Arquivo do dia: 14/05/2011

Estação da infâmia repelida pelos homens bons (via Professor Hariovaldo Almeida Prado)

Já não era o suficiente termos que aguentar a invasão dos aeroportos pela gente diferenciada, agora queriam os agentes do bolchevismo internacional, que nosso homeland fosse profanado pela estação da gentalha, atraindo pessoas desqualificadas, poluindo o higiênico ambiente com a presença de tais seres, ocasionando ocorrências indesejáveis. Tais entes inferiores não pertencem a este quartier e dele devem manter distância regulamentar … Read More via Professor Hariovaldo Almeida Prado

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Festcineamazônia 2011 : mostra itinerante emociona bolivianos e brasileiros

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Em Santa Cruz / Bolívia – Com mais de um milhão de habitantes, a moderna e bela Santa Cruz De La Sierra recebeu o FestCineamazônia Itinerante pelo segundo ano consecutivo; as atividades deste ano aconteceram na noite de 5 de maio, atraindo um grande público que acolheu as propostas reflexivas do festival, por meio de filmes e vídeos, quanto ao modelo atual de desenvolvimento adotado até aqui por imposição do capital pelo capital, não levando em conta o homem e a natureza. Os coordenadores do evento fazem questão de incluir na mostra produções que apresentem alternativas para o progresso sustentável dos países, sem o ranço do radicalismo e num clima que permita a adesão de pessoas de todos os matizes por uma causa comum. “Sem ódio. Sem jamais perder a ternura”, destaca Jurandir Costa. Não por acaso, a mostra em Santa Cruz foi numa igreja (Paróquia Maria Assunta), no bairro 1º de Maio, um dos mais violentos da cidade. O inusitado ficou por conta do envolvente show do Palhaço Xuxu dentro de uma igreja, interpretado pelo ator Luiz Carlos Vasconcelos, cuja experiência no teatro, televisão e cinema passa por atuações em seriados e filmes importantes como Carandiru, no papel do médico Dráuzio Varela. Entre risos e gargalhadas, o show Silêncio Total – Um Palhaço está Chegando revelou-se ponto crucial na reflexão por um mundo melhor e na expansão do intercâmbio cultural entre os povos.

Em Guajará Mirim / Brasil e Guayara-Merin / Bolivia – No dia 6, o FestCineamazônia retorna ao Brasil apresentando-se em Guajará-Mirim, na Escola Municipal Maria Celeste. Estudantes e comunidade só lamentam que a mostra seja apenas uma vez ao ano. “Vi o convite e fiz questão de trazer o meu filho. Mas pra falar a verdade eu me esbaldei com as brincadeiras do palhaço. Acho bom a gente voltar a ser criança de vez em quando”, revela o comerciante Emerson Nascimento. O diretor da escola Maria Celeste, Charleston Edson, está empolgado com a chance de se tornar um disseminador da ideia. “O que depender da gente, haverá sempre espaço para que este projeto nunca deixe de acontecer em nossa cidade. Aliás, vou participar mais ativamente das oficinas, quem sabe nós mesmos vamos produzir trabalhos nessa linha, despertando o interesse da juventude pela arte e a reflexão”, ressalta. Guajará-Mirim foi o ponto de partida para outra região da Bolívia, o Beni, fronteiriço a Rondônia. A cidade irmã boliviana, Guayara-Merim, fica do outro lado do rio Mamoré, tendo como uma das principais atividades econômicas o comércio de produtos importados da China aos brasileiros, que tiram vantagem da valorização do real frente ao peso boliviano em quase quatro por um.

Guayara-Merim tem cerca de 40 mil habitantes em busca de oportunidades reais de inclusão social. E a adesão em massa às atividades do festival aponta a vontade do povo vizinho em estreitar ainda mais o intercâmbio cultural com o Brasil e outros países, especialmente os que integram a Amazônia, entendendo que a união de forças pode acelerar esse processo. “Costumo dizer que é necessário e urgente amazonizar a Bolívia e os povos da maior floresta do Planeta. E um dos passos decisivos para isso tem sido o FestCine Itinerante, que tem levado essa conscientização estrategicamente às periferias, onde vivem as pessoas mais carentes”, destaca o escritor boliviano Juan Carlos Crespo, colaborador do projeto e secretario de Cultura daquela cidade.A mostra em Guayara foi no dia 7 (sábado), no Ginásio de Esportes do Bairro Belém, onde cerca de mil pessoas ficaram atentos aos filmes e aplaudiram de pé o número do Palhaço Xuxu. “Quase não temos esse tipo de evento por aqui que nos faz refletir sem amargura, pois, ao mesmo tempo em que apresentam problemas e alternativas, o Palhaço Xuxu nos mostra isso pode ser feito com muita graça, muito riso”, diz a moradora Francie Lianne Davies.

Em Riberalta / Bolívia – O sucesso de público em Riberalta é ainda mais surpreendente. As centenas de cadeiras e as arquibancadas quase não comportaram tanta gente. Crianças e adultos inebriados pela mágica do cinema. Como se não bastasse, o Palhaço Xuxu enternece mais uma vez uma plateia que também acredita que a vida pode ser maravilhosa. “É muito gratificante receber brasileiros que trazem a arte como forma de integração dos povos. E esse lado lúdico é essencial no nosso cotidiano. O Xuxu nos mostra que brigar por justiça nada tem a ver com a raiva. Rir também é preciso”, recomenda a professora de dança Liliana Medina Cervantes, que dirigiu um grupo de bailarinas de dança clássica durante o festival. Ao final, o Palhaço Xuxu emociona mais uma vez o público ao ler a Declaração do Riso da Terra: “(… ) Cultivemos o riso, mas não um riso que discrimine o outro pela sua cor, religião, etnia, gostos e costumes. Cultivemos o riso para celebrar as nossas diferenças. Um riso que seja como a própria vida: múltiplo, diverso, generoso. Enquanto rirmos estaremos em paz.”, diz um trecho da declaração. No “documento”, Xuxu introduz ainda texto extraído de um papiro egípcio: “Quando os deuses se encontraram e riram pela primeira vez, criaram os planetas, as águas, o dia e a noite. Quando riram pela senda vez, criaram as plantas, os bichos e os homens. Quando gargalharam pela última vez, eles criaram a alma”.

O desafio de fazer e exibir cinema

Enfrentar a estrada que liga Porto Velho a Guajará-Mirim é, por si só, um desafio. A rodovia tem buracos desde a BR-364 até a área urbana da cidade, que também sofre a ausência do poder público. Mas os desafios não param por aí. Produzir cinema também já é, por si só, tarefa para poucos, tamanha as barreiras de toda ordem a serem enfrentadas, Nesta itinerância, por exemplo, os problemas surgiam a cada minuto. Ora um membro da equipe impedido de entrar em território internacional por de um ou outro detalhe, nada que não fosse resolvido desde que com tempo para isso. “Não era o nosso caso, pois nosso cronograma seria seriamente comprometido sob o risco de cancelar tudo”, diz Fernanda Kopanakis, coordenadora do festival. A tonelada de equipamentos também era outro obstáculo para atravessar a fronteira. Depois de cansativas buscas por um meio mais prático e dentro da realidade orçamentária do projeto. Feitos os cálculos, optou-se por uma “chatinha”, uma espécie de canoa gigante, para a travessia da parafernália. “Apesar de todos os entraves, resta a certeza de que cumprimos mais uma etapa e que plantamos a semente que já começa a germinar à medida que ouvimos depoimentos favoráveis ao FestCineamazônia. Acho que seguimos uma boa trilha”, conclui Costa.

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Tolos, bobos, sujos, malvados e feios

Por Marli Gonçalves

Não estamos, pelo menos que eu saiba, produzindo nenhum filme de bang-bang. Nem de luta livre nas ruas. Ou estamos? Mas falta pouco. A realidade é que se fôssemos documentar direito os tempos que vivemos neste país estaria decretado o fim dos grandes roteiristas de cinema. Inclusive nas categorias de comédia e animação. Ninguém conseguiria chegar nem perto de criar personagens tão patéticos e maledicentes como os que surgem aos borbotões sabe-se lá de que buraco

Tem Pateta? Tem, sim, senhor. Tem Avatar? Claro! Inclusive com seres pálidos e ruralistas em choques com verdinhos. Tem “Explosões”? Todos os dias, na periferia, com explosivos de última geração, TNT do bom, de dar inveja a qualquer Missão Impossível. Voa dinheiro para todos os lados, em fugas melhores do que a de Fuga do Planeta dos Macacos. Até na comédia estamos acelerados na produção, mas infelizmente apenas de imbecis que fazem graça para aparecer e depois ficam por aí, com cara de tacho.

Vamos passar os fotogramas rapidamente. Gravando! Moleques da tevê aparecem – um praticamente diz que estupro deveria ser pedido pelas mulheres feias, que agradeceriam; o outro faz uma lambança, se metendo em uma até então divertida discussão, apenas para demonstrar o preconceito religioso e contra os idosos (é, ele também ofendeu os velhos, além dos judeus). Troca de papéis: deveriam estar nos fazendo rir; mas nos fazem é chorar. O título de um destes filmes foi “A graça de um herege” – como se heresia fosse. Santa paciência! A do outro poderia ser “Ih! Vou fazer cara de coió”, ou “Desculpa, não quis ofender”.

Aí aparecem os clones de Lobo Mau, com suas bocas enóóóormes e olhar esgarçado. O secretário de Segurança de São Paulo e São Pedro declara, ou melhor, decreta, sem piscar, bom ator de terror, que agora só existem 30 membros do PCC – a organização que controla prisões, cadeias, ruas, vilas, penitenciárias, etc – de todo o país. E que eles estariam apenas em um lugar. Declara não; decide. E diz que “alguém” tem de fazer alguma coisa com tanta insegurança reinante. Uó. O repórter – provavelmente pelo êxtase, distraído e inebriado com a formosura da autoridade – esqueceu de aproveitar e perguntar o nome deles, pedir essa listinha.

Continuando nossa sessão, aparece um novo protagonista para “Ao mestre, com carinho”. Branco, esguio, olhos claros, material didático nas mãos e ampla disposição para a orientação sexual dos outros. Não, não é mamãe Dinossauro. É o Broncossauro, Bolsonaro. Ele resolveu. Ele acha. Ele quer. Invade sua casa, sua escola, a rede , e até o seu bolso. Invade até entrevista da Dona Marta. Ele também é “O Exterminador do Futuro!”. O tipo anda acompanhado por protagonistas menores, loucos por uma ponta, nem digo de quê. “Comer, Rezar, Amar”.

De repente, como numa festa de arromba, surge em “O Horizonte Perdido”, rolando ladeira, Ed Motta! Deve ter comido alguma coisa ruim, porque passou a expelir impropérios para tudo quanto é lado, quase um Universo Irracional, um Lobão, mas sem o jeito e a graça anárquica do roqueiro certeiro. Ed mandou ver até com a sem graça metida a besta Paula Toller, eterna candidata a “Anaconda 3, me engana que eu gosto”.

E já que citamos os cabelos amarelos, nessa sucessão de bobagens para os nossos ouvidos que realmente estão virando penicos, até Ana Maria Braga fez tobogã, mostrando matéria sobre bactérias terríveis nos carrinhos dos supermercados, inclusive os de onde ela faz propaganda todo santo dia. Sem luvas. Sem camisinha, só o Neymar, apenas um garoto brincando com suas bolas.

É. O tema era bom mesmo para título de filme, categoria-documentário: “Os três is – Intolerância, Ignorância, Intransigência”, mas a essa altura da vida, vendo que há participantes de todos os matizes fazendo bico, isso ficou mais para “Apertem os cintos …O piloto sumiu”. Com pneumonia leve, como se tal existisse e perdurasse semanas. Hã, hã. Corta!

Não é para menos que outro dia cheguei na casa do meu pai, de 93 anos, e encontrei-o excitado, vibrando, aos brados, na frente da televisão. Fui correndo ver, porque ele normalmente é um caboclo bem sisudo. Ele estava simplesmente assistindo ao noticiário de tevê. Foi o dia da quase bolachada no Bolsonaro, do bate-boca do Código Florestal, que espalhou para tudo quanto é lado, e mais um dia no qual ele acompanhava, boquiaberto, as chacinas e violências no Oriente Médio. Como bom índio que é, papai não entende como ainda não foram até lá dar umas boas flechadas nesses “cabras” que todo dia prendem, torturam e bombardeiam dezenas de inocentes.

Pois é. Talvez, em breve, num cinema dentro da sua casa. Espere os créditos até o final.

São Paulo, com gente diferenciada e flutuante; mas limpinha. 2011

(*) Marli Gonçalves é jornalista. Sempre alerta, como O Vigilante Rodoviário. Continua dando um boi para não entrar. Mas não há Tropa de Elite capaz de fazer pedir que saia, uma vez dentro. E não gosta que cortem cenas porque não agradam os, digamos, patrocinadores, ou produtores associados.

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Gente que encontrei por aí… Roberto e Hugo, em San Jaime de la Frontera

Zane, meu xará Beto e seu amigo Hugo em San Jaime de la Frontera, Argentina numa noite fria do outono de 2011…

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