X Encontro de Culturas Tradicionais na Chapada dos Veadeiros, em Alto Paraíso. Tri legal, sô !

De 16 a 31/07 acontece a 10ª edição do Encontro de Culturas que trará dez etnias indígenas e diversas comunidades tradicionais, na  Vila de São Jorge ,  um povoado de 600 pessoas, no norte do Estado de Goiás, a 35 km da cidade de Alto Paraíso e 240 km de Brasília. Criada por garimpeiros, em 1912, a vila é a porta de entrada do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros – reserva ecológica  reconhecida como Patrimônio Natural da Humanidade, pela Unesco. A região abrange oito municípios goianos: Alto Paraíso, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Monte Alegre, Nova Roma, São João d’Aliança e Teresina.

Além das apresentações de dança, folias e música, há rodas de prosas, oficinas, exposição fotográfica e mostras de vídeo. E, nesse ano, além dos grupos artísticos  o Encontro realizará também a “Reunião da Comissão Nacional da Política Sustentável para Povos e Comunidades Tradicionais” (com representantes do Ministério e da sociedade civil que integram essa política), seminário “Diversidade Cultural”, “Reunião dos Pontos de Cultura do Centro-Oeste” (que reunirá representantes de 45 Pontos), e o “Encontro de Capoeira”.

A Aldeia Multiétnica receberá dez etnias indígenas. Esses grupos, vindos de diferentes regiões do País, se encontrarão em vários rituais de dança, música, pintura corporal, oficinas, discussões sobre temas de interesse, inclusão digital e mostra de vídeos feitos pelos próprios índios. Todas essas atividades acontecerão na Aldeia da Lua, espaço localizado a 5 km da Vila . As etnias  são KAIAPÓ (PA), KRAHÔ (TO), AVÁ-CANOEIRO (GO), YAWALAPITI (XINGU), KAMAYURÁ (XINGU), XAVANTE, FULNI-Ô (PE), XERENTE, ASHANINKA (AC), DESSANA (AM) e INGARIKÓ (RR).

No dia 23 de julho acontece a transição da cultura indígena para as tradicionais. Nessa data, os índios fazem uma corrida de tora até o centro da Vila de São Jorge e apresentam rituais de música em frente ao palco montado para a festa.  Nessa segunda semana de Encontro será organizada a “Feira de Oportunidades Sustentáveis”, que reunirá artesãos da região que trabalham com matérias-primas do Cerrado, especialmente. Haverá artesanato com sementes, móveis, produtos de aromaterapia, óleos e essências com ervas do Cerrado, pintura, cerâmica, patchwork, instrumentos musicais e roupas.

Meninas de Sinhá

Dentre os shows e artistas confirmados estão Caçada da Rainha de Colinas do Sul – ritual de origem afro-brasileira, composto por 11 dias de folia a cavalo, um  culto ao Divino Espírito Santo e a Nossa Senhora do Rosário numa mesma festa. Catireiros da Chapada dos Veadeiros – o grupo se apresenta em várias festas de cultura popular da região, acompanhado dos Violeiros da Chapada. Catireiros de Natividade – formado por homens criados nas rodas de folia, cujos pais e avós também foram catireiros cujas folias estão inseridas nos Festejos do Divino Espírito Santo e na Festa de Reis. Catireiros de São João D’Aliança – Dança tradicional em devoção ao Divino Espírito Santo e ao padroeiro São João Batista. O som da viola é acompanhado de diversos enredos e versos improvisados, em compasso com as palmas e o sapateado. Comunidade Kalunga – Fazem parte dessa celebração o hasteamento do Mastro do Divino, a coroação do imperador, a procissão, a espada do Império, as rezas e ladainhas; o encerramento é feito com foguetório. Congo de Niquelândia – Tradição afro-brasileira nascida no quilombo Xambá (GO). A Congada da Irmandade de Santa Efigênia é uma manifestação cultural e religiosa em louvor a Santa Efigênia e Nossa Senhora do Carmo; é o único no país a utilizar penachos na cabeça (por conta da aproximação com os índios Avá-Canoeiro). Turma que Faz – apresenta a opereta Crinaná com músicas de CD homônimo. Dança, teatro, música e cinema são utilizados na apresentação, coordenada pela musicista e arte-educadora Doroty Marques. Folia do Divino de Formosa – trata-se de uma das mais importantes folias do calendário da cidade Formosa. Parece um festejo, recheado de ritos, crenças, expressões estéticas, performances, rezas e danças regionais. La Fanfarria – O Grupo Corporación La Fanfarria é uma entidade cultural sem fins lucrativos criada no ano de 1972, na Colômbia. A companhia é patrimônio cultural do município de Medellín. Os membros do grupo são embaixadores da cultura colombiana em mais de 22 países da Europa e da América. Moacir – artista plástico local. Mundaréu – grupo criado em 1997 faz uso dos recursos culturais do povo brasileiro. A brasilidade do grupo está presente tanto na música, na dança, nas encenações e na poesia quanto nos bonecos, adereços e fantasias. Violeiros da Chapada – Vindos de Alto Paraíso, os violeiros da Chapada tocam a moda de viola de raiz, acompanhados pela sonoridade dos Catireiros da Chapada dos Veadeiros. Dércio Marques – Com letras relacionadas ao meio ambiente e às questões sociais, um dos mestres da viola mostra como a arte faz parte de sua vida. A infinidade de temas abordados é apresentada por meio de um repertório totalmente improvisado, escolhido de acordo com o público presente. Renata Rosa – Paulista radicada em Pernambuco, é cantora, atriz, compositora, poetisa e pesquisadora. Já participou de projetos como o Maracatu de Baque Solto Estrela de Ouro de Aliança, de Pernambuco. Seu trabalho é aprofundado em pesquisas culturais e sonoras nos estados de Pernambuco e Alagoas. Os cantos das rodas de coco, de maracatu rural-tradicional e do cavalo marinho foram temas de suas investigações. Diversas de suas canções não têm registro de direito autoral, são de domínio público, pois representam o canto do povo. Terno de Congo do Catalão – O Terno de Congo Vilão de Catalão (GO) faz parte da celebração da Festa de Nossa Senhora do Rosário que acontece há 140 anos na cidade goiana e reúne todos os Ternos de Congo, Catupé Catunda e Moçambique da cidade. Os festejos acontecem todo mês de outubro e seus sentidos originais são o louvor à Nossa Senhora do Rosário e a celebração aos antepassados africanos. Terno de Moçambique de Perdões – Liderados pelo Capitão Julio Antônio, os mineiros do Terno de Moçambique de Perdões se apresenta em devoção à Nossa Senhora do Rosário. Segundo o Capitão do Terno, em uma noite de lua cheia, Antônio Joaquim de Oliveira, o avô de Seu Júlio, ouviu dois escravos cantando debaixo de uma árvore. Achando a cantoria bonita, se aproximou do local. Essa aproximação deixou a dupla de escravos assustada, fazendo com que corressem para a senzala. O que os escravos não sabiam era que, na verdade, o avô de seu Júlio queria assistir de perto aquela dança, canto e gingado. Depois deste dia, Antônio Joaquim convidou os escravos para cantar e dançar em sua casa, o que mais tarde viraria o Terno de Moçambique de Perdões.

Congo de Niquelândia

As diversas atividades culturais apresentadas no Encontro propiciam, pelos cinco sentidos, uma intensa apreensão e vivência profunda das riquezas da Chapada. Além de integrar mais fortemente as expressões culturais da região, promove o intercâmbio com realidades similares nacionais e com o que é produzido por artistas que atuam em áreas diversas e com diferentes linguagens.

As dificuldades iniciais foram sendo superadas  com o aprendizado proporcionado pela criação do Programa Nacional do Patrimônio Imaterial, gerido pelo IPHAN.

Outro destaque é o projeto “Cultura, Arte e Pensamento das Mulheres”, destinado a dar espaço a grupos de mulheres provenientes de diferentes matrizes culturais, de várias partes do mundo, por meio de rodas de prosa, cortejos, apresentações no palco e oficinas, dando voz a sua arte e ativismo nos movimentos sociais. Para essa mostra da arte e diversidade da cultura onde as mulheres são protagonistas, foram convidadas artistas do Brasil, América Latina, Caribe e Portugal.

Com a ascensão da cultura e da área social como campos estratégicos para as políticas públicas, uma série de outros programas, ações e projetos puderam ser acessados ou discutidos dentro do processo de organização do Encontro  e o maior acesso a eles pela população da Chapada dos Veadeiros para a resolução dos seus problemas e para a afirmação de seu potencial natural e cultural.

A Vila de São Jorge teve sua povoação iniciada por garimpeiros em busca do cristal quartzo. A abundância do mineral atraiu garimpeiros de vários lugares, principalmente da Bahia. Formou-se, então, um grande acampamento chamado “Acampamento do Garimpão”. Houve a alta do preço do cristal (impulsionada pela guerra) e logo depois a baixa (com o final da guerra e invenção do cristal sintético).  O site do encontro é http://www.encontrodeculturas.com.br Vai lá , Dona Francilene !

Quem não gosta de nenhuma destas coisas pode procurar alguma feira agropecuária em volta e vai achar duplas sertanejas às pencas.

Diversão garantida !

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