Arquivo do dia: 04/11/2012

Incendiando meu casamento (via casa da sogra – causos e desabafos de um povo sofredor)

Oi pessoal, achei este blog hoje quando procurava historias de sogras e noras, queria ver se alguém já tinha passado por uma situação como a minha.  Pensei mil vezes antes de escrever com medo de me expor, mas cheguei no limite e preciso de ajuda antes que meu casamento acabe.

De forma resumida,  sempre me dei muito bem como a sogra…..em um certo período do meu casamento, começamos a nos aproximar mais ela começou a compartilhar segredos do meu marido comigo, assuntos sobre sua ex….como por exemplo, que ele da diinheiro a ela sem eu saber, que ele paga mil coisas para ela ate hoje ( coisas pessoais dela, nao me refiro a ajudar os filhos que tiveram ) entre outras coisas escabrosas que nem vou comentar.  Pensem em coisas que poderiam acabar com o casamento e eu to tendo que conviver de sangue frio com tudo isso há mais de um ano.  Cada hora e uma novidade!

Acontece que ela sempre me confidencia estes casos e pede para eu nunca falar com ele, pois ele jamais a perdoaria por ter me contado,  ela diz que me conta para eu deixar se ser boba em ajuda-ló em tudo em casa enquanto ele abastece  a outra. Acontece que como todas estas historias, eu acabei mudando com meu marido, perdi a confiança nele e já pensei ate em me separar.  Temos um filho pequeno e detalhe – a sogra e amiga da ex mulher dele e nao sei ate que ponto, ela nao faz um leva e traz da minha vida com a outra.

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Vem quente que eu estou fervendo

Por Marli Gonçalves

Quanto mais quente, melhor? Nem sempre. Alguma coisa parece estar fora da ordem e o calor não é mais aquele, só gostoso, de vontade de pegar uma praia, tomar cerveja, se lambuzar de sorvete. É estafante, diminui qualquer vontade e arrasa qualquer lógica; faz acreditar e delirar até que só a gente está tendo aquela sensação horrorosa, certa paranóia. E os acontecimentos não param de chegar: más notícias mundiais, medos e ameaças, previsões catastróficas e a maldita realidade esquentando nossas orelhas, até com caçadas humanas
Parece que estamos derretendo e o verão ainda nem chegou. O ar rarefeito e seco embota os pensamentos, e é muito difícil trabalhar pensando, com alguma atividade intelectual, necessitando de ideias e criatividade nesses dias em que a coisa pega pesado, que o tempo esquenta tanto que a gente acha que vai fritar que nem bolinho. E se nem pensar dá, imagine quem tem de fazer esforços físicos, braçais. Nesse tempo quente, tudo esquenta, a cabeça esquenta, e certamente sobe o índice de agressões e desentendimentos e desinteligências que ocorrem por aí porque ficamos muito mais irritados quando as roupas grudam no corpo e você sua, pinga, e ainda vem alguém lhe pagar um sapo, ou tentando lhe dar uma volta.
O calor que faz é quase selvagem. Não é civilizado, diz um amigo.
Penso imediatamente – no caso, pela nudez permitida – nos índios que, inclusive, também estão na ordem do dia, principalmente uma tribo guarani-caiowaa que conseguiu passar uma angústia enorme para a elite brasileira ao prometer lutar até o fim pela permanência em terras onde chegaram e se instalaram, vizinhos de uma usina que não faz qualquer questão desses vizinhos. Logo, pela internet, lutar até o fim acabou virando rapidamente ameaça de suicídio coletivo e aí foi o Deus-dará.
Do dia quente para a noite quente também, muita gente virou índio, trocou de nome na internet; os índios viraram a bola da vez de um certo delírio social e solidário coletivo, comoção nacional, razão pelo que se condoer, junto com furacões e super tempestades para assistir na tevê, pensando que, puxa, olha só, lá eles também têm desgraças. A água também traz enchentes. Árvores também caem. Mas repara só como muito menos pessoas morrem na desgraça. Porque há previsão, comunicação a tempo, serviços que funcionam, ordens que são cumpridas por todos. Há solidariedade. Um certo governo. Consciência de coletivo.
Depois de refrescar o pensamento com a nudez indígena, penso novamente no calor. E vem à mente os uniformes e fardas que, inclusive, mais do que quentes, tornaram-se roupas muito perigosas ao serem usadas nas ruas de São Paulo e arredores, onde parecem estar virando mira de tiro ao alvo. Todos os dias vários policiais são mortos ou emboscados. No seguinte, o revide, e mais mortes, para o outro lado. Bang-bang mesmo. Boatos e toques de recolher se espalham pela cidade, tornando-a uma verdadeira fogueira. Brasa viva, porque não se sabe para onde ir ou não ir. Zona de guerra urbana.
Só que essa guerra, sabe-se por que, de onde vem, como foi iniciada a sua formação e a organização do comando, ano após ano de negativas de autoridades do que ocorria em suas barbas. E essa organização de três letras que esquenta e sopra as orelhas do Estado e toda sua força policial não é mequetrefe. Rica e bem engendrada, suas raízes devem estar incrustadas crescendo de alguma forma invisível, para surgir quebrando a calçada e derrubando muros, tal como as seringueiras. Invisíveis e podres poderes. Porque o que vemos são apenas os seus soldadinhos bem rasos, esquálidos e bem jovens, sendo carregados mortos em rabecões ou vivos em camburões, onde são jogados invariavelmente com uma camiseta suja, uma bermudinha velha e sandália de dedo. São bucha de canhão, carne de segunda.
Essa coisa é muito maior e mais malévola do que se possa crer. Não é mesmo igual às organizações que nasceram e se criaram no Rio de Janeiro, mas ainda por cima parece evidente que parte dos enxotados de lá vieram para cá e entregaram seus curriculuns criminosos e de comportamento antissocial para serem aceitos e aqui protegidos. Tipo troca de passe.
É um novo cangaço que surge. O calor se espalha. E ainda há bateboca e dizquedizque de política com secretário boca mole, ministro metido, governador insípido e presidente gostando de beija-mão, adulação, para poder fazer cara de brava. Enquanto isso os índices sobem, inclusive os de custo de vida, e os de números de caçadas e mortes estúpidas.
O couro comendo aqui fora. O verão ainda vai chegar. Calor demais. Melhor desamarrar o nó da gravata.

São Paulo, frenesi de sirenes ligadas, 2012
Marli Gonçalves é jornalista – Leque virou acessório indispensável para viver no barril de pólvora com fósforo por perto.

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Diz a lenda – Verdade

Por Beto Ramos

Eu não faço questão de ficar mudo.
Tudo que construí, foi com palavras.
Ficar sem a luz, já não é tão importante.
Aprendi a andar no escuro.
Tenho como companheira das palavras, a Lua.
E a Lua passeia no céu, como pirilampos vistos
de um avião cheio das cores do enredo do amigo que não veio.
Eu faço questão de comer.
A fome é muda.
A fome nos faz falar, gritar dando voos rasante junto ao Sol que queima nossa alma.
Ficar com frio, faz parte da poesia do corpo, que vagueia na loucura de um copo a mais em cima da mesa.
Chorar sozinho é a poesia marginal enquanto não chega o analgésico para dor de cabeça.
Eu não faço questão de viver.
A vida é complicada demais.
Mas, também não faço questão de morrer.
A morte é covarde.
Como a fome, ela pode dilacerar nossas entranhas.
Quando a alma queima, uma dose a mais sempre é bem vinda.
Eu faço questão de ter a fome da verdade.
O sol que queima a alma é alimentado por mentiras.
Andar no escuro é acreditar que a Lua vá iluminar o caminho.
Mas, muitos possuem o medo do escuro.
A verdade é a luz que ilumina o caráter de quem não tem medo de acordar mudo sabendo de tudo.
Estou com muita fome da verdade.
Os pirilampos estão iluminando o caminho.
Eu não faço questão de ficar mudo.
Chegou o analgésico…

Diz a lenda

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Frei Betto: a morte anunciada dos Guarani-Kaiowá(via leonardoBOFF.com)

Frei Betto sempre esteve ao lado dos oprimidos e dos ameaçados de extinção como os indígenas. Aqui apresenta claramente o conflito que envolve os Guarani-Kaiowá, estes ameaçando suicídio coletivo caso suas demandas por terra não forem atendidas. São duas visões de mundo que se confrontam: aquela dos ruralistas que representam a perspectiva da terra como meio de produção numa lógica utilitarista e mercantil; a dos povos originários que veem a terra como prolongamento do corpo, como viva e “mãe do índio” como costumam dizer. Precisamos aprender desses representantes originários como entreter uma relação diferente para com a Terra, entendida como Gaia, Pacha Mama e Grande Mãe que nos dá gratuitamente tudo o que precisamos. Mãe não pode ser comprada, vendida ou tratada de qualquer jeito. Mãe é para ser venerada, respeitada e amada. Assim deve ser com a Magna Mater, a boa e generosa Mãe Terra. LBoff

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