Arquivo do dia: 20/06/2010

Tacacá, de segunda a sexta

Das 17:00 às 21:00 , de segunda a sexta, na Av. Farqhuar 3214 (esquina com rua Pe. Pasquale) , próximo à CONAB o tacacá que deu certo, do gaúcho com a cearense. Agora também com churrasquinho, salgados e refrigerantes.  Pode também pedir para entrega pelos fones 9213 1385 e 8433 9501. Mas, báh, tchê ! Capaz !

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Padre Lambretinha quem chamou é a mãe (trecho da música "Esquina do Tempo", do Binho : Encontro de Romi-Isettas em Santa Bárbara d´Oeste (SP).

Uma simpática Romi-Isetta genérica(seria coreana , seria boliviana ?) estacionada na Av. Presidente Dutra. Em Porto Velho, já foram observados dois veículos semelhantes. Não poluem, não ocupam espaço, são protegidos do sol e da chuva e são extremamente econômicos porque usam motores de 250 cc. Este modelo coreano é diferente porque as entradas são laterais e não há volante, mas um guidão igual a de moto.

Tá bem, o assunto não é bem Lambretta, nem o padre Lambretinha como dirão os mais puristas. Mas é que a música deste senhor que atende pela alcunha de  Rubens Vaz Cavalcante é uma autêntica crônica da cidade de Porto Velho . E a letra puxou o assunto e pronto…

E eu quero mesmo é falar da Romi-Isetta !

A cidade de Santa Bárbara d´Oeste, interior de São Paulo, costuma comemorar o Encontro Nacional de Romi-Isettas que reúne cerca de 30 colecionadores de todo o país e 700 visitantes em comemoração à Romi, fabricante que  produziu o Romi-Isetta, primeiro carro nacional feito em série.

No final da década de 50, o Romi-Isetta, como ficou conhecida era um veículo estranho com motor de lambreta,  espaço para duas pessoas e uma porta frontal.

O projeto era  italiano e desenvolvia uma velocidade máxima de 70 quilômetros por hora.

Ela foi produzida por uma indústria respeitável, a Romi, que existe até hoje, comemora seus 80 anos  e inclusive negocia seus papéis na Bovespa. O carrinho que ganhou as ruas e a admiração de muitos à época, era a Isetta. Com 3  rodas , o que lhe dava bastante instabilidade, e que dependendo da velocidade e do ângulo da curva a fazia rolar pelo chão, levando em sua cabine o seu feliz(?) proprietário. Quase sempre o mesmo batia o pó do brim (que era como se  chamava na época, o jeans), colocava a engenhoca em pé e pronto. Ela estava apta a seguir o seu glorioso caminho.

A história, na verdade, começou na Itália, que já tinha uma enorme tradição com suas Lambrettas. Em 9 de abril de 1953, a empresa ISO Automoveicoli-Spa, fabricante de pequenas motocicletas e triciclos comerciais, fundada pelo gênio Enzo Rivolta, apresentou no salão de Turin um projeto iniciado em 1952 denominado Isetta, (pequena ISO), do engenheiro chamado Preti.

Em 56, a fábrica italiana encerrou suas atividades e transferiu todo o parque fabril para Santa Bárbara do Oeste, em São Paulo, sede das Máquinas Agrícolas Romi.  Neste mesmo ano, a ISO vendeu licença de fabricação para a alemã BMW, que usou um motor de 300 cc e produziu em torno de 150.000 veículos.

Assim, com a produção se iniciando em 5 de setembro de 1956, a Romi-Isetta foi o primeiro veículo nacional a ser produzido em série , antecendendo à Vemaguete, perua da Vemag, que seria fabricada em parceria com a alemã DKW. ( Motor de 3 pistões, 3 bobinas, 3 cilindros, 3 tudo e que fedia que nem o cão porque era dois tempos, tinha que misturar óleo direto na gasolina e quando houvesse algum escapamento no escapamento ( redundância da redundância) queimava as vistas dos ocupantes do veículo. E pasmem, tinha um modelo que inacreditavelmente abria as portas para a frente, ao contrario do usual nos dias de hoje !!!

O modelo original era fabricado com motor ISO de 250 cc, depois trocado pelo BMW de 300 cc.  Em 59, um tal Grupo Executivo da Indústria Automobilística, criado pelo presidente Juscelino Kubitschek, para incentivar a fabricação de veículos nacionais, ironicamente como muita coisa no Brasil (não vou nem falar de Rondônia), começou a decretar o fim da Romi-Isetta, pois exigia certos padrões ordenados pelas multinacionais, tipo o veiculo deveria ter pelo menos dois bancos e duas portas. Como não era então,por estas normas impostas pela indústria estrangeira que chegava, considerado um veículo, não recebia os mesmos incentivos do governo. A Romi-Isetta, que era um veículo popular, passou a ser mais caro que um Volkswagen ou uma DKW. E olha que o JK chegou em Brasília a bordo de uma Romi-Isetta, triunfalmente liderando a Caravana da Integração Nacional, que foi do RJ a Brasilia ! Isto depois de ter rodado 7.000 km e de ter sido recebida pelo governador Leonel Brizola, em Porto Alegre, somo símbolo da industrialização do Brasil .

Romi-Isetta original anos 50

Em 1960, deu-se o golpe final , com a produção das últimas unidades montadas com peças que sobraram das linhas de produção. Foram cerca de 3.500 unidades, de um veículo que poluía pouco, era extremamente econômico, fazia cerca de 35 km por litro, não ocupava muito espaço, era protegido da chuva e que poderia ter estimulado a produção genuinamente nacional. ( Quem aí lembra do Gurgel 800 ? )

Logomarca do modelo coreano. Qual seria a marca ?

E quem quiser que conte outra, cumbeira no Rio Madeira !!!

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Padre Lambretinha quem chamou é a mãe (trecho da música “Esquina do Tempo”, do Binho : Encontro de Romi-Isettas em Santa Bárbara d´Oeste (SP).

Uma simpática Romi-Isetta genérica(seria coreana , seria boliviana ?) estacionada na Av. Presidente Dutra. Em Porto Velho, já foram observados dois veículos semelhantes. Não poluem, não ocupam espaço, são protegidos do sol e da chuva e são extremamente econômicos porque usam motores de 250 cc. Este modelo coreano é diferente porque as entradas são laterais e não há volante, mas um guidão igual a de moto.

Tá bem, o assunto não é bem Lambretta, nem o padre Lambretinha como dirão os mais puristas. Mas é que a música deste senhor que atende pela alcunha de  Rubens Vaz Cavalcante é uma autêntica crônica da cidade de Porto Velho . E a letra puxou o assunto e pronto…

E eu quero mesmo é falar da Romi-Isetta !

A cidade de Santa Bárbara d´Oeste, interior de São Paulo, costuma comemorar o Encontro Nacional de Romi-Isettas que reúne cerca de 30 colecionadores de todo o país e 700 visitantes em comemoração à Romi, fabricante que  produziu o Romi-Isetta, primeiro carro nacional feito em série.

No final da década de 50, o Romi-Isetta, como ficou conhecida era um veículo estranho com motor de lambreta,  espaço para duas pessoas e uma porta frontal.

O projeto era  italiano e desenvolvia uma velocidade máxima de 70 quilômetros por hora.

Ela foi produzida por uma indústria respeitável, a Romi, que existe até hoje, comemora seus 80 anos  e inclusive negocia seus papéis na Bovespa. O carrinho que ganhou as ruas e a admiração de muitos à época, era a Isetta. Com 3  rodas , o que lhe dava bastante instabilidade, e que dependendo da velocidade e do ângulo da curva a fazia rolar pelo chão, levando em sua cabine o seu feliz(?) proprietário. Quase sempre o mesmo batia o pó do brim (que era como se  chamava na época, o jeans), colocava a engenhoca em pé e pronto. Ela estava apta a seguir o seu glorioso caminho.

A história, na verdade, começou na Itália, que já tinha uma enorme tradição com suas Lambrettas. Em 9 de abril de 1953, a empresa ISO Automoveicoli-Spa, fabricante de pequenas motocicletas e triciclos comerciais, fundada pelo gênio Enzo Rivolta, apresentou no salão de Turin um projeto iniciado em 1952 denominado Isetta, (pequena ISO), do engenheiro chamado Preti.

Em 56, a fábrica italiana encerrou suas atividades e transferiu todo o parque fabril para Santa Bárbara do Oeste, em São Paulo, sede das Máquinas Agrícolas Romi.  Neste mesmo ano, a ISO vendeu licença de fabricação para a alemã BMW, que usou um motor de 300 cc e produziu em torno de 150.000 veículos.

Assim, com a produção se iniciando em 5 de setembro de 1956, a Romi-Isetta foi o primeiro veículo nacional a ser produzido em série , antecendendo à Vemaguete, perua da Vemag, que seria fabricada em parceria com a alemã DKW. ( Motor de 3 pistões, 3 bobinas, 3 cilindros, 3 tudo e que fedia que nem o cão porque era dois tempos, tinha que misturar óleo direto na gasolina e quando houvesse algum escapamento no escapamento ( redundância da redundância) queimava as vistas dos ocupantes do veículo. E pasmem, tinha um modelo que inacreditavelmente abria as portas para a frente, ao contrario do usual nos dias de hoje !!!

O modelo original era fabricado com motor ISO de 250 cc, depois trocado pelo BMW de 300 cc.  Em 59, um tal Grupo Executivo da Indústria Automobilística, criado pelo presidente Juscelino Kubitschek, para incentivar a fabricação de veículos nacionais, ironicamente como muita coisa no Brasil (não vou nem falar de Rondônia), começou a decretar o fim da Romi-Isetta, pois exigia certos padrões ordenados pelas multinacionais, tipo o veiculo deveria ter pelo menos dois bancos e duas portas. Como não era então,por estas normas impostas pela indústria estrangeira que chegava, considerado um veículo, não recebia os mesmos incentivos do governo. A Romi-Isetta, que era um veículo popular, passou a ser mais caro que um Volkswagen ou uma DKW. E olha que o JK chegou em Brasília a bordo de uma Romi-Isetta, triunfalmente liderando a Caravana da Integração Nacional, que foi do RJ a Brasilia ! Isto depois de ter rodado 7.000 km e de ter sido recebida pelo governador Leonel Brizola, em Porto Alegre, somo símbolo da industrialização do Brasil .

Romi-Isetta original anos 50

Em 1960, deu-se o golpe final , com a produção das últimas unidades montadas com peças que sobraram das linhas de produção. Foram cerca de 3.500 unidades, de um veículo que poluía pouco, era extremamente econômico, fazia cerca de 35 km por litro, não ocupava muito espaço, era protegido da chuva e que poderia ter estimulado a produção genuinamente nacional. ( Quem aí lembra do Gurgel 800 ? )

Logomarca do modelo coreano. Qual seria a marca ?

E quem quiser que conte outra, cumbeira no Rio Madeira !!!

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O Fator Deus : lamentem a morte de José Saramago

O MAIOR PECADO

O maior crime, o mais absurdo, o que mais ofende a simples razão, desde o princípio dos tempos e das civilizações, é matar em nome de Deus. Palavras de José Saramago, que era ateu, mas mostra seu amor por Deus amando a humanidade<

“De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus”. As palavras são do Premio Nobel de Literatura, escritor e poeta português José Saramago, que morreu nesta sexta-feira (18) e deixou o planeta de luto. Suas obras foram traduzidas até na China. Publicamos nesta edição sua célebre crônica “O Fator Deus” – em que Saramago, que se declarava comunista e ateu, faz a melhor defesa de Deus já escrita pelo homem. Ele diz que Deus é inocente das maldades que praticamos em Seu nome. Saramago morreu em sua casa na Espanha, na ilha de Lanzarote, aos 87 anos. (NT)

O FATOR DEUS

Por José Saramago (*)

Algures na Índia. Uma fila de peças de artilharia em posição. Atado à boca de cada uma delas há um homem. No primeiro plano da fotografia um oficial britânico ergue a espada e vai dar ordem de fogo. Não dispomos de imagens do efeito dos disparos, mas até a mais obtusa das imaginações poderá “ver” cabeças e troncos dispersos pelo campo de tiro, restos sanguinolentos, vísceras, membros amputados. Os homens eram rebeldes.

Algures em Angola. Dois soldados portugueses levantam pelos braços um negro que talvez não esteja morto, outro soldado empunha um machete e prepara-se para lhe separar a cabeça do corpo. Esta é a primeira fotografia. Na segunda, desta vez há uma segunda fotografia, a cabeça já foi cortada, está espetada num pau, e os soldados riem. O negro era um guerrilheiro.

Algures em Israel. Enquanto alguns soldados israelitas imobilizam um palestino, outro militar parte-lhe à martelada os ossos da mão direita. O palestino tinha atirado pedras. nos Estados Unidos da América do Norte, cidade de Nova York.

Dois aviões comerciais norte-americanos, sequestrados por terroristas relacionados com o integrismo islâmico, lançam-se contra as torres do World Trade Center e deitam-nas abaixo. Pelo mesmo processo um terceiro avião causa danos enormes no edifício do Pentágono, sede do poder bélico dos States. Os mortos, soterrados nos escombros, reduzidos a migalhas, volatilizados, contam-se por milhares.

As fotografias da Índia, de Angola e de Israel atiram-nos com o horror à cara, as vítimas são-nos mostradas no próprio instante da tortura, da agônica expectativa, da morte ignóbil.

Em Nova York tudo pareceu irreal ao princípio, episódio repetido e sem novidade de mais uma catástrofe cinematográfica, realmente empolgante pelo grau de ilusão conseguido pelo engenheiro de efeitos especiais, mas limpo de estertores, de jorros de sangue, de carnes esmagadas, de ossos triturados, de merda.

O horror, agachado como um animal imundo, esperou que saíssemos da estupefação para nos saltar à garganta.

O horror disse pela primeira vez “aqui estou” quando aquelas pessoas saltaram para o vazio como se tivessem acabado de escolher uma morte que fosse sua. Agora o horror aparecerá a cada instante ao remover-se uma pedra, um pedaço de parede, uma chapa de alumínio retorcida, e será uma cabeça irreconhecível, um braço, uma perna, um abdômen desfeito, um tórax espalmado.

Mas, até mesmo isto é repetitivo e monótono, de certo modo já conhecido pelas imagens que nos chegaram daquele Ruanda-de-um-milhão-de-mortos, daquele Vietnã cozido a napalme, daquelas execuções em estádios cheios de gente, daqueles linchamentos e espancamentos daqueles soldados iraquianos sepultados vivos debaixo de toneladas de areia, daquelas bombas atômicas que arrasaram e calcinaram Hiroshima e Nagasaki, daqueles crematórios nazistas a vomitar cinzas, daqueles caminhões a despejar cadáveres como se de lixo se tratasse.

De algo sempre haveremos de morrer, mas já se perdeu a conta aos seres humanos mortos das piores maneiras que seres humanos foram capazes de inventar. Uma delas, a mais criminosa, a mais absurda, a que mais ofende a simples razão, é aquela que, desde o princípio dos tempos e das civilizações, tem mandado matar em nome de Deus.

Já foi dito que as religiões, todas elas, sem exceção, nunca serviram para aproximar e congraçar os homens, que, pelo contrário, foram e continuam a ser causa de sofrimentos inenarráveis, de morticínios, de monstruosas violências físicas e espirituais que constituem um dos mais tenebrosos capítulos da miserável história humana.

Ao menos em sinal de respeito pela vida, deveríamos ter a coragem de proclamar em todas as circunstâncias esta verdade evidente e demonstrável, mas a maioria dos crentes de qualquer religião não só fingem ignorá-lo, como se levantam iracundos e intolerantes contra aqueles para quem Deus não é mais que um nome, nada mais que um nome, o nome que, por medo de morrer, lhe pusemos um dia e que viria a travar-nos o passo para uma humanização real.

Em troca prometeram-nos paraísos e ameaçaram-nos com infernos, tão falsos uns como outros, insultos descarados a uma inteligência e a um sentido comum que tanto trabalho nos deram a criar.

Disse Nietzsche que tudo seria permitido se Deus não existisse, e eu respondo que precisamente por causa e em nome de Deus é que se tem permitido e justificado tudo, principalmente o pior, principalmente o mais horrendo e cruel.

Durante séculos a Inquisição foi, ela também, como hoje os talebãs, uma organização terrorista que se dedicou a interpretar perversamente textos sagrados que deveriam merecer o respeito de quem neles dizia crer, um monstruoso conúbio pactuado entre a religião e o Estado contra a liberdade de consciência e contra o mais humano dos direitos: o direito a dizer não, o direito à heresia, o direito a escolher outra coisa, que isso só a palavra heresia significa.

E, contudo, Deus está inocente. Inocente como algo que não existe, que não existiu nem existirá nunca, inocente de haver criado um universo inteiro para colocar nele seres capazes de cometer os maiores crimes para logo virem justificar-se dizendo que são celebrações do seu poder e da sua glória, enquanto os mortos se vão acumulando, estes das torres gêmeas de Nova York, e todos os outros que, em nome de um Deus tornado assassino pela vontade e pela ação dos homens, cobriram e teimam em cobrir de terror e sangue as páginas da história.

Os deuses, acho eu, só existem no cérebro humano, prosperam ou definham dentro do mesmo universo que os inventou, mas o “fator Deus”, esse, está presente na vida como se efetivamente fosse o dono e o senhor dela. Não é um deus, mas o “fator Deus” o que se exibe nas notas de dólar e se mostra nos cartazes que pedem para a América (a dos Estados Unidos, não a outra…) a bênção divina.

E foi o “fator Deus” em que o deus islâmico se transformou, que atirou contra as torres do World Trade Center os aviões da revolta contra os desprezos e da vingança contra as humilhações. Dir-se-á que um deus andou a semear ventos e que outro deus responde agora com tempestades. É possível, é mesmo certo.

Mas não foram eles, pobres deuses sem culpa, foi o “fator Deus”, esse que é terrivelmente igual em todos os seres humanos onde quer que estejam e seja qual for a religião que professem, esse que tem intoxicado o pensamento e aberto as portas às intolerâncias mais sórdidas, esse que não respeita senão aquilo em que manda crer, esse que depois de presumir ter feito da besta um homem acabou por fazer do homem uma besta.

Ao leitor crente (de qualquer crença…) que tenha conseguido suportar a repugnância que estas palavras provavelmente lhe inspiraram, não peço que se passe ao ateísmo de quem as escreveu. Simplesmente lhe rogo que compreenda, pelo sentimento de não poder ser pela razão, que, se há Deus, há só um Deus, e que, na sua relação com ele, o que menos importa é o nome que lhe ensinaram a dar. E que desconfie do “fator Deus”. Não faltam ao espírito humano inimigos, mas esse é um dos mais pertinazes e corrosivos. Como ficou demonstrado e desgraçadamente continuará a demonstrar-se.

(*) José Saramago e escritor português, e é o primeiro autor em língua portuguesa a receber o Premio Nobel de Literatura. O Brasil não tem nenhum. A Argentina tem quatro. Este artigo já foi publicado pelos principais jornais do mundo inteiro e é aplaudido como o mais perfeito texto sobre a corrupção que o homem faz de Deus, principalmente quando seu Santo Nome é usado para violar a cidadania garantida pelo Estado e vincular religião – coisa que Deus jamais criou – com a política. (Nelson Townes, do NoticiaRo.com)

2 Comentários

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Enquanto isto, em Jacy-Paraná…

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