WikiLeaks: 2.855 documentos sobre o Brasil (via Opera Mundi)

Por Natália Viana, jornalista e colaboradora do site Opera Mundi

Fui convidada por Julian Assange e sua equipe para trazer ao público brasileiro os documentos que interessam ao nosso país. Para esse fim, o Wikileaks decidiu elaborar conteúdo próprio também em português. Todos os dias haverá no site matérias fresquinhas sobre os documentos da embaixada e consulados norte-americanos no Brasil.

Por trás dessa nova experiência está a vontade de democratizar ainda mais o acesso à informação. O Wikileaks quer ter um canal direto de comunicação com os internautas brasileiros, um dos maiores grupos do mundo, e com os ativistas no Brasil que lutam pela liberdade de imprensa e de informação. Nada mais apropriado para um ano em que a liberdade de informação dominou boa parte da pauta da campanha eleitoral.

Buscando jornalistas independentes, Assange busca furar o cerco de imprensa internacional e da maneira como ela acabada dominando a interpretação que o público vai dar aos documentos. Por isso, além dos cinco grandes jornais estrangeiros, somou-se ao projeto um grupo de jornalistas independentes. Numa próxima etapa, o Wikileaks vai começar a distribuir os documentos para veículos de imprensa e mídia nas mais diversas partes do mundo.

Assange e seu grupo perceberam que a maneira concentrada como as notícias são geradas – no nosso caso, a maior parte das vezes, apenas traduzindo o que as grandes agências escrevem – leva um determinado ângulo a ser reproduzido ao infinito. Não é assim que esses documentos merecem ser tratados: “São a coisa mais importante que eu já vi”, disse ele.

Não foi fácil. O Wikileaks já é conhecido por misturar técnicas de hackers para manter o anonimato das fontes, preservar a segurança das informações e se defender dos inevitáveis ataques virtuais de agências de segurança do mundo todo.

Assange e sua equipe precisam usar mensagens criptografadas e fazer ligações redirecionados para diferentes países que evitam o rastreamento. Os documentos são tão preciosos que qualquer um que tem acesso a eles tem de passar por um rígido controle de segurança. Além disso, Assange está sendo investigado por dois governos e tem um mandado de segurança internacional contra si por crimes sexuais na Suécia. Isso significou que Assange e sua equipe precisam ficar isolados enquanto lidam com o material. Uma verdadeira operação secreta.

Documentos sobre Brasil

No caso brasileiro, os documentos são riquíssimos. São 2.855 no total, sendo 1.947 da embaixada em Brasília, 12 do Consulado em Recife, 119 no Rio de Janeiro e 777 em São Paulo.

Nas próximas semanas, eles vão mostrar ao público brasileiro histórias pouco conhecidas de negociações do governo por debaixo do pano, informantes que costumam visitar a embaixada norte-americana, propostas de acordo contra vizinhos, o trabalho de lobby na venda dos caças para a Força Aérea Brasileira e de empresas de segurança e petróleo.

O Wikileaks vai publicar muitas dessas histórias a partir do seu próprio julgamento editorial. Também vai se aliar a veículos nacionais para conseguir seu objetivo – espalhar ao máximo essa informação. Assim, o público brasileiro vai ter uma oportunidade única: vai poder ver ao mesmo tempo como a mesma história exclusiva é relatada por um grande jornal e pelo Wikileaks. Além disso, todos os dias os documentos serão liberados no site do Wikileaks. Isso significa que todos os outros veículos e os próprios internautas, bloggers, jornalistas independentes vão poder fazer suas próprias reportagens. Democracia radical – também no jornalismo.

Impressões

A reação desesperada da Casa Branca ao vazamento mostra que os Estados Unidos erraram na sua política mundial – e sabem disso. Hillary Clinton ligou pessoalmente para diversos governos, inclusive o chinês, para pedir desculpas antecipadamente pelo que viria. Para muitos, não explicou direto do que se tratava, para outros narrou as histórias mais cabeludas que podiam constar nos 251 mil telegramas de embaixadas.

Ainda assim, não conseguiu frear o impacto do vazamento. O conteúdo dos telegramas é tão importante que nem o gerenciamento de crise de Washington nem a condenação do lançamento por regimes em todo o mundo – da Austrália ao Irã – vai conseguir reduzir o choque.

Como disse um internauta, Wikileaks é o que acontece quando a superpotência mundial é obrigada a passar por uma revista completa dessas de aeroporto. O que mais surpreende é que se trata de material de rotina, corriqueiro, do leva-e-traz da diplomacia dos EUA. Como diz Assange, eles mostram “como o mundo funciona”.

O Wikileaks tem causado tanto furor porque defende uma ideia simples: toda informação relevante deve ser distribuída. Talvez por isso os governos e poderes atuais não saibam direito como lidar com ele. Assange já foi taxado de espião, terrorista, criminoso. Outro dia, foi chamado até de pedófilo.

Wikileaks e o grupo e colaboradores que se reuniu para essa empreitada acreditam que injustiça em qualquer lugar é injustiça em todo lugar. E que, com a ajuda da internet, é possível levar a democracia a um patamar nunca imaginado, em que todo e qualquer poder tem de estar preparado para prestar contas sobre seus atos.

O que Assange traz de novo é a defesa radical da transparência. O raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto é que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber. Não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder essa ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”. A imprensa simplesmente não tem esse direito.

É por isso que, enquanto o Wikileaks é chamado de “irresponsável”, “ativista”, “antiamericano” e Assange é perseguido, os cinco principais jornais do mundo que se associaram ao lançamento do Cablegate continuam sendo vistos como exemplos de bom jornalismo – objetivo, equilibrado, responsável e imparcial.

Uma ironia e tanto.

via Opera Mundi

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2 Comentários

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2 Respostas para “WikiLeaks: 2.855 documentos sobre o Brasil (via Opera Mundi)

  1. robinson

    Mídia é foda.

  2. Caro Beto,
    Poderia publicar o comentário abaixo que dedico à prezada Natália?
    Sem a menor dúvida, todo jornalista e todo editor de jornal sabe que é direito fundamental do cidadão o acesso à informação, o direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
    É preciso também ter em mente que a notícia é todo e qualquer relato sobre a luta do ser humano neste planeta.
    Não existem, ou não seriam eficazes, campanhas midiáticas dos grandes monopólios informativos dirigidas, como Natália escreve, para a “contaminação mental” que debilite os governos progressistas. É verdade que a mídia é formadora da opinião pública, mas também é reflexo dela.
    Se o governo é progressista, de fato, ele terá o apoio da opinião pública e a mídia, que existe para espelhá-la, jamais poderia debilitar tal governo. Seria um tiro no pé, perda de leitores, ouvintes, especyadores e,consequentemente, publicidade.
    Isso sem contar com toda uma maciça magistratura que permite não só ao governo, mas a qualquer, um, contra-atacar a mídia hostil e puni-la severamente se ela errar. É muitíssimo fácil alvejar a imprensa no Brasil – eu, por exemplo, fui processado quatro vezes na campanha eleitoral em Rondônia por dizer a verdade e fui obrigado, sob pena de pagar multa diária de R$ 5 mil, que um determinado candidato condenado pelo mesmo tribunal como”ficha suja”, era “ficha limpa.”
    Aliás, a mídia sempre é punida não por que erra, mas porque denuncia o erro. O exemplo atual é o da censura ao qual estão submetidos o jornal “O Estado de S. Paulo” e seu site estadão.com.br, proibidos de falar dos crimes financeiros envolvendo o filho de Sarney.
    Na área comercial, também existem leis contra monopólios, crimes financeiros das empresas etc. eventualmente cometidos por empresas jornalísticas. E o jornalismo somente existe nos regimes capitalistas. Não há imprensa livre em nenhum outro tipo de sociedade. Pois é através da livre competição por mercado que os jornais se policiam, cada um em seu próprio nicho de interesse econômico e, ou,social.
    E por falar em dinheiro, o próprio governo (também) tem, no mundo capitalista, sua mídia oficial, seus sites e tudo mais que quiser, além de suas verbas institucionais para propaganda, Portanto, nenhum governo é um coitadinho indefeso, principalmente se for progressista.
    Nem grandes conspirações com a participação das mídias – eu disse conspiração, ato para enganar a opinião pública, não o legítimo exercício de informar, denunciar, como o que a mídia fazia heroicamente na luta contra a violência, a tortura e o assassinato durante a ditadura militar no Brasil – são possíveis ou duram muito. Sempre haverá mídia independente a denunciá-la. É o que está acontecendo nos EUA sobre o papel de algumas mídias na guerra do Iraque.
    O que está me parecendo é a formação de um coletivo de blogueiros com o intuito de desmoralizar a Imprensa brasilleira como instituição. Precisamos da liberdade com que agiu Assange. E temos no Brasil jornalistas com façanhas semelhantes a dele. E não há nada de novo quanto ao que Assange fala sobre a defesa radical da transparência. Sabemos disso e o fazemos. Vladmir Herzog foi assassjnado por que a defendia.
    Está proclamado há quase cem anos nos cânones do jornalismo e é a essência do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, o raciocínio do grupo de jornalistas investigativos que se reúne em torno do projeto que define que, se algum governo ou poder fez algo de que deveria se envergonhar, então o público deve saber.
    Nossa tradicional imprensa (não “imprensa antiga”, presidente Lula) sabe
    que não cabe aos governos, às assessorias de imprensa ou aos jornalistas esconder esta ou aquela informação por considerar que ela “pode gerar insegurança” ou “atrapalhar o andamento das coisas”.
    A imprensa de fato e simplesmente não tem esse direito, conforme estabelece o artigo 2º do Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, e a Constituição Federal do Brasil.
    Outra coisa,minha cara redatora, a única forma de democratizar a mídia é impedir qualquer intervenção do Estado na imprensa. Não existe, no Brasil, as leis não permitem, um único jornal, rádio ou TV honestos que não aceitem reparar um erro., ou aceitem uma crítica (crítica, não insulto). Ou fazem a reparação do erro por bem, como recomenda o Código de Ética, ou através da Justiça. O direito de resposta existe para isso mesmo e geralmente é usado de forma abusiva contra a mídia.
    Por fim, cara Natália, para você entender melhor a atividade jornalística – e não dar ouvidos a certos discursos dos que se sentem incomodados com a liberdade de imprensa e tentam justificar a censura ou “marcos regulatórios da mídia”, envio-lhe o Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros, ao qual devem estar subordinados todos os que transmitem informação, mesmo o que usam um simples e-mail (que é a verdadeira grande revolução da comunicação, pois cada titular de um e-mail é uma mídia), mesmo os que não são jornalistas (pois para ser jornalista é preciso, além da vocação e do compromisso profissional, estudo específico.)
    Todos nós, que escrevemos como amadores ou profissionais, por diletantismo ou por uma causa,um ideal, ou pelo pão de cada dia, estamos subordinados a esse código e somente dele, do civismo e do talento (e cultura) precisamos para as nossas mídias, que nunca são novas ou antgas, mas diferentes.
    Leia, Natália, e divulgue, o
    Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros
    Capítulo I – Do direito à informação
    Art. 1º O Código de Ética dos Jornalistas Brasileiros tem como base o direito fundamental do cidadão à informação, que abrange direito de informar, de ser informado e de ter acesso à informação.
    Art. 2º Como o acesso à informação de relevante interesse público é um direito fundamental, os jornalistas não podem admitir que ele seja impedido por nenhum tipo de interesse, razão por que:
    I – a divulgação da informação precisa e correta é dever dos meios de comunicação e deve ser cumprida independentemente da linha política de seus proprietários e/ou diretores ou da natureza econômica de suas empresas;
    II – a produção e a divulgação da informação devem se pautar pela veracidade dos fatos e ter por finalidade o interesse público;
    III – a liberdade de imprensa, direito e pressuposto do exercício do jornalismo, implica compromisso com a responsabilidade social inerente à profissão;
    IV – a prestação de informações pelas organizações públicas e privadas, incluindo as não-governamentais, deve ser considerada uma obrigação social;
    V – a obstrução direta ou indireta à livre divulgação da informação, a aplicação de censura e a indução à autocensura são delitos contra a sociedade, devendo ser denunciadas à comissão de ética competente, garantido o sigilo do denunciante.
    Capítulo II – Da conduta profissional do jornalista
    Art. 3º O exercício da profissão de jornalista é uma atividade de natureza social, estando sempre subordinado ao presente Código de Ética.
    Art. 4º O compromisso fundamental do jornalista é com a verdade no relato dos fatos, deve pautar seu trabalho na precisa apuração dos acontecimentos e na sua correta divulgação.
    Art. 5º É direito do jornalista resguardar o sigilo da fonte.
    Art. 6º É dever do jornalista:
    I – opor-se ao arbítrio, ao autoritarismo e à opressão, bem como defender os princípios expressos na Declaração Universal dos Direitos Humanos;
    II – divulgar os fatos e as informações de interesse público;
    III – lutar pela liberdade de pensamento e de expressão;
    IV – defender o livre exercício da profissão;
    V – valorizar, honrar e dignificar a profissão;
    VI – não colocar em risco a integridade das fontes e dos profissionais com quem trabalha;
    VII – combater e denunciar todas as formas de corrupção, em especial quando exercidas com o objetivo de controlar a informação;
    VIII – respeitar o direito à intimidade, à privacidade, à honra e à imagem do cidadão;
    IX – respeitar o direito autoral e intelectual do jornalista em todas as suas formas;
    X – defender os princípios constitucionais e legais, base do estado democrático de direito;
    XI – defender os direitos do cidadão, contribuindo para a promoção das garantias individuais e coletivas, em especial as das crianças, adolescentes, mulheres, idosos, negros e minorias;
    XII – respeitar as entidades representativas e democráticas da categoria;
    XIII – denunciar as práticas de assédio moral no trabalho às autoridades e, quando for o caso, à comissão de ética competente;
    XIV – combater a prática de perseguição ou discriminação por motivos sociais, econômicos, políticos, religiosos, de gênero, raciais, de orientação sexual, condição física ou mental, ou de qualquer outra natureza.
    Art. 7º O jornalista não pode:
    I – aceitar ou oferecer trabalho remunerado em desacordo com o piso salarial, a carga horária legal ou tabela fixada por sua entidade de classe, nem contribuir ativa ou passivamente para a precarização das condições de trabalho;
    II – submeter-se a diretrizes contrárias à precisa apuração dos acontecimentos e à correta divulgação da informação;
    III – impedir a manifestação de opiniões divergentes ou o livre debate de idéias;
    IV – expor pessoas ameaçadas, exploradas ou sob risco de vida, sendo vedada a sua identificação, mesmo que parcial, pela voz, traços físicos, indicação de locais de trabalho ou residência, ou quaisquer outros sinais;
    V – usar o jornalismo para incitar a violência, a intolerância, o arbítrio e o crime;
    VI – realizar cobertura jornalística para o meio de comunicação em que trabalha sobre organizações públicas, privadas ou não-governamentais, da qual seja assessor, empregado, prestador de serviço ou proprietário, nem utilizar o referido veículo para defender os interesses dessas instituições ou de autoridades a elas relacionadas;
    VII – permitir o exercício da profissão por pessoas não-habilitadas;
    VIII – assumir a responsabilidade por publicações, imagens e textos de cuja produção não tenha participado;
    IX – valer-se da condição de jornalista para obter vantagens pessoais.
    Capítulo III – Da responsabilidade profissional do jornalista
    Art. 8º O jornalista é responsável por toda a informação que divulga, desde que seu trabalho não tenha sido alterado por terceiros, caso em que a responsabilidade pela alteração será de seu autor.
    Art 9º A presunção de inocência é um dos fundamentos da atividade jornalística.
    Art. 10. A opinião manifestada em meios de informação deve ser exercida com responsabilidade.
    Art. 11. O jornalista não pode divulgar informações:
    I – visando o interesse pessoal ou buscando vantagem econômica;
    II – de caráter mórbido, sensacionalista ou contrário aos valores humanos, especialmente em cobertura de crimes e acidentes;
    III – obtidas de maneira inadequada, por exemplo, com o uso de identidades falsas, câmeras escondidas ou microfones ocultos, salvo em casos de incontestável interesse público e quando esgotadas todas as outras possibilidades de apuração;
    Art. 12. O jornalista deve:
    I – ressalvadas as especificidades da assessoria de imprensa, ouvir sempre, antes da divulgação dos fatos, o maior número de pessoas e instituições envolvidas em uma cobertura jornalística, principalmente aquelas que são objeto de acusações não suficientemente demonstradas ou verificadas;
    II – buscar provas que fundamentem as informações de interesse público;
    III – tratar com respeito todas as pessoas mencionadas nas informações que divulgar;
    IV – informar claramente à sociedade quando suas matérias tiverem caráter publicitário ou decorrerem de patrocínios ou promoções;
    V – rejeitar alterações nas imagens captadas que deturpem a realidade, sempre informando ao público o eventual uso de recursos de fotomontagem, edição de imagem, reconstituição de áudio ou quaisquer outras manipulações;
    VI – promover a retificação das informações que se revelem falsas ou inexatas e defender o direito de resposta às pessoas ou organizações envolvidas ou mencionadas em matérias de sua autoria ou por cuja publicação foi o responsável;
    VII – defender a soberania nacional em seus aspectos político, econômico, social e cultural;
    VIII – preservar a língua e a cultura do Brasil, respeitando a diversidade e as identidades culturais;
    IX – manter relações de respeito e solidariedade no ambiente de trabalho;
    X – prestar solidariedade aos colegas que sofrem perseguição ou agressão em conseqüência de sua atividade profissional.
    Capítulo IV – Das relações profissionais
    Art. 13. A cláusula de consciência é um direito do jornalista, podendo o profissional se recusar a executar quaisquer tarefas em desacordo com os princípios deste Código de Ética ou que agridam as suas convicções.
    Parágrafo único. Esta disposição não pode ser usada como argumento, motivo ou desculpa para que o jornalista deixe de ouvir pessoas com opiniões divergentes das suas.
    Art. 14. O jornalista não deve:
    I – acumular funções jornalísticas ou obrigar outro profissional a fazê-lo, quando isso implicar substituição ou supressão de cargos na mesma empresa. Quando, por razões justificadas, vier a exercer mais de uma função na mesma empresa, o jornalista deve receber a remuneração correspondente ao trabalho extra;
    II – ameaçar, intimidar ou praticar assédio moral e/ou sexual contra outro profissional, devendo denunciar tais práticas à comissão de ética competente;
    III – criar empecilho à legítima e democrática organização da categoria.
    Capítulo V – Da aplicação do Código de Ética e disposições finais
    Art. 15. As transgressões ao presente Código de Ética serão apuradas, apreciadas e julgadas pelas comissões de ética dos sindicatos e, em segunda instância, pela Comissão Nacional de Ética.
    § 1º As referidas comissões serão constituídas por cinco membros.
    § 2º As comissões de ética são órgãos independentes, eleitas por voto direto, secreto e universal dos jornalistas. Serão escolhidas junto com as direções dos sindicatos e da Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), respectivamente. Terão mandatos coincidentes, porém serão votadas em processo separado e não possuirão vínculo com os cargos daquelas diretorias.
    § 3º A Comissão Nacional de Ética será responsável pela elaboração de seu regimento interno e, ouvidos os sindicatos, do regimento interno das comissões de ética dos sindicatos.
    Art. 16. Compete à Comissão Nacional de Ética:
    I – julgar, em segunda e última instância, os recursos contra decisões de competência das comissões de ética dos sindicatos;
    II – tomar iniciativa referente a questões de âmbito nacional que firam a ética jornalística;
    III – fazer denúncias públicas sobre casos de desrespeito aos princípios deste Código;
    IV – receber representação de competência da primeira instância quando ali houver incompatibilidade ou impedimento legal e em casos especiais definidos no Regimento Interno;
    V – processar e julgar, originariamente, denúncias de transgressão ao Código de Ética cometidas por jornalistas integrantes da diretoria e do Conselho Fiscal da FENAJ, da Comissão Nacional de Ética e das comissões de ética dos sindicatos;
    VI – recomendar à diretoria da FENAJ o encaminhamento ao Ministério Público dos casos em que a violação ao Código de Ética também possa configurar crime, contravenção ou dano à categoria ou à coletividade.
    Art. 17. Os jornalistas que descumprirem o presente Código de Ética estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, suspensão e exclusão do quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
    Parágrafo único – Os não-filiados aos sindicatos de jornalistas estão sujeitos às penalidades de observação, advertência, impedimento temporário e impedimento definitivo de ingresso no quadro social do sindicato e à publicação da decisão da comissão de ética em veículo de ampla circulação.
    Art. 18. O exercício da representação de modo abusivo, temerário, de má-fé, com notória intenção de prejudicar o representado, sujeita o autor à advertência pública e às punições previstas neste Código, sem prejuízo da remessa do caso ao Ministério Público.
    Art. 19. Qualquer modificação neste Código só poderá ser feita em congresso nacional de jornalistas mediante proposta subscrita por, no mínimo, dez delegações representantes de sindicatos de jornalistas.
    Vitória, 04 de agosto de 2007.
    Federação Nacional dos Jornalistas
    Abraços, Nelson Townes, 02 12 10

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