Arquivo do dia: 14/10/2010

Deu no JB : "pela minha tradição, eu seria favorável a apoiar o PT" diz Marina

O Jornal do Brasil, em sua edição digital de hoje ( 14 ), fez uma extensa reportagem em que a ex-candidata à presidência da República pelo PV  disse que estaria mais próxima de Dilma Rousseff no segundo turno.  Marina Silva, que concedeu entrevista exclusiva ao Terra TV afirmou que estaria mais próxima de apoiar o PT, devido a sua trajetória e carreira política. Segundo o jornal, a pergunta foi feita por um internauta que questionou se sua história petista influenciaria em seu apoio no segundo turno. “Não é assim que a gente pensa política, não é assim que a gente fala das questões relevantes para o País com amadurecimento. Eu tenho uma amizade com muitas pessoas que pensam completamente diferente daquilo que eu penso e nem por isso vou subordinar minha ação política a esses laços de amizade”, reiterou a candidata. .  Durante a entrevista, Marina criticou a cobertura da imprensa sobre os temas relacionados ao aborto e às questões religiosas. A senadora disse ainda que, durante a disputa no primeiro turno, sentia que as perguntas que envolviam os estes assuntos eram voltadas “quase que exclusivamente” a ela. “Nos debates do primeiro turno, sentia que essas questões eram dirigidas à mim e pensava: “será que tem a ver com minha fé religiosa?'”. Marina afirmou que debateu com clareza os temas ligados ao aborto e a religião. “Eu tenho a alegria de dizer que as debati e coloquei a minha posição contrária, por questões religiosas e filosóficas. Não as escondi. Espero que não tenhamos uma visão preconceito nem em relação a quem crê e nem a quem não crê”, defendeu a ex-candidata. Como o aborto tem sido a principal questão que vem pautando o segundo turno, Marina foi questionada sobre seu posicionamento em relação à opinião dos candidatos José Serra e Dilma Rousseff. “Eu não tenho condições de julgar a fé das pessoas. Se ele (Deus) não julgava, como é que eu vou julgar”. Em seguida, a senadora foi questionada sobre a existência de um Estado laico no Brasil, porque o aborto não poderia ser legalizado sem a geração de polêmica. Ao responder, Marina, como vinha fazendo no período de campanha, defendeu a realização de um plebiscito popular, onde a vontade da população prevaleceria. “Vai ser sempre a vontade da maioria da população, de uma sociedade democrática. Existe também outra parte da população que tem posição contrária e eles têm o direito de expressar a sua posição. A gente tem que defender a liberdade de expressão para todas as questões. Cada um tem o direito de expressar a sua condição religiosa sem ser satanizado”, explicou. Sobre o perfil político dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), Marina afirmou: “os dois são pessoas com uma visão desenvolvimentista, não vem pela busca da sustentabilidade ambiental e das suas diferentes dimensões”. Segundo a senadora, seus adversários no primeiro turno apresentam perfis gerenciais muito semelhantes, mas o segundo turno é uma “benção”, já que os dois terão oportunidades de se diferenciar.

Jornal do Brasil com os blogs Conversa Afiada e Luis Nassif Online.

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Deu no JB : “pela minha tradição, eu seria favorável a apoiar o PT” diz Marina

O Jornal do Brasil, em sua edição digital de hoje ( 14 ), fez uma extensa reportagem em que a ex-candidata à presidência da República pelo PV  disse que estaria mais próxima de Dilma Rousseff no segundo turno.  Marina Silva, que concedeu entrevista exclusiva ao Terra TV afirmou que estaria mais próxima de apoiar o PT, devido a sua trajetória e carreira política. Segundo o jornal, a pergunta foi feita por um internauta que questionou se sua história petista influenciaria em seu apoio no segundo turno. “Não é assim que a gente pensa política, não é assim que a gente fala das questões relevantes para o País com amadurecimento. Eu tenho uma amizade com muitas pessoas que pensam completamente diferente daquilo que eu penso e nem por isso vou subordinar minha ação política a esses laços de amizade”, reiterou a candidata. .  Durante a entrevista, Marina criticou a cobertura da imprensa sobre os temas relacionados ao aborto e às questões religiosas. A senadora disse ainda que, durante a disputa no primeiro turno, sentia que as perguntas que envolviam os estes assuntos eram voltadas “quase que exclusivamente” a ela. “Nos debates do primeiro turno, sentia que essas questões eram dirigidas à mim e pensava: “será que tem a ver com minha fé religiosa?'”. Marina afirmou que debateu com clareza os temas ligados ao aborto e a religião. “Eu tenho a alegria de dizer que as debati e coloquei a minha posição contrária, por questões religiosas e filosóficas. Não as escondi. Espero que não tenhamos uma visão preconceito nem em relação a quem crê e nem a quem não crê”, defendeu a ex-candidata. Como o aborto tem sido a principal questão que vem pautando o segundo turno, Marina foi questionada sobre seu posicionamento em relação à opinião dos candidatos José Serra e Dilma Rousseff. “Eu não tenho condições de julgar a fé das pessoas. Se ele (Deus) não julgava, como é que eu vou julgar”. Em seguida, a senadora foi questionada sobre a existência de um Estado laico no Brasil, porque o aborto não poderia ser legalizado sem a geração de polêmica. Ao responder, Marina, como vinha fazendo no período de campanha, defendeu a realização de um plebiscito popular, onde a vontade da população prevaleceria. “Vai ser sempre a vontade da maioria da população, de uma sociedade democrática. Existe também outra parte da população que tem posição contrária e eles têm o direito de expressar a sua posição. A gente tem que defender a liberdade de expressão para todas as questões. Cada um tem o direito de expressar a sua condição religiosa sem ser satanizado”, explicou. Sobre o perfil político dos presidenciáveis José Serra (PSDB) e Dilma Rousseff (PT), Marina afirmou: “os dois são pessoas com uma visão desenvolvimentista, não vem pela busca da sustentabilidade ambiental e das suas diferentes dimensões”. Segundo a senadora, seus adversários no primeiro turno apresentam perfis gerenciais muito semelhantes, mas o segundo turno é uma “benção”, já que os dois terão oportunidades de se diferenciar.

Jornal do Brasil com os blogs Conversa Afiada e Luis Nassif Online.

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Lula é realmente o cara…

Foto : R. Stuckert/ Presidência da República

Foto : R. Stuckert/ Presidência da República

 

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A francesinha

Por Nelson Fonseca

Isabelle, uma francesa de olhos verdes, saía todas as manhãs para a praia do naturalismo e lá ficava nua até o sol se pôr. Despertava o desejo dos mais diferentes homens que por ali passavam, inclusive os nativos. Seu corpo era de uma formosura sem paralelos. Na areia, nunca havia concorrentes.
Um dia, num final de tarde, estando à sombra de um coqueiro, aproximou-se dela um sujeito afeminado e disse-lhe:
_Olhe, meu bem, você deveria tomar mais cuidado, porque os homens são uns “animais”, sobretudo quando desejam fortemente uma mulher.
A bela garota ficou a olhá-lo e, de certa forma, até o desprezou. Não gostara de seus trejeitos. Eram muito delicados. E o outro, percebendo, retirou-se serenamente, enquanto Isabelle dirigia-se para o mar mostrando sua fina cintura e rijas nádegas desnudadas.
Depois de alguns dias, numa festa, em um bar em frente à praia, Isabelle conversava com um rapaz que também falava francês. Tomavam alguns drinques no balcão quando resolveram dançar. Beijaram-se. Depois de algum tempo foram para uma mesa no canto do bar, onde uma lanterna de papier maché com lâmpada lilás, iluminava-os suavemente. Beijaram-se novamente. Em seguida, o rapaz discretamente abriu sua carteira e tirou de lá um minúsculo papelzinho de LSD. Sorriu. Partiu-o em dois pedaços, colocando um em sua boca e outro na de Isabelle. Continuaram ali ainda por horas, até que depois de muitas risadas a garota levantou-se e disse para o rapaz que iria embora. Era madrugada.
No caminho do bar para casa, a francesa olhava para todas as luzes coloridas que passavam pela sua frente. Sorria. Olhava também muito satisfeita para o céu limpo, de modo que, nos lugares mais escuros do caminho, a noite parecia mostrar-lhe, de forma mais acentuada, uma série de constelações nítidas, entre elas, o Cruzeiro do Sul. Pensava como era maravilhoso o céu naquele lugar.
Andou mais um pouco e chegou à casa que havia alugado. Entrou, acendeu a luz e trancou a porta. Reparou, inclusive, que a tranca não era das mais seguras. Despiu-se. Ficou apenas com a parte de baixo de sua lingerie, deixando à mostra seus lindos seios de tamanho médio. Dirigiu-se ao banheiro, acendeu a luz e foi até a pia para olhar-se no espelho. Olhou para seus olhos, as pupilas estavam dilatadas. Falou para si mesmo:
_Oh!”Eleessedê”!
Inclinou-se para a pia e molhou seu rosto. Porém, ao levantar sua cabeça para novamente olhar-se no espelho, uma sensação de terror tomou conta de seu corpo. O espelho refletia um homem atrás dela e antes que pudesse reagir, ele a agarrou e imobilizou-a, tampando sua boca no momento em que começou a gritar. Grande e musculoso, o homem de tez morena e cabelos bem curtos, arrastou-a do banheiro até a cama, onde, utilizando-se da extrema força de um animal selvagem, colocou-a de bruços e caiu-lhe por cima. Ao mesmo tempo que a encoxava, arrebentou sua calcinha. E, apesar da garota debater-se, nada pode fazer, pois ele, além de forçar o pescoço da menina para trás, com a mão tampava-lhe a boca.
_Se gritar, eu te arrebento! – disse o violento homem.
Horrorizada e não mais reagindo, Isabelle sentiu uma terrível dor, quando o falo do brutamontes invadiu seu ânus.
“Áiiii!”- gritou abafado a francesa. Em minutos, os movimentos vigorosos advindos da curra praticada pelo ensandecido, encheram o ar do quarto com o odor peculiar àquele tipo de sexo.
E assim continuaram, até que o “animal” gozasse e soltasse um urro de satisfação, que deixou o traseiro dela todo devassado e sangrando, bem como uma quantidade de esperma a descer-lhe por entre as nádegas.
O homem levantou-se, e como se tivesse tomado uma injeção de calmante, ficou a olhar o corpo encolhido e o rosto apavorado da francesa. Vestiu-se e, com uma risada cínica de canto de boca, mandou um beijo para a mulher. Desapareceu.
Quanto à Isabelle, chorou a noite toda até amanhecer. Traumatizada e envergonhada, foi-se embora da vila , sem nada dizer a ninguém.
Em Salvador, tomou um avião de volta a seu país. No voo, chorava e pensava jamais voltar ao Brasil.
Um ano se passara quando, numa tarde ensolarada, na praia do naturalismo, uma mulher ao longe, caminhava bem a vontade. Completamente nua, insinuava as maravilhosas curvas de seu corpo a todos que por ali passavam. Era Isabelle. Voltara da França ainda mais bonita, e estava ali há alguns dias. Mostrava-se muito à vontade, frequentava os mesmos lugares de antes. E sempre a divertir-se, saía com os mais diferentes homens.
Numa noite estrelada, tendo voltado de uma festa, Isabelle entrou na casa em que havia alugado – a mesma do ano anterior -tirou sua roupa e deitou-se na cama do quarto. Relaxou e olhou para a porta: deixara-a aberta. Em alguns minutos, o enorme homem apareceu. Ele olhou fixamente para ela e entrou. Isabelle levantou-se da cama, e sem encará-lo, fechou a porta, pegou na mão dele e o levou para a cama. Deitou-se de bruços e…
Após algum tempo, juntamente com os gritos da francesa, sentia-se no quarto o cheiro forte de um arrebatamento violento e sem limites.

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E se Serra ganhasse?

Por Celso R. de Barros

Aproveito o feriado para mandar um texto longo. Está bem difícil ter tempo para escrever, por isso queria deixar esse aqui logo no começo do segundo turno, para se ficar alguns dias sem postar nada. São, em um certo sentido, minhas razões para não votar no Serra. Minhas razões para votar na Dilma, além dos números, já expus aqui.

O povo brasileiro mandou a eleição para o segundo turno porque queria Ghandi, mas ao invés disso corre o risco de ganhar Bush. O risco de derrota da Dilma, representante de um governo absolutamente bem-sucedido, com números excelentes a seu favor, e popularíssimo, é só esse: que as pessoas que votaram na Marina porque queriam mandar um recado para a Dilma (recado dado) continuem votando contra ela sem perceber que, do que Marina via de ruim em Dilma, há muito mais em Serra.

Isso já aconteceu, e teve consequências trágicas. Em 2000, depois daqueles escândalos todos do governo Clinton, muita gente preferiu votar no candidato verde, Ralph Nader, ou decidiu não votar, e acabou dando a vitória a Bush. Não é que os Democratas não merecessem um puxão de orelha, é que os objetivos dos que votaram em Nader teriam sido muito melhor atendidos votando em um ambienatalista convicto como Al Gore do que em um depredador compulsivo do meio ambiente como Bush; e o que é o escândalo Lewinski comparado ao fato de que Bush invadiu o Iraque, e deu a reconstrução para firmas ligadas ao vice-presidente dele?

Pois bem, o que é, nesse momento, a candidatura José Serra? Se ele conseguir virar os pontos que o separam de Dilma, o que seria o governo brasileiro pelos próximos quatro anos? Façamos o exercício.

Em primeiro lugar, seria um governo indiscutivelmente de direita. José Serra não é, historicamente, um cara de direita, muito pelo contrário. Mas qualquer veleidade de progressismo que Serra possa ter tido na vida foi ao lixo quando, no último debate, ele resolveu perguntar a Dilma se ela acreditava em Deus. Peço desculpas públicas aqui ao Índio da Costa: faz um mês que o Serra Palin é o próprio Serra.

Essa turma da direita religiosa, em caso de vitória do Serra, vai poder dizer, com toda razão, que, se não fosse por ela, Serra não teria sido eleito. Isso quer dizer: espaço no governo para toda essa turma aí. Essas pessoas vão decidir coisas sobre política de combate à AIDS (justo isso, em que o Serra tinha se destacado), sobre pesquisa com célula-tronco.

E quem garante que o cara de Igreja será da sua Igreja? E se ele resolver usar o Estado para promover a Igreja dele contra a sua? O Estado laico foi inventado, entre outras coisas, para proteger as religiões umas das outras. Quando uma seção da CNBB, ou uma igreja evangélica menor, começam uma briga dessas, ignoram o que o Vaticano, ou as Protestantes históricas, aprenderam do jeito mais difícil, por mais que digam o contrário: que é melhor o Estado não ser de nenhuma religião do que ser da religião contrária à sua.

E quem é que vinha defendendo esse negócio de jogar pesado mais à direita? O DEM (quem mais?). César Maia bateu palmas com emoção para a campanha dos e-mails religiosos (chequem o Ex-Blog). E um eventual governo Serra teria que dar emprego a todos os DEMsempregados, os políticos do DEM recém-derrotados nas urnas por sua oposição radical e destemperada ao Lula.

A esse respeito, e se quiserem saber o que seria um governo com preponderância do DEM, leiam o artigo do André Urani, respeitado especialista na economia do Rio de Janeiro (e, que eu saiba, nada petista) no DIA de ontem. Vejam essa:

Segundo os dados mais recentes do IBGE, referentes a 2009, 540.000 moradores da região metropolitana do Rio de Janeiro são indigentes, ou seja, “vivem” com menos de 3,74 Reais por dia. Este número tem caído, mas num ritmo bem menor do que em outras partes do Brasil. Há pelo menos três razões para tanto:

1. O Bolsa Família demorou para aterrissar por aqui, por conta das birras que (até recentemente) caracterizaram as relações entre as diferentes esferas de governo. Em outras palavras, Cesar Maia pouco ou nada fez para que os benefícios do Bolsa Família chegassem aos cariocas mais necessitados (e esta é apenas uma das explicações para seu castigo eleitoral); [leiam o resto do artigo, recomendo; ênfase minha]

Aí alguém pode dizer: ah, mas a direita tem suas qualidades. Certo, seria um saco aguentar os fundamentalistas, e o Reinaldo Azevedo achando que teve razão o tempo todo, mas, descontada essa margem analfabeta, a direita pode colocar um monte de economistas da PUC lá no governo, e os caras podem fazer reformas liberais boas para o país, e podem administrar com competência, como já fez, por exemplo, o Armínio Fraga durante o segundo governo FHC.

Pois é, essa seria a racionalidade do voto liberal em geral. Mas isso não é um cenário provável sob Serra. Na hora em que achou que ia perder feio mesmo (mais quinze dias de campanha e ele ficaria em terceiro lugar), Serra fez promessas que agora teria que cumprir: salário mínimo de 600 reais, dobrar o alcance do Bolsa-Família, dar um décimo-terceiro ao Bolsa-Família.

Todos, repito, todos os economistas do partido de José Serra  – e, aliás, todos os outros, provavelmente – sabem que isso seria desastroso para as contas públicas. Se você não votou em Lula até 2002 para ele não quebrar o país, não tem porque votar em Serra agora.

Nenhum economista ligado a Marina jamais considerou essas propostas viáveis. Se não acreditarem em mim, perguntem ao Ricardo Paes de Barros, que assessorou a Marina na área de políticas sociais, ou ao Eduardo Giannetti, que ajudou a redigir seu programa econômico.

Se Serra ganhasse e simplesmente dissesse, mal aí, não vou fazer nada disso, era sacanagem, hehehe, cês também são tudo tonto, só falta também terem acreditado que eu sou religioso, abrir-se-ia uma crise política de grandes proporções. Se Serra ganhar, vai ser por pouco, o que quer dizer que metade da população vai estar puta com ele desde o primeiro dia. Se ele me apronta uma dessas logo de cara, cai.

Mas, na verdade, há como ele fazer isso. É só ele dar todas essas “bondades” e, para mostrar que sempre foi mesmo de esquerda, afrouxar a política econômica, deixando a inflação voltar. O Roberto Freire, do PPS, que há anos diz que o PT é a direita do espectro (o que fez o PT ser a direita do espectro foi o Lula não dar muitos cargos ao PPS), iria à loucura de felicidade no seu Ministério de Combate à #SABOTAGEM, que ele ganharia para ficar lá como símbolo de como o governo Serra dá espaço para todo mundo, ó só, tem até comunista aqui.

Em poucos meses, esses 600 reais valerão menos que 300, o governo vai dar um jeito de livrar a cara dele, a turma que tem grana vai pagar o banco para protegê-la da inflação, e o Serra pode, inclusive, nunca mais reajustar os 600 paus, sem ninguém dizer que ele não cumpriu a promessa.

Claro, se ele fizer isso, o Brasil perde credibilidade internacional na hora. Esqueçam esse negócio de BRICs. Esqueçam o bom trabalho que vem desde o segundo governo FHC, passando por toda a era Lula, durante a qual, vale dizer, o Serra foi contra a política econômica o tempo todo. Esse investimento estrangeiro todo que está para aparecer aqui vai pela janela na hora, sei lá, para o Chile, e algum desses fundamentalistas vai dizer que isso aconteceu porque Deus nos puniu pela Dilma querer matar criancinhas, e o ministério do Roberto Freire será acionado.

Mas, até aí, alguém poderia dizer, certo, o fundamentalismo seria um saco, o Reinaldo Azevedo seria um saco, e eu perderia o emprego, mas, ainda assim, eu quero combater a corrupção, e o PT da Dilma e do Lula se envolveu em vários escândalos de corrupção. Se eu votar no Serra, eu não consigo um governo menos corrupto?

Bom, meu amigo, aí é que você está ferrado, mesmo. O PT se envolveu em vários escândalos de corrupção, é fato, e que bom que trouxeram o Ciro Gomes para a campanha para poder dizer isso com mais desenvoltura. Mas votar no Serra resolve isso?

Tanto quanto sei, o Serra não é pessoalmente corrupto, mas, até aí, tampouco o são FHC, Lula, ou Dilma. Como já disse, se Serra vencer, vai ter que empregar todos os DEMsempregados. Ninguém ali é cotado para a presidência da Transparência Brasil. Mas mesmo o DEM e o PSDB diminuíram muito de tamanho, de maneira que, para governar, Serra teria que se aliar a exatamente os mesmos partidos com os quais o PT se envolveu, por exemplo, no mensalão. Esses partidos já eram da base do governo FHC, que também teve que cooptá-los, sabe Deus como. É impossível pensar que esse pessoal, que se vendeu ao PT, não se venda ao PSDB, ou não entre para o DEM quando ele voltar a ser governo.

Se você não acredita em mim, é só ver como a oposição recebeu com entusiasmo amoroso todos os corruptos que o Lula foi deixando pelo caminho, por um motivo ou por outro. O Quércia está com o Serra em São Paulo, indicou a vice do Kassab. O Roberto Jefferson deu os minutos do PTB na TV ao Serra – e, creiam em mim, vai cobrar por isso. E, depois que não teve mais o Arruda para apoiar em Brasília, o Serra fechou com o Roriz. Esse mesmo.

Eu sou petista, e gostaria muito de poder dizer que no PT não tem corrupto, mas não posso. Todos os membros de um eventual governo Dilma teriam a estatura ética de Marina Silva? É claro que não (eu também não tenho). Mas isso não seria verdade, tampouco, de um eventual governo Marina Silva (já nem falo de um eventual governo Serra), que, se eleita, teria que fazer alianças, como Serra, como Dilma.

Só o que eu me sinto seguro de dizer é que o PT não é especialmente corrupto: não é, nem de longe, um dos partidos mais corruptos do Brasil – chequem os números dos tribunais, outro dia um leitor colocou aqui na caixa de comentários, e vejam que até que o PT é bem acima da média, que, é verdade, é vergonhosamente baixa. Marina sabe que Serra não leva vantagem nenhuma sobre Dilma nesse quesito,  daí sua irritação com os dirigentes do PV que começaram a negociar preço com o Serra.

Há, ainda, outra coisa que se pode temer em um governo José Serra: seria um governo divisivo. Os governadores eleitos pelo PT não precisam se preocupar com perseguição, porque, se Serra for eleito, sua prioridade desde o primeiro dia será cortar as asas de Aécio. Serra não é bom costurador de alianças, uma habilidade necessária em um presidente. Quando Serra começou a pintar como candidato à sucessão de FHC, se meteu em uma articulação na eleição para a presidência da câmara que acabou por desmantelar a aliança construída por Fernando Henrique, o que só foi finalizado com o caso Lunus. Todos lembram do incrível olé que Serra quis dar nos aliados na escolha do vice esse ano, e da extraordinária incompetência que marcou o processo todo: justiça seja feita, Índio da Costa não fez nenhuma besteira comparável às que levaram ao processo de sua escolha como vice (isso não é uma piada com ele, é uma piada com o PSDB e o DEM). O DEM, aliás, protagonizou outro episódio semelhante na chapa de Gabeira no Rio, que acabou com Gabeira e César Maia derrotados. Presidente precisa saber amarrar aliança: tanto FHC quanto Lula foram mestres nisso.

Em outro cenário, talvez José Serra pudesse fazer uma boa presidência. Já começo a duvidar disso, porque as demonstrações de caráter de Serra nessa campanha foram todas, da primeira à última, péssimas, e a própria Eliane Cantanhede já escreveu que ele não tem estabilidade emocional para ser presidente. Mas o principal é que a campanha de Serra até agora foi feita na direção oposta do que se poderia esperar de alguém com sua história, e as alianças feitas e os favores devidos durante a campanha certamente seriam cobrados. Não há dúvida, por exemplo, que dentro da aliança serrista, a virada de uma eleição que parecia pedida será creditada à virada conservadora.

Uma hora o PSDB vai voltar a vencer a presidência, ou novos partidos se formarão, e algum vai vencer o PT. O ciclo econômico vai virar, um monte de merda pode acontecer, cedo ou tarde o PT perde (e, enventualmente, volta a ganhar, e assim vamos). Mas dessa vez, minha impressão é que ninguém ali se preparou para a vitória – essas propostas de 600 reais, esse negócio de brigar com a Bolívia,  são de gente que acha que não vai ter que cumprir nada, porque vai perder. Eles foram para o segundo turno no susto, por causa da Marina, que defendia propostas muito diferentes das suas. Se vencerem, não está com cara de que saberão o que fazer.

Talvez o PT merecesse o castigo de um segundo turno em que Marina Silva nos desse um suor, e talvez vencesse. Mas isso já não aconteceu, embora Marina tenha soado um sinal de alerta de que, embora o governo tenha boa aprovação, ninguém está cego para seus problemas.Dilma seria uma imbecil se não levasse esse alerta em conta em seu governo. Mas pensando no que seria um governo Serra, percebe-se que a alternativa na mesa é muito menos marineira do que Dilma.

Aliás, ninguém precisa acreditar em mim. Já mostrei isso aqui pra vocês hoje?

Ah, já? Foi mal, esqueci.

O que temos a oferecer como defesa da Dilma são nossos números, e os argumentos acima, para que, se você resolva mesmo votar no Serra (o que, naturalmente, é seu direito), saiba bem o que está fazendo.

PS: tudo isso aí em cima é supondo que o colesterol do Serra esteja bom, e ele complete o mandato. Se não estiver, meu amigo, aí é salve-se quem puder. Nesse cenário, a Regina Duarte é um poço de tranquilidade zen comparada a mim.

via napraticaateoriaeoutra ou simplesmente, NPTO.

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Cátia Cernov lança seu livro em PVH

Leia também > Cátia Cernov lança seu primeiro livro em SP, pelo Selo Povo

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Abortando a eleição

Bühnenbildentwurf (Fase da Concepção), de Josef Hoffmann (1876)

Bühnenbildentwurf (Fase da Concepção), de Josef Hoffmann (1876)

Por Pe. Otto Dana – Pároco da Igreja Sant´Ana em Rio Claro/SP

Brasileiros e brasileiras! O capeta está solto! Empunhemos nossos terços e Bíblias e até Alcorões, se os houver! Herodes brande a espada afiada contra as criancinhas do Brasil! Ergamos a fogueira! Queimemos os hereges! O aborto e os gays estão espreitando pela janela! Gente do céu! Que tiririquice! Que babaquice mais que medieval. Que onda inquisitorial graçando em pleno século XXI. A caça às bruxas. O extermínio dos veados. Cruz, credo! Xô Satanás! Estamos apenas tentando eleger um Presidente para o Brasil. Estamos discutindo propostas e projetos para uma boa administração do Brasil. Aborto, gueisismo, pílula, camisinha não é prioridade do momento. O processo eleitoral corria tranquilo, dentro dos princípios democráticos: discute-aqui- denuncia-ali, promete-isso, condena-aquilo, tudo numa boa. De repente a serenidade é detonada por uma horda de aiatolás, talibãs, mulás, numa gritaria ensurdecedora contra os que ameaçam o poder do Altíssimo. Alguns vestidos de batina (ainda!), outros de mitra e báculo, outros de terno e gravata ostentando Bíblias, todos ecumenicamente de dedo em riste acusador: “ela é a favor do aborto, ele apóia o casamento homem-com-homem, mulher-com-mulher, os dois defendem a distribuição de camisinhas até para as crianças da escola. Deus do céu! Que atraso! Que tiririquice! Pra começar, arbitrar sobre aborto e formas de casamento é da competência do Congresso Nacional e não do Presidente da República, que apenas sanciona ou veta a disposição do Congresso. Além do mais, aborto e casamento gay nem estão em pauta de discussão, hoje. Mais importante e pertinente agora é ouvir dos candidatos suas propostas e projetos concretos quanto à saúde, educação de qualidade, distribuição de renda, segurança da população, criação de empregos, formas de apropriação ou não do Estado, relações diplomáticas e econômicas com outros países, transporte, saneamento básico, liberdade de imprensa, desenvolvimento do país, programas sociais, etc., etc. E mais: estamos num país democrático, regido por uma Constituição Civil e não pelas tábuas da lei de Moisés. É um país democrático e laico e não teocrático, apesar de supostamente religioso. Sua capital é Brasília e não o Vaticano, nem a Canção Nova, nem a sede da Assembléia de Deus, nem a CNBB. Tentar manipular a consciência do eleitor, ameaçando-o com a ira de Deus é injuriar o próprio Deus que nos criou livres. O dia em que o povo tiver que consultar um aiatolá de plantão tipo Pastor Silas Malafaia, ou um Padre José Augusto (Canção Nova) para votar, é melhor rasgar o título de eleitor e o estatuto da maioridade civil. O que vem se praticando em meios religiosos no momento, é o aborto da eleição, da democracia, da Constituição e do bom senso. Xô Satanás!

otto.dana@gmail.com

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