Polêmica à vista : “Governador eleito Confúcio Moura, deixe que eu responda por você para as mulheres dos PMs”

Por Nelson Townes*, do NoticiaRo.com

Não sou porta-voz do governador eleito de Rondônia Confúcio Moura, não quero ser aliás, nem votei nele, mas sou cidadão do Estado que o elegeu. Por isso, como membro do povo que ele vai governar, peço permissão ao futuro mandatário do Estado para responder em seu nome à ASSFAPOM (Associação dos Familiares dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia) que quer esclarecimentos sobre uma frase de Confúcio de querer ter ao seu lado “preto, pobre e puta, para ajudar a controlar a fúria da polícia.”

Eu esclareço, como cidadão, o que o governador deseja. Qualquer rondoniense sabe o que o doutor Confúcio quer: menos violência e arbitrariedade policial nas ruas de Porto Velho, menos covardia contra as classes mais indefesas da população, menos preconceito racial, social e até por orientação sexual.

Menos preconceito sobretudo contra menores de idade. Nós estamos criminalizando, com apoio de uma parcela irresponsável da mídia, nossos adolescentes, fazendo-os pagar pela ação de uma minoria (desamparada e sem futuro.)

Senhoras dos PMs, o governador eleito quis dizer que quer mais coragem de seus maridos contra os bandidos de verdade. O COE, por exemplo, é muito bom para aparecer na TV “estourando” pequenas “, bocas de fumo”, prendendo traficantes com pequenas quantidades de drogas, perseguindo“travestis”, mas nunca se viu um dos verdadeiros chefes do crime organizado preso ou investigado (até mesmo pelo Judiciário).

O que se vê diariamente são mortes de jovens – alguns em confrontos com a Polícia – sem melhores detalhes.

E se sabe que os barões do crime estão encastelados nos mais altos patamares da escala social. Oficial e civil. No próprio Executivo, no Judiciário e no Legislativo. A droga permeia a sociedade de Rondônia.

Mas, seus chefes são intocáveis. Você sabe disso, Confúcio Moura. Alguns nomes são falados nas esquinas, mas as provas as Polícias nunca encontram.

Só vão presos mesmo, para mostrar serviço, só mesmo os pobres, os que andam nas ruas escuras chegando tarde do trabalho ou da escola em casa – e são os suspeitos de sempre quando alguém é assaltado. Assim como qualquer adolescente que não esteja na “elite” dos barzinhos da moda (bebendo na cara dos PMs, mesmo sendo menores de 18 anos, para depois dirigir), e esteja numa bicicleta comum, também é virtual bandido.

Quando há algum assalto, o caso é perdido; diz-se até hoje que é preciso que haja um cadáver para a polícia atender a um chamado. E se a vítima insistir numa “diligência” em busca do suspeito este surgirá no primeiro transeunte pardo e pobre que estiver passando (a pé) pela rua.

O governador eleito tem razão: a ação das Polícias Civil e Militar é sempre contra pobre, puta e preto (falta incluir adolescentes ou jovens adultos). São a maioria da população carcerária.

A Polícia Militar é por índole violenta e é treinada para ver no civil um inimigo em potencial. Desde que não esteja num carro do ano, não seja branco e não tenha olhos e cabelos claros.

O povo brasileiro – não só em Rondônia – tem medo e não respeito, da Polícia. Aproxime-se de um policial para perguntar o nome de uma rua. Geralmente, o primeiro gesto do PM é levar a mão na direção da arma.

Quanto à associação das mulheres dos policiais, elas têm o direito constitucional de se associarem no que quiserem. Mas, já pensaram essas senhoras em se unir para trocar receitas de bolos, arte culinária, experiência com educação dos filhos pequenos?

De resto, que autoridade essas mulheres julgam ter para interpelar um governador, ou seja quem for, sobre uma análise sobre a disciplina e profissionalismo de seus maridos? Se fosse para reclamar contra maus salários,treinamento cruel etc. Mas, para rebater fatos que estão fora de seu alcance – ou então desmentir o que todos sabem?

É evidente que mais uma vez os PMs estão se escondendo sob a saia das suas mulheres, mães, tias, para interpelar um superior sem correr o risco da punição por indisciplina.

Esses maridos ou familiares dessas madames deveriam interpelar os superiores através de seus próprios sindicatos ou outros órgãos de classe. Na falta destes, pelo Judiciário.

A história da Polícia Militar do Brasil, fruto da Ditadura, é de horror e de crimes brutais. Há episódios de heroísmo que confirmam a regra, mas temos muito mais a lamentar do que festejar e não é sem motivo que se pensa em fundir as duas Polícias, Civil e Militar, numa só.

Os relatos de horror e de violência contra o povo –sempre contra o povo pobre, vítima também de outra instituição elitista, o Judiciciário – se alongariam nesta página e ficam para uma próxima ampliação deste site.

O que a ASSFAPOM (Associação dos Familiares dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia) precisa manter na mente é que ninguém esquece os atos de vandalismo contra o patrimônio público (esvaziar pneus de viaturas é um deles) e a perturbação e alarme social que causaram na última greve de seus maridos que se fingiam de “reféns das mulheres” dentro dos quartéis, enquanto elas “faziam piquetes” para “impedi-los” de saírem às ruas dominadas pelos bandidos estimulados pela greve (e ,há evidências, pelos grevistas.)

Ainda em seu nome, governador eleito, e sem sua autorização ou procuração, este repórter esclarece a essas senhoras que o senhor quis dizer que não se pode mais tolerar violência policial em Rondônia, é que a melhor coisa que a mulher de um PM pode fazer é, além das atividades profissionais que tiver, ter tempo para pilotar fogão, trocar fralda de nenê, cuidar dos filhos e manter a casa em ordem.

À propósito, o emblema da ASSFAPOM, com símbolos semelhantes a de brasões do serviço público policial e do judiciário, não parece lícito. Se querem colocar instrumentos de ação das mulheres dos PMs ue tal uma frigideira, uma panela, um garfo e, talvez, uma escumadeira?

Mulher de praça é apenas uma dona de casa, como qualquer outra. De outra forma, mulher de general de brigada seria brigadeira – para não confundir com o doce que tem patente militar.

Mas, quanto à sigla, a da associação das caras metades dos miliciianos é irretocável: ASSFAPOM. O nome sugere algo como assado de forno? Nesse, caso, cuidado para não deixar queimar a comida.

* Jornalista premiado 4 vezes com o Prêmio Sinjor

PARA ENTENDER O CASO:

Veja abaixo o trecho do Blog do Confúcio , em que ele diz ” Quero pobre, preto e puta me ajudando a controlar a fúria da polícia.”

Eu quero as ONGs perto de mim. Quero mais OSCIPS organizadas em todos os setores. Quero um terceiro setor forte. Quero as igrejas me ajudando no encaminhamento dos jovens e no combate a violência. Quero índios no meu governo. Já convidei uma índia de Extrema para ficar perto de mim. Quero suruís, cintalargas, Urus e outros mais. Quero preso gerenciando presídio  no modelo APAC. Quero pobre, preto e puta me ajudando a controlar a fúria da polícia. Quero os homossexuais que apanham e são presos injustamente me denunciando as arbitrariedades. Quero também as associações de moradores bem organizadas. Com seus documentos ajustados. Que debatam nos seus bairros e pratiquem a teoria da organização. As cooperativas da mesma forma, e estarei a disposição para ajudar na capacitação de seus membros. Quero cooperativa que coopere com o desenvolvimento. Associação que indique caminho para o Governo. Quero prefeito fazendo a sua parte.

E leia abaixo a  nota da Assfapom(Associação dos Familiares dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia), exigindo explicações do Governador eleito, que já foi Sargento da Polícia Militar do Estado de Goiás :

A ASSFAPOM (Associação dos Familiares dos Praças da Polícia Militar do Estado de Rondônia) vem a público solicitar esclarecimento sobre a recente frase divulgada pelo governador eleito do estado de Rondônia, Confúcio Moura, através de seu blog oficial em que afirmou que gostaria de ter ao seu lado “preto, pobre e puta, para ajudar a controlar a fúria da polícia”.

Os policiais militares do Estado de Rondônia jamais se utilizaram da fúria na prática de seu oficio, e que sempre preza pelo equilíbrio e entendimento com a sociedade, sendo que utiliza de uso moderado de força em situações em precisa defender a ordem e o Estado democrático de direito.

Lembramos que os praças estão e estiveram ao lado do governador eleito Confúcio Moura e aguarda ansiosamente o inicio de seus trabalhos a frente do Estado, e que no período de campanha o então candidato Confúcio Moura, afirmou que seria o governador dos policiais militares, pois ele vivenciou e sentiu na pele o trabalho de um praça, quando foi Sargento da Polícia Militar do Estado de Goiás.

Entendemos que existem policiais militares que ultrapassam dos limites dos seus deveres constitucionais, porém essa não é uma prática comum a categoria.

Os praças da Polícia Militar de Rondônia estão sempre incumbidos no dever de proteger a sociedade e pede que o governador eleito esclareça a classe e a sociedade o que ele quis dizer com a frase publicada em seu blog.

ASSFAPOM

10 Comentários

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10 Respostas para “Polêmica à vista : “Governador eleito Confúcio Moura, deixe que eu responda por você para as mulheres dos PMs”

  1. Marcos Bruno

    Olá caro(a) reporter! A nossa Policia é como uma familia: se um filho é mau, a familia não presta. Quero te dizer que esse órgão muito diferente e muito mais do que você pensa e escreve. Eu sou um policial militar que respeita o próximo (seja ele um civil ou um companheiro de serviço) assim como muitos outros.

    Veja isso:

    O Art. 142, § 3º, IV da Constituição Federal diz assim: “ao militar são proibidas a sindicalização e a greve.”

    O paragrafo único do art. 29 do DECRETO-LEI, Nº 09-A, de 09 de março de 1982, diz assim: “Ao policial-militar, em serviço ativo, são proibidas a sindicalização, a greve e a filiação a partidos políticos.”

    O art. 2º do mesmo decreto diz o seguinte: “A Polícia Militar, força auxiliar, reserva do Exército e instituição permanente, baseada na hierarquia e na disciplina, SUBORDINADA DIRETAMENTE AO GOVERNADOR DO ESTADO, cabe a polícia ostensiva, a preservação da ordem pública e execução de atividade de defesa civil,…”.

    Então gostaria que você se colocasse no lugar de um policial nessa situação e pergunte para si mesmo:

    “O que seria de mim se não fosse a minha esposa, ou a minha mãe, ou a minha tia, ou a …)?”
    “O que eu posso fazer para que o Estado melhore o nosso salário se eu não posso fazer greve?

    Qual seria a sua resposta?

    Me parece que você não viu que policias civis e federais fizeram greves em todo país em prol de melhores salários e planos de carreira.

    Porque você não critica eles?

    Você pode ser um(a) reporter premiado(a), mas deveria estudar um pouco mais sobre a nossa policia antes de publicar uma matéria maldosa como essa.

    Quero que você e todos que lerem este comentário visitem este site:

    http://aspra-ro.com/component/content/article/3-noticias/39-leia-aqui-a-verdadeira-valorizacao-salarial-e-da-carreira-dos-policiais-militares.html

    Vejam como é a valorização salarial de um policial militar em Brasilia, o mesmo que este(a) jornalista critica!

    Ao que parece é mais fácil puxar saco de político e falar mal de nossas mulheres do que dos baixos salários que o governo paga ou da situação da nossa saúde e da nossa educação!

    Caro(a) colega, já que você se preocupa tanto com nossos jovens, publica ai algum artigo sobre a situação de nossa educação, saúde e/ou SEGURANÇA (sem generalizar) e o que o Estado esta fazendo para melhorar estes órgãos!

    ESTE SIM É UM ASSUNTO QUE INTERESSA A TODOS.

  2. Sérgio Luiz

    Senhor(a) escrivinhador(a), só hoje tive o desprazer de ler seu artigo sobre a ASSFAPOM, e tirei a conclusão que em Rondônia não tem jornalista, mas sim um bando de puxa-saco de político. Antes de escrever sobre algo que não tem conhecimento, procura-se aprofundar sobre o que vai ser colocado na matéria, para dessa forma, não sair algo tendencioso ou ridículo. A ASSFAPOM é presidida por um PM (Jesuíno Boabaid), que já conseguiu alguns benefícios para a classe (sem colocar nossas mulheres à frente) e não por mulher de PM. O que ocorreu no passado foi feito por uma outra associação, essa sim dirigida pelas mulheres de Policiais Militares, seu preconceituoso. Ontem eu assisti uma reportagem sobre políticos norte-americanos que faziam tudo para prejudicar homossexuais naquele país, votando contra tudo que lhes dessem algum direito ou benefício, e posteriormente foi descoberto que a maioria deles era HOMOSSEXUAL. Você falando mal de nossas mulheres dessa forma, será se não teria uma pontinha de inveja delas terem verdadeiros HOMENS ao seu lado?

  3. Belo texto! concordo 100% com o gov. Confúcio e com os comentários do Beto… Rondônia merece mais do que isso! avante ao desenvolvimento!

  4. Priscila

    Todos temos direito de expressar nossas opiniões, desde que estas não ofendam direitos individuais ou coletivos.
    Primeiro, só se fala em nome de alguém com expressa permissão; e, segundo, um reporter que se considera renomado e premiado várias vezes tem que ter pudor e respeito com temas que podem provocar intrigas desnecessárias.
    Não diga “todos” e nem “nunca” para não cometer erros grosseiros.
    Não julgue como se fosse o dono da verdade.

  5. Ana Nunes

    Nem tanto ao mar nem tanto a terra. É verdade que as mulheres que estão a frente da Assfapom são teleguiadas pelos maridos ou filhos. E verdade que ouve um mal entendido em relação as palavras do governador. Mas ao querer falar pelo governador, e usar palavras tão preconceituosas contra as mulheres, atinge não só as pertencentes aquela organização, quanto todas as mulheres. E ainda compra uma briga desnevcessária e prejudicial ao novo governador. Por fim, lamento que um cara com esse preconceito todo que é tres vezes premiado pelo SINJOR.

    • Priscila,
      Para começar, eu não me considero renomado e premiado várias. EU SOU RENOMADO E PREMIADO VÁRIAS VEZES em consequência de meu trabalho e se quiser comprovar vá a qualquer órgão de comunicação, ao Sindicato dos Jornalistas e faça indagações a meu respeito. Quando escrevi que pedia permissão ao governador eleito para responder à associação das mulheres dos PMs estava expressando uma opinião pessoal e somente um cérebro obtuso poderia exigir que eu aguardasse atendimento formal a esse pedido.
      Sou renomado e premiado exatamente por trabalhar para dar acesso ao público a qualquer informação – especialmente sobre o serviço público numa área de interesse geral como a da Polícia Militar – sem pensar em qualquer tipo de restrição ao tema, ou considerar que existam temas que devem ser “respeitados” ou pelos quais devo ter “pudor” para não causar “intrigas desnecessárias”. Nenhum tema está acima do interesse público e todos devem ser investigados com seriedade, sem qualquer restrição na busca da verdade. Tive o cuidado de escrever que há policiais militares que honram a instituição com trabalho heróico, portanto, não cometi o pecado da generalização. O que lamentei e lamento é que constituam exceção à regra. Numa coisa concordo com V. Ninguém é dono da verdade, e não é verdadeiro que as mulheres dos PMs tenham o direito de causar alarme, perturbação social e danos ao patrimônio público em nome dos maridos que não têm coragem para protestar por seus direitos.

    • Ana Nunes,
      Leia de novo meu artigo e veja que em momento algum manifestei qualquer tipo de preconceito contra as mulheres dos PMs. Disse e repito que não aceito que se considerem uma “categoria especial” com o direito de fechar quartéis, aumentar a insegurança pública e danificar o que é do povo. Tenho quatro, e não três, Prêmios Sinjor, um deles sobre minha atuação geral como jornalista. Quem acompanha meu trabalho sabe que sempre fui defensor dos direitos das Mulheres, de todas as Mulheres e sempre combati as injustiças, a opressão e as violências que elas sofrem das próprias Polícias. Suponho que V. tenha algum familiar PM, Pergunte-lhe se alguma vez não maltratou alguma mulher por ser pobre, negra ou prostituta. Se ele negar, ou será um santo fardado ou um mentiroso. Quer mais uma prova? Vá à delegacia das Mulheres e veja como a Polícia em geral trata as vítimas de violências que ali vão em busca de ajuda. A primeira’ pergunta que – toda regra tem exceção, é claro – é feita é: “O que você fez”? O preconceito contra as mulheres no Brasil (e no mundo) ainda é grande e tenho lutado. Por isso sou um cara ganhador do Prêmio Sinjor e outros.

  6. RONNY

    gostei em partes do texto, mais na minha humilde opinião vc deveria respeitar mais as mulheres. vc não tem mãe? , vc não tem mulher?, vc não tem filhas? . vc nasceu de dentro de uma mulher. a mulher atual é bem mais do que uma simples cozinheira, bem mais do que uma simples faxineira. hoje o cargo mais importante do Brasil, esta sendo ocupado por uma mulher. então meu caro reporter, pare, pense e reflitar nos seus conceitos em relação a mulheres. um abraço e feliz ano novo para vc e sua familia.

    • Ronny,
      Leia de novo meu artigo e leia as respostas que dei aos comentários acima. Repito: luto contra os preconceitos contra as mulheres e disso sabem os que acompanham meu trabalho e a comunidade que o reconhece, premiando-me.
      Não há nenhum preconceito ou insulto recomendar às mulheres dos PMs que em vez de causar alarme e perturbação social, exerçam suas atividades profissionais (as que tiverem) e, ou, exerçam seu papel de donas de casa.
      É claro que elas têm o direito de se manifestar em defesa dos maridos, e isso está escrito no artigo, mas não da forma criminosa como elas têm agido.
      Eu me refiro ás que fazem “piquetes” etc. nos quartéis. Quem adota um tom genérico é a associação dessas mulheres.
      E eu luto, sempre lutei contra os preconceitos contra as Mulheres, contra todos os preconceitos.
      Retribuo seus votos de Feliz Ano Novo, com paz para todos nós, para Rondônia, o Brasil e o Mundo

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