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Ministério Público manda o governo instalar enfermaria de presos dentro dos presídios

CHAMEM UM MÉDICO Autoridades do sistema penitenciário dizem que procuram médicos, mas eles têm medo de trabalhar no Urso Branco.

Chamem um médico ! Autoridades do sistema penitenciário dizem que procuram médicos, mas eles têm medo de trabalhar no Urso Branco.(NoticiaRo.com)

Da redação do  NoticiaRo.com

Uma unidade de atendimento de saúde será criada dentro do sistema prisional de Porto Velho para os apenados para evitar que os presos sejam levados para atendimento na rede de saúde pública – decidiu-se oficialmente nesta quarta-feira (14) aqui.

Será contratada uma equipe formada por cinco médicos, cinco enfermeiros e cinco técnicos de enfermagem para trabalhar nessa unidade.

A decisão está relacionada com o incidente de domingo passado (11),  um tiroteio dentro da mais popular policlínica pública de Porto Velho – a Policlínica Ana Adelaide – entre um grupo armado que tentou resgatar presos que foram levados para atendimento ambulatorial na unidade, e seguranças do centro de saúde.

A criação de uma unidade médica para presos dentro do sistema carcerária foi tomada após uma reunião no Ministério Público do Estado com representantes das secretarias de Segurança e da Saúde .

A reunião ocorreu no mesmo dia em que o jornalista Nelson Townes escreveu um editorial para o jornal “Estadão do Norte” e uma crônica para “NoticiaRo.com”, republicada pelo blog “Beto Bertagna a 24 Quadros”, sobre a necessidade de se instalar uma enfermaria para presos nos grandes presídios da Capital e cessar o envio de criminosos para atendimento compartilhado com os usuários dos centros de saúde civis.

A promotoria pública do Estado de Rondônia determinou prazo de 15 dias para que a Secretaria de Estado da Saúde (Sesau) se manifeste sobre a contratação e 90 dias para que os profissionais estejam contratados e trabalhando no sistema.

Até lá, a população usuária da policlínica Ana Adelaide continuará correndo riscos de se ver em meio a novas tentativas de resgate de presos por suas quadrilhas, pois eles continuarão sendo atendidos na rede pública municipal e estadual.

O secretário adjunto da Secretaria de Estado da Justiça (Sejus), João Bosco Costa, disse à imprensa que “o Sistema Prisional conta hoje com apenas três médicos”, e reconhece que isso “não é suficiente para dar atendimento 24 horas aos apenados sete dias por semana, e há muita dificuldade na contratação de mais profissionais.”

“Os médicos não querem trabalhar no Sistema Prisional”, disse Bosco, confirmando o que o jornalista Nelson Townes havia indicado em seu artigo.

A promotora estadual Emília Oiye disse que “a solução encontrada na reunião, no Ministério Público, foi a “designação emergencial” da equipe, por parte da Sesau e a realização de um concurso para a contratação de profissionais de Saúde “para atendimento específico aos apenados.”

De resto, o secretário adjunto da Saúde repetiu um velho discurso, palavroso e inútil sobre ser necessário “encaminhar medidas definitivas”, “como um projeto que já se encontra em trâmite na Sejus para resolver o problema.”

No estilo das declarações oficiais cheias de promessas, mas sem conteúdo, João Bosco disse que: “o Governo do Estado através da Secretaria de Justiça está se empenhando em melhorias no atendimento de saúde e, para isso, está planejando criar uma clínica, centralizada próximo ao Urso Branco, para dar atendimento a todo Sistema Prisional da capital e aos adolescentes da Coordenadoria de Adolescentes em Conflito com a Lei, com uma equipe multidisciplinar com médicos, enfermeiros, psicólogos, e assistente social, de modo que a rede pública seja utilizada apenas nos casos onde é necessária a internação para casos graves”.

Ele não disse quando vai acabar a fase do planejamento e não falou nos recursos que o governo poderá dispor para executar o projeto.

João Bosco disse que a reunião foi uma resposta a sociedade “em tempo recorde” (NR: resposta do governo é que não foi) e que o encontro “provou que o caminho é mesmo do envolvimento de todos na busca das soluções e não o caminho das críticas vazias e das ironias sem fundamento que nada constroem”. Ninguém entendeu essa parte do discurso, especialmente os que testemunharam o tiroteio na Ana Adelaide.

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