* Luis Felipe Abreu

É hora de tirar a roupa preta do armário, porque o funeral é IMINENTE: Porto Alegre está agonizando. Na verdade, já começou a gangrenar.

Na última quinta-feira, a SMIC (Secretária Municipal de Produção, Indústria e Comércio) fechou 4 bares da cidade: o Café Moinhos, o Lord Lanches, o Gato Félix e, RUFEM OS TAMBORES, o Bambus. Sim, aquele lugar horrível que aprendemos a amar.

No caso dos três primeiros, a alegação foi de irregularidades no alvará. Já em relação ao Bambus, os motivos citados pela secretaria são diferentes, e significam um retrocesso político-social imenso: oficialmente, o bar foi fechado “por concentrar aglomeração excessiva de pessoas, brigas frequentes, algazarra e consumo de bebidas fora do local apropriado”.  São exatamente os mesmo motivos que levaram ao fechamento de praticamente todos os lugares da Cidade Baixa no ano passado.

Alguém mais está ouvindo essa voz? Aquela que grita HIGIENIZAÇÃO.

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1 comentário

Arquivado em Efêmeras Divagações

Uma resposta para “

  1. Lau

    Vou replicar aqui o comentário que fiz lá no PosPop, pois acho importante mostrar um outro olhar sobre o assunto:

    Sou/fui frequentadora do Bambus durante muito tempo e sempre tive um carinho especial pelo bar, onde encontrava os amigos e tomava uma cerveja tranquilamente. Acontece que, realmente, havia muita gente lá que não estava “tranquilamente”. Meu namorado mora a alguns metros dali e simplesmente era impossível dormir na casa dele (não apenas aos finais de semana). Se não bastasse, a rua ficava uma sujeira e frequentemente havia brigas no local – coisas que, enquanto era apenas frequentadora, não notava. Mas isso causava uma tensão no bairro inteiro e, mais de uma vez, tocaram o interfone durante a madrugada falando pornografias (gente que não conheciamos, vale lembrar). É claro que isso é culpa de uma minoria, e, como eu ia bastante lá, sei disso. Mas era uma situação horrível ter que aguentar tudo isso e confesso que foi um alívio para mim o fechamento do bar.

    Enfim, é aquela velha história de que a liberdade de um vai atéonde começa a liberdade de outro. Infelizmente, um pequeno grupo de frequentadores do Bambus, que não sabia como se portar, acabou com a diversão de muitos. Essa semana, no Ocupa Bambus, as coisas já estavam bem mais tranquilas. Muita gente foi e todos se portaram de maneira normal, sem sujar tanto a rua, sem “perturbar a paz” (embora o termo seja caretíssimo, foi o melhor que encontrei). Certamente, se fosse sempre assim, o bar não haveria fechado.

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