Sejam sempre heróis, bombeiros, não suicidas

Por Nelson Townes , do noticiaRo.com

De todas as instituições fardadas, a dos Bombeiros Militares sempre foi a mais amada pelo povo. Não apenas em Porto Velho. Em São Paulo, em NovaYork, em qualquer lugar onde esses militares não combatem outros seres humanos, sua batalha é para salvar vidas e riquezas, não para matar ou destruir – e aqui não estamos discutindo o valor dos militares em geral como guardiões da segurança nacional.

Por isso, é extremamente preocupante quando vemos o extraordinário sacrifício, o heroísmo com que os bombeiros de Porto Velho enfrentam os incêndios aqui. Eles trabalham tão mal equipados, e isso vai se eternizando de tal forma, que seu heroísmo e abnegação acaba se transformando em amadorismo no enfrentamento do perigo – ou tendência ao suicídio.

E sabemos que é injusto pensar assim de nossos bombeiros. Sabemos como eles insistem em cobrar de seus superiores – dentro dos limites e entre as viseiras que caracterizam o relacionamento entre comandantes e comandados nos quartéis – melhores condições de trabalho.

E por mais que a propaganda oficial insista em dizer que houve melhorias, nenhuma diferença (quanto às condições de trabalho) se notou no combate ao incêndio que irrompeu na Farmácia Popular e numa loja de colchões na rua Dom Pedro II, esquina com a Joaquim Nabuco, a cerca de 50 metros de um posto de gasolina.

Vimos rapazes entrando no prédio de onde emanava fumaça tóxica sem a proteção de máscaras contra gases. Roupas adequadas para enfrentar o calor das chamas não eram distribuídas a todos – porque não havia. O mais elementar num combate ao fogo, a água, faltou no momento crucial, que é o início do incêndio.

Deus, em Sua misericórdia, tem poupado o povo porto-velhenses de tragédias como as que ocorrem em outras cidades. E rezemos para que este povo, que já sofre tanto com enchentes, doenças e outros martírios, seja poupado de sinistros como a queda de um avião na área urbana, de um terremoto, de qualquer um desses horrores que podem ocorrer em qualquer lugar do mundo.

Pois se isso acontecer, não será suficiente o heroísmo-suicida de nossos bombeiros. Teremos que pedir ajuda da Bolívia, pois, felizmente, o rio Madeira não tem ondas de verdade. Tem, graças a Deus, apenas banzeiros, ondas pequenas, desprezíveis.

(NR: E com a explosão imobiliária, com prédios cada vez mais altos… )

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