

Adoro batata-doce com leite, que em minha infância a gente só podia comer de vez em quando, tipo uma vez por semana, pois vovó dizia que era uma comida danada de boa, mas faltava só um grau pra veneno. Não entendeu? Nem eu, até hoje! Talvez porque é um daqueles alimentos ditos “fortes”, que dão sustança – que a gente come e se delicia. E, ao terminar, está saciada, sonolenta, meia zen! Juro! Batata-doce com leite é uma carícia quando a gente está em busca de conforto… Sabe aquela sensação indescritível de querer comer algo que não se sabe o que é? Não é fome propriamente, pois com fome come-se qualquer coisa, como se diz no sertão: “A boca quer coisa boa, mas a barriga quer é ficar cheia”. Comer batata-doce com leite é dar um “trato” em minha memória alimentar afetiva. É comer e sentir renovar as energias. Desde o dia da twitada xenófoba da acadêmica de direito de Sampa, que incitava matar nordestinos por afogamento, eu sabia que precisava de algo! Só consegui falar sobre o assunto após comer batata-doce com leite! “Puxei pela memória”… Quando morava em São Paulo, na primeira metade dos anos 1990, uma amiga chegou à minha casa e eu estava comendo batata-doce com leite. Ela indagou o que era aquilo. Depois que respondi, a dita cuja lascou: “Ah, que baianada!”. Não engoli calada e, “olhos nos olhos”, me arretei dizendo-lhe que ela sabia que eu não era baiana e sim maranhense, mas que na Bahia também comiam batata-doce com leite, assim como no Nordeste todo.

Como uma socióloga não percebia que a naturalização e a banalização de vocábulos repletos de nojo e asco, que expressam aversão ao estrangeiro (xenofobia – do grego, “xeno” = estrangeiro + “fobia”=medo), são uma desumanização e desrespeito ao outro? Acrescentei que estava pelo gogó com essa história de que todo nordestino em São Paulo é baiano, termo usado não para indicar quem nasce na Bahia, mas para, depreciativamente, se referir a nordestinos e nortistas: “Essa gente lá de cima (demorei pra entender que se referiam ao mapa do Brasil!), que até coisas estranhas come…”.

Na época recrudescia em São Paulo o nojo a nordestinos, para ferir a prefeita de São Paulo, a paraibana Luiza Erundina, que a elite paulistana jamais engoliu! Ao contrário, perseguiu sem tréguas. Coincidentemente, eu estava às voltas com um xenófobo casal egípcio, radicado em São Paulo há mais de 30 anos, pais de um namorado de uma das minhas filhas, que teve o desplante de ir “tomar satisfações” comigo! Foi uma cena ridiculamente surreal!

O pai chegou arrastado pela sua consorte, que não era nada submissa para afrontar-me. Balbuciava que não era contra o seu “bebê” namorar uma “baiana” (pense no asco!), apenas que eu os respeitasse, não oferecendo carne de porco para ele. E que eu ficasse sabendo que o filho dela se casaria com uma muçulmana. Com baiana, jamais! Disse-lhes que a porta da rua era a serventia da casa e os escorracei!

Entendi ali como a elite paulistana, quatrocentona e xenófoba, consegue impor e perpetuar ideias de superioridade racial (racismo) e a renitente aversão a nordestinos: catequizando até imigrantes de outros países que “essa gente lá de cima” (do mapa) é erva-daninha! Na cidade de São Paulo, que tem suor “dessa gente lá de cima” em cada grão de riqueza, tudo o que alguém faz de errado ou que não presta, para xenófobos nativos caipiras e/ou letrados “sorbonados”, é “baianada”.

Chega, a postura xenófoba dessa gente mina os alicerces da República!

com informações do  Yahoo! Brasil ,Dois Espressos ,  Blog do RovaiIDG NowFolha On Line e Viomundo

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Mayara Petruso no Twitter : MPF investiga denúncia de racismo. Pai diz que “tem raiva de quem tem preconceito”. Irmão divulga carta e pede compreensão. A xenofobia da paulicéia mina os alicerces da República

Perfeito seria se não houvesse xenofobia, homofobia e preconceito racial. Mas eu já me contentaria se ao menos os estudantes universitários de classe média — que supostamente representam 4% da elite intelectual do país, culta e esclarecida — não fossem os responsáveis por difundir essa forma de preconceito. Mayara já apagou suas contas no Twitter e Facebook, mas o registro fica aqui, pra que ela não esqueça do dia em que, ao invés de se desculparpelas besteiras que disse, optou por se esconder e fingir que nada aconteceu.

UPDATE

E ainda tem gente que apoia os comentários da Mayara e aproveita pra chamar os nordestinos de ladrões, assassinos e estupradores.

A OAB de Pernambuco entrou nesta quarta-feira(3) com uma notícia-crime no Ministério Público Federal em São Paulo contra a estudante de direito Mayara Petruso, que chocou o Brasil com mensagens racistas postadas no Twitter logo após a eleição de Dilma Rousseff no domingo. Vários usuários se manifestaram de forma ofensiva aos nordestinos, mas, segundo a asessoria de imprensa da OAB-PE, a ação será concentrada em Mayara “porque foi ela quem começou”. Dentre vários posts ofensivos, Mayara escreveu: “‘Nordestisto’ não é gente. Faça um favor a SP: mate um nordestino afogado” (sic). Caberá ao Ministério Público Federal investigar o caso, e decidir se Mayara é passível de punição. A garota será alvo de duas ações: uma por racismo e outra por “incitação pública ao ato delituoso”. A primeira estipula pena de 2 a 5 anos de detenção, e a segunda, de 3 a 6 meses de reclusão ou multa. O crime de racismo é imprescritível e inafiançável. O escritório de advocacia Peixoto e Cury Advogados, em São Paulo, onde Mayara era estagiária, divulgou nota nesta quarta-feira lamentando a postura da estudante. Ela já não trabalha mais no escritório. “Com muito pesar e indignação, (o Peixoto e Cury Advogados) lamenta a infeliz opinião pessoal emitida, em rede social, pela mesma, da qual apenas tomou conhecimento pela mídia e que veemente é contrário, deixando, assim, ao crivo das autoridades competentes as providências cabíveis”, diz o escritório, em nota divulgada à imprensa. Não é a primeira ação na Justiça que apura crimes de xenofobia contra nordestinos praticados na internet. O Ministério Público Federal investiga denúncias de racismo por parte de membros de uma comunidade no Orkut chamada “Eu odeio nordestinos”. O tumblr Xenofobia Não reúne uma série de “print screens” de ofensas de usuários a nordestinos no Twitter, como “Só Hitler acaba com a raça dos petistas, construindo câmara de gás no Nordeste e matando geral” . O objetivo da ação contra Mayara, segundo a OAB-PE, é acabar com a percepção que existe de que manifestações odiosas na internet acabam impunes.

Presidente da OAB/PE explica notícia crime contra Mayara Petruso

O repórter André Rossi entrevistou Henrique Mariano, presidente da OAB/PE, que encaminhou notícia crime contra a estudante de Direito Mayara Petruso, baseada no crime de racismo e incitação de homicídio.

Seguem trechos da entrevista:

“Encaminhamos uma notícia-crime perante o Ministério Público Federal do Estado de São Paulo para que essa pessoa responda penalmente pela prática dos crimes de racismo, previsto no artigo 20, caput e § 2º, da Lei 7.716, de 5 de janeiro de 1989, com reclusão de dois a cinco anos e multa, e também pela prática do crime de incitação pública a prática de crime, prevista no artigo 286 do Código Penal, com pena de três a seis meses ou multa.”“Ao postar aquelas declarações, ela expressamente sugere que se mate um nordestino afogado. Ela incitou o homicídio e incorreu a prática delituosa de racismo, que configura crime inafiançável.”“Hoje em dia, essas redes sociais se equiparam a veículos de comunicação, como de fato são. Postadas essas declarações, é como se elas fossem para um jornal, uma televisão. Essas práticas ofendem, caracterizam ódio e configuram crime de racismo contra toda a população nordestina.”“Pelo crime de racismo ela pode ser condenada a reclusão de dois a cinco anos, com multa. Pela prática de incitação pública a violência e homicídio ela pode ser condenada a detenção de três a seis meses, ou multada.”“Ela é acadêmica. Nós hoje pela manhã entramos com um pedido da seccional da OAB/SP para que seja verificada a condição de estagiária. A OAB pode instaurar um procedimento administrativo para apurar as infrações dela na condição de estagiária. Essa declaração dela contraria o respeito e a dignidade das pessoas. E, como futura profissional de Direito, quem tem obrigação legal de defender os direitos humanos, a justiça social, ela contraria também todos os princípios que embasam e norteiam a atividade jurídica no Brasil. O advogado tem o dever de defender a Constituição, a ordem jurídica, os direitos humanos e a defesa social. Ela contrariou todos esses princípios.”“Eu acho que não houve influência (da disputa eleitoral), porque não é a primeira vez que isso acontece contra o povo nordestino. Já houve várias declarações que feriram a honra dos nordestinos.””Neste caso, no ato da infração já houve a identificação dela, e já foi divulgado seu perfil. Nós do OAB/PE ainda não apresentamos notícia-crime contra os outros infratores porque eles ainda não foram identificados.”

Em reação ao racismo, internautas preparam Dia do Nordeste no Facebook

O onda de tweets racistas que proliferou nas redes sociais – especialmente no Twitter – depois dos resultados das eleiçõespresidenciais estimulou a criação do Dia do Nordeste do Facebook.

diadonordeste

A iniciativa é tratada como um evento da rede social – por meio de um recurso do Facebook, pessoas são convidadas a participar por meio de comentários e conversas.  O Dia do Nordeste está programado para ser realizado entre a zero de sábado (dia 6/11) e zero do domingo (7/11). A definição de uma data tem o efeito simbólico e funciona para mobilizar as pessoas para aquele dia específico. Afinal, hoje mesmo já é possível entrar e se manifestar. O objetivo é postar mensagens positivas (vídeos, comentários tc) relacionadas ao Nordeste e que destaquem questões culturais, por exemplo, conforme me explicou Mira Caetano, uma das organizadoras do Dia do Facebook no Nordeste. “Essa ideia surgiu de um sentimento de indignação muito grande que senti com os posts no Twitter. Não sou nordestina, sou paulista, mas vivi na Paraíba durante quatro anos e me senti profundamente atingida. Então pensei que poderíamos dar uma resposta criativa a essa ‘xenofobia’ reacionária ao Nordeste”, disse Mira, que é cientista social formada pela Universidade Estadual do Rio de Janeiro. Nesta sexta ja página contava com a confirmação de mais de 850 pessoas.

Deu na Folha On Line : ‘Se ela escreveu aquilo, vai ter que pagar’, diz pai de estudante acusada de racismo

“A gente acha que os tempos são modernos, mas ainda é como Roma. O pessoal mata e depois aplaude”, diz à Folha Antonino Petruso, pai da estudante Mayara Petruso, 21, investigada pelo Ministério Público Federal de São Paulo por suposto crime de racismo após mensagens anti-nordestinos postadas no Twitter.No domingo, após Dilma Rousseff (PT) ser anunciada vencedora das eleições, Mayara publicou no Twitter um pedido: que matassem os nordestinos afogados.Como vários usuários de redes sociais, a universitária responsabilizava o Nordeste pela vitória ,que  na verdade teria acontecido mesmo sem os votos da região. Dono do Supermercado do Papai, em Bragança Paulista (interior de São Paulo), onde mora, Antonino diz não ter um bom relacionamento com Mayara. Tampouco se dão bem, segundo Antonino, a estudante e as três irmãs dela. A garota é fruto de um relacionamento extraconjugal dele. Ele afirma que vai repensar se continua com os depósitos bancários mensais na conta da filha. A ajuda financeira, explicou, era voluntária, pois ela já é maior de idade. “Tenho raiva de quem faz preconceito, seja amarelo, branco, azul, pobre, rico. Se ela realmente escreveu aquilo, vai ter que pagar.” Ele também disse ter estranhado a posição da filha. A garota, segundo Antonino, é “carinhosa” e “adora bichos”. Estudante do sexto período, Mayara não tem ido às aulas. A faculdade onde estuda fica próxima ao apartamento onde mora sozinha, no bairro da Liberdade, no centro de São Paulo. A Folha esteve na casa apontada por familiares como sendo da mãe dela, em Bragança Paulista. A princípio, um homem atendeu e disse que a mulher poderia ser encontrada no salão de beleza vizinho ao endereço. Uma funcionária do estabelecimento, contudo, disse que não conhecia nem a mãe, nem a garota. Depois, voltou atrás e afirmou se tratar “de um caso delicado”. Disse que Mayara “vai falar quando tiver de falar”.

Suposta carta de Sérgio Petruso, irmão de Mayara: “Peço desculpas por minha irmã Mayara Petruso”

Gente, sou o Sérgio Petruso, autor desse blog, irmão da Mayara Petruso e quero esclarecer o seguinte: Não concordo com os textos que minha irmã publicou no twitter, discriminando pessoas do Nordeste, ainda mais que somos descendentes de nordestinos, nossos avós maternos são baianos. Sei que ela cometeu uma futilidade, um ato discriminatório, mas a Mayara não tinha sã consciência do que estava realmente provocando. Inclusive, o agora ex- namorado dela é um nordestino (paraibano) e terminou o namoro por causa da pressão que todos nós estamos sofrendo. Mas, compreendam, foi um arroubo da juventude e inexperiência de Mayara, e ela está arrependida e não tinha dimensão do ato provocado. Não tiro a razão da boa imprensa e do povo brasileiro por terem rechaçado as publicações dela, mas não vejo motivos para tanto alarde e para tanta discriminação com Mayara e com o povo de qualquer lugar. Muitos nordestinos e de outras regiões estão enviando textos com preconceitos contra a mulher que ela é, tecendo comentários também discriminatórios com os paulistas e agredindo famílias. Os sdela foram preconceituosos, porém ingênuos. Mas não é motivo para esse separatismo propagado nas reações e comentários de muitos. O que minha irmã precisa é de um orientação e, pasmem, não foi ela a única discriminar a Dilma e as pessoas que a elegeram. A campanha eleitoral mostrou isso com mais amplitude. Eu mesmo votei na Dilma e fui chamado de burro, por alguns amigos. Isso tem razão de ser?  Deêm uma olhada na net e verão coisas muito mais horrorosas do que o momento infeliz da minha irmã. Pessoas muito mais esclarecidas, com mais poderio intelectual e financeiro do que a grande maioria da população brasileira também têm discriminado os nordestinos, os pobres, os negros, os brancos, os índios, etc. Há várias vertentes do preconceito soltas mundo afora. São os preconceitos econômicos, de raças, de cor, religiosos, sexuais e mais uma série. Vejam quantos políticos se posicionam contra o casamento gay, do qual eu sou contra, mas não condeno? Quantas pessoas discriminam abertamente os pobres, seja por renegar os seus direitos, seja por renegar a sua ascenção? Quantas pessoas discriminam os sulistas, nortistas, paulistas, baianos, paraibanos e muito mais, abertamente, e nada acontece?   Minha irmã errou, mas vocês que estão emitindo opiniões e comentários agressivos também estão sendo preconceituosos contra uma mulher, uma jovem na flor da idade. É essa educação que queremos para a juventude? Ela, hoje, só chora e seu arrependimento é válido, é uma retomada de consciência pelo erro cometido. Não vejam no seu comentário um explosivo para a deflagração e bombardeamento de mais preconceitos. O fato já aconteceu, ela errou, mas devemos é ensiná-la a pensar diferente, pois minha maninha querida não matou e não roubou ninguém. Ela é dócil, meiga, inteligente, linda, amorosa, e como ser humano tem que ser compreendida e perdoada por algum ato falho. Não transformem o Brasil numa Torre de Babel, nem transformem a minha irmã em uma nova Geisy Arruda às avessas e não coloquem uma saia justa na vida dela. Desculpem o desabafo. Eu também sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor no coração. Minha irmã Mayara, eu te amo! Brasileiros e brasileiras, amo todos vocês!(Sérgio Petruso -05/11/2010)

Carta de uma blogueira a Mayra Petruso ( Mundo Público, Universos Particulares )

Prezada Mayara,

Não te conheço, não sei como é a sua vida, a sua rotina. A única coisa que eu sei é que você mora em São Paulo, um estado que – evidentemente – é um dos estados mais importantes deste país, haja vista a sua posição em relação aos negócios e a população aí existente – a maior do país. E também, sei que, no domingo, na sua “dor” de ter visto o seu governador ser derrotado nas urnas, soltou barbaridades a respeito de toda uma população que, de certa forma, também contribui para que o seu estado seja do jeito que é. Me deu nojo de ler o que li, e que fiz questão de destacar em cima dos meus escritos. N-O-J-O. Não há descrição mais justa que essa. Minha cara, você pensou, pesou e ponderou, como estudante de Direito que é, de como suas palavras poderiam ser interpretadas? De como seu desabafo preconceituoso desencadeou outras palavras de outras mentes tão atrasadas como a sua? De como isso bateu na cabeça de todo e qualquer nordestino deste país, independentemente de quem ele tenha votado? Você não bateu simplesmente em 18, 3 milhões dos 55 que votaram em Dilma, você acertou em quase 54 milhões, em todos os 9 estados deste Nordeste multicultural, deste Nordeste de tantas faces, pensares e atitudes!
Você foi muito infeliz em seu comentário… Não há desculpa para isso. Me pergunto: O que você sabe da Região Nordeste? Muito pouco, pelo jeito, né? Sua noção de história é muito contemporânea, o que é bizarro para alguém que quer ser advogada. Lembremos, minha cara, que o Nordeste, por muito e muito tempo, em especial durante os séculos de Brasil Colônia, carregou todo este país nas costas. Em especial, dois estados: a Bahia (a primeira capital deste país) e Pernambuco (que, com a sua cana-de-açúcar, segurou o país inteiro e, com o seu idealismo, lutou para que este país fosse o que fosse hoje – não é à toa que, mesmo na história recente, na luta pela redemocratização deste Brasil, os pernambucanos estiveram na luta). E então, minha querida? Vocês falam mal da gente, mas vocês também tem o nosso sangue! Pois foram nordestinos que desceram para aí e começaram a desbravar novos espaços neste país. Foram nordestinos que levantaram Brasília, foram nordestinos que encararam a fase da borracha no Norte. Será possível que a história recente deste Estado tão rico esquece o passado?

Relação dos Estados onde Dilma venceu – Até o Sudeste!

E Mayara, você se deteve assistindo tudo? Olhando pela Internet? Pois, tirando seu estado, o Sudeste levou Dilma ao poder. A majoritária do Norte também. Mesmo o Pará, que elegeu um tucano para ser governador, mesmo ali a nossa presidenta venceu. Perdemos no Sul e no Centro-Oeste (com exceção de Brasília, claro!), tudo bem. Não quero ficar discutindo os lauréis de quem venceu aqui ou ali. Mas simplesmente te dizer: SE não fosse TODOS estes votos, Dilma não estaria onde está. Se quer botar culpa em alguém, coloque em todos os 56% das pessoas que votaram nela, não em uma parcela do país.

Dessa crise eleitoreira e sem-sentido, ocasionaram comentários cada vez mais estúpidos, tolos e estapafúrdios.
Sabe, minha cara? Não posso falar pelo Nordeste todo, mas me orgulho inteiramente de SER NORDESTINA e de NUNCA TER VOTADO EM TUCANO, EM ESPECIAL O SERRA. E sabe por quê? Durante muito tempo, seu estado foi a menina dos olhos do governo de FHC, deixando nós à margem de um país que é de todos nós!  E hoje, pelo menos no meu estado, um dos maiores do Nordeste, posso te ressaltar: temos sim o Bolsa Família, mas também, neste mês, atingimos um índice recorde em empregos criados por aqui. Temos universidades públicas em vários locais do Interior, nós que durante muito tempo, só tínhamos duas e uma estadual que tinha “taxa de manutenção”, ou seja, nada pública. Temos um estaleiro que irá gerar mais empregos para nós, e até mesmo para vocês que estão aí com seu orgulho paulistano.
Não “nos vendemos” por comida, mas por melhores condições que só conseguimos nestes oito anos. Há muita coisa a ser feita, e eu destaco isso; agora, se fosse realmente assim, se nós que votamos em Dilma somos “mortos de fome”, o que você diria dos cariocas? Dos mineiros? Pois também votaram nela!Infelizmente, um fato gerou preconceitos ridículos. Tudo porque ninguém lembra de onde veio, de onde este Brasil começou. Pelo fato de serem “o maior Estado”, podem falar de meio mundo, mas são capazes de colocar palhaços, estilistas e políticos polêmicos no poder – e com altos índices de votação! De onde foi que saiu o Paulo Maluf? O Celso Pitta? Onde é a base política de José Dirceu? (isso pra você não dizer que estou sendo apenas esquerdista). Coisas toscas como “não ter Internet”… Hahaha. Ou como “nunca pegaria nordestina”… Tenho certeza que tem muita gente que eu conheço (paulistas, inclusive) que não teriam essa sua opinião preconceituosa, senhor Maxi! Por experiência própria – e posso nem ser tão gata (aliás, eu nunca fui gata!) como as mulheres de seu estado… E claro, tem muita gata aí que adoraria provar do “tempero nordestino”, pois acham os nossos homens muito sensuais. Por quê será, hein? =)Para a minha tristeza, cara Mayara, coisas ditas por você, por Maxi e tantos outros que coloquei como exemplo e os que rolam Twitter, Facebook e Orkut e outros espaços afora, não são exclusividade sua. São a ideia fixa de uma parte da sociedade brasileira que pensa que ser nordestino é ser inferior, é quase como ser um dalit tupiniquim, no qual nem se pode pisar a sombra sob o risco de ficar impuro, tal qual o rio Tietê (eu tinha que ser infame, eu tinha!) Mas outra parte desta sociedade, A NOSSA PARTE, grita para quem quiser ouvir, de qualquer canto deste país e do mundo: EU TENHO ORGULHO DE SER NORDESTIN@! De ser multicultural, de levar em sua cultura nomes consagrados na música (mesmo o Chico Buarque, carioca e de pai paulista, tem sangue pernambucano nas veias, e aí?), na literatura, na política (Lula taí pra quem quiser ver!) e na história desse rico país em que nós TODOS, nortistas, nordestinos, centro-oestistas, sudestinos e sulistas, vivemos e construímos e também destruímos cotidianamente. De ter as melhores festas deste país. De ter lindas paisagens, de ter um povo cheio de contrastes e histórias. De ser rico, de todas as formas possíveis.E para terminar, Mayara, desejo a você MUITO JUÍZO, e, se um dia você tiver condições, visite nossa região. Nosso povo é hospitaleiro, é inteligente, e vai te ensinar muita coisa. Pense bem nas suas atitudes e aprenda com as consequências do seu erro. E cuidado com esse mundo chamado Internet. Quer queiram, quer não; todo o país e todo o mundo pode nos ver – e atitudes como a sua, graças a Deus e à tecnologia, podem ser vistas, provadas (mesmo que se deletem perfis, sempre existirá um Print Screen no teclado para guardar coisas revoltantes como essa!), julgadas e enfim justiçadas.
Não a quero mal, nem vou perder tempo mandando você pra certos locais. Quero apenas a justiça. Para você e para quem ainda tem o pensamento estúpido e nazista de separação “regional” num país que é uma mistura de todos aqueles que pisaram por esta terra. Brancos, negros, índios, orientais. Católicos, evangélicos, espíritas, muçulmanos, buditas, judeus, umbandistas, ateus. Homens, mulheres. Heteros, gays, lésbicas, bissexuais, transsexuais. Da Serra da Contamana, do Arroio Chuí, da Ponta de Seixas, do Monte Caburaí. Enfim, de todos aqueles que habitam os 8.514.876,599 km² deste país tropical, abençoado por Deus e bonito por natureza, que tantos estrangeiros querem conhecer e, os que conhecem, amam. Que Deus abençoe A TODO O BRASIL, igualmente! Saudações nordestinas, e especificamente pernambucanas,

Thaís Soledade.

A defesa de Mayara e a carta da leitora
Em defesa da estudante Mayara

por JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL*, na Folha

Não parece justo que Mayara seja demonizada como paulista racista, quando o mote da campanha eleitoral foi o da oposição entre as regiões. Sou neta de nordestinos, que vieram para São Paulo e trabalharam muito para que, hoje, eu e outros familiares da mesma geração sejamos profissionais felizes com sua vida neste grande Estado brasileiro. É muito triste ler a frase da estudante de direito Mayara Petruso, supostamente convocando paulistas a afogar nordestinos. Também é bastante triste constatar a reação de alguns nordestinos, que generalizam a frase de Mayara a todos os paulistas. Igualmente triste a rejeição sofrida pelo candidato da oposição à Presidência da República, muito em função de ele ser paulista. Todos ouvimos manifestações no sentido de que, tivesse sido Aécio Neves o candidato, Dilma teria tido mais trabalho para se eleger. Independentemente da tristeza que as manifestações ofensivas suscitam, e mais do que tentar verificar se a frase da jovem se “enquadraria” em qualquer crime, parece ser urgente denunciar que Mayara é um resultado da política separatista há anos incentivada pelo governo federal.
É o nosso presidente quem faz questão de separar o Brasil em Norte e Sul. É ele quem faz questão de cindir o povo brasileiro em pobres e ricos. Infelizmente, é o líder máximo da nação que continua utilizando o factoide elite, devendo-se destacar que faz parte da estigmatizada elite apenas quem está contra o governo. Ultrapassado o processo eleitoral, que, infelizmente, aceitou todo tipo de promessas, muitas das quais, pelo que já se anuncia, não serão cumpridas, é hora de chamar o Brasil para uma reflexão. Talvez o caso Mayara seja o catalisador para tanto. O Brasil sempre foi exemplo de união. Apesar das dimensões continentais, falamos a mesma língua. Por mais popular que seja um líder político, não é possível permitir que essa união, que a União, seja maculada sob o pretexto de se criarem falsos inimigos, falsas elites, pretensos descontentes com as benesses conferidas aos pobres e aos necessitados. São Paulo, é fato, é fonte de grande parte dos benefícios distribuídos no restante do país. São Paulo, é fato, revela-se o Estado mais nordestino da Federação. Nós, brasileiros, não podemos permitir que a desunião impere. Tal desunião finda por fomentar o populismo, tão deletério às instituições no país. Não há que se falar em governo para pobres ou para ricos. Pouco após a eleição, a futura presidente já anunciou o antes negado retorno da CPMF e adiou o prometido aumento no salário mínimo. Não é exagero lembrar que Getulio Vargas era conhecido como pai dos pobres e mãe dos ricos. Não precisamos de pais ou mães. Não precisamos de mais vitimização. Precisamos apenas de governantes com responsabilidade. Se, para garantir a permanência no poder, foi necessário fomentar a cisão, é preciso ter a decência de governar pela e para a União. Quanto a Mayara, entendo que errou, mas não parece justo que seja demonizada como paulista racista, quando o mote dado na campanha eleitoral foi justamente o da oposição entre as regiões. Se não dermos um basta a esse estratagema para manutenção no poder, várias Mayaras surgirão, em São Paulo, em Pernambuco, por todo o Brasil, e corremos o risco de perder o que temos de mais característico, a tolerância. Em nome de meu saudoso avô pernambucano, peço aos brasileiros que se mantenham unidos e fortes!

*JANAINA CONCEIÇÃO PASCHOAL, advogada, é professora associada de direito penal na Faculdade de Direito da Universidade de São Paulo.

*****

Para o Painel do Leitor

Racismo às avessas

Lendo as absurdas argumentações da professora Janaina Paschoal “Em defesa da estudante Mayara”, lembrei que grandes pesquisadores do racismo e preconceito no Brasil, como Roger Bastide e Florestan Fernandes, denunciaram a lógica da inversão. Graças a ela, não apenas não somos racistas, como, ademais, tudo que acontece é culpa da vítima. Se não fossem os negros, os nordestinos, os pobres, as prostitutas, os homossexuais, se Lula não fosse presidente, a estudante Mayara não teria cometido o destempério de pedir o assassinato de ninguém e tampouco teria sido demonizada. Coitadinha dela!

Heloísa Fernandes, professora associada de Sociologia da Faculdade de Filosofia da Universidade de São Paulo (São Paulo, SP)

Fátima Oliveira: A xenofobia da pauliceia mina os alicerces da República
por Fátima Oliveira, eO Tempo
Médica – fatimaoliveira@ig.com.br

Adoro batata-doce com leite, que em minha infância a gente só podia comer de vez em quando, tipo uma vez por semana, pois vovó dizia que era uma comida danada de boa, mas faltava só um grau pra veneno. Não entendeu? Nem eu, até hoje! Talvez porque é um daqueles alimentos ditos “fortes”, que dão sustança – que a gente come e se delicia. E, ao terminar, está saciada, sonolenta, meia zen! Juro! Batata-doce com leite é uma carícia quando a gente está em busca de conforto… Sabe aquela sensação indescritível de querer comer algo que não se sabe o que é? Não é fome propriamente, pois com fome come-se qualquer coisa, como se diz no sertão: “A boca quer coisa boa, mas a barriga quer é ficar cheia”. Comer batata-doce com leite é dar um “trato” em minha memória alimentar afetiva. É comer e sentir renovar as energias. Desde o dia da twitada xenófoba da acadêmica de direito de Sampa, que incitava matar nordestinos por afogamento, eu sabia que precisava de algo! Só consegui falar sobre o assunto após comer batata-doce com leite! “Puxei pela memória”… Quando morava em São Paulo, na primeira metade dos anos 1990, uma amiga chegou à minha casa e eu estava comendo batata-doce com leite. Ela indagou o que era aquilo. Depois que respondi, a dita cuja lascou: “Ah, que baianada!”. Não engoli calada e, “olhos nos olhos”, me arretei dizendo-lhe que ela sabia que eu não era baiana e sim maranhense, mas que na Bahia também comiam batata-doce com leite, assim como no Nordeste todo.

Como uma socióloga não percebia que a naturalização e a banalização de vocábulos repletos de nojo e asco, que expressam aversão ao estrangeiro (xenofobia – do grego, “xeno” = estrangeiro + “fobia”=medo), são uma desumanização e desrespeito ao outro? Acrescentei que estava pelo gogó com essa história de que todo nordestino em São Paulo é baiano, termo usado não para indicar quem nasce na Bahia, mas para, depreciativamente, se referir a nordestinos e nortistas: “Essa gente lá de cima (demorei pra entender que se referiam ao mapa do Brasil!), que até coisas estranhas come…”.

Na época recrudescia em São Paulo o nojo a nordestinos, para ferir a prefeita de São Paulo, a paraibana Luiza Erundina, que a elite paulistana jamais engoliu! Ao contrário, perseguiu sem tréguas. Coincidentemente, eu estava às voltas com um xenófobo casal egípcio, radicado em São Paulo há mais de 30 anos, pais de um namorado de uma das minhas filhas, que teve o desplante de ir “tomar satisfações” comigo! Foi uma cena ridiculamente surreal!

O pai chegou arrastado pela sua consorte, que não era nada submissa para afrontar-me. Balbuciava que não era contra o seu “bebê” namorar uma “baiana” (pense no asco!), apenas que eu os respeitasse, não oferecendo carne de porco para ele. E que eu ficasse sabendo que o filho dela se casaria com uma muçulmana. Com baiana, jamais! Disse-lhes que a porta da rua era a serventia da casa e os escorracei!

Entendi ali como a elite paulistana, quatrocentona e xenófoba, consegue impor e perpetuar ideias de superioridade racial (racismo) e a renitente aversão a nordestinos: catequizando até imigrantes de outros países que “essa gente lá de cima” (do mapa) é erva-daninha! Na cidade de São Paulo, que tem suor “dessa gente lá de cima” em cada grão de riqueza, tudo o que alguém faz de errado ou que não presta, para xenófobos nativos caipiras e/ou letrados “sorbonados”, é “baianada”.

Chega, a postura xenófoba dessa gente mina os alicerces da República!

com informações do  Yahoo! Brasil ,Dois Espressos ,  Blog do RovaiIDG NowFolha On Line e Viomundo

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Mayara Petruso e a xenofobia no Twitter (via Dois Espressos)

Perfeito seria se não houvesse xenofobia, homofobia e preconceito racial. Mas eu já me contentaria se ao menos os estudantes universitários de classe média — que supostamente representam 4% da elite intelectual do país, culta e esclarecida — não fossem os responsáveis por difundir essa forma de preconceito. Mayara já apagou suas contas no Twitter e Facebook, mas o registro fica aqui, pra que ela não esqueça do dia em que, ao invés de se desculparpelas besteiras que disse, optou por se esconder e fingir que nada aconteceu.

UPDATE

E ainda tem gente que apoia os cometários da Mayara e aproveita pra chamar os nordestinos de ladrões, assassinos e estupradores.

via Dois Espressos

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