Arquivo do mês: dezembro 2011

Feliz 2013 na Suíça (via Professor Hariovaldo Almeida Prado )

Com a falência final da economia nacional, ocasionada pela búlgara terrorista para o ano que se inicia, não restará nada que possa motivar os homens bons a permanecerem visitando esta terra falida e devastada pelo comunismo dilmopyongyanguístico, o que demonstra claramente que 2012 nem existirá para nós pois é o ponto final na história dos construtores bem intencionados desta triste Pátria, o ano em que todos sairão do Brasil rumo a um lugar melhor na Suíça, deixando a gentalha naufragar nas mãos das hostes bolchevistas do PT. Então nos veremos novamente em Zurique ou Davos, feliz 2013 para todos!

Via Prof. Hariovaldo Almeida Prado   Leia também    Mais uma fêmea insubmissa calunia os homens de bem      Supremo Tribunal dos Justos livra bom homem da perseguição

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Para quem acha que sabe dominar uma moto

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12 sintomas do TDAH em adultos (via TDAH – Reconstruindo a vida)

Por Alexandre Schubert

Em uma postagem anterior, comentei que eu deveria escrever um manual de TDAH. Possuo praticamente todos os sintomas presentes em todos os testes. Alguns de forma mais moderada outros de maneira acentuadíssima. Pretendo narrar os principais sintomas que caracterizam ao transtorno e a mim também.
Gostaria de ressaltar que não sou médico ou psicólogo, o que narro aqui são minhas experiências de vida.

1) MEMÓRIA RUIM –  O esquecimento costuma ser a ponta do iceberg, o sintoma mais visível. Costumamos ser taxados de ‘aéreos’, ‘distraídos’… Existem pessoas que esquecem objetos, datas, coisas do dia a dia. Eu não. Fui premiado com uma péssima memória para coisas importantes. Esqueço que marquei com um cliente, esqueço que assumi um compromisso com meu chefe, esqueço de pagar uma conta da empresa em que trabalho. Minha memória ruim ficou folclórica. Passei a assumir publicamente meu esquecimento. Meus funcionários me perguntavam: como você fala na cara do cliente que esqueceu? Mas esqueci mesmo. Mentir é pior, era minha resposta. A maioria das pessoas entendia, muitos clientes eu perdi.

2) PROCRASTINAÇÃO – Sem meias palavras, procrastinar é adiar as responsabilidades. É fugir do importante. O pior da procrastinação é que você adia a tarefa, o compromisso, mas ele te tortura. Você não o esquece mas não reúne forças suficientes para encará-lo. Em geral, trocamos a necessidade por um prazer efêmero, idiota, infantil. Já adiei tarefas importantes para assistir TV, ficar no computador…
A culpa martelando a cabeça, mas não fiz. Muitas vezes, a procrastinação cria situações insolúveis. Tive um funcionário, um senhor, excelente, de confiança absoluta. Mas um cara irascível, se indispunha com todo mundo. Muita gente me alertou: conversa com o seu fulano. Ele te escuta, ele vai melhorar, ele precisa do emprego. Repreender um funcionário é terrível, repreender um que é quinze anos mais velho do que você é muito pior. Resultado: adiei, adiei, adiei. Um dia, ele teve uma briga séria com um cliente. Demiti-o sumariamente. Perdi o funcionário, o cliente e ganhei um inimigo. Ele se achou injustiçado e me detesta até hoje.

3) ISOLAMENTO – Minhas filhas me puseram o apelido de “ZÉ BUSCAPÉ”, o personagem de desenho animado que vivia enfurnado em seu sítio e atirava em quem fosse visitá-lo. A medida que os anos passam, vou ficando cada vez mais isolado, estou tomando antipatia de gente, horror de muita gente. Adoro estar sozinho, no máximo ao lado da minha família. No máximo! Meu comportamento anti social atingiu uma tal gravidade, que faltei a compromissos profissionais e sociais em que eu era protagonista. Minha empresa patrocinou eventos e cursos em que eu não compareci. Dei bolo. Fiquei em casa assistindo TV.

4) DIFICULDADE PARA TERMINAR O QUE COMEÇOU – Sou uma usina de novas idéias. E grande parte delas muito boas. Quando fechei minha empresa, um cliente veio me parabenizar por tudo o que fiz pelo setor em minha cidade. Segundo ele, o ramo mudou depois que abri minha empresa. Implantei idéias inovadoras, valorizei o conforto dos clientes e acima de tudo, valorizei os profissionais do ramo, que historicamente sempre foram relegados a um plano inferior no mercado local. Mal sabia ele que o que fiz, não foi sequer um terço do que havia planejado. Encontrei em fundos de armários uma série de projetos e ações inconclusas que eu sequer me lembrava de haver iniciado. Cursos, palestras, promoções, ações inovadoras que nunca saíram do papel. Muitas delas lindamente escritas, bem fundamentadas. Jamais viraram realidade. Uma dor profunda me atingiu ao rever aquilo. Teria minha empresa sido diferente se tudo aquilo tivesse virado realidade?

5) HUMOR VOLÚVEL – Este tópico é particularmente difícil de explicar. Meu humor varia de uma forma absurda. É tão automático que fica complicado tentar exemplificar. Deve ser muito difícil conviver com alguém assim. Em determinados dias, acordo melancólico, meio deprê. Ou ao longo do dia, um fato pequeno, desimportante, derruba meu ânimo. Fico silencioso, acabrunhado, me dá uma enorme vontade de deitar e ficar quietinho. Mas, da mesma forma que um fato menor arrasa, outro ainda menor é capaz de mudar as cores da minha vida. De um segundo para outro. A simples lembrança de algo, uma música, qualquer coisa que possa, ou não, estar relacionado com o fato gerador da tristeza. Ou pior ainda, posso lidar com situações limite mantendo a calma. Em outro dia, entro em erupção por nada, ou quase nada. E minha ira tem uma característica interessante, explodiu, acabou. Fica apenas a dor da vítima da minha fúria.

6) DESORGANIZAÇÃO – Já melhorei muito, mas muito mesmo. Apenas na superfície. Consigo manter minha casa razoalvelmente organizada, cumpro horários com relativa facilidade (relativa), aparento um grau normal de desorganização. O que não consigo organizar é MINHA VIDA. Essa é um caos. Não consigo estabelecer prioridades e se estabeleço não as cumpro. Não consigo cumprir nada que me exija acompanhamento regular, nada que se repita ao longo do tempo. Não consigo pagar minhas contas em dia. Vivo recebendo ameaças de corte no fornecimento da água, da luz, da tv, da internet…
Em minha falecida empresa, os funcionários aprenderam a conviver comigo. Eu estabelecia uma rotina de trabalho, cobrava durante um certo período, depois esquecia de cobrar. Aquilo caía no esquecimento e ninguém mais cumpria. Um caos.

7) INTOLERÂNCIA AOS LIMITES – Detesto limites, mesmo os legais. Quando me deparo com restrições que não aceito – e são muitas – monto verdadeiros debates em minha cabeça como forma de justificar minha não aceitação àquela regra. Exemplo: outro dia fui à Viçosa, cidade próxima a Juiz de Fora, em determinado ponto da estrada existe um posto de combustível fechado. Situado em uma das poucas retas da estrada, a existência do posto fez com que, naquele ponto, fosse proibida a ultrapassagem. Ultrapassei. Nenhum guarda viu, não fui apanhado. Mas, na minha cabeça comecei a elaborar minha defesa se fosse pego. Imaginei o policial emitindo a multa e eu explicando a ele que aquela faixa contínua não se justificava mais pois o posto estava desativado. E ele argumentando que se a faixa é contínua, não há o que se discutir, é a lei. Isso leva minutos. Quero por que quero, justificar minha transgressão. Isso vale para qualquer tipo de restrição. Ouvir um não é uma dor imensa, uma raiva desgraçada.Quando fui comprar minha primeira caixa de ritalina, havia uma pequena divergência na receita. O funcionário da primeira drogaria que entrei disse que não podia vender duas caixas, somente uma, e que precisava chamar o gerente para decidir. Arranquei a receita de suas mãos, disse alguns impropérios e fui a outra drogaria. Por sorte o funcionário não notou. A receita estava errada, assim como eu.

8) NÃO APRENDER COM ERROS – Isso é muito, muito difícil. Você repete os mesmos erros sempre. E não os reconhece quando os reencontra; somente quando obtém os mesmos desastrosos resultados. Vivemos em círculos, repetindo os erros e as dores por eles provocadas. Afetivamente, eu me comportei da mesma forma com minhas quatro ex-esposas. Isso mesmo, QUATRO. Agi da mesma maneira, magooei a todas elas e não consigo enxergar antecipadamente. Não antevejo a situação. Reconheço o estrago, mas aí já é tarde.

9) GERENCIAMENTO DO TEMPO – É duro, muito duro. Como disse acima, costumo cumprir meus horários. Mas a que custo, meu Deus. Programo mais de uma coisa ao mesmo tempo, ou sempre acho que dá tempo de fazer mais alguma coisa. Isso gera um stress louco, uma correria que já me levou a atropelar pombos em duas ocasiões diferentes. Em ambas eu estava a mais de 100 km por hora em ruas urbanas, comuns. Dentro da cidade. Programei duas atividades com pessoas e em locais diferentes com um intervalo inexequível. Resultado: deixei duas pessoas insatisfeitas. A duras penas estou aprendendo.

10) NECESSIDADE DE NOVIDADE/ MUDANÇA – Preciso do novo. Preciso de mudança. E de preferência de vida. Arrisquei-me mais de uma vez ao mudar de cidade, de emprego de faculdade e de esposa ou namorada na vã ilusão de reduzir minha insatisfação pessoal. Nada me proporciona satisfação ou prazer a longo prazo. Preciso do novo. Da sensação de recomeçar. Da adrenalina da nova conquista. Do prazer do inusitado. E por que não, da perplexidade das pessoas que me cercam; da incredulidade de quem convive comigo. O problema é que são sentimentos vazios ou sustentado em pilares frágeis, incapazes de suportar o peso de tanta insatisfação. Então, vem uma nova mudança. Um novo começo, e o círculo se fecha para recomeçar amanhã.

11) CERTEZAS INCERTAS – Em um post anterior, abordei esta questão. Construo em minha mente cenários reais, situações concretas que jamais existiram ou se existiram aconteceram de forma diversa da que tenho em minha mente. Tenho certeza absoluta de certas afirmativas, brigo por elas. Para depois descobrir que estavam erradas. Em algumas ocasiões cheguei a crer que estava enlouquecendo. Vejo diante de mim situações inteiras, com minúcias, que estão erradas. Naquele post narro minha ida ao médico em que eu tinha a certeza absoluta do prédio e do consultório do médico. Jamais ele ocupou uma sala naquele prédio.
O contrário também acontece. Nego veementemente que disse ou fiz determinada coisa, para ser desmascarado logo depois e passar por mentiroso ou fingido. Aquele momento que nego, jamais existiu em minha vida. Não me lembro de haver passado por aquilo, de ter afirmado aquilo. Tudo se apagou de minha mente. Minha terceira esposa se exasperava com essa característica, mais de uma vez me mandou procurar um médico. Devia tê-la escutado; mas eu deveria estar pensando em outra coisa naquele momento.

12) SENTIMENTO DE INFERIORIDADE – Esse é um sentimento que me acompanha desde a adolescência. Lembro-me de não ter coragem de ‘chegar’ nas meninas mais bonitas por me char feio e acreditar que elas jamais aceitariam sair, ou mesmo dançar comigo. Conformava-me com as mais ou menos, ou as feiosinhas. Graças a Deus, tive mulheres bonitas em minha vida, mas foi por sorte ou por que elas deram muita chance. Jamais pleiteei algo maior em minha vida. Quando tentei, o fiz de maneira inábil e perdi. Isso só reforçou o sentimento de inferioridade. Aos vinte e um anos eu tinha um ótimo curriculum e excelentes perspectivas de vida. Após anos de escolhas erradas, medos infundados, tenho praticamente o mesmo curriculum e quase nenhuma perspectiva em termos materiais. Por medo de errar, medo de me expor, medo de descobrirem que eu não era capaz. Absoluta falta de auto confiança.

Parte deste artigo foi baseado no excelente artigo: POR QUE PERDEMOS O FOCO, no site http://www.tdah.org

via TDAH – Reconstruindo a Vida Leia mais 12 SINTOMAS DO TDAH EM ADULTOS

Leia também Um TDAH afogado em idéias. O site é muito bem escrito, feito por um portador de TDAH diagnosticado aos 50 anos , veja só !

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TV espanhola : zoando com Neymar

O humorístico Crackovia revelou o segredo da equipe de Pep Guardiola contra o campeão da Libertadores na decisão em Yokohama: Neymar foi hipnotizado.

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Finalmente, Landell de Moura vira "Herói da Pátria"

Era o ano de 1889. No Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no bairro de Santana, em São Paulo, o padre Roberto Landell de Moura instalou um estranho aparelho de madeira com um microfone. Em outro ponto, outro aparelho recolhia as ondas transmitidas pelo primeiro e reproduzia o som. Foi a primeira transmissão de rádio ocorrida em São Paulo, conforme registrou à época o jornal O Estado de S.Paulo. Outras demonstrações do tipo foram feitas por Landell de Moura no Rio Grande do Sul e em outros lugares. Em 1901, ele obteve a patente brasileira do aparelho transmissor de ondas sonoras, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio, e em 1904, obteve também as patentes nos Estados Unidos. O italiano Guglielmo Marconi, mais reconhecido como inventor do rádio, só conseguiu fazer uma transmissão de voz em 1914, quinze anos depois de Landell de Moura.

Foi necessário que se passassem 123 anos para que Landell de Moura obtivesse o reconhecimento pela sua invenção, pelo menos no Brasil. Em caráter terminativo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou o projeto de lei 7504/2010, que inclui o padre gaúcho no Livro dos Heróis da Pátria.

Na época em que viveu, Landell de Moura foi vítima da incompreensão e da ignorância de seus contemporâneos brasileiros. Empresários e governantes do país não deram à época a menor atenção às invenções do padre. Diante de criações que pareciam contrariar as leis da natureza, Landell era tratado como “herege”, “farsante”, “bruxo”. Em 1905, por exemplo, ao voltar dos Estados Unidos, Landell escreveu uma carta ao então presidente Rodrigues Alves pedindo a cessão de dois navios para fazer uma demonstração da transmissão de rádio de um para outro. O pedido foi negado, “coisa de maluco”. Quando Marconi fez pedido semelhante na Itália, toda a esquadra italiana foi colocada à sua disposição.

O o projeto foi apresentado em 17/6/2010 pelo então senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), por sugestão de seu chefe de Gabinete Dirceu Braz Goulart Neto (hoje exercendo a mesma função junto à senadora Ana Amélia Lemos), e de Marcello Antunes, assessor de imprensa da Liderança do PT e do Bloco de Apoio ao Governo no Senado, todos simpatizantes do Movimento Landell de Moura, o patrono dos radioamadores do Brasil.

Ironia do destino, embora seja um dos maiores gênios dos séculos XIX e XX, por suas invenções e atuação científica, Landell de Moura, gaúcho de Porto Alegre nascido no dia 21 de janeiro de 1861, é ignorado em seu próprio País, onde as crianças continuam aprendendo que o inventor do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi.

Com o conhecimento teórico e a inquietude dos que estão à frente de seu tempo, Roberto Landell de Moura transmitiu a voz humana à distância, sem fio, pela primeira vez no mundo. Foi também pioneiro ao projetar aparelhos para a transmissão de imagens (a TV) e textos (o teletipo). Previu que as ondas curtas poderiam aumentar a distância das comunicações e também utilizou-se da luz para enviar mensagens, princípio das fibras ópticas. Tudo está documentado por patentes, manuscritos, noticiário da imprensa no Brasil e no exterior e testemunhos.

As pioneiras transmissões de rádio aconteceram no final do século XIX, ligando o alto de Santana – o Colégio Santana – à emblemática Avenida Paulista, que hoje abriga diversas antenas de emissoras de rádio e de TV.

Ao transmitir a voz, Landell se diferenciou de Marconi. O cientista italiano inventou o telégrafo sem fios, ou seja, a transmissão de sinais em código Morse (conjunto de pontos e traços) e não o rádio tal como o conhecemos.

As experiências do padre Landell não sensibilizaram autoridades e nem patrocinadores. Pior: um grupo de fiéis achou que o padre “falava com o demônio” e destruiu seus aparelhos.

Mesmo tendo patenteado o rádio no Brasil (1901), Landell não obteve reconhecimento. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos, onde conseguiu, em 1904, três cartas patentes. De volta ao Brasil, quis fazer uma demonstração das suas invenções no Rio de Janeiro, mas, por um erro de avaliação, o Governo não lhe deu a oportunidade. Depois, ele seria “forçado” a abandonar as experimentações científicas. Morreu no ostracismo e o Brasil importou tecnologia para entrar na era das radiocomunicações!

Landell de Moura está, agora, já em pleno século XXI, prestes a ver seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão Tancredo Neves, graças ao Projeto de Lei do senador Sérgio Zambiasi, que está atualmente em análise na Câmara dos Deputados. Estará, desse modo, ao lado de outros heróis como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Oswaldo Cruz.

Também receberá, em fevereiro, o título post-mortem de Cidadão Paulistano (que Marconi recebeu em vida), por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel.

Há anos, ele é o patrono dos rádio amadores brasileiros e seu nome está em ruas e praças de várias cidades, em instituições públicas e em livros publicados no Brasil e no Exterior.

O Brasil tem agora a oportunidade de reconhecer a obra científica de Landell e incluir os seus feitos no currículo escolar obrigatório do ensino básico. É por isso que luta o MLM – Movimento Landell de Moura, integrado por voluntários de diferentes áreas, que construiu um site –www.mlm.landelldemoura.qsl.br – para angariar assinaturas em prol desse reconhecimento. Vale registrar que o MLM não tem fins político-partidário, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal.

Patentes

Landell de Moura, em 9 de março de 1901 obteve para seus inventos, a patente brasileira número 3.279 Poucos meses depois seguiu para os Estados Unidos, e em 4 de outubro de 1901 deu entrada no The Patent Office of Washington, DC pedindo privilégio para as suas invenções, tendo obtido, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio.

Os seus trabalhos foram noticiados em 12 de outubro de 1902, no jornal americano “The New York Herald“, em reportagem sobre as experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal:

Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone“.

O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada

Padre Landell de Moura – inventor do telefone sem fio” (denominação de época para a radiotelefonia ou a transmissão da voz humana à distância sem fio condutor).

Nas cartas-patentes, fica claro que o padre Roberto Landell de Moura recomendou o emprego das ondas curtas para facilitar as transmissões quando essas ondas não eram sequer cogitadas por outros cientistas.

Além disso, Landell deixou manuscritos que provam que, em 1904, quando ainda estava nos EUA, projetou a transmissão de imagens (Televisão) e textos (Teletipo) à distância sem fios. Ele batizou a primitiva TV de “The Telephotorama ou A visão à distância”. Também há documentação de que foi um dos pioneiros no desenvolvimento do controle remoto pelo rádio. Esses projetos não foram adiante porque, como ele próprio disse em uma entrevista à imprensa brasileira, foi “forçado” a abandonar a carreira científica.

Roberto Landell de Moura faleceu de tuberculose, aos 67 anos, no anonimato científico, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Nos últimos momentos de sua vida, quando alguém indagou sobre os progressos da radiodifusão, ele simplesmente respondeu: “São águas passadas.”

Quem foi

O padre Landell de Moura nasceu no centro da cidade de Porto Alegre (RS), em 1861. Realizou os seus primeiros estudos em Porto Alegre e São Leopoldo, antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana, onde estudou física e química. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia, e foi ordenado sacerdote em 1886.[1]

Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo.

Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.

O Exército Brasileiro em homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de “Centro de Telemática Landell de Moura” ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre.

Transmissão da voz

Foi pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e, posteriormente, nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos; o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara deressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.

O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho, as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acordo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação, Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.

O Padre Landell realizou experiências a partir de 1892 e 1893, em Campinas e em São Paulo. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou que, em 1899, ele transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:

No domingo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família“.

Em 1903, Arthur Dias, em seu livro “Brasil Actual”, faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:

logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.

Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas“.

Incompreensão e descaso do Brasil

O êxito das experiências do Padre Landell não teve a devida acolhida das autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900, que diz:

quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos.

Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.

Visto por uma população ignorante como “herege”, “impostor”, “feiticeiro perigoso”, “louco”, “bruxo” e “padre renegado” por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.

Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura pretendeu doar seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.

Em 1905, ao retornar ao Brasil após uma estada de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar os seus inventos que revolucionariam a comunicação (chegou a dizer que, no futuro, haveria comunicação interplanetária).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um “maluco” e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar as suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.

Em Rondônia, o Pe. Vitor Ugo, então Secretario de Cultura Esportes e Turismo, SECET , juntamente com seu adjunto Prof. Isaías Vieira da Costa, implantou na década de 80 o CEPAV – Centro Audiovisual Pe. Landell de Moura, que seria o embrião da TVE Madeira-Mamoré, Canal 2, emissora educativa do Sinred – Sistema Nacional de Rádio e TV Educativa que funcionou por aproximadamente 5 anos. Tive a satisfação de ser convidado por Vitor Ugo e Isaías para participar deste projeto pioneiro. Como muitas outras coisas , em Porto Velho JÁ TEVE um canal de tv educativa. E o Pe. Landell de Moura foi justamente homenageado, àquela época.

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Finalmente, Landell de Moura vira “Herói da Pátria”

Era o ano de 1889. No Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no bairro de Santana, em São Paulo, o padre Roberto Landell de Moura instalou um estranho aparelho de madeira com um microfone. Em outro ponto, outro aparelho recolhia as ondas transmitidas pelo primeiro e reproduzia o som. Foi a primeira transmissão de rádio ocorrida em São Paulo, conforme registrou à época o jornal O Estado de S.Paulo. Outras demonstrações do tipo foram feitas por Landell de Moura no Rio Grande do Sul e em outros lugares. Em 1901, ele obteve a patente brasileira do aparelho transmissor de ondas sonoras, do telefone sem fio e do telégrafo sem fio, e em 1904, obteve também as patentes nos Estados Unidos. O italiano Guglielmo Marconi, mais reconhecido como inventor do rádio, só conseguiu fazer uma transmissão de voz em 1914, quinze anos depois de Landell de Moura.

Foi necessário que se passassem 123 anos para que Landell de Moura obtivesse o reconhecimento pela sua invenção, pelo menos no Brasil. Em caráter terminativo, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara (CCJ) aprovou o projeto de lei 7504/2010, que inclui o padre gaúcho no Livro dos Heróis da Pátria.

Na época em que viveu, Landell de Moura foi vítima da incompreensão e da ignorância de seus contemporâneos brasileiros. Empresários e governantes do país não deram à época a menor atenção às invenções do padre. Diante de criações que pareciam contrariar as leis da natureza, Landell era tratado como “herege”, “farsante”, “bruxo”. Em 1905, por exemplo, ao voltar dos Estados Unidos, Landell escreveu uma carta ao então presidente Rodrigues Alves pedindo a cessão de dois navios para fazer uma demonstração da transmissão de rádio de um para outro. O pedido foi negado, “coisa de maluco”. Quando Marconi fez pedido semelhante na Itália, toda a esquadra italiana foi colocada à sua disposição.

O o projeto foi apresentado em 17/6/2010 pelo então senador Sérgio Zambiasi (PTB/RS), por sugestão de seu chefe de Gabinete Dirceu Braz Goulart Neto (hoje exercendo a mesma função junto à senadora Ana Amélia Lemos), e de Marcello Antunes, assessor de imprensa da Liderança do PT e do Bloco de Apoio ao Governo no Senado, todos simpatizantes do Movimento Landell de Moura, o patrono dos radioamadores do Brasil.

Ironia do destino, embora seja um dos maiores gênios dos séculos XIX e XX, por suas invenções e atuação científica, Landell de Moura, gaúcho de Porto Alegre nascido no dia 21 de janeiro de 1861, é ignorado em seu próprio País, onde as crianças continuam aprendendo que o inventor do rádio foi o italiano Guglielmo Marconi.

Com o conhecimento teórico e a inquietude dos que estão à frente de seu tempo, Roberto Landell de Moura transmitiu a voz humana à distância, sem fio, pela primeira vez no mundo. Foi também pioneiro ao projetar aparelhos para a transmissão de imagens (a TV) e textos (o teletipo). Previu que as ondas curtas poderiam aumentar a distância das comunicações e também utilizou-se da luz para enviar mensagens, princípio das fibras ópticas. Tudo está documentado por patentes, manuscritos, noticiário da imprensa no Brasil e no exterior e testemunhos.

As pioneiras transmissões de rádio aconteceram no final do século XIX, ligando o alto de Santana – o Colégio Santana – à emblemática Avenida Paulista, que hoje abriga diversas antenas de emissoras de rádio e de TV.

Ao transmitir a voz, Landell se diferenciou de Marconi. O cientista italiano inventou o telégrafo sem fios, ou seja, a transmissão de sinais em código Morse (conjunto de pontos e traços) e não o rádio tal como o conhecemos.

As experiências do padre Landell não sensibilizaram autoridades e nem patrocinadores. Pior: um grupo de fiéis achou que o padre “falava com o demônio” e destruiu seus aparelhos.

Mesmo tendo patenteado o rádio no Brasil (1901), Landell não obteve reconhecimento. Decidiu, então, viajar para os Estados Unidos, onde conseguiu, em 1904, três cartas patentes. De volta ao Brasil, quis fazer uma demonstração das suas invenções no Rio de Janeiro, mas, por um erro de avaliação, o Governo não lhe deu a oportunidade. Depois, ele seria “forçado” a abandonar as experimentações científicas. Morreu no ostracismo e o Brasil importou tecnologia para entrar na era das radiocomunicações!

Landell de Moura está, agora, já em pleno século XXI, prestes a ver seu nome inscrito no Livro dos Heróis da Pátria, depositado no Panteão Tancredo Neves, graças ao Projeto de Lei do senador Sérgio Zambiasi, que está atualmente em análise na Câmara dos Deputados. Estará, desse modo, ao lado de outros heróis como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Santos Dumont e Oswaldo Cruz.

Também receberá, em fevereiro, o título post-mortem de Cidadão Paulistano (que Marconi recebeu em vida), por iniciativa do vereador Eliseu Gabriel.

Há anos, ele é o patrono dos rádio amadores brasileiros e seu nome está em ruas e praças de várias cidades, em instituições públicas e em livros publicados no Brasil e no Exterior.

O Brasil tem agora a oportunidade de reconhecer a obra científica de Landell e incluir os seus feitos no currículo escolar obrigatório do ensino básico. É por isso que luta o MLM – Movimento Landell de Moura, integrado por voluntários de diferentes áreas, que construiu um site –www.mlm.landelldemoura.qsl.br – para angariar assinaturas em prol desse reconhecimento. Vale registrar que o MLM não tem fins político-partidário, religiosos, financeiros ou de promoção pessoal.

Patentes

Landell de Moura, em 9 de março de 1901 obteve para seus inventos, a patente brasileira número 3.279 Poucos meses depois seguiu para os Estados Unidos, e em 4 de outubro de 1901 deu entrada no The Patent Office of Washington, DC pedindo privilégio para as suas invenções, tendo obtido, em 11 de outubro de 1904 a patente 771.917 , para um transmissor de ondas; a 22 de novembro de 1904, a patente 775.337 para um telefone sem fio e a 775.846 para um telégrafo sem fio.

Os seus trabalhos foram noticiados em 12 de outubro de 1902, no jornal americano “The New York Herald“, em reportagem sobre as experiências desenvolvidas na época, inclusive por cientistas americanos, alemães, ingleses dentre outros, na transmissão de sons sem uso de aparelhos com fio. Ressalta o jornal:

Por entre os cientistas, o brasileiro Padre Landell de Moura é muito pouco conhecido. Poucos deles tem dado atenção aos seus títulos para ser o pioneiro nesse ramo de investigações elétricas. Mas antes de Brigton e Ruhmer, o Padre Landell, após anos de experimentação, conseguiu obter uma patente brasileira para sua invenção, que ele chamou de Gouradphone“.

O jornal publica uma ampla reportagem sobre Landell de Moura, sua vida e obra, completada por uma fotografia do Padre, intitulada

Padre Landell de Moura – inventor do telefone sem fio” (denominação de época para a radiotelefonia ou a transmissão da voz humana à distância sem fio condutor).

Nas cartas-patentes, fica claro que o padre Roberto Landell de Moura recomendou o emprego das ondas curtas para facilitar as transmissões quando essas ondas não eram sequer cogitadas por outros cientistas.

Além disso, Landell deixou manuscritos que provam que, em 1904, quando ainda estava nos EUA, projetou a transmissão de imagens (Televisão) e textos (Teletipo) à distância sem fios. Ele batizou a primitiva TV de “The Telephotorama ou A visão à distância”. Também há documentação de que foi um dos pioneiros no desenvolvimento do controle remoto pelo rádio. Esses projetos não foram adiante porque, como ele próprio disse em uma entrevista à imprensa brasileira, foi “forçado” a abandonar a carreira científica.

Roberto Landell de Moura faleceu de tuberculose, aos 67 anos, no anonimato científico, no Hospital da Beneficência Portuguesa, em Porto Alegre. Nos últimos momentos de sua vida, quando alguém indagou sobre os progressos da radiodifusão, ele simplesmente respondeu: “São águas passadas.”

Quem foi

O padre Landell de Moura nasceu no centro da cidade de Porto Alegre (RS), em 1861. Realizou os seus primeiros estudos em Porto Alegre e São Leopoldo, antes de seguir para a Escola Politécnica do Rio de Janeiro. Em companhia do irmão Guilherme, seguiu para Roma, matriculando-se a 22 de março de 1878 no Colégio Pio Americano e na Universidade Gregoriana, onde estudou física e química. Completou sua formação eclesiástica em Roma, formando-se em Teologia, e foi ordenado sacerdote em 1886.[1]

Quando voltou ao Brasil, substituiu algumas vezes o coadjutor do capelão do Paço Imperial, no Rio de Janeiro, e manteve longos diálogos científicos com D. Pedro II. Depois disso, serviu em uma série de cidades dos Estados do Rio Grande do Sul e de São Paulo: Porto Alegre, Uruguaiana, Santos, Campinas, São Paulo.

Em Roma, iniciou os estudos de física e eletricidade. No Brasil, como autodidata continuou seus estudos, e realizou as suas primeiras experiências públicas na cidade de São Paulo, no final do século XIX.

O Exército Brasileiro em homenagem ao insigne cientista gaúcho, concedeu em 2005 a denominação histórica de “Centro de Telemática Landell de Moura” ao 1° Centro de Telemática de Área, organização militar de telecomunicações situada na cidade de Porto Alegre.

Transmissão da voz

Foi pioneiro na transmissão da voz, utilizando equipamentos de rádio de sua construção patenteados no Brasil em 1901, e, posteriormente, nos Estados Unidos em 1904. Landell transmitiu a voz humana por meio de dois veículos; o primeiro, um transmissor de ondas que utilizava um microfone eletromecânico de sua invenção que recolhia as ondas sonoras através de uma câmara deressonância onde um diafragma metálico abria e fechava o circuito do primário de uma bobina de Ruhmkorff, e induzia no secundário dessa bobina uma alta tensão que era irradiada ou através de uma antena ou de duas esferas centelhadoras. A detecção era feita por dispositivos que foram sendo melhorados ao longo do tempo.

O segundo meio utilizado pelo cientista era através do aparelho de telefone sem fio, que utilizava a luz como uma onda portadora da informação de áudio. Neste aparelho, as variações das pressões acústicas da voz do locutor eram transformadas em variações de intensidade de luz, de acordo com a onda de voz, que eram captadas em seu destino por uma superfície parabólica espelhada em cujo foco havia um dispositivo cuja resistência ohmica variava segundo as variações da intensidade de luz. No circuito de detecção havia apenas o dispositivo fotossensível, uma chave, um par de fones de ouvido e uma bateria. Por utilizar a luz como meio de transporte de informação, Landell é considerado um dos precursores das fibras ópticas.

O Padre Landell realizou experiências a partir de 1892 e 1893, em Campinas e em São Paulo. O jornal O Estado de S.Paulo noticiou que, em 1899, ele transmitiu a voz humana a partir do Colégio das Irmãs de São José, hoje Colégio Santana, no alto do bairro de Santana, zona norte da capital paulista. Também efetuou demonstrações públicas de seu invento no dia 3 de junho de 1900 sendo noticiada pelo Jornal do Commercio de 10 de junho de 1900:

No domingo passado, no alto de Santana, na cidade de São Paulo, o padre Landell de Moura fez uma experiência particular com vários aparelhos de sua invenção. No intuito de demonstrar algumas leis por ele descobertas no estudo da propagação do som, da luz e da eletricidade através do espaço, as quais foram coroadas de brilhante êxito. Assistiram a esta prova, entre outras pessoas, Percy Charles Parmenter Lupton, representante do governo britânico, e sua família“.

Em 1903, Arthur Dias, em seu livro “Brasil Actual”, faz referência a Landell de Moura, descrevendo, entre outras coisas, o seguinte:

logo que chegou a S. Paulo, em 1893, começou a fazer experiências preliminares, no intuito de conseguir o seu intento de transmitir a voz humana a uma distância de 8, 10 ou 12 km, sem necessidade de fios metálicos.

Após alguns meses de penosos trabalhos, obteve excelentes resultados com um dos aparelhos construídos. O telefone sem fios é reputado a mais importante das descobertas do Padre Landell, e as diversas experiências por ele realizadas na presença do vice-cônsul inglês de S. Paulo, Sr. Percy Charles Parmenter Lupton, e de outras pessoas de elevada posição social, foram tão brilhantes que o Dr. Rodrigues Botet, ao dar notícias desses ensaios, disse não estar longe o momento da sagração do Padre Landell como autor de descobertas maravilhosas“.

Incompreensão e descaso do Brasil

O êxito das experiências do Padre Landell não teve a devida acolhida das autoridades brasileiras da época, conforme se verifica em reportagem publicada no jornal La Voz de España, (editado em S. Paulo), no dia 16 de dezembro de 1900, que diz:

quantas e que amargas decepções experimentou Padre Landell ao ver que o governo e a imprensa de seu país, em lugar de o alentarem com aplauso, incentivando-o a prosseguir na carreira triunfal, fez pouco ou nenhum caso de seus notáveis inventos.

Estava em Campinas quando, numa tarde, ao retornar da visita a um doente, encontrou a porta da casa paroquial arrebentada e seu laboratório e instrumentos completamente destruídos.

Visto por uma população ignorante como “herege”, “impostor”, “feiticeiro perigoso”, “louco”, “bruxo” e “padre renegado” por seus experimentos envolvendo transmissões de rádio dois dias antes em São Paulo, pagou com sofrimento, isolamento e indiferença sua posição de absoluto vanguardismo científico.

Em junho de 1900, por carta, Landell de Moura pretendeu doar seus inventos ao governo britânico, como registrou em pesquisa para doutorado na USP, em 1999, o historiador da ciência Francisco Assis de Queiroz.

Em 1905, ao retornar ao Brasil após uma estada de três anos nos Estados Unidos, ainda teve energia para enviar uma carta ao presidente da República, Rodrigues Alves. Solicitava dois navios da esquadra de guerra para demonstrar os seus inventos que revolucionariam a comunicação (chegou a dizer que, no futuro, haveria comunicação interplanetária).

O assistente do presidente, no entanto, preferiu interpretá-lo como um “maluco” e o pedido foi negado. Na Itália, quando fez um pedido semelhante, Marconi teve toda a esquadra à disposição.

Landell não conseguiu financiamento privado ou governamental para continuar as suas pesquisas nem para construir equipamentos de rádio em escala industrial.

Em Rondônia, o Pe. Vitor Ugo, então Secretario de Cultura Esportes e Turismo, SECET , juntamente com seu adjunto Prof. Isaías Vieira da Costa, implantou na década de 80 o CEPAV – Centro Audiovisual Pe. Landell de Moura, que seria o embrião da TVE Madeira-Mamoré, Canal 2, emissora educativa do Sinred – Sistema Nacional de Rádio e TV Educativa que funcionou por aproximadamente 5 anos. Tive a satisfação de ser convidado por Vitor Ugo e Isaías para participar deste projeto pioneiro. Como muitas outras coisas , em Porto Velho JÁ TEVE um canal de tv educativa. E o Pe. Landell de Moura foi justamente homenageado, àquela época.

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Indian biker

Letícia Bertagna, uma das principais colaboradoras deste blog está em andanças culturais com seu projeto audio-plástico-visual-etílico pela India. Em breve, certamente, muitas novidades .

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