Arquivo do dia: 01/11/2012

Guajará via 4 de Janeiro

Por  José Danilo Rangel

1.

Se depois de um tempo com os sentidos

afastados do que a eles se fez hábito mostrar,

expomos olhos e ouvidos e pele e nariz e boca

aos estímulos que eram os do costume,

não acontece de tudo no entorno,

parecer outro, ou novo, acontece, contudo,

de se constatar, imediatamente,

um tanto de novidade e diferença

recobrindo ou descobrindo

as coisas, as pessoas, os ares…

Um pouco do que a distância efetua na visão

nos faz ver mudança até onde não há,

desconhecer o que é conhecido,

o que não é de todo ruim, ou triste;

é para se pensar… Geralmente,

apenas quando desgrudamos

os olhos da coisa observada

é que podemos reparar na mudança.

Pudéssemos acompanhar

o grande rol de minúsculas transformações

que acabam por tirar a borboleta da lagarta,

como podemos acompanhar

em diversos e incontáveis casos

o cada passo do andar de uma a outra forma,

talvez achássemos que uma era a outra coisa,

percebendo, portanto, nas duas, a mesma coisa,

adivinhando, na borboleta, a lagarta,

e no íntimo da lagarta, a borboleta.

Vendo, contudo, ora a lagarta, ora a borboleta,

é mais fácil considerar que são dois entes,

e se a consideração não desponta,

é mais fácil que se enseje a sensação

da diferença, mas não das sutilezas

amontoando-se entre um e outro,

plim

: isso é aquilo?

Continue Lendo via Revista Expressoes nº 15

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Parei no Tempo ou o Tempo me Parou? (via Um Travesseiro para Dois)

Não sou muito diferente de todas as outras pessoas deste mundo. Vivo a minha rotina, tenho preguiça de acordar cedo, morro de sono depois do almoço, comemoro a chegada da sexta-feira e no domingo eu morro de preguiça até de viver.

Fisicamente também não fico nem acima e nem abaixo, faço parte da média. Não possuo beleza unânime de ganhar olhares pelas ruas – e das vezes que recebo acho que estou com a roupa suja, sei lá, não sei lidar com elogios e/ou flertes – não tenho tanto dinheiro para ir nos lugares mais descolados da cidade, não conheço muito de tecnologia e não vi os filmes mais cult que se tem notícia.

Eu sou normal e o que há de mais especial em mim é quem eu sou. E isso é tudo o que eu posso oferecer. Mas em um mundo normal isso não deveria ser o bastante?

Tem dias que acordo sem vontade de levantar e se fosse pela vontade de continuar na cama eu entenderia, mas é pela preguiça de encarar mais um dia. Tenho preguiça das pessoas, preguiça da mediocridade, do pensamento pequeno, da atitude desleal. Tem dias em que daria tudo pra ficar em casa a ter que encarar gente mal humorada com a vida, que desconta a raiva me esmagando no metrô como um monte de lixo, enquanto estou no melhor refrão nos meus fones.

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O começo do fim dos wireframes (via Arquitetura da Informação)

Eu sei, o título deste post é um pouco polêmico. Mas talvez seja apenas o fim do wireframe como o conhecemos hoje, ou apenas uma mudança na forma de produzi-lo.

O que me motivou a escrever sobre o assunto foi uma mudança na forma de trabalhar nos últimos projetos em que participei – e uma mudança de mentalidade que tenho observado em times de UX com os quais tenho maior contato.

Wireframes são uma ótima ferramenta na hora de demonstrar como uma interface deve funcionar e quais informações estão contidas nela, além de serem muito mais rápidos de serem produzidos (e alterados) do que os layouts em Photoshop.

Até aí, nenhuma novidade.

No entanto, existem outras ferramentas e métodos que conseguem cumprir o mesmo papel em muito menos tempo e com um pensamento mais ágil.

Até alguns anos atrás era muito comum que em um projeto fossem desenvolvidos wireframes, layouts e depois mockups clicáveis de uma determinada interface. Um processo de trabalho em cascata, onde cada entrega é validada com o cliente para que a etapa seguinte se inicie. Essa é uma forma segura de garantir que o visual designer só começará a trabalhar quando o wireframe tiver sido aprovado pelo cliente e pelo restante do time, evitando horas desperdiçadas em refação.

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