Arquivo do dia: 05/06/2011

Brasil , país campeão em "lavar as mãos"

Um Estudo internacional conduzido pelo Global Hygiene Council – conselho composto por especialistas em áreas relacionadas à Saúde e Higiene, incluindo a Microbiologia, Virologia, Infectologia, Imunologia e Saúde Pública, e mantido pela empresa Reckitt Benckiser, fabricante da marca Dettol – revela que o Brasil é o país que mais lava as mãos com sabonetes. Os brasileiros também foram apontados como os que lavam as mãos mais vezes por dia (com sabonete ou não), com um índice superior a 67% da população.

Intitulado  “Estudo Dettol: Determinantes dos Hábitos Mundiais de Higiene” – com patrocínio da marca de produtos antibacterianos Dettol, da Reckitt Benckiser -, o estudo foi conduzido de janeiro a março de 2011 pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e pelo Global Hygiene Council com o objetivo de identificar os principais hábitos de higiene hoje em diferentes culturas e perfis de personalidade. Cerca de mil participantes de 12 países (Reino Unido, Canadá, Brasil, Estados Unidos, África do Sul, França, Alemanha, Malásia, Austrália, China, Índia e o Oriente Médio – Arábia Saudita e Emirados Árabes) responderam a um questionário de 130 perguntas, relacionadas aos hábitos de limpeza das mãos, de superfícies, preparação de alimentos, técnicas de manuseio e armazenamento, assim como questões demográficas e o histórico de doenças.

Entre os resultados encontrados pelo estudo, está a média global de pessoas que lavam as mãos mais de 5 vezes por dia: 54% da população dos países. Brasil e Alemanha são apontados como os países mais higiênicos do mundo. China e Malásia tiveram os índices mais baixos. Na China, apenas 27,5% da população relatou lavar as mãos mais de 5 vezes por dia.

Os brasileiros também se destacam no índice de saúde contra infecções – ou com a menor freqüência de gripe e diarréia. O país reporta o 2º melhor percentual de pessoas resistentes (67,6%), atrás da África do Sul, com 74% da população com alta resistência. Brasil e África do Sul têm, portanto, melhor saúde a doenças infecciosas do que a população de países desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido.

O estudo aponta também que os brasileiros mais suscetíveis a contrair infecções (com imunidade mais frágil) vêm adquirindo melhores hábitos de higiene pessoal. Este é o principal fator para as pessoas lavarem as mãos mais de 5 vezes ao dia no país. E as chances de uma pessoa ser muito higiênica no Brasil são 6 vezes maiores entre quem tem baixa imunidade ou sensibilidade à presença de germes. Além disso, as chances de um indivíduo ser muito higiênico no Brasil são 5 vezes maiores entre os que encaram a lavagem das mãos como um hábito.

Resultados globais

Após entrevistar mais de 12 mil pessoas, o estudo traz as seguintes conclusões (média dos países):

        Sobre a higiene pessoal

  • Mulheres tendem a ter melhores hábitos de higiene pessoal (59,5%) do que os homens (44,5%), e este índice das mulheres aumenta ainda mais com a idade, com o nível de renda e educação;.
  • Os hábitos de higiene variam de acordo com a profissão. As donas de casa apresentaram os mais elevados níveis de higiene pessoal (64,5% apresentaram ótima higiene pessoal), enquanto os estudantes mostraram os piores índices (44.5% com bons hábitos de higiene);
  • Pessoas com personalidades frágeis e dependentes e/ou sensíveis e nervosas desenvolvem 10% mais gripe (seguida de febre) e diarréia do que as mais calmas. Porém, essas mesmas pessoas estão mais abertas e pré-dispostas a praticar melhores hábitos de higiene pessoal e doméstica;
  • Quem tem bons hábitos de higiene pessoal possui baixa probabilidade de contrair resfriados e diarréia, resultando em quase três vezes mais chances de ter uma boa saúde;
  • Pessoas organizadas em seu cotidiano são mais higiênicas do que as desorganizadas.

                Sobre a higiene doméstica

  • As mulheres também têm os índices mais altos de higiene doméstica em relação aos homens (58.7% contra 43.0%);
  • Em média, apenas metade das pessoas entrevistadas têm um alto índice de limpeza doméstica;
  • Reino Unido e Austrália reportaram os mais altos índices de higiene doméstica, enquanto a China, a Malásia e o Oriente Médio reportaram os mais baixos;
  • O uso regular de produtos de limpeza com ação bactericida é associado ao perfil de pessoas organizadas, que têm crianças e forte rotina de higiene doméstica, renda mais alta, mais educação e hábito natural de fazer faxina.

                Sobre a saúde contra infecções

  • Os índices de boa higiene pessoal estão associados a resultados de baixa ocorrência de gripes e diarréia. Em particular, a rotina de lavar as mãos e a percepção deste hábito como uma norma social estão altamente associadas com os mais baixos índices reportados de ocorrência dessas infecções;
  • Ter educação no meio social também é um fator de proteção contra doenças infecciosas. As chances de ter uma alta resistência contra doenças são quase 2,5 vezes mais altas entre os que relataram, por exemplo, não gostar de espirrar perto de outras pessoas. Cobrir a boca ao espirrar ou tossir são regras sociais que diminuem, e muito, para evitar o contágio de doenças.

                Sobre o uso de sabonetes bactericidas

  • As chances de reportar bons hábitos de higiene foram menores entre aqueles que nunca ouviram falar em sabonetes bactericidas (30,8%) do que entre os que relatam usar sabonetes bactericidas às vezes (53.9%) e entre os que usam sempre (60.7%);
  • O uso desses produtos está associado a pessoas com filhos e com hábitos de organização em casa e no trabalho

                Sobre o uso de produtos de limpeza bactericidas

  • 94% dos entrevistados já ouviram falar em produtos de limpeza com ação bactericida. O hábito de usar sempre produtos com bactericida foi mais comum entre as pessoas de mais alto poder aquisitivo e com alto nível educacional.

Para o virologista Prof. John Oxford, presidente do Global Hygiene Council e diretor de pesquisa do Retroscreen Virology e do Hospital Real de Londres, é muito valioso compreender o que impulsiona o comportamento da higiene. “O estudo revelou características e traços pessoais que são associados com uma boa higiene e a saúde, tais como a consciência da importância da higiene e sua prática rotineira. Queremos que as pessoas reconheçam como podem melhorar e tornar a higiene um hábito para manter sua família mais saudável”, afirma Dr. Oxford. Já foi constatado em trabalhos anteriores do Conselho que bons hábitos de higiene e o uso regular de desinfetantes, como sabonetes e limpadores de superfícies, ajuda a reduzir em até 75% o risco de doenças entre crianças.

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Brasil , país campeão em “lavar as mãos”

Um Estudo internacional conduzido pelo Global Hygiene Council – conselho composto por especialistas em áreas relacionadas à Saúde e Higiene, incluindo a Microbiologia, Virologia, Infectologia, Imunologia e Saúde Pública, e mantido pela empresa Reckitt Benckiser, fabricante da marca Dettol – revela que o Brasil é o país que mais lava as mãos com sabonetes. Os brasileiros também foram apontados como os que lavam as mãos mais vezes por dia (com sabonete ou não), com um índice superior a 67% da população.

Intitulado  “Estudo Dettol: Determinantes dos Hábitos Mundiais de Higiene” – com patrocínio da marca de produtos antibacterianos Dettol, da Reckitt Benckiser -, o estudo foi conduzido de janeiro a março de 2011 pela Escola de Higiene e Medicina Tropical de Londres (LSHTM) e pelo Global Hygiene Council com o objetivo de identificar os principais hábitos de higiene hoje em diferentes culturas e perfis de personalidade. Cerca de mil participantes de 12 países (Reino Unido, Canadá, Brasil, Estados Unidos, África do Sul, França, Alemanha, Malásia, Austrália, China, Índia e o Oriente Médio – Arábia Saudita e Emirados Árabes) responderam a um questionário de 130 perguntas, relacionadas aos hábitos de limpeza das mãos, de superfícies, preparação de alimentos, técnicas de manuseio e armazenamento, assim como questões demográficas e o histórico de doenças.

Entre os resultados encontrados pelo estudo, está a média global de pessoas que lavam as mãos mais de 5 vezes por dia: 54% da população dos países. Brasil e Alemanha são apontados como os países mais higiênicos do mundo. China e Malásia tiveram os índices mais baixos. Na China, apenas 27,5% da população relatou lavar as mãos mais de 5 vezes por dia.

Os brasileiros também se destacam no índice de saúde contra infecções – ou com a menor freqüência de gripe e diarréia. O país reporta o 2º melhor percentual de pessoas resistentes (67,6%), atrás da África do Sul, com 74% da população com alta resistência. Brasil e África do Sul têm, portanto, melhor saúde a doenças infecciosas do que a população de países desenvolvidos como Estados Unidos, Austrália, Canadá e Reino Unido.

O estudo aponta também que os brasileiros mais suscetíveis a contrair infecções (com imunidade mais frágil) vêm adquirindo melhores hábitos de higiene pessoal. Este é o principal fator para as pessoas lavarem as mãos mais de 5 vezes ao dia no país. E as chances de uma pessoa ser muito higiênica no Brasil são 6 vezes maiores entre quem tem baixa imunidade ou sensibilidade à presença de germes. Além disso, as chances de um indivíduo ser muito higiênico no Brasil são 5 vezes maiores entre os que encaram a lavagem das mãos como um hábito.

Resultados globais

Após entrevistar mais de 12 mil pessoas, o estudo traz as seguintes conclusões (média dos países):

        Sobre a higiene pessoal

  • Mulheres tendem a ter melhores hábitos de higiene pessoal (59,5%) do que os homens (44,5%), e este índice das mulheres aumenta ainda mais com a idade, com o nível de renda e educação;.
  • Os hábitos de higiene variam de acordo com a profissão. As donas de casa apresentaram os mais elevados níveis de higiene pessoal (64,5% apresentaram ótima higiene pessoal), enquanto os estudantes mostraram os piores índices (44.5% com bons hábitos de higiene);
  • Pessoas com personalidades frágeis e dependentes e/ou sensíveis e nervosas desenvolvem 10% mais gripe (seguida de febre) e diarréia do que as mais calmas. Porém, essas mesmas pessoas estão mais abertas e pré-dispostas a praticar melhores hábitos de higiene pessoal e doméstica;
  • Quem tem bons hábitos de higiene pessoal possui baixa probabilidade de contrair resfriados e diarréia, resultando em quase três vezes mais chances de ter uma boa saúde;
  • Pessoas organizadas em seu cotidiano são mais higiênicas do que as desorganizadas.

                Sobre a higiene doméstica

  • As mulheres também têm os índices mais altos de higiene doméstica em relação aos homens (58.7% contra 43.0%);
  • Em média, apenas metade das pessoas entrevistadas têm um alto índice de limpeza doméstica;
  • Reino Unido e Austrália reportaram os mais altos índices de higiene doméstica, enquanto a China, a Malásia e o Oriente Médio reportaram os mais baixos;
  • O uso regular de produtos de limpeza com ação bactericida é associado ao perfil de pessoas organizadas, que têm crianças e forte rotina de higiene doméstica, renda mais alta, mais educação e hábito natural de fazer faxina.

                Sobre a saúde contra infecções

  • Os índices de boa higiene pessoal estão associados a resultados de baixa ocorrência de gripes e diarréia. Em particular, a rotina de lavar as mãos e a percepção deste hábito como uma norma social estão altamente associadas com os mais baixos índices reportados de ocorrência dessas infecções;
  • Ter educação no meio social também é um fator de proteção contra doenças infecciosas. As chances de ter uma alta resistência contra doenças são quase 2,5 vezes mais altas entre os que relataram, por exemplo, não gostar de espirrar perto de outras pessoas. Cobrir a boca ao espirrar ou tossir são regras sociais que diminuem, e muito, para evitar o contágio de doenças.

                Sobre o uso de sabonetes bactericidas

  • As chances de reportar bons hábitos de higiene foram menores entre aqueles que nunca ouviram falar em sabonetes bactericidas (30,8%) do que entre os que relatam usar sabonetes bactericidas às vezes (53.9%) e entre os que usam sempre (60.7%);
  • O uso desses produtos está associado a pessoas com filhos e com hábitos de organização em casa e no trabalho

                Sobre o uso de produtos de limpeza bactericidas

  • 94% dos entrevistados já ouviram falar em produtos de limpeza com ação bactericida. O hábito de usar sempre produtos com bactericida foi mais comum entre as pessoas de mais alto poder aquisitivo e com alto nível educacional.

Para o virologista Prof. John Oxford, presidente do Global Hygiene Council e diretor de pesquisa do Retroscreen Virology e do Hospital Real de Londres, é muito valioso compreender o que impulsiona o comportamento da higiene. “O estudo revelou características e traços pessoais que são associados com uma boa higiene e a saúde, tais como a consciência da importância da higiene e sua prática rotineira. Queremos que as pessoas reconheçam como podem melhorar e tornar a higiene um hábito para manter sua família mais saudável”, afirma Dr. Oxford. Já foi constatado em trabalhos anteriores do Conselho que bons hábitos de higiene e o uso regular de desinfetantes, como sabonetes e limpadores de superfícies, ajuda a reduzir em até 75% o risco de doenças entre crianças.

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O desafio da leitura: uma pedra no caminho do futuro

Por Francisca Romana Giacometti Paris

O gigante adormecido que desperta, a economia que volta ao 10 das mais poderosas do planeta, o país que vive seu mais consistente ciclo de prosperidade dos últimos 30 anos corre o risco de ver seu sonho de futuro brilhante embaçado pela miopia com que sempre tratou a educação.  Não sabíamos ler no passado, lemos pouco no presente e avançamos lentamente demais para um futuro que bate às nossas portas. Isso é o que se pode concluir de informações recentemente publicadas na imprensa sobre a lenta redução nas taxas de analfabetismo dos adultos e na preocupante persistência do iletramento das crianças e jovens que já estão na escola. Como bem alertou o sociólogo Simon Schartzman, se o tema fosse localizado entre os adultos e idosos, saberíamos que somos lenientes com uma dívida social do passado. Ao ver que o problema persiste entre crianças e adolescentes, temos de ser conscientes de que, como nação, ainda não tomamos plena consciência da gravidade desse drama que se perpetua.A começar do fato de que, na sociedade contemporânea, intensivamente tecnológica e globalizada, o analfabetismo absoluto deveria ser visto como uma dessas doenças enterradas no passado, como a peste negra e a varíola. Ou seja, precisamos vê-las como inadmissíveis e absolutamente inaceitáveis, tanto quanto a fome. Mas é necessário ir além. O analfabetismo absoluto é um conceito que tem pouca validade no mundo atual. Precisaríamos balizar nossas opiniões e nossas políticas pela noção contemporânea do problema, que é o analfabetismo funcional. No primeiro caso, são indivíduos que não sabem sequer os rudimentos do alfabeto. No segundo, são pessoas que sabem escrever e ler o próprio nome, mas permanecem incapazes de ler um jornal, um manual ou escrever um texto pouco mais elaborado. E, nesse caso, as porcentagens sobem assustadoramente. Há um número para isso, calculado pelo Instituto Paulo Montenegro, ligado ao Ibope, que publica o Indicador Nacional de Analfabetismo Funcional (INAF). Os dados de 2009 mostram que apenas um terço dos jovens brasileiros de 15 a 24 anos se encaixa no que o indicador chama de “alfabetização plena”. Mais: 15% estão entre o analfabetismo total e a alfabetização rudimentar. Esse dado só tem uma explicação, e ela é terrível: milhares de crianças e jovens estão passando pela escola e dela saindo ainda incapazes de ler (e, portanto, de escrever), em um nível inadequado para um país onde já faltam empregados qualificados. São crianças e jovens que não apenas terão dificuldades de inserção profissional, mas terão menos probabilidades de compreensão de seus direitos e deveres democráticos, sofrerão mais com doenças, marginalidade, gravidez precoce e exclusão. É urgente mudar. E ainda é urgente sair desse estado de fatos em que todos concordam com a necessidade da mudança e tão pouco se faz para mudar.

(*) Francisca Romana Giacometti Paris é pedagoga, mestre em Educação e diretora de serviços educacionais do Agora Sistema de Ensino (www.souagora.com.br)e do Ético Sistema de Ensino (www.sejaetico.com.br), da Editora Saraiva

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