Arquivo do dia: 03/01/2013

Quem são e o que fazem os “jornalistas de Cachoeira” (via Carta Maior)

Imprensa e oposição atacam, em uníssono, o parecer do relator da CPMI do Cachoeira que pede o indiciamento de cinco jornalistas e sugere ao Ministério Público Federal que prossiga com as investições sobre outros sete. As alegações centrais são que a medida fere a liberdade de imprensa ou refletem o desejo de vingança do PT com seus algozes no mensalão. Uma leitura do relatório revela uma outra realidade. E uma realidade estarrecedora sobre os meandros da imprensa brasileira. A reportagem é de Najla Passos.

Brasília – Desde que o relator da CPMI do Cachoeira, deputado Odair Costa (PT-MG), confirmou que irá pedir o indiciamento de cinco jornalistas no seu relatório final, imprensa e oposição passaram a atacar a medida, em uníssono, alegando ora afronta à liberdade de expressão, ora o desejo de vingança do PT contra seus algozes no “mensalão”. Uma leitura do relatório revela uma outra realidade. E uma realidade estarrecedora sobre os meandros da imprensa brasileira. Os documentos falam de jornalistas vendendo sua força de trabalho ou o espaço dos veículos em que trabalham para beneficiarem uma reconhecida organização criminosa na prática de crimes. Ou então, associando-se a ela para destruir desafetos comuns dos criminosos e dos seus veículos.

O diretor da sucursal de Veja em Brasília, Policarpo Junior, é a face mais conhecida deste time. Mas o grupo é muito maior. O relatório da CPMI cita nominalmente doze jornalistas que teriam contribuído periodicamente com o esquema criminoso, e acabaram flagrados em atitudes, no mínimo, suspeitas, por meio das quebras de sigilos telefônicos, ficais e bancários dos membros da quadrilha e das empresas, de fachada ou não, que operavam em nome dela. Desses doze, pede o indiciamento de cinco, contra os quais as provas são robustas. Sugere ao Ministério Público Federal (MPF) o prosseguimento das investigações contra os outros sete, com base nos indícios já levantados pela Comissão.

Saiba quem são os jornalistas que, no entendimento da CPMI, devem ser indiciados:

1 – Wagner Relâmpago
Repórter policial do DF Alerta, da TV Brasília/Rede TV, e do programa Na Polícia e nas Ruas – Rádio Clube 105,5 FM – DF . Segundo a CPMI, ele utilizou seu espaço na TV e no rádio para “bater” nos inimigos da quadrilha ou personalidades públicas que atrapalhavam suas atividades criminosas. Em 2011, foram creditados pelo menos três repasses da quadrilha para sua conta pessoal de, aproximadamente, de R$ 300 mil cada. As relações de Relâmpago com Cachoeira foram reveladas por Carta Maior em 30/3, na reportagem Quadrilha de Cachoeira mantinha relações com a mídia. Para a CPMI, Relâmpago incorreu no artigo 288 do Código Penal, o que justifica seu indicamento pelo crime de formação de quadrilha.

2 – Patrícia Moraes
É sócia-administradora e editora de política do jornal Opção, de Goiás. Mantinha interlocução constante com Cachoeira e outros membros da quadrilha. Também recebia pagamentos períodicos do bando, na sua conta pessoal e na do jornal, para “divulgar as matérias de interesse da organização criminosa e fazer oposição e a desconstrução midiática de adversários”, conforme o relatório da CPMI. O documento sugere, inclusive, suspeitas de que o periódico possa pertencer à quadrilha de Cachoeira. Os recursos recebidos pela jornalista somam R$ 155 mil. A CPMI pediu seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

3 – João Unes
Jornalista e advogado, trabalhou em O Estado de S.Paulo, O Popular, TV Anhanguera e TV Record. Segundo a CPMI, foi um dos jornalistas que receberam as mais vultosas quantias da quadrilha. Foi o idealizador e diretor do jornal online A Redação que, segundo a CPMI, foi adquirido posteriormente pela máfia. A soma dos valores transferidos para ele, conforme diálogos interceptados, chega a R$ 1, 85 milhão. Nem todos os valores mencionados nos diálogos foram comprovados na quebra dos sigilos do jornalista e das empresas fantasmas do bando. A CPMI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de dinheiro.

4 – Carlos Antônio Nogueira, o Botina
Segundo o relatório, ele se apresenta como proprietário do jornal O Estado de Goiás, mas na verdade é sócio minoritário de Carlinhos Cachoeira no empreendimento que, conforme diálogos interceptados, também tem ou teve como sócio o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Botina também é proprietário da empresa WCR Comunicação e Produção e do Canal 5. Sob ordens de Cachoeira, utilizava o jornal para criar fatos políticos, fabricar notícias que pudessem prejudicar adversários ou constranger autoridades, enfim, que beneficiem as atividades da organização. Movimentou vultosas quantias. As maiores delas foram por meio da WCR Produção e Comunicação, que recebeu recursos das laranjas de Cachoeira da ordem de R$ 460 mil, R$ 1,42 milhão e R$ 584 mil, entre outros. A CPMI pede seu indiciamento por formação de quadrilha e lavagem de recursos.

5 – Policarpo Junior
É diretor da sucursal da Veja em Brasília. Segundo o relatório da CPMI, colaborou com os interesses da organização criminosa promovendo suas atividades ilícitas, eliminando ou inviabilizando a concorrência e desconstruindo imagens e biografias de adversários comuns da máfia e da publicação. O relacionamento entre Cachoeira e Policarpo começou em 2004. Apesar de atualmente mídia e oposição considerarem um acinte à liberdade de imprensa sua convocação para prestar esclareimentos na CPMI do Cachoeira, ele depôs na CPI dos Bingos, em 2005, para defender o contraventor, como Carta Maior revelou na reportagem Jornalista da Veja favoreceu Cachoeira em depoimento de 2005, em 28/5. Suas relações com Cachoeira foram fartamente documentadas, como mostram, por exemplo, as reportagens Os encontros entre Policarpo, da Veja, e os homens de Cachoeira, de 10/5, e Cachoeira: “O Policarpo, ele confia muito em mim, viu?”, de 15/5. A CPMI pediu seu indiciamento por formação de quadrilha.

Confira também quem são os jornalistas que a CPMI pede que sejam alvos de mais investigações pelo MPF:

1 – Luiz Costa Pinto, o Lulinha
É o proprietário da empresa Ideias, Fatos e Textos (IFT), que prestou serviços para a Câmara durante a gestão de João Paulo Cunha (PT-SP), fato que acabou rendendo à ambos denúncias por crime de peculato no escândalo do “mensalão”. Cunha foi absolvido por este crime na ação penal 470, que tramita no STF. O processo contra Lulinha tramita na justiça comum. Conforme o relatório da CPMI, O jornalista foi contratado pela organização criminosa de Cachoeira para emplacar matérias favoráveis ao grupo nos meios jornalísticos. Entre fevereiro de 2011 e maio de 2012, recebeu o total de R$ 425 mil da Delta, por meio de transferências creditadas na conta da IFT.

2 – Cláudio Humberto
Citado em diversas gravações interceptadas pela Polícia Federal como uma espécie de assessor de comunicação, ele também foi contratado via Delta, a pedido do governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB). Entre 2011 e 2012, recebeu R$ 187,7 mil, depositados pela Delta na conta da CT Pontocom Ltda, empresa na qual é sócio-administrador desde maior de 2001.

3 – Jorge Kajuru
É apresentador da TV Esporte Interativo. Também recebeu recursos da organização de Cachoeira que, segundo ele, se referiam à patrocínio feito pela Vitapan, empresa farmacêutica ligada ao esquema criminoso. Ele teria recebido do grupo R$ 20 mil, entre 2011 e 2012, em contas das suas empresas e na sua conta pessoal. A CPMI, porém, o isenta de responsabilidades por conduta criminosa.

4 – Magno José, o Maguinho
De acordo com a CPMI, o blogueiro Magno José, o Maguinho, também recebeu recursos da organização criminosa para prestar serviços à quadrilha. Ele é editor do blog Boletim de Novidades Lotéricas, que prega a legalização dos jogos no país. Entretanto, os repasses dos recursos ao jornalista não foram comprovados. Os indícios decorrem do material publicado pelo blog e das conversas dos membros da quadrilha interceptadas pela PF. Portanto, a CPMI optou por não propor seu indicamento.

5 – Mino Pedrosa
Já trabalhou no Jornal de Brasília, em O Estado de S.Paulo, em O Globo, na revista IstoÉ e hoje é editor-chefe do blog QuidNovi. É apontado como o responsável pela deflagração do Caso Loterj, que resultou na queda do assessor da Casa Civil do governo Lula, Waldomiro Diniz. De acordo com conversas interceptadas pela Polícia Federal (PF) entre membros da quadrilha de Cachoeira, ele teria recebido um apartamento e um carro para depôr em favor do contraventor, envolvido no esquema. É responsabilizado também como o autor de denúncias sobre o governo do Distrito Federal, com base em grampos ilegais feitos por Idalberto Matias, o Dadá, membro da quadrilha. E, também, como a pessoa que “vazou” para Cachoeira que a PF preparava a Operação Monte Carlo. A CPMI reconhece, porém, que não obteve provas suficientes para pedir o indiciamento do jornalista.

6 – Renato Alves
É jornalista do Correio Braziliense e editor do blog Última Parada. Segundo o relatório, as interceptações telefônicas revelaram que ele também mantinha interlocução frequente com a organização criminosa. Foi, inclusive, o autor de uma das matérias mais comemoradas pelos integrantes da quadrilha em 2011, que promovia os jogos eletrônicos do grupo pela internet no exterior. Em troca dos serviçcos prestados, Alves recebia presentes e vantagens, como ele mesmo atesta em ligação itnerceptada pela PF. Mas a CPMI afirma que não conseguiu colher provas suficientes de que ele tenha contribuído para a prática de crimes e pede novas investigações.

7 – Eumano Silva, o Doni
É ex-Diretor da Revista Época em Brasília. Também teria prestado importantes serviços à quadrilha de Cachoeira, por meio de reportagens que a beneficiava. A CPMI, porém não encontrou provas conclusivas sobre sua participação no crime e, por isso, sugeriu ao MPF mais investigações.

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MDS prorroga até segunda-feira (7) pagamento de inscrições para as 120 vagas de concurso público

O Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome (MDS) prorrogou até segunda-feira (7) o pagamento das inscrições para concurso público que preencherá 120 vagas temporárias. A prorrogação foi publicada no Diário Oficial da União no dia 18 de dezembro.
O concurso oferece 55 vagas para atividades de suporte, com salário de R$ 3,8 mil; 32 vagas para atividade técnica especializada, com remuneração de R$ 6,1 mil; e 33 vagas para atividade de complexidade gerencial, com salário de R$ 8,3 mil.
A jornada de trabalho é de 40 horas semanais. Os interessados não podem ser servidores da administração direta ou indireta da União, estados, Distrito Federal ou municípios, nem empregado ou servidor de suas subsidiárias e controladas.
A taxa de inscrição varia de R$ 45 a R$ 65. As provas objetivas serão aplicadas no dia 3 de fevereiro deste ano, em Brasília. Já os títulos devem ser entregues nos dias 18 e 19 de março.
O processo seletivo tem validade de dois anos e pode ser prorrogado por igual período. Os contratos de trabalho dos aprovados terão validade de um ano, com possibilidade de ser estendido por cinco anos, dependendo da necessidade do órgão.

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Mulher Alface contra os carnívoros (via Epimenta)

Sexy?

A organização People for the Ethical Treatment of Animals (PETA) já fez um vídeo com mulheres sensualizando com pedaços de brócolis e aspargos.

Já fez campanha contra o circo, contra o uso de pele animal e a favor das cobaias de laboratório. Hoje tem um strip tease quiz na internet e intensificou as apostas na força da Mulher Alface.

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Bem vindo , 2013 !

Por Célio Pezza

O ano de 2012 chegou ao fim. A data fatídica para o final do mundo já passou, o mundo não acabou e agora vamos nos preparar para 2013. O que teve de bom em todas as profecias sobre o final do mundo foi que muita gente passou a se interessar por assuntos que normalmente passariam despercebidos, não fosse todo o agito em torno do tema.

Muitos se informaram sobre o aquecimento global, explosões solares, desequilíbrio do clima e chegaram à conclusão de que não temos como controlar os grandes fenômenos da Natureza e nem como nos defender deles, portanto, a única saída é evitar ao máximo certas atitudes que possam provocar desequilíbrios no planeta. Outro grande avanço foi que a 5ª Dimensão passou a ser mencionada e discutida por uma infinidade de pessoas.

Essa teoria é defendida por cientistas de renome e não por fanáticos religiosos, e devido à eminente destruição do nosso mundo, começou a ser mais divulgada. De uma forma simples, essa 5ª Dimensão trata das frequências e diz basicamente que existe um mundo não percebido ao nosso lado, onde os nossos atos e pensamentos geram uma frequência que encontra sua sintonia e volta multiplicada.

Atitudes positivas geram acontecimentos positivos e atitudes negativas geram acontecimentos negativos. Em termos de frequência e energia, amor gera amor e ódio gera ódio. A proximidade do final dos tempos contribuiu em muito, pois foi a partir daí que mais e mais seres humanos se questionaram sobre o que está errado no mundo e começaram a procurar. Nessa busca, o Homem está encontrando conhecimento e descobrindo que o maior perigo de extinção vem do próprio Homem, pela falta de respeito e de amor. Essa atitude leva ao desequilíbrio do planeta e o fim da humanidade, se vier, virá pelo próprio Homem. Depende de suas atitudes. Tudo está ligado: mudanças de atitudes, conhecimento sobre as frequências e suas influências na nossa vida.

A grande verdade é que algo aconteceu em 2012, pois o Homem está acordando. A partir deste conhecimento disseminado e a queda de um sem número de tabus e conceitos errados, o Homem poderá aprender a viver com respeito e amor. Esta atitude trará o equilíbrio de volta ao planeta e nós sentiremos esta mudança. Só um cego não vê que o mundo está desequilibrado e que se continuar neste caminho, o resultado será realmente catastrófico.

Por outro lado, o conhecimento dessas leis simples pode significar a mudança na direção do equilíbrio. Quem sabe estamos assistindo ao parto de um novo Homem, onde finalmente teremos a inteligência aplicada ao bem viver. Tenho a impressão de que em 2012 foi retirado o cadeado de um baú esquecido pela humanidade e repleto de conhecimentos que podem fazer toda a diferença. Agora só nos falta abrir a tampa e absorver todos os ensinamentos existentes. Como disse o grande romancista e filósofo alemão Goethe, em 1832, no momento de sua morte: “Deixem entrar a luz!”

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