território de maíra

(post curto, mas grosso)

Gabriela, novela das 23h da Rede Globo, tem apenas dois capítulos, mas já dá mostras claras do que era a opressão às mulheres no início do século XX, época em que o folhetim se passa. O mérito, claro, é de Jorge Amado, cuja obra baseia esta ficção televisiva. E o demérito, da realidade que inspirou seu livro.

Mulher forçada a ter relação sexual com o marido sem qualquer direito ao próprio prazer. Mulher que é negociada em casamento. Mulher que foi abusada quando criança. Mulher que não pode dar sua opinião porque simplesmente não é considerada um ser pensante. Mulher objeto. Mulher que tem que ser virgem para ter valor.

Todas elas estão em Gabriela. E todas elas eram reais.

Será que, em certa medida, não continuam sendo? Ou vai me dizer que todas as mulheres estão livres de seus pudores e são bem…

Ver o post original 92 mais palavras

1 comentário

Arquivado em Efêmeras Divagações

Uma resposta para “

  1. norma7

    É verdade. A gente viu e continua a ver isso tudo (não precisa nem de mídia. é só olhar para lado)

    Agora, eu vi (acho que vi – rs) uma cena, meio de soslaio, – como uma pequena cunha, como uma pequena marca colocada ali e só sabida por quem a pôs e que incomodou.

    Sou muito bissexta para acompanhar novelas e folhetins, mas p/mim foi assim:

    Os 2 famintos retirantes encontram-se com Gabriela e seu tio. Há pouca comida e nada a ser compartilhado. O tio sucumbe à tísica. A beleza de G. mexe com um dos jovens (porque a ‘sujeira/poeira’ cinematográfica é sempre pior do que a real?). Os retirantes comprometem-se a respeitá-la (ou algo assim).
    (…)

    Corta a cena e G. aproxima-se do mais jovem. Não como uma submissa: “Dia útil ele me bate, dia santo ele me alisa. Longe dele eu tremo de amor, na presença dele me calo. Eu de dia sou sua flor, eu de noite sou seu cavalo …”, nem como uma deusa pré-história, que trazia o enigma de ser capaz de gerar outro minúscuclo ser, portanto, ser a ‘dona’ e dele dispor e levá-lo embora.

    Uma igual (igual é igual – em nada diferente).
    Ele sentado (deitado?), ela em pé. E assim ele a vê: com iguais dizeres e queres. Idêntica. E ambos, cônscios e desejosos… Uma fêmea daquele macho e vice-versa. Um casal da espécie.
    (olhar tipo: berçário de estrelas . tudo está nascendo naquele exato momento).

    Ele ACORDA e a vê, distante, ao lado do tio que agoniza. A expressão do rosto foi: meu mundo quebrou (não há diálogo). Fosse grego teria um Corifeu a seguir!

    A beleza presente foi trazida pelo homem que despido de toda a bagagem de convenções, envolveu-se na sua essência e viu que não era igual, era o mesmo, sem tirar nem por.

    Foi uma cena rápida, muito bem arrumadinha e creio que “proposital” (torço pra isso!)

    Fiquem Bem,

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google

Você está comentando utilizando sua conta Google. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s