Arquivo do dia: 16/12/2012

Livros imprescindíveis para entender Rondônia – Nas Selvas Amazônicas

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“ Nas Selvas Amazônicas” é o relato vivo e colorido de uma viagem que Manoel Rodrigues Ferreira realizou ao Território de Rondônia (ex-Guaporé). Percorrendo os Rios Madeira, Mamoré e Guaporé, a Estrada de Ferro Madeira-Mamoré e os seringais da floresta amazônica, o autor descreve a natureza e o homem que nela vive. É também a história fascinante da conquista, povoamento e civilização daquela distante região do Centro-Oeste do Brasil. Este livro é, pois, a impressionante narrativa de uma viagem e é também Geografia física, humana, econômica e História. Na parte final o autor dedica um capítulo especial aos trabalhos da Comissão Rondon e á BR-29, Rodovia Brasília-Rondônia-Acre, que acabava de ser inaugurada. Pela primeira vez é descrita amplamente uma região amazônica que ao ser ligada diretamente a São Paulo pela moderna rodovia BR-29, oferece imensas possibilidades de desenvolvimento econômico e progresso social.”

NR : Mais um livro fantástico do saudoso e querido amigo MRF.

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Prevenção e tratamento da dependência química

Claudio_Paris_artigoPor Claudio Paris

Quais razões levam um jovem a usar drogas? Como ajudá-lo a se livrar delas? O que se entende por drogas e dependência? Essas e outras questões são complexas e demandam uma análise um pouco mais aprofundada do fenômeno da drogadição. Maconha, heroína, LSD, cocaína, crack, entre outras, chamadas popularmente de drogas, são substâncias psicoativas (SPAs) que têm convivido de alguma forma com o homem na maioria dos grupos sociais. Algumas têm origem natural, outras são feitas em laboratório, mas todas trazem inúmeras consequências para o sistema nervoso central. Tais efeitos modificam o estado geral da mente e do corpo e a conduta de quem as utiliza. O usuário é chamado de drogadicto, já que este fenômeno é tratado hoje como uma patologia ou doença grave A chamada drogadição é algo antigo, amplamente relatado na literatura médica, que se tornou um problema de saúde pública em meados da segunda metade do século 20, em especial nos centros urbanos. A percepção generalizada atual é de que tem crescido significativamente o consumo de substâncias psicoativas, sendo usadas por faixas etárias cada vez mais jovens. Uma pesquisa da Organização Mundial de Saúde (OMS) revelou que os principais motivos para alguém experimentar essas substâncias psicoativas são: satisfazer a curiosidade a respeito dos efeitos das drogas, sentir necessidade de participar de um grupo social, ter vontade de expressar sua independência, buscar experiências agradáveis, novas e emocionantes, melhorar a “criatividade”, favorecer uma sensação de relaxamento e fugir de sensações e/ou vivências desagradáveis. No mesmo estudo, a OMS elencou os cinco principais fatores de risco para o consumo de SPAs: não ter informações adequadas sobre os efeitos das drogas, ter saúde deficiente, estar insatisfeito com a qualidade de vida, ter personalidade deficientemente integrada e encontrar facilidade de acesso às drogas. As drogas podem provocar um fascínio e atração, apoiadas no contexto social e cultural contemporâneo, que incorpora elementos da chamada pós-modernidade. De acordo com o sociólogo contemporâneo Zygmunt Bauman, diferentemente da sociedade moderna anterior, que ele chama de “modernidade sólida”, tudo agora está sendo permanentemente desmontado, sem perspectiva de permanência, no chamado “mundo líquido”. Tudo acaba sendo temporário, o que explica a metáfora da “liquidez” para caracterizar o estado da sociedade moderna. Como os líquidos, essa sociedade é incapaz de manter a forma, o que pode ser traduzido por suas instituições, quadros de referência, estilos de vida, crenças e convicções, modificando tudo antes que se tenha tempo de solidificar costumes, hábitos e verdades “autoevidentes”. Dessa forma, Bauman aponta que os jovens da atual geração, em especial, não podem mais contar com a natureza permanente do mundo lá fora nem com a durabilidade das instituições, que tinham antes toda a probabilidade de sobreviver aos indivíduos. Contidos nessa “liquidez”, o fenômeno da drogadição e a disseminação do consumo de substâncias psicoativas espelham o modo como muitos jovens se relacionam hoje. Ele reforça valores baseados em consumismo e busca do prazer imediatista, associados à pauperização de importante parcela da população mundial. Quando alguém se torna dependente, a “liquidez” de seu mundo é ainda mais aguda. A dependência pode ser entendida como o impulso que a impele a usar uma droga a fim de saciar seu desejo e lhe conferir prazer. O chamado drogadicto – ou dependente – caracteriza-se por ser incapaz de controlar seu desejo de consumir drogas, tendo um comportamento impulsivo e repetitivo, muito alterado em relação ao seu padrão habitual. A dependência também é marcada pela síndrome de abstinência, cujos sintomas estão associados à ansiedade, mal-estar e desconforto incontrolável, além de tremor nas mãos, náuseas, vômitos e até um quadro de abstinência agudo denominado delirium tremens, com risco de morte, em alguns casos. Já há inúmeros medicamentos que podem minimizar tais efeitos. Porém, a cura para a drogadição é extremamente difícil, o tratamento é demorado e muito custoso emocionalmente para o dependente, sua família e círculo social. O tratamento da dependência não pode estar restrito às medicações. Há nesse aspecto uma observação, muito disseminada, sobre o êxito na recuperação estar ligado a uma reorganização psicossocial do indivíduo. Psicólogos e terapeutas apresentam um grande arsenal de estratégias que colaboram nesse processo, deixando claro que um problema de tal complexidade exige uma abordagem terapêutica aliada a iniciativas que afastem o dependente das drogas. A arte, a prática esportiva e outras atividades prazerosas são capazes de ocupar o tempo utilizado anteriormente com as drogas, dentro de um contexto saudável, construtivo e estimulante. Para isso, é fundamental o papel do tripé escola, comunidade e família, atuando conjuntamente, em harmonia. Isso favorece o processo de recuperação das vítimas da dependência. O desafio dos pais e educadores é promover um amálgama de saberes tradicionais (“legado”) com novos saberes (“futuro”) por meio de práticas que atinjam os jovens nos sentidos, levando-os a desenvolver uma percepção de que há vida, alegria e saúde longe das drogas. Incorporando o pensamento do sociólogo Bauman, deve-se criar uma nova matriz “líquida”, capaz de promover uma cultura de tolerância, solidariedade, respeito mútuo, cidadania, autonomia e protagonismo social. Vivemos na fluidez, em períodos desafiadores, tempo de incertezas e novos desafios, mas fortalecidos pela certeza de que a luta contra as drogas é dever de cada um de nós.

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El Cid, a flecha e o alvo Sebastião

Moc Bar 121213 0111 João tela 01Texto e foto de Valéria del Cueto

Pra variar, engatei a quinta procurando. Só que tem hora em que são eles, os assuntos, por assim dizer, que te atropelam. É isso mesmo. O assunto firmou quando ouvi o antigo hino de São Benedito, aquele, em horário quase nobre na TV. Arrepiei. A seta mirou o alvo e acertou meu coração guerreiro um pouco santo. Sebastião. No Rio, Oxossi, o caçador que me protege e cuida da mata.
A bandinha tocando e eu comemorando. Feliz pela notícia de que o olhar e a sensibilidade de Cid Carvalho alcançaram João Sebastião. Se já estava interessante, agora ficou bom demais! Cuiabá vai chegar como e com quem deve na Sapucaí. Por que anjos e santos se juntaram aos cajus e as onças. E João, aquele que ferveu e agitou nos calientes carnavais de Cuiabá, vai estar ali. Apresentado e representado de alguma forma no cortejo do desfile principal.
Conheci João logo que cheguei em Cuiabá e fui seduzida pela explosão das artes plásticas que refletiam em suas cores o calor da terra. Sempre presto atenção e (re)conheço um lugar por aspectos que me atraem de sua cultura. Me orgulho de jogar nas 11: vou de literatura e poesia à música. Traço escultura, pintura; sou fissurada por grafite, fotografia, audiovisual…, tudo sem titubear. Foi assim com a Califórnia da Canção, de Uruguaiana, a polca e o artesanato paraguaio, é igual com a carioquice (minha cultura) em geral. Ouvi, vi, estudei e ainda pesquiso. De vez em quando, tento e faço.
Volto à Cuiabá e ao João. De quem tenho algumas obras. A menor, uma joaninha vermelha feita de pet que enfeitava minha instalação de natal (chamar aquela galharada de árvore é uma ofensa à natureza). Também tenho uma onça marota olhando à lua, com ar de “te pego”. Mas meu objeto preferido é um pano que deveria ser canga. Porém que, diante da importância da obra, foi ensanduichado e enquadrado. É a síntese de uma linda história. Mostra uma onça inteirinha, sedutora e esbelta, te olhando fixamente. Ela usa um colar com cajus vermelhos ornados com suas folhas verdes. Sob uma das patas dianteiras há uma folha presa, do enorme caju lilás que a olha em primeiro plano já no “laço” para ser juntado aos outros, no colar.
É uma obra original. Primeira e única. No desenho, os traços feitos pelo João, são facilmente reconhecidos. O olhar e as proporções do felino, sua posição. Mas a pintura não é a dele. Nela, há um trabalho primoroso de pontilhismo em parte da tela. Quem pintou minha onça quase canga foi Chico Amorim. Amigo de vida, teatrólogo famoso e meu orientador no doutorado de cidadã cuiabana. São dele pérolas como o dito: “Tudo evolui no mundo, menos a baixaria”; o excitante desafio de “ficar sem fazer nada”; as fugas loucas para as águas límpidas, deliciosamente refrescantes dos rios que cortam a estrada da Chapada durante a semana e outras cositas mais.
Pois a obra ficou tão especial que João fez questão de assinar a tela. É única e tem uma linda história que inclui o autor da surpresa espetacular. É, por que é claro que babei com o presente!
Pois é esse João, o Sebastião, que – soube hoje – vai se juntar a grande festa verde e rosa na avenida. Que me perdoem seus promotores do centro oeste, agora sim, temos um “muxirum” cuiabaníssimo com a cara do que mais amo nessa terra: o povo CUIABANO! Do qual João é síntese e expressão, por meio de suas maravilhosas e originais criações.
Trazidos pelo trem conduzido por Jamelão e coloridos, também, pelo que há de mais autêntico e representativo nas artes plásticas de Cuiabá, os frutos dessa mangueira estarão perpitolas de cuiabanidade!
*Valéria del Cueto é jornalista, fotógrafa e gestora de carnaval. Essa crônica faz parte das séries “é Carnaval” e “Parador Cuyabano”, do SEM FIM… delcueto.cia@gmail.com

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