Arquivo do dia: 20/06/2011

Laio

foto : S. Ramos

A semana começa mais triste com a notícia da morte do Laio (Francisco Lázaro) , beiradeiro de Calama, músico, ex- integrante dos Anjos da Madrugada, irmão do também meu amigo Serginho Santos. Laio além de grande músico era produtor, e pelas mãos dele passou a maioria dos CD´s gravados em Porto Velho. As informações dão conta que seu corpo será transladado de São Paulo para Rondônia nesta segunda-feira. E o velório e sepultamento ocorrerão no cemitério “Jardim da Saudade “. Laio fez parte do antológico CD “Amazônia em Canto” , uma seleção de músicos regionais que mostraram o seu talento para o Brasil e o mundo. Laio também participou da trilha sonora do meu primeiro documentário feito por estas bandas “Latitute 8 º 46´Sul – Porto das Esperanças” , que acabou se tornando um LP e um show que foi mostrado até na Sala Cecília Meirelles, da Funarte no RJ. A arte de Rondônia, definitivamente,  está de luto com a perda deste guerreiro.

Laio – O silêncio do Uirapuru

Por Altair dos Santos(Tatá)

Um dos uirapurus da Amazônia silenciou de vez. O Laio rasgou a cortina do tempo, estufou o peito, soltou a voz e foi cantar lá no céu. Cantava como poucos, de forma emocionada. O criativo compositor e cantor tanto fez que ultimamente já não habitava os raios dos holofotes da cena cultural e emprestava o seu melodioso em forma de oração para o movimento da Renovação Carismática Católica entoando, de quando em vez, orações musicais que iam alojar-se direto nos corações das pessoas. Por entre rios e florestas, quis o imã do registro histórico que buscássemos agora, em simbólico mergulho nas barrentas e apressadas águas do Madeira, o menino Laio, conterrâneo nosso lá da Vila de Calama (hoje distrito). Sem receios, mas aboletado na sua curiosidade beradeira, um dia aportou no Cai N`Água, pruma vida de prosa cultural e fé católica na cidade porto. Abriu o paneiro e passou então a exibir os bribotes da sua criação e invencionice musical, melódica e poética. O Laio cantou pro botos e pras araras, cantou pras matas e pros pássaros, pros índios e pros brancos. Se permitiu ser e fazer árvore fértil, prenhe de pura seiva, deixando gotejar, com fluidez, do seu tronco-peito os poemas, os versos e os cantos, cujos quais, podemos, definir como mantras amazônicos. Sua marcante voz se vez ouvir pelos brados dos Movimento Cultural Grito de Cantadores, ecoando nos longes do Teatro Amazonas (Manaus), Praça da Sé (São Paulo), Sala Cecília Meirelles (Rio Janeiro), Museu da Imagem e do Som (Belo Horizonte). A voz do “caboco” foi longe e exprimiu a força do nosso verde e o multicor da nossa verve criativa. O Laio também hasteou a bandeira do nosso cultural aqui e noutras paragens. Não bastando em si, criou com seus pares, Tatá, Monteiro, Nazareno e Roberto Matias, o ainda hoje atuante grupo seresteiro Anjos da Madrugada. Com os Anjos ele também cantou pra cidade e pras pessoas, pro amor e pra alegria de viver, como quem, dissesse ser a vida, uma dança mágica. Do epicentro de sua explosão criativa saiu vestido com o chapéu de fitas e se fez o amo do Bumba Diamante Negro. Antes, porém, já houvera brincado nos improvisos do fama Rei do Campo. Pensava rápido e compunha com maestria. Em suas autorias constam versos marcantes em defesa do vôo livre das asas azuis e vermelhas (música Por Deus, Por Nós). Disse que “cantar bumba e a alegria do povo, é ser feliz de novo, na Flor do Maracujá” (música Toadas). Cantou a fronteira do roçado com a floresta versando: “és coração como acero, se da mata és o início, do roçado és o fim” (música Acero). Fincado em suas raízes e sentimentos animou a brincadeira popular cantando “quem corre cansa, quem anda alcança, boneco duro, rouba bandeira, brinca de roda, da machadinha e bela condessa.” (música Terreiros). De tanto lutar, viver, cantar e compor, lá se foi o Laio, um desses uirapurus amazônicos que nos deixa o legado de homem bom e de boa fé. Na prateleira da existência, deixa uma história de vida ornada por sua obra. No peito da família e dos amigos fica um vazio com o nome saudade. Antes que esta dor se nos encha o peito, fechemos os olhos e imaginemos o Laio a nos embalar com ânimos para vida adiante com estes versos: “quando alguém tiver de se desesperar e quiser sentir no coração a poesia, a fantasia, a certeza de um tempo, é cantar é compor. Cada verso que eu escrevo é fantasia, é a vida que me deixa assim, mas parece até que é coisa do destino, cada verso é um pedaço de mim.”

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O cavalo caiu e a culpa foi única e exclusivamente do cavalo (via Blog do Lucas Figueiredo)

O cavalo caiu e a culpa foi única e exclusivamente do cavalo Responsável pela construção da imagem do irmão Aécio Neves (PSDB-MG), a jornalista Andrea Neves parece ter ficado traumatizada com os arranhões causados pelo Bafometrogate. Só isso justifica o esforço em amenizar o que por si só já é ameno: um tombo de cavalo.  … Read More via Blog do Lucas Figueiredo

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Vista-se com isto.

Por Marli Gonçalves

Já que agora somos livres para dizer e apelar para o que queremos, vamos desfilar por aí. Suba nessa passarela. Já pensou se usássemos nossos corpos como cartazes, com roupas que passassem recados por aí? Quanta coisa para dizer! Mensagem do dia. Tabuleta. Bandeirinha. O que você escreveria na sua?

O menino vinha andando, mãos no bolso, um ser normal, aparência tranquila. Mas ele – só pode ser – queria mesmo é se comunicar sem falar, mantendo informadas as pessoas com quem cruzasse, para que ficassem longe – me pareceu que era uma preguiça até peculiar de explicar muito. REVOLTADO: era o que diziam as letras brancas em sua camiseta preta. Apenas isso: revoltado. Ninguém sairia com uma dessas, sem se sentir assim. Sem estar assim. Sem ser assim. E revoltado com tudo, sem exceções. Palavra forte, essa.

Vi esta cena já há alguns dias, mas ela ficou na minha cabeça. Vamos virar cápsulas daqui a pouco. Penso que cada vez mais, até por conta de tantas tecnologias, nos fechamos em nós mesmos. Isso não é bom. Pensou se, por exemplo, a gente pudesse ter uma eletrotela na cabeça, que ficasse passando o noticiário, o “nosso” noticiário? Um Twitter vivo? “Não fale brusco comigo. Estou na TPM”. “Quero que o mundo acabe em melado”. “Hoje vou à luta”. “Passa um SMS”. “Só ligo a cobrar”. “Dormindo em pé”.

Já conhecemos aqui nesta terra um presidente que, quando começou a se isolar, comunicava-se por intermédio da camiseta com a qual corria no fim de semana, e chegou até ao deselegante “aquilo roxo”. Um tanto grosseiro, mas esse cidadão ainda continua por aí, de volta aos círculos íntimos do poder. Devia usar uma assim: Bandido.

Aperfeiçoando a minha invenção, já pensou se fosse como uma máquina da verdade, daquelas que lêem seus pensamentos? O que diria a eletrotela de Dilma Rousseff? E quando está ao lado de Michel Temer? Você não tem essa curiosidade? De vez em quando, admita, também não imagina e põe balõezinhos na cabeça das pessoas, ou na sua mesmo, com um pensamento que fica ali pairando? Sabe aquele desenho que tem bolinhas e o balão, para denotar que é apenas um pensamento? Alguns são realmente censuráveis.

Não é tão louca a ideia, gente – já existe, já vi, passa uma mensagem vermelha, um banner, mas só para duas ou três palavras, fixadas na fivela do cinto ou mesmo no peito de uma camiseta. Você programa. Não é a coisa mais bonita do mundo, mas escuta só que não vai demorar e algum maluco beleza lança algo em laser, ou holografia, 3-D, neon, tinta invisível. Vai ser um aplicativo.

Aqui só fiz aperfeiçoar a “criação”, dar uma de stylist, e desejando única e exclusivamente melhorar o entendimento entre os humanos que não anda nem um pouco fácil. Mal ou bem, se a gente pensar, essa onda de tatuagens não deixa de ser essa forma de expressão, só que mais radical; imagem eterna. Faz, mas não dá para mudar mais de ideia, nem de estado de espírito. Se tatuou dragão, não vai mostrar borboleta; se tatuou beija-flor, não dá para virar urubu de uma hora pra outra. Não pega nem bem. Sacou?

Melhor então é voltar à proposta inicial, roupas. Uma palavra. No máximo duas, uma composta ou substantivo + adjetivo, um sinal de pontuação. Pensei também se não seria uma boa uma coisa até mais intelectual, mas que também dissesse tudo sobre você. Viajei na ideia de um vestido preto, simples, com bom caimento, com as letras no peito, brancas:“BALZAC?”. Ou talvez apenas SADE, SARTRE, DALI, CONFUCIO, PICASSO, DA VINCI, PELÉ. Depende de quem você gostaria de estar representando, ou de quem você gostaria de ter como se fosse um autógrafo no corpo.

Estampas não faltarão. Inclusive na linha bons desejos. Teve uma época que uma grife fez umas assim, mas começaram a piratear e eles desistiram. A linha era essa: Paz, Amor, Fraternidade, Igualdade, Liberdade. Proponho VerdadeMentira. Tive um par de meias assim que amava: um era YES; o outro pé, NO. Serviam também como sinalizadores.

Longe da política e da militância a favor de qualquer coisa, podíamos pensar também em uma linha de lingerie especial, para homens e mulheres: Aperte Aqui, Abra devagar, Entre. Fique. Também poderiam ser usados os símbolos internacionais de trânsito. PARE. Curva acentuada à direita. Siga em frente. Cuidado: obstáculo. Livre, à frente. Proibido parar.

Garanto que ia ter um monte de gente comprando, para ver se melhorava a comunicação em casa. Uma coisa bem particular. Ou na rua. Agora podemos tudo, mesmo. Somos quase LIVRES.

São Paulo, TRÂNSITO PARADOCONGESTIONADO. TÚNEL INTERDITADO. 2011.
(*) Marli Gonçalves é jornalistaJá pensou se combinássemos todos e passássemos a fazer SEGREDO ETERNO também dos nossos gastos com a copa e cozinha? 

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Fausto Wolff não morreu

Prá quem é fã do cara, como eu, lá vai uma lista de links com matérias sobre o lobo.

Fausto e os Fogos – Aldir Blanc
Fausto Wolff e Deus num réveillon da Atlântica – Fernando Soares Campos
Fausto Wolff. – Wallace Camargo
Algumas palavras – vários
MEU QUERIDO WOLFF – Anna Fortuna
O ‘JB’ resistiu às pressões – Paulo Caruso >> JB
“O jornalista pede desculpas e morre” – Márcio Pinheiro >> Zero Hora
FAUSTO WOLFF FOI EMBORA – Henrique Perazzi de Aquino
Memórias do Fausto – Luiz Chagas >> Revista Brasileiros
O defensor dos palestinos – Sérgio Caldieri >> Palestina livre!
Fausto, nos melhores autógrafos de Fabrício Carpinejar
Com se faz um Fausto Wolff – Marcelo Backes >> Zero Hora
O LOBO E A ESTRELA – Vanessa Anacleto >> Overmundo
Camarada Fausto Wolff, presente! – Secretariado Nacional do PCB
Fausto Wolff – Aluizio Amorim
Fausto Wolff manda lembranças – Márcia Denser >> Congresso em foco
TERMINAMOS MAL, FAUSTO WOLFF!!! – Luíz Horácio >> revista Aplauso
E Fausto Wolff se foi… – Vicente Portella
FAUSTO WOLFF: LEMBRANÇAS – Sára Wolffenbüttel Véras >> blog do Cacau Menezes
RIP Fausto Wolff – Leonardo Foletto >> Cenabeatnik
FAUSTO WOLFF: JORNALISMO E CORAGEM – Cunha e Silva Filho >> Entre-textos
Cada um se despede como consegue – Mario de Almeida >> Coletiva.net
O lobo eterno – Bárbara Lia >> blog Chapar as borboletas
JEBÃO FOI EMBORA – Ivan Schmidt >> Paraná Online
O mundo particular de Fausto Wolff – Ricardo Schott >> JB
UMA HOMENAGEM A FAUSTO WOLFF – Ricardo Soares >> TV Brasil
Leila Richers relembra Fausto Wolff >> Jornal do Brasil
Grande perda para o jornalismo – Marcelo Henrique Marques de Souza >> blog Impostura
O SÁBADO PÓS-FAUSTO WOLFF – Gustavo Grisa >> Capital Gaúcha
É MUITA DESPEDIDA DOLOROSA – Ziraldo >> Jornal do Brasil
E o Velho Lobo se entregou – Eduardo Nunes >> Blog Periscópio
Um comunista maravilhoso – Do blog Agente 65
Memórias de Fausto Wolff – Paulo Polzonoff Jr.
FAUSTO WOLFF PEDE DESCULPAS E SAI – Licurgo >> blog Celeuma
FAUSTO WOLFF, UMA REFERÊNCIA POLÍTICA – Sindicato dos Bancários
RÉQUIEM A UM PANFLETÁRIO – Antônio Siqueira >> Via Fanzine
[ Fausto Wolff ] – do blog Sem_cohmando
MENOS UM DOS GRANDES – Por Bruno Dorigatti
É COM PROFUNDO PESAR QUE RETIRO ISTO DO BAÚ – Tavinho Paes
FAUSTO WOLFF: O LOBO QUE NÃO SE RENDE
REBELDE COM CAUSA – por Araken Vaz Galvão
FAUSTO WOLFF – por Olsen Jr.
O LOBO, O LOBO – Drops da Fal
Morreu FAUSTO WOLFF – Carlos André Moreira
A CONSPIRAÇÃO DOS DEMOLIDORES – por Pedro Ayres
MEU TIO FAUSTO MORREU – Pimenta
FAUSTO WOLFF FOI FIEL A SEUS IDEAIS ATÉ O FIM – por Miguel Arcanjo Prado
DESENHO DO ADEUS – por Paulo Caruso
FOI PRA ISSO QUE VOCÊS FIZERAM A REVOLUÇÃO? – por Mário Augusto Jakobskind
O que dizem alguns amigos

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