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Para-choque de blog

“Com o tempo, uma imprensa cínica, mercenária, demagógica e corrupta formará um público tão vil como ela mesma.” Joseph Pulitzer

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@ N I L N E W S

maconha[1]Os adeptos costumam chamar de “mundo verde”. A maconha é apreciada por figuras famosas mundialmente, que se destacaram por suas histórias de vida. Governantes, artistas, cientistas, poetas, pensadores e filósofos, de diferentes tempos da história até os dias atuais, consumiram a substância, segundo o escritor americano Lester Grinspoon, em seu livro, A Medicina Esquecida.

Pesquisas de arqueólogos britânicos da revista National Geographic concluíram que os faraós egípcios eram grandes apreciadores de suas propriedades. Pesquisadores concluíram o fato ao estudarem escritos antigos e vestígios da planta achados em inúmeras tumbas.

O antropólogo britânico Charles Dolphin concluiu e publicou em sua obra A História da Cannabis, que os Imperadores Liu Chi-nu e Shen-Nung, dos primeiros séculos da China, foram consumidores da erva. Fatos são relatados por historiadores chineses, onde falavam de sua mágica em forma de fumaça. A própria história de seu povo traz um fato interessante sobre a criação do papel…

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10 sites para baixar audiolivros gratuitos (via Universia)

O portal Universia Brasil divulga uma matéria em que mostra 10 sites para os internautas baixarem audiolivros gratuitos. Audiolivros são materiais muito práticos e úteis, especialmente se você passa longas horas no trânsito entre sua casa, a faculdade e o trabalho.  Com eles também é possível treinar o inglês ou outro idioma que você deseja aprender.

Leia também : As 100 palavras mais importantes em inglês

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Da Coluna do Nelson

Nelson Townes de Castro, jornalista premiado, falecido em 2011,  escrevia com a ajuda de um colaborador anônimo a “Coluna do Nelson”no jornal Estadão do Norte, de Porto Velho(RO) . Veja um trechinho de uma destas, publicada em outubro de 2006 :

Pérolas comerciais
Mais algumas “pérolas” de comerciais de TV veiculados em Porto Velho. Num deles lê-se que determinado produto tem “autíssima qualidade”. Com “u”. Outra divulga o endereço de uma “funeilaria”. Faz sentido. Deve ser cruzamento de funerária com funilaria. Conserta o carro acidentado e enterra a vítima.

Barbaridades
Um carro anuncia “Mestiço Brasil brevimente”. Com “i”. Pior mesmo é ver aqueles monótonos, sem criatividade, sempre iguais, péssimos comerciais de supermercados anunciando que está em promoção o “leite condençado”. Com “ç”. E a gente na sala pedindo desculpas às visitas e mudando de canal. Com o risco de ver barbaridades maiores ainda.

Colorido
Mas, quem disser que a publicidade na TV não melhorou em Porto Velho nos últimos 20 anos esquece-se do tempo em que a televisão mostrava anúncios que só aqui poderiam aparecer nos intervalos da novela das 8. Bem na hora do jantar, você à mesa com a família, comendo e vendo o comercial de uma firma limpa-fossas mostrando cocô a cores.

Pitoresco
A história da publicidade em Rondônia tem histórias pitorescas. No início da década de 70, a Funerária Raposo, que ficava na av. Presidente Dutra, centro, contratou o então Padre Vitor Hugo, fundador e diretor da rádio Caiari, para participar de um comercial pela emissora. O anúncio transformou Vitor Hugo no primeiro garoto propaganda daqui.

Eficaz
O anúncio começava com uma música sinistra e a voz rouca do Padre Vitor Hugo falando num tom cavernoso autoritário: “Da morte ninguém escapa!” Em seguida ouvia-se um locutor (salvo engano o Osmar Vilhena) num tom jovial, alegre, falando da qualidade e dos ótimos preços dos caixões da Funerária Raposo, “bem ao lado da Panificadora Raposo”.

Leia Também : Abecedário delas : atualizado até a letra O, de aqui prá você , Ó

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Um mapa com as 48 emoções que alguém pode sentir (Arquitetura de Informação)

O número 48 foi proposto pela EARL (Emotion Annotation and Representation Language), uma empresa de robótica que tenta entender o comportamento humano para replicá-lo em robôs e máquinas.

O mapeamento foi feito pelo americano Robert Plutchik, que detectou 8 emoções básicas, mais 8 avançadas e que resultam em 8 sentimentos. Misturando isso tudo, o ser humano é capaz de sentir 48 emoções diferentes.

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Bem vindo , 2013 !

Por Célio Pezza

O ano de 2012 chegou ao fim. A data fatídica para o final do mundo já passou, o mundo não acabou e agora vamos nos preparar para 2013. O que teve de bom em todas as profecias sobre o final do mundo foi que muita gente passou a se interessar por assuntos que normalmente passariam despercebidos, não fosse todo o agito em torno do tema.

Muitos se informaram sobre o aquecimento global, explosões solares, desequilíbrio do clima e chegaram à conclusão de que não temos como controlar os grandes fenômenos da Natureza e nem como nos defender deles, portanto, a única saída é evitar ao máximo certas atitudes que possam provocar desequilíbrios no planeta. Outro grande avanço foi que a 5ª Dimensão passou a ser mencionada e discutida por uma infinidade de pessoas.

Essa teoria é defendida por cientistas de renome e não por fanáticos religiosos, e devido à eminente destruição do nosso mundo, começou a ser mais divulgada. De uma forma simples, essa 5ª Dimensão trata das frequências e diz basicamente que existe um mundo não percebido ao nosso lado, onde os nossos atos e pensamentos geram uma frequência que encontra sua sintonia e volta multiplicada.

Atitudes positivas geram acontecimentos positivos e atitudes negativas geram acontecimentos negativos. Em termos de frequência e energia, amor gera amor e ódio gera ódio. A proximidade do final dos tempos contribuiu em muito, pois foi a partir daí que mais e mais seres humanos se questionaram sobre o que está errado no mundo e começaram a procurar. Nessa busca, o Homem está encontrando conhecimento e descobrindo que o maior perigo de extinção vem do próprio Homem, pela falta de respeito e de amor. Essa atitude leva ao desequilíbrio do planeta e o fim da humanidade, se vier, virá pelo próprio Homem. Depende de suas atitudes. Tudo está ligado: mudanças de atitudes, conhecimento sobre as frequências e suas influências na nossa vida.

A grande verdade é que algo aconteceu em 2012, pois o Homem está acordando. A partir deste conhecimento disseminado e a queda de um sem número de tabus e conceitos errados, o Homem poderá aprender a viver com respeito e amor. Esta atitude trará o equilíbrio de volta ao planeta e nós sentiremos esta mudança. Só um cego não vê que o mundo está desequilibrado e que se continuar neste caminho, o resultado será realmente catastrófico.

Por outro lado, o conhecimento dessas leis simples pode significar a mudança na direção do equilíbrio. Quem sabe estamos assistindo ao parto de um novo Homem, onde finalmente teremos a inteligência aplicada ao bem viver. Tenho a impressão de que em 2012 foi retirado o cadeado de um baú esquecido pela humanidade e repleto de conhecimentos que podem fazer toda a diferença. Agora só nos falta abrir a tampa e absorver todos os ensinamentos existentes. Como disse o grande romancista e filósofo alemão Goethe, em 1832, no momento de sua morte: “Deixem entrar a luz!”

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2013: coragem para se renovar (via leonardoBOFF.com)

Por Leonardo Boff

Há mais de quinze anos atrás publiquei no Jornal do Brasil um artigo sob o título “Rejuvenescer como águias”. Relendo aquelas reflexões me dei conta como de elas são ainda atuais nos tempos maus sob os quais vivemos e sofremos. Retomo-as para alimentar nossa esperança enfraquecida e ameaçada pelas ameaças que pesam sobre a Terra e a Humanidade. Se não nos agarrarmos a alguma esperança, perdemos o  horizonte de futuro e corremos o risco de nos entregarmos ao desamparo imobilizador ou à resignação estéril.

Neste contexto lembrei-me de um mito da antiga cultura mediterrânea sobre o rejuvenescimento das águias.

De tempos em tempos, reza o mito, a águia, como a fênix egípcia, se renova totalmente. Ela voa cada vez mais alto até chegar perto do sol. Então as penas se incendeiam e ela toda começa a arder. Quando chega a este ponto, ela se precipita do céu e se lança qual flecha nas águas frias do lago. E o fogo se apaga. Mas através desta experiência de fogo e de água, a velha águia rejuvenesce totalmente: volta a ter penas novas, garras afiadas, olhos penetrantes e o vigor da juventude. Seguramente este mito constitui o substrato cultural do salmo 103 quando diz:”O Senhor faz com que minha juventude se renove como uma águia”.

E aqui precisamos ser um pouco psicólogos da linha de C.G. Jung que tanto se ocupou do sentido dos mitos. Segunda esta interpretação, fogo e água são opostos. Mas quando unidos, se fazem poderosos símbolos de transformação.

O fogo simboliza o céu, a consciência e as dimensões masculinas no homem e na mulher. A água, ao contrário, a terra, o inconsciente e as dimensões femininas no homem e na mulher.

Passar pelo fogo e pela água significa, portanto, integrar em si os opostos e crescer na identidade pessoal. Ninguém ao passar pelo fogo ou pela água permanece intocado. Ou sucumbe ou se transfigura, porque a água lava e o fogo purifica.

A água nos faz pensar também nas grandes enchentes como conhecemos em 2010 nas cidades serranas do Estado do Rio. Com sua força tudo carregam, especialmente o que não tem consistência e solidez. São os infortúnios da vida.

E o  fogo nos faz imaginar o cadinho ou as fornalhas que queimam e acrisolam tudo o que não é ganga e não é essencial. São as notórias crises existenciais. Ao fazermos esta travessia  pela “noite escura e medonha”, como dizem os mestres espirituais, deixamos aflorar nosso eu profundo sem a ilusões do ego. Então amadurecemos para aquilo que é autenticamente humano e verdadeiro. Quem recebe o batismo de fogo e de água rejuvenesce como a águia do mito antigo.

Mas abstraindo das metáforas, que significa concretamente rejuvenescer como águia? Significa entregar à morte todo o  velho que existe em nós para que o novo possa irromper e fazer o seu curso. O velho em nós são os hábitos e as atitudes que não nos engrandecem: a vontade de ter razão e vantagem em tudo, o descuido para com o lixo, o desperdício da água e o desrespeito para com a natureza, bem como a falta de solidariedade para com os necessitados, próximos e distantes. Tudo isso deve ser entregue à morte para podermos inaugurar uma forma de convivência com os outros que se mostre generosa e cuidadosa com a nossa Casa Comum e com o destino das pessoas. Numa palavra, significa morrer e ressuscitar.

Rejuvenescer como águia significa também desprender-se de coisas que um dia foram boas e de ideias que foram luminosas mas que lentamente, com o passar dos anos, se tornaram ultrapassadas e incapazes de inspirar o caminho da vida. Temos que nos renovar na mente e no coração.

Rejunecer como águia significa ter coragem para recomeçar e estar sempre aberto a escutar, a aprender e a revisar. Não é isso que nos propomos a cada  novo ano?

Que o ano de 2013 que se inaugura, seja oportunidade de perguntar o quanto de galinha existe em nós que não quer outra coisa senão ciscar o chão  e o quanto de águia há ainda em nós, disposta a rejuvenescer ao confrontar-se valentemente com os tropeços e as crises da vida. Só então cresceremos e a vida valerá a pena.

E não podemos esquecer aquela Energia poderosa e amorosa que sempre nos acompanha e que move o inteiro universo. Ela nos habita, nos anima e confere permanente sentido de lutar e de viver.

Que o Spiritus Creator nunca nos falte!

Feliz Ano novo de 2013.

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Arte Contemporânea: sobre nossa dificuldade de pensar e fazer (via filosofia cinza)

Nossa experiência com a arte, seja como artistas ou como seus apreciadores depende de nossa compreensão da arte. A compreensão que é um campo amplo e aberto depende, por sua vez, de algo bem mais estreito: um conceito. O conceito é o eixo em torno do qual se situa nossa compreensão. É com conceitos que nos entendemos, que elaboramos nossa visão de mundo, das coisas, de nós mesmos. A compreensão da arte acontece, por exemplo, quando vemos um quadro, uma peça de teatro e, desde a delimitação do objeto que já temos previamente estabelecida em nosso contexto cultural, pensamos “isso é arte”. Aí podemos gostar dela ou não. O gosto não nasce sozinho, sem um conceito prévio que nos indica que podemos compreender, e que logo podemos aceitar o que vemos, ouvimos ou sentimos. Por outro lado, chamamos de arte contemporânea aquilo que vemos e que, todavia, não conseguimos delimitar muito bem. Se não a entendemos é que não temos um conceito preciso do que ela seja. Ela escapa aos nossos conceitos prévios e, por isso, nos perturba.

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Vale-coxinha dos federais vai a R$ 373

A partir de 1º de janeiro de 2013, o valor mensal do auxílio-alimentação dos servidores públicos federais (apelidado de vale-coxinha) passa para R$ 373,00.

O valor único será pago aos servidores da administração pública federal direta, autárquica e fundacional em todo o território nacional. A autorização foi dada por meio da Portaria 619, publicada hoje (27) no Diário Oficial da União.

Os funcionários do Legislativo, Ministério Público e do Judiciário recebem cerca de R$ 660.

A  campanha da Confederação dos Trabalhadores no Serviço Público Federal (Condsef) é pela isonomia , afinal se supõe que os estômagos dos funcionários dos Três Poderes sejam semelhantes.

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Depressão de fim de ano? (via Canal Higea)

Por Fernando Fernandes

O final do ano é uma época de encontros, confraternizações e felicitações em diversos níveis. Para a maioria das pessoas é um período feliz do ano. Compartilhar momentos descontraídos com colegas de trabalho, amigos e familiares traz satisfação e alegria. Contudo, para algumas pessoas o período de final de ano é marcado por sentimentos de tristeza, solidão ou angústia, o que a mídia leiga está denominando “depressão de fim de ano”. A compreensão e a validade desse  conceito serão discutidas nesse post.

Além de ser um período de festas, o final de ano também é um período de reflexão.  Revisamos nossas metas, sucessos e fracassos do ano que passou, nas diversas áreas da vida: pessoal, profissional, sentimental, etc. Períodos de reflexão são necessários e podem trazer repercussões emocionais e comportamentais muito produtivas para nossas vidas. Nesses momentos temos oportunidade de avaliar quais estratégias deram certo, para valorizá-las e reforçá-las no futuro e quais comportamentos geraram maus resultados, para corrigi-los ou extingui-los. Parece-me uma boa oportunidade para crescimento, não acha? No entanto nesses momentos muitas pessoas perdem-se em sentimentos de culpa, autocomiseração e pessimismo.  Como fazer então para que nossa autoavaliação seja útil em nos tornar mais produtivos e felizes?

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Eu cansei! (via cafés mexidos!)

Houve tempos, nem tão distantes assim, em que eu tinha certeza de ter encontrado o meu lugar. Era nítido, era claro, era maravilhoso… era uma mentira.
Naquelas poucas semanas, me lembro de sentir dois extremos: um gratificante alívio por não me importar com absolutamente nada e conseguir dormir com a mente vazia à noite, e um enorme NADA. Até hoje não consegui escolher o que eu prefiro. Não consigo escolher se prefiro dormir tranquila, porém vazia, ou se prefiro viver nesse tormento sem fim que dilacera e põe fogo em tudo que passa, deixando nada mais que cinzas. Porque pelo menos na segunda opção eu sinto algo.

Por alguns dias – riam comigo – eu jurava que tinha finalmente entendido o amor. Após ter considerado a morte em vez de viver num mundo onde eu não tivesse quem eu queria, após ter afirmado a mim mesma que meu  destino era seguir amando a mesma pessoa o resto da vida sem ser correspondida, podia jurar que havia entendido o amor, seus motivos, suas regras e seus caminhos. Podia jurar que não precisava mais dele para ser feliz. E foi quando joguei meu coração no abismo de um novo falso amor, como um alcoólatra que precisasse tomar apenas uma dose de uma garrafa inteira de whisky à seu dispor para provar que conseguia se controlar.

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Se Tudo Der Errado, Farei Tudo Outra Vez (via Um Travesseiro para Dois)

Sem querer e se eu pudesse gostaria de desfazer, mas o tempo e você me fizeram cultivar uma casca em mim que eu não consigo quebrar. É que agora antes de lembrar das vezes que a gente sorriu, lembro das vezes que me fez chorar, e de todas, lembro de todas, sério, eu lembro de todas as vezes que eu tentei ter teu riso mais uma vez, de todas as vezes que insisti, de todas as ideias que eu tive, todas as atitudes que tomei, as mensagens que mandei e todas as vezes que telefonei. Eu lembro de tudo e se hoje eu sou alguém que você não conhece direito, entenda, a culpa é toda sua.

Nasci pra mergulhar nos dias da minha vida, não rosto de ficar a beira-mar. Eu preciso de mais, preciso do máximo e de toda a força, nem que eu me arrependa amanhã. Com isso, assumo o risco de sofrer a pior das dores quando algo não der certo, ao passo que é grande a possibilidade de viver a maior da felicidade ao encontrar um motivo novo pra celebrar as coisas boas da vida.

Igual a você, hoje eu também mudei.

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Feliz Ano Novo

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Sentimento natalino

Por Erika de Souza Bueno

Em vez de lojas e supermercados repletos, que os nossos corações estejam em igual modo cheios do maior presente que Deus nos deu, Jesus, o homenageado nesta data.

Em vez da loucura do trânsito ainda mais caótico na proximidade desta importante data festiva, que não haja distância e nem congestionamentos que nos impeçam de estar com quem amamos.
Em vez da dor de cabeça pela noite maldormida, que as nossas mentes venham a estar dispostas a planejar mais momentos com a família durante o próximo ano.

Em vez de estômago indisposto pelos excessos da alimentação na noite do dia 24, que em nosso coração não haja mal-estar para receber aqueles que precisam se sentir queridos.

Que diante da mesa farta, não venhamos nos esquecer de tantas e tantas pessoas que estiveram em grandes apertos para conseguirem se alimentar nesse ano.

Que diante da euforia ao abrir os presentes, venhamos nos lembrar de que precisamos estar mais presentes também em outras datas, mesmo que, em vez de alegria, haja tristeza, dor e dificuldades.

Que o olhar de cada criança cheia de vida venha nos encher de força para lutarmos por dias melhores para elas e para tantas outras que veem suas infâncias interrompidas pela violência da imoralidade.

Que a sujeira da casa no dia seguinte venha nos ensinar que ser feliz realmente dá muito trabalho, mas é preço que compensa ser pago para termos por perto aqueles a quem desejamos o bem.

Nosso Natal precisa ser mais significativo, pois simboliza o Nascimento de Jesus. Ele nasceu e nos aproximou de Deus, ensinando-nos a compreender o real sentido da vida.

Ensinou que temos muito que aprender com a pureza de cada criança, perdoando sem ressentimento, agindo com sinceridade a qualquer preço, sabendo divertir-se sem malícia e devaneios.

Ensinou que a família é uma das suas mais lindas bênçãos concedidas à humanidade e que, como tal, precisa de proximidade, zelo, carinho e amor.

Ensinou que Ele mesmo é o Caminho, o qual, mesmo sendo estreito, conduz-nos a uma vida mais íntegra, mais pura, mais próxima a Ele.

A Ele a nossa mais sincera e singela gratidão por, simplesmente, existir dentro daqueles que abrem o coração para recebê-lo.

A você, querido leitor, os nossos mais sinceros votos de um Feliz Natal cheio de vida, amor e paz.

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Com qualquer tinta eu tento…

Texto e foto de Valéria del Cueto

Se me lês, é por que não foi dessa vez. Não chegamos ao fim do mundo. Mas temos e estamos no inferno na terra de sempre, com uns laivos de esperança para quem tem fé. E olhe lá.
Praia, praia, praia e nada mais. Ou melhor: piscina. Dupla jornada. Hidroginástica. Preparação física à vera. Como não rolava há muito tempo. Juntou a fome com a vontade de doer. E, se é pra ser por que é inevitável, que renda bons frutos físicos e mentais. Esmurrar a água não provoca dor alheia ou maiores danos por ter baixo impacto. Só cansa e faz dormir.
Por que a vida passa, a fila anda e esse não é um bom momento para parar o mundo e tentar descer. Ele passou! E, como já disse, se me lês é por que a porra do mundo não parou quando devia. Agora é que o bicho vai pegar. E ele, o bicho, já está botando as manguinhas de fora, diga-se de passagem.

Nos últimos dias, duas crônicas foram interrompidas por uma mesma razão peculiar em pleno parto (aí, Gabriel Novis!): por falta de tinta na(s) caneta(s). O primeiro impedimento foi na praia e me obrigou a interromper a escrevinhação. Así no más. Terminei o texto direto no computador, em cima do laço para cumprir o horário das editorias (repararam como tenho falado nelas, as editorias e neles, os editores ultimamente?)
Agora, de novo! Lá se vai a caneta. Engraçado é que a única coisa que faço a mão religiosamente é preencher caderninhos após caderninhos de crônicas. Acabarem duas cargas em três manuscritos? Ai, ai, ai…
“>Por via das dúvidas puxo do porta-tudo a caneta comemorativa de São Judas Tadeu que ganhei de minha mãe no dia do santo, 26 de outubro. Aperto o pino e… Nada. Desmonto a caneta. Está tudo lá, inclusive a tinta que havia transbordado da carga, lambuzando minhas mãos. Meleca.
Aí, meu Deus! Mensagem recebida. Meu texto não tem a guarida do santo protetor de quem, acabo de me lembrar, perdi a medalhinha que sempre uso num cordão, junto com um crucifixo e Nossa Senhora..
Parto para a ignorância e apelo para uma BIC. Prateada, como o surfista da história em quadrinhos. Valho-me dos seus superpoderes por que, como já disse, a fila anda e, se eu der mole, perco a levada.
E aí… volto ao ponto: se o mundo ia acabar, não precisaria me preocupar com a próxima narrativa. Era essa e deu! Beijou, beijou, não beijou, beijasse. Danem-se editores.

Como ainda não chegamos ao fim dessa sexta feira, 21 de dezembro, prefiro não contrariar os deuses alterando meu próprio ritual. Crônica e praia, praia e crônica.

Me apego a pedra, meu leme verdadeiro, olhando o tempo – que a tudo espera – a espera do tempo passar…

Está tudo aqui. Meu céu, meu mar. Quase tudo no seu devido lugar.
Menos eu que, como a tinta da caneta de São Judas, apenas escorro entre os dedos do destino deixando algumas marcas croniqueiras enquanto dou adeus ao fim do mundo, como quem diz: “Mais um segundo, uma hora, mais um dia. Outra vida, quem sabe? Não importa. Como meu mar vou para onde o vento me levar. Haja biquíni!”

*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte da série “Ponta do Leme”,  do SEM FIM… delcueto.cia@gmail.com

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Elimine a fofoca do seu dia a dia

Por Erika de Souza Bueno

Uma verdade que poderia ter acontecido não é uma verdade, é uma mentira como outra qualquer. Às vezes, aquilo que você ouviu alguém falar a respeito do outro pode parecer o mais evidente para você, mas isso é tão somente para você. Pense bem antes de sair falando da vida alheia. Não corra o risco de passar pelo ridículo de ter acreditado numa inverdade fria, pessimista e cruel.

Você pode estar acima de tudo isso, é perfeitamente capaz de superar a enlouquecedora vontade de contar o mais novo “causo” sobre a vida de alguém. Mesmo fazendo papel de “desligado e desinformado”, assuma-o com o coração aberto, pois nem tudo nos convém saber.

Quantas amizades foram destruídas simplesmente porque uma das partes supervalorizou o erro isolado de alguém. Se as pessoas dessa ciranda de amigos não fossem notificadas sobre tal erro, a amizade existiria até hoje sem maiores complicações. Mas não… Há pessoas que, infelizmente, não aguentam a vontade de falar dos outros, do que aconteceu ou (o que é ainda pior) do que elas imaginam que poderia ter acontecido. A vida de alguém é o seu maior tesouro, é tudo o que ele tem de mais valor. Então, tenha mais respeito antes de tocá-la, pois você pode causar feridas que dificilmente serão curadas.

Cuidado! Preste bem atenção! Se você acha empolgante um “fato” que possivelmente aconteceu com alguém, talvez isso seja uma forte evidência de que sua vida está ficando sem graça. Olhe para dentro de si mesmo, veja quanta coisa boa você já teve oportunidade de viver. Perceba-se como alguém suficientemente completo, que não precisa se ocupar com a vida dos outros.

É relativamente simples viver assim, não existe nada de complexo em manter a boca bem fechada mesmo diante da mais espetacular novidade. Contenha-se, pois espetáculo de verdade tem que ser o seu viver, o seu pensar, o seu agir. Por isso, empenhe-se em falar menos, ouvir mais, refletir mais intensamente antes de proferir julgamentos sobre vida de alguém.

Antes de falar sobre os outros, responda para você mesmo se sua vida vai melhorar em algum ponto. Se chegar à conclusão que não melhorará em nada, fique calado. Acredite, você se poupará de muito estresse desnecessário.

As palavras são tão poderosas que podemos construir e destruir pontes com elas. Se você já se envolveu em confusões por ter falado demais, busque a reconciliação. Isso é uma atitude nobre, bondosa, humana e muito eficaz para se viver de modo mais digno.

Talvez não exista ninguém que nunca tenha se arrependido de ter falado alguma coisa. O grande equívoco, nesse caso, seria se esse erro não implicasse aprendizagem e consequente sabedoria de vida àquele que falou o que não devia.

Por isso, aprenda a valorizar-se, não corra mais o risco de expor sua imagem com uma atitude impensada e tão vazia que é o falar da vida alheia. Ocupe-se mais com o seu modo de viver, use suas palavras, enfim, para promover a paz e o bem-estar entre as pessoas.

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Prevenção e tratamento da dependência química

Claudio_Paris_artigoPor Claudio Paris

Quais razões levam um jovem a usar drogas? Como ajudá-lo a se livrar delas? O que se entende por drogas e dependência? Essas e outras questões são complexas e demandam uma análise um pouco mais aprofundada do fenômeno da drogadição. Maconha, heroína, LSD, cocaína, crack, entre outras, chamadas popularmente de drogas, são substâncias psicoativas (SPAs) que têm convivido de alguma forma com o homem na maioria dos grupos sociais. Algumas têm origem natural, outras são feitas em laboratório, mas todas trazem inúmeras consequências para o sistema nervoso central. Tais efeitos modificam o estado geral da mente e do corpo e a conduta de quem as utiliza. O usuário é chamado de drogadicto, já que este fenômeno é tratado hoje como uma patologia ou doença grave A chamada drogadição é algo antigo, amplamente relatado na literatura médica, que se tornou um problema de saúde pública em meados da segunda metade do século 20, em especial nos centros urbanos. A percepção generalizada atual é de que tem crescido significativamente o consumo de substâncias psicoativas, sendo usadas por faixas etárias cada vez mais jovens. Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que os principais motivos para alguém experimentar essas substâncias psicoativas são: satisfazer a curiosidade a respeito dos efeitos das drogas, sentir necessidade de participar de um grupo social, ter vontade de expressar sua independência, buscar experiências agradáveis, novas e emocionantes, melhorar a “criatividade”, favorecer uma sensação de relaxamento e fugir de sensações e/ou vivências desagradáveis. No mesmo estudo, a OMS elencou os cinco principais fatores de risco para o consumo de SPAs: não ter informações adequadas sobre os efeitos das drogas, ter saúde deficiente, estar insatisfeito com a qualidade de vida, ter personalidade deficientemente integrada e encontrar facilidade de acesso às drogas. As drogas podem provocar um fascínio e atração, apoiadas no contexto social e cultural contemporâneo, que incorpora elementos da chamada pós-modernidade. De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, diferentemente da sociedade moderna anterior, que ele chama de “modernidade sólida”, tudo agora está sendo permanentemente desmontado, sem perspectiva de permanência, no chamado “mundo líquido”. Tudo acaba sendo temporário, o que explica a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna. Como os líquidos, essa sociedade é incapaz de manter a forma, o que pode ser traduzido por suas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções, modificando tudo antes que se tenha tempo de solidificar costumes, hábitos e verdades “autoevidentes”. Dessa forma, Bauman aponta que os jovens da atual geração, em especial, não podem mais contar com a natureza permanente do mundo lá fora nem com a durabilidade das instituições, que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Contidos nessa “liquidez”, o fenômeno da drogadição e a disseminação do consumo de substâncias psicoativas espelham o modo como muitos jovens se relacionam hoje. Ele reforça valores baseados em consumismo e busca do prazer imediatista, associados à pauperização de importante parcela da população mundial. Quando alguém se torna dependente, a “liquidez” de seu mundo é ainda mais aguda. A dependência pode ser entendida como o impulso que a impele a usar uma droga a fim de saciar seu desejo e lhe conferir prazer. O chamado drogadicto – ou dependente – caracteriza-se por ser incapaz de controlar seu desejo de consumir drogas, tendo um comportamento impulsivo e repetitivo, muito alterado em relação ao seu padrão habitual. A dependência também é marcada pela síndrome de abstinência, cujos sintomas estão associados à ansiedade, mal-estar e desconforto incontrolável, além de tremor nas mãos, náuseas, vômitos e até um quadro de abstinência agudo denominado delirium tremens, com risco de morte, em alguns casos. Já há inúmeros medicamentos que podem minimizar tais efeitos. Porém, a cura para a drogadição é extremamente difícil, o tratamento é demorado e muito custoso emocionalmente para o dependente, sua família e círculo social. O tratamento da dependência não pode estar restrito às medicações. Há nesse aspecto uma observação, muito disseminada, sobre o êxito na recuperação estar ligado a uma reorganização psicossocial do indivíduo. Psicólogos e terapeutas apresentam um grande arsenal de estratégias que colaboram nesse processo, deixando claro que um problema de tal complexidade exige uma abordagem terapêutica aliada a iniciativas que afastem o dependente das drogas. A arte, a prática esportiva e outras atividades prazerosas são capazes de ocupar o tempo utilizado anteriormente com as drogas, dentro de um contexto saudável, construtivo e estimulante. Para isso, é fundamental o papel do tripé escola, comunidade e família, atuando conjuntamente, em harmonia. Isso favorece o processo de recuperação das vítimas da dependência. O desafio dos pais e educadores é promover um amálgama de saberes tradicionais (“legado”) com novos saberes (“futuro”) por meio de práticas que atinjam os jovens nos sentidos, levando-os a desenvolver uma percepção de que há vida, alegria e saúde longe das drogas. Incorporando o pensamento do sociólogo Bauman, deve-se criar uma nova matriz “líquida”, capaz de promover uma cultura de tolerância, solidariedade, respeito mútuo, cidadania, autonomia e protagonismo social. Vivemos na fluidez, em períodos desafiadores, tempo de incertezas e novos desafios, mas fortalecidos pela certeza de que a luta contra as drogas é dever de cada um de nós.

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El Cid, a flecha e o alvo Sebastião

Moc Bar 121213 0111 João tela 01Texto e foto de Valéria del Cueto

Pra variar, engatei a quinta procurando. Só que tem hora em que são eles, os assuntos, por assim dizer, que te atropelam. É isso mesmo. O assunto firmou quando ouvi o antigo hino de São Benedito, aquele, em horário quase nobre na TV. Arrepiei. A seta mirou o alvo e acertou meu coração guerreiro um pouco santo. Sebastião. No Rio, Oxossi, o caçador que me protege e cuida da mata.
A bandinha tocando e eu comemorando. Feliz pela notícia de que o olhar e a sensibilidade de Cid Carvalho alcançaram João Sebastião. Se já estava interessante, agora ficou bom demais! Cuiabá vai chegar como e com quem deve na Sapucaí. Por que anjos e santos se juntaram aos cajus e as onças. E João, aquele que ferveu e agitou nos calientes carnavais de Cuiabá, vai estar ali. Apresentado e representado de alguma forma no cortejo do desfile principal.
Conheci João logo que cheguei em Cuiabá e fui seduzida pela explosão das artes plásticas que refletiam em suas cores o calor da terra. Sempre presto atenção e (re)conheço um lugar por aspectos que me atraem de sua cultura. Me orgulho de jogar nas 11: vou de literatura e poesia à música. Traço escultura, pintura; sou fissurada por grafite, fotografia, audiovisual…, tudo sem titubear. Foi assim com a Califórnia da Canção, de Uruguaiana, a polca e o artesanato paraguaio, é igual com a carioquice (minha cultura) em geral. Ouvi, vi, estudei e ainda pesquiso. De vez em quando, tento e faço.
Volto à Cuiabá e ao João. De quem tenho algumas obras. A menor, uma joaninha vermelha feita de pet que enfeitava minha instalação de natal (chamar aquela galharada de árvore é uma ofensa à natureza). Também tenho uma onça marota olhando à lua, com ar de “te pego”. Mas meu objeto preferido é um pano que deveria ser canga. Porém que, diante da importância da obra, foi ensanduichado e enquadrado. É a síntese de uma linda história. Mostra uma onça inteirinha, sedutora e esbelta, te olhando fixamente. Ela usa um colar com cajus vermelhos ornados com suas folhas verdes. Sob uma das patas dianteiras há uma folha presa, do enorme caju lilás que a olha em primeiro plano já no “laço” para ser juntado aos outros, no colar.
É uma obra original. Primeira e única. No desenho, os traços feitos pelo João, são facilmente reconhecidos. O olhar e as proporções do felino, sua posição. Mas a pintura não é a dele. Nela, há um trabalho primoroso de pontilhismo em parte da tela. Quem pintou minha onça quase canga foi Chico Amorim. Amigo de vida, teatrólogo famoso e meu orientador no doutorado de cidadã cuiabana. São dele pérolas como o dito: “Tudo evolui no mundo, menos a baixaria”; o excitante desafio de “ficar sem fazer nada”; as fugas loucas para as águas límpidas, deliciosamente refrescantes dos rios que cortam a estrada da Chapada durante a semana e outras cositas mais.
Pois a obra ficou tão especial que João fez questão de assinar a tela. É única e tem uma linda história que inclui o autor da surpresa espetacular. É, por que é claro que babei com o presente!
Pois é esse João, o Sebastião, que – soube hoje – vai se juntar a grande festa verde e rosa na avenida. Que me perdoem seus promotores do centro oeste, agora sim, temos um “muxirum” cuiabaníssimo com a cara do que mais amo nessa terra: o povo CUIABANO! Do qual João é síntese e expressão, por meio de suas maravilhosas e originais criações.
Trazidos pelo trem conduzido por Jamelão e coloridos, também, pelo que há de mais autêntico e representativo nas artes plásticas de Cuiabá, os frutos dessa mangueira estarão perpitolas de cuiabanidade!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “é Carnaval” e “Parador Cuyabano”, do SEM FIM… delcueto.cia@gmail.com

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Para-choque de blog

“Porquê entrar para a Marinha se quando você pode ser um pirata. (Steve Jobs)

 

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Da janela da alma vem a luz que me acalma

Texto e foto de Valéria del Cueto
Tudo igual. Constato passeando pelo bairro, no caminho entre a padaria e a Pedra do Leme, onde vejo a bandeira tremulando a meio mastro. Mas diferente.
Vinha procurando um assunto quando passei embaixo da janela do meu antigo apartamento, a “casinha” (o novo ainda não tem nome), no primeiro andar. Aquela onde, quando fui para lá, há mais de dez anos, achei ideal para receber serenatas.
É, sou do tempo e de lugares de serenatas na janela. Para desespero do meu pai, milico ainda, que precisava acordar cedo para trabalhar. Como somos duas filhas, a Gisela e eu, as homenagens românticas eram múltiplas, muito mais pra Gi do que pra mim.
Em Bela Vista, naquele tempo Mato Grosso, serenata era assunto muito sério e recorrente, principalmente nas férias, quando a garotada baixava na princesinha do Apa. Tinha que agradecer, abrir a janela…
A ordem dos fatores alterava todo o produto. Era uma romaria crescente por que quem recebia a serenata costumava se juntar a turma para ir cantar noutra janela, depois noutra.
Nunca fui de ir atrás das violas enfeitiçadas. Primeiro, por que meu pai não deixava. Segundo, por que nossa casa sempre ficava por último, mesmo que fosse visitada noutra altura da ronda musical. Afinal, eu namorava Preto, o violeiro – mor, peça quase fundamental para o sucesso da empreitada (sem tirar os méritos dos dedilhados e doces palavras do Vanderley, do Gão do Bermudes e, por que não incluí-lo, pelo esforço frequente, o Tadeu Palmieri). Eu não me incomodava mas, meu pai, sim. Não foi nem uma nem duas vezes que recebeu as românticas caravanas ameaçando premiá-las com panelas cheias d’água. Isso, lá pela terceira ou quarta serenata. No meio da semana!
Quase infelizmente no prédio da Gustavo Sampaio nunca recebi uma serenata. Também nunca pedi, por achava que o mimo deveria vir de forma natural, sem forçar a barra.
A vida é assim, não nos dá aquilo que pedimos. Porém… De vez em quando, nos chega um presente muito melhor. Acontece que a janela do meu quarto era só um pouco acima do nível da rua. Não precisava de gritos para que eu ouvisse se alguém me chamasse.
E, assim, nos últimos 10 anos, passou a ser feito. Todos os domingos e, algumas vezes, durante a semana. “Maria Valéeeeeria, Maria Valéeeeeria…” Aos domingos, depois da missa, um pequeno desfio de caminho, permitia que minha avó me desse o melhor despertar do mundo, o mesmo que tive durante os anos que morei com ela, (naquele tempo acrescido de um copão de Nescau morninho).
Não importava meu estado matinal ou o peso da janela de guilhotina que me fazia me xingar mentalmente, temendo dar um mau jeito nas costas levantando o janelão. Como a cama ficava colada, a segunda dificuldade era encontrar os óculos pra poder dar um tchauzinho pra minha amada e combinar o almoço de domingo. Simples assim.
Tive a minha serenata por uns de dez anos. Até precisar mudar de apartamento, no último mês de maio. Mudei pra perto, para a rua de trás e entrei no caminho natural de dona Ena para a igreja. Só que… Fui morar no segundo andar. Muito mais difícil de ouvir meu mantra de bom dia. Passei a colocar o despertador e, tal como Januária, esperar que a maré cheia do meu mar de amor me alcançasse. Ficou mais difícil e por contingências da vida, o costume não firmou.
Hoje, na minha janela, sou apenas Carolina, a que não viu o tempo passar. E, dizendo mentalmente nosso “segredo”, junto com ele prometo: nos meus olhos, agora, fundos, não vou guardar a dor. Uma rosa pode morrer, a festa acabar, um barco querer partir. Nossa história não merece o sofrer, amada. Não faz assim quem foi só carinho, amor, tanta alegria! É Sem Fim…
*Valéria del Cueto, neta de Dona Ena, que sempre vai viver no SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Arena marca o início da mudança no velho futebol brasileiro (via Blog do Mario Marcos)

 

Não será apenas a inauguração do novo estádio do Grêmio, depois de 58 anos no Olímpico, nem uma simples mudança da Azenha para o bairro Humaitá. A partir deste sábado, o torcedor brasileiro – neste primeiro momento, o do Grêmio – começará a perceber a imensa diferença que sempre o separou do europeu. Vai entender por que jornalistas mais experientes insistiam que o futebol nacional, tantas vezes campeão, só atingiria a maioridade como espetáculo no momento em que passasse a considerar o torcedor, de fato e de direito, como cliente de um espetáculo – com direitos e deveres bem determinados e respeitados. Os clubes nunca ligaram muito para o conforto do torcedor. A Arena será o primeiro, mas em seguida o Brasil terá 12 novos (ou reformados) estádios, mais o futuro Parque Antárctica, do Palmeiras. Todos no padrão Fifa, ambientes que o sempre desrespeitado torcedor brasileiro nunca teve.

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Aula Magna de bom jornalismo da Gazeta dos Homens de Bens (via Prof. Hariovaldo)

Confrades na fé dos mais fortes e capacitados,

Eis que gazeta dos homens de bens nos dá mais uma de suas pequenas mostras  de como o jornalismo deve estar a serviço do Brazil, dos bons homens de bens e benz, sem deturpações nem direcionamento de manchetes e notícias, ao nosso lado, o lado dos bem nascidos.

O que é bom para uns pode não ser bom para outros, o que importa é como transmitir a notícia e fazê-lo dentro da maneira mais isenta e verdadeira possivel, direcionando o leitor Hommer Simpson aculturado, para nossa boa causa, para que o tolo chegue até a ter idéias que nos favoreçam mesmo contra seus próprios interesses ou essa cousa abstracta que chamam de justiça social.

Vejam como se produz uma manchete sobre a redução de aplicação de verbas na segurança pública, por bons homens de bens, no pacífico e acolhedor estado bandeirante totalmente isento de qualquer sinal de violência.

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Na dúvida, cante, sambe e celebre

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Não sei se peço ajuda aos santos, apelo para meus orixás, adoto a postura de meditação dos budistas, entoo um mantra hindu ou tudo ao mesmo tempo. Assim, junto e misturado que é pra fazer efeito.
Estou igual a minha canga, toda embolada quando tento acomodá-la nas areias cálidas da minha praia recém saída de um longo período de quase uma semana de chuva fina e/ou tempo nublado e/ou tempestade, a escolher no período a que me refiro. Estou como o mar, querendo se ajeitar, amansando seus desejos e rompantes mas, ainda, turvo com os resquícios da chuvarada.
Respiramos fundo, o mar e eu, procurando dominar nossos instintos mais selvagens e profundos, cuspindo o lixaredo que tentam nos impingir. Corpos vivos seletivos que ambos somos.
Cheguei aqui com uma história carnavalesca na cabeça, mas relutante em conta-la esta semana. Preocupada com meus assíduos leitores, talvez cansados do meu eterno carnaval. Minha anti-auto-censura argumentando que nunca fui nem serei escrava das efemérides ocasionais para tratar de qualquer assunto. É claro que procuro não desagradar meus editores e, antes de qualquer observação nesse sentido, lembro que o público tem o direito de tomar conhecimento de que carnaval se faz o ano inteiro. O que, inclusive, explica essa verdadeira cachaça cultural do brasileiro.
O gran finalle é lembrar que estamos no Dia Nacional do Samba, em pleno 2 Congresso Nacional do dito cujo na abençoada cidade de São Sebastião do Rio de Janeiro.
E aqui, faço dos versos do samba da Gres. Mangueira 2012 as minhas orgulhosas palavras: “Respeite quem pode chegar onde a gente chegou…” E se prepare, acrescento eu, sem nenhuma pretensão poética, mas cheia de moral profética: Aguarde, por que o céu é o limite e as estrelas nossas guias nessa viagem que, cada vez atinge mais lugares no mundo, agregando novos e apaixonados adeptos.
Somos a maior vitrine da cultura popular brasileira, alavanca de signos e tendências nacionais. Pela festa e para a festa expomos e traduzimos em arte nossa pra gringo ver, opiniões, mazelas e orgulhos, discutidos e esmiuçados em forma de enredo.
E isso não se faz só na temporada do “vamos falar de carnaval”. Tá bom que também é preciso descanso, uma pausa para respirar, um tempo para tirar a fantasia do carnaval que passou e começar a imaginar o que será o tema da festa que virá, antes de cair de boca na sua produção. Isso é lá pelo mês de abril e já com algumas escolas de samba tendo anunciado seu enredo seguinte.
Esse é um dos segredos do sucesso do carnaval carioca: um calendário de trabalho. Nem que seja imaginário, por ele só se torna real com as entradas de dinheiro para sua execução. E chegamos, assim, ao próximo ponto. O patrocínio que acaba possibilitando o desenvolvimento e o crescimento da festa é o mesmo que interfere e aprisiona as temáticas e enredos das agremiações que o recebem.
Olho pro alto. Enquanto escrevia o tempo fechou sobre o céu da minha canga esticada na marra. O espaço ficou exíguo no meu minifúndio semanal de duas laudas para desenrolar essa história!
Por isso, informo que, as séries “Ponta do Leme”, “Parador Cuyabano” e “Fronteira Oeste do Sul”, a bordo no Sem Fim… acrescento uma nova linha.
“É carnaval” vai juntar o que escrevi, desde 2005 sobre o tema e o que, com a concordância dos meus leitores, a quem peço humildemente passagem, ainda relatarei sobre a parte que mais amo na folia: o fazer carnavalesco.
Salve o Dia Nacional do Samba, dedicado a todos os bambas que fazem da festa nossa de cada dia uma eterna folia!
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “É carnaval” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Por que somos tão agressivos na internet ? (via Conversa de Beleza)

Tradução livre e meio capenga de Why we are so rude online, artigo do Wall Street Journal, publicado em 01/10/2012 – original aqui.

A norte-americana Jennifer Bristol recentemente perdeu um dos seus amigos mais antigos – graças a uma discussão sobre cachorros da raça pit-bull no Facebook.

O problema começou quando ela publicou um artigo de jornal onde se afirmava que pitbulls foram considerados o tipo mais perigoso de cachorro na cidade de Nova York no ano passado. “Por favor, compartilhe suas opiniões… 833 incidentes com pitbulls”, escreveu Bristol, uma publicitária de 40 anos e ativista dos direitos animais de Manhattan.

Seus amigos, muitos dos quais também atuam no mundo dos direitos animais, rapidamente aderiram à discussão. Um deles observou que “pit bull” não é considerada uma raça oficial e única; outro disse que os donos e um mau adestramento são, em geral, os responsáveis pelos cães violentos. Outro comentou que, a bem da verdade, labradores pretos mordem mais que pitbulls.

Então, um colega de infância de Bristol comentou que “Sou médico em pronto-socorro e em 15 anos de atividade nunca vi um ataque de golden retriever que tenha levado a vítima à sala de cirurgia ou causado sua morte.”

Este comentário provocou um tumulto nas discussões. Um comentarista exigiu que o médico apresentasse um estudo científico que corroborasse suas afirmações. Outro o acusou de não ter investigado a fundo qual a raça que mordeu as vítimas atendidas. Outro chegou a sugerir que ele se aventurasse para fora dos limites do pronto socorro para ver o que estava de fato acontecendo.

“Foi ridículo”, afirmou Bristol, que permaneceu fora das discussões. Seu amigo de infância, o médico, removeu-a da sua lista de amigos na manhã seguinte. Isso foi há oito meses – e desde então, nunca mais se falaram.

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Quem te viu, não pode mais ver..

Texto e fotos de Valéria del Cueto

Existem coisas que os olhos não devem mirar, aquelas que pra entender… Sei lá, não sei não, por que não cabe explicação.

Foi assim na homenagem à Delegado, lendário Mestre Sala e Presidente de Honra da Estação Primeira de Mangueira, no sábado seguinte da sua partida. Tudo era igual, mas muito diferente.

Na abertura da noite, a imensa bandeira mangueirense que cobre o fundo da quadra, se abriu ao som da Surdo Um, a bateria comandada por Mestre Aílton. Como sempre… A roda se armou, os segmentos se posicionaram e abriram espaço para que as baianas pudessem iniciar os trabalhos.

Todos sentiam a falta de Delegado, sempre sério e compenetrado com seu bastão, apito, chapéu e a faixa de Presidente de Honra da escola para a qual trouxe, durante tantos carnavais, as notas máximas no seu quesito. Estava nos olhos de cada um, assim como nas vozes que, em uníssono, louvavam o amor maior do Mestre Sala. Era um canto forte, um canto alto. Para ser ouvido por todo lado. Inclusive lá onde, agora, Delegado se encontra cercado de bambas que fizeram a história da festa que virou o maior espetáculo popular da terra.

Era do lado direito da quadra, numa mesa de pista que ele costumava acompanhar os ensaios, antes e depois de comandar a roda. Ali, agora, só Suluca, sua irmã, cercada de crianças e adolescentes da família, até ser convocada para receber as reverências, depois de Ézio, um dos filhos de Delegado, cantar um samba (é claro!) inspirado em Hegio, que virou Delegado por “prender” as mulheres. Era hora de homenagear!

Do lado oposto, embaixo do palco, a Porta Bandeira Marcella Alves recebeu o pavilhão da Mangueira e saudou seu par, Raphael Rodrigues. O casal atravessou bailando o espaço aberto no meio da roda. O público vibrava, cantando e dançando sambas que fizeram de Delegado a lenda por todos cultuada.

Estranho não encontra-lo, mãos estendidas para o alto, o bastão apontando o céu, antes de cruzar os braços sobre o peito e baixar a cabeça para saudar, com um beijo, o pavilhão que sempre apresentou e protegeu.

O teto retrátil da quadra estava aberto. O detalhe foi notado apenas por que, quando o casal se aproximou para saudar o grupo, uma garoinha começou a cair, quase imperceptível. E rapidamente aumentou… Ivo Meirelles, presidente da escola gesticulava, pedindo para que o fechassem. Mas não era isso que os deuses do samba e seus representantes celestiais queriam. O sistema não funcionava. E a água, que lavava corpos e almas dos mangueirenses saudosos, só apertava!

O piso molhado era riscado pelos pés ágeis, num bailado possuído pelas forças da Mangueira que se juntavam no céu e na terra. Cada gesto, cada voleio de Marcella e Raphael passou, literalmente, a ter um peso diferenciado. O pavilhão encharcado ganhava uma nova força. Nele, se concentrava o encontro dos bambas do passado com os sambistas do presente da verde e rosa. E ele voava nas mãos da Porta Bandeira, seus súditos aspergidos e abençoados com chuva que, agora, despencava do céu, sem dó nem piedade…

Muitos viram. Não sei quantos sentiram o momento em que, ao som cada vez mais forte e apaixonado do cantar do Morro da Mangueira, fomos todos elevados à categoria de uma nação. Um povo que, diante da perda de um baluarte, se une, supera e celebra seu mundo, o do samba, através da música, da dança e do amor por sua história, ali reverenciada.

As lágrimas corriam, misturadas ao suor, e se diluíam com a chuva redentora, mensageira e pacificadora. A dor da ausência aliviada pela mensagem celestial.

De alma lavada, o peso da perda ficou mais leve diante da beleza dos reflexos da água da chuva nos corpos e  gestos do casal de Mestre Sala e Porta Bandeira que, ali, representava e cultuava a arte maior de Delegado, o Mestre Sala nota dez da Mangueira.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “É carnaval” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Final de ano na escola, a importância da família

 Por Márcia Rodrigues dos Santos

Estamos chegando novamente ao final do ano escolar. Durante os primeiros momentos, o ritmo das atividades era desacelerado, calmo e sem grandes correrias. De repente, contudo, nos damos conta de que o segundo semestre está prestes a terminar, e mais uma vez nos vemos com pouco tempo para administrar as ações comuns ao final do ano.

Este período é de alívio para aqueles que passarão de ano sem problemas, mas não podemos desconsiderar a grande carga de estresse e fadiga que sofrem os alunos que não obtiveram as médias necessárias para passar ao próximo ano letivo. É neste momento que o apoio da família pode ser fundamental e indispensável ao aluno.

Se a família já participa da vida escolar dele, é certo que não haverá muitas dificuldades para passar por essa fase. Quando o aluno e a escola podem contar com os pais para auxiliar e acompanhar este e tantos outros períodos, o sucesso em vários setores da vida do aluno mostra significativo aumento. Porém, se ele estiver com problemas em alguma matéria, não se preocupe, há vários meios para você, como família parceira da escola, ajudá-lo.

Abaixo, veja 10 dicas fundamentais para que o contato com a escola de seu filho, pensando na melhoria dos rendimentos escolares dele, seja ainda mais eficaz:

1. Estabeleça uma rotina de estudo que dure, no mínimo, de 1 a 2 horas todos os dias.
2. Tenha livros e revistas à mão e em todos os lugares da casa, pois isso estimula a leitura. É importante também que seja realizada uma leitura com ele diariamente.
3. Organize o lugar para que o estudo esteja tranquilo e sem estímulos externos, como televisão, aparelhos ligados ou janelas abertas. 
4. Estabeleça juntamente com seu filho alguns métodos para conseguir um ambiente propício para que o cérebro se organize para o estudo.
5. Acompanhe o que ele está estudando, mesmo que não saiba a matéria ou como ela é ensinada. 
6. Sente-se junto a seu filho e leia juntamente com ele, pois isso o ajudará a perceber que você quer ajudá-lo.
7. Converse com o professor, ele saberá dizer em quais as matérias o aluno tem mais dificuldade, além de explicar como você pode auxiliar.
8. Faça uma lista com seu filho de tudo que pode ser revisado e estudado.
9. Diminua horários de televisão e videogames, não se esquecendo de explicar a importância dessas ações ao aluno.
10. Converse muito com ele e esclareça que uma maior dedicação faz-se necessária neste período.

Apesar de essa rotina de estudos auxiliar agora no final de ano, sabemos que o sucesso na aprendizagem e a parceria da família com a escola estão diretamente ligados. Vários estudos e a prática mostram que o envolvimento das famílias e da comunidade com a escola contribui para o sucesso acadêmico e social dos alunos. A evidência é consistente, positiva e convincente.

As famílias têm maior influência nas conquistas de seus filhos. Quando escolas e famílias trabalham juntas, apoiando o aprendizado, os alunos tendem a ter melhores resultados. Além disso, aumentam as chances de eles permanecerem na escola por mais tempo e, ainda, de gostarem mais do ambiente escolar.

Podemos afirmar, por meio da prática no envolvimento da família com a escola, que:
– Alunos que têm famílias envolvidas em seu aprendizado têm melhores notas, são mais propensos a completar o ensino médio e, consequentemente, ingressam no ensino de nível superior.
– Quando as famílias têm interesse ativo no que seus filhos estão aprendendo, os alunos demonstram atitudes positivas em relação à escola e se comportam melhor dentro e fora dela.
– As crianças convivem melhor se os pais podem desempenhar uma variedade de papéis em sua aprendizagem. Elas tendem a ajudar em casa, enquanto seus pais participam na escola, planejam seu futuro e participam das decisões do programa escolar.
– Alunos de Ensino Fundamental e Médio, cujas famílias permanecem envolvidas, têm mais facilidades em transições, mantêm a qualidade do seu trabalho, desenvolvem planos realistas para o futuro e, ainda, têm menos probabilidade de desistência ou fracasso.

Desde o ensino infantil até o ensino médio, as famílias devem oferecer contribuições à aprendizagem do aluno. Programas de melhoria da escola são muito mais eficazes quando as escolas inscrevem as famílias no processo. Independentemente do nível de renda ou do nível educacional, todas as famílias podem e devem contribuir para o sucesso de seus filhos.

Quando os pais se envolvem com as atividades escolares, eles tendem a se tornar mais ativos na comunidade. Um aprendizado bem-planejado e o apoio da família às atividades tendem a aumentar a autoconfiança do aluno. Conhecimento é poder. Pais bem-informados podem ser parceiros mais efetivos e produtivos.

Quanto mais verdadeiro for o relacionamento entre as famílias e a escola, mais o desempenho dos alunos aumenta. Quando as escolas envolvem as famílias na melhoria da aprendizagem, os alunos têm maiores ganhos. Quando as famílias estão envolvidas de maneira positiva, as escolas podem deixar de ser um local onde só alguns alunos se desenvolvem para ser um local em que todas as crianças podem, de fato, se beneficiar.

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Você gosta de conselhos?

Por Erika de Souza Bueno

Alguém fica sabendo que você está à procura de um novo emprego e, muito calmamente, se aproxima e o aconselha a desistir, pois, afinal, a vida não está fácil para ninguém. Outra pessoa percebe que você está em busca de uma dieta e exercícios físicos para, finalmente, conseguir a tão almejada redução de seu peso. Não disposta a correr o risco de se embaraçar em fofocas, diz que quando um “passarinho” contou sobre suas intenções naturais, ela quase não acreditou, pois, de acordo com o que pensa, você não precisa emagrecer nem ao menos um quilo.

Um colega na sala dos professores percebe que você está demasiadamente cansado, pois seus alunos estão cada dia mais desordeiros e desmotivados para o estudo. Querendo demonstrar preocupação, aborda você com algumas ideias de como vencer os desafios de ministrar aulas diante de uma sala com grandes dificuldades de organização. Esse colega, entretanto, é interrompido por outros que defendem firmemente que você deve seguir suas aulas sem se preocupar se há ou não alunos (normalmente os mais indisciplinados) aprendendo. Está indo tudo muito bem até que você se dá conta de que não perguntou a opinião de nenhum deles e, por isso, fecha-se a qualquer opinião que não faça coro ao que você acredita.

Seu filho chega em casa muito tarde e, quando você menos espera, já há várias pessoas interessadas em apurar os fatos e, assim, elaborar uma lista de ações que podem ser tomadas por você diante de um quadro tão delicado como esse. Bom, paciência, vivemos em sociedade e conhecemos bem a importância de mantermos a calma nesses momentos.

Assim, vamos seguindo e não deixamos transparecer bruscamente o que de fato pensamos, principalmente quando vemos nossos assuntos ser abordados por uma pessoa sem a devida permissão. Não é agir com falsidade, mas sim com a educação de uma pessoa que sabe ouvir e definir os limites que cada fala terá em sua própria vida.

Se alguém se fere facilmente com o que ouve, um bom conselho (se você o aceitar) é exercitar um pouco mais suas habilidades de convivência e entender que é comum as pessoas, muitas bem-intencionadas, desejarem transmitir um pouco de suas vivências. Isso é louvável, é humano e, certamente, as experiências de outras pessoas permitirão que nosso horizonte seja um pouco mais ampliado.

Se vamos ou não utilizar naquele momento os conselhos gentilmente concedidos a nós, isso poderá ser definido posteriormente, mas ouvir educadamente o que outro tem a dizer é uma atitude adequada à boa convivência. Além disso, quem sempre diz que se “conselho fosse bom não seria dado, mas vendido” desconhece a riqueza que há nas coisas sem preço dessa vida, tais como o amor ao próximo, a paz e a esperança. Esses, apenas para se ter ideia, são aspectos gratuitos que, com um bom conselho, podem ser conquistados por nós.

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Mulher gordinha tem mais libido, Sim ou Não…veja a entrevista com a Terapeuta Sexual (via sougordinhasim)

 

Meninas, Consegui com uma amiga fofa – Daniela Genari (psicóloga,terapeuta sexual e 2 miss plus size sênior mulheres reais ) uma entrevista maravilhosa.

Algumas semanas atras quem assistiu o programa da Luciana Gimenez – Superpop viu os comentários que ela e suas convidadas fizeram sobre mulheres gordinhas terem mais apetite sexual…. então fui perguntar se isso era verdade… veja na integra a entrevista
Ser uma mulher fogosa, ou seja com apetite sexual ou com libido sexual depende de muitas variáveis. O tipo físico é com certeza uma dessas variáveis, mas está diretamente ligado ao que achamos de nos mesmos, com nos vemos e o quanto nos valorizamos, estar acima do peso, não determina se temos mais libido.

Essas variáveis são experiências anteriores, o que pensamos sobre sexo, quanto conhecemos do nosso corpo, disponibilidade para o sexo e quanto nos sentimos bem com nosso corpo e com nosso desempenho com sexual.
As gordinhas assumidas que se acham sexy, com experiências prazerosas são sim fogosas, já quando têm vergonha do corpo, ficam inibidas, tentando esconder essa ou aquela parte do corpo dificilmente terão apetite sexual. E isso serve para qualquer tipo físico, as magras também podem não se gostar fisicamente, terem vergonha de seu corpo, e consequentemente baixa libido.

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Quem semeia sonho colhe carnaval

 

Texto e foto de Valéria del Cueto

Na apresentação das agremiações elementos obrigatórios e também as inovações são julgados pelos jurados que escolhem a escola campeã do Carnaval Carioca.

Mas como se constrói o sonho apresentado no desfile, que, em seus quesitos, bota em julgamento a Porta Bandeira e o Mestre Sala, que carregam e zelam pelo estandarte do pavilhão da escola, a Comissão de Frente, grupo que a apresenta para o povo, a bateria responsável pela cadência dos desfilantes, e tantos outros?

A parte plástica dos carros alegóricos, alegorias, adereços e fantasias, usadas pelos foliões, é feita com o esforço conjunto de ferreiros, carpinteiros, pintores, aderecistas, costureiras, escultores e outros artesãos que trabalham meses a fio (olha ele!) na construção da proposta imaginada, planejada e desenvolvida pelo carnavalesco no barracão da Cidade do Samba. É o corpo pulsante por onde circula o sangue da folia bombado pelas centenas de trabalhadores que transformam materiais primários, brutos, em elaborados trabalhos artísticos para  retratar o enredo proposto pela escola de samba e apresentado na Sapucaí.

O projeto do desfile é criado, desenvolvido e construído com muita disciplina, criatividade e técnica. Da criação à finalização do trabalho uma série de etapas tem que ser vencidas de forma mais ou menos sincronizadas, mas com data marcada para  brilharem na passarela carnavalesca.

A Cidade do Samba, na zona Portuária do Rio de Janeiro, próximo ao Sambódromo, é, desde 2006, a conquista mais significativa para a evolução da festa. Nela, estão reunidos os 12 barracões das Escolas do Grupo Especial. Projetados para transformar em realidade com tecnologia e num espaço apropriado os sonhos e delírios dos criadores do espetáculo.

As instalações dos barracões aprimoram o processo produtivo. Ele evolui do desenho para o projeto técnico, ferragem, madeira, empastelamento, pintura, adereçamento, iluminação e o deslocamento para o local do desfile, no caso dos carros alegóricos. Nas fantasias, do desenho para o desenvolvimento dos protótipos, modelagem, corte, costura, montagem, adereçamento, embalagem e sua distribuição para os componentes.

Precisei de 1200 imagens para traduzir, em sessões, a evolução da construção de um único carnaval de um só barracão, o da Mocidade Independente de Padre Miguel. Também fotografei os ensaios técnicos e o desfile da escola no Sambódromo. Estas, são outras tantas centenas de imagens.

Dissequei o processo seguindo uma norma: nunca interferir, dirigir ou compor as imagens a serem captadas. Apenas explorar numa sequencia semi-ordenada (a ordem no espaço se modifica com o andamento dos trabalhos), em 16 visitas, cada centímetro dos 7 mil metros quadrados dos 4 andares do barracão que construía o enredo de Cid Carvalho, A PARABOLA DOS DIVINOS SEMEDORES, apresentado em 2011.

Outros já exploraram os barracões. Poucos por tanto tempo. Nenhum, acho eu,  com tanta regularidade e tão detalhadamente.

É um mundo. Quente, suado, com cheiros fortes das resinas, colas, fibras e tintas. Surpreendentemente caloroso e amigo depois que os artesãos se acostumam com a peregrinação semanal pelos setores de trabalho e começam a interagir com a câmera fotográfica.

É a vida plena, absoluta em seu momento catártico de explosão e construção criadora. Ingrata e inconstante por, a cada ano, trocar de enredo e fantasia para seduzir seus foliões.

Dizem que esse trabalho é um “acervo imagético”. Prefiro dizer que é um imenso e delicado tecido composto por fios tramados pelo amor e a dedicação do incrível e generoso povo do samba carioca. Maravilhoso, como a minha cidade!

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Em 30 minutos, "pobre" Grêmio entrega jogo para o Millonarios e dá adeus à Sulamericana

foto L. Uebel/Divulgação

foto L. Uebel/Divulgação

Por Beto Bertagna

Bastou 30 minutos para o Grêmio desmoronar frente ao Millionários, da Colômbia . O jogo, disputado no Estádio El Campin, em Bogotá tinha todos os ingredientes favoráveis ao tricolor. Quando o Grêmio fez 1 X 0, no início do jogo sinalizou uma vaga garantida nas semifinais contra o São Paulo, pois o adversário precisaria então fazer 3 gols para chegar à classificação. Mas o futebol tem na sua magia e no seu encanto o imponderável. Usando dois filósofos, (Heráclito e Decartes) dá prá entender o que aconteceu no jogo, que segundo um terceiro filósofo “só acaba quando termina”. A entrada equivocada de Kleber, sem condições, foi um exemplo. O outro foi a “vista grossa” do árbitro equatoriano Carlos Vera em relação ao marginal Ramirez, que parecia estar mais numa luta da UFC que num jogo de futebol quando agrediu literalmente Zé Roberto e André Lima, que acabou o jogo com a cabeça enfaixada. Vamos ver se ao menos agora baixa o topete do técnico Luxemburgo e ele caia na real em relação a salários. E o Grêmio pare com esta história de contar com o ovo no c… da galinha e de relembrar a Batalha dos Aflitos.Até porque se perdesse, a galera do Millonarios não iria ficar lembrando que já teve em seus quadros o lendário Di Stefano.  A música de Lulu Santos é Heráclito puro e pode ajudar a desvendar o mistério :

“Nada do que foi será
De novo do jeito que já foi um dia
Tudo passa, tudo sempre passará
A vida vem em ondas como o mar
Num indo e vindo infinito
Tudo que se vê não é
Igual ao que a gente viu há um segundo…”

Leia também o Blog do Mario Marcos

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Novo tremor de 5,9 na escala Ritcher abala Cruzeiro do Sul, no Acre

Mais um forte tremor de terra que durou pouco mais de 30 segundos, desta vez de magnitude 5,9, segundo o Serviço Geológico dos Estados Unidos (USGS, na sigla em inglês), atingiu a província de Padre Abad, no Peru, e foi sentido na cidade de Cruzeiro do Sul, no Acre, na manhã deste sábado (10).

Veja ´notícia completa no site G1

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Nossas intimidades mudando de nome

Por Marli Gonçalves

Antes a gente dizia: “Quer aparecer? Amarra uma melancia no pescoço!” E dava risada com a ideia improvável de ver essa cena. Hoje, ao contrário, há controvérsias. O cara pode seguir o conselho. E coitadas das frutas, hortaliças e legumes! Agora entraram definitivamente no descritivo de partes do corpo humano. Não bastassem as mulheres fruta, melancia, pera, morango, homem berinjela, essa semana apareceu a mulher couve-flor, ou melhor, a mulher com uma couve-flor. Ops, mais: a mulher ex-couve-flor.

Eu já estava cansada, era tarde, quando fui dar uma espiadinha no Twitter, ver o que rolava, quais eram os assuntos do dia. Ao ver nos trending topics, (termos mais comentados) o nome da Geisy Arruda, a rosácea loirosa sempre em busca de retorno à fama, que lhe é sempre efêmera porque bate mais a cabeça do que a usa, e ir saber do que se tratava, fiquei meio em choque com a insanidade humana. Dei de cara com uma foto dela, deitada, toda estropiada, cara remendada, olho inchado. Acompanhava uma entrevista na qual o QI de sempre-viva amarela anunciava ter feito de uma vez só várias plásticas, inclusive uma íntima. Mas logo definiu o termo “cirurgia íntima”.  Informava exatamente que tinha operado a vagina porque esta parecia uma couve-flor, ela a achava feia, emboladinha. Que os lábios eram todos grandes, muito volumosos, e por isso até pedia para que seus parceiros não olhassem. Socorro!
Nem preciso dizer o nível dos comentários gaiatos que se espalharam, dos quais me absterei. Mas não posso deixar de pensar que o conceito de intimidade mudou completamente. Terá ela combinado com o médico que a operou que daria uma declaração dessas, “todo mundo” ia comentar e ela pagaria assim as tais cirurgias que duraram sete horas – verdadeira imolação; quase mutilação?
Se for, não há mais limites mesmo.
Mas boba eu, né? Já faz tempo que ninguém precisa mais da melancia para aparecer. Basta se deixar fotografar assim como quem não quer nada. Viu as fotos da tal Nana Gouveia posando de bonita no meio da catástrofe nos Estados Unidos? Pode-se também soltar a voz sem pensar. Distrair-se sem calcinhas.
Ou aparecer como Lady Gaga que, depois de ver que nem tinha tanto brasileiro otário para comprar ingresso para o show megalomaníaco dela, chegou aqui que só faltou, sei lá, dar no meio da rua, num lance e golpe de marketing surpreendente. Chegou dando tchauzinho. Foi pro hotel e começou a tuitar que nem louca. Botou faixa I Love na fachada. Apareceu de topless coberta só com uma toalha. Deu mais tchauzinhos para os coitados que estavam lá embaixo. Jogou lanche daquela rede americana pela sacada. Pôs peruca cor de rosa. Subiu no salto plataforma. E, claro, foi para a favela ver os pobres. Jogou bola. Tô dizendo: faltou dar; inclusive uma de Madona, sua rival, e arrumar um namorado brasileiro instantâneo. Um Maomé podia ele se chamar, talvez, para ser irritante com o Jesus que a outra usou e jogou por aí.
Mudaram também o sentido de exótico.
As tais redes sociais que se expandem a cada dia devem ser culpadas. Só podem ser. Tem gente que precisa tanto dar satisfação do que faz, que passa o dia dizendo “vou até ali…”, volto tal hora, comi isso aqui ( e taca foto do sanduíche horroroso,porque comida tem que ter fotografia especial para ser atrativa), meu cachorro piscou, meu cachorro dormiu. Já vi caso de gente xingando a mãe, postando documentos jurídicos, juro! Isso sem contar na manipulação de relacionamentos. Eu te excluo se rompo com você, para você saber, para sofrer – me explicaram como funciona.
Lembrei-me de uma professora, Claudia, que amava muito, do primeiro ano da faculdade de comunicação, e que dava aula de Teoria da Informação. Como se fosse hoje, recordei da aula sobre espaços íntimos e o comportamento humano. Os espaços sociais. Entendi ali os comportamentos dentro de um elevador, quando a gente não sabe para onde olha, o que faz, quando está com mais alguém estranho. Esse é o espaço íntimo, do grudado, até uns 15 centímetros, nossa couraça, que a gente fecha e só deixa entrar quem quer, se possível for escolher. Dos 15 cm a 1m20 é o espaço pessoal, pode ter toque, avaliação física, uma conversa mais particular. O espaço social vai de cerca de 1m20 a 3m60, para interações com mais pessoas ou palestras. Já o espaço público, distância de 3m60 ou mais de nosso corpo, serve para reuniões com estranhos ou mesmo para fazer discursos. A gente aqui e a plateia lá.
Essas novas subsubcelebridades estão subvertendo a coisa e o que é pior, isso está pegando. Basta correr os olhos nos portais. Ver os motivos dados aos papparazzis, esse pega para capar e fotografar. O importante é ser notado.
Nessa mesma semana, por outro lado, foi aprovado um projeto importante de punição para crimes cibernéticos, garantindo a inviolabilidade de certos meios e penalizando quem se enfia em espaços íntimos – digamos, não liberados. Condena quem calunia e difama por meios eletrônicos, quem invade sistemas, seja para o crime, com uso de senhas, seja para o roubo de informações, como foi o caso das fotos da atriz Carolina Dieckmann, que inclusive dá nome à lei, que só andou porque ela gritou mais alto. Repercutiu.
Pensando bem, quem sabe essa lei também não possa nos proteger – a nós todos – de informações e imagens como essa da couve-flor?
Senão, teremos de nos mobilizar rapidamente para incluir uma emenda garantindo a nossa sanidade diante da loucura. Loucura que fez virar fichinha o girassol da lapela do Falcão, as roupas e a buzina do Chacrinha, as perucas da Elke Maravilha.
Esse povo novo quer que a gente saiba coisas muito internas deles, até se usam ou já usaram, como virgindade leiloada em praça pública. Internas até demais.

São Paulo, sacolão, 2012
Marli Gonçalves é jornalista Descobriu que tem um site http://desciclopedia.org/wiki/Deslistas:Nomes_populares_para_a_vagina– que listou quatro mil nomes para o órgão sexual feminino, do qual muitas das próprias tem vergonha e, pasmem, muitas nunca nem olharam para a sua própria. Nem para compará-las a qualquer hortifruti.

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E ai, tá todo mundo?

Texto e foto de Valéria del Cueto

A pergunta vem enquanto procuro a ponta. Não a Leme que me abriga, mas desse extenso fio que passa pelo tear do meu carnaval de imagens e crônicas nos últimos 3 anos, a partir de quando, depois de fotografar desde 2005 os desfiles das Escolas de Samba do Rio de Janeiro, no Sambódromo carioca, tive o prazer e a confiança dos responsáveis por umas das fábricas de sonho que criam e constroem os carros alegóricos, adereços e fantasias apresentados na avenida, de começar a fotografar este imenso trabalho.

Quem assiste ao espetáculo ao vivo ou pela TV, não tem noção do tempo, esforço e organização necessários para encantar os olhos e demais sentidos das dezenas de milhares os foliões presentes na Passarela do Samba e dos milhões que acompanham a festa pelas imagens daqui geradas!

Cheguei a Mocidade Independente de Padre Miguel pelas mãos do destaque Maurício de Paula, meu colega na primeira turma de Gestão Carnavalesca, a inédita faculdade de Carnaval da Universidade Estácio de Sá. Foi ele que me apresentou ao carnavalesco Cid Carvalho, responsável pela criação e desenvolvimento do enredo da escola verde e branca, em 2011.

Queria uma autorização para registrar a confecção de uma única fantasia, a de destaque do Maurício. Sabendo que o barracão é um local quase sagrado por guardar os segredos que serão apresentados em primeiríssima mão no dia do desfile o apoio de Cid era essencial, afinal o trabalho era dele. Como foi dele que veio o desafio de tentar fazer um registro geral do barracão. Como eu quisesse!

Ele abriu, com a anuência do presidente da escola, Paulo Vianna e dos diretores de carnaval e de barracão, as portas de um incrível mundo em construção que pude acompanhar a cada semana, durante os meses que antecederam o carnaval de 2011.

Mas afinal do que falamos?

Imagine uma história, um libreto narrado numa ópera em movimento. Cada escola de samba, por 80 minutos desfila apresentando para o público seu enredo do ano embalado pelo samba cantado pelos aproximadamente 4.000 componentes acompanhado por uma bateria de 300 ritmistas tocando instrumentos de percussão.

Falo do Sambódromo Darci Ribeiro, projetado pelo arquiteto Oscar Niemeyer, na Marques de Sapucaí, centro do Rio de Janeiro. A Passarela do Samba, inaugurada em 1984, onde as 12 Escolas de Samba do Grupo Especial do Carnaval do Rio de Janeiro desfilam no domingo e na segunda feira de carnaval e protagonizam a maior festa popular do mundo.

São em média 4.000 componentes, divididos em alas, distribuídas em setores narrativos, que se encerram com os carros alegóricos.

A escola é apresentada ao público por sua Comissão de Frente seguida pelo Abre Alas, saudando o público e pedindo passagem. Atrás dela, os elementos podem alternar sua ordem, mas sempre estão presentes o mestre-sala e a porta bandeira, conduzindo o pavilhão da escola, as alas das baianas, representando a tradição da comunidade, assim como a velha guarda – ambas reverenciadas pela herança cultural popular que deixam para as novas gerações do samba e do carnaval; as alas dos passistas – com seu gingado especial -, a das crianças e muitas outras, num total que varia de escola para escola, mas gira em torno de 50 alas.

A bateria, comandada por seu mestre e seus diretores é apresentada pela rainha, que desfila a frente dos 300 ritmistas. São os instrumentos que cadenciam o canto da nossa ópera a céu aberto.

O enredo proposto é descrito através das fantasias e alegorias e narrado pela música e a cantoria que toma a avenida e contagia as arquibancadas, frisas e camarotes.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM.

delcueto.cia@gmail.com

 

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Dogville (Lars von Trier, 2004) (via Cinetoscópios)

Por Cindy Lohana

Lars Von Trier, cineasta enigmático, excêntrico e muitas vezes incompreendido tanto por seu público, quanto pelos críticos, fundou o movimento Dogma 95, que consiste em filmes mal iluminados, sem trilha sonora e com imagens tremidas e distorcidas, dando a ideia de algo independente, fora do padrão comum de Hollywood. E é exatamente isso que ele faz em Dogville. Quebra todas as barreiras do cinema usual e transforma a experiência do expectador em algo único, abrindo mão do cenário e outros recursos cinematográficos normalmente usados para aprimorar uma obra. Entretanto, Lars Von Trier, ambienta uma história passada na Grande Depressão dos anos 30 ao teatro televisionado dos anos 70, fazendo um misto entre o lúdico e a vida real, imaginário e concreto.

Grace (interpretada por Nicole Kidman em uma de suas melhores atuações) após fugir de mafiosos perigosos que a perseguiam, chega a Dogville, pequena cidade com um número menor ainda de habitantes. Acolhida por Tom (Paul Bettany), personagem introspectivo e crucial para seu envolvimento com os habitantes do lugar, Grace ganha abrigo em troca de pequenos favores aos moradores, que no começo se mostram afáveis e amigáveis. Com o passar do tempo, contudo, os residentes de Dogville passam a mostrar seu lado sombrio, fazendo de Grace uma escrava do local e de seus egoísmos. A partir de então, ela percebe que Dogville lhe causa muito mais sofrimento do que aqueles que antes a perseguiam.

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Como seria uma eleição presidencial por colégio eleitoral no Brasil em 2014? (via Instituto Paracleto)

O Brasil e os Estados Unidos possuem uma coisa em comum, ambos são uma federação. A diferença é que os Estados Unidos é uma federação de verdade e os Estados realmente tem mais autonomia, por isso seriam os estados os responsáveis pela escolha do líder dos “estados unidos”.

Nos Estados Unidos, o presidente é eleito por um colégio eleitoral formado pelos delegados que cada estado possui. Estados mais populosos possuem mais delegados e quem vence o estado leva todos os seus delegados. Dos 538 delegados, quem chega aos 270 já é consagrado presidente.

Se o Brasil escolhesse seu presidente da mesma forma que os Estados Unidos, teria que dar um número de delegados a cada estado proporcional a sua população, outro fator para definir o número de delegados que um estado possui é que ele deve possuir 3 delegados no mínimo. Sendo assim, cada estado ficaria com o número de delegados mostrados abaixo. O estado São Paulo sozinho deteria 112 delegados dos 538 possíveis.

estado proporção colégio colégio eleitoral ajustados
São Paulo 21,60% 116,208 112
Minas Gerais 10,30% 55,414 55
Rio de Janeiro 8,40% 45,192 45
Bahia 7,30% 39,274 39
Rio Grande do Sul 5,60% 30,128 30
Paraná 5,50% 29,59 30
Pernambuco 4,60% 24,748 25
Ceará 4,40% 23,672 24
Pará 4,00% 21,52 21
Maranhão 3,40% 18,292 18
Santa Catarina 3,30% 17,754 18
Goiás 3,10% 16,678 17
Paraíba 2,00% 10,76 11
Amazonas 1,80% 9,684 10
Espírito Santo 1,80% 9,684 10
Rio Grande do Norte 1,70% 9,146 9
Alagoas 1,60% 8,608 9
Piauí 1,60% 8,608 9
Mato Grosso 1,60% 8,608 9
Distrito Federal 1,30% 6,994 7
Mato Grosso do Sul 1,30% 6,994 7
Sergipe 1,10% 5,918 6
Rondônia 0,80% 4,304 4
Tocantins 0,70% 3,766 4
Acre 0,40% 2,152 3
Amapá 0,40% 2,152 3
Roraima 0,20% 1,076 3

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O que você quer ser quando crescer?

Por Amanda do Nascimento Morgado

Às vésperas dos principais vestibulares do país, muitos jovens costumam procurar serviços de orientação profissional para escolher a carreira que seguirão durante suas vidas. Em meio a um turbilhão de dúvidas, um dos principais pontos de reflexão incide sobre como a decisão que farão afetará diretamente sua qualidade de vida.

De início, quando crianças, sonham em ser bombeiros, astronautas, jogadores de futebol, bailarinas. Estimuladas pela família ou baseadas em arquétipos do herói, do invencível, da pureza, essas crianças começam a delinear o seu próprio projeto de vida, imaginando e ilustrando como serão quando crescerem.

Conforme o tempo vai passando, novas experiências são adquiridas, novos conceitos são assimilados e muitas famílias incorporam o papel de destruidoras de sonhos. “Como é que você quer ser bailarina, filha, se não consegue nem abrir um espacate na educação física da escola?”. “Músico? Sim, você pode tocar quando quiser. Mas qual será sua profissão?”.

Já adolescentes, novas ambições e desejos são constituídos, associados não só à sua própria individualidade, como também à personalidade de seus pais. O pai de Eduardo, por exemplo, é médico e ele gostaria muito que o filho seguisse sua profissão. Além de, na maioria dos casos, ser compensador financeiramente, acredita que a profissão lhe dê status, poder e grande reconhecimento. Mas Eduardo tem pavor a ferimentos, cortes, sangue e, principalmente, à biologia.

Se já não bastasse a angústia e insegurança diante da escolha profissional e da promessa de ter ou não uma carreira de sucesso, esse jovem se depara com um verdadeiro conflito familiar. O pai de Eduardo tem mais do que um sonho para seu filho, já tem o seu destino traçado. O medo de fracassar, de decepcionar as pessoas e de fazer a escolha errada é forte. Como solucionar esse impasse?

Pesquisas apontam os benefícios que programas de orientação profissional podem trazer não só ao jovem indeciso, quanto àquele que já possui certa convicção do caminho que pretende trilhar. Em primeiro lugar, é importante que o jovem conheça suas inclinações profissionais – o que gosta e não gosta de fazer, o que o desafia, o que o motiva, quais são suas habilidades, que tipo de conhecimento gostaria de adquirir, de que forma pretende contribuir com a humanidade.

Eduardo gosta de plantas. Sempre ajudou a cuidar do jardim. Rega, aduba e conversa com elas. É capaz de fazê-las sobreviver quando já estão caídas. Também tem verdadeira paixão por aeromodelos. Projeta, constrói, conserta e se interessa muito sobre seu funcionamento aerodinâmico. Gostar de plantas e ter habilidade em seu manuseio não parecem suficientes para escolher uma carreira como biologia, ainda mais quando não se tem afinidade com ela. Por outro lado, procurar entender a física que possibilita o voo pode ser um indício de inclinação às ciências exatas.

Tendo um pouco mais de clareza e conhecimento sobre si mesmo, o segundo passo é investigar as profissões existentes, os cursos oferecidos pelas universidades e o mercado de trabalho. Muitas profissões surgiram com o avanço tecnológico, envolvendo a urgência pela preservação do planeta, o crescente contingente populacional, o relacionamento familiar e social e o incremento do poder aquisitivo.

Analisar médias salariais, campos de atuação, desenvolvimento de atividades, demandas do mercado e potenciais locais de trabalho nacionais e regionais constituem-se como fatores fundamentais na escolha consciente de uma profissão. E todo esse processo deve ser acompanhado pela família, que não deve atuar de forma autoritária, impondo ao filho um sonho que não é dela, mas também não pode ser negligente, deixando o jovem tomar a decisão que lhe cabe, mas sem apoio algum. À família cabe o papel de facilitar a escolha da carreira pelo jovem, seja oferecendo informações pertinentes sobre o assunto ou proporcionando suporte emocional.

Participando de programas de orientação profissional e sendo amparados por suas famílias, certamente muitos “Eduardos” demonstrarão mais segurança e confiança quando, finalmente, tiverem que decidir o seu futuro profissional.

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Vem quente que eu estou fervendo

Por Marli Gonçalves

Quanto mais quente, melhor? Nem sempre. Alguma coisa parece estar fora da ordem e o calor não é mais aquele, só gostoso, de vontade de pegar uma praia, tomar cerveja, se lambuzar de sorvete. É estafante, diminui qualquer vontade e arrasa qualquer lógica; faz acreditar e delirar até que só a gente está tendo aquela sensação horrorosa, certa paranóia. E os acontecimentos não param de chegar: más notícias mundiais, medos e ameaças, previsões catastróficas e a maldita realidade esquentando nossas orelhas, até com caçadas humanas
Parece que estamos derretendo e o verão ainda nem chegou. O ar rarefeito e seco embota os pensamentos, e é muito difícil trabalhar pensando, com alguma atividade intelectual, necessitando de ideias e criatividade nesses dias em que a coisa pega pesado, que o tempo esquenta tanto que a gente acha que vai fritar que nem bolinho. E se nem pensar dá, imagine quem tem de fazer esforços físicos, braçais. Nesse tempo quente, tudo esquenta, a cabeça esquenta, e certamente sobe o índice de agressões e desentendimentos e desinteligências que ocorrem por aí porque ficamos muito mais irritados quando as roupas grudam no corpo e você sua, pinga, e ainda vem alguém lhe pagar um sapo, ou tentando lhe dar uma volta.
O calor que faz é quase selvagem. Não é civilizado, diz um amigo.
Penso imediatamente – no caso, pela nudez permitida – nos índios que, inclusive, também estão na ordem do dia, principalmente uma tribo guarani-caiowaa que conseguiu passar uma angústia enorme para a elite brasileira ao prometer lutar até o fim pela permanência em terras onde chegaram e se instalaram, vizinhos de uma usina que não faz qualquer questão desses vizinhos. Logo, pela internet, lutar até o fim acabou virando rapidamente ameaça de suicídio coletivo e aí foi o Deus-dará.
Do dia quente para a noite quente também, muita gente virou índio, trocou de nome na internet; os índios viraram a bola da vez de um certo delírio social e solidário coletivo, comoção nacional, razão pelo que se condoer, junto com furacões e super tempestades para assistir na tevê, pensando que, puxa, olha só, lá eles também têm desgraças. A água também traz enchentes. Árvores também caem. Mas repara só como muito menos pessoas morrem na desgraça. Porque há previsão, comunicação a tempo, serviços que funcionam, ordens que são cumpridas por todos. Há solidariedade. Um certo governo. Consciência de coletivo.
Depois de refrescar o pensamento com a nudez indígena, penso novamente no calor. E vem à mente os uniformes e fardas que, inclusive, mais do que quentes, tornaram-se roupas muito perigosas ao serem usadas nas ruas de São Paulo e arredores, onde parecem estar virando mira de tiro ao alvo. Todos os dias vários policiais são mortos ou emboscados. No seguinte, o revide, e mais mortes, para o outro lado. Bang-bang mesmo. Boatos e toques de recolher se espalham pela cidade, tornando-a uma verdadeira fogueira. Brasa viva, porque não se sabe para onde ir ou não ir. Zona de guerra urbana.
Só que essa guerra, sabe-se por que, de onde vem, como foi iniciada a sua formação e a organização do comando, ano após ano de negativas de autoridades do que ocorria em suas barbas. E essa organização de três letras que esquenta e sopra as orelhas do Estado e toda sua força policial não é mequetrefe. Rica e bem engendrada, suas raízes devem estar incrustadas crescendo de alguma forma invisível, para surgir quebrando a calçada e derrubando muros, tal como as seringueiras. Invisíveis e podres poderes. Porque o que vemos são apenas os seus soldadinhos bem rasos, esquálidos e bem jovens, sendo carregados mortos em rabecões ou vivos em camburões, onde são jogados invariavelmente com uma camiseta suja, uma bermudinha velha e sandália de dedo. São bucha de canhão, carne de segunda.
Essa coisa é muito maior e mais malévola do que se possa crer. Não é mesmo igual às organizações que nasceram e se criaram no Rio de Janeiro, mas ainda por cima parece evidente que parte dos enxotados de lá vieram para cá e entregaram seus curriculuns criminosos e de comportamento antissocial para serem aceitos e aqui protegidos. Tipo troca de passe.
É um novo cangaço que surge. O calor se espalha. E ainda há bateboca e dizquedizque de política com secretário boca mole, ministro metido, governador insípido e presidente gostando de beija-mão, adulação, para poder fazer cara de brava. Enquanto isso os índices sobem, inclusive os de custo de vida, e os de números de caçadas e mortes estúpidas.
O couro comendo aqui fora. O verão ainda vai chegar. Calor demais. Melhor desamarrar o nó da gravata.

São Paulo, frenesi de sirenes ligadas, 2012
Marli Gonçalves é jornalista – Leque virou acessório indispensável para viver no barril de pólvora com fósforo por perto.

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Diz a lenda – Verdade

Por Beto Ramos

Eu não faço questão de ficar mudo.
Tudo que construí, foi com palavras.
Ficar sem a luz, já não é tão importante.
Aprendi a andar no escuro.
Tenho como companheira das palavras, a Lua.
E a Lua passeia no céu, como pirilampos vistos
de um avião cheio das cores do enredo do amigo que não veio.
Eu faço questão de comer.
A fome é muda.
A fome nos faz falar, gritar dando voos rasante junto ao Sol que queima nossa alma.
Ficar com frio, faz parte da poesia do corpo, que vagueia na loucura de um copo a mais em cima da mesa.
Chorar sozinho é a poesia marginal enquanto não chega o analgésico para dor de cabeça.
Eu não faço questão de viver.
A vida é complicada demais.
Mas, também não faço questão de morrer.
A morte é covarde.
Como a fome, ela pode dilacerar nossas entranhas.
Quando a alma queima, uma dose a mais sempre é bem vinda.
Eu faço questão de ter a fome da verdade.
O sol que queima a alma é alimentado por mentiras.
Andar no escuro é acreditar que a Lua vá iluminar o caminho.
Mas, muitos possuem o medo do escuro.
A verdade é a luz que ilumina o caráter de quem não tem medo de acordar mudo sabendo de tudo.
Estou com muita fome da verdade.
Os pirilampos estão iluminando o caminho.
Eu não faço questão de ficar mudo.
Chegou o analgésico…

Diz a lenda

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Frei Betto: a morte anunciada dos Guarani-Kaiowá(via leonardoBOFF.com)

Frei Betto sempre esteve ao lado dos oprimidos e dos ameaçados de extinção como os indígenas. Aqui apresenta claramente o conflito que envolve os Guarani-Kaiowá, estes ameaçando suicídio coletivo caso suas demandas por terra não forem atendidas. São duas visões de mundo que se confrontam: aquela dos ruralistas que representam a perspectiva da terra como meio de produção numa lógica utilitarista e mercantil; a dos povos originários que veem a terra como prolongamento do corpo, como viva e “mãe do índio” como costumam dizer. Precisamos aprender desses representantes originários como entreter uma relação diferente para com a Terra, entendida como Gaia, Pacha Mama e Grande Mãe que nos dá gratuitamente tudo o que precisamos. Mãe não pode ser comprada, vendida ou tratada de qualquer jeito. Mãe é para ser venerada, respeitada e amada. Assim deve ser com a Magna Mater, a boa e generosa Mãe Terra. LBoff

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“Gigantes de aço”, agressividade entre pai e filho

Por Erika de Souza Bueno

Quais os malefícios que os jogos violentos de videogame deixam na vida de uma criança? Por que não se pode tolerar que uma criança se envolva em um ambiente de luta, combates e ódio? O que pode acontecer a um menino que se empolga com a adrenalina ao se deliciar em cenas de violência explícita trazidas pelos jogos?

No filme “Gigantes de Aço”, Dakota Goyo dá vida a Max, um menino completamente envolvido pelos jogos de videogame. Max é o filho rejeitado de Charlie, personagem vivido por Hugh Jackman, responsável pela revolta que pode acometer qualquer família que almeja o melhor para seus filhos.

O menino protagoniza cenas que fazem o coração saltar ainda mais forte ao falar abertamente com seu pai, como se este estivesse em uma condição igual à dele. Não está. Charlie já viveu muito mais tempo que Max, já está cheio de marcas de uma vida de insucessos, que o deixam amargo e com pouquíssimos meios para contribuir de algum modo com o único filho.

Ao descer do carro de seus tios rumo ao encontro de seu pai, o menino Max já nos dá mostras de sua personalidade, pois interroga Charlie sobre o valor pelo qual fora vendido. O pai do garoto não viu nenhum problema em precificar a guarda do menino, deixando-a aos tios de Max. Não identificou nenhum “porém” em utilizar o dinheiro para adquirir mais um robô lutador.

De modo semelhante, também não levou em consideração o fato de que Max tinha acabado de perder sua mãe. Tampouco, Charlie não fez muita questão em dar a resposta que o filho queria, ou seja, o valor com que fora vendido. No decorrer do filme, incontáveis vezes somos surpreendidos pelo lado inconsequente de Charlie em relação ao menino.

Isso revolta. Porém, mais uma vez, o cinema nos dá recursos de abordagens em sala de aula, principalmente quando estamos em algum trabalho com a família de nossos alunos. No filme, o final é feliz, se é que podemos chamar assim um final que tem uma criança envolvida em cenas de tamanha agressividade. Contudo, na vida real, o final pode ser tenebroso, brutal, trágico e cruel.

O fato de os combates se darem entre robôs não colabora, de modo algum, para a diminuição da carga de violência. Enquanto as “latas” se amassam durante os numerosos combates que aparecem no filme, o caráter cruel e impiedoso das pessoas que os controlam aparece claramente.

Max, um menino de apenas 11 anos, não apenas presencia tudo isso, mas ele é participante ativo e responsável por levar o filme a um desfecho “feliz”. A comemoração, o olhar de carinho e cumplicidade entre um dos robôs e o menino, o abraço entre pai e filho…

Bom, nada disso parece compensar a angústia de termos visto uma criança desamparada pelo pai, acompanhando-o a tantos lugares inadequados à idade e aos direitos que deveriam ser assegurados a ela. Claro que esse desamparo foi aparentemente vencido, mas é só isso, tudo parece muito vago, sem bases sólidas e prematuro.

Como todo bom filme, “Gigantes de Aço” é capaz de nos deixar revoltados, ansiosos e com o desejo intenso de fazer mais pelas crianças com as quais hoje temos contato. Com nossos alunos, o filme é uma grande oportunidade de trabalho com a família de cada um deles.

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Crise originária, “mensalão” e o Supremo Tribunal Federal (via leonardoBOFF.com)

Deve-se respeitar o veredito da Suprema Corta de Justiça da nação, pois representa um dos poderes supremos de um estado democrático de direito. Entretanto, tal fato, não isenta o cidadão de expressar interrogações e fazer suas críticas. Isso também pertence ao estado democrático de direito. O que vou externar neste artigo seguramente colherá a contradição de não poucos. Respeito a opinião divergente. Mas nem por isso deixarei, por razões de cidadania e de ética, de fazer algumas ponderações suscitadas não apenas por mim mas por notáveis analistas e juristas deste país, em vários meios de comunicação, especialmente, no Boletim Carta Maior entre outros. Mas vamos ao escrito.

Coloquemo-nos, por um momento, na pele dos Ministros e Ministras do Supremo Tribunal Federal.  Tiveram que se confrontar com um processo de 60 mil páginas: a Ação Penal 470, chamado também de “mensalão”. Enfrentaram uma tarefa hercúlea. Após leitura e meditação do volumoso acervo, impõe-se à Suprema Corte a primeira e desafiadora tarefa: formar convicção sobre a condenação ou não  dos incriminados e o tipo de pena a ser cominada. Mas quando se trata de tirar o dom mais precioso de um cidadão depois da vida – a liberdade – especialmente de políticos que ocupavam altos cargos de governo e que em suas biografias ostentam marcas de prisões, torturas e exílios por conta da reconquista da democracia, sequestrada pela ditadura militar, devem prevalecer rigorosamente a isenção e a independência; devem falar mais alto as provas nos autos que os meros indícios, ilações, a pressão da mídia e o jogo político. Para conferir ordem à argumentação fez-se mister criar uma narrativa coerente que, fundada nos autos, sustentasse uma decisão convincente e justa.

Aqui tem seu lugar a subjetividade que é o natural e inevitável momento ideológico, ligado à cosmovisão dos Ministros, à suas biografias, às relações sociais que nutrem e à sua leitura da política nacional. Isso é livre de crítica.

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Os encantos da narrativa cinematográfica

Por Erika de Souza Bueno

O fim dificilmente é lógico e, tampouco, se obriga a ser feliz. A ansiedade toma conta e é evidenciada por olhos lacrimejantes que se negam a piscar. Cada detalhe, cada gesto, cada olhar, cada cena…

Sem se dar conta, o espectador se vê envolvido por uma atmosfera de tensão, medo e um sentimento inexplicável que o faz torcer por um determinado fim. Nada o satisfaz mais do que ver o vilão recebendo as recompensas negativas por todos os males que praticou contra o inofensivo “mocinho”. Como se não bastasse, inúmeras vezes o castigo do vilão não satisfaz os desejos de violência que foram gerados por uma narrativa surpreendentemente eficaz.
É até difícil explicar, pois é muito diferente do que acontece com a narrativa no papel, na qual escrevemos detalhadamente as características físicas e emocionais dos personagens. Na narrativa do cinema, evapora-se a necessidade da escrita, pois todas essas características ficam a cargo do olhar do espectador, que se delicia pelas expressões corporais e faciais dos personagens, além dos aspectos dos cenários.

Tudo isso ganha muito mais ênfase quando se soma à trilha sonora e aos inumeráveis enquadramentos, os quais direcionam a atenção do espectador, que se vê vencido pelas técnicas dessa fascinante linguagem. São tantas as diferenças entre essas narrativas que chega a surpreender até o mais estudioso da arte que se rende ao fascinante mundo cinematográfico.

É preciso se questionar… O que, afinal, aconteceu com os finais felizes? Certamente, percebeu-se que a angústia, o medo e a violência dão muito mais audiência do que a felicidade, o amor e a paz. E assim, a narrativa cinematográfica caminha alterando os rumos e desafiando o intelecto de seus espectadores ao envolvê-los numa trama que, junto ao protagonista, deseja-se desvendar.

Completamente entrelaçado pelo filme, o espectador vibra ao descobrir os desdobramentos que tomará a história que está assistindo. Elogia, fica feliz e até cobra reconhecimento de seus pares ao enfatizar, repetidas vezes, que ele, “sozinho”, conseguiu prever tudo o que estava por acontecer naquelas dramáticas cenas. Esses sentimentos, é fato, também são perfeitamente possíveis e cabíveis em nossas literaturas, o que torna o cinema um dos recursos mais essenciais à sala de aula.

A narrativa cinematográfica é, então, um valioso objeto de estudo, que não pode ser negado aos nossos alunos. Mesmo que sem perceber, eles já mudam suas práticas, alteram seus planos e repensam suas vidas através da arte cinematográfica. A escola precisa prover meios para que seus alunos identifiquem essas manobras que fazem a partir do que assistem num filme, bem como nas mais diferenciadas cenas da vida. Assim, eles assumirão o papel de autores conscientes de todas as formas de influência, passando a repensar o que, de fato, querem para a própria vida.

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Charadinha

Texto e foto de Valéria del Cueto

Tiro do meu amplo (?) microcosmo da Ponta do Leme elementos para refletir sobre a vida como um todo e em geral.
É muita pretensão, eu sei. Mas, o que fazer se esses ditos elementos saltitam a minha volta quando (como boa fiscal da natureza) estou aqui, ao pé da Pedra do Leme, apenas a aproveitar o “dolce far niente” do meu carpe diem literário, desta quinta feira?
É de quinta essa sensação de não conseguir deixar de pegar o bonde da reflexão galopando entre os sinais da natureza que me cercam.
Só ele já faz a festa, sem necessidade alguma do dedo do bicho homem para intervir na situação circundante.
Há que ser artista para não se deixar enganar pelos referidos sinais…
Venta, reparei antes mesmo de adentrar ao campo de jogo, delimitado pelo mar, a Pedra do Leme, os prédios e aquela visão paradisíaca de Copacabana que nunca canso de fotografar.
Pelos carneirinhos de espuma que saltitam entre a praia e o horizonte, sempre da direita para a esquerda do meu campo visual oceânico, dá para dizer que a intensidade das rajadas não é baixa.
Caminhando entre os quiosques do calçadão e as barracas, na faixa de areia ocupada pelas redes de vôlei e as traves dos campos de futebol de areia, começo a imaginar a melhor posição para estender a canga sem entrar em conflito direto e contrariar a força da natureza dominante.
No céu não há uma única nuvem e o sol da tarde, nessa antevéspera de horário de verão, mostra toda sua força e energia. Dá para vê-lo, mas não para senti-lo imediatamente.
Depois de escolher o local onde montarei meu escritório de cronista essa semana, paro para decidir a posição ideal para a canga, de modo a ficar na posição certa em relação a luz solar. Penso com meus laços do biquíni e botões do vestidinho/saída de praia que seu trajeto muda rápido nessa época do ano.
Pode parecer desnecessário estudar tanto o posicionamento do meu retângulo praiano. Mas, num dia como esse, é fundamental (sempre que uso essa palavra me lembro de Dante de Oliveira).
Troco as lembranças do homem das diretas pelo cálculo exato da minha exigência geográfica e uma forma de alcança-la surfando nas ondas do vento, sem precisar nem tentar, que não sou louca, remar contra a maré da ventania, capaz de conduzir, inclusive, o bando de carneirinhos/marolas anteriormente citados.
Me esmero no alinhamento, capricho na arrumação e… voilá! A canga aterrissa obediente. Me atiro em cima garantindo o peso nas extremidades: chinelo, chinelo, bolsa e eu. Em posição. De frente para o sol, com o mar à esquerda. Só podia ser assim. Você entende por quê? O sol brilha, o vento faz cócegas e… parece que não está calor.
Então, o bronzeamento não incomoda, nem o alarme para a torração inclemente é ligado. Quando os incautos reparam, danou-se. Tostaram! E, pior, normalmente, só de um lado, a banda duramente atingida pelo sol para quem fica sentado de frente para o marzão apreciando os carneirinhos, tão bonitinhos…
Igualzinho nas eleições! Nelas, a tostada é inerente, distraídos que estamos com as divagações “climáticas” perpetradas pelo mar e pelo sol. Esquecidos do vento que muda o rumo da prosa e só mostra seus efeitos danosos posteriormente, quando não dá mais para tentar um bronzeado equilibrado, por que a tarde chega ao fim, obedecendo a inexorabilidade do tempo que voa…
Depois, haja Caladril para tentar aliviar as queimaduras, manchas na pele e o descascar inevitável.
*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Como cineastas famosos fariam o final de “Avenida Brasil”? (via Ovo de Fantasma)

Versão de Pedro Almodovar

Jorginho matou Max. Descobrimos que ele na verdade nasceu mulher e sempre conviveu com essa enorme crise de identidade, forçada por todos. No final congela nele, saindo do Divino e do Armário, rumo à felicidade. – Virgílio Souza e Daniel Corrêa

Versão de Michael Bay

Carminha arromba o portão de um quartel militar com seu carro. Lá dentro, rouba uma série de armas de guerra e explosivos. Ela pretende explodir o lixão, com Nina e todos os outros personagens dentro. Nina a espera no lixão dentro de um tanque de guerra. Os jogadores de futebol convertem-se em soldados, como forma de honrar o Divino F.C e vingar a traição imposta a Tufão. Carminha atira o carro cheio de explosivos em direção ao tanque de Nina e pula pela porta do carro a máxima velocidade em câmera lenta. Antes que a explosão ocorra, porém, o monte de lixo se retorce e transforma-se num grande monstro de lixo, semelhante a um Megazord: “Vocês nunca deviam ter me incomodado”, ele diz. “Eu matei Max!”. Todos choram copiosamente. O monstro voa sobre Nina e Carminha e atira mísseis em direção a elas, aniquilando todos. Por fim diz: “Esse lugar precisa pertencer a quem realmente o merece”. O monstro finca uma bandeira americana no solo e desfaz-se novamente num monte de lixo. Close da bandeira americana flamulando. – Pedro Freitas

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Entre o passado e o futuro, sabedoria é viver o presente

Por Erika de Souza Bueno

Por que as pessoas têm tantas dificuldades para identificar o que há de bom no presente? Em detrimento de se viver melhor o agora, elas se alimentam de intensas lembranças do passado, enquanto passam a vida esperando ansiosamente realizar algo no futuro. Quando começam a pensar em como estão vivendo, muitas dessas pessoas tomam por base as experiências vividas no passado, buscando por fatos que lhes proporcionaram bem-estar. Enquanto isso, o presente, tão lindo e repleto de tantas possibilidades, parece estar dia a dia mais esquecido.

Não satisfeitas com o que estão vivendo, várias pessoas passam dias e mais dias dedicando-se a adquirir algo para ser desfrutado lá no futuro, tão incerto quanto o próximo minuto de vida de qualquer pessoa. A vida vai passando, mas as pessoas com essas características não se dão conta de que o único dia possível sobre o qual que temos relativo domínio chama-se hoje.

O passado, é fato, tem sim suas funções, as quais devem ser respeitadas, pois uma pessoa que não aprende com sua própria história é alguém fadado a “bater a cabeça sempre na mesma quina”. Alguém que não se dedica, ao menos um pouco, a refletir em tudo o que já viveu corre um enorme risco de se apagar, de passar o tempo todo sem brilho, sem graça, sem beleza.

Entretanto, aquele que se arrisca em projetos que visam a levar bem-estar apenas ao futuro pode ficar muito frustrado em não ter chance de colocá-lo em prática. Isso de não o colocar em prática tem várias razões, mas uma das principais está no fato de as nossas expectativas mudarem com o passar do tempo. Logo, aquele projeto de bem-estar só no futuro, para o qual tanta energia foi dispensada, pode perder todo o sentido e significado, dado que as motivações de uma pessoa podem sofrer mudanças a todo o momento.

Para dimensionar tudo isso, busca-se sabedoria, inteligência e perspicácia para aplicá-las nas obras realizadas pela arte de viver. Uma das grandes mostras dessa sabedoria talvez esteja em viver da melhor forma possível com o que se tem hoje, dispensando a angústia de tentar prever e anteceder o que ainda não se conhece, ou seja, o futuro.

A sabedoria também pode estar no perfeito equilíbrio em viver o presente, considerar as funções do passado e, ainda, usar de modo adequado todos os recursos que também serão necessários no amanhã se, é claro, assim Deus nos permitir vivê-lo. Assim, não desperdice seus dias angustiando-se com o que já aconteceu e, tampouco, com o que ainda não se sabe se irá ou não acontecer.

Viva seu presente com a sabedoria que conseguiu adquirir com os seus anos de vida, pois é ela que dará maiores garantias de um futuro mais sossegado.

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Deus,esse desconhecido conhecido (via leonardoBOFF.com)

Nos dias 5 e 6 de outubro em Assis realizou-se mais uma edição do “Átrio dos Gentios”, iniciativa do Pontifício Conselho para a Cultura do Vaticano, voltada para a questão de Deus. O Presidente da Itália, Giorgio Napolitano e o Card. Gianfranco Ravasi, à frente do Conselho e famoso exegeta bíblico, fizeram um diálogo instigante sobre “Deus, esse desconhecido”.

Com o “Átrio dos Gentios” faz-se um esforço de levar ao diálogo crentes e não crentes. O Átrio era o espaço ao redor do templo de Jerusalém acessível aos gentios (pagãos) que, de resto, jamais poderiam de entrar no templo. Agora procura-se tirar os interditos para que todos possam aceder ao templo.

A este propósito me permito uma reflexão que me acompanha ao largo de toda a vida de teólogo: pensar Deus para além das objetivações religiosas (metafísicas) e procurar interpretá-lo como Mistério sempre desconhecido e, ao mesmo tempo, sempre conhecido. Por que este caminho? Einstein nos oferece uma pista: ”o homem que não tem os olhos abertos para o Mistério passará pela vida sem nunca ver nada”.

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A propósito do falecimento de Eric Hobsbawn – Um historiador a serviço da classe trabalhadora? (via culturaemarxismo)

O historiador Eric Hobsbawn nasceu em 1917 e acaba de morrer, no dia 1º deste mês. Junto a uma série de historiadores britânicos como Maurice Dobb, Rodney Hilton, E. P. Thompson e Christopher Hill, fundou em 1952 a revista “Past and present” e protagonizaram uma importante renovação historiográfica. Muitos deles abandonaram o Partido Comunista após a invasão à Hungria em 1956; Hobsbawn permaneceu nele desde sua filiação em 1935. A desaparição de Hobsbawn deu lugar a uma manifestação de valorização quase unânime no mundo acadêmico a respeito de sua trajetória, ainda que a maioria prefira acentuar que, em que pese sua adesão ao marxismo, cujos traços julgam presentes em toda sua obra, “seu talento de historiador os relativiza e minimiza”1. Contudo, encontramos as maiores contribuições de Hobsbawn naqueles trabalhos que melhor expressam uma interpretação marxista da história. Sua análise acerca das revoluções burguesas, por exemplo, constituem trabalhos incontornáveis para compreender estes processos históricos.

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Ótimo por um átimo

Texto e foto de Valéria del Cueto

A vida é assim. Conduz a gente. Claro que há espaço para uma substancial colaboração no conjunto da obra. Mas, na hora do vamos ver, pode ter certeza: ela dá o seu pitaco e vira o jogo.

Quer um exemplo?

Cheguei numa praia repleta de atrações fotografáveis. De longe, procurei com o olhar o rumo do meu prumo, a Ponta do Leme. E lá, na Pedra, vejo que começaram a dar o ar da graça as florezinhas amarelas que recobrem as copas das árvores do perfil do morro por um curto espaço de tempo, um quase agora. É a florada dos Ipês.

De longe saco a máquina fotográfica. Cheia de gás e inspiração constato que não só as alterações da paisagem – mas o entorno como um todo – pedem um registro cuidadoso. Sinto-me leve. É a hora!

Começo num plano médio. Vou para o detalhe, pegando a bandeira que tremula no Forte Duque de Caxias e as flores, abro para um geralzão e…

A vida intervém. Poderia dizer, inclusive, que de forma muito antidemocrática. Lá se vão as baterias da câmera. Mais arriadas que pneu em caixa prego.

O que fazer com as bandeiras coloridas dos quiosques, as pipas, o tabuleiro de cuscuz, a leitora distraída? Sem falar no sol, na praia e nas ondas arrojadas que enchem o mar de surfistas.

A vida impõe. Quem pode, responde. Capto o sentido da restrição. Puramente fotográfica, ela não se estende à literatura.

Por isso estou aqui, olhando de dentro dos meus olhos para esse marzão adentro e desafiando minha capacidade de narradora para descrever, mais uma vez, o meu lugar. Meu e de muita gente que venho descobrindo através desse Sem Fim… de histórias que me seduziu. E de quem hoje sou uma escrava feliz que surfa pelas palavras tentando capturar o sentido das ondas por onde deslizam e evoluem homens e pranchas a minha praia.

Pensa que é fácil? Olha e escrever ao mesmo tempo é PHoda. Uma briga incessante. Dois polos te atraem ao mesmo tempo. Aqui, as frases e parágrafos exigem a sua atenção e rapidez, antes que passem batidas, engolidas pela velocidade dos pensamentos que, em décimos de segundos se projetam impacientes num passeio mental vertiginoso.

Lá, aí, lá. Lá é cá, no mar. Também um ciclo de imagens e manobras únicas que, a mim, seduzem desde a formação distante das ondulações que se revelarão boas ou más para a prática do surf, bodyboard e/ou do jacaré, o de peito. Até o momento em que a última espuma da antes poderosa força da natureza se espraia, lambendo preguiçosamente as areias do Leme.

Para mim, onda é um resumo da vida e mar uma síntese dos ciclos existenciais. Como um I Ching natural, aparentemente simples, porém tão complexo quanto os meandros mais profundos do oráculo chinês.

Mobilidade, volatilidade e instantaneidade. Assim são as ondas, movidas de acordo com o humor das correntes, das luas, dos ventos…

É atento a todos esses elementos que se joga na água o atleta. Na busca da sintonia com o mar. O desafio é a integração, por que dela vai depender a capacidade de ousar e criar suas manobras.

O sol, que brilhou até agorinha está se escondendo encoberto por nuvens desanimadoras. Mas como? Ainda não falei das roupas de neoprene penduradas na barraca para secarem. Nem mencionei minha paixão de sempre, as peladas na beira da praia…

É a vida, mais uma bateria que se esgota. Assim como o espaço dessa crônica, a única ditadura imposta pelos meus amados editores para os meus voos literários. Até a próxima!

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Além da sala de aula…

Por Marco Papp

Um dia um aluno me perguntou: Você sempre quis ser professor? Respondi que nunca. Quis ser um monte de coisas, físico, soldado, médico, músico e até padre, mas só desejei ser professor quando me tornei um. Ele retrucou: Cara, você é o que nunca quis ser! Aí emendei – S ou o que nunca esperava ser. Olha, não sei se sou bom no que faço, mas tenho certeza que é o que melhor faço na vida! Então, ele sorriu. Com um olhar provocador me perguntou: Como você sabe que não seria melhor em outra profissão? O papo estava ficando sério demais, mas como nenhum dos dois tirava o sorriso do rosto, parecia até singelo. Não sei, mas o amor que sinto pelos alunos me faz crer que não foram vocês que vieram a mim, mas eu que fui enviado a vocês. É, eu sabia, você adora a gente! E foi-se rindo com a superioridade que lhe cabia por mérito.
O dia do professor é o dia do aluno. Eles são o sujeito da sala de aula. Têm o poder de tornar nossas aulas maravilhosas ou insuportáveis, mas ainda não se deram conta e, por isso, estão sempre à espera de um “bom professor”. E nós, por outro lado, ainda não aprendemos a amá-los como merecem.
Professor é aquele que encontra o coração do aluno. E como a simpatia é sempre recíproca, é o estudante que determina direta ou indiretamente quem vai ser o bom ou o chato. Já tive a experiência de ser, ao mesmo tempo, querido num lugar e desdenhado no outro.
Nossa profissão é estressante, não nos permite aspirar à riqueza, não tem grande reconhecimento social e, em geral, somos ‘passageiros’ para os alunos. Vivemos muitas inseguranças, grandes deslocamentos (é raro o professor que trabalha numa única instituição) e trabalhamos tanto em casa quanto na sala de aula. Quase nunca temos a chance de escolher a instituição ou os alunos, vamos onde somos aceitos. Seguimos os prazos e as orientações que nos são impostas. Mas a grande mordomia, aos olhos dos outros, é que o professor tem duas férias por ano. Quem me dera!
O professor não tem do que se gabar. Mas eu não trocaria a minha por nenhuma outra profissão desta vida, só pelo enorme prazer de ver aquele aluno que se achava o mais despreparado e agora entendeu alguma coisa! Temos momentos – poucos, é verdade – em que o brilho nos olhos daquela descoberta do jovem se converte em profunda gratidão, mesmo que não verbalizada. O estudante não faz ideia da alegria e satisfação que a gente sente quando o que ensinamos toca finalmente a vida dele.
Quem tem a honra de trabalhar numa comunidade educativa sabe que ela vai além da sala de aula. Considero minha profissão um dom, pelo qual sou muito grato. É uma missão! O mínimo que posso fazer é retribuir a Graça com agradecimento!

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Cyberbullying: Violência e sofrimento em tempos de “mundo cíbrido”

Por  Claudio Paris 

Com o advento da internet e a recente popularização dos computadores pessoais e smartphones, deu-se o ponto de partida para o surgimento do cibridismo, característica marcante do século XXI. O termo CIBER (Digital) + HÍBRIDO (Mistura) designa a fusão dos mundos físico e virtual, que só é possível com ajuda da tecnologia – via internet, computadores e inovações digitais. Em certo sentido, podemos dizer que não existe mais somente uma realidade para cada pessoa, pois o mundo físico (off-line ou desconectado) se funde com o virtual (on-line ou conectado) na sociedade contemporânea, criando essa nova realidade híbrida.
Tal fenômeno impacta de modo contundente, especialmente a vida de crianças e jovens. Ambos são chamados de nativos digitais, já que nasceram em um mundo mergulhado em tecnologia, convivendo intensamente no mundo virtual com familiares, amigos e membros de sua comunidade.
Como nessa faixa etária a escola ocupa um lugar central em suas vidas, esse espaço tem um importante papel no processo de desenvolvimento psicossocial, reverberando nocyberespaço vários aspectos do âmbito escolar, em especial a violência. Na maioria dos casos, essa é a matriz geradora do chamado cyberbullying, termo de origem inglesa composto pelas palavras cyber e bullying, tendo bully um significado próximo ao nosso “valentão”, originado de Bull (touro), na sua designação literal.

Episódios de violência, sofrimento e humilhação no âmbito escolar caracterizam o bullying, revestindo-se de um componente ainda mais perturbador no contexto do cyberbullying, modalidade de agressão no mundo virtual. Quando há um episódio qualquer de violência no mundo real (seja ele caracterizado ou não como bullying), os agressores são facilmente identificados e confrontados na escola, como em qualquer outro lugar, pois os envolvidos são pessoas físicas, identificáveis e conhecidas.
Já no caso da “perturbação online”, a situação é muito mais complexa. A identificação dos agressores é bem mais difícil, pois seu autor pode criar um perfil falso em um blog, Twitter ou Facebook, tornando seu combate mais complexo e perturbador.
Segundo especialistas, a crescente escalada do cyberbullying está ligada a uma cultura individualista e competitiva, que marca o advento da sociedade contemporânea. O combate desse fenômeno será tão mais exitoso quanto maior for a interferência dos variados protagonistas do espaço escolar: pais, professores, gestores e comunidade.
Por isso, defendo o estímulo à convivência com o diferente e a construção de práticas solidárias, por meio do exercício da cidadania, de atividades esportivas e manifestações artísticas, como teatro, dança e sarau de poesias, entre outras. Elas colaboram para fortalecer a solidariedade e o respeito mútuo, criando condições para reduzir as práticas de cyberbullying e minorar seus impactos.

A tarefa dos pais também é gigantesca: criar laços de proximidade na vida dos filhos que não se restrinjam ao mundo físico. Isso, além de acompanhar de perto o mundo virtual deles por meio de diálogo, convívio e cumplicidade, protegendo-os de ameaças virtuais da mesma forma como se preocupam com sua integridade física.

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