Arquivo da categoria: Divagações

O amor de verdade (via Ossos do Ofídio)

Não é o amor o que une as pessoas. Sentimento abstrato este. Ave nossa! Não. Não é o coração que bate o olho e que escolhe.

Vejo esta foto, de meus pais. Cada um em sua juventude. Aqui, numa mesma pose à minha cabeceira. Duas vidas que se irmanaram.

Continue Lendo via Ossos do Ofidio

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Vontades impublicáveis (via Mulherão)

Por Eduardo Soares

Hoje fiquei com sua imagem na cabeça/Certeza de saudade convicta latejante/Deu vontade de ser seu aconchego/Ver seu sorriso tímido/De acariciar sua pele. Meu abraço pede o seu/Minha fome pede sua carne/Cai a noite e com ela/Abrimos nosso vinho favorito/Abrimos nossos pensamentos perdidos/Escondidos entre ansiedades e saudades. Quando digo: quero beijar sua nuca/A resposta vem: preciso de você todo/Espalho o vinho pelo seu corpo …Leia Tudo via Mulherão

via

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP) chega a Rondônia

Rondônia começa nesta terça-feira (26) a modernização dos processos na administração estadual. Em parceria com o Movimento Brasil Competitivo (MBC), o governo rondoniense assina o Protocolo de Intenções do Programa Modernizando a Gestão Pública (PMGP) . A partir da adoção de métodos mais modernos de gestão, o estado espera promover novos arranjos nas áreas de arrecadação de Receita e Despesas, Educação e Segurança Pública. Com estes mecanismos, que devem ajudar na identificação de gargalos da máquina pública, a iniciativa espera alcançar mais eficiência dos gastos públicos. Além da economia aos cofres estaduais, o Programa espera melhorar a arrecadação do estado sem aumento de impostos. Com a parceria, o governo rondoniense espera tornar mais eficazes os processos também na Secretaria de Educação. Entre os objetivos está o de alavancar a aprendizagem de alunos da rede estadual e melhorar o desempenho de Rondônia no cenário nacional . As ferramentas ainda devem propor mudanças na Secretaria Estadual de Segurança Pública, Defesa e Cidadania. Entre os indicadores que serão monitorados estão número de homicídios, latrocínios, roubos de veículos, roubo a residência e também roubo de rua.

Já executado nos poderes executivos de 11 estados, oito municípios, além de um Ministério e dois órgãos do poder judiciário, o PMGP propõe a melhoria da gestão nas instituições públicas a partir do aumento da capacidade de investimento e da obtenção de ganhos de competitividade e eficiência. A iniciativa agrega métodos de gestão, técnicas de gerenciamento de receitas e despesas e a reestruturação de processos e órgãos para promover mudanças na administração pública, com apoio da iniciativa privada.

Desde que foi idealizado, o Programa alcançou a marca dos R$ 14,2 milhões em aumento de receitas e otimização de despesas nas cidades e estados onde foi executado. Com o investimento de R$ 78,7 milhões de recursos privados, o resultado, comparativamente, aponta que para cada R$ 1 investido, o retorno global foi de R$ 181.

via Máquina Public Relations / 61 3323 2884 /  www.maquina.inf.br

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Padre Ton homenageia Eduardo Valverde reapresentando seus projetos na Câmara

O deputado federal Padre Ton reapresentou na Câmara dos Deputados cinco projetos de lei de autoria do ex-deputado federal Eduardo Valverde, falecido há dois meses atrás num acidente automobilístico.

Padre Ton disse que atendia a um pedido do companheiro de partido, que já tinha concluído o mandato e não chegou a ver nenhum desses projetos aprovados. Os projetos tratam sobre o Fundo de Garantia do Tempo de Serviço , Consolidação das Leis do Trabalho – CLT e maior rigor para punir desrespeito às normas trabalhistas, na cidade e no campo.

-“Ocorre que o fenômeno da terceirização avançou sobre os institutos jurídicos trabalhistas consolidados, motivando o surgimento de institutos paralelos, como a locação de mão de obra revestida de contratos de prestação de serviço”, disse o deputado. Ele lembra que tem muita ocorrência na zona rural o conhecido “gato”, fonte permanente de desrespeito às normas trabalhistas e encobridor das obrigações dos verdadeiros beneficiários do trabalho alheio.

Um outro projeto de Valverde , que altera a lei nº 9613, de 3 de março de 1998, que dispõe sobre os crimes de “lavagem” ou ocultação de bens, direitos e valores também foi reapresentado.  “Valverde tinha uma ativa participação no debate sobre o combate ao trabalho escravo, e esta proposição é mais um esforço nessa direção, uma contribuição importante”, disse o deputado Padre Ton.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Zé, apreciador de canto e viola

Por Antônio Serpa do Amaral Filho

Faleceu Zé simplesmente, ou simplesmente faleceu Zé.
Com duas letras apenas Deus pôs nome ao mais simples dos mortais.
Morreu menos que ninguém, pois ninguém é menos que Zé.
Morreu Zé, e ainda por cima Pirento – Zé Pirento.
Um substantivo e um adjetivo perfaziam todo seu ser no mundo.
Um Zé brasileiro nato, daqueles que têm de tudo um pouco;
um pouco de dinheiro no bolso, um pouco de amigos, um pouco de comida no prato,
um pouco de alegria, um pouco de tristeza, um pouco de amor, um pouco de leveza, um pouco de esperteza, um time pra torcer e um pouco de esperança que ele seja o próximo campeão brasileiro.
Como veio, se foi: Zé, Zé filho do Lessa. Que Lessa? Do Lessa da prefeitura.
Dessa não!, de antigamente, pai do Ronaldo, irmão da Cidalgina,
irmã do Zé, que morou em Campo Grande , onde conhecemos o Zé Pirento,
o Zé conselheiro, o Zé companheiro, o Zé amigo, o Zé da farra, o Zé segura-barra, o Zé agitador cultural, o Zé cicerone, o Zé fiscal da prefeitura, o Zé da vida dura, o Zé da pinga, o Zé da viola, o Zé do consolo de quem chora, o Zé da vila, o Zé da lida, o Zé da vida, o Zé do relento, o Zé da pira, o Zé da fila, o Zé Pirento.
Era apenas Zé, mas era muitos, hein!!
Era apenas Zé, mas era nosso.
Apenas Zé, e era tantos. Quantos??? Não sei, só sei que era tantos quantas foram as vezes que precisamos dele. Tantos quanto os muitos para quem ele simplesmente estendeu sua mão amiga e despretenciosa; tantos quanto os muitos Zés com que convivemos em terras distantes.
Na simplicidade de ser apenas Zé habitava o mistério da sua multiplicidade e a grandeza de ser uno sendo vários, de ser único sendo todos os zés do mundo num só coração dadivoso e solidário.
Para nos ensinar que a vida é só um sonho, Zé morreu dormindo.
Indo em silêncio nos poupou do constrangimento da despedida.
Viveu intensamente a vida para nos mostrar o quanto ela vale.
Foi solidário o quanto pôde para nos ensinar que é sempre possível sermos melhores do que somos.
Partiu tão-somente Zé para nos dizer que a morte não passa de um monossílabo átono e que ele, em tendo por nome um monossílabo tônico, a ela se apresentou assim apenas para morrer com um mínimo de dignidade prosódica – o máximo de soberba a que se permitiu em vida.
Adeus, Zé!

Por mim e pelo Mano Velho, Miguel Amaral, que madrugadas inteiras e incontáveis colocou seu coração, sua voz e seu talento à disposição do diapasão existencial do Zé Lessa, sensível apreciador de canto e viola.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Antônio Cândido lança Diaruí, um romance sobre o povo karipuna

Por Luciana Oliveira

O autor nos leva as corredeiras e cachoeiras do rio Madeira, no trecho que vai de Santo Antônio até Guajará-Mirim, fronteira com a Bolívia, para nos contar a história de Diaruí.Discorre sobre o povo Karipuna que por causa das brigas entre as tribos, no início do Século XIX, saiu da bacia do rio Tapajós em direção ao Oeste para habitar a bacia do rio Jaci Paraná, e nos leva ao contato desse povo com o homem branco no final do Século XIX, que fizera com que esses índios se deslocassem, no início do século seguinte, para as cabeceiras do rio Mutum Paraná.Desses contatos o mais importante foi quando da construção da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré que trouxe no seu rastro, de maneira definitiva, a acelerada exploração dos seringais e a decadência desse povo, uma vez que o trajeto da construção atravessava, principalmente, os domínios das tribos Karipuna.
Foi nesse cenário que aconteceu a história de Diaruí, encontrado pelos engenheiros da construção da ferrovia, com a perna necrosada, abandonado no “caminho do progresso”.O narrador envereda por esse choque de culturas, crenças e mitos, chegando à dúvida do conflito  psicológico de determinados personagens que chegam, às vezes, em não saberem mais no quê acredita.Amor e ódio aparecem em determinados momentos com redobrado vigor e a vingança é o ingrediente que dá vida a essa narrativa, onde a sede de riqueza faz as pessoas passarem, sem escrúpulos, sobre o sofrimento dos oprimidos cujos gritos de socorro são abafados pela pujança da floresta amazônica.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

O mundo está mesmo muito estranho

Por Marli Gonçalves

“Meu, o mundo tá muito estranho”. Duvido que você não tenha ouvido essa frase nesta semana de horror. Que não tenha concordado com ela. Duvido que também não tenha medo, e não se sinta como uma barata tonta, sendo pisada, caçada por algo maior, desconhecido, imensurável, complexo, chamado Futuro, sobrenome Natureza, e apelidado Destino

Maremoto, que dá tsunami, terremotos e o risco de um desastre nuclear sem precedentes em uma das maiores e mais desenvolvidas nações do mundo, o Japão. Era mais do que a gota d’água que faltava para a gente ficar paranóico de vez. Não precisa nem esperar 2012 quando uns malucos de pirâmides douradas juram que sabem que o mundo vai acabar. É todo dia. Toda hora. Cada notícia mais louca que outra, mais constante, mais punk, mais esquisita. Isso além daquelas que são i-na-cre-di-tá-ve-is, tanto, mas tanto, que chegam a ser folclóricas.

Nós, aqui, ainda temos de aguentar umas catracas que nos governam fazendo catraquices, como por exemplo, nossa representante na ONU se abstendo de votar sanção contra a Líbia do Kaddaffi (gosto assim, dois ds, dois fs). Não parece mesmo o fim do mundo uma decisão como essa tomada justamente quando os kaddaffinhos afirmam, o povo como refém, que haverá banho de sangue civil correndo por ali? Kaddaffi e os kaddaffinhos me lembram dos mafagafos e mafagafinhos, bem monstrinhos. Nossa política internacional? Esta nem me lembra nada de tão chutada que é.

Justamente nesta semana, completando o quadro, o homem mais poderoso do mundo, o presidente americano, o primeiro presidente negro, Barack Obama, vem para cá, para encontrar com a primeira presidente mulher do país, Dilma, e no meio de todos esses acontecimentos internacionais. Mais? Esperavam dele um discurso histórico; primeiro seria lá na Cinelândia, mas o barato foi cortado. Digamos que julgaram que seria mais seguro Obama aparecer em sala fechada e bonitinha, como o Teatro Municipal, todo mundo sentadinho e bem revistado. Por causa de Obama, até Cristo foi revisado, revistado por tropas de elite. Pede para sair! Ainda querem levá-lo para passear e ver um pouco de pobres e miséria, em uma favela, ou alguma outra “pracinha” de uma pacificada cidade do Rio de Janeiro, o Rio. Agora, dizem que pretende tomar um banho de mar. Descarrego no Rio de Janeiro? O Rio de março.

Nessas águas e nas passadas. Neste ano, nem precisamos por os peitos na janela. Bastou ligar a televisão e por ali passou tudo: a banda e as casas e as pessoas, árvores e os animais, todos carregados, levados na enchente da serra fluminense. Vimos carros empilhados, mortes e desespero também nas enchentes do Sul e resto do Sudeste. São Paulo boiou.

E fez calor. Muito calor, um calor opressivo. Não era só o calor do verão, o tão esperado. Era um forno maldito, sufocante, incapacitante. Choveu, choveu, choveu. Tudo bem. Mas e os raios? Muitos raios, relâmpagos, descargas – como nunca antes – crisparam, cindiram, rasgaram os céus de forma apavorante.

Lá fora um frio cortante, neve para mais de metros. E gritos, muitos gritos de liberdade, vindos do Oriente Médio, de cada pedacinho. Um diferente do outro, mas todos parecidos, pesados, violentos, religiosos, remotos. Enfáticos, assim como as palavras que preciso usar. Vozes que se levantaram mesmo que vindas de debaixo das burcas pesadas, só os olhos de fora, túnicas e crenças míticas, sacrifícios em acampamentos. O pavio queimando, como o das velas de aniversário que apagam e acendem, a qualquer fagulha.

E veio a água e o tremor. Ou o temor, como aprendi no sábio I-Ching – “Há de se saber diferenciar o tremor do temor”, li certa vez e jamais esqueci. Como no oráculo chinês, só se vê como previsão água sobre terra, vento sobre terra, lago sobre céu, céu sobre terra, fogo sobre montanha.

Nós? Corremos como baratas quando fogem de nossos pés e vassouras, dos bicos finos de nossos sapatos. Dos sprays que lhes empunhamos como canhões e jatos de efeitonapalm. Queremos matá-las. Extermínio seria uma palavra adequada. (Me perdoem os budistas)

Sempre fui, mas realmente ando mesmo ainda muito mais impressionada com as baratas. Para me apavorar, fazer o tradicional terrorismo “brother”, meu irmão me contou que viu num documentário como elas são capazes de se comprimir, ficarem chatinhas e como, assim, conseguem e conseguirão escapar – ele descreveu, sádico, citando cada imagem, imitando a barata ficando chatinha. Fazendo cara de barata achatadinha.

Dizem que são os únicos bichos que sobreviveriam a uma hecatombe nuclear. Eu ouvi. Agora fico sabendo de operações de resfriamento de usinas radioativas com ácido bórico, o que eu achava que matava as baratas, e vejo aqueles helicópteros sofisticados carregando “baldinhos”, como parecem de longe aquelas toneladas de água e as moscas voadoras enormes, para lá e para cá, trazendo também a água do mar, e com o ácido. O ácido bórico. Quantas visões aterrorizantes!

Esse mundo anda mesmo muito estranho.

São Paulo, distante 396 km de Angra dos Reis, e a nove meses de 2012

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

O bom cabrito que não berrava e o iceberg de titânio

Por Ernande Segismundo

Conheci Ely Bezerra Sales ainda garoto e sua família do bairro do Areal. Participou de um movimento juvenil católico salesiano denominado ‘Amigos de Domingos Sávio’, do qual eu era monitor no Colégio Dom Bosco em fins da década de setenta passada. Seus pais, católicos militantes fervorosos foram seus guias espirituais e exemplos de decência e caráter. Passado algum tempo participamos juntos de grupos de jovens da Igreja e depois perdi contado com ele.
Ao retornar formado da Faculdade em Goiânia em 1990 reencontrei Ely Bezerra no movimento sindical, nas movimentações da CUT e, finalmente, nas fileiras do PT, onde partilhamos lutas e sonhos.
No PT Ely sempre foi um militante altivo e valente, daqueles que não media esforço para nada e não era de enjeitar missões, sempre animado, brincalhão e disposto a dar alguns passos em qualquer salão que tocasse um bom brega, mesmo que fosse em qualquer boteco da beira da 421 ou 429 nos intervalos das jornadas enlameadas ou empoeiradas que fazíamos achando graça.
Nas eleições de 2010 Ely Bezerra participou da direção política e operacional da campanha do nosso companheiro, amigo e irmão Eduardo Valverde ao Governo do Estado e diante da desavergonhada sabotagem do fogo amigo e dos iterativos e desbragados golpes desferidos pelo mesmo fogo amigo contra a campanha de Valverde, Ely Bezerra ficava aturdido e se queixava com Eduardo, exigindo algo como chutar o pau da barraca ante tanta sacanagem. Valverde, do alto da sua peculiar e inabalável serenidade, já plenamente consciente de que aquela jornada não teria volta e deveria seguir silenciosamente para o sacrifício, sempre dizia: ‘o bom cabrito é aquele que não berra’.
Ely Bezerra era assim, um bom cabrito que não berrava nunca. Quando convocado para assumir a Secretaria de Organização do Diretório Regional do PT não vacilou, mesmo acumulando as tarefas com a de Secretário Adjunto do Desenvolvimento Socioeconômico da Prefeitura Municipal de Porto Velho, topou a parada e por absoluta ironia do destino, a 364 ceifou-lhe a vida na sua primeira missão como membro da Executiva Estadual do PT.
Ely Bezerra faleceu em plena luta, em pleno campo da sua batalha pacífica e festiva e por isto mesmo é mártir. Mártir das causas mais nobres da classe trabalhadora rondoniense e das lutas civilizatórias da nossa sociedade.
Já meu nobre companheiro, amigo e irmão Eduardo Valverde, este era um iceberg de titânio de ética política, de decência e de caráter. Digo iceberg porque Valverde era um bloco de água doce flutuando no alto mar da indignidade e da incoerência, de cujo conteúdo a sociedade rondoniense conhecia não mais que 10%.
Valverde tinha algo de Manelão e um pouco de Paulo Queiróz outros dois monstros sagrados do nosso imaginário coletivo que nos deixaram recentemente. Como já dito e repetido inúmeras vezes nas centenas de comentários postados nas matérias eletrônicas, Valverde era de uma radicalidade comovente no trato da moralidade e da ética pública, por isso posso afirmar categoricamente nesta oportunidade para aqueles que ainda não sabem: Eduardo Valverde Araújo, assim como Fátima Cleide Rodrigues da Silva, nunca embolsou para consumo próprio um microcentavo de suas emendas parlamentares liberadas para prefeituras ou quem quer que fosse, nos oito anos de parlamento federal.
Não haveria nada de mais nisso – essa era a sua obrigação, dirão alguns – não fosse a existência de uma prática criminosa institucionalizada no País que é o “mercado negro das emendas parlamentares” e são raríssimos aqueles que não chafurdam nesse latente lamaçal que todos fingem não ver mas sabem que existe. Deputado estadual, federal e senador – via de regra – não faz emenda, vende a 10, 20, 30, 40 e até 50% do que se libera. Este é o preço do atraso ignaro do nosso País.
Em 2001 Valverde venceu a prévia do PT que disputou com José Neumar para o Governo do Estado. No início de 2002 iniciamos conversações com o PDT de Acir Gurgacz para uma aliança branca para o Governo, depois de estabelecermos que nosso objetivo naquele pleito seria o parlamento. Eduardo na oportunidade não queria mais abrir mão da candidatura própria, já havia tomado gosto pela coisa. Depois de muitíssimas reuniões e debates, conseguimos convencê-lo da estratégia e ele cedeu. Depois foram outras muitíssimas reuniões e debates para convencê-lo a sair candidato a deputado federal e nos últimos minutos da última hora do último dia de prazo, ele cedeu novamente e aceitou a candidatura de deputado federal.
Mas quando dissemos a ele que tínhamos negociado com o PDT uma estrutura especial para a sua candidatura, como puxadora de votos para a chapa, como alguns veículos, combustível, pessoal de apoio e material gráfico, ele radicalizou novamente e disse: “Se é para aceitar qualquer privilégio em relação aos demais companheiros da chapa desisto da candidatura imediatamente”.
Certa vez almoçamos juntos no restaurante do último andar do Anexo IV da Câmara dos Deputados. Ao nos dirigir para seu Gabinete, Valverde tirou o extrato de sua conta bancária em um caixa eletrônico. Ao chegar ao Gabinete lá estava o seu contracheque de deputado federal. Ele abriu e me mostrou o extrato, com saldo de cerca de R$ 35 mil negativos e o contracheque, de cerca de R$ 12 mil na época. Ele disse então com sua assustadora tranqüilidade: “Bem, agora só devo R$ 23 mil.”
Valverde era um eterno endividado e um dos seus grandes defeitos era a absoluta incapacidade de dizer ‘não’ a quem quer que lhe pedisse qualquer tipo de ajuda decente.
Registro, no entanto, que esse bloco de altruísmo que lhe era peculiar, Valverde herdou de outros tantos companheiros petistas rondonienses que honraram com primazia os cargos e delegações públicas que exerceram como os ex-deputados estaduais Nério Bianchini, grande empresário de Cacoal e rigoroso na ética pública; compadre Severino Dias da Silva, agricultor de Jaru e reserva moral absoluta do PT rondoniense; Neri Firigolo, que cumpriu três digníssimos mandatos na ALE/RO; Ruy Zimmer, decente ex-prefeito de Jaru, Inácio Azevedo, ex-vereador, ex-presidente da Câmara Municipal de Porto Velho e dirigente da Eletrobrás Rondônia Distribuição; a ex-senadora Fátima Cleide; João Becker, decente ex-prefeito de Cujubim e inúmeros vereadores e prefeitos petistas de rigoroso caráter pelo interior adentro de Rondônia que cultuam e honram os princípios constitucionais da probidade administrativa.
Afora tudo isto, Valverde nunca jogava para a platéia. Era incapaz de enganar ninguém. Exibia sempre o mesmo rosto sereno e o mesmo olhar na retina. Foi duramente criticado pelos sindicatos e a imprensa karipuna quando relatou o PL da transposição na Câmara dos Deputados, recebendo a pecha de traidor e entreguista, enfrentando os mais diversos debates olho no olho enquanto outros parlamentares rondonienses se transformaram em paladinos da bandeira, agradando os incautos com sorrisos de porcelana e tapinhas de granito.
Participamos de inúmeras rodadas pelos bares afora, brincamos vários carnavais, celebramos a vida inúmeras vezes nos mais diversos lugares do Pais, como na última comemoração do seu aniversário dias atrás e na nossa última Banda do Vai Quem Quer juntos.
Perdemos todos uma grande liderança política, um grande guerreiro da paz, um monumento da moralidade. E eu, em particular, perdi um grande amigo e um irmão espetacular.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Eduardo Valverde: o Senhor da Aliança

Com Tatá e Mara, Valverde na Banda se despedindo do Manelão foto: Basinho

Por Antônio Serpa do Amaral Filho

Na curva da vida dois militantes do Partido dos Trabalhadores encontraram a morte: Eduardo Valverde, uma das maiores lideranças do PT no Estado, e Ely Bezerra, um dedicado e histórico militante, com muitos serviços prestados ao partido e suas bandeiras de luta. Seus corpos, moribundos e quixotescos, exibidos sensacionalisticamente por alguns jornais virtuais, espalharam uma nova onda de dor e sofrimento à comunidade rondoniense, como se fosse o reciclo de uma funesta tsunami revirando de cabeça pra baixo os corações de nossa gente. Morreram como dois construtores de novos horizontes, dois organizadores de comunas, politizadores de trabalhadores do campo e da cidade, dois sonhadores, dois caminhantes, sem dúvida, mas não eram cavaleiros tão errantes assim. E até eram, na medida em que misturavam nos seus corações poções de utopias que antes se tinha por irreconciliáveis: política e religião, o cristianismo e o marxismo. Deus no céu e o homem na terra como único fazedor da sua História. A fé da devoção e a prática histórica da transformação.
A ação política em busca do justo obrigava Valverde e Ely a peregrinarem pelos mais diversos recantos do Estado. E foi assim, como socialistas cristãos, acendendo uma vela pra Deus e outra para o marxismo-leninismo, que os dois tombaram na curva da estrada, em meio ao caminho que os levava ao exercício da política, uma cachaça com sabor de credo que lhes embriagava a alma e incendiava seus corações de agentes transformadores da realidade humana.
Faleceram em missão como dois soldados da democracia, dois leais escudeiros do PT, dois brasileiros procurando as pessoas do povo, seus iguais, camaradas, companheiros e companheiras, campesinos e campesinas, rondonianos e rondonianas, para compartilhar com eles o pão da esperança por dias melhores – melhor para o homem e para a mulher que têm a garganta ressecada pela sede de justiça social, melhor para o trabalhador e para a trabalhadora que mercadejam, de sol a sol, para sobreviver, o ânima de seus corpos explorados, utilizados como matéria-prima na produção dos bens da vida.
Quando a lâmina das ferragens retorcidas feriu de morte os dois peregrinos da política, um grito lancinante ecoou da planície amazônica até o planalto central do Brasil. Sensibilizada com a perda de um grande quadro do partido na região norte do país, a presidente Dilma Rousselff fez menção ao falecimento do deputado petista e falou da importância de Valverde para o cenário político nacional, onde se destacou por seus méritos e competência política muito acima da média brasileira. Seu legado como homem público atuante toma corpo na sua atuação parlamentar, partidária e intelectual. Valverde não era um sujeito carismático, não sabia empolgar nem às massas nem à militância do seu próprio partido. Queria ser governador de Rondônia, não foi. Queria ser prefeito de Porto Velho, e já não pode ser. Na política, desejava ser um executivo, mas sua excelente performance parlamentar parecia sinalizar para o eleitorado que ele não tinha cacife para tanto.Parecia esculpido para o ofício do parlartório, não para comandar máquina administrativa. De Lula pra cá, o Partido dos Trabalhadores mudou muito e Eduardo Valverde, embora inteligente e analítico, parece não percebido a mudança conjuntural de sua agremiação partidária. O clássico romantismo vermelho cedeu lugar a um fenômeno que vem metamorfoseando o PT: uma onda de pragmatismo maquiavélico, no bom sentido, misturada com pitadas de personalismo e desbotamento das tonalidades vermelho, vermelhaço, vermelhão da utopia socialista. A fogueira das vaidades vem assando a batata de muitos correligionários do prefeito Roberto Sobrinho. Tem petista amando mais ao poder que ao projeto partidário; têm militantes pousando de médicos quando na verdade não passam de práticos de farmácia; tem fogo de monturo ameaçando destruir o patrimônio partidário que os petistas históricos edificaram e lutam para mantê-lo intacto.  O PT que deu combate acirrado aos mandos e desmandos de Jerônimo Santana, Osvaldo Piana e José de Abreu Bianco já não é mais o mesmo e por isso precisa se reciclar e se reencontrar, até para fazer jus à exemplar e ilibada conduta política que Eduardo Valverde deixou de herança, tanto para os petistas como para todos os segmentos da sociedade karipuna. O nobre parlamentar não fez da política um palco – lugar de show. Nem fez da sua atuação um teatro do bom mocismo – para agradar ao público em geral. Na sua luta pela melhoria da qualidade de vida para todos, na pólis, ele escolheu a dignidade, a ética, a transparência e o diálogo como condutores fiéis de seu destino.  Com sua áurea franciscana, sabia como ninguém manusear a arte da composição e da conversa. Levou consigo para o túmulo, quem sabe, a decepção de não ter visto a companheirada vestir a camisa da sua candidatura ao governo, na proporção e intensidade que ele imaginara para sagrar-se vitorioso nas urnas – coisa que só o bom e velho Nicolau Maquiavel sabe explicar.
E para quem pensa que a palavra Valverde decorre de uma composição por aglutinação e significa vale verde, pode tirar o cavalo da chuva, já que, com sua morte, ele nos obrigou a descobrir que seu nome, do hebraico, derivado de baal-berith, quer dizer literalmente Senhor da Aliança – o que de fato ele foi na sua trajetória existencial, no parlamento, no partido, no carnaval, no templo, no Mercado Cultural, no amor, na lida, na vida e na morte, para a sorte de todos nós, seus admiradores e herdeiros.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Conviver com Eduardo foi um privilégio

Por Fátima Cleide

“…Sentinela sou, do corpo deste meu irmão que já se vai, revejo nesta hora tudo que ocorreu, memória não morrerá. Longe, longe, ouço esta voz que o tempo não levará” (Milton Nascimento)

Desde o dia 11 de março o mundo girou aos meus pés. Agradeço em nome de minha família (Silva e Valverde) e da família PT/RO o carinho e o reconhecimento de todas as entidades da sociedade civil, de personalidades políticas e civis, dos amigos e militantes do PT quanto ao meu querido amigo, companheiro e dirigente EDUARDO VALVERDE, esse que para mim sempre será parceiro das práticas corretas, da ética e dignidade na Política.

Valverde, além de companheiro de Partido, de lutas e de sonhos era também um membro da minha família, casado com Mara Regina, minha prima de primeiro grau. Minha vida ao seu lado foi trilhada por décadas com base na solidariedade, no respeito às diferenças e na construção de uma sociedade justa e igualitária.

Minhas palavras, portanto, serão sempre poucas diante da intensidade de nossa relação política e, sobretudo, de parceria e de muita amizade.

Juntos a Anselmo de Jesus, por 8 anos representamos com muita dignidade o Estado de Rondônia e nossa sigla no congresso Nacional.

Defendemos com garra o Projeto de Nação que transformou o Brasil. Fomos fiéis e solidários ao Governo do Presidente Lula. Nos momentos mais difíceis, a coragem e altivez de Eduardo Valverde foram destaque no Congresso Nacional. Ajudamos a eleger sua sucessora, nossa Presidenta Dilma Rousseff.

Com Eduardo, dividi não apenas sonhos mas a luta para concretizá-los. Assim foi com a PEC da Transposição. Ela é Lei Regulamentada hoje, graças ao trabalho articulado de Eduardo como Relator na Câmara e também a nossa credibilidade junto ao Governo Federal.

Tenho orgulho de nossa atuação, hoje reconhecida por prefeitos e pela sociedade civil.
Juntos, articulamos recursos e somamos emendas para garantir que todos os municípios do Estado tivessem acesso aos recursos Federais, transformando-os em benefícios para toda a população.

Juntos, caminhamos na direção de construir e fortalecer o PT em Rondônia, na Amazônia Legal e no Brasil. Juntos, lutamos por Democracia em nosso Estado. Juntos, denunciamos atrocidades cometidas contra o erário público e cobramos Justiça. Juntos, lutamos por direitos sociais de idosos, mulheres, negros (as), índios, crianças e adolescentes, jovens e LGBT’s.
Eduardo foi um político de alma feminista. Compreendeu desde sempre a necessidade de mudarmos o rumo das relações de gênero em nossa sociedade. Atuou como protagonista em todas as nossas lutas.

Conviver com Eduardo Valverde foi um privilégio, um presente de Deus para mim e para tantos que tiveram a oportunidade de desfrutar da sua convivência.

Escrevo estas linhas, tomada ainda por forte emoção. Perco um irmão, um amigo, um companheiro e grande parceiro na liderança do PT em RO. Minha dor é também a de milhares de pessoas que, como eu, queriam muito bem a Valverde. Sinto-me agradecida por ter, por diversas vezes, publicamente, na sua presença em vida, falado tudo isto que hoje é reconhecido por todo o Estado de Rondônia e pelo Brasil.

Ele se foi, mas a sua ação política ficará registrada na história de Rondônia e do Brasil. Ficará marcada para sempre em nossos corações e nos fortalecerá na luta pela construção de uma Rondônia justa e ambientalmente sustentável.
Neste momento de dor, agradeço a Deus a oportunidade de ter convivido com Eduardo Valverde. Peço a Deus que nos conforte e que lhe dê o descanso dos Justos.

Vai Valverde! Descanse em Paz meu irmão!
“…eu fico com a pureza da resposta das crianças: É a vida! É a vida!”
(Gonzaguinha, também carioca e vítima prematura de acidente automobilístico)

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Relações entre cultura e desenvolvimento

Por Mariangela Aloise Onofre

De acordo com Bosi (1992), “cultura é o conjunto das práticas, das técnicas, dos símbolos e dos valores que se devem transmitir às novas gerações para garantir a reprodução de um estado de coexistência social” (pág.16). Ainda de acordo com esse autor, nas sociedades urbanizadas a noção de cultura foi associada a melhores condições de vida, fato almejado por todas as classes e grupos sociais.       A partir do séc XVIII a cultura foi associada à noção de progresso tecnológico, fazendo com que a cultura passe a desempenhar um papel central no que tange ao desenvolvimento das nações mais pobres.         O ser humano, enquanto ser biológico possui funções orgânicas de alimentação, repouso, respiração, entre outras, que garantem sua sobrevivência. A forma como essas funções serão desempenhadas será dada, em última instância, pelas relações que se estabelecem entre o ser biológico e o ambiente, o que significa dizer que a permanência dos grupos humanos em seus ambientes será mediada pelo conjunto de significados, crenças, valores, formas de fazer e estruturar pensamentos e atitudes reunidos sob a noção de cultura.      O processo de globalização envolve o progresso tecnológico dos sistemas de comunicação, possibilitando o acesso a diferentes sistemas de significados. A lógica da dominação econômica torna-se a lógica da dominação cultural, fazendo com que a o modo de vida dos mais ricos seja legitimada ideologicamente através da circulação de bens e produtos culturais desses paises pelos grupos economicamente mais pobres, que passam a rejeitar e marginalizar seus próprios sistemas de significação e conhecimento, pondo em risco as diferenças identitárias entre os povos, o que levou a elaboração da Agenda 21 da Cultura que afirma que a diversidade cultural é tão importante para a humanidade quanto a diversidade biológica, fator que nos remete imediatamente a uma necessidade de pensar sobre as culturas amazônicas como elementos a serem incluídos dentro da polêmica discussão sobre desenvolvimento sustentável, cujas contradições conceituais não nos cabe discutir neste ensaio.Segundo Loureiro (1995), a expressão cultural que usualmente é identificada como cultura amazônica, é aquela de predominância rural, localizada entre as populações ribeirinhas, repletas de imagens da floresta. No entanto, há que se considerar  que a cultura urbana das cidades localizadas na região amazônica possuem  peculiaridades diretamente relacionadas ao processo de ocupação da região e sua situação geográfica. Assim, entendemos que aquilo que chamamos de Amazônia não existe como unidade cultural e que os processos colonizatórios estabeleceram, a nível local, as mesmas relações depreciativas com a cultura nativa, da mesma forma que a cultura dos paises ricos se legitima em detrimento da cultura dos paises pobres, a nível global. Tal situação gera implicações na geração de emprego e renda, na formação de mão de obra, nos sistemas educacionais e na própria maneira de se relacionar com o meio ambiente. Além disso, a ausência de políticas  que valorizem a produção cultural local, aliada a crescente expansão da televisão que  passa a privilegiar como de melhor qualidade a produção dos grandes centros brasileiros torna a cultura urbana das cidades amazônicas profundamente marcada pela ausência de expressões culturais que delimitem os traços identitários que possibilitem traçar parâmetros para as ações de desenvolvimento sustentável, referenciado pelos números de crescimento econômico. Em um mundo em que a facilidade tecnológica torna os  produtos  cada vez mais semelhantes, somente as culturas que conseguem estabelecer o seu próprio diferencial (sua própria identidade) conseguem consolidar  seu espaço competitivo no mercado.        Finalmente, a leitura desses índices deve ser subsidiada pelas informações qualitativas, acrescentando à  idéia de que a sustentabilidade deve contribuir também para a legitimação dos diferentes modos de vida das comunidades.

2 Comentários

Arquivado em Divagações

Grande Angular

foto : B. Bertagna

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Fidel : 2 meses

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Apoio à agropecuária e a segurança alimentar

Por João Guilherme Sabino Ometto, vice-presidente da Fiesp e coordenador do Comitê de Mudanças Climáticas

O ano de 2011 inicia-se com uma pergunta chave, que dominará os debates sobre a política macroeconômica ao longo dos próximos meses: como se comportarão os preços dos produtos alimentícios, após terem contribuído com 39% do IPCA, medido pelo IBGE, em 2010? A questão, alinhada ao tema mundial da segurança alimentar, certamente não encontrará unanimidade entre os experientes analistas do mercado agropecuário, pois o ano passado foi prodigioso no sentido de “furar” as mais embasadas previsões.

Um bom exemplo é a carne bovina. A oscilação de seus preços decorreu de duas causas: a redução da quantidade disponível para consumo nos principais produtores, como Argentina, Estados Unidos e Austrália, em função do maior abate de matrizes, iniciado em 2006; e o crescimento da massa salarial do brasileiro, de 34% nos últimos cinco anos, que pressionou a oferta já combalida. Como resultado, o preço testou vários patamares ao longo ano, chegando a um aumento acumulado de quase 30%, surpreendendo a muitos.

Outros itens, como o leite e o feijão, encontram nas intempéries, como as secas prolongadas ou as chuvas em excesso, grande parte das explicações pela elevação dos preços. Embora se possa prever com relativa confiabilidade a ocorrência desses fenômenos, dificilmente acerta-se na sua intensidade. No caso do açúcar, a Índia continua sendo o grande fator de desequilíbrio de um mercado internacional demandante.

É muito provável que, para alguns segmentos do agronegócio, as majorações gerem estímulos ao incremento da produção, com impactos positivos nos vários produtos que compõem a cesta “alimentos e bebidas”, monitorada pelo IBGE, como o feijão e o leite. Entretanto, as intempéries, os desajustes da produção mundial e o aquecimento econômico dos países em desenvolvimento, com destaque para o Brasil, podem contrariar essa lógica.

É justamente nesse cenário de pressão de preços de alimentos, resultante da demanda esticada e da oferta curta, que é enfático o papel do Brasil como um dos mais importantes supridores. Temos respondido com eficácia ao incremento de oferta, com ganhos sucessivos de produtividade, como no emblemático caso dos grãos: desde 1990, esses foram cerca de três vezes superiores à média internacional, o que contribuiu para que o mundo acumulasse um tênue, mas importante superávit nesse grupo de produtos. O exemplo estende-se, como é sabido, a vários outros setores.

Dado o papel de protagonismo do País nesse sensível equilíbrio em termos de abastecimento mundial, fica o alerta de que necessitamos dar seguimento aos ganhos massivos de produtividade. É por essa razão que parece mais lógico o Governo Federal olhar para o produtor brasileiro antes das safras, para entender a sua realidade e atender às suas legítimas necessidades, como um seguro agrícola eficiente e acessível e um forte incremento dos investimentos em pesquisa e desenvolvimento. Tal atitude seria muito melhor do que constatar, nos futuros índices de preços de alimentos, que poderia ter feito algo a mais pelo setor, pelos brasileiros e pelo mundo, pois nosso país é o que tem as melhores respostas para a prioritária questão da segurança alimentar.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Professores em fuga

Por Vera Lúcia Pereira dos Santos,Doutora em Linguística e em Língua Portuguesa

Não constitui surpresa saber que caiu o número de formandos em cursos que preparam docentes. O desinteresse dos adolescentes pelo magistério não se revelou repentinamente. É reflexo de um processo que vem se corporificando há muito tempo no exercício do magistério, aliado à decadência do ensino público monitorado por políticas públicas equivocadas.
Como professora de escola pública nas décadas de 1970, 80 e 90, fui testemunha da aplicação de leis, regimentos e normas pretensamente democráticas, inovadoras e revolucionárias, impostas ao professor como panacéias solucionadoras de todos os problemas educacionais. A escola transformou-se em entidade predominantemente assistencialista e ao mestre era atribuída toda a responsabilidade pelo insucesso do aluno ─ a reprovação, se ultrapassada determinada porcentagem, era sinônimo de incompetência didática. O professor foi perdendo sua autonomia e, sem ela, sente-se desprestigiado, desmotivado e desestimulado e seu aluno percebe esse desencanto.
Para esse processo de desconstrução, vários outros fatores contribuíram. Entre eles, ainda da perspectiva do docente, destaco o tratamento dispensado aos cursos de formação de professores da Educação Básica. Aos docentes que atuavam nesses cursos recomendava-se, não oficialmente, agir com complacência e não exigir muito do aluno na atividade didática. Isso porque o perfil da clientela, segundo orientadores e diretores de escola, era formado por adolescentes menos favorecidos economicamente e com poucos subsídios culturais e que, muitas vezes, ignoravam o alcance de sua vocação.
Não seria essa uma forte razão para se elevar o nível desses jovens, futuros mentores da fase mais importante e decisiva do ensino, a alfabetização? O que pensar de cursos de graduação em Pedagogia que serviram durante algum tempo de meio de aquisição de maior remuneração para docentes e acesso à classificação privilegiada na atribuição de aulas?
Via e vejo nessa atitude facilitadora e desvirtuada uma contradição que só poderia resultar no quadro preocupante que hoje mobiliza institutos de pesquisas, educadores e especialistas em educação para tentar revertê-lo. A ausência de atração pela carreira docente entre estudantes do Ensino Médio soma-se ao desalento do magistério e cria uma lacuna perigosa na formação de outros profissionais? Quem irá orientá-los? Qual é a saída desse labirinto? É óbvio que há soluções e elas já foram apresentadas por pesquisadores abalizados como Bernardete Gatti, da Fundação Carlos Chagas. Agora falta aplicá-las. Os professores estão fugindo não por covardia, mas em busca da própria dignidade.

2 Comentários

Arquivado em Divagações

O impacto econômico e social do analfabetismo

Por Fabio Arruda Mortara, presidente do Sindicato da Indústria Gráfica no Estado de São Paulo (Sindigraf-SP)

A despeito dos avanços verificados nas duas últimas décadas, o ensino brasileiro, em especial no tocante às escolas públicas, segue abaixo de um padrão de excelência congruente com a meta nacional de desenvolvimento. O problema está muito evidente no Anuário Estatístico 2010 da CEPAL (Comissão Econômica para a América Latina e o Caribe), que acaba de ser divulgado. O estudo desse importante organismo das Nações Unidas mostra que, em nosso país, a proporção de pessoas analfabetas é de 9,6%, acima da média de 8,3% registrada na região.

O índice leva em consideração os maiores de 15 anos incapazes de ler ou escrever, com clareza e entendimento, um relato simples e breve de sua própria vida cotidiana. Ou seja, indivíduos absolutamente despreparados para quaisquer postos de trabalho na economia contemporânea e totalmente excluídos do acesso à escrita e à leitura, essencial à formação mínima de todo cidadão.

Para se compreender de maneira mais clara a gravidade da situação apontada no relatório da Cepal, é importante cruzar os seus dados com informações da pirâmide demográfica nacional e alguns números do mercado da cadeia produtiva da comunicação gráfica. Com base na população atual de 190.732.694, os maiores de 15 anos (cerca de 89% do total, segundo o Censo 2010 do IBGE) são 169,75 milhões de habitantes. Se 9,6% destes não sabem ler e escrever, o número de brasileiros alijados desse direito essencial é de 16,3 milhões de pessoas.

Os reflexos mercadológicos dessa lamentável realidade não são menos graves. Se cada um desses brasileiros excluídos da sociedade do conhecimento soubesse ler e comprasse apenas e tão somente um livro por ano, o impacto nas vendas das 16,3 milhões de unidades seria de quase 4,5%, considerando a comercialização total de 370 milhões de exemplares/ano, apontada na edição mais recente da Pesquisa de Produção e Vendas do Mercado Editorial, realizada pela FIPE para a CBL e o SNEL. Caso cada uma dessas pessoas comprasse apenas dois cadernos por ano, ou seja, 32,6 milhões de exemplares, uma gráfica de grande porte especializada nesse segmento teria de trabalhar 46 dias, em período integral e utilizando toda a sua capacidade instalada (cerca de 700 mil unidades/dia), somente para atender a essa demanda específica.

Numericamente, os contingentes representados pelos brasileiros analfabetos são equivalentes à população integral do Chile ou da Holanda. Assim, incluí-los no mercado de consumo de todos os bens, produtos e serviços ao alcance de quem sabe ler e escrever significaria criar no próprio Brasil um mercado do tamanho do existente naqueles dois países. Na ponta da produção, o gargalo do ensino também apresenta consequências danosas, considerando o apagão de mão de obra explicitado de modo crescente por vários setores de atividade.

O flagelo do analfabetismo e a escolaridade de baixa qualidade transcendem, portanto, à questão social da exclusão, já suficientemente grave. É um problema a ser enfrentado com firmeza e eficácia pelas políticas das prefeituras, Estados e União, constitucionalmente responsáveis pela educação pública universal. A sociedade também precisa atuar no âmbito dessa meta, como têm feito as entidades de classe do setor gráfico, mobilizadas em prol da melhoria da formação de profissionais para o setor e da excelência do ensino no País.

1 comentário

Arquivado em Divagações

Educação, o exemplo que vem da Ásia

Por Elisete Baruel , diretora de Educação da Vitae Futurekids ( http://www.vitaefuturekids.com.br )

Conhecimento (ou saber) é poder, disse o filósofo Francis Bacon. Que o digam os grandes movimentos sociais e econômicos mais marcantes no caminho da humanidade. A capacidade de acumular sabedoria e de gerar conhecimento é determinante em qualquer processo de mudança e de desenvolvimento. Na capacidade de implantar um modelo educacional que forme cidadãos sábios, mão de obra qualificada e domínio das modernas tecnologias está a base de construção de um país realmente desenvolvido.

Foi assim no mundo grego e na antiga Roma. Foi assim na Idade Média, quando a força da Igreja e o saber cultivado nas bibliotecas dos mosteiros garantiram a sobrevivência da cultura greco-romana. Foi assim no Renascimento, com o poder dos mecenas (incentivadores das artes), que permitiu a glória de gênios como Da Vinci, Michelangelo, Bernini e tantos outros. Foi assim nos grandes descobrimentos e na Revolução Industrial. Até na derrota da encarnação do mal, o nazifascismo, o conhecimento foi determinante – apesar da terrível destruição causada pelas bombas atômicas sobre o Japão e do ainda presente risco de uma hecatombe nuclear.

No mundo contemporâneo, um dos exemplos mais marcantes do poder do conhecimento vem dos chamados “tigres” asiáticos, que hoje se equiparam aos grandes países desenvolvidos da Europa e com os Estados Unidos. Seguindo o exemplo do Japão do pós-guerra, ganharam esse selo Hong Kong, Coréia do Sul, Cingapura e Taiwan, por suas elevadas taxas de crescimento e rápida industrialização entre as décadas de 1960 e 1990. A esse time se integraram depois Indonésia, Malásia, Filipinas e Tailândia e as agressivas economias da China e da Índia. As grandes transformações basearam-se em acesso à educação e na infraestrutura de transportes, esta vital para exportações competitivas.

Desses “tigres”, atenção especial merece o caso de Cingapura. Aliás, um dos mentores da contínua transformação do país, Lee Sing Kong, diretor do prestigiado Instituto Nacional de Educação, estará em abril de 2011 em São Paulo para explicar os segredos dessa mudança. Ele participará do evento “Escola de Alto Desempenho – II Seminário Internacional de Práticas Inovadoras para a Educação”, promovido pela Vitae Futurekids. A fórmula que revolucionou a educação em Cingapura e criou as bases para fazer do país um dos “tigres” asiáticos se baseou e se baseia em ações como: incentivar os jovens mais talentosos a seguir o magistério; dar status, prestígio e remunerar professores iniciantes com salários de engenheiros; formar educadores por meio de intensa prática pedagógica (espécie de residência médica); administrar escolas públicas como empresas – os melhores ganham bônus; e priorizar o uso produtivo de recursos tecnológicos na escola.

Ao Instituto Nacional de Educação (Faculdade de Formação de Professores) credita-se muito do rápido e contínuo avanço da educação em Cingapura, que estava em um patamar semelhante ao africano nos anos 60 do século passado. Hoje, o país é reconhecido entre os melhores do mundo em sala de aula, tendo um dos três melhores sistemas educacionais em matemática e ciências. No plano econômico, Cingapura tem crescido a taxas de cerca de 10% ao ano. Esse pequeno país, bem menor que o estado de Alagoas, tem conseguido a proeza de ter renda per capita de quase US$ 49 mil, acima dos EUA. Tudo isso resultado de investimento constante em educação ao longo das últimas décadas.

Na China, a educação também é componente fundamental para o crescimento estrondoso do país. A prova está nos recentes resultados do PISA 2009, programa da OCDE (Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico) que avalia o desempenho de estudantes de 15 anos, de vários países, em matemática, ciências e leitura. Os alunos da província chinesa de Xangai, que participaram pela primeira vez do exame, ficaram em primeiro lugar em todas as disciplinas avaliadas, superando todos os países da OCDE. Os chineses obtiveram 38 pontos acima do segundo colocado, Cingapura, 113 pontos acima dos Estados Unidos e 214 pontos acima da média dos alunos brasileiros.

Os casos acima são apenas indicativos do quanto ainda temos que avançar para fazer da educação, ao lado da saúde, a grande prioridade de nosso país. O Plano Nacional de Educação para a década 2011-2020, lançado pelo governo, contém metas ambiciosas, com prioridade para a qualificação dos professores e melhoria da gestão escolar. Que ele se torne realidade. Afinal, é na escola, em todos os níveis, que podemos ganhar o conhecimento necessário para uma transformação duradoura de nosso Brasil.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

No gesto que não houve, a confirmação: elegemos a pessoa certa.

Por Rudney Prado

A nova Rondônia começou mesmo. Enfim um novo governador! No primeiro dia do ano, além da esperada posse, tivemos mais uma prova de que a maioria dos rondonienses estava certíssima em eleger Confúcio, governador. O último ato do ex- governador Cahulla, o da negligência democrática, deixou isso ainda mais evidente. Ele não estava lá no Palácio Presidente Vargas. Não se permitiu um derradeiro e digno gesto de, da sacada do Palácio, transmitir a faixa de governador a quem, democraticamente, fez por merecer esta honra.  Muita gente esteve lá e pode constatar, na  ausência  do nosso ex-mandatário estadual , que faltou a altivez  que se espera de alguém que um dia governou este estado “melhor do que a encomenda”. Seria esta uma última encomenda? O gesto simbólico ficou prejudicado. Talvez imaginassem que tal atitude ofuscaria o momento tão aguardado. Não se deu esse presente ao povo. Mas o brilho estava nos olhos dos que ouviam as palavras emocionadas do novo governador. Confúcio foi, de novo, simples. Sincero. Verdadeiro.  Reiterou compromissos com a saúde, com a educação, com uma nova história a ser construída para os rondonienses, e com os rondonienses. Isso é o que importa. A má educação mostrou de novo, que era mesmo necessário um novo governador. A faixa ficou muito bem no peito do Dr. Confúcio.

Este slideshow necessita de JavaScript.

fotos: M.Freire

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Infância

Por Aparicio Secundus Pereira Lima

O doce enlatado
Trancado no armário.
Imaginação adulta nestas horas,
Questão de honra comer um pedaço.
Onde a chave?
Faro canino logo descobria.
Mãozinhas trêmulas
Furtando o tesouro da mãe.
Armário aberto.
Saliva emudecendo os lábios
Ao ver o doce brilhando.
A tampa da lata
Refletia a tez franzida,
O suor da angústia
Pingando no chão.
Onde a faca?
É preciso ganhar tempo.
Dedos mergulhados no doce,
Levados a boca
Com gula.
Impressões digitais na lata.
Delícia de doce!
Novamente os dedos sujos

Cinturão cantou
Nas costas magras.
Flagrante delito…
Num canto,
Depois da sova,
Soluços incontidos,
Lágrimas descendo rosto abaixo.
Nos lábios, restos do doce,
Gosto de fel.
Na barriga,
As lombrigas sorriam agradecidas.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Odair Cordeiro e nós outros

Por Jorge Streit

Acordei sobressaltado no último dia 16, com uma mensagem de celular que me informava da morte de Odair Cordeiro. Morrera naquela madrugada uma das figuras mais importantes da política de Rondônia, apesar de jamais ter exercido um mandato eletivo.

Trinta anos se passaram até que aquele minúsculo grupo liderado por ele e José Neumar se transformasse num dos partidos mais fortes do Estado. E não houve um único dia, em todos esses anos, que ele não tenha se dedicado a esse sonho.

Desde 2003, com minha mudança para Brasília, encontrei-me poucas vezes com Odair. Talvez umas seis ou sete vezes. Em uma de minhas últimas estadas em Porto Velho, tentei fazer-lhe uma surpresa, indo à sua casa na Avenida Getúlio Vargas, sem avisar. Porém, ao chegar, deparei-me com uma empresa funcionando no local e, por fim, acabei não conseguindo encontrá-lo.

Nas nossas brincadeiras eu o chamava de Velho e ele me tratava por Alemão. Há poucas semanas ele me ligou à procura de um volume contendo várias revistas do Asterix que havia me emprestado havia mais de dez anos. Foi a última bronca que ouvi daquele turrão incorrigível. Ao final, conversamos um pouco sobre os filhos e marcamos encontro para minha próxima ida a Rondônia.

Convite chegou dentro da agência

Além de companheiro na política desde 1982, fui seu companheiro de copo por muitos anos. No antigo Bar Bangalô ou sob o pé de jambo de sua casa, fizemos inúmeras reuniões etílicas. Quando parei de beber, em 1996, recebi dele uma reprimenda nos seguintes termos: “Alemão, a pessoa que tem uma cara de bêbado como você não pode parar de beber. Você não tem o direito de desperdiçá-la”. Outras vezes, se me queixasse de algum problema de saúde ouvia dele o seguinte: “Não te falei para não parar de beber? Nunca te vi doente nos tempos de farra…”.

Após sua morte, troquei um e-mail com o jornalista Montezuma Cruz para comentar sobre o assunto e para cumprimentá-lo por ter resgatado informações preciosas sobre o trabalho de Odair nos primórdios do PT em Rondônia. Naquele momento, me lembrei de um dia do ano de 1982, quando ele foi à agência do Banco do Brasil em Ariquemes para me convidar a entrar no PT. Em suas andanças pela cidade como representante comercial, ouvira falar de um grupo de jovens bancários que organizava protestos e que acabara de lançar um jornal estudantil. Percebeu que ali poderia estar um ponto de contato para a criação do Partido naquela poeirenta e inóspita Ariquemes, um embrião de cidade que vivia a euforia da colonização implementada pelos militares, já nos estertores do regime.

Na linha do PRC, outros caminhos

Velho deixou em minhas mãos um maço de folhetos mal impressos com os nomes dos nossos candidatos às eleições daquele ano. José Neumar era candidato a deputado federal e Montezuma a estadual. Fizemos uma votação pequeníssima, mas protagonizamos o início do Partido numa época muito difícil para qualquer movimento de oposição em Rondônia.

Nos anos imediatamente seguintes trilhei caminhos diferentes de Odair dentro do PT. Nos meus primeiros tempos de Partido, coloquei-me como independente e até como oposição em relação à direção estadual representada por Odair e Neumar. Na época, alinhei-me com militantes que iniciavam o MST e que se identificavam com o antigo PRC – Partido Revolucionário Comunista. Nosso foco era o apoio às ocupações de terra e a criação dos primeiros sindicatos.

Para nós, incendiados pela paixão militante, as práticas de Odair levariam a um PT conciliador e restrito à via eleitoral. Em 1986 apresentamos uma chapa de oposição ao diretório estadual e vencemos. Montamos uma direção executiva sem Odair e Neumar, com integrantes espalhados pelo estado e não conseguimos “tocar” o Partido. Por muitos anos depois Odair me “zoou” por causa disso.

Depois, já no final dos anos 1980, comecei a me aproximar de sua casa e a trocar ideias. Nessa época eu já começava a me firmar como dirigente sindical e passava a ter mais humildade para perceber o quanto poderíamos aprender com a experiência daquele homem.

Por várias vezes, nas minhas refregas sindicais com a polícia, era ele o primeiro a chegar ao quartel com o advogado dentro do carro dirigido pela Lúcia. Também nessa época muitos outros jovens militantes passavam pela sua casa para ouvir suas estórias e conselhos, embora muitas vezes não admitíssemos publicamente. Josias Gomes, Inácio Azevedo, Roberto Sobrinho, Ernandes Segismundo, Edineide Arruda, Eduardo Valverde, Fátima Cleide, Daniel Pereira, Bernardo e muitos outros.

Tempo das alianças

Até o início dos anos 1990 vivemos um período de afirmação do PT em Rondônia, tocando as atividades com o dinheiro das feijoadas feitas por Odair e Lúcia. Até então, o Partido ainda não era alternativa de poder. A partir daí, com o crescimento, começaram a se colocar diante de nós as propostas para formação de alianças com outros partidos. Foi aí que Odair encarnou a figura de articulador político, recebendo os ônus e os bônus desse papel.

Para os militantes mais à esquerda, virou alvo de muitas críticas, sendo responsabilizado por uma “política de conchavos”. Para outros, inclusive eu, representava a figura de hábil articulador, sempre atento às melhores opções para o PT.

Foi assim que se deu a aliança com José Guedes em 1992, quando PT e PSDB ainda não eram inimigos figadais. Foi assim também a tentativa de aliança com Raupp no primeiro turno em 1994, pouco depois desautorizada pelo Diretório Nacional do PT pelo fato de o PMDB não constar da política de alianças aprovada nacionalmente.

Nesse processo tive que abrir mão de uma candidatura a deputado federal com grandes possibilidades e virei candidato a governador numa campanha meio quixotesca, na companhia de Eduardo Valverde e Israel Xavier. Anos depois avaliei que eu devia ter “batido o pé” mesmo contra a opinião de Odair e do restante da articulação e lançado uma candidatura a deputado.

Mas quem somos nós para, tanto tempo depois, querermos julgar atitudes tomadas no calor daquelas disputas e sob circunstâncias muito particulares daquele momento.

“Deixe de ser xiita, você não tem mais 20 anos”

Enfim, até 1998 estive muito próximo de Odair pude compartilhar de suas engenhosas construções políticas. O vitorioso desenho que levou o PT a eleger Fátima Cleide para o Senado, além de dois deputados federais em 2002, foi pensado e executado por ele com maestria. Na época eu estava fora da direção do PT e me dedicava ao Banco do Brasil e a uma tardia universidade.

Cheguei a torcer o nariz contra a ideia de aliança com Gurgacz, sobretudo pelas minhas históricas relações com os sindicalistas do setor de transportes, principalmente Hermínio Coelho e Claudio Carvalho, hoje importantes nomes do PT. Ainda assim ouvi dele algo assim: “Alemão, deixe de ser xiita que você já não tem mais 20 anos”.

Depois disso ainda tivemos as vitórias de 2004 e 2008 para a Prefeitura da Capital, ambas com forte participação dele na articulação política e na montagem dos programas de TV. Nesse período eu já vivia em Brasília e não acompanhei seu trabalho.

Mas fiquemos assim, meu Velho. Lá em cima, com sua camisa vermelha e estrelinha no peito, tente juntar os nossos companheiros que também já estão por lá – o Chico Cezário, Fernando, Hemerson Teixeira, Piau, Pedrinho Oliveira, Tiãozinho da CUT, Jasmo e Fatinha Alves. Se bem os conheci, Cezário e Fernando já se engalfinharam várias vezes e o Jasmo, Tiãozinho, Pedrinho e Piau já organizam uma reforma agrária nos campos celestes. Se precisar de ajuda, procure o Padre Ezequiel Ramin, que a essas horas já deve estar muito bem entrosado lá em cima.

E quanto a nós, amigos e familiares, embora já saudosos das suas incontáveis manias e de seus conselhos valiosos, tentemos ver sua morte de uma forma diferente daquela a que fomos ensinados no ocidente. Vejamos como parte do ciclo da vida, numa seqüência vida-morte-vida ou, como diz o rabino Nilton Bonder, como parte da nossa necessidade de pausas, constituindo-se na maior de todas elas.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Deu no G1: Iphan amplia lista de Patrimônio Cultural do Brasil

Novos bens passaram a fazer parte do Patrimônio Cultural que é protegido pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). Os conselheiros do Iphan estiveram reunidos no Rio de Janeiro, nesta sexta-feira (10), para definir os itens tombados. Entre eles estão quatro embarcações tradicionais brasileiras, os centros históricos de Natal e São Luiz do Paraitinga (SP), além do conjunto urbanístico e paisagístico de Cáceres.

Veja abaixo a lista dos bens que se tornaram Patrimônio Cultural:

Patrimônio Naval
Foi aprovado o tombamento da Canoa de Tolda Luzitânia, da Sociedade Sócio-Ambiental do Baixo São Francisco, em Sergipe; da Canoa Costeira de nome Dinamar, da Baía de São Marcos, no Maranhão; do Saveiro de Vela de Içar de nome Sombra da Luz, do Recôncavo Baiano, e da Canoa de Pranchão do Rio Grande, de nome Tradição, do Rio Grande do Sul; e do Museu Nacional do Mar, em São Francisco do Sul, Santa Catarina, incluindo o seu acervo.

Centro Histórico de Natal
O Centro Histórico mescla uma malha urbana colonial com um conjunto arquitetônico de todas as épocas. A área conserva edifícios com representatividade histórica, apesar das intervenções modernas que recebeu ao longo dos anos. O tombamento engloba a Cidade Alta e parte do Bairro da Ribeira, além de reforçar a importância do rio Potengi para a cidade.

Igreja Positivista
A Igreja Positivista, no Rio de Janeiro, serviu como sede do apostolado positivista no Brasil. Sua construção teve início em 1890 e foi concluída em 1897. As concepções arquitetônica e ornamentais foram de Miguel Lemos. O monumento foi o primeiro edifício construído, no mundo, para difundir a doutrina criada pelo filósofo francês Augusto Comte.

Conjunto Histórico do Município de Paracatu (MG)
A área ocupava uma localização estratégica e era ponto de convergência dos diversos caminhos que ligavam o litoral e os sertões. Era também pouso de tropeiros, que buscavam o ouro nas cidades goianas como Luziânia, Pirenópolis, Corumbá, Jaraguá, Pilar de Goiás.

Conjunto Urbanístico e Paisagístico do Município de Cáceres (MT)
A cidade desempenhou importante papel para a definição e proteção de fronteiras entre terras brasileiras e bolivianas, sendo considerada um documento da história urbana do país.

Centro Histórico de São Luiz do Paraitinga (SP)
A delimitação da área de tombamento do conjunto urbano abrange mais de 450 imóveis e inclui a preservação visual do entorno. Em 2011, o Iphan planeja comprar um imóvel para implantação de uma Casa do Patrimônio no centro histórico da cidade.

Festa de Sant’Ana em Caicó (RN)
Foi a quarta manifestação cultural a ser inscrita do Livro das Celebrações como Patrimônio Cultural do Brasil. Ocorre há mais de 260 anos e reúne diversos rituais religiosos e manifestações culturais.

Serra da Piedade (MG)
O Iphan aprovou a extensão de tombamento do conjunto arquitetônico e urbanístico da Serra da Piedade em Minas Gerais. Protegido pelo Iphan desde 1956, o monumento natural é ameaçado pela ação de mineradoras que atuam na área. A área de entorno inclui as cidades históricas  de Sabará, Caeté e Raposos. O Iphan também vai atuar de forma mais efetiva na fiscalização permanente das mineradoras em parceria com o Ministério Público de Minas Gerais.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Do blog do Confúcio : Nomes do governo (ATUALIZADO 24/12/2010)

” Vamos ao que interessa, os nomes que me ajudarão a governar Rondônia entre os anos de 2011 a 2014. O quadro ainda não está completo devido alguns partidos aliados ainda não me entregaram os seus representantes no governo. A medida que forem aprovados pelo MP e por mim, aí sim anunciarei diáriamente.  Estou ainda aguardando a informação do MP até mesmo dos nomes abaixo, caso tenha qualquer restrição serão substituídos.
1. POL. MILITAR  /Cel.l Paulo César de Figueiredo  – Sub: Cel. Antonio Carlos Tomazzoni
2. CASA MILITAR / Maj Mauricio Marcondes Gualberto
3. SEFIN /Dr. Benedito Antonio Alves  – Adj: Wagner Luiz de Souza
4. DETRAN /  Airton Gurgacz – Adj. :Cel. João Maria de Sobral Carvalho
5. SESAU / Dr. Alexandre Carlos Muller
6. SUPEL / Márcio Rogério Gabriel
7.REP. EM BRASILIA / Elizete Lionel
8. CORPO DE BOMBEIROS / Cel. Lioberto Ubirajara Caetano de Souza
9. DEOSP / Engº. Abelardo Castro Neto
10.SEDAM /Nanci Maria Rodrigues da Silva – Adj: Cel. Josenildo do Nascimento
11. SEDUC/Jorge Alberto Elarrat Canto – Adj. : Neila Pires Myrria
12. CGE/Juliana Furini Reginato
13. SEJUS/ Mirian Speráfico –Adj.: Zaqueu Vieira Ramos
14. SEPLAN/George Alessandro Gonçalves Braga –Adj.: Avenilson Trindade
15. SETUR/ Júlio Olivar
16. CAERD/Sérgio Rubens Castelo Branco Alencar
17. DECOM/Fred Perillo
18. DER/ Lúcio Antonio Mosquini
19. SESDEC/ Marcelo Nascimento Bessa – Adj: Ricardo Rodrigues
20. SEAS/ Cláudia Lucena Aires Moura
21.IPERON /Walter Silvano Gonçalves Oliveira
22.SOPH /Mateus Santos Costa
23.SEDES /Edson Luiz Vicente – Adj: Allan James França Benjamim
24. SECEL /Francisco Leilson Celestino de Souza Filho
25.SEAS Adj: Márcio Antônio Félix Ribeiro
26. PGE /Valdecir Silva Maciel : Adj. Maria Rejane Sampaio  Santos
27. SEAD /Vera Lúcia Paixão
28. IPEM/Osni Ortiz –Vice: Francisco Batista da Silva (Pantera)
29. CASA CIVIL/ Ricardo Sá Vieira Adj: Basílio Leandro de Oliveira

30. SEAGRI/ Anselmo de Jesus -Adj: Antonio Deusemínio
31. POLICIA CIVIL /Diretor Geral : Claudionor Soares Muniz  – Adj. :Sandro Luiz Alves de Moura

Boa sorte a todos e que Deus nos ajude.”

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

O tempo

Por Pe. Júlio Antônio da Silva

O tempo constitui uma dimensão essencial da criatura humana. Está presente em tudo. É no tempo que construímos nossa história. Porém, nossa vida oscila entre a certeza de coisas experimentadas no presente e a incerteza do futuro que escapa ao nosso controle absoluto. Vivemos nesta dupla tensão entre um passado que já era e um futuro que é um devir.

A sucessão dos tempos, ou o tempo histórico, abre-nos para uma forma de conceber a história como experiência que nunca se repete. Mergulhamos no mar do passado para um imenso e misterioso futuro. E nesse mergulho deparamos com a vida a ser construída.

Na construção da vida deparamos com o limite dado pelo tempo, qual camisa de força, a nos encerrar num circuito limitado, a marcar nossa incapacidade de acelerar ou atrasar, um segundo sequer, o relógio da vida. Foi essa a angústia vivida por grandes pensadores, como por exemplo, Santo Agostinho, o Mestre do Ocidente, no século quarto. Para ele, o tempo será sempre algo enigmático. Entende que tudo e todos são reduzidos ao instante indivisível, chamado de presente, que coloca tudo em movimento.

Sem descurar do presente, a pregação de Jesus Cristo apontou um novo caminho para o tempo presente. Ele aponta o futuro como realização plena de sua proposta de vida, o Reino de Deus. Mas um futuro diferenciado, sem aquele escatologismo barato e infundado de alguns profetas do mau agouro.

O futuro do Reino de Jesus visa à construção de um mundo alternativo, moldurado pela paz, pela serenidade e alegria, que começa aqui e agora, mas ainda não em plenitude, devido a  transitoriedade das coisas. Essa visão e posição do cristianismo é uma força que ajuda a superar o velho passado. Coloca-nos diante da difícil tensão entre o “já” e o “ainda não”. Cristãos não podemos simplesmente olhar para o futuro, afinal Cristo Jesus está vivo na história que fazemos. Ele é o referencial, através da Igreja, dos bens futuros.

O nosso “já”, ou melhor, o presente que nos é reservado, ainda é imperfeito. Ainda padecemos em meio a tantas lutas e limites, sobretudo o pecado e a injustiça. Por isso, sonhamos com uma nova sociedade a ser construída. Esperamos ainda mais. Buscamos uma mudança nova e decisiva, que faça a história dar um salto qualitativo para chegar ao Absoluto, que faz história com as pessoas humanas e que se mistura ao tempo presente para fazê-lo “tempo da graça”, o kairós bíblico.

Portanto, esse futuro não tem nada de tenebroso; ao contrário, é um futuro-presente construído no amor e na esperança, pelo poder da fé. É um tempo santificado pela presença viva de Nosso Senhor Jesus Cristo, começo e fim de tudo, Senhor do tempo. Esta verdade não deixa ninguém desesperar-se diante do presente. Mas dá certeza da gestação de “um novo céu e uma nova terra” (Is 65, 17; Apoc 21,1).

via Arquidiocese de Maringá

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

A importância da educação financeira nas empresas

Por André Massaro


André Massaro é especialista em finanças do Moneyfit

Vivemos um momento curioso no Brasil. Crédito nunca foi uma das coisas mais abundantes por aqui, mas, recentemente, com a relativa estabilização da economia e da moeda, aspessoas estão começando a se sentir mais à vontade para se endividar e, por sua vez, os agentes financiadores perceberam que, para poderem ganhar dinheiro, terão que fazer aquilo para o que foram originalmente concebidos: financiar. Os efeitos dessa recente flexibilização do crédito são visíveis. Comércio extremamente aquecido, pessoas consumindo como nunca e a preocupação primordial de muitas pessoas “mas será que a parcela cabe no meu orçamento”?, que prenuncia o desastre financeiro.  Os níveis de endividamento do brasileiro médio estão crescendo de forma perigosa. Alguns políticos e burocratas do governo dizem que nossos níveis de endividamento são baixos em relação aos outros países (o que é verdadeiro). Mas essa informação, se analisada isoladamente, pode nos levar a conclusões equivocadas. O índice de endividamento médio do brasileiro é, de fato, menor que o de um americano ou europeu, por exe mplo. Mas é importante termos em mente que os brasileiros pagam juros muito superiores aos que os americanos ou europeus pagam. Apenas para termos um exemplo, a taxa que o brasileiro paga pelo crédito rotativo de seu cartão de crédito é, em média, dezessete vezes superior àquela paga por um americano. Isso significa, na prática, que apesar de ter um endividamento menor, o brasileiro “quebra” muito mais rápido, por conta do efeito devastador de nossas taxas de juros insanas. O índice de endividamento, nesse caso, não nos diz absolutamente nada. É um endividamento menor, mas potencialmente muito mais nocivo.O que as empresas e os empregadores têm a ver com isso? Em princípio, nada. A obrigação da empresa é pagar, em dia e corretamente, seus funcionários. O que cada funcionário faz com seu dinheiro é problema dele. Mas essa é outra conclusão, assim como a questão dos índices de endividamento, deve ser colocada em perspectiva. Hoje não só o consumo está aquecido, o mercado de trabalho também está. A maioria dos trabalhadores, de alguma forma, percebe isso, e eles estão bastante confortáveis para assumir dívidas e tratar suas finanças de forma mais pródiga. Mas como será no dia em que essa “lua de mel acabar”.Depois da euforia, vem a ressaca… Vem a constatação de que as finanças domésticas estão completamente comprometidas por ?parcelas que cabiam no orçamento?, pequenas dívidas que viraram encrencas monumentais e coisas do gênero. Nesse momento, aquilo que, inicialmente, não era um problema do empregador, vira um problema (e dos grandes…). Começam as pressões sobre o departamento de pessoal, por adiantamentos e “vales”. O empresário acaba descobrindo que, sem querer, está virando banqueiro. E pior! Não está ganhando nada com isso… A produtividade cai, decorrência do stress causado pelo desequilíbrio e pelas pressões financeiras. Acontece o fenômeno conhecido como presenteísmo, no qual o funcionário vai para a empresa, cumpre seu horário, ocupa seu local físico, mas não consegue exercer plenamente sua capacidade de trabalho (por estar com a cabeça em outro lugar, possivelmente pensando em dívidas e cobranças). Existem estudos que indicam que o presenteísmo representa, para as empresas, um custo maior que o absenteísmo puro e simples. Funcionários desatentos e desmotivados têm maior inclinação a cometer erros e sofrer acidentes de trabalho. Isso custa, e adivinhem para quem vai essa conta? Para o empregador, naturalmente…Em um mundo ideal, a empresa pagaria o salário aos empregados (integralmente e tempestivamente) e esses usariam os recursos recebidos da forma mais racional e sensata possível, e tudo estaria resolvido. Mas no mundo real, os empregadores precisam começar a se preocupar com a forma como seus empregados administram suas próprias finanças, sob o risco de acabarem gerando um problema (inclusive financeiro) para elas mesmas.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Onda lilás e vermelha conquista país !

Uma verdadeira onda nas cores vermelha e lilás vem tomando conta do país neste mês de setembro . O  tsunami chamado Dilma vem contagiando todas as classes, pobres e ricos, jovens e idosos, homens e mulheres do Sul ao Norte do Brasil.

Segundo o Professor titular da Escola Nacional de Ciências Estatísticas – ENCE/IBGE, José Eustáquio Diniz Alves ” as teorias que sustentavam a existência de diferenças irreconciliáveis de classe, espaciais, educacionais, geracionais e de gênero não se sustentaram ao longo do processo de definição do voto. Na verdade, a provável vitória de Dilma Rousseff deverá ser ampla, geral e irrestrita, como ainda não havia acontecido na história do Brasil.”

A tsunami lilás e vermelha também entusiasmou as campanhas  dos candidatos do PT  Eduardo Valverde,  a governador de Rondônia e da Senadora Fátima Cleide, que busca sua reeleição.  A lógica é simples: quem volta em Dilma, vota em Fátima e Valverde. Porto Velho, hoje administrada pelo prefeito Roberto Sobrinho, do PT vive hoje uma verdadeira revolução em urbanidade, trabalho e  conquistas sociais, que pode ser estendida pelo Estado inteiro, com o apoio dos parlamentares petistas. O Estado não pode perder a chance de avançar 40 anos em 4, com a vinda de recursos e parcerias federais.A nível paroquial a soma é mais ou menos esta : quem vota , para o Senado, em Raupp não vota em Cassol. Quem é eleitor de Expedito Jr. não vota em Cassol nem a pau. Os eleitores de Expedito, na prática observada no dia a dia, também estão ao lado de Fátima Cleide.  Os professores , tanto em nível estadual quanto municipal, não devem votar em Cassol, que despreza a educação e a cultura e foram  massacrados por uma política salarial e de perseguição nas escolas sem precedentes. Para ele, a educação parece não ter valor, afinal o mesmo apregoa aos ventos dos quatro cantos de Rondônia que ficou rico sem precisar de educação. Ao contrário de Fátima, presidente eleita por unanimidade da Comissão de Educação, Cultura e Esporte (CE) do Senado Federal, demonstrando o pleno conhecimento do setor e o total prestígio dos seus colegas senadores.

O peso nesta eleição dos gays e  simpatizantes deverá ser decisivo.  O eleitorado homossexual está todo ao lado de Fátima, uma árdua defensora dos direitos humanos. Nestes segmentos, o homofóbico Cassol não deverá ter nenhum voto. Por tabela, o Cahola também não.

Valverde, que reuniu os produtores culturais de Rondônia esta semana para mostrar seu plano de governo no setor, é um defensor da cultura e do patrimônio histórico material e imaterial.  E não é de agora, que é candidato ao governo do Estado. Em todas as suas ações ele tem o carinho com a gente daqui. Valverde disse que vai criar o IEPHA/RO, Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Rondônia e estabelecer um fundo cultural para as atividades teatrais, audiovisuais, artes plásticas e literárias. Valverde  esteve no Real Forte Príncipe da Beira, acompanhando o início dos estudos para a revitalização do monumento, mesmo com o sol queimand0 e os piuns quase engolindo os técnicos.  Valverde também deve se beneficiar dos esqueletos no armário dos adversários. Afinal, por trás de Cahola está Cassol, e ficaria tudo como dantes na terra de abrantes. Expedito Jr. vem sendo cozido em forno brando no STF e, mesmo que vencesse,  correria  o risco de não sentar na cadeira. Dilma, Fátima e Valverde  farão Rondônia ter o avanço que merece.  Caso contrário, poderemos nos lembrar desta eleição de 2010 como aquela que elegeu um político que virou  chacota nacional no Senado.

6 Comentários

Arquivado em Divagações

Enquanto isto, no Amapá…

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Tacacá, de segunda a sexta

Das 17:00 às 21:00 , de segunda a sexta, na Av. Farqhuar 3214 (esquina com rua Pe. Pasquale) , próximo à CONAB o tacacá que deu certo, do gaúcho com a cearense. Agora também com churrasquinho, salgados e refrigerantes.  Pode também pedir para entrega pelos fones 9213 1385 e 8433 9501. Mas, báh, tchê ! Capaz !

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Enquanto isto, em Jacy-Paraná…

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Reflexão não muito profunda, sobre sites vagabundos de fo-focas

” Matéria jornalística vagabunda é que nem adesivo : não promove, não gruda e ainda emporcalha o veículo.”

Comentário do Jornalista Nelson Townes :

Caro Beto,
Quando alguma desinformação ou canalhice é publicada por qualquer meio de comunicação não diga que é matéria jornalística. A matéria jornalista tem que ser o mais fiel possívell aos fatos e, OBRIGATORIAMENTE E PARA TODO O SEMPRE ouvir os dois lados, ou deixar claro que não o fez, e interpretar (que é diferente de comentar) o fato. Se um ente público está intervindo num bem público a pergunta óbvia é por que? O foco principal da notícia é o motivo da intervenção. A partir daí o jornalista tem o restante para oferecer ao seu público a informação honesta e manter a relação de boa fé que qualquer mídia deve ter com todos. Principalmente com o leitor ou espectador. Se não for assim, NÃO É MATÉRIA JORNALÍSTICA. Portanto, caríssimo Beto, não existem matérias jornalistas vagabundas. Existem vagabundos que se intitulam jornalistas e até conseguem diplomas, graduação acadêmica e registro como profissionais de imprensa para o mercado de trabalho. Mas, efetivamente, não são jornalistas, repito. Deveriam ser defenestrados, expurgados da categoria, ter o diploma, os títulos acadêmicos, o registro no Ministério do Trabalho, tudo cancelado. E expostos à execração pública como os vagabundos, picaretas, desonestos que enganam a opinião pública fraudando o bem mais precioso que desde os nossos mais remotos ancestrais temos para lutar pela sobrevivência de nossa espécie em nosso planeta: A INFORMAÇÃO. O fato é que conheço a imprensa de Rondônia há anos e nunca a vi em tão má fase. Se a Internet é um oceano, o que temos em Rondônia é um mar poluído por esgoto. Felizmente, há exceções que navegam em aguas limpas.

Diante deste comentário, deste Jornalista com J maiúsculo e vergonha na cara, devemos mudar nossa reflexão para :

“Site de fo-foca vagabundo é que nem adesivo de terceira : não promove, não gruda e ainda emporcalha o veículo e a sociedade decente à sua volta.”

1 comentário

Arquivado em Divagações

III Janela Internacional de Cinema do Recife

www.janeladecinema.com.br

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Túnel do Tempo

Foto de Dana Merril, provavelmente tirada de cima das torres do telégrafo wireless Marconi, que ficavam nas imediações do Mirante II

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Coisas do parlamento europeu

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

E o tal caminhão-báu levado prá Bolívia?

Queimou mesmo ? Nem uma fotinho da fumaça, nada ? Alguém viu pegando fogo ? Quem ? O que tinha dentro do caminhão  ? O seguro pagou ? Quando queima ( se queimou ) não sobra nem a carcaça ? Jornalismo estranho, muito estranho… a Bolívia é ali, a Antártida é logo ali.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 12 – Os Desbravadores

Vitor Ugo, autor de “Os Desbravadores”, fez estudos superiores em São Paulo, Rio de Janeiro e no exterior. Em seus mais de 40 anos de vivência em Rondônia, ocupou a cátedra do magistério de nível médio e superior. Foi o primeiro Secretário de Estado de Rondônia para a Cultura, Esporte e Turismo – SECET, além de ter criado a Rádio Caiari, implantado o automatismo telefônico em Porto Velho, onde, nos anos 60, também colocou a primeira imagem televisionada.  Com a autoridade de profundo conhecedor da região e dos homens que habitam a Rondônia de Roquette Pinto, lhe foi possível acompanhar passo a passo o progresso que a envolve, com seus complexos problemas, a partir da eclosão migratória aos problemas ecológicos, ambientais e do índio., todos vistos sobretudo sob o aspecto social.

Tive o privilégio de conhecer e trabalhar com o prof. Vitor Ugo e com o Prof. Isaías dos Santos, implantando o CEPAV – Centro de Produções Audiovisuais Pe. Landell de Moura, embrião da TVE – Madeira Mamoré, canal 2, emissora educativa filiada ao SINRED ( Sistema Nacional de Rádio e TV Educativas). A TVE, canal 2 chegou a ter um telejornal diário de 30 minutos de duração e funcionava embaixo das arquibancadas do Estádio Aluisio Ferreira. A sua antena superturnstyle, ainda está em cima da caixa dágua da Caerd ao lado do hotel Aquarius, como testemunha deste tempo. E tínhamos retransmissores em Ji-Paraná e Vilhena. Tudo sucateado em nome da politicagem rasteira e inócua. Quanto recuo, quantas trevas este Estado ainda precisa clarear . Poderíamos ter uma TV Educativa forte hoje…não temos nem uma fraquinha, nem um alto-falante de poste educativo, nada ! E dê-lhe feira agropecuária.

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Bad Trip

Por Valéria del Cueto

Juro que daria tudo para não estar escrevendo este relato. São 18 horas em Cuiabá, 19 no Rio de Janeiro. Se o céu da minha trip fosse de brigadeiro estaria a 3 horas da Casa da Gávea, onde o curta metragem História Sem Fim do Rio Paraguai será exibido e comemorado o aniversário da Denise del Cueto, mulher do del pai.

Qual o que, meu sofrer  começou no balcão da cia. aérea, onde fui informada que o vôo que embarcaria havia sido cancelado. Isso mesmo.

Oh, meu santo protetor dos passageiros enganados, vilipendiados e traídos, onde estavas quando o senhor Jean gerente da enrolação e da quebra de contrato me dava a opção de embarcar num vôo de outra companhia , uma hora e meia depois, com destino a Guarulhos e, depois de um pit stop de mais de 2 horas, seguir num vôo para Teresina, com uma escala redentora no Galeão? Talvez muito ocupado, com justíssima razão, com as cinzas do vulcão europeu que ora provoca um efeito dominó na malha viária do velho continente e adjacências.

Enfim, estávamos, eu e mais outros tantos otários, com um bilhete que nos prometia desembarcar às 22 horas e 27 minutos no aeroporto Santos Dumont, na entrada da baía de Guanabara, sendo remanejados  para um vôo de uma companhia amiga, com destino a Ilha do Governador. A chegada esta(va) prevista para a  00 horas e 40 minutos. Começava a bad trip me impede de chegar ao Santos Dumont e  ainda por cima desembarca o pacote há dezenas de quilômetros do destino desejado.

Havia outra opção? Sim,  perder o filme e o feriado aguardando a voada do dia seguinte.

Avisar os otários do desastre, anunciado pelo menos uma hora antes, de acordo com a atendente, e o dobro do tempo, segundo o gerente Jean, não pareceu uma ideia plausível para o último, que arregalou os olhinhos e tascou a pérola:
– Não temos tempo para isso. Disse-o,  como quem declara que o problema não é dele mas, sim, dos trouxas que com um simples aviso poderiam reorganizar suas vidas, procurar outras opções ou, simplesmente, mandar-los catar coquinhos.

Fiquei pasma quando descobri que éramos apenas 15 vítimas, destinadas a trocar, entre outras coisas, o conforto alimentar da companhia que escolhemos pelas 8 minguadas bolachinhas que nos couberam no ágape da substituta. Isso sem falar na diferença básica da dimensão das poltronas.

A novela estava apenas começando. O capítulo seguinte  reservava outra surpresa. Não é que o vôo até Belo Horizonte, com escala em Goiânia existia? Atrasado, mas aguardado pelo restante dos passageiros.

Bom, fúria é pouco. Ampliada pelo fato de que cada “mala viajen” com sua solução capenga serve para considerar cumprido o contrato firmado no bilhete. Que serviço porco, quanto descaso com os bobalhões que escolheram voar pela dita companhia…

Tempo, tempo, tenho tempo. Horas no confortabilíssimo aeroporto internacional Marechal Rondon. O suficiente para procurar os meus direitos. Não, não é piada!

Piada foi chegar no balcão da empresa e pedir para usar o telefone para fazer a reclamação via 0800.
– A senhora quer o que? Pergunta a gentil, porém intrigada atendente.
– Usar o telefone, expliquei, para fazer uma reclamação.
– Pelo nosso telefone? Não entendi…
Relatei a situação e pulei para a próxima mocinha, esta, do lado de lá da linha.
– Trip reservas, boa tarde.
– Boa tarde para você também, quero registrar uma reclamação.

E começou a lenha. Pois, na concepção da moça Renata, eu não tinha motivos para isso. Arranquei a ferro e fórceps o número do protocolo e resolvi ampliar a área de protesto, procurando a ANAC. Ela sim, a que fica no desembarque, no barraco decadente ao lado.

Chegando lá, outra surpresa. Foram-se os tempos em que um gentil funcionário descia com a gente e ia na companhia averiguar o problema e tomar uma providência imediata. O funcionário em questão, muito gentil, por sinal, ainda está lá, há 26 anos, diga-se de passagem. Mas reclamações, só pelo site.

Quanto a soluções para os problemas dos passageiros, bem, é mais ou menos como reclamar com o bispo. Por essas e outras é que as bad trips pululam impunemente por mais de 70 destinos, anuncia o banner, diante do balcão às moscas, para onde retornei desolada.

Bom, conseguimos, finalmente, decolar com mais outros 20 minutos de atraso. E daí? A espera em Guarulhos se arrastou por mais de duas horas. Falo só para constar, por que isso não faz diferença mesmo, né? Estamos no trecho.
Só espero que o tal santo protetor dos passageiros enganados, vilipendiados e traídos esteja mais liberado (o que é claro, não aconteceu). Achava, e com razão, que precisaria – e muito – da ajuda dele quando, depois da meia noite, virasse abóbora e tivesse que ser repatriada para o Leme, da Ilha do Governador, via Linha Vermelha.

Quanto a meu compromisso, sorry espectadores, perdoe-me aniversariante, mas, além de bad, o trem da trip não conseguiu sair da estação da incompetência e, graças ao desempenho exemplar da parceira aérea, acabei desembarcando em solo carioca mais ou menos a 1 e 40 da madruga. Falhei, sim, mas com um serviço desses, quem pode me culpar?

* Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Este artigo faz parte da série Parador Cuyabano, do SEM FIM           http://delcueto.multiply.com

Deixe um comentário

Arquivado em Divagações

Maria Louca , Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Por JLGalvão Jr


Retornam as águas puras estiadas em grande purgatório

Livram pecados de almas cristais eternos

Degelos nascem fios altiplanos

Batismam crédulos, tementes, grandes caudais

Beni benedictus

Mater Madre de Dios

Guá Guaporé guamar

Mamoré

Exclamam in nomine sanctus

Pará guassús

que nomes intimam as águas grandes?

Curumim lhe basta igarapé

Taihantessú pequizal nascente pareci

Parecida semente se queda

Sol nascente já é íntimo de águas

Reproduz nelas

Seduz belas

Mães de botos

Enfilham fugaces facies

Eternas flores régias

Deleitam

Deitam

Maria louca em grande eito

Negros homens barbados sujeitam

Alvos homens enredam sem filhos

Gês em revolta em volta picam

Batismam falsos rebentos de santos

Deitam

Maria louca em longo feito

Res incógnita sem dolo

Inconsútil túnica verde mata

Visgos ancestrais enleiam

Timbós unem céu e solo

Deitam

Maria louca em férreo leito

Não há vau, não há vão, apenas

Observam atônitos movimentos tectônicos

Quebram o madeiro céleres cadenas

Teotônio barra indômitos

Deitam

Maria louca em íntimo peito

Silêncio de sons alados ou rastejantes

Infinitos sinos d’agua repicam

Dardos de luz ferem peles viajantes

Impiedosos óleos visgam

Deitam

Maria louca em ígneo pleito

Deitam velhos frutos metálicos

Deitam odes e versos torpes

Deitam barro sobre girândolas

Deitam losas sobre madeira

Super flumine materiorum

Ouço rumores da história

Vejo estranhas seges naufragadas

Sinto flores estioladas

Tombam

Maria louca em gesto nobre

1 comentário

Arquivado em Divagações

Rondônia “unido” contra a dengue

Neste out-door, alguma coisa irritou os mosquitos da dengue. Acho que foi a concordância...

Neste out-door,  para não irritar ainda mais os carapanãs transmissores da dengue que são sensíveis e  andam bravíssimos picando todo mundo por qualquer coisa, acharia mais coerente que colocassem ou “Estado de Rondônia unido contra a dengue” ou “Rondônia unida contra a dengue”.

O que vocês acham ? … Sai prá lá, carapanã da muléstia….

2 Comentários

Arquivado em Divagações

Rondônia "unido" contra a dengue

Neste out-door, alguma coisa irritou os mosquitos da dengue. Acho que foi a concordância...

Neste out-door,  para não irritar ainda mais os carapanãs transmissores da dengue que são sensíveis e  andam bravíssimos picando todo mundo por qualquer coisa, acharia mais coerente que colocassem ou “Estado de Rondônia unido contra a dengue” ou “Rondônia unida contra a dengue”.

O que vocês acham ? … Sai prá lá, carapanã da muléstia….

2 Comentários

Arquivado em Divagações