PM cria ronda tática anti-crack e aumenta preconceito contra jovens em Porto Velho

Por Nelson Townes , do NoticiaRo.com

O surgimento do crack, o novo narcótico nas ruas desta Capital, derivado da pasta básica da cocaína, fez a Polícia Militar de Rondônia criar uma unidade especial de patrulha e combate ao tráfico e consumo da droga, a Ronda Ostensiva Tática Metropolitana – Rotam.

A unidade é subordinada ao 1° Batalhão de Policiamento Metropolitano e começou a atuar na semana passada fazendo a detenção dos suspeitos de sempre (de qualquer coisa), adolescentes, jovens adultos pobres, negros, mestiços (indios ou mamelucos) que estiverem circulando pelas ruas à noite – principalmente nos bairros mais pobres da cidade.

A intenção, segundo nota do comando da Polícia Militar sobre a criação da Rotam é intensificar o combate ao tráfico de entorpecentes em Porto Velho.

A nota não menciona que é o objetivo é a repressão ao crack. Somente o crack justificaria a criação de uma nova unidade tática na PM, pois a Força Aérea Brasileira (FAB), com a retaguarda do Sistema de Vigilância da Amazônia, desviou para o Paraguai as rotas da cocaína.

Diminuiu a oferta de “mela” (sulfato de cocaína) nas ruas. O “must” é a nova, mais forte, viciante na primeira tragada e fatal em pouco tempo “crack”, que já contaminou grande número de operários da construção civil.

Mas, não há informações relativas a investigações nos canteiros de obras dos grandes prédios que estão sendo construídos na cidade ou nas obras da usina, hidrelétrica de Santo Antonio, a 7 quilômetros da área urbana.

A Polícia Estadual aparentemente não quer fazer alarde da presença do “crack” em Porto Velho.

Foram designados para a Rotam policiais militares com experiência no serviço de radio patrulha da Capital, sua função oficial é a de capturar foragidos da justiça, (e reprimir) tráfico de entorpecentes e porte de armas. É um pelotão da 1ª Companhia de Policiamento Ostensivo do Batalhão Rondon.

O planejamento ou a inteligência das ações da Rotam parecem se resumir ao “serviço ordinário de radiopatrulhamento na Capital”, “que já tem colhido bons frutos em razão do empenho dos policiais militares que diariamente trabalham nas ruas” – como indica o comando do Batalhão Rondon no comunicado à imprensa.

Como geralmente é ínfimo o número de carros de rádio-patrulha policial em Porto Velho – até há pouco informava-se que havia entre 2 a 8 carros circulando pela cidade que tem hoje cerca de 100 bairros e provavelmente 400 mil habitantes, a repressão ao novo narcótico seguirá a tendência dos outros. Para cada pedra de “crack” eventualmente apreendida, 10 já foram vendidas.

No entanto, cada policial sabe onde se localizam as “bocas de fumo” de Porto Velho. Se esquecerem, geralmente os moradores sabem. Mas, poucas fazem prisões em flagrante e raramente apreendiam grandes quantidades de droga. As bocas de fumo de Porto Velho fazem jus ao nome, são voláteis e mudam de lugar constantemente.

Sem pistas, enfrentando um tráfico invisível, só resta aos policiais considerar suspeito ou traficante, ladrão ou assaltante até a prova em contrário, cada adolescente ou jovem adulto que estiver numa bicicleta em Porto Velho, principalmente se estiver com um carona, desde que pobre, negro ou mestiço, traficantes. Se for uma jovem negra ou mestiça é no mínimo prostituta, cadela.

Se for caucasiano (branco, com traços europeus), loiro ou tiver olhos claros (se for azul, então) e se a bicicleta for clara, só pode ser filho de boa família.

A Lei da Ficha Limpa, que a Câmara dos Deputados, em Brasília, aprovou para fins eleitorais, revogando a presunção da inocência, já existe na prática no mundo policial de Porto Velho e por isso dezenas de jovens são humilhados a cada batida policial.

Como diz a juíza federal da 5ª Vara Criminal Federal do Rio de Janeiro, Simone Schreibe, professora de Direito Processual Penal da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO), “na prática judiciária brasileira não se estabeleceu diferença entre os princípios da presunção de inocência e da desconsideração prévia de culpabilidade.”

A totalidade dos adolescentes e jovens adultos mostrados na foto acima não tem relação com o narcotráfico, com o crime organizado, ou passagens pela Polícia. Foram detidos perto de suas casas, chegando do trabalho ou da escola ou vindo de encontro com amigos.

Mas, é assim que a Policia Militar trabalha. Às vezes encontra um traficante nessas ações. Mas nunca o grande fornecedor. Assim como nunca a Polícia Militar encontrou os autores do massacre de Marcio Antonio Alberto (26), Robson da Fonseca Tandu (19), Onaziel Lima Ramos (26), Jhone Inemesio Lima Cabanilas (19) e Reginaldo Silveira dos Santos (26).

Os cinco foram mortos por tiros na cabeça numa segunda-feira à noite, quando conversavam no cruzamento das ruas Centauros e Coroa Boreal no bairro Ulisses Guimarães zona leste da cidade, perto de um PM Box (pequeno posto da Polícia Militar). Perto de uma igreja evangélica.

O crime foi no ano passado. Ninguém viu, ou ouviu nada. Depois se comentou que os cinco “teriam”ou “seriam” responsáveis por distúrbios no bairro. Internautas postaram comentários em sites que noticiaram as mortes elogiando o trabalho que, segundo um dos posts, “se não foi”, “deveria ser de um justiceiro”. A chacina dos jovens foi virtualmente comemorada e esquecida.

O deputado Edson Martins (PMDB), da Assembléia Legislativa de Rondônia, fez um recente discurso no parlamento do Estado sobre sua preocupação com violência urbana que tem vitimado muitos jovens.

Três policiais militares foram presos recentemente no distrito de Jaci Paraná, distante 90 quilômetros de Porto Velho, sob a suspeita de integrarem grupos de extermínio que estariam agindo a mando de fazendeiros e empresários naquela região, numa disputa por terra,

As denúncias foram publicadas pelo jornal “Folha de Rondônia”, de Ji-Paraná, 400 kms de Porto Velho, informando que Policiais Militares estariam envolvidos em pelo menos nove assassinatos. Testemunhas estariam desaparecendo “misteriosamente” da cidade – disse o jornal.

O site “Tudorondonia.com”, de Porto Velho publicou no dia 20/10/2009 que cinco jovens foram mortos no meio da rua na cidade de Machadinho do Oeste, interior de Rondônia, a nordeste. Na cidade seriam apreendidos 700 quilos de cocaína, a última grande apreensão, até agora, no Estado.

Entre as vítimas havia um menor de 12 anos de idade, com passagem pela polícia, assim como os demais atingidos pelos disparos.

Nota da Redação do http://www.betobertagna.comEstá parecendo uma campanha deste site  e do http://www.noticiaro.com contra o crack e outras drogas, inclusive as consideradas “sociais” como o alcool.

E é verdade.

É necessário que se use todo e qualquer veículo pra disseminar as informações sobre esta “epidemia”que pode vir a assolar Rondônia em pouco tempo.

Outros sites, que tem até, presumidamente, mais visitação que os citados viram as costas para o problema e ficam no “lenga-lenga” das fofocas políticas, dos ataques interesseiros atrás do famoso “caraminguá” como verdeiros “caça-níqueis”, publicam resumo de novelas alienantes, detonam esta ou aquela autoridade por falta de contrato e acabam esquecendo problemas sérios que podem afetar toda a população. Tudo bem. Respeite-se o direito editorial e o sagrado direito de imprensa e à informação. Critico, porém,  o desserviço à comunidade quando não colocam minimamente em suas pautas estas ameaças que estão cada vez mais visíveis.Das televisões então, a coisa está tão escrachada que nem adianta mais falar. Cobrar o que, quando há campanhas mais do que suspeitas como o Criança Esperança?

Tudo se transforma numa corrente só. Há evidências que menores de idade, de famílias tradicionais de Porto Velho, foram “recolhidas” em estado de coma alcoólico durante a realização de um show com uma famosa cantora de axé music. Fatos semelhantes são cada vez mais frequentes. As famílias, não as tradicionais, as migradas, as mais carentes, as mais pobres de informação mas que muitas vezes se dispõem a fazer um “sacrifício” para comprar um abadá parcelado em 12 vezes (baratíssimos! ) estão transferindo para as escolas o dever da educação.

As escolas, ah as escolas, que mal conseguem cumprir o dever do ensino…

E assim caminha esta tosca humanidade do noroeste do Brasil.

Entre as descobertas a cada dia que passa de novos golpes milionários na Assembléia Legislativa, candidatos ficha+ que suja bancando mocinhos em caravanas pelo interior e formação de cracolândias em zonas de motéis e hotéis populares nas proximidades da Rodoviária e do Trevo do Roque.

Que venha o plano federal anti-crack do Lula, que funcione, que valorize os bons profissionais da polícia, dos Juizados da Infância e Adolescência, de atendimento dos CAPS, enfim , que o que existe no papel que é maravilhoso e de primeiro mundo vá para a realidade da prática. Que os locais como as Delegacias de Proteção à Infância e a Adolescência e as Delegacias da Mulher respeitem mais a privacidade de quem necessita de seus serviços e os profissionais mais sensíveis com quem já chega fragilizado a estas unidades. E que tenhamos jovens mais protegidos, e menos estigmatizados pelas mais diversas formas de preconceito. Mas não duvidem. Estamos lidando com uma epidemia. E é hora de todos colaborarem.

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