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Pakidermes Albinas : Debaixo do viaduto mora um poema inacabado

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O elefante branco no viaduto é um totem

Objeto mágico camuflado no fluxo do trânsito.

Os passantes podem apenas “vê-lo”

Só os iniciados podem “percebê-lo”

 

Ele não pesa mais que o viaduto

É um fantasma que apareceu

numa madrugada na cidade

“colou” sua passagem por ali

deixou só imagem de papel e cola

Daqui três chuvas ele derrete,

desaparece

Não veio pra ficar, esta de passagem…

Assim como o próprio viaduto, é transitório!

A Floresta das Chuvas mofa o seu progresso.

 

O elefante branco no viaduto é chave

Abre as portas do Multiuniverso

Só entra quem não carrega peso:

(historia, linguagem, nação, raça, doutrina)

 

Como saber o que há por detrás daqueles olhos que nos observa pacientemente?

Que espera pelo próprio fim nas ruínas de um viaduto inacabado?

Tem que mergulhar pra saber

Tem que ir lá, encarar os olhos do elefante branco

sentir o peso das obras que já nascem obsoletas

sobre os próprios ombros.

 

Os telégrafos, as locomotivas, o Estado, o coronel, as rodovias, os containers, as usinas, os viadutos…

Tudo por aqui mal começa e nunca termina,

Tudo pesa

mas vem o elefante branco de papel e cola… então tudo se evapora.

E se fica alguma carcaça sobre a laje, ela será pisoteada por um bando de pakidermes albinas* desgovernados.

 

* pakidermes albinas:  espécie de estranha fauna em mutação. Se alimentam de obras obsoletas e inacabadas. Bebem água de mercúrio dos garimpos extintos. Cagam cargos e contratos. Não se reproduzem em cativeiro. Não possuem memória. Espirram sprays. Habitam as ilhas piratas. Não sabem ler os outdoor´s ou os memorandos, nem escrever algum endereço que nos leve até eles

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Arquivado em Delírio Cotidiano