Fleurs du mal

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Por Valéria del Cuetotexto e fotos

Estava assim, quase meio…
Pedi uma luz, ganhei o céu.
Com o que tinha direito:

lua, gaivota – um bando inteiro.
Nas nuvens, o sinal.
A seta que aponta
pro rumo, meu prumo!
*Vagabinha dadaista do Sem Fim…

E lá vinha eu, repleta da minha pobre poesia, olhando o mundo derramando por suas bordas inspiração para minhas rimas pobres provocadas por uma avalanche de imagens que se atiraram em cima de mim vindas diretamente do meu céu da Ponta do Leme.

Não havia como fazer de conta que o recado não era direcionado, endereçado e precisava ser devidamente capturado. Afinal, tinha minha “arma” nas mãos, um pedido no coração e os olhos voltados para o entorno que se estendia até onde minha vista podia alcançar.

Só me restou uma possibilidade. Entregar-me ao momento e mergulhar nos elementos que me cercavam. Não vou repeti-los citados que estão na vagabinha ilustrativa acima reproduzida.

Parei o mundo e não foi para descer! Me senti tomada pela força da mensagem implícita nas imagens cinematograficamente fotografadas que registrei.

Acho que isso não é um fato isolado, nem sou a única capaz de chafurdar e me lambuzar no meu entorno e, se possível, fazer algo para torná-lo ainda melhor.

Essa semana, uma notícia me intrigou. Um sinal dos tempos e das forças que nos governam. A de um grupo de traficantes que decidiu que o crack não fazia bem para os negócios e “diz que” ordenou a suspensão da venda do produto “após o final dos estoques existentes”. Até o momento, apenas a favela do Jacarezinho, no Jacaré, subúrbio carioca, onde está situada uma das maiores cracolândias da cidade, acatou a ordem que, segundo a inteligência da polícia, teria vindo de dentro dos presídios cariocas.

Para a minha xará, a delegada Valéria Aragão, titular da Delegacia de Combate às Drogas, a ação dos traficantes poderia ser “uma jogada de marketing”.

O que chamou minha atenção foi a preocupação com a possibilidade dos usuários se “espalharem” e “infestarem” por outros pontos da cidade, demonstrada, inclusive, em manifestações na zona sul da cidade.

Me peguei, mais uma vez, pensando nesse mal que nossa presidente(A) Dilma em sua campanha política jurou combater com afinco, denodo e fé para se eleger. Principalmente no segundo turno, apelando para a trágica situação das famílias envolvidas nesse flagelo e na esperança (vã) de extirpá-lo pelas vias governamentais republicanas.

Incrível verificar que contra ele de forma eficaz e – espero – definitiva quem está agindo são os traficantes. Mais incrível é a tentativa de menosprezar e duvidar da eficácia da decisão da bandidagem. Quem faz marketing impunemente são os políticos que prometem, manipulam e não cumprem seus compromissos depois de eleitos.

Para falar a verdade, minha experiência de vida me diz que entre a palavra de um bandido e a de um político, a primeira, sem dúvida, vale muito mais, ao contrário do que supõe e expõe minha xará policial.

Mais uma verdade: não importa quem vai levar os méritos. O que interessa para o povo é que essa sangria humana e familiar tenha fim. Venha ele das autoridades constituídas (não fariam mais que a obrigação) ou dos bandidos empresários, preocupados com sua imagem e/ou clientela.

*Valéria del Cueto é jornalista, cineasta e gestora de carnaval. Esta crônica faz parte da série “Ponta do Leme” do SEM FIM http://delcueto.multiply.com

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