Arquivo do dia: 13/10/2010

SWU: O evento mais mal produzido e o momento que mais me senti prejudicado em toda minha vida de consumidor

Por Bira David


A pedidos de muitos. Vou contar como foi a minha memorável noite de sábado no SWU sexta. Se preparem porque a história é casca grossa. Se alguem quiser usar meu texto pra colocar em algum forum de manifestação contra o festival ou algo do tipo por favor o façam. Cheguei ao festival por volta das 19:40 de sábado dia 9. Estava no ínicio do show do Los Hermanos. Logo de cara tomei um baita susto com o numero de pessoas cruzando a estrada de 1 km e meio de terra com uma nuvem de poeira a pé, o estacionamento do pessoal do camping que parecia um cemitério de automóveis de tão escuro que estava e com o fato da segurança na porta não te deixar entrar com comida ou bebida nenhuma, logicamente para que você consumisse lá dentro. Nem água eles liberaram. Que porra de evento sustentável é esse que neguinho JOGA ÁGUA E COMIDA FORA POR DINHEIRO?… Entrei no evento e fui em busca de banheiros químicos, que faltando mais de 7 horas para o dia encerrar já estavam podres de sujos e inadequados para o uso. Bom, assisti ao show do los hermanos, tudo tranquilo. Som e luz de boa qualidade. O mesmo para o show do Mars Volta. No show do Rage Against The Machine, a pouca quantidade e competência da equipe de segurança ficou nítida no total descontrole do público, nas pessoas que se machucaram ou passaram mal e no caso da parte do público, que por nítida falta de espaço invadiram a área vip. Durante esse show tive meu Iphone furtado e as duas alças da minha mochila arrebentadas na confusão e corre-corre. Mas tudo bem, esse tipo de coisa você está sujeito a passar em qualquer show grande, e meu iphone tem seguro. Andando pelo evento pude ver outros montes de problemas. Você não podia entrar com nenhuma comida e tinha que se sujeitar a hamburgueres só de carne e pão, micro pizzas e outras porcarias mínimas e de baixa qualidade que custavam 10 REAIS. Alem de você pegar uma fila gigante pra comprar as comidas, que muitas vezes eram vendidas FRIAS, você podia dar o azar da comida ACABAR se deixasse pra se alimentar um pouco mais tarde. Isso mesmo, a comida acabou ANTES DO SHOW DO RAGE AGAINST. Houve muita confusão em função disso, pessoas que subiram em balcões pra fazer escândalos, gritaria com vendedores, empurra empurra nas filas, etc. Isso sem falar nas máquinas de cartão de crédito que ficaram a maior parte do dia de festival SEM SINAL. O que causou mais briga e raiva no público. Voltando ao show do Rage Against,o show parou por duas vezes porque o som para o público foi cortado. O que gerou uma cena engraçada porque o retorno da banda continuou e os caras continuram tocando e pulando pelo palco como se todo mundo estivesse ouvindo. Fail Swu de novo. Encontrei alguns amigos que estavam acampados no festival, eles disseram que o camping era ridiculamente sem estrutura, que os banheiros químicos estavam ainda piores que os da área de shows e que NÃO HAVIA PAPEL NELES. Não tinha papel nos banheiros pras pessoas se limparem. Todo o camping do swu só tinha NOVE TOMADAS. E os tais banhos sustentaveis de 7 minutos tinham horários totalmente desorganizados. Ninguem sabia quando ia rolar, muita desordem e caos. A comida pro pessoal do camping tambem era carissima. Salgados mínimos a reais 5. Pagar 150 por pessoa pra ficar 5 dias num camping desse não dá, né? E tem isso tambem, os preços de tudo lá eram mais do que abusivos. O estacionamento: 100 reais. O guarda volumes: 50 REAIS. Vocês leram bem? UM GUARDA VOLUMES QUE CUSTA 50 REAIS DEVIA SER PRA VOCÊ GUARDAR SEU HELICÓPTERO, NO MÍNIMO. Cara, e o problema não é você pagar caro pelas coisas, nunca fui no Glastonbury, mas porra, como tudo na Inglaterra deve ser caríssimo, mas po, nunca vi um brasileiro que foi reclamando de lá. Nego vai e depois volta de novo porque tudo é exemplar. Mas porra, tu pagar absurdos pra ter A PIOR ESTRUTURA DO MUNDO é o fim da picada. Mas gente, na boa, o pior DE TUDO foi a volta! O lugar do show fica a 1,5 km de uma estrada que fica entre Itu e Sorocaba. Só tem como passar por esses 1,5 km por uma estrada de terra que SÓ PASSA UM CARRO. Imaginem dezenas de milhares de pessoas voltando POR UMA ESTRADA DE TERRA QUE SÓ PASSA UM CARRO. Agora visualizem. Visualizaram? É muito pior porque não tinha um desgraçado do evento dando informação. Fiquei uma hora depois de sair do evento perambulando só pra descobrir onde pegar um ônibus pra são paulo. O pessoal que veio de carro ou de ônibus de caravanas ficaram literalmente horas esperando os ônibus que os levariam pro estacionamento(o estacionamento do lado do evento é só pra galera que está acampada lá, pro resto do pessoal, é um estacionamento longe do evento). Esses ônibus demoraram tanto pra chegar por causa do dificilimo acesso ao local do evento. Bem, depois de perguntar pra muitas pessoas e perambular muito, consegui entrar num ônibus pra ir pra rodoviária de itu, pra depois de lá pegar um ônibus pra são paulo. O ônibus estava entupido, parecia uma lata de sardinha de tão cheio. As pessoas se amontoavam e pelas condições da estrada e grande número de ônibus ficamos nada menos do que TRÊS HORAS só pra chegar na rodoviária de ITU. Três horas de estresse, discussões com motorista, bate-boca e sobre tudo muito cansaço, porque eu, como muitos, estávamos em pé e muito apertados. Chegando na rodoviária, havia mais de 400 pessoas na fila pra comprar passagem pra são paulo. Eu só conseguiria sair de lá num ônibus por volta de 11 hrs ou meio dia. Infelizmente me deixei ser explorado por um taxista oportunista filho da puta que espremeu eu e mais 4 no taxi dele cobrando 100 REAIS POR CABEÇA pra nos deixar no terminal da Barra Funda em São Paulo. Na volta, ainda passamos ao lado da tal da estradinha de terra que leva ao SWU voltando pra sp. Já estava começando a clarear e ainda tinham ônibus chegando lá. No dia seguinte, fiquei sabendo que muitas pessoas, por falta de transporte, dormiram na grama na porta do festival ou pelas ruas e praças de Itu como moradores de rua. Todo mundo ali pagou uma fortuna pra esses desgraçados. Pra terem uma estrutura DE MENDIGOS. Cara, e sustentável O CARALHO, esse com certeza foi o maior caô ever pra conseguir desconto de impostos e maior acesso a patrocínios. No final dos shows o que mais se via no chão eram dezenas de milhares de copos de plástico e latas. A falta de organização e ausência completa de planejamento de transporte de público fez com que COM CERTEZA fossem usados muito mais veículos e em maior quantidade do que o necessário, lançando assim um número infinitamente maior de gases no nosso ar. Sem falar no grande desperdício de água e comida que era tirado das pessoas logo na entrada com o único fim de que elas consumissem toda água e comida que precisassem dentro do festival. Eu passei por momentos tão horríveis, que mesmo tendo comprado pra os dois ultimos dias, depois do epic fail do primeiro, eu desisti dos restantes. Não achei que valia a pena passar por isso de novo só pra não perder 200 reais. Bom, fica aqui minha revolta e minha denuncia, se eu tiver tempo de vir pra são paulo nos próximos meses, com certeza acionarei o SWU no tribunal de pequenas causas. Até porque eu tenho quase certeza que eles não devolverão o dinheiro dos ingressos dos dias que eu esqueci de ir. Algumas pessoas já vieram me perguntar:”Mas não valeu a pena nem pelos shows?”. Sinceramente não sei, ainda é muito cedo pra eu conseguir separar todo esse perrengue e estresse dos shows em si. Daqui um tempo talvez… mas sinceramente, acho que não.
Obrigado a todos que leram
Abraços

via Bira David

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Lembranças: vida universitária no governo FHC (via Cynthia Semíramis)

Por Cynthia Semíramis

Outro dia me vi contando para colegas de faculdade bem mais jovens como era a educação universitária no governo Fernando Henrique Cardoso e porque eu tenho tanto desgosto por essa época. Achei que seria interessante deixar o registro no blog também, para refrescar as lembranças e lutarmos para que algo assim não volte a acontecer.

Passei a década de 1990 praticamente inteira dentro da UFMG. Primeiro na Escola de Música, cursando formação musical enquanto fazia o segundo grau. Fiz um intervalo de um ano, em 1996 (aqui já era governo FHC), estudando pro vestibular. Depois, cursei a faculdade de Direito. A formatura seria em dezembro de 2001, mas foi em fevereiro de 2002 por causa da greve de servidores.

Lembro-me da aposentadoria em massa dos professores da Escola de Música, pois estavam sendo implantadas novas regras para trabalho e previdência que seriam ruins para os docentes. Mais tarde, vi o impacto dessas aposentadorias na Faculdade de Direito: as vagas deixadas em aberto pelas aposentadorias foi preenchida em sua maioria por concursos de professores temporários (os famosos professores substitutos).

Alunos de pós-graduação ou bacharéis em Direito sem pós-graduação (não havia cursos de especialização, havia pouquíssimas vagas de mestrado e doutorado na UFMG, e o mestrado da PUC-MG só foi implantado em 1997) eram contratados como professores substitutos, recebendo um salário de R$300,00 (baixo, mesmo para a época) para ministrar aulas. Como professores temporários ficavam somente em sala de aula, não desenvolviam pesquisa. As poucas vagas abertas para professores efetivos exigiam dedicação exclusiva, com salários baixíssimos e sem recursos de nenhum tipo para desenvolver pesquisa.

Alunos de graduação que quisessem seguir carreira acadêmica tinham de se dispor a fazer pesquisa e monitoria de forma voluntária, pois as raríssimas bolsas não eram suficientes para todos os candidatos aprovados. A ausência de bolsas afastou alunos que queriam fazer pesquisa, mas que não tinham família para bancar seus estudos: ou trabalhavam (e aí eram recusados na monitoria/pesquisa voluntária, pois muitos orientadores exigiam dedicação em tempo integral), ou se sujeitavam a pesquisar sem bolsa e aguardar pacientemente na fila até obtê-la.

Os prédios onde estudávamos eram ruins, pois não havia um mínimo de preocupação com planejamento ou manutenção. Os elevadores nunca funcionaram a contento, e sempre alguém ficava preso neles. A faculdade de Direito conseguiu fazer algumas reformas em meados da década de 90, alterando um dos prédios (o menos velho) para receber todos os alunos de graduação, e ampliando a biblioteca (que funcionava num porão e passou a ter um prédio acima do porão, com mais mesas para estudo, novas instalações elétricas e até elevador). Porém, o problema da manutenção era sério: quando um professor e meus colegas ficaram presos no elevador da biblioteca e foi necessário destruir sua porta para que eles saíssem, mais de seis meses se passaram até consertarem o elevador e reorganizarem a biblioteca.

Falando em biblioteca, ela era um horror: só tinha livros velhos, mofados, e poucos periódicos estavam atualizados. Estudar na biblioteca era sinônimo de sinusite e alergias. Cansei de estudar lá em época de chuva ouvindo goteiras. Não havia verba para comprarem os livros indicados pelos professores. O D.A. fazia campanhas incentivando editoras a doarem livros para melhorar o acervo.

O período em que estudei foi também o período das greves. A de 1998 é particularmente memorável, pois metade dos professores entrou em greve (eram os professores em dedicação exclusiva) e metade não aderiu à greve (professores substitutos, em estágio probatório, e em tempo parcial que priorizavam atividades não-acadêmicas como advocacia). A greve foi de março a julho, e bagunçou todo o calendário acadêmico por cerca de dois anos. Pra mim, o impacto da greve foi terrível, pois tive aula direto entre março e outubro (primeiro com os professores que furaram a greve, e depois com as aulas de reposição) e o novo calendário bagunçou todo o esquema de férias, que passaram a ser bem curtas, em maio e outubro, totalmente incompatíveis com minhas férias no trabalho. Ter aulas em salas abafadas em pleno 40 graus de janeiro foi algo bastante desgastante, não tinha ventilador que amenizasse o desconforto (pelo que me explicaram, a reforma do prédio para receber as turmas de graduação alterou – pra pior – a circulação de ar).

Quando o calendário voltou ao normal, veio outra greve. E mais outra, e mais outra… quando não era greve de professores, era greve de servidores, ou de ambas as categorias. E todos tinham razão em suas reivindicações: salários baixos, congelados, planos de carreira que só retiravam direitos, e péssimas condições de trabalho.

Não tenho saudade das dificuldades dessa época, e ainda não entendo como um presidente que era professor universitário conseguiu destruir a universidade desse jeito.

Estando hoje novamente na UFMG, vejo o quanto algumas coisas mudaram (mais verbas pra pesquisa, bolsas de monitoria, novos livros – inclusive estrangeiros – na biblioteca). Tem muita coisa que pode ser melhorada (como a manutenção dos prédios e elevadores), mas não tem nem comparação com o pesadelo que foi estudar durante o período Fernando Henrique Cardoso. Às vezes é necessário ver ou viver situações bastante ruins para dar valor quando elas melhoram…

via Cynthia Semíramis (Professora universitária, desenvolve pesquisas sobre direitos das mulheres em Belo Horizonte-MG)

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Dois é o suficiente (via Willtirando.com.br)

via  willtirando.com.br

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Colocando na balança : discutindo o que realmente importa. 8 anos de FHC X 8 anos de LULA

 

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Este é o debate que nos interessa, não esses sofismas, acusações e ilações sobre fé e moral.  A verdadeira diferença que deve ficar clara nesta campanha é a diferença entre dois projetos políticos, expressa de forma nítida nesta comparação. Este belo cartaz foi feito pelo@ilustreBOB .  Bruno Barros, o Ilustre Bob,  é Mestre e Doutorando em Design pela PUC-Rio, ilustrador e designer autônomo, autor da série na casca do ovo e membro do projeto Daniel, O Invisível. O seu site é http://ilustrebob.com.br

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