Arquivo da tag: Valéria del Cueto

Tudo ótimo

 Texto e foto de Valéria del Cueto

– Bom dia, como vai, senhora? – (essa senhora sou eu).

– Tudo ótimo – respondo sorrindo ao pensar que não reparei o momento exato em que virei “senhora”.

– Nossa, que coisa incrível – diz a atendente do balcão da padaria. – Que milagre! – Exclama com um sincero “ar” de surpresa.

– Como assim? – pergunto intrigada com sua reação – Não entendi…

– Me desculpa, dona, acontece que nunca ninguém respondeu com um “tudo ótimo” ao meu bom dia – explica a moça enquanto para de esfregar furiosamente a superfície do balcão. Seus olhos brilham tão úmidos quanto pano que ela tem nas mãos.

E eu, que na noite anterior havia sido despachada do bonde que me trouxe à Florianópolis, abro o meu mais caloroso e especial sorriso. Era isso ou tê-la que ajudar o balcão inundado de nossas ameaçantes lágrimas.

Como não estaria tudo ótimo? Na véspera, ao sair pela última vez do local em que trabalhei arduamente, em média 12 horas por dia, desde que aqui cheguei (campanha é assim mesmo) uma ENORME lua cheia desenhava o contorno de uma das montanhas da Ilha da Magia, enchendo o céu quase claro de feitiço noturno.

Foi com ela me guiando que, pela primeira vez, pude entrar num maravilhoso restaurante a beira mar onde um filho de Oxalá se apresentou e me abrigou com uma conversa tão deliciosa quanto o gnocchi da fortuna que saboreei com um dia de atraso, “firmando” e pensando na simpatia que é de lei na casa da minha avó.

A conversa, embalada por uma garrafa de um excelente vinho português, de matar de inveja minha maninha  Maria Lima, fluiu gostosa. Como aquelas que temos com velhos amigos que se reencontram mesmo sem nunca terem se visto anteriormente. Cercada de atenção e carinho por Andrade, o encarregado de nos levar pelos caminhos das delícias do restaurante Macarronada Italiana.

Quando abri a janela, na manhã seguinte, o sol, que há dias andava de castigo encoberto por pesadas nuvens que traziam as chuvas e um frio de bater os dentes, daqueles que penetram até pelos pespontos da costura lateral da calça jeans, resplandecia abusado. Aquecendo meu corpo ele me intimava a um esforço extra para, ao menos, tirar dois dias de folga antes de rodar a roleta e jogar a bolinha que definirá meu próximo pouso.

Foi assim que cheguei ao pão com queijo na chapa e ao expresso duplo que me levou ao “tudo ótimo”.

Enquanto tomo o café e conto um conto pra você, fiel leitor(a) e confidente, ouço o toque do celular que interrompe e quebra minha concentração.

A voz que escuto vem de longe, bem de longe. Vem do Rio. É minha mãe que, atendendo a um pedido meio impossível, passa o telefone para Dona Ena. Minha avó, minha madrinha, minha mais antiga e mais querida amiga. O amor incondicional da minha vida.

Ela, que está no hospital, quase tão perto de Deus quanto de nós, que tanto a amamos, me chama de “Maria Valéria” e diz que me ama muito. Como sempre. Muitas vezes. Pedindo pra que eu me cuide, diz baixinho outras palavras carinhosas enquanto, tentando disfarçar a voz, sinto as lágrimas do “tudo ótimo” querendo deslizar pelo meu rosto. Ali, em plena padaria do posto de gasolina. Sei que ela vai sair dessa! Tenho fé e rezo para isso.

Não sei como está a sua vida, querido leitor, mas para mim, ainda que triste, ela sorri. E se alguém me perguntar, mesmo que só por gentileza, como estou, a resposta, você já sabe: Está tudo ótimo! E com você?

PS A minha foto de hoje é um ato. Feche os olhos e imagine quem está nesse retrato.

*Valéria del Cueto é acima de tudo, uma neta amorosa e apaixonada. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

 

Deixe um comentário

Arquivado em Crônicas certeiras

Sem fim na Mangueira, Valéria del Cueto na feijoada verde e rosa

Gente bonita, a melhor feijoada do mundo do samba, shows com os grupos Regente e Artpop, Nelson Sargento dando canja, Renata Santos pra “enfeitar” a festa…
Tá bom pra você? Que tal o show do lançamento do DVD de Alcione.  Estes foram alguns dos destaques da feijoada verde e rosa de dezembro, no Palácio do Samba.Veja mais fotos de Valéria del Cueto, direto do seu blog Sem fim… em > Feijoada na Mangueira

Deixe um comentário

Arquivado em Delírio Cotidiano

Sem fim, no Carnaval 2012… Valéria Del Cueto na quadra da São Clemente

Diz a Valéria no seu blog.
” Fui parar lá por engano pensando que era o dia do lançamento do projeto 360 Graus. Caí num dia de ensaio de ala, mestre salas e porta bandeiras, passistas acompanhados pela bateria. Como estava fora há meses, não deixei passar a chance de tirar algumas fotos com a autorização de Renato Almeida, presidente da escola, e o apoio de Milton Cunha, animador oficial dos ensaios e festas da agremiação e meu ex-professor (um dos melhores), na Faculdade de Gestão Carnavalesca. As fotos não se resumem ao ensaio, mas também ao registro de coisas da quadra: letras (um novo mote) luzes, objetos e detalhes que normalmente passam desapercebidos.
Enfim, é o bububu do bobobó…”

Veja mais fotos de Valéria del Cueto, direto do seu blog Sem fim… em > São Clemente 2012 – Ensaio na quadra

2 Comentários

Arquivado em Delírio Cotidiano

"Rondon e a cartografia", um documentário de Cacá de Souza

A contribuição de Rondon à cartografia brasileira é inestimável. Ainda hoje rende frutos preciosos para a consolidação das fronteiras no país: tramita no Supremo Tribunal Federal uma contenda entre os estados de Mato Grosso e o Pará em torno de suas divisas. Entre as provas apresentadas para resolver a questão estão os marcos e referências limítrofes fixados por Cândido Rondon, em sua missão entre os anos de 1917 e 1922. O média metragem de Cacá de Souza apresenta um rico material fotográfico, cinematográfico e cartográfico realizado pelo próprio Rondon e seus auxiliares. Nas longas missões pelo interior do país que estenderam por mais de 5 décadas foram reunidas informações e referências geográficas e antropológicas relevantes e precisas para o desbravamento do interior do país. Seus resultados deram ao marechal mato-grossense Cândido Rondon reconhecimento internacional.  Os fotogramas e mapas apresentados no vídeo foram recolhidos em instituições como o Museu Histórico e Serviço Geográfico do Exercito, Arquivo Nacional, Museu do Índio, Museu Americano de História Natural e da Sociedade Geográfica Americana, durante os 14 meses de produção do documentário. Foram gravadas participações de cientistas, historiadores e pesquisadores brasileiros e americanos, realizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro, no Brasil, e New York, nos EUA. O projeto, aprovado pelo Ministério da Cultura, tem o patrocínio da Eletrobrás.

Cacá de Souza realiza com “Rondon e a Cartografia”, seu segundo trabalho da trilogia sobre Candido Mariano Rondon, brasileiro exemplar, reconhecido internacionalmente por sua contribuição às ciências. O primeiro vídeo, “Roosevelt – Rondon “A Expedição”, de 1999, retratou a expedição cientifica realizada no Brasil entre os anos de 1913 e 1914 e sua repercussão intencional. O terceiro abordará a construção das linhas telegráficas que interligaram e integraram o Brasil, nas primeiras décadas do século XX.

Para divulgar a vida e a obra de Rondon está no ar o site www.candidorondon.com.br

O lançamento do vídeo-documentário com 32 minutos de duraçâo acontece na terça-feira,  01 de novembro de  2011
no Sesc Arsenal – Rua 13 de Junho, Cuiabá-MT, as 19 horas. Contatos com o autor pelos fones (65) 3023 2896 / 9244 1786 ou e-mail   e.caca@terra.com.br. Assessoria da Valéria del Cueto, fone (65) 8142 2747 ,    http://twitter.com/delcueto

1 comentário

Arquivado em Ao Norte

“Rondon e a cartografia”, um documentário de Cacá de Souza

A contribuição de Rondon à cartografia brasileira é inestimável. Ainda hoje rende frutos preciosos para a consolidação das fronteiras no país: tramita no Supremo Tribunal Federal uma contenda entre os estados de Mato Grosso e o Pará em torno de suas divisas. Entre as provas apresentadas para resolver a questão estão os marcos e referências limítrofes fixados por Cândido Rondon, em sua missão entre os anos de 1917 e 1922. O média metragem de Cacá de Souza apresenta um rico material fotográfico, cinematográfico e cartográfico realizado pelo próprio Rondon e seus auxiliares. Nas longas missões pelo interior do país que estenderam por mais de 5 décadas foram reunidas informações e referências geográficas e antropológicas relevantes e precisas para o desbravamento do interior do país. Seus resultados deram ao marechal mato-grossense Cândido Rondon reconhecimento internacional.  Os fotogramas e mapas apresentados no vídeo foram recolhidos em instituições como o Museu Histórico e Serviço Geográfico do Exercito, Arquivo Nacional, Museu do Índio, Museu Americano de História Natural e da Sociedade Geográfica Americana, durante os 14 meses de produção do documentário. Foram gravadas participações de cientistas, historiadores e pesquisadores brasileiros e americanos, realizadas em Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Rondônia e Rio de Janeiro, no Brasil, e New York, nos EUA. O projeto, aprovado pelo Ministério da Cultura, tem o patrocínio da Eletrobrás.

Cacá de Souza realiza com “Rondon e a Cartografia”, seu segundo trabalho da trilogia sobre Candido Mariano Rondon, brasileiro exemplar, reconhecido internacionalmente por sua contribuição às ciências. O primeiro vídeo, “Roosevelt – Rondon “A Expedição”, de 1999, retratou a expedição cientifica realizada no Brasil entre os anos de 1913 e 1914 e sua repercussão intencional. O terceiro abordará a construção das linhas telegráficas que interligaram e integraram o Brasil, nas primeiras décadas do século XX.

Para divulgar a vida e a obra de Rondon está no ar o site www.candidorondon.com.br

O lançamento do vídeo-documentário com 32 minutos de duraçâo acontece na terça-feira,  01 de novembro de  2011
no Sesc Arsenal – Rua 13 de Junho, Cuiabá-MT, as 19 horas. Contatos com o autor pelos fones (65) 3023 2896 / 9244 1786 ou e-mail   e.caca@terra.com.br. Assessoria da Valéria del Cueto, fone (65) 8142 2747 ,    http://twitter.com/delcueto

1 comentário

Arquivado em Ao Norte