Assimetrias (mínimo tratado da Síndrome dos Sumérios)

Por JLGalvão Jr

Apesar dos esforços simétricos – cêntricos,
códices rompem-se em áureas divisões
e existências frágeis
Muros, muralhas, Hamurábi.

Se alevantam penhascos de barro e pedra,
demarcam próprios e familiares semi-deuses.
Frestam umbrais suntuosos, cerram madeiros invernais,
ameiam e fuzilam, vertem óleos ferventes.

Do sortimento de desatinos sob halos sísmicos,
fluem faunos tingidos de sangue, azuis.
Servindo-se das vidas inúteis – é parca a sentinela,
avançam céleres à conquista da nova cidadela.

E no secreto das catacumbas, ainda submersos,
sortilégios proferidos à pouca luz dos sacelos,
dos desvalidos, ecoam em frígido universo.
Priscas eras, priscos homens e mulheres.
Valhacoutos de fogos frios, ínvias cavernas.

Novíssima sociedade de símiles seres avança,
trança caminhos estranhos, retesa os largos passos.
Fluem caravanas largas, não erram sobre cascos.
Destinam, não desatinam por lagares como dança

Mas tal destino cumpre tirana ameaça
e o fado cruel do escorpião signa sátrapas.
Cede atávico medo, humo adonde viçam ímprobas
flores do mal, e vestem finos mantos de caliça.

E a cidadela trucidada sustenta novas raízes.
Sobre pedras ensanguidas alvanéis alevantam
a urbe rediviva, onde frisos e anéis brilham.
E tornam como anjos os altos senhores e juízes.

Eis a síndrome atávica de nossas mais primevas
eras, de quando os semi-deuses eram parcos
homens envolvidos em finas franjas douradas.
Estranha natureza, havendo deuses, hão covardes.

Eis a síndrome dos francos esgrimistas da palavra.
Esmagam antecessores com maça e arquiclava,
e sobre a ruína alheia constroem catedrais retóricas,
cidadelas de razões fluidas, urbes meteóricas.

Disse Jurandir na carta ao Brasil:
É em reflexo à esmagadora potência da natureza,
à mortalidade, ao corpo vulnerável,
que os homens inventam as civilizações.

Disse Platão na sétima carta, no sétimo selo:
A divindade vingadora desencadeou sobre vós
franco desprezo das leis e dos deuses, e a audácia
que só a ignorância confere, onde os males da humanidade
deitam suas raízes, engrossam e produzem frutos amaríssimos.

Antiga mente. Moderna mente. Igual mente.

Escalas de destruição comparáveis à construção.
Imensa energia para destruir cidadelas à ela proporcional,
a humanidade cumprindo a síndrome ritual.
Vida e morte, opostos complementares, Yin – Yang.
No apogeu, em gestação a morte.

Poetas, filósofos e artistas afiam essa navalha,
mostram na tragédia o belo e o espetáculo.

Redivivos e refinados Sumérios, dominantes, cruéis,
restituem medos virtuais, ternura, mundo simulacro,
batalhas retóricas, guerras discursivas,
submissões intelectuais, derrotas e humilhações insuportáveis.

Deconstruir catedrais de pedras conceituais,
arcos retóricos, invenções e reinvenções da natureza,
construir novas catedrais, novos argumentos.
As mesmas pedras entretanto.

Desde Platão à Freire ouço longo rumor,
como vozes em longos debates, como as margens
ravinas em decomposição ante águas, como as guerras
nunca se calam em nossa história.

Deblateram dementes e sábios recentes,
sapientes disputam primazias de teses ocas,
porfiam maestros portentosos, mestres ilusionistas,
indigentes de rotas roupagens do saber, trêfegos escribas.

Queria eu cumprir o intento mordaz desta porfia,
glosar os caricatos, desafinar os cânticos opacos,
golpear e deitar ao chão a retocada iconografia.
Bobão, fui pego no remoinho dos poetas fracos!

* José Leme Galvão Junior nasceu em Cruzeiro, São Paulo, em 15/9/1950. É arquiteto, graduado pela Universidade Nacional de Brasília em 1978. Em 1980 ingressou na Fundação Nacional próMemória, hoje Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN). Realizou projetos e obras de restauração, estudos para tombamento, pesquisas sobre a evolução de sítios urbanos históricos, e estudos para sua regulamentação. Ministra palestras e cursos de treinamento. É coordenador e gestor de projetos, programas e unidades do Iphan. Mestre em Arquitetura e Urbanismo pela UnB (2000). Pintor e poeta bissexto.

via Via Política

3 Comentários

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3 Respostas para “Assimetrias (mínimo tratado da Síndrome dos Sumérios)

  1. Para hoje 6/6
    Merlin (o astrólogo – afirma que Vênus, Terra e Sol ainda bem aspectados – vamos aproveitar já que as vísceras do pombo confirmaram!) :
    1) Regenar o Sr. Seu Rei e pedir a dissolução do casamento deixar os nove filhos como herança e prova de boa fé – levar as 5 filhas (visando futuros acordos e/ou dotes);
    2) Envio do Embaixador (c/ boa parelha de montaria e bem trajado) com: foto da irmã de 15 a. (no lugar da minha) mais jovem, mais bonita, mais culta/prendada e mais disposta a parir. Mandar todo o conteúdo de “tesouros” armazenados na segunda torre, à esquerda de quem entra e metade da colheita passada, como prova de firme interesse. Dois escravos – seria ostentação?;
    3) Redigir:”Quero você todinho para mim” ou “Permita-me ter a augusta e excelsa honra de cortejá-lo”? (verificar o que o Códice de Etiqueta da Corte recomenda) Redesenhar sinete real só para impressionar. Quem gosta de pobreza são os s.nob ou “sine nobilitate”, (eu hein, Rosa! Me inclui fora);
    4) Verificar a necessidade da contratação de arqueiros mercenários caso surja “pequeníssimos” contratempos, tipo: esse “Príncipe entre ou Homens” estar sob o jugo de um contrato matrimonial anterior, amar outra, outro (oi?), à cabra (double oi?), ser monge da única ordem careta (isto non ecziste) em todo o Reino: Eliminar qualquer obstáculo, sem muita lenga-lenga!
    4) Chamar as bordadeiras do castelo para estudar os monogramas passados: “Z” ou “J” combina melhor com qual dos meus 16 nomes próprios?
    5) Perguntar ao Sinodo a indicação de um construtor para me ensinar sobre “Amarração de Vigas” – assunto (já) escolhido para o Banquete de Apresentação, – não quero passar por “triste figura”;
    6) Convidar BB a 24 quadros para o evento, em sinal de gratidão pela forte emoção (semelhante a um dragão incendiário nas entranhas) proporcionada;
    7) Lembrar: Primeiro banho do ano ( É HOJE….). Próximo: No Dia das Bodas – agendar.
    P.S.: Se o augusto confessor real começar com aquele nhem..nhem…nhem do: “De novo, Alteza?” Mandar pastar (front de qual batalha? Perguntar ao “Capo di tutti capi” dos assuntos relacionados à expansão territorial).
    Mãos a obra….que projetos sempre saem mais caro do que o orçado!
    +++++
    Beto:
    Assimétricas? Para mim, redondinhas! Clap…Clap!
    Caso seja possível, diga-lhe do quanto gostei.
    Amei…Grata a ti…Fique bem!

    • Direi pessoalmente. Beto

      • Podes ‘ordenar’ ao arauto real para anunciar aos 4 cantos do mundo conhecido, incluindo à Rota da Seda e ultrapassando o Cabo Bojador, que devido ao prometido serviço a ser prestado por V.Exma, és o mais novo ‘feliz proprietário’ de uma terrinha (futuro investimento da Casa Real – a ser viabilizado), uma ‘pequena fração” abranjendo terras do Caburaí, no estado de Roraima, ao Chuí, no Rio Grande do Sul . (mantenha esses nomes. Faço questão. Não o troque por Oiapoque! Merlin já fez numerologia)
        Desfrute-a com saúde e juízo!
        P.S.: Título de Duque e Comendas, bem como a Escritura Definitiva do Brasilis, ao vosso aguardo e conveniência.
        P.P.S.: Cuidado extras com os nativos. Não porque vivem com as vergonhas ao léu. Nem porque são afeitos à água de banho, sem medo de adoecer e sim, porque gostam tanto de homens brancos que (alguns) costumam comê-los… oralmente e com algumas ervinhas do mato!
        Recomendo-vos a Deus….

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