Caixote

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Por  Valéria del Cueto, texto e fotos

Ai meu santo caderninho dos registros improváveis. Valei-me!

Cá estou de volta depois de várias publicações redigidas nas frias teclas do computador. Não por minha livre e espontânea vontade. E, sim, por pura e simples necessidade. Provocada por fatores variados e complexos como o tempo ruim, a falta de agenda, a pressa… Todos indignos da minha devoção! É, por que o caderninho demanda uma posição geográfica nem sempre específica, porém, desejável. Quem acompanha meus escritos sabe do que falo: refiro-me a Ponta do meu Leme. Preferencialmente. Ao lugar que abriga o paraíso na terra que Deus me deu.

É nele que me encontro. São 2 horas de uma quinta feira de sol e o que poderia parecer um privilégio é uma necessidade urgente. Tão essencial como respirar e andar. Tão emergencial a ponto de antecipar em um dia a produção semanal dessa crônica.

Era urgente olhar o mundo pelo filtro divino que só o sol, a luz, o mar e seu murmúrio podem conjurar para me proteger.

Por que o trem está feio, aqui e acolá. É nessas horas que me apego ao imutável, mesmo que, ao aportar no meu chão de areia testemunhe que a redoma também tem suas contendas, por mais estranha que elas pareçam.

No caso, me pego matutando sobre a bronca do vendedor que grita com os possíveis ex futuros clientes esbravejando pelo fato deles reclamarem dos preços praticados. “Não existe nada de dois reais. O biscoito Globo é três desde 2010”, reclama ele, exaltadíssimo com a desatualização dos fregueses estupefatos.

Se a coisa está assim aqui, imagina lá fora…

Esfrego os pés na areia e deixo o sol explodir nas minhas costas enquanto com o corpo produzo a sombra que me permite escrever no caderninho apoiado nos joelhos.

É grave a crise, eu já sei. Mas daí a minha Lumix acusar falta de carga, apesar de haver trocado as baterias minutos antes de sair e, numa concessão praticamente inaceitável, ter lançado mão de pares do kit do flash da Nikon com que trabalho…

Ia – do verbo não vou mais – fazer a foto da cena que descrevi para que você tivesse parâmetros para julgar minha capacidade descritiva. Citando Paulinho da Viola “Não sou em quem me navego, quem me navega é o mar…”

A mim resta apenas o bom e velho exercício de jogar o “Jogo do Contente”, que aprendi com Poliana, e agradecer a quem de direito o fato das baterias não falharem durante um trabalho a vera, em plena função profissional.

Até por que, esse mesmo ser de luz, só deixou as baterias arriarem depois de vários cliques anteriores do paraíso com os quais ilustrarei estes riscados.

Sinto que o texto está chegando ao fim, o que lamento como nunca o fiz antes. Por mim ia assim seguindo página após página. Parando o mundo aqui no meu recanto para contar da maneira mais honesta possível minhas tentativas de sobreviver a esses tempos difíceis. E, mais importante, falando das lições que estou aprendendo e me permitem saber “ler” o entorno pressentindo e aproveitando (como der) os sinais de esperança enviados através do céu, da terra e do ar que me cercam e agasalham.

Por menores em mais sutis que sejam eles estão aí. Para serem captados, absorvidos, multiplicados e reenviados para quem precisar…

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*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

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Arquivado em Delírio Cotidiano

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