Arquivo do mês: setembro 2012

Vamos bater panela ?

Por Marli Goncalves

Contra a mentirada. Contra a imposição de pensamento. Contra usarem religião e botarem Deus em tudo. Contra a corrupção. Contra a violência. Contra a falta de senso. Contra a banalidade, contra a gente não poder comer chocolate todo dia… “Vamobatêlata”!”Vamobatêbumbo!” Contra a censura!

Durante muitos anos e até há bem pouco tempo mantive guardada uma panelinha linda. Ela era daquelas boas, pequenina pero cumpridora, bem antiga, inox sólido, Rochedo, tipo caçarola, e toda amassadinha, de tantas manifestações de que participou, junto de uma amiga colher. Qualquer bronca que aparecia e queríamos protestar, lá ia ela comigo para a janela fazer barulho, durante alguns bons minutos. Funcionava, porque muitas donas de casa participavam, em geral às seis da tarde, e vocês bem sabem que mulher quando entra na brincadeira, aproveita e desconta, fazendo barulho, batendo com força já que não tem um daqueles sacos de treinar luta de boxe…Levanta o braço aí quem lembra disso!

Essa imagem me veio à cabeça esta semana e imediatamente lembrei da minha panelinha e me arrependi duramente de tê-la jogado fora em uma dessas faxinas que a gente tem de fazer de vez em quando, principalmente quando muda e quer carregar tralhas a menos. Acho que pensei que nunca mais iria querer ou precisar usá-la; afinal o país tinha se livrado da ditadura, do Collor (última vez que me lembro de bater panela), do alto custo de vida, de gente dizendo o que podíamos ver ou não. Ledo engano. Esta semana, se eu ainda a tivesse, a teria usado fazendo barulho para alertar a quem pudesse. Ou, se o tal deputado Protógenes Queiróz, do PCdoB, passasse por mim, corria o risco de ele próprio levar uma panelada pra se tocar, por tentar impor a moral de meia tigela dele.
Patrulheiro da moral? Não é que esta pessoa chegou a pedir que o filme Ted, que todo o mundo sabe que é estrelado por um ursinho de pelúcia bem malandrinho, que fuma maconha, gosta de mulher, etc. e tal, fosse proibido, porque o enlatado entalou a mente dele? Tudo porque- desculpem: burro ou sem noção? – levou o filho, o “pequeno Juan”, de 11 anos, para vê-lo? O filme tem classificação correta, de 16 anos.
Protógenes e o pequeno Juan, carregado junto na lama, passaram para a história com seus 15 minutos de chacota como fama. Envergonha ele próprio, o filho, e um pouco mais o partido, PCdoB, que mal ou bem tem um passado de lutas importante a ser citado, e que podia ao menos repreendê-lo, lembrando disso. Até agora, qual o quê!
O assunto é ainda mais sério do que este, do ursinho americano com que o tira deputado implicou. Vira e mexe a censura volta à baila com algum celerado, sozinho ou com uma entidade que nunca ninguém ouviu falar, mas que se arroga a defender “interesses populares”, tentando proibir alguma coisa. A arte e a cultura são sempre os principais alvos, e agora implicaram com meu Monteiro Lobato de novo, por causa de Negrinha, de 1920.
Não ousem tocar nas obras de Lobato nem na de ninguém, nem em parte alguma, incluindo as de gente com as quais eu jamais concordaria. Obra de arte é sagrada, a literatura é sagrada; filmes são sagrados. Toda criação é sagrada, pois. Por uma Primeira Emenda em voga no Brasil de forma mais clara.
Corremos o risco de ver de novo as odiosas tarjas pretas cobrindo até nossos pensamentos, mas não as nossas vergonhas. Urubu querendo controlar a imprensa porque ela descobre as coisas nas quais adoram sentar com seus traseiros gordos, manipulando a informação entre amigos bem alimentados e pagos com verbas oficiais.
Não podemos deixar nem um teco do germe prosperar, sob pena de criarmos exércitos de delatores, X-9, dedos duros. Sob pena de uniformizarmos ainda mais as ideias que a cada dia já parecem mais frouxas, brochas, inodoras.
Vão censurar os escritos nos banheiros da vida. Lá fora (com reflexos aqui) um filme idiota, totalmente idiota, está matando por conta de um fanatismo religioso que tenta se instalar no país da diversidade pacífica até agora. Aqui, o diretor do Google pegou uma cana de algumas horas por conta da reclamação de um político de quinta. Tão caindo de pau na capa da revista que crucificou o Neymar. Mais de uma centena de estudantes de uma escola particular de alto nível em São Paulo foram suspensos apenas porque protestaram contra a imposição de um reality show nas salas de aula, com instalação de câmeras. E os diretores ainda argumentaram que com isso vão coibir …o bullying!
Que tipo de gente queremos formar nas nossas escolas?
Não é saudosismo, mas a pura constatação que muita coisa está deixando de ser vivida pelas gerações que chegam. Às vezes lembro de coisas que fiz (ou melhor, que nós fizemos), das roupas que vesti (que nós vestimos), dos lugares onde andei (onde nós andamos), artes e manhas praticamente impossíveis de ser repetidas. Mesmo nos piores momentos do país buscávamos e obtínhamos pelo menos nossa liberdade. Individual. Cada homem um manifesto completo, no arrojo de um cabelo comprido, uma calça justa, poncho e conga, da lavra do insubstituível Telmo Martino. Há fotos desses momentos no álbum, no fundo de gaveta de muita gente boa por aí, acredite. Éramos ridículos e felizes. Com calça boca de sino. Cintura alta.Baggy. Calça calhambeque. Bota branca. Kanekalon. Bolerinho.
Era possível. Podia nascer Secos & Molhados. Rogéria e Roberta Close, Dzi Croquetes, tanta coisa doida. Hoje não pode.
Éramos felizes e não sabíamos.

São Paulo, procurando um megafone para já ter por perto, 2012

Marli Gonçalves é jornalista– Primeiro, dedico a Hebe Camargo, a mulher que nunca ninguém ousou censurar. E lembro que “eles” já tentaram proibir até que usássemos uma camiseta, que era muito comum na época, escrito COCAINE com aquela letra ondulada da Coca-Cola. Claro que uma luta inglória. Tenho a minha até hoje, no meu acervo.

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“O único homem que está isento de erros é aquele que não arrisca acertar” – Albert Einstein

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A mala abalada – ação e reação

Texto e foto de Valéria del Cueto

Onde estava eu? Num lindo início de tarde de sábado, com sol brilhando lá fora e João, do Rei das Malas, a me avisar que, apesar de ter meu contato e prestar serviço para a Web Jet, a mala verde que havia apanhado no aeroporto, ao contrário da minha, simplesmente não tinha puxador, o tal que havia quebrado na viagem Florianópolis/Rio…

Sabe quando você não quer fazer uma coisa, mas tem a sensação de que deve fazê-la para não deixar furo e/ou se arrepender muito depois por não tê-la feito?

Na segunda crônica da série “percalços aéreos 2012” (já houve outra, com outra companhia, antes), mencionei a possibilidade de fotografar a entrega da mala no próximo aeroporto, já que o funcionário havia informado que eu teria que levar a mala até a loja, no centro do Rio, ou entrega-la ali, na hora. Pois então, depois pedir um tempo para montar a câmera e ele concordar em busca-la em casa, senti minha espinha dorsal ser percorrida por aquela sensação do “faça agora ou arrependa-se para sempre”. Tirar fotos mesmo que com o celular da detonação do material reclamado foi um desses casos felizes em que fiz o que deveria ter feito, conforme ordenava minha intuição.

Comprovei o fato no meio da conversa só de um pé e meia cabeça com a loja monárquica de malas, quando lembrei que de checar as fotos feitas no aeroporto, o que confirmou, inclusive, a existência de uma identificação com nome e telefone na parte de baixo da bagagem, entre as duas hastes do puxador gambeta.

Definitivamente, a mala de lá não é a mala de cá, João decretou, após comparar sua hóspede com a foto que mandei por email no início da tarde daquele sábado radioso, segundo o texto que aqui reproduzo (para não acharem que essa narrativa é apenas fruto da minha  imaginação): “A MALA QUE ESTA AQUI NA MINHA LOJA NÃO É A DA SENHORA. DEVE TER VINDO ERRADA, VOU A AEROPORTO PEDIR MAIORES INFORMAÇÕES. ABRAÇOS JOÃO FARID. VOU COMUNICANDO A SENHORA DO ANDAMENTO”

E nada mais aconteceu no final de semana, além de umas tuitadas para a Web Jet passando o número do protocolo e pedindo providências. Eis a resposta: “@delcueto Envie um e-mail para o falecom@webjet.com.br, informando o localizador e número de RIB, para que possamos verificar o ocorrido”. Traduzindo: “continue trabalhando para nós, trouxa”. Preferi ignorar e aguardar os acontecimentos. Na terça pedi notícias por email à loja. Fui informada que João havia entrado de férias e que ainda não havia notícias do rastro da mala. Nesta mesma tarde – vejam que sintonia – recebi uma ligação em que perguntavam quando poderiam entregar minha mala. Pelo que pude entender era a moça da primeira loja, de onde a dita cuja nunca havia saído e se mantinha alheia ao drama que protagonizava e aqui descrevo…

Assim teria terminado a novela não fosse o ato final da Brasil Malas, a que havia vindo buscar a original, nem primeira, nem única. Quando ela chegou  veio coberta por um camada de poeira, tipo de rua.  Muito suja. O puxador que motivou o desenrolar de metade da quase novela desta praticamente indescritível aventura que é voar pela Web Jet, não é mais o mesmo, substituído por um genérico, com um shape bastante diferente do tragicamente danificado, com menos possibilidades de regulagem. A fixação não ficou exatamente encaixada, o que deixa um vão de alguns milímetros perfeito para enganchar objetos em momentos de confusão aeroviária. Em contrapartida colocaram uma ponteira de zíper no fecho que estava faltando. Cansada, aceitei a entrega. Tudo ficaria bem se o rapaz não me pedisse para assinar um termo que terminava assim: ”…razão pela qual dou pena quitação a MALA BRASIL Comércio e Serviços para nada mais pedir ou reclamar em juízo ou fora dele a esse respeito”. Fiquei com a mala abalada, mas não assinei o termo.

A vida é assim, o momento em que vivemos: as eleições. Aqui e aí localizo os mesmos elementos: vítimas, algozes, ações e alguma possibilidade de reação. Dessa, que nunca devemos desistir! Falta uma semana…

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Gente que encontrei por aí… Fátima Cleide

Fátima foi atuante na Comissão de Educação, acumulou experiência no Senado e  trouxe muitas emendas para os municípios de RO,  principalmente Porto Velho. Hoje ela é  a candidata do PT  para a sucessão do atual prefeito e tem muito prestígio entre as galeras da educação e da cultura.  Autora da PEC da Transposição, amiga pessoal de Lula e da Presidente Dilma, em tempos das mulheres no poder,  Fátima pode ser a mulher que Porto Velho precisa prá ser reorganizada.  Fátima é ficha-limpa e seu nome inspira respeito e admiração, pois tem uma história de lutas e de conquistas.

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De repente. (via Entre todas as coisas)

Por 

– Tá, mas começa do início… Isso foi do nada? De repente, você olhou pra mim e percebeu que as outras pessoas tinham se tornado desinteressantes? Ou essa é só mais uma das suas crises de orgulho ferido, amor ferido ou como quer que você queira chamar?

– Você nunca sentiu isso? Aquele estalo que dá quando você começa a enxergar alguém de um modo completamente diferente? É meio que assim… Num dia desses, eu tava do teu lado na aula de inglês. Aquele babaca que sempre vem te cantar tentou fazer isso pela décima vez só essa semana. Ele disse que trocaria um jogo de futebol por você – na tentativa de ser fofo. Você riu e dispensou. Quando você virou pro lado, eu disse que pararia por você.

– Eu sei, eu me lembro disso. E você me surpreendeu. Quer dizer, não é como se a gente nunca tivesse tido nada. Mas você sempre foi aquele meu amigo colorido… Achei que sempre tivesse sido assim. Quando a gente tinha nada pra fazer, a gente ficava junto. Temporariamente. Até você soltar a minha mão ou me ligar contando sobre uma dessas meninas que vão partir o seu coração em duas semanas.

– Ou até você contar de novo como é o homem dos seus sonhos – e eu reconhecer, mais uma vez, que eu não me encaixo no seu arquétipo ideal. Mas isso não me importou muito. De repente, eu olhei pro lado e vi que sentia ciúmes de você. Eu já não gostava muito desses caras durões com quem você saía, e passei a odiar cada um deles por te chamarem pro cinema no meio da tarde. Eu me vi num daqueles jogos de resta um – você podia ser a companhia de qualquer um deles, mas eu sempre ficaria sozinho. Não ser o tal cara da sua vida era penoso – mesmo que fosse na minha cabeça…

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São Paulo está chata demais (via Pensamentos de Ovelha)

foto: Daniele Queiroz

foto: Daniele Queiroz

Está cada vez mais difícil viver em São Paulo. E digo isso sem nem entrar em tópicos como o o ônibus e o metrô custarem abusivos três reais, passarmos quase dois meses sem chuva em pleno inverno ou favelas praticamente fazerem uma misteriosa autocombustão. O meu ponto é que não está  fácil levar uma vida mansa em SP. Daquelas onde “ninguém mais bebe bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante, a Coca-Cola é relegada ao olvido e cachaça e cerveja muito, que é bom pra alegrar a vida”, como sonhou Vinicius de Moraes. Que me perdoem os paulistanos roxos, mas SP, além de moralista, ta ficando chata demais.

Claro que a gente acorda cedo, claro que trabalha e claro que paga um monte de conta todo dia 20, mas que mal há em beber um bom vinho ou rachar uma porção de batata regada à cerveja numa sexta-feira de calor? Depende. Se você quiser fazer isso na calçada do bar, verifique antes se o local tem alvará. Caso não, você corre o risco de ter sua mesa arrancada às pressas, porque a polícia está vindo, como aconteceu comigo semana passada, na Augusta. Desafiando as teorias de Einstein, eu pisquei e minha mesa tinha sumido, mais rápido que a luz. O garçom se explica, aflito: “os homi tão vindo, não pode ter mesa na calçada, ta difícil”. E o pessoal fica ali, em pé mesmo, esperando por tempos melhores. Mesmo se o bar tiver alvará, juntar mesa e fazer um grande happy hour só lá dentro. Lá na parte fechada, aonde não se pode mais fumar. Aliás, você pode dar mais um passinho pro lado, por favor? Só pode fumar depois da linha amarela. Aqui? Não, mais pra lá. Agora ta bom? Isso, aí quase caindo na rua acho que está ok. Esses dias, na mesma ex-malandra Augusta, um garçom foi à nossa mesa dizer que não pode fumar sentado, mesmo na parte aberta. “Fumar pode, mas só em pé”.

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Pensamentos de Ovelha

Está cada vez mais difícil viver em São Paulo. E digo isso sem nem entrar em tópicos como o o ônibus e o metrô custarem abusivos três reais, passarmos quase dois meses sem chuva em pleno inverno ou favelas praticamente fazerem uma misteriosa autocombustão. O meu ponto é que não está  fácil levar uma vida mansa em SP. Daquelas onde “ninguém mais bebe bebida que não tenha um bocadinho de matéria alcoolizante, a Coca-Cola é relegada ao olvido e cachaça e cerveja muito, que é bom pra alegrar a vida”, como sonhou Vinicius de Moraes. Que me perdoem os paulistanos roxos, mas SP, além de moralista, ta ficando chata demais.

Claro que a gente acorda cedo, claro que trabalha e claro que paga um monte de conta todo dia 20, mas que mal há em beber um bom vinho ou rachar uma porção de batata regada à cerveja…

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Teria o espírito de Steve Jobs baixado na Bolívia ?

Loja em Cobija, Departamento de Pando, Bolívia

Loja em Cobija, Departamento de Pando, Bolívia

fotos : Z. Santos

fotos : Z. Santos

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Para-choque de blog

“O que não me contam, eu escuto atrás das portas. O que não sei, adivinho e, com sorte, você adivinha sempre o que, cedo ou tarde, acaba acontecendo.” (Dalton Trevisan)

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Qual destes vídeos é mais real ? Cidade de Plástico, em Salvador/BA…

 

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Deu no jornal O Dia – É grave o estado do ator Paulo Goulart

Segundo nota publicada no jornal O Dia, na coluna do jornalista Léo Dias, ” é grave o estado de saúde do ator Paulo Goulart. Ele está internado há algumas semanas no setor de oncologia do Hospital Beneficência Portuguesa, em São Paulo. A família de Paulo não permitiu a divulgação de informações sobre seu estado de saúde. O ator está em tratamento contra um tumor no mediano (canal da região dos pulmões).”

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O diabo veste Chavez e o mar de lama no Brazil (via Prof. Hariovaldo Almeida Prado)

Belzebú em pessoa, subverte a moral e os bons costumes insuflando as massas analfabetas contra os homens de bens

Belzebú em pessoa, subverte a moral e os bons costumes insuflando as massas analfabetas contra os homens de benz

Preclaros homens de bens da confraria Hariovaldiana,

Na solerte campanha eleitoral que bolcheviques populistas cometem na Venezuela, solapando os valores da civilização cristã e aspergindo o vírus da lavagem cerebral comunista sobre a gentalha, via RNB, a Rede Neural Bolivariana, é cada vez maior o perigo do Anti-Cristo Chavez se reeleger.

Sabe-se hoje, graças ao jornal científico The Globe, que reproduziu artigo médico do prestigioso Doutor Merval, cirurgião oncológico e membro da ABLM – Academia Brazileira de Letras e Medicina, internacionalmente respeitado, que o mesmo assinou o atestado de óbito do caudilho sulamericano, sepultado em segredo na ilha do Mal, nas cercanias de Havana Velha.

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Um fotógrafo …Richard Billingham (via Epimenta)

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Não temas, porque eu sou ( via O Blog do Andrew)

Por 

SE DOR A MAIS FORTE SOFRER,

OH, SEJA O QUE FOR, TU ME FAZES SABER

QUE FELIZ COM JESUS SEMPRE SOU!

Horatio Gates Spafford (1828-1888) foi um advogado renomado nos Estados Unidos. Era sócio de um dos maiores escritórios de advocacia do pais. Era também, junto com a esposa, Anna, um amigo querido do grande evangelista britânico D.L. Moody. Sua vida, porém, foi marcada por uma série de tragédias. Em 1870, perdeu seu único filho homem. O menino tinha apenas quatro anos de idade quando foi levada por uma escarlatina. Três anos mais tarde, Spafford decidiu passar um período de férias na Inglaterra com sua esposa e quatro filhas. Uma das razões da viagem era justamente para visitar Moody. Sua família foi na frente, enquanto Spafford ficou para trás por conta do seu trabalho. No meio da viagem, o navio sofreu um acidente e naufragou. Duzentos e vinte seis passageiros morreram, inclusive as quatro filhas de Spafford: Annie, com onze anos, Margaret Lee, nove anos, Bessie, cinco, e Tanetta, de apenas dois anos. Sua esposa sobreviveu e lhe enviou um telegrama: “Fui salva sozinha…”. Spafford fez a viagem para encontrar a esposa. Em meio à travessia, ao passar pelo local onde teriam afogado as suas quatro filhas, Horatio escreveu a letra do hino citado no início do texto.

Sou feliz com Jesus, meu Senhor.

Toda vez que ouço essa música, lembro dessa história e tento me colocar no lugar daquele pai naquele navio passando pelo local onde suas filhas foram levadas pelo Senhor. Será que eu seria capaz de escrever um hino assim? Será que eu sequer seria capaz de pronunciar essas palavras? Feliz? Mas, como? Como é que alguém consegue ser feliz em tais circunstâncias? A resposta está na terceira e quarta linha do primeiro verso.

OH, SEJA O QUE FOR, TU ME FAZES SABER

QUE FELIZ COM JESUS SEMPRE SOU!

Não importa o que aconteça, ele nos faz saber. Recordando do último texto (Pare de lutar), no versículo chave está o segredo: “Aquietai-vos, e sabei que eu sou Deus…” (Sl 46.10a). Junto com este, uma série de outros textos têm me chamado a atenção para esta mesma noção.

Em 2 Pedro 1, temos uma pequena descrição da prática progressiva das graças cristãs e seus resultados, ou, o crescimento espiritual como confirmação da eleição. O interessante desse trecho é que há uma cadência de práticas e, a partir de uma, a próxima é acrescentada. No v.3 temos a primeira delas, sobre a qual o resto é construído.

Visto como o seu divino poder nos deu tudo o que diz respeito à vida e piedade,pelo conhecimento daquele que nos chamou pela sua glória e virtude;

Ou seja, o fundamento do nosso crescimento espiritual e “desenvolvimento da salvação” é o conhecimento de Deus, de Cristo e do Espírito Santo.

Em Jeremias 9.23-24, temos ainda o seguinte:

Assim diz o SENHOR: Não se glorie o sábio na sua sabedoria, nem se glorie o forte na sua força; não se glorie o rico nas suas riquezas, mas o que se gloriar,glorie-se nisto: em me entender e me conhecerque eu sou o SENHOR, que faço beneficência, juízo e justiça na terra; porque destas coisas me agrado, diz o SENHOR.

Mais uma vez, o motivo da nossa glória, da nossa esperança, está em entender e conhecer que Ele é o Senhor. Afinal, é somente nessa verdade que temos a vida eterna (Jo 17.3).

E então… dá para entender a importância do “saber que eu sou Deus”. Voltando ao Salmo 46, o autor começa o capítulo falando sobre quem é Deus, descrevendo alguns dos seus atributos, tal qual uma grande parte do resto do livro. Temos desespero, temos dias em que tudo parece se apagar. Mas Deus nunca deixa de ser Deus. Temos que nos apegar a esta noção, a esta consciência, o conhecimento e a sabedoria de que Ele é Deus, e de que nisso temos esperança.

Mas e o coração… como fica? Aí é que mora a batalha. Pela sua revelação, temos a verdade. Conhecemos a Deus por meio da sua Palavra revelada a nós. As Escrituras testificam acerca de Deus, contam a história de um Ser infinito e poderoso que veio para nos salvar. Sim, mas e como é que isso resolve o meu problema? É complicado mesmo. Vivemos em dias que nos ensinam que mais vale sentir do que pensar. Quanto mais sentimos e menos pensamos, melhor. Certo? Mas a Palavra fala disso também.

E não sede conformados com este mundo, mas sede transformados pela renovação do vosso entendimento, para que experimenteis qual seja a boa, agradável, e perfeita vontade de Deus. (Rm 12.2)

De novo, somos transformados pelo nosso entendimento. E não podemos nos conformar com este mundo, que prega justamente o “não pense, apenas sinta”.

Mas o coração arde, as lágrimas vêm e eu continuo triste. Eu sei. Eu também. O engraçado do meu processo de escrever os textos para blog é que na maioria das vezes, escrevo para mim mesmo. O legal é que ao derramar meu coração aqui, muitos se identificam com as minhas frustrações e desafios e se sentem motivados e encorajados. A mensagem de cima é dificílima de “engolir”. Sei bem disso porque ela está engasgada pra mim também. Nem sempre dou conta de lembrar e descansar no conhecimento de que Ele é Senhor. E quando me recuso a confiar nesse conhecimento, estou pecando, pois coloco meu sofrimento acima de Deus. A minha insignificante pessoa ousa colocar o meu mísero sofrimento acima da ação do Pai. (Rm 1.21,25)

Como sanar isso?

Escondi a tua palavra no meu coração, para eu não pecar contra ti. (Sl 119.11)

Fazendo mais uma referência a um texto citado no post passado (Lm 3.21), quero trazer à memória aquilo que traz esperança. E o que é que nos traz esperança? O conhecimento de Deus. E como alcançamos este conhecimento? Por meio da Palavra revelada.

Sabe como eu tenho absoluta convicção de que é isso que nos traz consolo? Por que não há outra alternativa. Se houvesse, Deus assim o teria dito. Mas Ele oferece de si mesmo, para que nós tivéssemos alegria no “simples” reconhecimento dEle. Qualquer solução aquém disso é um pecado contra a glória do Pai ao fazermos pouco dEle.

É um exercício diário, colocar o “saber” acima do “sentir”. Qualquer pessoa que já tomou uma decisão racional contrariando o próprio sentimento sabe disso (me incluo nessa parcela, e é uma batalha e tanta). Mas Deus nos deu esta capacidade racional para que pudéssemos louvá-lo com isso também. E é a esta verdade que temos que nos apegar, a noção e a compreensão de que Ele é Deus e de que dEle vem toda a nossa esperança.

Para não se desesperar, para não cair, para não pecar… guarde esta palavra no seu coração:

Não temas, porque eu sou contigo; não te assombres, porque eu sou teu Deus; eu te fortaleço, e te ajudo, e te sustento com a destra da minha justiça. (Is 41.10)

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Diário do Transporte

Fretamento com categoria
Marcopolo lança um novo produto em sua família. O Audace vai atender a uma faixa de fretamento que exige veículos com padrões mais elevados e linhas regulares de curtas ou médiass distância

ADAMO BAZANI – CBN

O setor de fretamento não só tem perspectivas de crescer, principalmente com o aumento da renda e os eventos mundiais como Copa do Mudo e Olimpíadas no Brasil, mas vai se tornar cada vez mais exigente.
O mercado já quer ônibus que não sejam tão caros, mas que ofereçam conforto, design e sofisticação, mesmo nos menores deslocamentos.
E para atender a estas necessidades que inicialmente parecem ser opostas, sofisticação e bom preço, é que a Marcopolo apresentou o Audace para a imprensa especializada em sua planta Ana Rech, em Caxias do Sul. A reportagem do Blog Ponto de Ônibus / Canal do Ônibus esteve lá para conferir.
O ônibus fica entre…

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O texto que agitou a Espanha (via Blog do Mario Marcos)

Um canhão pelo cu

Se percebemos bem – e não é fácil, porque somos um bocado tontos -, a economia financeira é a economia real do senhor feudal sobre o servo, do amo sobre o escravo, da metrópole sobre a colónia, do capitalista manchesteriano sobre o trabalhador explorado. A economia financeira é o inimigo da classe da economia real, com a qual brinca como um porco ocidental com corpo de criança num bordel asiático.

Esse porco filho da puta pode, por exemplo, fazer com que a tua produção de trigo se valorize ou desvalorize dois anos antes de sequer ser semeada. Na verdade, pode comprar-te, sem que tu saibas da operação, uma colheita inexistente e vendê-la a um terceiro, que a venderá a um quarto e este a um quinto, e pode conseguir, de acordo com os seus interesses, que durante esse processo delirante o preço desse trigo quimérico dispare ou se afunde sem que tu ganhes mais caso suba, apesar de te deixar na merda se descer.”

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A semente e o cimento

Por  Aparicio Secundus Pereira Lima

De uma mamoneira plantada no quintal lá da casa do pai Aparicio e mãe Rosália em Petrolina-PE, uma semente eclodiu do fruto da mamona já madura e como num passe de mágica, alojou-se justamente por entre as frestas e fendas  do muro lateral do quintal e lá permaneceu, intacta, quieta, em uma hibernação  quase letárgica no silencio das sombras e na expectativa das horas, envolta em terra seca  e cimento abrasivo até o surgimento triunfal de pequenino broto da planta, que de forma tímida, silenciosa e segura, expandia-se pelas frestas a procura de luz, na solidão de uma batalha sem fronteiras em busca de seu ideal: uma nova planta, novos cachos, frutos, flores e sementes.
Não satisfeita em apenas ter brotado de forma tão inusitada, dado a sua própria natureza de cultura resistente, viável para a região semi-árida,  ungiu-se da essência do seu próprio óleo de propriedades químicas atípicas cuja matéria prima é própria para o biodiesel e com força e resistência incomuns saiu rasgando paredes, desbravando caminhos, adaptando-se às conveniências, suportando intempéries e ataques furtivos de formigas, pragas e outros males sazonais e continuou obstinadamente crescendo pelo milagre da fotossíntese, em busca do seu ideal.
Uma simples semente de mamona atingiu o seu intento: rasgou o cimento, contrariou prognósticos e subiu ao céu de encontro ao seu próprio destino natural.

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A mala que abala – o diz a lenda

Texto e foto de Valéria del Cueto

Na sexta feira retrasada, estava rabiscando a crônica dominical, “Assalto ao Alto” e, pensava ingenuamente, estar dando por finalizada a prova da gincana “a mala vai para o conserto” ali citada.Enquanto escrevia as palavras “Antes da publicação desse registro… a mala estará no abrigo do meu lar”, diante dos meus irrequietos pensamentos – sempre mais velozes que a esferográfica – dançava o velho termo cinematográfico familiar, o “diz a lenda”.

Ele é uma brincadeira utilizada quando temos uma informação e muito pouca, quiçá nenhuma certeza, de que algo vá se concretizar ou se tornar uma verdade. Quando o termo já estava fazendo piruetas e coreografias da Dança do Passinho diante dos meus olhos, cansei de resistir e  anexei as fatídicas três palavrinhas querendo dar um ar engraçadinho ao meio da frase final sobre o episódio da mala danificada. “Afinal, o que mais poderá acontecer?”, pensei otimista na ocasião.

Mal sabia eu, ser descrente da poderosa capacidade intrínseca e mediúnica de prevenção daquelas célebres peripécias lei de Murphianas, que perseguem os puros de espírito, porém destinados a toda sorte, seja ela boa ou má… (Afinal, sem estas aventuras, o que seria dos anos dessas crônicas praticamente interruptas? Um tédio ou o paraíso.) No momento, por exemplo, estamos num processo kafkaniano. Enquanto lá, no original homem vira barata, aqui, se transforma em mala. É, por que na Web Jet, malas andam, se escondem, se disfarçam e se atrasam. Quase vivas, com vontade própria.

Durou pouco a minha alegria. Até João voltar à vaca fria e insistir em saber qual era o problema da bagagem e eu citar a quase moída do punho do puxador. A coisa embolou quando o João fez aquela célebre e odiada pergunta: “Tem certeza? Sua mala é verde?” A cor era essa, mas havia algo errado. A mala que estava lá, não tinha um puxador.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM. delcueto.cia@gmail.com

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Isto o rondoniense já sabia, faz é tempo, maninho …

Tirar a sesta, com uma soneca depois do rango renova as habilidades mentais, diz uma pesquisa da Associação Americana para o Avanço da Ciência (AAAS).

O hábito amazônico, muito criticado pelos sulistas que não conheciam o óbvio, sempre foi um renovador de forças no calor e na umidade dos trópicos.

Pois agora, o Dr. Matthew Walker, professor de psicologia da Universidade de Berkeley e coordenador do estudo, vem e diz que  o sono é reparador após períodos prolongados de vigília.

O bem-estar que o caboclo sentia com a sesta , ele explica que é  ” um aumento das capacidades neurocognitivas em comparação com as que existiam antes de dormir”.

Durante os testes, os que ficaram acordados o dia todo tiveram queda de rendimento na comparação com os exercícios anteriores. Já os participantes que tiraram um cochilo registraram um rendimento consideravelmente melhor e também melhoraram as habilidades.

Os resultados sustentam a hipótese de que o sono é necessário para apagar a memória a curto prazo no cérebro e abrir espaço para novas informações, uma espécie de Ctrl+Alt+Del no caboclo, prá deixar ele menos leso. Vixe !

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Livros para entender Rondônia : The sea and the jungle, de H.M.Tomlinson

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23/09/2012 · 07:44

Goiás dos Apunhãs e Anhanguëras (causo)

Por JLGalvão Jr

Aviso aos navegantes e caminhantes nesta jornada à Goiás de todos os tempos:

Associei-me nesta pequena aventura literária ao arquiteto e artista plástico Elder Rocha Lima para contar um pouco da história goiasense, com freqüência desvelada em imagens enraizadas nas profundezas d’alma desse mestre e ilustre goiano.  Cuidei de mostrar uma Goiás das gentes que, como nós, passam e deixam heranças à nossa memória coletiva.  Que assim seja.

Apresento, à guisa de mote, a certeza de que o Anhangüera valeu-se da memória marcada nos registros de campo das viagens que fizera com seu pai, o velho e primeiro Anhangüera, para reconhecer e fundar os arraiais naquele Rio Vermelho, registros esses que, para serem bem feitos e guardados haveriam de estar em caderno ou livro de boa qualidade, capa resistente, protegido das intempéries e dos gatunos, reservado para uso posterior, quando se apresentasse a ocasião.

É em respeito àquelas grandes façanhas bandeiristas que me obrigo a presumir  a melhor maneira de guardar registros tão importantes.  Minha mente não conseguiu mais livrar-se e até visualizar um volumoso livro católico, capa e amarrilhos de couro, com páginas e páginas daqueles registros, costuradas intercaladamente às orações e escrituras sagradas.  O Breviário e caderneta de campo do Anhangüera.

Esse Breviário teria sido passado por direito de herança do Anhangüera velho, bandeirante e explorador das terras continentais da América do Sul, ao filho, herdeiro também da alcunha. Em seu interior, as rotas e indicações cifradas das áreas de mineração exploradas no famoso certan dos Guayazes.  Naquela época era comum se fazer os registros importantes para as famílias nos versos de pinturas sacras, nas contracapas de couro das bíblias, breviários e outras formas parecidas, pelo grande respeito às coisas sacras e porque passavam como herança segura.  Os diários registravam em contas e quantas iam de caminho, as léguas, as paragens e rios, as veredas saudáveis, os matos sanhudos, os pântanos miasmáticos, os bugres amistosos ou aguerridos, os vivos e os mortos e, principalmente, as observações dos terrenos propícios a maiores riquezas, em ouro e pedras preciosas.

Então façamos isso. Um primeiro olhar longo e derramado pelas serras e vales e, outro, bem focado e com muita atenção no Breviário do Anhangüera.

Continue lendo o texto completo em APUNHÃS

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Crianças Selvagens (Gênese)

foto reprodução Facebook

foto reprodução Facebook

Por Cátia Cernov

Era uma vez um quintal muito engraçado:
Não haviam cercas nem mapas

Nem muros perfurados de balas
Ou aterros de lixo industrial.
Só olhos curiosos rabiscados pelas crianças teimosas
Gravuras transparentes que atraiam os anjos que cuidavam das flores…

Nesse quintal não havia nobreza nem miséria
Só crianças q não precisam crescer
estudar, trabalhar e inventar agrotóxicos.
Só a pureza cantava, a imaginação se transfigurava
e se configurava conforme eram os desejos da terra.
Então o universo lhes permitiam serem criadores
Percorrer campos de lírios com seus pézinhos sujos de chocolate…

Compartilhavam dos corpos, tocavam os sexos
Riam da naturalidade que do tempo emanava
Das coisas q se davam espontaneamente.
A luz se prismava de seus olhos selvagens
E as mãozinhas projetavam sombras nas paredes:
Reflexos de bichos ainda em estado de liberdade…

Nenhum poder havia ali ainda tocado
Nenhum jogo havia ainda sido inventado
As crianças saltavam sobre as pedras de açúcar
Desalinhavam os átomos para reinventar guloseimas
Depois recombinavam os quantuns
E moldavam novos brinquedos…

Nenhuma ascenção e queda os assombravam
Ignoravam o destino dos reis
as doutrinas
as vergonhas
os mitos
Sequer cogitavam a supremacia dos desejos!
Primogênitos não catalogados,
As crianças brincavam nas praias de groselha
Erguiam e destruiam castelos de areia cósmica
Depois voavam nuas sob o céu de brigadeiro…

 

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6 mitos sobre os Feminismos( via Homens combatendo o Machismo)

 

1 – NÃO, feminismo não é o contrário de machismo. O termo usado para quando mulheres buscam ser melhores que e/ou oprimir e/ou menosprezar homens é FEMISMO (ou feminilismo, como alguns dizem). Sim, existem feministas femistas, mas a imensa maioria das feministas (e dos feministas) não é femista. Defender os direitos das mulheres não é sinônimo de defender que elas devam dominar os homens.

Continue Lendo via Homens combatendo o Machismo

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Túnel do Tempo – Av Farqhuar, em Porto Velho

Final da década de 80, início dos anos 90.  Av. Farquhar.  Muitas ruas centrais de Porto Velho eram maltratadas, em certas vias proliferavam os focos de malária. Era uma cidade pequena, apesar de ser capital do Território Federal de Rondônia. A Av. 7 de Setembro tinha até mão dupla ! Em bairros mais tradicionais,como por exemplo o Caiari algumas construções ainda mantinham suas características originais. A seguir algumas casas foram derrubadas, depois foram feitos “puxadinhos”, colocadas caixas de ar condicionado, garagens, piso superior, vidro blindex, edículas. Os carros ainda tinham a placa amarela…

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Livros que ajudam a entender Rondônia – 14 – Inferno Verde

Alberto Rangel foi amigo de Euclides da Cunha desde o tempo de estudantes na Escola Militar da Praia Vermelha, onde, em novembro de 1888, assistiu, em formação, o ato de rebeldia de Euclides no famoso episódio do sabre. Quando em dezembro de 1904, o autor de “Os Sertões” chegou a Manaus chefiando a comissão de Reconhecimento do Alto Purus, foi recebido no cais por Rangel que lhe ofereceu para morada sua casa, a Vila Glicínia, a bucólica “Tebalda” com alpendre para a borda da mata amazônica.

Dos estudos dos dois escritores, surgiu o livro “Inferno Verde” de Alberto Rangel, publicado em 1908 com um longo e primoroso prefácio escrito por Euclides da Cunha; embora distantes, os dois amigos correspondiam-se regularmente; em 15 de agosto de 1909 quando Euclides foi assassinado, Alberto Rangel encontrava-se na França e só voltou ao Brasil em dezembro desse ano. Livro que se encontra ainda em sebos de Rio e São Paulo.

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Dez anos de casamento (via Blog dos Malvados)

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Livros que ajudam a entender Rondônia – 16 – Viver Amazônico

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19/09/2012 · 10:32

Manter viva a causa do PT : para além do “Mensalão” (via Leonardo Boff)

Há um provérbio popular alemão que reza: “você bate no saco mas pensa no animal que carrega o saco”. Ele se aplica ao PT com referência ao processo do “Mensalão”. Você bate nos acusados mas tem a intenção de bater no PT. A relevância espalhafatosa que o grosso da mídia está dando à questão, mostra que o grande interesse não se concentra na condenação dos acusados, mas através de sua condenação, atingir de morte o PT.

De saída quero dizer que nunca fui filiado ao PT. Interesso-me pela causa que ele representa pois a Igreja da Libertação colaborou na sua formulação e na sua realização  nos meios populares. Reconheço com dor que quadros importantes da direção do partido se deixaram morder pela mosca azul do poder e cometeram irregularidades inaceitáveis.

Muitos sentimo-nos decepcionados, pois depositávamos neles a esperança de que seria possível resistir às seduções inerentes ao poder. Tinham a chance de mostrar um exercício ético do poder na medida em  que  este poder reforçaria o poder do povo que assim se faria participativo e democrático.

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Pranto Geral dos Indios

Cel Rondon e seu jovem amigo Tacuatépe

Chama-te Maíra
Dyuna
Criador

seria mentir
pois os seres e as coisas respiravam antes de ti
mas tão desfolhadas em seu abandono
que melhor seria não existirem
As nações erravam em fuga e terror
Vieste e nos encontraste
Eras calmo pequeno determinado
teu gesto paralisou o medo
tua voz nos consolou, era irmã
Protegidos de teu braço nos sentimos
O akangatar mais púrpura e o sol te cingira mas
mas quiseste apenas nossa felicidade

Eras um dos nossos voltando à origem
e trazias na mão o fio que fala
e o foste estendendo até o maior segredo da mata
A piranha a febre a queixada a cobra
não te tratavam o passo
militar e suave
Nossas brigas eram separadas
nossos campos de mandioca marcados
pelo sinal da paz
E dos que assustavam pendia o punho
fascinado pela força de teu bem-querer
ó Rondon, trazias contigo o sentimento da terra

Uma terra sempre furtada
pelos que vem de longe e não sabem
possuí-las
terra cada vez menor
onde o céu se esvazia de caça e o rio é da memória
de peixes espavoridos pela dinamite
terra molhada de sangue
e de cinza estercada de lagrimas
e lues
em que o seringueiro o castanheiro o garimpeiro
[bugreiro colonial e moderno
celebram festins de extermínio

Não deixaste sós quando te foste
Ficou a lembrança, rã pulando nágua
do rio da Dúvida: voltarias?
Os amigos que nos despachaste contavam de ti sem luz
antigo, entre pressas e erros , guardando
em ti , no teu amor tornado velho
o que não pode o tempo esfarinhar
e quanto nossa pena te doía

Afinal já regressas. É janeiro,
tempo de milho verde . Uma andorinha
um broto de buriti nos anunciam
tua volta completa e sem palavra
A coisa amarga
girirebboy circula nosso peito
e karori a libélula pousando
no silêncio de velhos e de novos
é como o fim de todo movimento

A manada dos rios se cala
Um apagar de rastos um sossego
de errantes falas saudosas paz
coroada de folhas nos roça
e te beijamos
como se beija a nuvem na tardinha
que vai no rio ensangüentado

Agora dormes
um dormir tão sereno que dormimos
nas pregas de teu sono
Os que restam da glória velha feiticeiros
oleiros cantores bailarinos
extáticos debruçam-se em teu ombro
ron don ron don
repouso de felinos toque lento
de sinos na cidade murmurando
Rondon
Amigo e pai sorrindo na amplidão

Carlos Drummod de Andrade

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TPM : de volta ao começo do ciclo

Por Melissa Setubal

Acabo de ter um dos melhores resultados que eu aguardava da minha caminhada na alimentação e estilo de vida saudáveis: meu primeiro ciclo menstrual natural em 16 anos! Foi há cerca de um ano que comecei meu desafio de retomar as rédeas do meu sistema reprodutivo. Iniciei um tratamento que usa apenas comida e suplementos naturais para limpar o organismo feminino de problemas típicos de nossa era. Não vou dizer que é moleza, mas para mim, que já estava mudando muita coisa no meu estilo de vida, foi quase natural. Comecei aprendendo a como comer para dar suporte ao meu sistema endócrino, depois comecei a tomar algumas ervas e suplementos vitamínico-minerais para dar aquele apoio extra, e finalmente conversamos muito sobre energia feminina.  Foi então que tomei uma decisão que jamais imaginei que iria acontecer nessa vida: parar de tomar a pílula anticoncepcional depois de usá-la initerruptamente desde os 15 anos. Para quem tem Ovário Polimicrocístico, isso é quase como uma condenação, pois logo cedo aprendi que, para controlar suas manifestações temidas (acne, pelos, excesso de peso, menstruação irregular, resistência à insulina, etc), a única saída é a pílula, e não há cura. Ainda mais porque eu passei a tomá-la sem parar para menstruar por cerca de 7 anos, na tentativa de controlar uma TPM forte e enxaquecas excruciantes, sem muito sucesso. Aprendi que a pílula causa coisas ainda piores, como predisposição a trombose, doenças cardíacas, derrame, entoxicação do fígado, e muitas outras coisas assustadoras. Eu que já vinha com bronca da indústria farmacêutica convencional, fiquei mais revoltada ainda por nunca ter sido devidamente orientada sobre tudo isso. Mas e o medo de largar essa muleta que me “sustentava” há tanto tempo? Como será que meus ovários iriam se comportar? Minha cara ia voltar a ficar cheia de espinhas? Eu iria continuar tendo os sintomas terríveis antes e durante a menstruação das quais eu tentava fugir? Como eu iria evitar a gravidez? Sabia que exigiria da minha paciência, que me desafiaria a cada instante, e que volta e meia eu teria vontade de desistir e usar alguma “pílula mágica” para fazer parar qualquer sofrimento que eu estivesse sentindo no momento. E assim foi: passei 7 meses sem menstruar, com episódios de depressão, irritação, rosto e corpo cobertos por acne, cabelo caindo, dentre outras coisas “divertidas”. Minha impressão era, naquele momento, que minha vida era melhor com a pílula. Mas volta e meia alguma coisa acontecia para me lembrar o porque escolhi esse caminho. Uma das mais incríveis foi a melhora em 90% da minha enxaqueca, algo que jamais imaginei que me livraria. Isso vinha atrapalhando minha vida tão profundamente, que há algum tempo atrás eu tinha crises fortíssimas de não conseguir sair do quarto pelo menos uma vez por semana. Agora, fiquei sem nenhuma manifestação por mais de 3 meses, e quando ela veio no dia antes da menstruação, não passava de um pequeno desconforto e uma leve dor de cabeça, que não me impediu de continuar minha atividades normais. Hoje, tenho apenas poucas e pequenas espinhas, meu cabelo está nascendo novamente, minha energia e humor estão mais estáveis, meu fígado funciona melhor do que nunca, a glicose no meu sangue estável, e um sorriso no rosto ao ver que a menstruação está descendo. Essa para mim é a maior vitória de todas: me sentir confortável no meu corpo de mulher, celebrar cada etapa do meu ciclo e usá-lo ao meu favor no meu dia-a-dia, e abraçar o feminino em mim que esteve reprimido por tantos anos, aprendendo a usar seu grande poder de transformação no mundo.

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Koágulos de Psikodelia

Foto: Z. Santos

Não podíamos vislumbrar os desejos do tempo
mas podíamos acessar os desenhos do espaço
onde esse tempo estava contido.
Tínhamos atalhos, malícias alquímicas, pastilhas de lisergia…
e mergulhávamos nos desígnios do caos
por amor á todas as dimensões…
Lá, os deuses de marfim dançavam
riam de nossa inércia subatômica,
E nós, que superamos os deuses, riamos de nós mesmos
Pois não podiamos evitar nossa auto-desprogramação nuclear
nem conter nosso multiuniverso posto á prova.
Por nossa própria vontade abdicamos do ego
e só nos restou a habilidade de contemplar as moléculas
de cada uma daquelas galáxias errantes…
Tínhamos cinko horas de tranze,
para rir da passagem das eras
e se masturbar com a própria nudez…
Modulavamos nossas ondas de pensamentos
para observar, tão somente observar,
as legiões de divindades que destruíam e criavam universos…

E quando despertamos
Numa morning glory
Os deuses eram só koagulos de luz…
assim como nós.

Coletivo Editorial do CCP

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Diz a lenda – quem se lembra do cheiro da casa da sua avo ?

Por Beto Ramos

Hoje, senti saudades da casa de minha avó.
Senti o desejo de chegar e abrir aquele portão barulhento, rangendo junto com o latido do cachorro Veludo.
Senti saudade de chegar à janela de madeira, bem larga, e pedir a benção de minha avó.
Na casa antiga, construída por meu avô, existia de tudo.
Lembro-me do pequeno fogão sempre cozinhando alguma coisa.
No centro da cozinha, uma mesa quadrada com uma farinheira de madeira, uma fruteira sempre com muitas bananas prata.
Dentro da petisqueira, a garrafa de café bem forte.
Na parede um antigo quadro do Sagrado Coração de Jesus.
Perto da janela sempre respondendo com bom humor, ficava minha velhinha numa cadeira de balanço, pra lá e pra cá.
Senti saudades do cheiro da casa de minha avó.
Ela sempre usando os vestidos largos e coloridos, com anágua.
Amarradas na alça do califon, as chaves que abriam os baús da casa.
Somente ela abria tudo.
Sempre no ar um cheiro de Vick Vaporub .
E ali ficava o paraíso que hoje me faz tanta falta.
Quando minha avó substituiu o pote pelo filtro, o sabor da água mudou.
Hoje, guardo na minha casa o filtro que era da casa da minha avó.
Não me desfaço dele por nada.
Muitas vezes minha avó ficava lendo algum livro ou revista por muito tempo.
Detalhe: A revista ou o livro de cabeça para baixo.
Mas, ela já vinha com a resposta pronta.
– Quem sabe ler, lê de qualquer jeito!
Nos jogos do Brasil, quando apareceu televisão por estas bandas, minha avó torcia muito.
Acendia vela, rezava e soltava alguns palavrões ao mesmo tempo.
O engraçado é que após muito tempo do jogo começar ela perguntava:
– Pra que lado o Brasil está atacando?
Hoje senti saudades do cheiro da cama da minha avó.
Dos perfumes usados no domingo quando éramos obrigados a frequentar a missa.
O tempo passou tão rápido.
Estranho é ter que fechar os olhos para lembrar coisas tão simples e que fazem tanta falta.
As ruas continuam iguais, e não existe mais a casa rodeada de plantas e pés de frutas de todo o tipo.
Hoje, vejo minha neta entrar na minha casa sorrindo.
Será que a minha casa possui o cheiro da casa de minha avó?
Será que minha netinha vai guardar lembranças do que sou?
Como diz o Toquinho em uma de suas canções, “Só não me esqueça num canto qualquer”.
Aqui na minha casa pode faltar tudo, menos café.
Café forte durante o dia inteiro.
Talvez seja uma forma de trazer para dentro da minha casa o cheiro da casa da vovó Raimunda.
Será que sou um bom avô?

Diz a lenda

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TED is bullshit -Walter me trocou por uma moca (via Epimenta)

– Eles estão invadindo!

— Hum?

— Eles estão pilhando, estuprando e envenenando as águas do reservatório!

— Mama, go sleep… As suas palavras cruzadas…

Minha mãe está demente. Ontem pôs cinco vestidos, um em cima do outro, desceu o elevador e marchou sem destino pela avenida Sumaré até cair com o rosto no chão e ser atendida por uma unidade móvel de socorro. Foi depois levada para uma unidade de tratamento intensivo, de onde já saiu. Minha mãe, uma mulher soberba que possuiu metade das propriedades do Jardim América. Hoje reluto em entregá-la a uma casa de repouso. Casa de repouso. Porque se não for isso terei de ficar com ela todas as horas do dia até a sua morte — a genética indica que ela pode atingir os 117 anos.

Enquanto isso, tenho pensado bastante sobre os dezessete minutos. Os dezessete decisivos minutos. Parece pouco, mas não é, sobretudo nesta época de plateias ansiosas. Não é a brevidade superficial dos quinze e tampouco avança sobre o terreno movediço dos vinte, que inconscientemente é como se fosse meia hora e aí andamos já no incerto reino temporal dos bocejos. Por isso o mágico David Blane prendeu a respiração em seus dezessete e todo mundo ficou eletrizado.

Continue Lendo via Epimenta 

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Assalto ao alto

Теxto e foto de Valéria del Cueto
Depois de embarcar naquela, os percalços dessa. Na saída de Floripa foi sorte que não estar chovendo. Depois de desfilar pela pista do aeroporto só os privilegiados da porta da frente tiveram direito a cobertura na escada que leva à aeronave. Ao povo da porta de trás, das poltronas com numerações mais altas, restaria a chuva mesmo…
No alto da escadinha uma mocinha aponta a arma: um folheto com os simpáticos preços de qualquer coisa que você venha a consumir a bordo.
Nem passarinho, nem macaco, somos mais. Como nos tempos das barrinhas de cereal ou pacotinhos de amendoim. Animais não sabem usar o dinheiro, lembra?
Agora somos vítimas de um absurdo achaque. Uma aguinha custa R$4,00. Assim como um cafezinho, inho. Refri em lata é 6 “real”. Já o combo de sopa/água (argh) é de dez mas, se trocar por um refrigerante, pula pra 13. Os sandubas, que beleza, saem de R$14. Todos com carnes voadoras. Filé de frango ou peito de peru. Não come carne? Pague e tire. Os combos minis, líquido mais sandubinha, todos com presunto, custam de 10 pratas pra riba. Cerveja (oba, dizem) com 15 gramas de amendoim ficam por 7.
Não vai aguentar o voo sem pelo menos uma àgua?  Saque o cartão e reze para passar na maquininha. Moeda só a nossa. Essa é a (in)grata realidade. ÁGUA DEVERIA SER DE GRAÇA,  dona companhia. Chamem a ANAC!
A crueldade que fecha o embrulho pra presente com laçarotes de fitas de seda é o energético de 10 pilas. Aquele plus pra quem se encontra no interior de uma aeronave a alguns mil pés de altura. Pode pirar, pode surtar, pode agitar. O produto se chama I-N-S-A-N-O!
Assim como o atendente para quem havia solicitado um assento em que pudesse ir fotografando a costa e me colocou do lado oposto, onde meu horizonte é o Atlântico entre nuvens. Tudo poderia ter ficado assim, pelos ares. Já teria rendido uma crônica. E pronto.
Prontos ficamos nós passageiros que, no Santos Dumont, tivemos que ficar pacientemente esperando na pista –  no sol junto a aeronave – enquanto o ônibus embarcava a primeira tropa, levava os passageiros ao terminal de desembarque e voltava para buscar a segunda turma que se refugiou nas sombras das asas do avião. Isso, nunca tinha visto. Mas há sempre uma primeira vez.
E uma segunda ou muitas outras também, quando o assunto é mala danificada no voo. Não deu outra. Quando fui pegar a bagagem, o puxador estava quebrado e ela meio lanhada do lado. Cheia de experiência procurei o funcionário da companhia que fez o registro da quebra do puxador, mas disse que a detonação era do “manuseio no terminal”.
Ele me explicou que a mala seria arrumada, mas que “era praxe da companhia” que o passageiro levasse a mala até a loja, no centro do Rio de Janeiro. Não precisei demorar muito a convencê-lo a mandar buscar a mala na minha casa. Não foi o argumento lógico de que o custo do transporte de ida e vinda seria muito maior que o conserto da mala que o convenceu.
Quando perguntou se, então, eu poderia entregar a mala para ele ali, na hora, disse que poderia sim. Só precisava que ele tivesse paciência e esperasse  até que tivesse tempo de montar minha câmera ou chamasse uma televisão que se interessasse em registrar a cena “non sense” das roupas amontoadas no piso do terminal. Antes da publicação desse registro diz a lenda que a mala estará no abrigo do meu lar.
Entrei de gaiata nessa viagem surreal, como disse na primeira parte dessas incríveis aventuras no bolicho voador!
Vale registrar: de tudo a venda na birosca só achei um produto desejável e aproveitável. Na contra capa, junto com dois livrinhos da Disney, na parte infantil, havia um aviãozinho de borracha para bebes por módicos seis reais. Na próxima vez, pela Web Jet, só nesse eu  quero voar. De preferência na banheira lá de casa…

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Parador Cuyabano” do SEM FIM.delcueto.cia@gmail.com

 

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Mauro Kwitko : bem necessário

Por Beto Bertagna

Mauro Kwitko deve ser uns 10 anos mais velho do que eu, por aí. Na minha adolescência eu já escutava suas músicas pela lendária Rádio Continental 1120 khz de POA, que a Globo fez questão de  emudecer. Acho que uma das suas músicas mais conhecidas é Mal Necessário, com o Ney Matogrosso. Mas me lembro de uma porrada de canções compostas por  Kwitko que embalaram aquela época mágica em que a gente brigava para ter uma fitinha K-7 com as músicas que  os comunicadores Antonio Carlos Contursi ( Cascalho Times), Júlio Fürst  ( Mr. Lee), Beto Roncaferro,Toninho Badarók, Clóvis Dias Costa e JB Schueller(Július Brown)  tocavam da MPG ( Gilberto Travi e Cálculo IV, Hallai Hallai, Fernando Ribeiro, Anna Mazzotti e o Grupo Desenvolvimento, Bizarro, Utopia, Status 4,Inconsciente Coletivo, Hermes Aquino, Cláudio Vera Cruz, Almondegas, Nélson Coelho de Castro, Bixo da Seda, Palpos de Aranha, putz, são tantos nomes !). Entrar no estúdio da 1120 era o sonho de qualquer jovem ! Quiz o destino que depois eu fosse ser redator de um programa de automobilismo na hoje Rádio Bandeirantes AM que fica na Delfino Riet , no Morro Santo Antônio .( Vem desta época também minha militância com o cinema.) Assim,  vi nascer a Rádio Ipanema FM com seus imponentes gravadores profissionais Scully pois o estúdio ficava do lado da Band AM numa história mais ou menos louca como o nascimento da Continental, afinal as duas eram “estorvos” inicialmente para as suas proprietárias , Rede Globo e Rede Bandeirantes .   Nesta época também fui o que se chama hoje DJ, pois com o meu grupo “Mamaloo”  fazia altas festas na SABI, na ESEF/UFRGS, em Canoas e em São Léo onde eu estudava Geologia. Depois fui trabalhar como “residente” ganhando uma nota preta na Discoteca Kiwi, também em Ipanema, no lugar do Magro Miguel que na época criou a Stereomoto na praia de Atlântida. O dono do Kiwi só empregava universitários, do garçon ao cozinheiro. Acho que só o porteiro(com o apelido não sei por quê de Leiteiro) não fazia faculdade.  O JB Schuler eu conheci na casa da minha namorada que era meio parente dele. Os fornecedores de “bolachas” exclusivas ficavam em Paso de Los Libres, na Argentina e quem não tinha um comandante da Varig conhecido prá trazer discos que estavam estourando na Bilboard  não era ninguém.

Mauro Kwitko é escritor e é dele este texto ” A garotinha da macela ” que reproduzo agora,e  que faz refletir sobre a nossa existência e a nossa missão. Afinal, damos tanto bola prá gente idiota que não merece nem um pingo de respeito e na correria do dia a dia esquecemos um pouco do verdadeiro e necessário amor , e da oportunidade que as vezes cruza pelo nosso destino sem nos darmos conta…

Todo mundo que tem carro conhece       Aquelas coisinhas miúdas        Que nos infernizam os dias     Nas sinaleiras fechadas,      A gente já meio neurótico,      Com as orelhas E o humor em frangalhos.     Pois hoje à tarde uma delas,      Uma garotinha loirinha,    Oferecia macela em raminhos     Para o motorista à frente     E eu cuidava curioso Pelo resultado previsto,    Enquanto o motorista, indeciso,     Procurava recusar-lhe sorrindo,    Inventando uma desculpa qualquer.    Mas algum trocado lhe desse, Que a macela era apenas um pretexto,     Abrisse a carteira e tirasse    Um ou dois do dinheiro     Que hoje se chama real   E ela teria a impressão, passageira,
De ter cumprido um dever. Mas ele recusou    E ela veio em minha direção    E preocupado com meu destino,    Que realmente não seria agradável,   Repeti a velha desculpa:    “Não, obrigado, eu já tenho.” E ela, insistindo, pedia   Que levasse um raminho comigo,    Que era bom pro estômago,   E pro fígado,   E nem sabia que não gosto    De nada pesado ou fritura,   E continuei recusando Até que ela então desabafando me disse:    “Ah, também, todo mundo tem macela!”    E com aquilo desmontou-me por inteiro, aos pedaços,   E abrindo a carteira ligeiro, Que o sinal já ameaçava amarelo,   Tirei um pequeno dinheiro   E dei-lhe sorrindo   Dando-me então por satisfeito.  Sem macela.  E como última tentativa,  Ela correu ligeirinho E ofereceu o raminho  Ao motorista traseiro,  Que para não fugir da rotina,  Falou-lhe decerto  Que já tinha macela suficiente em casa  Para baldes e baldes de chá Para todos os gases e cólicas,  Tanto presentes como futuras.  E isso tudo eu via  Pelo espelhinho retrovisor lateral,  E como última visão,  Antes de dirigir-me ao destino, Vi a garotinha da macela,  Loirinha, a coisa mais linda,  Retornando à segurança da calçada,  Chorando e fazendo beicinho,  E que dos seus olhos corriam As lágrimas iniciais de uma vida
Destinada sem dúvida   A tantas e tantas mais.  E, sinaleira aberta,  As buzinas dos apressados clamando,  Não pude fazer   O que me dava vontade,   Que era descer do maldito carro,  Comprar-lhe todos os raminhos E dar um beijo fraterno  Naquele rostinho tão lindo,  De uma garotinha loirinha  Que poderia estar num Colégio,  Ou quem sabe numa piscina  Ou numa aula de Inglês, Mas que, ao contrário,  Passava o dia inteiro  Numa sinaleira fechada  Oferecendo o que ninguém queria,  Porque todo mundo já tinha, Ah, também!  E só o que tenho em consolo É que me arrependo bem fundo  De ter-lhe recusado conforto,  Comprado a macela  E sorrido,  Que não custa nada  A gente fazer essas coisas.  Então por que  Não desci do meu carro E fiz o que agora me culpo?   Garotinha da macela,   Desculpe a gente.

Para quem quiser conhecer mais , visite o portal do Mauro > http://www.portalmaurokwitko.com.br

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Águas de abril

 


Por Beto Bertagna

Águas de abril,

que choram por espanhóis

Monções naufragadas

de Luiz de Mello Pereira e Cáceres

Águas de sempre

que choram por nós…

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Gente que encontrei por aí… Pistolino

foto: B.Bertagna

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Maria Louca , Estrada de Ferro Madeira-Mamoré

Por JLGalvão Jr


Retornam as águas puras estiadas em grande purgatório

Livram pecados de almas cristais eternos

Degelos nascem fios altiplanos

Batismam crédulos, tementes, grandes caudais

Beni benedictus

Mater Madre de Dios

Guá Guaporé guamar

Mamoré

Exclamam in nomine sanctus

Pará guassús

que nomes intimam as águas grandes?

Curumim lhe basta igarapé

Taihantessú pequizal nascente pareci

Parecida semente se queda

Sol nascente já é íntimo de águas

Reproduz nelas

Seduz belas

Mães de botos

Enfilham fugaces facies

Eternas flores régias

Deleitam

Deitam

Maria louca em grande eito

Negros homens barbados sujeitam

Alvos homens enredam sem filhos

Gês em revolta em volta picam

Batismam falsos rebentos de santos

Deitam

Maria louca em longo feito

Res incógnita sem dolo

Inconsútil túnica verde mata

Visgos ancestrais enleiam

Timbós unem céu e solo

Deitam

Maria louca em férreo leito

Não há vau, não há vão, apenas

Observam atônitos movimentos tectônicos

Quebram o madeiro céleres cadenas

Teotônio barra indômitos

Deitam

Maria louca em íntimo peito

Silêncio de sons alados ou rastejantes

Infinitos sinos d’agua repicam

Dardos de luz ferem peles viajantes

Impiedosos óleos visgam

Deitam

Maria louca em ígneo pleito

Deitam velhos frutos metálicos

Deitam odes e versos torpes

Deitam barro sobre girândolas

Deitam losas sobre madeira

Super flumine materiorum

Ouço rumores da história

Vejo estranhas seges naufragadas

Sinto flores estioladas

Tombam

Maria louca em gesto nobre

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Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 11 – Two boys in South-American jungles

Só a frase final já elucida um bom pedaço da nossa história…

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11 de setembro : Homenagem a Salvador Allende em um Chile diferente #AllendeVive

“Este 11 de setembro vai ser diferente porque o Chile já não é o mesmo”, afirmaram os organizadores da grande marcha deste domingo em homenagem ao ex-presidente Salvador Allende e às vítimas do pinochetismo. Na convocação ao tradicional tributo, a Associação de Familiares de Detentos e Desaparecidos (AFDD) e o Grupo de Familiares de Executados Políticos ressaltaram a singularidade desta comemoração neste ano, inscrita em um clima de mobilizações sociais com características anti-neoliberais. Esperamos que esta seja uma homenagem massiva, destacou Lorena Pizarro, presidenta da AFDD, que reflexionou a respeito do significado da mobilização deste dia, convocada para render tributo e também para demandar a construção de uma verdadeira democracia no Chile, sublinhou. Convidamos as famílias a unir-se a esta manifestação para que ganhemos o direito de manifestar nas ruas, destacou Pizarro. Para hoje está prevista a habitual peregrinação de cada 11 de setembro no Chile, que vai até o Cemitério Geral, partindo desta vez da central Praça dos Heróis de Santiago. O Museu da Memória programa além disso “uma homenagem audiovisual para os homens e mulheres mortos pela violência de Estado entre 11 de setembro de 1973 e 10 de março de 1990”. A iniciativa consiste em projetar em uma tela gigante umas duas mil fotografias de pessoas que foram assassinadas ou desaparecidas durante o regime de terror imposto pela ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Como parte do tributo ao líder da Unidade Popular, foi realizado ontem um emotivo ato político e cultural na praça da Constituição desta cidade, do qual participaram destacadas bandas musicais chilenas como Legua York e Los Rockers, além de cantores populares, poetas e atores. “Salvador Allende inspira e é parte da reconstituição hoje do povo chileno que luta”, destacou na ocasião o presidente do Comitê Executivo do Socialismo Allendista, Esteban Silva. “Allende, acrescentou, está mais vivo que nunca hoje na luta dos estudantes por uma educação estatal e laica, e na demanda por uma Assembleia Constituinte por uma nova Constituição”. Enfatizou também o legado do ex-presidente seu próprio neto Pablo Sepúlveda Allende, quem mencionou a efervescência social que vive o país sul-americano e a vigência do pensamento allendista nas lutas atuais do povo de Chile. Marcaram presença também no ato um grupo de parlamentares da Argentina, Brasil e Uruguai que assistem como delegados ao Terceiro Encontro Latino-americano pela Verdade e a Justiça, inaugurado na última sexta-feira na Universidade de Santiago.

Que estranho paradoxo sobre Allende, apontou dias atrás o escritor chileno Antonio Skármeta: “Um homem que teve três funerais e se mantém muito vivo no coração de seu povo”.

Relembrando…

Dois atentados. Dois fatos históricos diferentes. O do Chile foi cometido há 32 anos e anda meio esquecido. Vale relembrá-lo.
Em 11 de setembro de 73, a mais sólida democracia da América do sul sofreu um atentado que deixou uns 30 mil mortos no seu rasto. O Chile foi vítima de um golpe militar, perpetrado pelas três Forças Armadas, com o objetivo de quebrar a esperança de se construir um país socialista pela via eleitoral.
Salvador Allende, após três derrotas, venceu as eleições presidenciais em 1970. O imperialismo americano não podia permitir que a “via chilena para o socialismo” vingasse e fosse um exemplo para a América Latina. Por isso, junto com a burguesia chilena conspirou e chamou os militares para acabar com aquela experiência. Allende foi derrubado. O Palácio de la Moneda, assim como várias fábricas onde estavam trabalhadores dispostos a resistir, foram bombardeados.
Com o golpe, dezenas de milhares de pessoas foram presas, torturadas e exiladas. Se calcula que de 10 a 30 mil foram assassinados ou se tornaram os famosos desaparecidos, vitimas da ditadura do general Pinochet. A esquerda foi quebrada. Com isso os Estados Unidos puderam dirigir tranqüilamente a economia chilena, sem freios. O Chile foi o primeiro país do mundo onde se implantou o projeto neoliberal. Os famosos Chicago Boys, os defensores da doutrina neoliberal, liderados pelo economista Milton Friedman ali testaram os resultados dos planos neoliberais.

Tudo isso exigiu um atentado terrorista contra a esquerda e o povo chileno que custou 30 mil mortos. Dez vezes mais do que o número de mortos no atentado em Nova Iorque em 2001, quando caíram as duas Torres Gêmeas e que, com razão, comoveu o mundo.

Victor Jara, o cantor de Venceremos

Há vários filmes dobre o Golpe do Chile de 1973. O mais recente é Machuca, mas há outros quase clássicos: ‘Chove sobre Santiago’, ‘Missing – O desaparecido’ e ‘A Casa dos Espírito’. Em ‘Chove sobre Santiago’, uma das cenas mais chocantes é a de milhares de presos, no dia 11 de setembro, amontoados no Estádio Nacional de Santiago. Muitos foram mortos sob tortura ou com um tiro na nuca ali mesmo. Outros seguiram para várias prisões ou acabaram sendo jogados vivos ao mar de aviões militares.
No estádio um dos presos era o cantor e poeta Victor Jara. Os torturadores lhe deram um violão e o forçaram a cantar o Hino da Unidade Popular que tantas vezes ele tinha cantado junto com o povo. Victor Jara teve suas mãos cortadas para nunca mais, com seu violão, cantar Venceremos.

Santa Maria de Iquique: um massacre em 1907

A matança da Escola Santa Maria, na cidade de Iquique, no norte do Chile é um dos fatos mais trágicos vividos pelos trabalhadores chilenos. Foi no dia 21 de dezembro de 1907. Foram assassinados mais de 3.000 trabalhadores do salitre, que estavam em greve por melhores salários e para que se mudasse o sistema de pagamento de vales para dinheiro.

Trecho da Cantata Santa María de Iquique, de Luis Advis

“Vamos mujer / Partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.
Toma mujer mi manta, te abrigará.
Ponte al niñito en brazos, no llorará.
va a sonreir, disle cantarás un canto,
se va a dormir.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Largo camino tienes que recorrer,
atravesando cerros, vamos mujer.
Vamos mujer, confía, que hay que llegar,
en la ciudad, podremos
ver todo el mar.
Dicen que Iquique es grande como un salar,
que hay muchas casas lindas te gustarán.
Te gustarán, confia como que hay Dios,
allá en el puerto todo va a ser mejor.
Qué es lo que pasa?, dime, no calles más.
Vamos mujer, partamos a la ciudad.
Todo será distinto, no hay que dudar.
No hay que dudar, confía, ya vas a ver,
porque en Iquique todos van a entender.”

via Prensa Latina & Núcleo Piratininga, com os meus sinceros agradecimentos a Heloisa Helena Rousselet de Alencar(Nininha), por ter me apresentado o Quilapayún, nos idos anos 70…

NR: Em 1998 estava participando do 6´ Festival Chileno de Curtas-Metragens de Santiago, junto com meu amigo também cineasta Robinson Roberto e assistimos à estréia de um documentário chamado “Fernando está de volta.”, de Silvio Caiozzi. Muitos anos depois, Ricardo Aronovich , (diretor de fotografia de “Missing – O Desaparecido”, de Costa-Gavras ) foi meu professor num Estágio Avançado da FEMIS na UnB e nas rodas de café contou muitas outras histórias sobre o filme e a ditadura chilena.

O documentário “Fernando ha vuelto” mostra como médicas legistas trabalhando no necrotério de Santiago (Oficina de Identificación del Instituto Médico Legal) conseguem identificar os corpos de  desaparecidos prisioneiros da ditadura militar de Augusto Pinochet (1973-1990).

Os médicos demonstram as técnicas utilizadas em um caso recentemente resolvido: os restos de um homem encontrado enterrado, junto com muitos outros, no Pátio 29 do Cemitério Geral de Santiago, em 1991.Os restos mortais são de Fernando Olivares Mori, um chileno de 27 anos de idade que trabalhava para as Nações Unidas . Ele desapareceu em  5 de outubro de 1973. Após quatro anos de trabalho, os médicos com sucesso conseguem estabelecer a identidade de Fernando e, uma vez que já voltaram seus restos mortais para sua viúva, comunicar oficialmente a causa da morte (quase sempre tortura e execução sumária). Imagens do documentário testemunham o impacto que o retorno de Fernando tem em sua família: seu filho, seus irmãos e sua mãe. Seu testemunho ilustra como quão irrelevantes as convicções políticas podem ser quando se trata de sofrimento humano.

Um momento muito tenso, porque no Cine Pedro de Valdivia estava a família de Allende e o filme trata justamente de uma ossada que é identificada e tem , finalmente, um enterro cristão. No Chile, as feridas ainda estão abertas. Quase 40 anos depois…

#AllendeVive entrou nos Top Trends do Twitter Brasil neste domingo. 

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Alberto Lins Caldas on line…………………

 

Por Alberto Lins Caldas

*

paralisado
amputado pernas e braços
sem dentes quase sem cabeça
sem lingua olhos orelhas
reduzido a ondulações
do peito destroçado
assim o senhor

porisso os servos
se transformam nele
renovado inteiro criador
e se põem produzindo
o universo formigueiro
q cada servo sonha
ser o sonho do senhor
*

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O amor de verdade (via Ossos do Ofídio)

Não é o amor o que une as pessoas. Sentimento abstrato este. Ave nossa! Não. Não é o coração que bate o olho e que escolhe.

Vejo esta foto, de meus pais. Cada um em sua juventude. Aqui, numa mesma pose à minha cabeceira. Duas vidas que se irmanaram.

Continue Lendo via Ossos do Ofidio

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Livros imprescindíveis para entender Rondônia : Os Desbravadores, de Vitor Hugo

Em seus mais de 40 anos de vivência em Rondônia, o autor, Prof. Vitor Hugo  fez estudos superiores em  S. Paulo, Rio de Janeiro e no exterior. Ocupou a cátedra do magistério tanto a nível médio, quanto a nível superior, foi o primeiro Secretário do Estado de Rondônia para a Cultura, o Esporte e o Turismo, além de ter criado a Rádio Caiari, implantado o automatismo telefônico em Porto Velho, onde nos anos 60 — também colocou a primeira imagem televisionada. Com a autoridade de profundo conhecedor da região e dos homens que habitam a Rondônia de Roquette Pinto, lhe foi possível acompanhar passo a passo o progresso que a envolve, com seus complexos problemas, a partir da eclosão migratória aos problemas ecológicos, ambientais e do índio, todos vistos sobretudo sob o aspecto social.

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O Número

Um homem troca de nome até conquistar um, definitivo

Baseado em conto do livro Babel, de Alberto Lins Caldas. Um curta-metragem brasileiro com Othon Bastos, premiado em Festivais de Cinema.

Direção de Beto Bertagna. Filmado em 16 mm numa sala em construção da Faculdade Uniron, na cidade de Porto Velho/RO. Diretor de Fotografia, “Ruda”Rodolfo Ancona Lopez  Negativo, Fuji Câmera, Eclair

Veja uma entrevista minha no site CartaMaior

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Livros para entender Rondônia : The river that god forgot, de Richard Collier

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08/09/2012 · 07:42

Veterano

Está findando meu tempo,
A tarde encerra mais cedo,
Meu mundo ficou pequeno
E eu sou menor do que penso.
O bagual tá mais ligeiro,
O braço fraqueja as vezes
Demoro mais do que quero
Mas alço a perna sem medo.

Encilho o cavalo manso,
mas boto o laço nos tentos,
Se força falta no braço,
Na coragem me sustento.
(Se lembra o tempo de quebra
A vida volta prá traz
Sou bagual que não se entrega,
Assim no mais.)

Nas manhãs de primavera
Quando vou para rodeio,
Sou menino de alma leve
Voando sobre o pelego.
Cavalo do meu potreiro
Mete a cabeça no freio.
Encilho no parapeito,
Mas não ato nem maneio.

Se desencilha o pelego
Cai o banco onde me sento,
Água quente de erva buena,
para matear em silêncio.
Neste fogo onde me aquento,
Remôo as coisas que penso,
Repasso o que tenho feito,
Para ver o que mereço.

Quando chegar meu inverno,
Que me vem branqueando o cerro,
Vai me encontrar venta-aberta
De coração estreleiro. Mui carregado dos sonhos,
Que habitam o meu peito
E que irão morar comigo
No meu novo paradeiro.

O que destoa neste vídeo de 82 do programa Galpão Crioulo da  TV Gaúcha ( acho que neste tempo ainda não era RBS) é a “platéia arranjada” no fundo, que o diretor de tv não percebeu e deixou passar. Tem uma mulher que masca chiclete com um ar enfadonho nunca dantes visto na tv brasileira.

Mas esquecendo deste deslize, o clip tem um bumbo legüeiro que só faltava ser tocado com uma colher, acompanhando os grandes “Os Serrranos”. As quatro primeiras frases “Está findando meu tempo, a tarde encerra mais cedo, meu mundo ficou pequeno e eu sou menor do que penso” são de uma melancolia poética do caralho .

A música é de Antônio Augusto e Ewerton Ferreira . Minha interpretação favorita é na voz fantástica do nativista pelotense Leopoldo Rassier, de trabuco na cintura e vincha na testa, sua marca registrada. Rassier, como diria o Lauro Quadros, “conhecia o rengo sentado e o cego dormindo”.  Vencedor na 10ª Califórnia da Canção Nativa do RS, Rassier faleceu em 2000, aos 63 anos vítima de câncer.

Em homenagem à Semana Farroupilha, que de tão grandiosa, começa hoje e vai até dia 20 de setembro. ( Incluindo o dia 15, que é o aniversário do Grêmio Football Portoalegrense). Aliás, na minha opinião, Rassier, que peitou a ditadura cantando Tema de Marcação, na Califórnia de 75,  é um injustiçado na cultura gaúcha. Companheiro de uma geração que também teve César Passarinho e … mas aí já é outra história.

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Ao Norte – 29

foto : B.Bertagna

foto : B.Bertagna

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Anjos Caídos (Queda)

Por Cátia Cernov

Era uma vez um quintal clandestino:
Camuflado de olhos angulares

Cercado de dentes e mentes armadas
E resguardado por navalhas de carne.
Ali, os sobreviventes da hecatombe da lei,
Reinventavam cercas muros e viadutos paralelos

Nesse quintal não havia culpa, mas também não havia perdão!
Só crianças que precisavam crescer
Roubar, mentir e consumir narcóticos.
Todo sonho era distante, toda imaginação era maculada
E se configurava conforme eram as fatalidades da terra.
Então o universo lhes permitiam habitarem as esquinas
Terem seus corpos subnutridos e deformados pela história…

Compartilhavam dos restos, vendiam os sexos
Riam dos bêbados nus e do tempo que nunca passava
Das manchas que brotavam nos pequenos seios.
A treva se prismava de seus olhos piratas
E as mãozinhas empunhavam estiletes de prata:
Reflexos de bichos em estado de sobrevivência…

Nenhum poder havia deixado de ser experimentado
Todo jogo havia sido blefado
As crianças mergulhavam nas pedras de cracks
Desalinhavam a mente pra reinventar paraisos
Depois acordavam famintas
E deliravam brinquedos no asfalto quente…

Nenhuma ascenção e queda os impediam
Ignoravam moral etica
as filosofias
as ciências direito esquerdo
religião e educação
Sequer acordavam antes das dez!
Bastardos descalços,
As crianças brincavam nos pântanos de wall street
Estendiam suas mãos magras á Apolo 11
Depois despencavam nuas dos céus de outdoors…!

 

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A base biológica da espiritualidade (via Leonardo Boff)

Assinalamos anteriormente, nestas páginas, que o espírito representa a dimensão do profundo humano. Espiritualidade que dele se deriva é um modo de ser, uma atitude fundamental, vivida na cotidianidade da existência: na arrumação da casa, no trabalho na fábrica, dirigindo o carro, conversando com amigos. De repente, irrompe como que um lampejo de algo mais profundo e inexplicável. É o espírito que se anuncia. As pessoas podem conscientemente se fazer abertas para o profundo e para o espiritual. Então se tornam mais centradas, serenas e irradiadoras  de paz. Propagam estranha vitalidade e entusiasmo porque têm Deus dentro de si.  Este Deus  interior é amor, o qual nas palavras de Dante, no final de cada livro da Divina comédia, “move os céus e as estrelas”,  — e nós acrescentamos: e nossos próprios corações.

Esta profundidade espiritual, dizem pesquisas científicas, tem uma base biológica. Realizadas do final do século 20 e conduzidas pelos neuropsicólogos MichaelPersinger e Ramachandran, pelo neurologista Wolf Singer e pelo neurolinguista Terrence Deacon, outrossim por técnicos usando scanners modernos para fazer imagens cerebrais, detectaram o que eles chamaram de “o ponto de Deus no cérebro” (God spot ou God module).

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Veja agora o ranking das melhores universidades do Brasil ! ( via Economistinha)

De 100 pontos possíveis, a USP fez 98,78. A segunda colocada, a UFMG (Univ. Federal de Minas Gerais), conseguiu 91,76. Em um “empate técnico”, a UFRJ (Univ. Federal do Rio de Janeiro) ficou com 91 pontos – essas foram as únicas a ultrapassar os 90 pontos (de 100 possíveis).

No ranking geral, as doze primeiras colocadas são universidades públicas, ainda que a avaliação de mercado das universidades privadas seja boa. Das 15 mais citadas por empresários, seis são pagas. Porém a qualidade da pesquisa é baixa: apenas a PUC-Rio foi citada (que não à toa é a melhor privada no ranking, na 13ª colocação).

Outro fato importante: das 20 melhores instituições do país, 16 estão no Sul e no Sudeste, e nenhuma no Norte. A melhor colocada do Nordeste é a UFPE (Univ. Fed. de Pernambuco), na 10ª colocação.

Veja Mais via Economistinha

 

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