Arquivo do dia: 26/06/2010

Dunga, CBF e Globo (via Crônico)

A maioria dos jornalistas sempre mantém um certo cuidado quando vai falar de grandes corporações. Quando essas são Rede Globo e CBF, o cuidado é redobrado. Não acho que seja medo ou “rabo preso”, mas simplesmente é difícil saber o que são fofocas, teorias da conspiração e o que de fato acontece em reuniões fechadas dessas cúpulas.(Para um resumo do que aconteceu entre Dunga, CBF e Globo, sugiro a leitura desse resumo, do Blog do Tão Gomes e uma atualização do caso pelo UOL Esporte.)

Minhas considerações:

1) A Globo tem preferência em apurações de casos sobre as outras emissoras e veículos, isso é fato. Assessorias de imprensa geralmente não negam pedidos de entrevistas do Jornal Nacional e/ou Fantástico justamente por saberem a quantidade de pessoas que assiste aos programas. Goste você ou não, é assim que tem sido nos últimos 40 anos.

2) O Dunga tem todo o direito de negar entrevistas, seja quem estiver pedindo. É como um professor em sala de aula. Há as regras do colégio, da diretoria, mas dentro da sala de aula, ele é quem diz como as coisas serão.

3) Sabendo que negar entrevistas (exclusivas ou não) para qualquer programa da Globo não é uma prática comum, espera-se, no mínimo, um incômodo por parte do repórter, do editor, do editor-chefe, do editor-executivo, do diretor de jornalismo etc que não estão acostumados com isso.

Agora, a parte onde as coisas começam a ficar complicadas:

a) Como veículo (ou profissional de um) você tem que estar preparado para que coisas assim aconteçam. Professores de jornalismo adoram dar exemplos de políticos que se recusaram a falar e, justamente toda a recusa, foi a matéria do jornalista. Ficar ofendido, achar um absurdo e querer queimar a imagem de quem fez isso com você é antiético.

b) Eu disse que o Dunga tem todo o direito de negar uma entrevista (dele ou dos jogadores), mas há jeitos e jeitos para se fazer isso. A postura de ataque e ofensa do técnico da seleção brasileira também é antiética e antiprofissional. Se ele tem um problema ou se incomoda com a Rede Globo (ou qualquer um de seus funcionários), perde toda a razão ao atacá-los de forma grosseira e xingando. Se ele tivesse dito apenas “Desculpem, mas os jogadores nem eu estamos dando entrevistas coletivas” – Mas o Ricardo Teixeira nos autorizou. “OK, mas mesmo assim, não vamos dar as entrevistas” e fim, não faria sentido o editorial lido por Tadeu Schmidt no Fantástico. Não teria acontecido grosseria nem nada. Do que Dunga poderia ser acusado? “Ele não falou conosco como fizeram todos os técnicos anteriores”? A Globo não faria isso, por saber que um veículo só é preferencial ao outro quando decidem agir assim com eles, mas que nenhum veículo de imprensa pode exigir isso, de quem quer que seja.

c) Assim como o professor na sala de aula, o diretor pode decidir tirá-lo do corpo docente do colégio e simplesmente acabar com esse problema pra ele. Porém, se o professor é competente, dá resultados, os alunos gostam dele, as outras classes também etc, e o professor chega pra conversar e não simplesmente sacar a espada, o diretor também não tomará uma atitude radical, já que também não quer se queimar.

No fim das contas, todos se queimaram. Dunga com a CBF, com a Globo e com os jornalistas que defendem a classe. A Globo com a população, que já tem uma visão conspiratória da emissora, além de se queimar com os jogadores e o (ainda) técnico da seleção, que sempre estiveram presentes nas câmeras do canal 5, dando audiência e trazendo a simpatia do povo. E a CBF, que precisa esperar o término da Copa para decidir o que fazer.

Agora, o que realmente me “diverte” é ver que em quatro anos o circo estará armado na nossa casa, onde também moram todos esses personagens. Vai ser uma história legal de ser acompanhada (e contada). Afinal, estamos aí para isso, né, pelas histórias. (esse texto do PVC, da ESPN, complementa um pouco o meu pensamento)

via Crônico

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Somos suicídas?

Por Rud Prado

Tragédias como esta enchente  que levou de água abaixo as vidas e sonhos dos irmãos alagoanos e pernambucanos deixam alguma lição?  Começo a refletir sobre as palavras encharcadas de angústia da prefeita de Branquinhas, no Alagoas. Ao ver que sua cidade foi varrida do mapa, Ana Renata disse que é melhor esquecer a cidade e construir outra longe do rio e dos escombros que a todos impressionam. Imagina ela que esquecida a dor e enterrados os mortos, esta será uma solução para a nova cidade não viver sob o medo da eminência de uma outra tragédia. Mas a sucessão de tragédias que assistimos me leva a retomar a pergunta lá de cima. Estamos aprendendo alguma coisa com tudo isso? Ou continuaremos apenas contando mortos e depois os esquecendo em covas, cavadas às pressas, tão rasas quanto nossas consciências? Logo teremos outra tragédia, e, de olho na bola da vez, ficaremos cegos para as lições que a natureza nos dá. E são lições que custam caro. Custam patrimônios, histórias de vidas, e a própria vida. Todos sabem que construir em cima do chorume  é uma loucura, mas o poder público do Rio de Janeiro incentivou a ocupação dos lixões e ofereceu “infraestrutura” para  a indignidade se edificar. Quem é que não sabe que desmatar as encostas é burrice pura? Quem é que não sabe que o desmatamento das matas ciliares e que o avanço da cidade sobre rios e igarapés é um convite a tragédias desse tipo? Mas vai-se se fazendo vista grossa. Melhor isso do que um programa realmente sério de moradia popular, isso custa caro. Acontece que poucos, muito poucos estão realmente preocupados com a natureza. Até ela bater em nossa porta com a força de uma enchente. Com a fúria de um deslizamento de terra. Até ela entregar a fatura do descaso com o meio ambiente.  Pensamos quadrado. Não aprendemos ainda que a terra é redonda. Que nela uma ação é conseqüência de outra . Que tudo é continuidade. Causa e efeito.  E continuamos a repetir os mesmos erros. Cultivando as mesmas práticas ancestrais. Esquecendo que hoje não temos meia dúzia de gatos pingados nômades passeando por um planeta onde nada parecia ter fim. Éramos livres para não pensar no amanhã, no outro, no planeta. Nossa inconseqüência não nos atingia.  Agora isso mudou. Mas não mudamos. Ainda não. A reciclagem de lixo é pífia. Continuamos a desperdiçar recursos naturais e a pressionar cada vez mais a natureza. Coleta seletiva é programa sério de algum prefeito desse Brasil? Vamos além: quantos governantes por esse mundo, presidentes, governadores, prefeitos estão pensando, não na futura eleição, mas num modelo de gestão que respeite a vida? Por aqui usamos a  justificativa de que os gringos  já desmataram tudo, mas nós ainda não atingimos a nossa cota. Cota de quê meu Deus!  De burrice? E vamos queimando a floresta, desmatando as encostas, a mata ciliar . Vamos ocupando as margens do rio, como os nômades faziam. Mas não somos nômades. O que somos então?  Suicídas?

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A frase do fim de semana – 10

“Começar a ler foi para mim como entrar num bosque pela primeira vez e encontrar-me, de repente, com todas as árvores, todas as flores, todos os pássaros. Quando fazes isso, o que te deslumbra é o conjunto. Não dizes: gosto desta árvore mais que das outras. Não, cada livro em que entrava, tomava-o como algo único.”

José Saramago

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Há 35 anos, Tubarão era lançado nos cinemas (via 100Grana | Cultura Pop para Lisos!)

Há 35 anos, Tubarão era lançado nos cinemas

“Dum-Dum…Dum-Dum…Dum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum”

Eu não estava lá quando o filme passou nos cinemas em 1975, mas vi várias reprises em Sessões da Tarde e Sessões de Sábado da vida. E verdade seja dita, sempre paro para ver quando Tubarão passa na televisão.

Dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro de Peter Benchley, o filme continua representando o que há de melhor em termos de suspense, na minha opinião.

A trama já é velha conhecida: Um tubarão branco começa a atacar os banhistas de uma cidade da Nova Inglaterra, forçando o Xerife local Martin Brody (o saudoso Roy Scheider) a unir forças com o caçador de tubarões Quint (Robert Shaw) e o  ictiologista Matt Hooper (Richard Dreyfuss) para deter o bicho. Um elenco bem diferente do que imaginava o autor do livro que pensava em Robert Redford, Paul Newman e Steve McQueen.Vamos rever o trailer:

Palmas para a produção, que conseguiu trabalhar um tubarão mecânico, que deu uma série de problemas durante as filmagens, especialmente pelas filmagens em  àgua salgada (uma insistência de Spielberg) e não em piscina, e conseguiram deixá-lo mais assustador na pós-produção do que muito monstro em CG feito hoje em dia.

No total, o filme faturou 47o milhões de dólares em todoo mundo, ganhou 3 Oscars, um Globo de Ouro, um Bafta, um Grammy (trilha de John  Williams dá nisso), fora as indicações. Obviamente, rendeu continuações (que teve nomes como Michael Caine, Louis Gosset Jr., Dennis Quaid ), sem falar nas várias paródias, como em Apertem Os Cintos-O piloto Sumiu e outros.

Uma delas, pelo que  li na Revista SET há alguns anos, seria uma sequência jamais filmada de nome Jaws 4 X Hollywood 0, se não me falha a memória que, basicamente seria uma comédia,  mostrando Richard D. Zanuck, um dos produtores do filme original, sendo assassinado por um dos bichos, dentro da piscina de sua casa(!). O motivo: os tubarões não queriam outro filme. Seria bizarro :)

Mas para mim, o primeiro permanece imbatível, sobretudo por cenas como essa:

“Um Sorriso, desgraçado!”


via 100Grana | Cultura Pop para Lisos!

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Há 35 anos, Tubarão era lançado nos cinemas (via 100Grana | Cultura Pop para Lisos!)

Há 35 anos, Tubarão era lançado nos cinemas

“Dum-Dum…Dum-Dum…Dum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum-DumDum”

Eu não estava lá quando o filme passou nos cinemas em 1975, mas vi várias reprises em Sessões da Tarde e Sessões de Sábado da vida. E verdade seja dita, sempre paro para ver quando Tubarão passa na televisão.

Dirigido por Steven Spielberg e baseado no livro de Peter Benchley, o filme continua representando o que há de melhor em termos de suspense, na minha opinião.

A trama já é velha conhecida: Um tubarão branco começa a atacar os banhistas de uma cidade da Nova Inglaterra, forçando o Xerife local Martin Brody (o saudoso Roy Scheider) a unir forças com o caçador de tubarões Quint (Robert Shaw) e o  ictiologista Matt Hooper (Richard Dreyfuss) para deter o bicho. Um elenco bem diferente do que imaginava o autor do livro que pensava em Robert Redford, Paul Newman e Steve McQueen.Vamos rever o trailer:

Palmas para a produção, que conseguiu trabalhar um tubarão mecânico, que deu uma série de problemas durante as filmagens, especialmente pelas filmagens em  àgua salgada (uma insistência de Spielberg) e não em piscina, e conseguiram deixá-lo mais assustador na pós-produção do que muito monstro em CG feito hoje em dia.

No total, o filme faturou 47o milhões de dólares em todoo mundo, ganhou 3 Oscars, um Globo de Ouro, um Bafta, um Grammy (trilha de John  Williams dá nisso), fora as indicações. Obviamente, rendeu continuações (que teve nomes como Michael Caine, Louis Gosset Jr., Dennis Quaid ), sem falar nas várias paródias, como em Apertem Os Cintos-O piloto Sumiu e outros.

Uma delas, pelo que  li na Revista SET há alguns anos, seria uma sequência jamais filmada de nome Jaws 4 X Hollywood 0, se não me falha a memória que, basicamente seria uma comédia,  mostrando Richard D. Zanuck, um dos produtores do filme original, sendo assassinado por um dos bichos, dentro da piscina de sua casa(!). O motivo: os tubarões não queriam outro filme. Seria bizarro :)

Mas para mim, o primeiro permanece imbatível, sobretudo por cenas como essa:

“Um Sorriso, desgraçado!”


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