Arquivo da categoria: Poesya La Na´vi vá

Do mural de Alberto Lins Caldas

● minha mãe se matou ●
● com veneno de rato ●
● meu pai com overdose ●
● whisky com comprimidos ●
● dois irmãos vivem bebados ●
● a irmã sonha saltar ●
● meus amigos quase todos ●
● se despedaçam sem fim ●
● meus homens fugiram todos ●
● inda hoje não sei porq ●
● aos treze tava gravida ●
● e ele morreu no parto ●
● trabalho de sol a sol ●
● durmo e sonho tão pouco ●
● nessas horas fico pensando ●
● sem saber o q pensar ●
● é tudo tão so e tão aspero ●
● tão triste e deselegante ●
● mas sei q a vida é assim ●
● e vivo e me revolto e danço ●
● quando tudo vai se partir ●
● é quando eu morro de rir ●
● nessa graça e nessa agonia ●

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Koágulos de Psikodelia

Foto: Z. Santos

Não podíamos vislumbrar os desejos do tempo
mas podíamos acessar os desenhos do espaço
onde esse tempo estava contido.
Tínhamos atalhos, malícias alquímicas, pastilhas de lisergia…
e mergulhávamos nos desígnios do caos
por amor á todas as dimensões…
Lá, os deuses de marfim dançavam
riam de nossa inércia subatômica,
E nós, que superamos os deuses, riamos de nós mesmos
Pois não podiamos evitar nossa auto-desprogramação nuclear
nem conter nosso multiuniverso posto á prova.
Por nossa própria vontade abdicamos do ego
e só nos restou a habilidade de contemplar as moléculas
de cada uma daquelas galáxias errantes…
Tínhamos cinko horas de tranze,
para rir da passagem das eras
e se masturbar com a própria nudez…
Modulavamos nossas ondas de pensamentos
para observar, tão somente observar,
as legiões de divindades que destruíam e criavam universos…

E quando despertamos
Numa morning glory
Os deuses eram só koagulos de luz…
assim como nós.

Coletivo Editorial do CCP

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Maria Louca , Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Por JLGalvão Jr


Retornam as águas puras estiadas em grande purgatório

Livram pecados de almas cristais eternos

Degelos nascem fios altiplanos

Batismam crédulos, tementes, grandes caudais

Beni benedictus

Mater Madre de Dios

Guá Guaporé guamar

Mamoré

Exclamam in nomine sanctus

Pará guassús

que nomes intimam as águas grandes?

Curumim lhe basta igarapé

Taihantessú pequizal nascente pareci

Parecida semente se queda

Sol nascente já é íntimo de águas

Reproduz nelas

Seduz belas

Mães de botos

Enfilham fugaces facies

Eternas flores régias

Deleitam

Deitam

Maria louca em grande eito

Negros homens barbados sujeitam

Alvos homens enredam sem filhos

Gês em revolta em volta picam

Batismam falsos rebentos de santos

Deitam

Maria louca em longo feito

Res incógnita sem dolo

Inconsútil túnica verde mata

Visgos ancestrais enleiam

Timbós unem céu e solo

Deitam

Maria louca em férreo leito

Não há vau, não há vão, apenas

Observam atônitos movimentos tectônicos

Quebram o madeiro céleres cadenas

Teotônio barra indômitos

Deitam

Maria louca em íntimo peito

Silêncio de sons alados ou rastejantes

Infinitos sinos d’agua repicam

Dardos de luz ferem peles viajantes

Impiedosos óleos visgam

Deitam

Maria louca em ígneo pleito

Deitam velhos frutos metálicos

Deitam odes e versos torpes

Deitam barro sobre girândolas

Deitam losas sobre madeira

Super flumine materiorum

Ouço rumores da história

Vejo estranhas seges naufragadas

Sinto flores estioladas

Tombam

Maria louca em gesto nobre

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Alberto Lins Caldas on line…………………

 

Por Alberto Lins Caldas

*

paralisado
amputado pernas e braços
sem dentes quase sem cabeça
sem lingua olhos orelhas
reduzido a ondulações
do peito destroçado
assim o senhor

porisso os servos
se transformam nele
renovado inteiro criador
e se põem produzindo
o universo formigueiro
q cada servo sonha
ser o sonho do senhor
*

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Alberto Lins Caldas on line…………………

Por Alberto Lins Caldas

*

paralisado
amputado pernas e braços
sem dentes quase sem cabeça
sem lingua olhos orelhas
reduzido a ondulações
do peito destroçado
assim o senhor

porisso os servos
se transformam nele
renovado inteiro criador
e se põem produzindo
o universo formigueiro
q cada servo sonha
ser o sonho do senhor
*

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O pescador

Por Elizeu Braga

o rio é sua morada
seus gestos
o carinho com a rede
o mesmo com a mulher amada

a mão erguida
tarrafa no peito
no meio da canoa
remo,terçado,vasilha

(é preciso regressar antes que essa chuva caia
é preciso soltar os peixes miúdos
para que nunca falte os graúdos
é preciso levar o menino mais novo no cangote)

imaginar que o mundo é isso
um pedacinho de nada
diante do rio
que,
será sempre a sua morada.

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submundo legalizado (via menino da água doce)

Por Binho

os
vermes
se
embriagam
de
dejetos
&
desejos
podres

eles
bebem
&
festejam
o
vômito
verbal
de
seu
amado
mestre
das
trevas

no
lodo
corrupto
em
que
se
borram
de
medo

os
seus
olhos
sombrios
&
falaciosos
chispam

Veja mais em Menino da Água Doce

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Minos, de Alberto Lins Caldas


Por João José de Melo Franco

Diz-se que Minos, quando morreu, o lendário rei que deu à antiga civilização cretense a qualidade de seu nome, a cultura minóica (séc. XV a.C.), desceu ao mundo subterrâneo, onde tornou-se um dos juízes dos mortos, que se apresentavam diante dele e eram encaminhados para determinados círculos do Inferno, segundo a falta mais grave que tinham cometido em vida. Assim ele é vivamente retratado por Dante Alighieri, no Canto V, no Inferno da Divina Comédia. E este também é o Minos de Alberto Lins Caldas, contudo, e surpreendentemente, o juiz dos mortos por ele referido, está, como o poeta, em um inferno invertido, não mais nos subterrâneos, mas entre nós, e à beiramar. Por estar entre os vivos, o Minos de Alberto, adquire uma amplitude humana, não apenas o rei lendário e o juiz dos mortos, mas também o criador de labirintos, o homem entre homens, o homem diante da natureza e do pensar, o criador de touros, o homem diante da brutalidade do existir, tão bem representada pela imagem do Minotauro. Este Minos de Alberto Lins Caldas é a ampliação do mito, por ele usado como ponto de partida para uma profunda re-visão da vida. Não é livro fácil de se ler, pois que nos chama à reflexão, que tantas vezes falta aos homens nos dias atuais, e vem provar o quanto a poesia ainda é um fundamento civilizatório indispensável, pois é mais que necessária aos que, como eu, ainda são capazes de se deixar tocar pela beleza e pelas profundidades do espírito humano. Não encontramos comparativos significativos nos versos de Minos, pois a poesia de Alberto é para lá de singular, não só pelo tônus grave, pelas metáforas que evocam outras, como algo que não encontra seu fim em si, mas também pelo modo como ele a escreve, suprimindo acentos, cortando palavras e entremeando-as com pontos, como a nos dizer que tudo é fim e nada é fim, nem mesmo a morte, que ele frequentemente devolve à vida. Encontramos, aqui e ali, algo que semelha a Klebnikov, a Maiakoviski, a Baudelaire e a Mallarmé, mas o fato é que nada disso nos revela algo sobre esta poesia, que vem a público já completamente madura, e nos mostra um poeta com voz e rosto próprios. Finalmente, Alberto Lins Caldas estreia sua poesia em livro. Acredito que os leitores desses poemas também poderão dizer: finalmente e definitivamente!

Serviço:

MINOS
Poemas
Autor: ALBERTO LINS CALDAS
ISBN: 9788578230883
Editora: Ibis Libris
Cidade: Rio de Janeiro
Páginas: 102
Acabamento: Brochura
Ano: 2011
Preço: R$ 30,00

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Do mural de Alberto Lins Caldas


‎*
● esse pedaço de treva esse ●
● resto de lingua essas patas ●
● essas garras na esfera q ●
● flutua no centro da sala ●
● essa noite amortecida ●
● sempre fria e dura demais ●

● essa treva respira e toca ●
● com a ponta dos dedos ●
● como se toca o verde ●
● molhado nas manhãs de ●
● verão a boca do misterio ●
● q foi fantasia e se desfez ●

● isso q é agua e halito ●
● esse eixo vazio q gira ●
● silencioso q basta tocar ●
● parafina quente q leva ●
● todas as digitais da vida ●
● q se quebram sem luz ●

● essa teia esse relogio sem ●
● olhos essas pedras q se ●
● carrega nesses sacos furados ●
● esse polvo essas serpentes ●
● em torno do corpo sempre ●
● sempre antes de dormir ●

● quando nada voa ou flutua ●
● nada sonha nada descansa ●
● apenas pesa mais e clama a ●
● morte o silencio o esque ●
● cimento essa substancia q ●
● não respira e nada deseja ●

● !sim a solidão o q não res ●
● pira nem pede resguardo ●
● isso q não fala e não des ●
● gruda lascas do mergulho ●
● do ridiculo duelo entre a ●
● lebre morta e o trevo seco ●
*

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Do mural de Alberto Lins Caldas

‎*
● digo no ouvido dele ●
● sentindo cheiro de sangue ●
● “!escuta bem” e ●

● longe o mar e ●
● bem depois ●
● inda mais distante ●

● aquilo q falo vendo escorrer ●
● vermelho sobre a pedra o q ●
● jorra da cabeça “!terra minha” ●

● sei q não ri sei q escuta ●
● depois enterro na areia ●
● molhada o corpo q ●

● agora treme e se ergue ●
● elevando os braços em pe ●
● como se buscassem a cabeça e ●

● gira os olhos ●
● encontrando meu olhos ●
● digo “!agora é tarde” e vejo os ●

● dele se abrirem mais e a ●
● boca travada os dentes se ●
● mordendo de odio a lingua ●

● sem nada poder dizer e ●
● ele vai fechando as palpebras ●
● porisso digo rapido “!adeus” ●
*

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Do mural de Alberto Lins Caldas

● esse livro é encadernado com ●
● minha pele cada folha foi ●
● feita com as melhores carnes do ●
● meu corpo ●

● ossos cartilagens e tendões ●
● unhas cabelos e dentes a dura ●
● capa e a lombada q prendem as ●
● visceras ●

● com o sangue o esperma a ●
● saliva e o suor fizeram a tinta ●
● q se combina com a vida e ●
● são os traços ●

● livro sem letras ou imagens ●
● nada diz nem pode dizer se ●
● deixa assim sem sonhar porq ●
● não sou mais eu ●

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Musa súbita

Por Binho 


na
noitena
chuva

no
vento

ia
nua

ia
nau
na
maré
das
ruas

ia
lua

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Ela faz o rio parar.

Por Elizeu Braga

Mediante tanta coisa boa
Medi(a)única
 

Tanta capacidade pra ter
e dominar o mundo
Ela faz o rio parar.

me faz acreditar na verdade
e sustenta os blocos econômicos

Tem tarde vazia nos olhos
Mas o por do sol
Vai estar sempre presente

Ela faz o rio parar.
Reagrupa as formas naturais
Pintado quase tudo de

Azul

M
A
R
I
N
H
O

Tem no olhar distante
as formulas fotossínteseadas
de mesa de bar

Definitivamente

ela
cria
formas
estranhas

e faz o rio

[parar.]

 

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Tesão

Por Aparicio Secundus Pereira Lima

Quando tens tesão,
Não me ouves,
Nada escutas
E mergulhas em mim
Numa voracidade de leoa faminta.
Pouco te importas
Quais são meus sentimentos
O que vale é teu momento a esfregar-se em mim
Num lixar de corpos,
O teu frenético
Sobre o meu esquelético.
Em poucos segundos gozas
Como louca
E desgrudas tua boca da minha
(Ainda impávida)
Como se acabasse de cometer pecado.
Despedes, logo depois,
Fingindo cansaço,
Do corpo que, inerte, suado,
Serviu-te de pouso, lampião,
Na escuridão do teu tesão
Tresloucado, indomável.

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O torto

Por Elizeu Braga

Disseram que era branca amarelada:
sua pele

Que de tanto zombar dos Turcos
uma bruxa atirou-lhe uma praga

morria e ressuscitava em
cada verso e cigarro

paria gatos.
quando ele próprio era o inimigo:
rato

Perambula entre noites e matos.
Na estrada de ferro abandonada
abraçado ao ultimo trem
jurou amor eterno
ao vento e as calhas da igreja

morria,
só quando era sua vez de ser morte.

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Lero com o leitor

Por Binho

disse:
comenta
diz
o
que
acha
ou
sente
quando
meus
repentes
o
silêncio
foi
desconcertante
feito
uma
resposta
distante
pensei
:
não
importa
nada
em
mim
é
urgente

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Luzes no Abismo

Tudo que é óbvio enruga minha pele
Irrita minha índole
As várias variáveis do mesmo
Contaminam-me as veias
Causam febre e tremores. 

Eu vi sedas e granadas nas estradas
Arranquei os cravos do não-pecador
Quebrei os vitrais da grande queda
E com os cacos rasguei meus pulsos.

Quis eu a morte digna
A vida intensificada.
Disse-me meu coração:
Encerra os livros
Esqueça as escrituras
E ponha-se no caminho!
Foi lá que aprendi a sangrar e gozar
Com insuperável intensidade.
Singrei tantos mares selvagens
Tantos continentes imaginários
Que me tornei borboleta
Morcego e fera.

Com mandíbulas de prata
Corroí as vertigens da lei
Com o fogo da língua
Submeti as serpentes encantadas.
Os néons não mais me seduzem:
São apenas gases nobres em tubos pré-fabricados
por mão-de-obra miserável!

Tudo que é vazio me atrai:
É terreno livre
Planície deserta
que espera ser preenchida.
E eu tenho sementes, minhas mesmas,
germinadas com chuvas interiores!

Sei amar minha solidão
Não temer meus ossos expostos,
Aprendi a costurar meu próprio joelho
Quando me arrebento nestes abismos de ecos profundos…

Cernov

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Dormentes

Por Elizeu Braga


Tanto tempo passou

corpo levantou o olhar e

espiou o pátio da estrada de ferro

viu o rio

O ouvido: tapá-lo

pra guarda o apito da maquina

A chiadeira da lembrança lancinante que cospe fumaça

Lambendo os trilhos e dormentes

La vem! La vem!

A maquina no novo tempo

Recebendo crianças

Enfumaçando saudades e lembranças dos que partiram

Tapa os ouvidos que o trem vai apitar

Bate coração do velho vagão 18

Tapa o ouvido

O trem apita

Apita

Mas não sai do lugar

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grafismo letal V

Por Binho

quando as rimas voltaram de férias
achei que era poema a prosa ecoante dos fonemas
mas eis que de um discreto enredo profético
a matéria prima da tempestuosa prosa
grafitou com sangue a rima rica da rosa

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grafismo letal IV

Por Binho

quando as rimas saíram de férias
achei que era prosa o acorde entoado à capela
mas eis que de uma antiga cantiga ribeira
o agudo cortante do canto das lavadeiras
grafitou com sangue o aplauso mudo da platéia

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grafismo letal III

Por Binho

Quando as rimas saíram de férias
achei que era prosa a paisagem esmiuçada nas telas
mas eis que de um inesperado respingo do pincel
o relevo vazado das tonalidades primárias
grafitou com sangue a tez esmaecida da aquarela

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grafismo letal II

Por Binho

quando as rimas sairam de férias
achei que era prosa o espinho exposto das rosas
mas eis que de uma invisível pétala de quimera
a abelha melíflua da ensadecida colmeia
grafitou com sangue o pólen estéril das bromélias

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grafismo letal

Por Binho

quando as rimas sairam de férias
achei que era prosa a invenção oculta na glosa
mas eis que de alguma longíqua esfera
o brilho ofuscante dos punhais estelares
grafitou o fio de sangue na presa da fera

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Canoa canora

Por Binho

canoa canora
a
cuniã
tem
as
ancas
as
curvas
de
canoa
caverna, ecoa
é
montaria
aérea
à
deriva
no
lago
flutua, avoa
no
corpo
o
movimento
dos
barcos
da
popa
à
proa
a
cuniã
é
uma
canoa
sem
ilharga
sem
quilha
à-toa

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Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
cavo escavo teu corpo
gosto de abrir teu corpo
corpo q não escapa
…corpo q se refaz

sentir todos os musculos
dobras unhas odores
gosto dos teus sinais

gosto quando mascamos
desertos e ruinas
morada de leopardos

escavando teu corpo
esqueço labirintos
e sem achar raizes
te entrego minha lingua
*

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Do Mural de Alberto Lins Caldas


*
não houve nada
não se ve o fim
de repente
…nada existe
nem perguntas
nem respostas
nada acontece
apenas um novo
lugar
inesperado
*

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Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
desperto em vc e digo
vamos passear nessa tarde
os graos tão plantados
…a colheira não demora

vem assim mesmo
vazia nua e distante
vem passear comigo
q te faço ver

a agua encrespada
entre ervas queimadas
nesse longo verão
e q teu riso fara renascer

alem disso vem a noite
e dormiremos ao relento
no meio dos pomares
de ameixas e laranjas

quando os desertos
começarem a rugir
tem certeza duma coisa
ficarei contigo longe deles
*

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Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
essas linhas de força
como girassois se contorcem

…essas feridas eu mesmo
tratei de curar com saliva

essa luz foi o deserto
q tornou ruina quase treva

sentado aqui desenho
com sonhos quartos e salas

o cansaço da tarde invade
o centro fragil da noite

sei q os jasmineiros
não foram plantados

mas as ervas selvagens
desenham um nome
*

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Agosto cinzento:eu só queria enxergar…

Por Altair Santos (Tatá)

Choram os olhos, lágrimas a rolar

Os floridos ipês mal dá pra avistar

É agosto cinzento, é fumaça no ar.

Fulo da vida, eu só queria enxergar.

O céu e o sol, bem se sabe estão lá

Que saudade do azul, do astro rei a brilhar

E do outro lado da rua, quem vem? quem vai lá?

É agosto cinzento, é fumaça no ar

Fulo da vida, eu só queria enxergar.

Lá do alto mirante, nem o rio, nem o barco, nem gaivota a voar

E eu enfumaçado, tonto a procurar

É agosto cinzento é fumaça no ar

Fulo da vida, eu só queria enxergar.

Passou bela moça, com o seu requebrar,

Da calçada ali perto, sem poder contemplar

Fico eu pelejando, só querendo espiar

Lá se foi flor menina, será que aqui vai voltar?

Arde o lho da gente, semáforo a chorar

Piscando pro motorista que não pode passar

Onde tem um ar puro pra gente respirar?

Lê pra mim essa placa, já nem sei soletrar

É agosto cinzento, não dá pra enxergar.

Roda, roda avião, tu não pode pousar

Lá de cima parece que pista não há,

Pra chegar só de ônibus via Ji-Paraná

Se a fumaça da estrada, por acaso deixar

É agosto cinzento, não da pra enxergar.

Cachorro louco do mês, deve ter ido passear

Botar colírios nas vistas pra depois vadiar

E eu aqui nesta mesa, sem poder enxergar.

Manda uma Zizi, pra’eu poder relaxar

É agosto cinzento e não dá pra enxergar.

Apagaram as estrelas sem nem avisar

Meia fase na lua só pra enganar

Black out em São Jorge, pro dragão escapar

É agosto cinzento é fumaça no ar

Fulo da vida eu só queria enxergar.

Antes de tu meter fogo

Um recado vou dar

Faz um drinque de isqueiro

Com palito a queimar

Engole junto ao cigarro

Pra te saciar, incendiário da peste

Que não me deixa enxergar.

——————————————————————————————————————————–

Tatá é músico e presidente da Fundação Cultural Iaripuna.  Seu e-mail é  tatadeportovelho@gmail.com

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Do Mural de Alberto Lins Caldas

*
ovos de treva
sob a pele
a tua espera
…e esse cão
cego
com chocalho
no pescoço
devorando
lixo restos
de sombra
isso q o sonho
não dissolve
mas a vida
renova
*

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Solidown

foto : Z. Santos

foto : Z. Santos

Por Binho

distonia
factual
&
sintonia
virtual
o
corpo
ensandece
no
solitário
solo
dança
elíptica
eclipse
explícita

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s.o.s@a sós.sem

Por Binho

ali
sem
asa

sem
som

sem
imagem

aliciado
pelo
solo
do
silêncio
de
alice

http://www.rubensvazportovelho.blogspot.com/

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Do mural de Alberto Lins Caldas

*
sempre aqui sem voragem
torpor sobre ruinas
deserto entre desertos

nos rios de fogo
nenhuma margem
nem sono nem sonhos

nenhuma palavra basta
nada maior q a fome
com a mesma linguagem
*

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Jogos frugais

Por Binho

de

todas
as
frutas
as
mais
polpas

de
todas

as
ervas
as
mais
loucas

de
todas
as
fêmeas
as
mais
soltas

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Arruda : amor por Brasílias

Caiu no You Tube este comercial de 30 segundos que foi ao ar em  2001… Direto do túnel do tempo.

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Do mural de Alberto Lins Caldas 2

nada ampara isso q espera
q nada dura e vai embora
larva suave q se desfaz
agua salgada ferve e some
indistinta vida q se debate
materia varia q se desvia
azul entre amarelos frios
noturno simples e vitreo
q o olho olha sem vi ver

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Do mural de Alberto Lins Caldas

da ignorada estatua
dum grande imperador
inda desconhecido
foi achada aos pedaços
a cabeça do cavalo
mas o corpo real
e tudo a seu respeito
isso com certeza
se misturou
com a terra ao redor
tornando acre
aquela massa negra
q destruiu o conjunto
e arruinou o campo

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Cernov à la carte

Não carrego as flores nuas
Que cobrem minha ausência
Nem beijo os soldados feridos
Que convalescem nos cantos da história
Matei o príncipe imbecil
Que roubou minha infância

Eu, a musa dos poetas?
Não acreditem nisso!
Sou irmã de Lúcifer, logo: a rebelde
Aquela que cria
Porque destrói
Aquela que nega á costela
Porque confia em seus próprios seios

Minha doces flores são efêmeras
Minha primavera é hostil
Com um olhar posso decepar
A cabeça de um pênis
Pois é sem a métrica
Que julgo os valores..

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As Estrelas e as Luzes da Cidade

Cátia Cernov

Luzes artificiais ofuscam a perspectiva da imensidão

As galáxias, inconcebíveis, lá em cima

Mas invisíveis aos homens aqui embaixo

Presos aos néons que eternizam a beleza das mercadorias

Alienação de luz…

Toda poeira cósmica arrasta um bocado de nós,

Toda forma de poder contém nosso medo,

Toda célula reproduz a nossa vontade,

Todo quantun conhece seu destino.

As luzes da cidade são nosso medo da escuridão

E as estrelas, nosso medo de revelação.

Somos carne e feixes de luz,

Queremos céu, queremos chão

Temos asas, temos tesão.

Aos anjos oferecemos nossa alegria,

Aos demônios, nossa orgia

E para a terra, deixamos nossas sementes:

Luzes, neons, sombras, ilusões, projeções…

e outros rascunhos pixados nos muros.

Que importa as galáxias lá em cima?

Aqui, no centro da cidade, amamos sem pudor.

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Cátia Cernov

Certa madrugada de lua em eclipse, calendário incerto, talvez fosse Júpiter que projetasse aquela sombra...

Cátia Andréa Cernov de Oliveira é escritora experimental. Tem 41 anos, três filhos e mora em Porto Velho. Publicou seu primeiro texto pela Literatura Marginal Ato III, da revista Caros Amigos. Seus contos e poemas tem sido publicados de forma independente: ela mesmo escreve, edita, imprime e distribui em bancas de revistas, bares, livrarias e sebos. Segundo ela mesmo diz : “Mas… Quem irá habitar o espaço? Os homens sábios, evoluídos, razoáveis, ou os senhores da economia que obterão o monopólio das viagens espaciais ? ” Se cruzar por ela pelas ruas de Porto Velho, tenha certeza : ela não é um avatar.

Cátia Cernov, um universo em movimento

Solarium (Latim = Relógio) Antiga constelação, localizava-se entre Horologium, Hydrus e Dorado. Extinta no século XIX

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