Quem faz nem se sacode, mesmo quando não pode

Por Valéria del Cueto, texto e foto

Em cima do laço, tento manter o traço e faço de meu compasso medida para decidir. É tempo de olhar, apreciar e analisar, para DEPOIS… votar!

Sou do bem e estou de mal com quem só quer o que é mau. Rebelde e guerreira que sempre fui, achava que essa força se esvairia com o tempo. Qual o quê. Sigo implacável. Não tenho um pingo de piedade com quem não faz direito seu papel, insiste em jogar pra torcida e comete todos os tipos de jogadas proibidas achando que está abafando. Entrou em campo? Conhece as regras? Então trate de segui-las. Não apenas por obrigação, mas para mostrar sua convicção em relação ao que é certo ou errado. Isso é sinal de respeito com seus opositores e quem assiste de arquibancada a partida.

Ética, a ética. Conhece essa palavra? Sabe o que significa e implica? Se não sabe, sai da reta, pega o rumo, pica a mula ou passa longe, por que não tenho mais paciência para aguentar mentirosos e embromadores capazes de qualquer coisa por um pouco mais do mesmo cesto podre: o poder! Peguei pesado? Eu não! Eles que já botaram suas garras de fora mesmo antes do tempo regulamentar e que, quando adentraram o gramado saíram cometendo infrações a torto e a direito, sem medo de serem verdadeiramente punidos!

Fez uma, duas, três? Sai de campo, meu irmão. Está provado que não há respeito ao próprio pleito. Tá, te dou uma moral: em vez da decisão ficar restrita ao apito do juiz, vamos usar também o recurso de replay. Ele não mente jamais!

Nessa eleição a farra é nacional, mas está fragmentada: não há informações gerais, por assim dizer. Então a festa come solta! Por isso sugiro que o TSE produza um mapa nacional das irregularidades para que o país possa ver como a banda vai tocar seus vários instrumentos: de sopro, percussão e as cordas. Vai ser uma cacofonia! Com a pesquisa teríamos um ranking partidário, do quesito “quem faz mais merda” e, portanto, já demonstra sua intenção de enganar o eleitor. Sim, por que quem faz para se eleger, imagina do que é capaz depois de eleito. Imagina não. Dá muito trabalho e precisa puxar pela cabeça. Abre os jornais que está tudo lá!

Seria apenas uma questão de sistematizar as decisões na medida em que fossem saindo e jogá-las num banco de dados único para nossa gente bronzeada poder ver quem está no topo da parada dura das irregularidades eleitorais. Primeiro foram Haddad e Lula, depois Serra. Todos ainda antes de começar a campanha. Se a multa é tão ridícula e ainda pode ser paga por terceiros, vale a pena errar, inclusive desumanamente, repetidamente.

O atual prefeito do Rio de Janeiro é um que pegou a manha e está com bico para exercitar seu direito(?) de ser punido. Em poucos dias de campanha já chutou várias vezes a gol: deu a largada participando de várias inaugurações Dilmisticas, inclusive de um projeto apenas 10% concluído. Vaia neles que eles merecem! Na sequência, um final de semana, fomos brindados com gravações telefônicas pedindo votos pro cara. A compra de banco de dados é proibida. Infernizar a vida alheia não. Ele deve ter usado sua vastíssima agenda pessoal. Adentrando o gramado da apelação pura e simples, o  vascaíno Eduardo Paes pegou carona na chegada ao Botafogo do jogador holandês Seedorf. O recebeu com o presidente do clube, filiado ao PMDB, no Palácio da Cidade. Cumprimentar o alcaide é praxe para todos os que aqui chegam! Tente ir lá. Ou, se for funcionário, aguarde notícias por que anexado ao contracheque de junho veio um panfleto falando dos feitos realizados. Crime eleitoral…

Enfim, se abriram as porteiras do universo da ilegalidade e pipocam irregularidades. Elas são muitas e, infelizmente, ficam voando por aí sem punição espalhadas em baixo dos tapetes processuais dos tribunais eleitorais locais, sem que possamos ter um quadro aproximado e atualizado do conjunto da obra no período em que é criada. Mais tarde, a gente sabe, Inês é morta, eles  eleitos e nós? Continuaremos fazendo papel de idiotas, pelos próximos 4 anos.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIMhttp://delcueto.multiply.com

3 Comentários

Arquivado em Crônicas certeiras

3 Respostas para “Quem faz nem se sacode, mesmo quando não pode

  1. Beto,
    Para teu conhecimento, a Valéria que além de enxergar ‘longe’ é feliz proprietária de lindos olhos (rs.) fez a delicadeza de me reverter:
    Qt
    delcueto wrote today at 2:21 PM
    Norma
    Se só você tivesse lido, se só você tivesse respondido, se uma única pessoa se sentisse sacudida, já teria – e sempre terá – valido a pena!
    Unquote
    Que gerou, da minha parte o abaixo:
    Qt:
    Eu entendo e reconheço valor aí.
    E, também, tenho a exata noção da importância (e o alcance) do ‘intermediário’ e seu trabalho de carpintaria nas coxias, de uma sociedade aparentemente ”desatenta’, pelo qual, mais uma vez, agradeço.
    Boa Sorte!
    Norma
    Unqt
    Uma semaninha boa e Fiquem Bem!
    Norma

  2. Beto,
    Grata e B.domingo.
    Comentei:
    Qt
    “À mulher de César não lhe basta ser honesta, tem também de parecê-lo”.
    ou “Não basta à mulher de César ser honesta, ela precisa parecer honesta.”
    (será que a frase acima só se justifica para os cornos históricos? Pois nem se dão mais ao trabalho… Nac.)
    Caio Júlio César

    “A modernidade começa com uma desilusão: quando se percebe que do bem não decorre o bem. Maquiavel faz essa terrível constatação – aquilo que, no plano privado ou pessoal ou religioso [1], é bom e merece elogios, pode redundar em catástrofe no campo da política. Alguns dizem que, com isso, o pensador italiano terá separado a política e a ética, proclamando a primeira como imoral ou pelo menos amoral. Não é verdade. Maquiavel mostra-se exigente com o seu príncipe, ou seja, com aquele que governa os demais homens: nada mais errado do que imaginar as regras que presidem a sua ação como efetuando uma desqualificação daquela que seria a verdadeira ética, ou seja, a pessoal ou religiosa. Ninguém compreenderá nada de Maquiavel, ou da política moderna, se não tiver isso bem em mente. Podemos, isso sim, falar em duas éticas, como faz Max Weber, nisso claramente tributário do florentino.”

    [1] É óbvio que esses adjetivos não são sinônimos. Mas, para o que nos interessa, estão bastante próximos, sendo sua diferença sobretudo de ênfase: no caráter religioso (e portanto algo altruísta) ou pessoal (e quem sabe egoísta) da boa conduta.

    Ética e ação política

    Renato Janine Ribeiro

    Universidade de São Paulo (Departamento de Filosofia)

    (vivemos sobre a égide de 2 ÉTICAS ??? Nac.)

    Valéria,

    Tento fingir que não vejo, que não me incomodo (seguir o ‘rebanho’ e ignorar que há muito “circo”, mas que a cota do “pane’ foi reduzida e está cara – nada é caro que dinheiro – $$$) e trato de cuidar da minha vidinha, quando de soslaio, com o rabo dos olhos, enxergo a sua ‘presença’: a falta de ética (falta vergonha na cara) dos nossos representantes (que não vieram de Marte e sim do seio da sociedade…), como o teu texto que me caiu no colo, como se tivesse na esquina me esperando com espigada de curva. Bigorna & piano caem juntos, no alto da minha cabeça. E trazem lembranças, como uma das cenas mais obscena que já assisti em rede nacional: Gov. e Presi ‘passeando’ na Rocinha. Adolescente firmando o pé e insistindo: Sou estudante e faço ‘bicos’. A ‘otoridade minhoca da terra’. fazendo ‘gracinha’: Vc não me engana, vc. é ‘aviãozinho”, umas 3/4 vezes repetiu-se o diálogo. Morri e jurei (em cima de uma pilha de Bíblias): Tu cara, não vê o meu voto…é nunca!

    (Que mané história de “Não faça do seu voto uma arma”? Faça sim! Uma arma poderosa a seu favor e de TODA a coletividade. Acordemos!).

    Ou a divertida (e saudosa) lembrança que as tuas palavras também, me trouxe: Domingo, saindo da praia. Eu e uma amiga (que já partiu prematura e rapidamente) gaúcha (4 meses em POA e 8 no RJ). Politizada e informada em última instância. Carreata p/Gov. vindo em sentido contrário nos impede de atravessar à AV. V.Souto. Paramos na ilha das pistas.

    O ‘candidato’ nos viu e partiu em nossa direção de braços abertos. Ela estendeu o braço e lhe empurrou o peito, dizendo ‘Não!’ ao beijnho oferecido. Rapidamente ele estendeu à mão. Ela colocou os 2 braços para trás e usando de todo sotaque de sua naturalidade, lhe disse:”Não cumprimento qualquer um. Se nem sua mãe falava (fala?) com o senhor…”

    Fez-se um minuto de silêncio mais extenso do que os assistidos em partidas de futebol.

    Grata pelo sacode. Bom domingo e Boa Sorte!

    Norma

    P.S.: Cheguei aki pelo rebbloged do Beto a 24 quadros.
    Unquote

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