Arquivo do mês: março 2010

Juan Carlos Crespo, um intelectual boliviano

O historiador Juan Carlos Crespo Avaroma é um dos maiores conhecedores da realidade boliviana, em especial, a que cerca a fronteira Brasil (Rondônia) com o Beni( Bolívia). Recentemente, pronunciou uma festejada  conferência ” Herência del tupi-guarani en el linguage amazônico” . É também autor de
” Decálogo de la geohistoria guayaramirense : una propuesta de identidad geológica, histórica y cultural mojo-amazónica para nuestro municipio” em que aborda questões referentes à região de Guayara-Merin, Beni, Bolivia.
Crespo é um grande batalhador da cultura amazônica e da fraternidade entre os povos ameríndios. Tempos atrás, tive a oportunidade de conhecê-lo e de certa forma, ajudá-lo num episódio dos transmissores , na formação da TV Católica, uma experiência inovadora e revolucionária nas terras do Gal. Pando (ou do seringalista Nicolas Suarez ).

Estivemos juntos quando conhecemos o acervo do pesquisador Antonio Simoni,  que preserva uma parte do conhecimento arqueológico da fronteira.

O fato é que Juan Carlos é um intelectual respeitado pela sua comunidade e sua visão sobre as relações entre Brasil (Rondônia) e Bolívia ( Beni) devem soar como reveladoras pois representam em grande parte o pensamento boliviano.

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Cientista americano defende esforço global para preservar a Amazônia

O cientista Thomas Lovejoy, um dos mais respeitados especialistas em biodiversidade e presidente do Centro Heinz de Ciências, Economia e Meio Ambiente, defendeu, durante o Fórum Internacional de Sustentabilidade, evento promovido pelo LIDE – Grupo de Líderes Empresariais – em Manaus, um “esforço planetário” para restaurar os ecossistemas do mundo, em particular os da floresta amazônica, tema do encontro que aconteceu neste final de semana.

Lovejoy, que já foi vice-presidente do WWF nos Estados Unidos, alertou para a possibilidade de algumas regiões da floresta amazônica, dentro e fora do Brasil, desaparecerem em alguns anos por causa das intervenções humanas.

Ele chamou especial atenção para as regiões Leste e Sul da floresta, que atualmente são as mais afetadas pelas intervenções humanas. Neste aspecto, o cientista criticou projetos de desenvolvimento que acabam interferindo no equilíbrio do ecossistema, como a construção de rodovias e de hidrelétricas. “Rodovias causam um impacto pesadíssimo e muito sério”, explicou Lovejoy.

“Estradas induzem ao desmatamento. Elas precisam ser substituídas por trilhos ou por hidrovias. Isso porque, afirmou, a floresta é responsável pelo equilíbrio do clima. Ele citou como exemplo ações de desmatamento realizadas em Rondônia, com a utilização de fogo, que acabou gerando um longo período de seca na região. Por isso, ele alertou também para a questão do desmatamento parcial, ou seja, derrubada de fragmentos relativamente isolados da floresta.

Segundo Lovejoy, há impacto na biodiversidade. “Uma área de um quilômetro quadrado perde metade das espécies de pássaros em 15 anos que vivem sob o dossel da floresta.”

Com informações de Maxpress/CDN

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Água de torneira X Água de garrafa

Ela fez um vídeo que ficou famoso na net chamado ” A História das Coisas ” , em inglês The Story of Sfuff , que tratava do nosso consumismo exagerado e do que isto representava para o planeta. Seu nome é Annie Leonard e agora, ela traz à tona outra discussão sobre “A História da Água Engarrafada” .

Como eu sou do tempo em que se dava banho em cachorro com mangueira e sabão, achei bastante interessante. Tá certo que morava em Porto Alegre, que já tinha uma certa qualidade de vida, mas depois da pelada do futebol a gente bebia água era na torneira mesmo.

No vídeo “The Story of Bottled Water” é mostrado que as garrafas pet de água, só as de água, consumidas pelos americanos em uma semana fazem o caminho completo de 5 voltas ao redor da terra.  Entre outras cositas mais. Quem mora na região norte e  já viu um igarapé entupido de garrafas pet ( e aí entra também os refrigerantes) vazando para todos os lados já percebeu o dano que eles causam. E isto é cultural !  Já vi gente que mora ao lado do igarapé jogando garrafa pet dentro !

Bem as perguntas que ficam : Será que a água da garrafinha é tão limpa assim prá justificar o preço que pagamos ? E ,às vezes, a água nem mineral é , só é gaseificada.

Será que a água da torneira, tão severamente tratada pelas Companhias de Águas como a CAERD não dá prá beber ?

Estamos tentando providenciar a tradução deste vídeo que é bem educativo, para a felicidade do planeta e dos nossos descendentes.

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Cosas de la banda – 2

Festa de Independência da Bolívia, 6 de agosto, noite

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Ao norte – 10

Avenida de Buritis/RO ano 2000

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Ao norte – 10

Avenida de Buritis/RO ano 2000

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Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 7 – O Outro Braço da Cruz

” O livro do Coronel Paulo Nunes Leal, ex-governador de Rondônia retrata o nascimento, nos idos dos anos 60, da rodovia BR-29, hoje BR-364. O que representou a estrada para a região pode ser bem avaliado pelo progresso atual de Rondônia, que passou de um inexpressivo Território Federal, com escassos 100.000 habitantes, ao atual Estado pujante.”(palavras do então governador de Rondônia, Jorge Teixeira de Oliveira,o “Teixeirão” no lançamento do livro que “coincidiu” com a inauguração do asfaltamento da BR-364.

Na contra-capa o autor reproduz um trecho de conversa com o então Presidente Juscelino Kubitschek.

– “Sr. Presidente, o sr. já ligou Brasília a Belém e a Porto Alegre e a está ligando à Fortaleza. Por que não completa o outro braço da cruz, construindo a Rodovia Brasília-Acre?

-Uai, Paulo. E pode?

-Pode, Presidente, mas é negócio para homem.

-então vai sair. ”

Anúncio do Ministério dos Transportes veiculado em jornais e revistas da época

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Pimenta Bueno/RO : Vladimir Herzog passou por aqui

Vladimir Herzog, numa cela do DOI-CODI em São Paulo. 25/10/1975

Vlado Herzog, que assinava Vladimir por considerar seu nome muito exótico para estas bandas brasileiras era um jornalista, fotógrafo, professor e dramaturgo nascido na Croácia e naturalizado brasileiro.  Com o golpe de 64, foi com a familia morar em Londres. De volta ao Brasil, foi convidado pelo Secretário de Cultura de São Paulo, José Mindlin para assumir o jornalismo da TV Cultura.   Na noite do dia 24 de outubro de 1975, o jornalista foi intimado e apresentou-se espontâneamente na sede do DOI-Codi (Destacamento de Operações de Informações/ Centro de Operações de Defesa Interna) para prestar esclarecimentos sobre suas ligações com o PCB (Partido Comunista Brasileiro). No dia seguinte, foi morto aos 38 anos. A morte de Herzog foi um marco na ditadura militar (1964 – 1985) provocando reações imediatas da sociedade civil.

As redações de todos os jornais, rádios, televisões e revistas de São Paulo pararam.  Os donos dos veículos de comunicação fizeram um acordo com os jornalistas para que estes trabalhassem apenas uma hora afim de que os jornais circulassem e os rádios e tvs não interrompessem as programações.

Vlado integrava a Expedição Ford (Caravana Ford) , a primeira a percorrer a BR 29, como correspondente do “Estado de São Paulo” . No relatório do Sr. Antônio Brasileiro, primeiro chefe da Caravana Ford ao Governo do Território  ele descreve a primeira parte da viagem até Muqui , quando passou o bastão para a chefia de Eduardo Lima e Silva, que conduziu a caravana até Porto Velho. Diz ele em certa parte:
” – Peço permissão a V. Excia para deixar registrada neste relatório a cooperação prestada à Caravana pelo pessoal de imprensa que nos acompanhou até Pimenta Bueno. O sr. Hugo Penteado, da Folha de São Paulo, excelente amigo, minucioso nas suas anotações, muito observador,excepcional. O sr. Wlado Herzog , repórter do “Estado de São Paulo”, desenvolveu sempre intensa atividade e teve oportunidade de fazer diversas observações, encontrando sempre meios para transmití-las a seu jornal, mantendo assim em evidência a nossa progressiva marcha. ”

Aliás, o relatório inteiro está reproduzido no livro ” O Outro Braço da Cruz”, indicado por este site como um dos livros imprescindíveis para entender Rondônia.

A construção da BR 29, hoje BR 364 na década de 60 interrompeu o isolamento do Território de Rondônia e é um capítulo importante na história da ocupação amazônica.

O Presidente Juscelino Kubitschek derrubou, simbólicamente, a última árvore que obstruía a BR 29,  em Vilhena, no dia 6 de julho de 1960. A foto , histórica, de JK caminhando em cima da árvore foi feita por Manuel Rodrigues Ferreira, autor do consagrado livro “A Ferrovia do Diabo” .

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Hélio

Um vídeo de Letícia Bertagna

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Túnel do Tempo – 1ª transmissão de Internet ao vivo em RO

(Atualização) – Foi o lançamento do  livro “Brevíssima História da Madeira-Mamoré”, na Livraria da Rose, quando ela funcionava na  Av. Rogério Weber.

Animando o evento o grupo  Águias do Forró & Los Românticos formado por um time de músicos de primeira (alguns se foram como o meu amigo pessoal Alcimar Chaves, além de músico , grande árbitro internacional de voleibol, o melhor que já pintou por estas bandas)  prestigiados pela presença em peso da “inteligentzia” de PVH.

Foi também a 1ª transmissão ao vivo pela Internet, usando um tonelada de equipamentos “broadcast” para ter um sinal travando a toda hora , sem sincronismo entre som e imagem pela quantidade reduzida do número de quadros que se conseguia transmitir, mas que deu conta do recado, porque os internautas não eram tão exigentes como hoje.

E teve gente que acompanhou , porque estava previamente convidada, a transmissão do Uruguai, Argentina, Austria, Dinamarca, Inglaterra, EUA, Itália e outros.

Uma câmera digital profissional de televisão JVC KY 29 + BRD 40 captava as imagens e um equipamento emprestado por um amigo de uma produtora de  SP transformava tudo em streaming, que era um bixo de sete cabeças naquela época.

Mas nada seria possível sem  a ajuda fantástica da equipe do pioneiro provedor Enter-Net, na pessoa do Reinaldo Rosa, que possibilitou o feito.  Foi um barato !

A transmissão teve um fato inusitado: como ela ficou disponivel no portal por mais um tempo , depois da lambança pudemos olhar com mais calma.  Descobrimos  um sujeito que aparece ao lado da porta e que ficou o tempo todo quietinho bebericando sua cerveja. Ele “afanou” vários livros que ficavam naquela estante! No outro dia a Cida, funcionária da Rose deu falta dos livros. Tentamos identificar a pessoa mas como a imagem era ruim e ficava na contra-luz , estamos até hoje nos perguntando : Quem seria o espertinho ?

Isto tudo há mais de 10 anos atrás.

Escritores, professores, literatos, atores, músicos, mímicos, publicitários, arquitetos, jornalistas participaram da festa com bastante cerveja, uísque e salgadinho !

E o Sérgio Ramos faz merchandising do site dele até na hora de mandar uma mensagem pro mundo ! Menino levado…

Este post é uma homenagem à Rose , livreira e amiga, que transformou em oásis intelectual os seus espaços comerciais e deixou uma lacuna na nossa cidade.

Rose, quando você foi embora todos nós ficamos feitos cachorros caídos de mudança ! E , acredite, continuamos até hoje…

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Lá vem o "bonde" dos traficantes de livros !

Literatura Marginal : Os livros serão de todos !

Selo feito para livros de bolso , livros esses escritos por e para mãos operarias, rebeldes, marginais, periféricas….

Que possa alcançar o publico despossuido de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista. Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaina diaria. Um selo em um livro de bolso, para ser posto na cesta basica, para ser lido na rua, no horário de almoco, nas prisoes, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos dessse imenso pais periferia.

Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, esmprestado e gasto, andando de mão até que volte para onde veio, a vida. Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou. Bem vindo ao Selo Povo, feito prá voce e prá todo mundo.

Cernov9 me manda entusiasmada um e-mail : ” Este primeiro que saiu é do Ferrez, carro-mestre da literatura marginal no Brasil. O segundo livro vem aí, é o nosso! Rondônia não ficou em último lugar dessa vez, vem a frente de Rj e MG. ”

O segundo livro da coleção Selo Povo a ser “traficado”  já está na fase final, em breve nas ruas “Amazônia em chamas” de Cernov.

Catia Cernov publicou seu primeiro texto pela revista Literatura Marginal Ato III, da Caros Amigos.

Escreve, edita, imprime e distribui seus contos de forma independente em bancas de revistas, livrarias e sebos. Também é envolvida em manifestações e lutas ambientais.

Amazônia em chamas é seu primeiro livro.

Nas palavras da autora “A minha ecologia, que se reflete na literatura (quando assim o tema exige), acontece de forma mais direta, na pratica. É no não consumo de coisas danosas, de ensinar aos filhos o amor á terra, de criar filhos-pessoas e não filhos-consumidores, de não tratar plantas ou animais como propriedade, de entender a importancia de todas as formas de vida, rompendo com antropocentrismo, que trabalho ecologia dentro de casa.”

Nasceu no Paraná e migrou para o norte, mora há muitos anos em Porto Velho-RO.

O que mais aprecia nesse estilo de trabalho é a possibilidade de interagir pessoalmente com seus leitores. Seus contos são experiências do pensamento, fruto de devires que nascem de seu universo em movimento.

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Lá vem o “bonde” dos traficantes de livros !

Literatura Marginal : Os livros serão de todos !

Selo feito para livros de bolso , livros esses escritos por e para mãos operarias, rebeldes, marginais, periféricas….

Que possa alcançar o publico despossuido de recurso que geralmente vê o livro como um item raro e elitista. Um vinho guardado e nunca degustado, enquanto queremos que todos bebam pelo menos sua tubaina diaria. Um selo em um livro de bolso, para ser posto na cesta basica, para ser lido na rua, no horário de almoco, nas prisoes, nos acampamentos, nas zonas, nos bares, barracos e barrancos dessse imenso pais periferia.

Esse selo garante um livro de fácil leitura e que será lido, relido, esmprestado e gasto, andando de mão até que volte para onde veio, a vida. Ao preço de 1 cerveja e meia, e mais barato que um prato feito, a desculpa para não ler acabou. Bem vindo ao Selo Povo, feito prá voce e prá todo mundo.

Cernov9 me manda entusiasmada um e-mail : ” Este primeiro que saiu é do Ferrez, carro-mestre da literatura marginal no Brasil. O segundo livro vem aí, é o nosso! Rondônia não ficou em último lugar dessa vez, vem a frente de Rj e MG. ”

O segundo livro da coleção Selo Povo a ser “traficado”  já está na fase final, em breve nas ruas “Amazônia em chamas” de Cernov.

Catia Cernov publicou seu primeiro texto pela revista Literatura Marginal Ato III, da Caros Amigos.

Escreve, edita, imprime e distribui seus contos de forma independente em bancas de revistas, livrarias e sebos. Também é envolvida em manifestações e lutas ambientais.

Amazônia em chamas é seu primeiro livro.

Nas palavras da autora “A minha ecologia, que se reflete na literatura (quando assim o tema exige), acontece de forma mais direta, na pratica. É no não consumo de coisas danosas, de ensinar aos filhos o amor á terra, de criar filhos-pessoas e não filhos-consumidores, de não tratar plantas ou animais como propriedade, de entender a importancia de todas as formas de vida, rompendo com antropocentrismo, que trabalho ecologia dentro de casa.”

Nasceu no Paraná e migrou para o norte, mora há muitos anos em Porto Velho-RO.

O que mais aprecia nesse estilo de trabalho é a possibilidade de interagir pessoalmente com seus leitores. Seus contos são experiências do pensamento, fruto de devires que nascem de seu universo em movimento.

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Faltam 30 dias para encerrar as inscrições do CurtAmazônia

Procurando sempre estimular e incentivar a produção audiovisual regional e nacional  através de iniciativas como o “Prêmio Conte sua História” e a realização do 1º Festival de Cinema CurtAmazônia cuja estréia será de  25 à 29 de maio do corrente ano, a Organização do Festival vem informar que faltam 30 dias para o encerramento das inscrições para concorrer ao prêmio e ao Festival.

Estão chegando filmes e vídeos de todo Brasil. De Rondônia já tem dois realizadores inscritos: o diretor Zacarias Pena Verde com o documentário “O Parceleiro – Uma epopéia no meio da floresta”, que trata sobre o surgimento do jornalismo impresso no interior de Rondônia. As primeiras publicações, a influência da Estrada de Ferro Madeira-Mamoré neste processo. A produção faz uma viagem pelo regime militar. A exploração da lavoura do cacau, o incentivo do governo federal para a vinda de colonos com o objetivo de colonizar o então Território Federal de Rondônia, as dificuldades da época para conseguir mão-de-obra, a implantação das primeiras tecnologias na comunicação em Rondônia, entre outros fatos relevantes que marcaram a saga do primeiro e único jornal totalmente diário de Porto Velho.

Também estão inscritos os filmes do diretor Jair Rangel de Souza, o “Pistolino” com dois trabalhos concorrendo na categoria Ficção : “O curioso matuto” com 15 minutos e “O mala” com 8 minutos.

E continua a promoção do “Prêmio Conte sua História”. É só escrever sua história e mandar para o endereço Associação Curta Amazônia, Rua Raimundo Cantuária, 712-B, Bairro: Baixa União, CEP: 76.805-862, Porto Velho-RO

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Fest Cineamazônia será exibido em Fernando de Noronha

O Fest Cineamazônia Itinerante estará em Fernando de Noronha (RN), no dia 27 de março, com exibição a partir das 18 horas, no Auditório do Centro de Visitantes do Projeto TAMAR. A presença no arquipélago é uma forma de divulgar a produção regional de cinema brasileiro, estimulado novas produções e formando novos públicos. A programação é de classificação livre com entrada grátis.

Para esta etapa, o festival conta com o apoio de Guy Marcovaldi e Neca Marcovaldi, fundadores do projeto Tamar-ICMBio, criado em 1980 e hoje é referência internacional de experiências de preservação marinha. A missão do projeto é a preservação das cinco espécies de tartarugas marinhas que ocorrem no Brasil e estão ameaçadas de extinção.

O arquipélago é sede do Projeto Tamar, uma iniciativa de preservação ambiental marinha

Na etapa itinerante 2010, o Fest Cineamazônia já percorreu as capitais dos estados da Região Norte e, último final de semana, esteve em Manicoré (AM), no baixo rio Madeira. Por onde tem passado, a produção do festival faz gravações para um novo documentário.

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Llítsia Moreno em "Cotidiano Interior"

Llitsia Moreno Pereira nasceu em Havana, Cuba.  Iniciou seus estudos pianísticos no Conservatório de Música Manuel Saumel, tendo como formação, a Escola Nacional de Artes, em Havana. Foi selecionada como pianista do Ballet Nacional de Cuba (Jovem Guarda) sob a direção de Laura Alonzo, Alicia Alonzo e da Companhia Nacional de Danças Espanholas de Cuba, com sede no “Gran Theatro de Havana Garcia Lorca”.  No Brasil, onde vive desde a década de 90, fez  pós-graduação em Educação Musical no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Em Porto Velho, leciona na Escola Municipal de Música Jorge Andrade. Programa imperdível no Teatro 1 do SESC, na  sexta, às 8 e meia da noite !

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Llítsia Moreno em “Cotidiano Interior”

Llitsia Moreno Pereira nasceu em Havana, Cuba.  Iniciou seus estudos pianísticos no Conservatório de Música Manuel Saumel, tendo como formação, a Escola Nacional de Artes, em Havana. Foi selecionada como pianista do Ballet Nacional de Cuba (Jovem Guarda) sob a direção de Laura Alonzo, Alicia Alonzo e da Companhia Nacional de Danças Espanholas de Cuba, com sede no “Gran Theatro de Havana Garcia Lorca”.  No Brasil, onde vive desde a década de 90, fez  pós-graduação em Educação Musical no Conservatório Brasileiro de Música do Rio de Janeiro. Em Porto Velho, leciona na Escola Municipal de Música Jorge Andrade. Programa imperdível no Teatro 1 do SESC, na  sexta, às 8 e meia da noite !

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Túnel do Tempo – Messias

Messias, poeta e cantador abrilhanta o lançamento do Vocabulário Popular de Porto Velho, no Mercado Central. 1997

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CineOquinha : o projeto que acertou na mosca

Acho que nunca um projeto acertou na mosca (ou no 12 , como dizem em Rondônia) como este lançado pelas incansáveis Malu Calixto e Simone Norberto.

Neste sábado,  27 de março, a partir das 8 da noite, na sede da Associação Cultural  Cuniã, comandada pelo Cláudio Vrena  no bairro Tucumanzal, o projeto CineOquinha possibilitará a  exibição de audiovisuais voltados especialmente para o público infanto-juvenil. Com uma programação de qualidade, o projeto prevê o acesso gratuito a filmes que geralmente as crianças e adolescentes não tem oportunidade de assistir.

Desde que foi fundado em 2005, o CineOca se destaca no estado pelo pioneirismo na atividade cineclubista, mas as exibições eram mais voltadas para o publico adulto. Foram poucas as sessões especialmente destinadas ao público infanto-juvenil, alguns filmes de animação, ou sucessos brasileiros como a produção Tainá.

Com  equipamento de exibição audiovisual disponbilizado pelo governo federal através do programa Cine Mais Cultura, o tão sonhado cineOquinha acontecerá periodicamente todos os domingos, às 16 horas (a partir do dia 4 de abril), sempre na sede da Associação, com debates e reflexões após os filmes.

Para que o projeto acontecesse, vários passos foram dados. O primeiro deles foi proposição do CineOca para, através do Conselho Nacional de Cineclubes, pleitear o equipamento junto ao programa Cine Mais Cultura , do Governo Federal. A parceria com a Associação Cuniã garantiu o local para a exibição e o curso de oficineiros, realizado em Belém e no Rio de Janeiro. A capacitação tornou possível a formação dos agentes culturais que trabalharão com o projeto. E ainda tem a Programadora Brasil, distribuidora de filmes nacionais, também conveniada do programa Cine Mais Cultura , que enviou as produções encomendadas pelo CineOca para o projeto.

O equipamento para exibição foi instalado na sede da Associação Cuniã, conforme as especificações técnicas e mais uma boa dose de capricho do presidente Cláudio Vrena. O artista, com grande sensibilidade, adequou o espaço da associação, construindo nova sala para abrigar com segurança os aparatos de exibição. A instalação no auditório também leva em conta a qualidade na projeção dos filmes. De parabéns todos os envolvidos na execução do projeto, coisa que não é fácil. Agradecem todos os meninos e meninas que terão uma opção cultural de qualidade para enxergar o mundo com outros olhos.

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Umbandaime, a nova religião brasileira na selva de concreto

Umbanda + Santo Daime : E agora, José ?

Uma leitora deste  site comentou : ” Cada um sabe onde aperta o seu calo, o encontro com o divino pode estar em qualquer lugar! Por que não o sincretismo de várias facetas espirituais para acalmar a alma de quem busca paz?!”

O jornalista Nelson Townes em matéria especial para a Revista Momento a considerou a mais brasileira das religiões.

O jornalista acriano Altino Machado denuncia que, em referência ao recente caso de assassinato do cartunista e mestre daimista Glauco,   a mídia deturpa e agride a história da única religião genuinamente brasileira. Veja o link : http://tinyurl.com/ydel5yk

Umbandaime é uma mistura de catolicismo com espiritismo, ritos africanos e misticismo dos povos da floresta Amazônica, uma fusão da Umbanda dos antigos escravos negros com o Santo Daime, dos seringueiros do Acre.  Nasceu na cidade de São Paulo, onde multidões de desesperançados parecem estar encontrando respostas do sobrenatural no sincretismo religioso afro-cristão-amazônico.  A nova religião está atraindo multidões de devotos para o seu templo na rua Brazópolis, 200, bairro Saúde, na Capital paulista – o Templo Sagrado Jesus de Nazaré São João Batista, próximo à estação São Judas do metrô.
A fundadora e líder espiritual da Umbandaime, é Dona Maria Natalina, que tem o título eclesiástico de Madrinha, e descende de uma estirpe de umbandistas, sendo ela própria Mãe de Santo há mais de 20 anos. Ela é filha de Pai de Santo, neta de Mãe de Santo.
Ela disse ter recebido no início de 2010 um recado da Protetora das Florestas e Rainha do Mar N.S. da Conceição,Yemanjá, quando fazia uma Miração do Santo Daime, avisando que o Dia do Juízo Final está chegando “mesmo.”
O Recado que a Madrinha da Umbandaime diz ter recebido de Iemanjá diz, em resumo que “Um Grande Estrondo se Ouvirá e será percebido por todos os seres vivos: humanos e animais irracionais”

A Umbanda é uma religião formada dentro da cultura religiosa brasileira que sincretiza elementos de outras religiões como o catolicismo, o espiritismo e as religiões afro-brasileiras.

O Santo Daime é uma cerimônia religiosa cristã que se caracteriza pela bebida de uma espécie de chá sacramental Ayahuasca, produzido a partir da decocção do cipó jagube ou mariri ( Banisteriopsis caapi )com as folhas do arbusto chacrona (Psychotria viridis).
A fundadora da Umbandaime é respeitada por uma congregação de pessoas de todas as classes sociais como dona de “grande sabedoria e conhecimento” e sensibilidade mediúnica.
Madrinha conheceu o Santo Daime há dez anos, no Acre, informa o site da Umbandaime (www.umbandaime.com), “quando reconheceu prontamente seu poder e sua origem divina, vindo a se fardar (ingressar ritualmente) no Céu de Maria (um templo do Santo Daime no Acre.)”
Seu principal mentor espiritual no Santo Daime foi o padrinho (título dado aos homens que se tornam líderes espirituais) Sebastião Mota de Melo, nascido no Seringal Monte Lígia em 1920, discípulo do Mestre Irineu (Raimundo Irineu Serra), fundador da confraria do Santo Daime.
O padrinho Sebastião,que faleceu em 1990, era um apóstolo do Santo Daime pois, que “recebeu do Mestre Irineu o dom de expandir o Culto do Santo Daime por todo o país e além de suas fronteiras” – diz o site da nova seita, até codifica a liturgia geral da nova seita e faz seus primeiros registros históricos.
Sebastião, o mentor da Madrinha da Umbandaime, é descrito como um místico que “desde cedo demonstrou propensão para fazer viagens astrais e ter visões dos seres encantados da floresta e foi no início de sua carreira religiosa, curador e rezador nos ermos do Vale do Juruá.”
Em 1974 mandou registrar sua entidade religiosa e filantrópica, denominada Cefluris –Centro Eclético da Fluente Luz Universal, do Acre, que existe até hoje.
Como a Umbandaime tem influência do Espiritismo, a “presença espiritual” de Sebastião Mota de Melo é citada  durante as cerimônias que a Madrinha preside. Sebastião é lembrado como um espírita “fervoroso” que introduzia no culto do Santo Daime a doutrina espírita de Allan Kardek.

A Madrinha da Umbandaime trabalha no que ela define como “linha espiritual da Umbanda com a consagração do Santo Daime, destinado a limpeza, desobsessão, cura física e espiritual.”
Todos os sábados a partir das 16 horas, a Madrinha atende “gratuitamente” no templo paulistano da rua Brazópolis pessoas interessadas “em limpeza e desobsessão” na linha da Umbanda.
No templo se informa que além do trabalho de desobsessão, (“muito necessário nos dias de hoje”), a Madrinha da Umbandaime joga búzios, cartas, “ministra passes”, e “realiza desenvovimento mediúnico” – além dos trabalhos do Santo Daime.
Sua doutrina se baseia no princípio cristão do amor ao próximo: “Para Deus nos atender, devemos rezar e pedir para todos os nossos irmãos, e não apenas para nós”
Ela diz que na Umbandaime “não há preconceitos e julgamento, pois, dentro da luz, esta tudo dentro do poder, pode ser branco, negro, índio”.
Acrescentando que “para Deus são todos seus filhos”, destaca que “o importante é sempre ter respeito, humildade e dedicação para estar sempre ao lado dos bons espíritos, recebendo suas orientações para seguirmos em nossa vida no caminho certo, cumprir nossa missão e aprender neste mundo a viver no próximo.”
A liturgia de uma missa católica, de uma sessão de Umbanda e de uma sessão do Santo Daime se misturam nas celebrações da Umbandaime. Assim como o sacerdote católico consagra o vinho erguendo a taça, assim a Madrinha ergue uma taça com o chá sacramental do Daime diante da congregação.
O sincretismo se completa com a adoção do hinário Ponto de Gira e o uso da farda do Daime, a roupa branca. Deus é constantemente invocado em meio a cantos, pregações e orações, mas – e aqui entra a influência das sessões espíritas que consideram o que caracterizam algumas seitas cristãs.
Uma das recomendações é exatamente a de que “durante o trabalho do Santo Daime se mantenha muita seriedade e concentração”, “é necessário que todos zelem pelo silêncio e pela harmonia do ambiente”.
A Umbandaime não pede dízimo mas, como a maioria, ou a totalidade das igrejas cristãs, pede também (mas, sem barulho) “uma contribuição mínima, para a manutençao e reforma do espaço e para o custeio da distribuição do Daime.”
As recomendações que a Umbandaime faz aos participantes são semelhantes as do Santo Daime, a começar pela exigência de pontualidade para o início do trabalho.
“Para aqueles que irão tomar o Daime pela primeira vez é imprescindível que cheguem com pelo menos uma hora de antecedência.
São três as recomendações básicas para quem quer participar de um trabalho do Santo Daime: 1 – Conduta ética coerente com o que a Doutrina prescreve em seus hinos. 2 – “Busca de uma reconciliação interna e com os irmãos, comos quais haja um desentendido”. 3 – Abstinência sexual 3 dias antes e depois de cada trabalho
Outras recomendações são: Não consumir bebidas alcólicas. Não ir para o trabalho com roupas vermelhas ou pretas; as mulheres devem usar saia longa, e os homens calça comprida.
É proibido fumar cigarros durante o trabalho. Lanches, bolachas, chocolates, etc, devem ser deixados para depois.

Em Porto Velho se sabe da existência da prática da umbanda desde 1917, quando Dona Chiquinha, Dona Esperança , Irineu dos Santos e Florêncio Paula Rosa teriam fundado a primeira tenda de Umbanda, no bairro que hoje se chama Mocambo.

Hoje existem vários templos de Umbanda e centros de consumo ritual da Ayahuasca,a bebida sacramental produzida a partir da decocção do cipó douradinho, jagube, mariri  ( Banisteriopsis caapi )com as folhas do arbusto chacrona (Psychotria viridis) , é utilizada em Porto Velho/RO por diversas entidades como a UDV – União do Vegetal , o CECLU – Centro Eclético de Correntes da Luz Universal – Santo Daime fundado nos anos 60, a Tribu´s Di Judha, o Elixir do Novo Milênio e outras linhas independentes.

No Acre seguem o ritual da ayahuasca o Alto Santo, criado pelo mestre Raimundo Irineu Serra , o Cefluris, a Rainha do Mar e a Barquinha e outras dissidências e convergências.

Em 2008 foi entregue ao então Ministro da Cultura Gilberto Gil o pedido de registro do uso da ayahuasca como patrimônio imaterial brasileiro. Se atribue ao seu uso ritualístico a inspiração para canções como “Se eu quiser falar com Deus”.

Veja o link : http://tinyurl.com/yl7f2b2

Não é de hoje que o uso do daime vem sendo radicalmente condenado por grupos que desejam sua inclusão como uma droga comum. No blog cienciaemdia.folha.blog.uol.com.br , do grupo editorial Folha de São Paulo publicado no dia 21 de março o assunto novamente vem à tona. Veja o blog : http://tinyurl.com/yjjfh6e

Em 29 de janeiro de 2010 foi divulgada a oficialização e a regulamentação  do Governo Brasileiro, após aprovação do CONAD para o uso ritualístico da ayahuasca.

A resolução, publicada no Diário Oficial da União  veta o comércio e propagandas do composto, que só poderá ser cultivado e transportado para fins religiosos e não lucrativos.

A norma coíbe o uso do chá com outras drogas e em eventos turísticos e  recomenda que as entidades façam uma entrevista com aqueles que forem ingerir o chá pela primeira vez e evitem seu uso por pessoas com transtornos mentais e por usuários de outras drogas.

Em 1985, a bebida chegou a ser proibida no País, mas liberada dois anos depois, quando estudos demonstraram a importância de seu uso religioso.

No início dos anos 90 houve nova tentativa de proibir o chá, também refutada. Em 2002, mais uma vez houve denúncias de mau uso do chá, o que gerou os estudos mais recentes.

Durante a primeira gestão do Governo Lula, as religiões ayahuasqueiras do Santo Daime, Barquinha e União do Vegetal (UDV) do Acre entregaram, através da Madrinha Peregrina Gomes Serra, dignitária do Centro de Iluminação Cristã Luz Universal – Alto Santo, centro daimista fundado por Irineu Raimundo Serra em Rio Branco /AC  um pedido ao então Ministro da Cultura, Gilberto Gil para que o Santo Daime fosse registrado como Patrimônio Imaterial da Cultura Brasileira, o  que está sendo analisado pelo IPHAN.

O governo peruano também recentemente publicou no Diário Oficial do País, o El Peruano , através do Presidente do Instituto Nacional de Cultura, Javier Ugaz Villacorta o reconhecimento do ritual da ayahuasca como patrimônio cultural do Peru.

Agora, é esperar prá ver o posicionamento das entidades ayahuasqueiras e umbandistas sobre o assunto e principalmente se prospera na proximidade da floresta o sincretismo que a selva de concreto permitiu em São Paulo.

Sincretismo religioso na floresta e na metrópole.

Atualizado com informações do blog betobertagna.com, Revista Momento, noticiaRo.com e site umbandaime.com.br

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Do mural de Alberto Lins Caldas 2

nada ampara isso q espera
q nada dura e vai embora
larva suave q se desfaz
agua salgada ferve e some
indistinta vida q se debate
materia varia q se desvia
azul entre amarelos frios
noturno simples e vitreo
q o olho olha sem vi ver

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Festa do Divino Espírito Santo 2010, explosão de fé em Remanso / Bolívia

A 116ª Romaria do Senhor Divino Espírito Santo no Vale do Guaporé, na Amazônia terá início no dia 5 de abril de 2010, com a chegada do batelão na localidade de Surpresa, distrito de Guajará-Mirim.

É uma festa planejada com um ano de antecedência, o que poderia servir de exemplo para a administração pública.

A celebração, que envolve o Brasil e a Bolívia, é um Patrimônio Cultural Imaterial de Rondônia que está em processo de instrução para ser reconhecido como Patrimônio Brasileiro.

O Presidente da Irmandade do Divino, Dionísio Faustino espera uma atenção maior das autoridades para esta que é a maior celebração religiosa, cultural e folclórica do Vale do Guaporé :

“- Aguardamos muita gente na chegada em Remanso, povoado da Bolívia, quando o batelão aportará no dia 18 de maio de 2010 às 16 horas.”

Os ribeirinhos já conhecem os políticos que dão atenção ao Vale, por isto vai a dica: Não adianta chegar como penetra distribuindo bonézinho e camiseta, é perda de tempo.

Os beiradeiros, quilombolas, devotos e assemelhados são espertos e só dirigem suas preces para quem realmente merece.

E para quem fala, e mal, da cultura rondoniense é uma boa pedida, tirar um pouco a bunda da cadeira e andar algumas centenas de quilômetros em estrada de chão e voadeira, lendo Viagem ao Redor do Brasil, do João Severiano da Fonseca, irmão do ilustre Deodoro da Fonseca, para purificar a alma e dar uma polida no arcabouço intelectual.

Em próximos posts, ensinaremos como chegar lá . Inté .

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No fundo

Construção poética a partir de uma banheira. Um vídeo de Letícia Bertagna

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Livros que ajudam a entender Rondônia – 2 Amazônia, Último Paraíso Terrestre

Há uma riqueza imensa na Amazônia, não só na terra e nas águas, mas também na plantas e animais. Tudo está cheio de vida e muita vida ainda desconhecidas. Os cientistas se encontram, cada passo, diante de muitas novidades. Dentro de uma folha de árvore ou das entranhas de um sapo pode estar cura de uma doença rebelde.

Entretanto, constata-se pouca sabedoria nos homens que chegam aqui para trabalhar; alguns querem fazer da Amazônia a terra do boi, outros, a terra da soja.

Ninguém vê que a Amazônia é rica assim como ela está.

Nós somos míopes e caolhos: só vemos riquezas no ouro, na cassiterita, na soja e no boi… A Amazônia é rica  em tesouros… Quem abrirá nossas mentes e nossos olhos e, principalmente, nosso coração, para termos a sensibilidade e o dom da sabedoria para não destruí-la.

José Joaquim Pillon, professor emérito da Universidade Federal de Santa Maria, RS, onde exerceu o magistério por quase 25 anos, com dedicação especial à História da Filosofia da Arte, matéria que lecionou também no Colégio Máximo Palotino e Faculdade Nossa Senhora Conceição, na mesma cidade.
Em Rondônia desde 1982, tanto em Porto Velho, como na FIAR de Ariquemes, prosseguiu no magistério superior, lecionando Introdução à Filosofia, Antropologia Filosófica, Ètica Filosófica, Geologia e ministrando inúmeras palestras sobre Educação e Ecologia. Mas foi na freqüente convivência com a natureza, índios e seringueiros que se apaixonou pelo estudo e defesa da Amazônia.

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Ao norte – 9

Descendo a Av. Carlos Gomes, em Porto Velho, rumo ao rio Madeira foto : Z. Santos

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Gente que encontrei por aí… Armandinho

Foto: B. Bertagna

Armandinho, nasceu em Belém/PA tem 83 anos  é dono de um timbre de voz inconfundível . Já morou com Jamelão no Rio de Janeiro

Agora toca todas as quintas e sextas-feiras no Mirante III.

Seu repertório preferido vai de Jamelão a Lupicínio Rodrigues passando, é claro, por outros ícones da música brasileira.(certa feita lhe presenteei, para seu imenso prazer,  com uma coletânea de todas as músicas do Lupi, célebre criador do Hino do Imortal Tricolor por ocasião da sua homenagem cinquentenária… 50 anos de glória, deste imortal tricolor….etc,etc…)

No passado teve uma banda chamada Armandinho e seus Boys, que devia ser uma “brasa, mora”!

Experimente escutar Armandinho executando “Nervos de Aço” com sua voz aveludada, vendo um por do sol no Madeira e terás uma experiência única, ainda mais se estiver bem acompanhado(a).

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Ceiça Farias é atração no Canteiro´s

A cantora Ceiça Farias está de volta às noites porto-velhenses com show aos sábados  no  Canteiros Bar na companhia dos músicos Edgar Melo, Bira Lourenço e Adriano Pato.

O show ‘Algum Tempo’ traz um repertório renovado, mas sempre primando pela qualidade. “Nos preocupamos em trazer para o público uma seleção musical que passa por vários gêneros. Vamos resgatar canções e também apresentar sucessos atuais para quem estava sentindo falta do nosso som”, comentou a cantora.
A escolha da casa para o retorno se deu pela afinidade entre o espaço, os artistas e o público.

-“É um local que está acostumado a receber amantes da música popular brasileira e também nossos admiradores. Temos certeza que será mais uma vez uma temporada de sucesso. No último sábado já tivemos casa lotada e a animação seguiu até a madrugada do domingo”, complementa Ceiça Farias.
O show começa às 22 horas e deve seguir no ritmo que o público já conhece. “Vai mais uma noite de som e integração com nossos fãs”, completa.

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Fest Cineamazônia chega ao Baixo Madeira

A

Chegou a vez de Manicoré (AM) receber o Fest Cineamazônia Itinerante, pelo roteiro da região Norte. A exibição será no domingo (21/03), no Centro Juvenil Salesiano, a partir das 19h30, com entrada grátis para público livre. A cidade do interior do Amazonas fica á margem do rio Madeira e tem expressiva influencia cultural. O festival terá apoio da Prefeitura de Manicoré e Secretaria de Cultura e Turismo, através da secretária professora Maria Madalena.

A jornada itinerante do festival na região Norte iniciou em Manaus (AM), no dia 09/03. Seguiu por Boa Vista (RR) em 11/03, Macapá (AP) no dia 13, Belém (PA) no dia 15, Palmas (TO) no dia 17, e em Rio Branco (AC) no dia 19. Em cada capital, foi exibido como convidado um filme produzido por diretor local.

Para o curador do Fest Cineamazônia, Jurandir Costa, essa etapa do festival itinerante foi muito produtivo, tendo contato com diretores de todas as capitais. “Uma forma de capitanear mais cineastas para que enviem seus filmes para o festival”, destacou.

O festival itinerante tem o objetivo de formar novas platéias e ampliar a divulgação de filmes e vídeos nacionais.

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Capô "fura o ticket" no CineOca

O Filme “Bebel, a Garota Propaganda“,  longa de estréia do cineasta paulista Maurice Capovilla, o “Capô”  é o destaque cinematográfico do mês que homenageia a Mulher no CineOca.
As exibições do CineOca acontecem às quintas-feiras às 8 da noite no SESC.
Realizado entre 1966/1967  foi baseado no excelente livro de Ignácio de Loyola Brandão, “Bebel, que a cidade comeu” , feito com poucos recursos e com a colaboração do cineasta Roberto Santos.

A partir da trajetória de uma moça ansiosa por sucesso, o filme questiona os valores veiculados pela indústria cultural e a banalização da mulher.

Capô frequenta às vezes nossas bandas portovelhenses . já foi homenageado no Cineamazônia, já deu show de dança(daí a expressão “furar o ticket”, usada por dançarinos profissionais) no antigo bar Wood River que as pessoas insistiam em chamar de Open por conta de um neon na porta.

Ultimamente ele anda pelo Acre, onde coordena a implantação da Usina de Artes João Donato e acabamos vez por outra nos cruzando no Café do Teatro, obviamente bebendo café sob o inclemente sol acreano.

Seu filme mais recente é “Harmada”, de 2004 , inspirado na obra do gaudério João Gilberto Noll.

O protagonista é Paulo César Peréio e só isto já merece uma história à parte. Legal prá caramba são Bububu no Bobobó ( década de 80), O Jogo da vida(1977, creio que baseado no livro de João Antônio), O profeta da fome(77).  “O último dia de Lampião”, acho que foi o primeiro Globo Repórter a ir ao ar, no tempo em que o programa era feito por cineastas de verdade em câmeras 16 mm.

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Capô “fura o ticket” no CineOca

O Filme “Bebel, a Garota Propaganda“,  longa de estréia do cineasta paulista Maurice Capovilla, o “Capô”  é o destaque cinematográfico do mês que homenageia a Mulher no CineOca.
As exibições do CineOca acontecem às quintas-feiras às 8 da noite no SESC.
Realizado entre 1966/1967  foi baseado no excelente livro de Ignácio de Loyola Brandão, “Bebel, que a cidade comeu” , feito com poucos recursos e com a colaboração do cineasta Roberto Santos.

A partir da trajetória de uma moça ansiosa por sucesso, o filme questiona os valores veiculados pela indústria cultural e a banalização da mulher.

Capô frequenta às vezes nossas bandas portovelhenses . já foi homenageado no Cineamazônia, já deu show de dança(daí a expressão “furar o ticket”, usada por dançarinos profissionais) no antigo bar Wood River que as pessoas insistiam em chamar de Open por conta de um neon na porta.

Ultimamente ele anda pelo Acre, onde coordena a implantação da Usina de Artes João Donato e acabamos vez por outra nos cruzando no Café do Teatro, obviamente bebendo café sob o inclemente sol acreano.

Seu filme mais recente é “Harmada”, de 2004 , inspirado na obra do gaudério João Gilberto Noll.

O protagonista é Paulo César Peréio e só isto já merece uma história à parte. Legal prá caramba são Bububu no Bobobó ( década de 80), O Jogo da vida(1977, creio que baseado no livro de João Antônio), O profeta da fome(77).  “O último dia de Lampião”, acho que foi o primeiro Globo Repórter a ir ao ar, no tempo em que o programa era feito por cineastas de verdade em câmeras 16 mm.

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Filmes para entender Rondônia – 1 Na trilha dos Uru Eu Wau Wau

Foto : Adrian Cowel

Um filme de Adrian Cowel, um chinês de Tongshan que estudou na Austrália e na Inglaterra, e que acabou se formando em História pela Universidade de Cambridge. Este filme, em que Adrian divide a direção com Vicente Rios,  faz parte da série A Década da Destruição e mostra o primeiro contato com os índios Uru Eu Wau Wau, pressionados pelo desenvolvimento em Rondônia, que atraía cada vez mais agricultores do Paraná e do Rio Grande do Sul para a Amazônia. Impulsionados a penetrarem na floresta, os colonos se aproximavam cada vez mais da tribo. Nesta conjuntura, o rapto de uma criança branca pelos Uru Eu Wau Wau aumenta o rancor dos colonizadores contra os índios, vistos como uma barreira ao desenvolvimento. Paralelamente, a Funai organiza uma expedição para contactá-los e protegê-los do avanço dos brancos sobre o seu território. O filme foi feito em 1990 e tem 52 minutos de duração, que é uma janela internacionalmente aceita pelas emissoras de televisão para a exibição. (assim como filmes de 26 minutos). Imperdível, mas difícil de achar cópia para ver. Contatos : Instituto Goiano de Pré-História e Antropologia/UCG, fone (62) 3946 1150 e-mail: igpa@ucg.br  e Departamento de Arquivo e Documentação – Casa de Oswaldo Cruz/Fiocruz, fone (21) 2590 3690 e-mail: dadcoc@coc.fiocruz.br .

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Do mural de Alberto Lins Caldas

da ignorada estatua
dum grande imperador
inda desconhecido
foi achada aos pedaços
a cabeça do cavalo
mas o corpo real
e tudo a seu respeito
isso com certeza
se misturou
com a terra ao redor
tornando acre
aquela massa negra
q destruiu o conjunto
e arruinou o campo

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Koágulos de Psikodelia

Foto: Z. Santos

Não podíamos vislumbrar os desejos do tempo
mas podíamos acessar os desenhos do espaço
onde esse tempo estava contido.
Tínhamos atalhos, malícias alquímicas, pastilhas de lisergia…
e mergulhávamos nos desígnios do caos
por amor á todas as dimensões…
Lá, os deuses de marfim dançavam
riam de nossa inércia subatômica,
E nós, que superamos os deuses, riamos de nós mesmos
Pois não podiamos evitar nossa auto-desprogramação nuclear
nem conter nosso multiuniverso posto á prova.
Por nossa própria vontade abdicamos do ego
e só nos restou a habilidade de contemplar as moléculas
de cada uma daquelas galáxias errantes…
Tínhamos cinko horas de tranze,
para rir da passagem das eras
e se masturbar com a própria nudez…
Modulavamos nossas ondas de pensamentos
para observar, tão somente observar,
as legiões de divindades que destruíam e criavam universos…

E quando despertamos
Numa morning glory
Os deuses eram só koagulos de luz…
assim como nós.

Coletivo Editorial do CCP

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XII FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental recebe inscrições até o dia 26 de março

Última atualização (1º/07/2010) Veja aqui a revista do XII FICA – http://tinyurl.com/2u68sn7

Começa o XII FICA !
A histórica Cidade de Goiás oferece aos seus moradores e visitantes os diversos prazeres de um lugar afastado dos grandes centros urbanos. Ruas de pedras e o casario de arquitetura colonial, a rica gastronomia goiana, o ar puro e a beleza do Cerrado são apenas algumas delas. Porém, sem perder suas características interioranas, a cidade se modifica em junho com o agito do Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, o FICA, que será aberto nesta próxima terça-feira, 8 de junho e vai até o domingo, dia 13.

Um dos mais importantes festivais temáticos do mundo, o FICA é uma oportunidade rara para o público unir paixões como natureza, cinema e tantas outras. Além de desfrutar das sessões de Cinema da mostra competitiva, cursos, palestras e debates sobre a sétima arte e temáticas ambientais, o participante do Festival tem a oportunidade de se deliciar com o empadão goiano, prato típico da cidade, ou visitar a casa onde viveu a doceira Cora Coralina, maior poetisa do estado.

Inseridos na magia do Cerrado e imersos na atmosfera da antiga capital goiana, estarão não apenas público e moradores, mas diversos ambientalistas, jornalistas, cineastas, músicos, entre outros. Algumas personalidades que irão marcar presença são o francês Jacques Aumont, considerado um dos mais importantes teóricos mundiais do cinema, os pesquisadores ambientais Luís Fernandez e Suzana Kahn, além dos músicos Lulu Santos, Alcione, Yamandu Costa e Paula Lima.

Nas telas, poderão ser conferidos 28 trabalhos pela mostra competitiva, dos quais 12 são produções estrangeiras. Uma seleção enxuta entre as 552 obras (de 67 países) inscritas. Um destaque entre os selecionados é o documentário “The Cove”, vencedor do último Oscar na categoria Melhor Documentário. A obra aborda a matança de golfinhos no Japão e tem causado muita polêmica mundo afora.

Além dos filmes e vídeos em competição, rola uma mostra paralela que, entre outros, exibe “Avatar”, de James Cameron. O filme é um dos grandes fenômenos recentes do Cinema mundial e foi vencedor de três Oscar. Embora a maior parte da mídia tenha se atentado apenas para o sucesso de seus efeitos em 3D, o que o traz para o FICA é sua temática, pois a obra busca mostrar o choque cultural entre o homem terráqueo  e a população  nativa  da lua Pandora, que vê suas terras ameaçadas pela ganância humana.

Reconhecida pela Unesco como Patrimônio Histórico e Cultural Mundial por sua arquitetura e tradições seculares, a Cidade de Goiás tem sua existência como motivo mais do que suficiente para uma visita. Apelo que aumenta ainda mais enquanto ela é palco do FICA. O Festival intensifica seu saboroso caldeirão cultural repleto de boas novidades para quem não perde por nada uma boa viagem, seja ao passado, presente ou futuro.

O número recorde de inscrições internacionais ao XII FICA – Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental, confirma uma vez mais o prestígio mundial do evento.  Este ano o festival será realizado de 8 a 13 de junho, na cidade de Goiás, Brasil. As inscrições, encerradas na última sexta-feira, 26, totalizam 546 filmes, sendo 201 nacionais e 345 estrangeiros.  Entre produtores e co-produtores, 69 países participam da seleção do XII FICA, marcado para o período de 8 a 13 de junho.

São Paulo é o estado brasileiro com o maior número de inscrições (40 filmes), seguido por Goiás (38 obras), Rio de Janeiro (28) e Minas Gerais (21). Além desses, participam também produções do Acre, Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Maranhão, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

No júri de pré-seleção o escritor Luís Araújo, o psicanalista Roberto Mello, o cineasta Kin-Ir-Sem, representando a Associação Goiana de Criadores de Vídeo (AGCV), Luiz Araújo Mundim, representando a Associação Brasileira de Documentaristas de Goiás (ABD-GO) e a professora da PUC-Goiás, Maria Aparecida Borges.

www.fica.art.br

O FICA premiará 7 (sete) obras:

I. Grande prêmio CORA CORALINA para o maior destaque entre as obras apresentadas, constituído de um troféu e de R$ 50.000,00 (cinquenta mil reais);

II. Troféu CARMO BERNARDES e mais R$ 35.000,00 (trinta e cinco mil reais) para o melhor longa-metragem;

III. Troféu JESCO VON PUTKAMER e mais R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para o melhor média-metragem;

IV. Troféu ACARI PASSOS e mais R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para o melhor curta-metragem;

V. Troféu JOSÉ PETRILLO para a melhor produção goiana e R$ 40.000,00 (quarenta mil reais);

VI. Troféu JOÃO BÊNNIO para a melhor produção goiana e R$ 40.000,00 (quarenta mil reais);

VII. Prêmio BERNARDO ÉLIS e mais R$ 25.000,00 (vinte e cinco mil reais) para a melhor série ambiental para tevê.

Promovido pelo governo de Goiás, via Agência Goiana de Cultura (Agepel), o FICA é o maior festival do gênero na América Latina e um dos mais conceituados mundialmente. A cada edição, distribui R$ 240 mil em prêmios.  A última edição inscreveu 556 obras, produzidas por realizadores de 47 países, tendo sido selecionados 33 filmes de 13 países.

Durante o festival são realizados palestras e debates que, em 2009, assumiram a dimensão de um Fórum Ambiental de caráter internacional, com a participação de especialistas como o pesquisador  do National Reserarch Council (NRC), Eric Davidson, e o idealizador do REED (Reduções de Emissões por Evitamento de Desmatamento e Degradação), Andrea Cattaneo.

LISTA DOS FILMES E VÍDEOS SELECIONADOS  PARA A MOSTRA COMPETITIVA DO XII FICA (2010)

CATEGORIA LONGA-METRAGEM = 7 FILMES (579 minutos)

1.      A ENSEADA (The Cove, EUA, 2009). Direção: Louie Psihoyos. 90 min. Documentário.

2.      BANANAS! (Bananas!, Suécia, 2009). Direção: Fradrik Gertten. 76 min. Documentário.

3.        EFEITO RECICLAGEM (Brasil-SP, 2009). Direção: Sean Walsh. 93 min. Documentário.

4.      QUEBRADEIRAS (Brasil-SP, 2009). Direção: Evaldo Mocarzel. 71 min. Documentário.

5.      REIDY, A CONSTRUÇÃO DA UTOPIA (Brasil- RJ, 2009). Direção: Ana Maria Magalhães. 77 min. Documentário.

6.      TAMBORO (Brasil-RJ, 2009). Direção: Sergio Bernardes. 100 min. Documentário.

7.      UM LUGAR AO SOL (Brasil-PE, 2009). Direção: Gabriel Mascaro. 72 min. Documentário.

CATEGORIA – MÉDIA-METRAGEM = 6 FILMES (302 minutos)

1.      CAÇANDO CAPIVARA (Brasil, MG, 2009). Direção: Derli, Marilton, Fernando, João Duro, Janaína, Joanina, Juninha, Zé Ca. 57 min. Documentário.

2.      ENTRE MONTANHAS E MURIQUIS (Brasil-MG, 2009). Direção: Pedro Vilela, Paulo Vilela e Leandro Santana Moreira. 54 min. Documentário.

3.      HEAVY METAL (Hu Xiao de Jin Shu, China, 2009). Direção: Huaqing Jin. 50 min. Documentário.

4.      NIMBUS (Day-Shui-Yun, Taiwan, Republic of China, 2009). Direção: Hsinyao Huang. 36 min. Documentário.

5.      O ÚLTIMO KUARUP BRANCO (Brasil-SC, 2008). Direção: Bhig Villas Bôas. 52 min. Documentário.

6.       UM NEGÓCIO FLORESCENTE (A Blooming Business, Holanda, 2009). Direção: Ton van Zantvoort. 52 min 30 s. Documentário.

CATEGORIA – CURTA-METRAGEM = 13 FILMES (220 minutos)

1.      AQUELA QUE MEDE (She Who Measures, Croácia, 2008). Direção: Veljko Popovic. 6 min 40 s. Animação.

2.       AVE MARIA OU MÃE DOS SERTANEJOS (Brasil-PE, 2009). Direção: Camilo Cavalcante. 12 min. Documentário.

7.      COWBOY – OFICIAL DO MEIO AMBIENTE. (Brasil-GO, 2009). Direção: Bruno Fiorese Fernandes. 18 min 7 s. Documentário.

8.      ESPERANÇA EM UMA MUDANÇA CLIMÁTICA (Hope In A Changing Climate, Reino Unido, 2009). Direção: Jeremy Bristow. 28 min 50 s. Documentário.

9.      JANGADEIROS (Reino Unido/Co-Brasil, 2009). Direção: Adrian Cowell. 24 min. Documentário.

10.   LA GRIPPE DE LAISSEZ-FAIRE (França, 2009). Direção: Arthur Rifflet. 26 min. Documentário.

11.   OLHAR DE JOÃO (Brasil-GO, 2010).  Direção: Mariley Carneiro. 20 min 58 s. Documentário.

12.   ORANUS (Estônia, 2009). Direção: Girlin Bassovkaja. 17 min. Animação.

13.   OS ANJOS DOS DEJETOS (Les Anges Dechets, Canadá, 2008). Direção: Pierre M. Trudeau. 5 min. Animação.

14.   RECIFE FRIO (Brasil-PE, 2009). Direção: Kleber Mendonça Filho. 24 min. Ficção.

15.   SEMEADOR URBANO (Brasil-MG, 2009). Direção: Cardes Amâncio. 7 min 40 s. Ficção.

16.   SONHO DE HUMANIDADE (Brasil-GO, 2010). Direção: Amarildo Pessoa. 14 min. Documentário.

17.   VIDA SECA – SOM DE SUCATA (Brasil-GO, 2009). Direção: Diego Mendonça. 12 min 36 s. Documentário.

CATEGORIA — SÉRIE TELEVISIVA = 2 SÉRIES COM 2 EPISÓDIOS CADA (57 minutos)

1.      VOZES DO CLIMA (Brasil-RJ, 2009). Direção: Estevão Ciavatta e Jean Carlo Bellotti. Série televisiva.

Capítulos:

·   CIDADES. (Capítulo 1) 23 minutos.

  • ENERGIA E DESENVOLVIMENTO SOCIOECONÔMICO. (Capítulo 4) 23 minutos.

2.      TRAZENDO VIDA AO ESPAÇO (Bringing Life to Space, Dinamarca, 2010). Direção: Jakob Gottschau e Ojvind Hesselager. Série televisiva.

Capítulos:

·   UM ANO TRANCADOS EM UM CONTAINER (One year locked in a Container). (Capítulo 1) 28 min 30 s.

  • DOIS ANOS LACRADOS EM UMA REDOMA DE VIDRO (Two years Sealed under Glass).(Capítulo 2) 28 min 30 s.

Shows regionais e música no Festival

A Agência Goiana de Cultura (Agepel) divulgou a relação de artistas e grupos selecionados para os shows durante o XII Festival Internacional de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), que acontece de 8 a 13 de junho, na Cidade de Goiás. A comissão de seleção foi composta por Flávia Cruvinel, professora e coordenadora de Cultura da Universidade Federal de Goiás (UFG), Nonato Mendes, músico e arranjador e Tânia Bastos, diretora de Ação Cultural da Agepel. Entre os critérios de seleção estão a não participação do artista na edição do Fica em 2009.
Confira a lista dos músicos e grupos:

1. Danilo Verano Trio
2. Show Na Melodia dos Versos de Cora Coralina – Daniel de Melo e Elenízia da Mata (Cidade de Goiás)
3. Som de Gafieira
4. Luiz Augusto e Amauri Garcia
5. Cega Machado
6. Umbando
7. Monster Bus
8. Banda Mugo
9. Black Drawning Chalks
10. João Caetano
11. Nila Branco
12. Marco Antonini
13. Em Nome do Samba
14. Espetáculo Infantil – “O Contador de Historias do Cerrado” Grupo de Arte de Fogo
15. Cortejo Coró de Pau
16. Mr Gyn
17. Banda Pequi

Também haverá shows com a cantora Paula Lima,Lulu Santos, Alcione e o violonista Yamandu Costa .

Daniel de La Calle, diretor de fotografia do filme A Sea Change (Uma Mudança no Mar), premiado no FICA de 2009, volta ao festival este ano para uma programação especialmente voltada para as crianças. Ao saber que seu documentário será exibido na Mostra Infantil, o FICA Animado, Daniel se ofereceu para realizar uma palestra, seguida de atividades pedagógicas. Segundo ele, desde a concepção do filme, já tinha um interesse especial em atingir o público infantil. A Sea Change será exibido às 10 horas, do dia 11 (sexta-feira) no Cinemão.

Uma Mudança no Mar é o primeiro documentário sobre a acidificação oceânica, o outro lado do aquecimento global. O filme alerta: com as mudanças climáticas em poucos anos os peixes terão desaparecido dos oceanos. A história é contada por um professor aposentado. Preocupado em explicar ao neto a catástrofe, ele viaja por belíssimas regiões onde viveram seus antepassados (Noruega, Alasca e a Costa Oeste dos EUA), conversando com pesquisadores que estudam o problema da acidificação dos oceanos.

Após a exibição do filme, o diretor vai contar aos pequenos expectadores sua experiência de viajar pelo mundo com um co-protagonista infantil. Durante a palestra, fará experimentos simples mostrando às crianças como acontece a acidificação da água do mar e pedirá que façam um desenho ilustrando toda a história. Por isso, a criançada que for ao Cinemão para assistir o documentário deve levar papel e lápis de cor. Os autores dos melhores desenhos ganharão prêmios como bonés e camisetas de divulgação do documentário, e poderão ver suas criações exibidas no site do filme. A iniciativa em Goiás será gravada em vídeo pelo diretor e também exibida na Web.

Produção chinesa vence o XII FICA

Confira trailers dos filmes 

A produção chinesa Heavy Metal (Hu Xiao de Jin Shu), de Huaqing Jin, é a grande vencedora do XII Festival de Cinema e Vídeo Ambiental (FICA), recebendo o prêmio de maior destaque do festival. A noite de premiação foi realizada no sábado, 12, no Cinemão, instalado no Colégio Alcides Jubé, na Cidade de Goiás. Outras cinco produções nacionais, dentre elas quatro goianas, e mais quatro estrangeiras também foram premiadas no FICA, que teve ainda a entrega de prêmios e troféus aos vencedores da 8ª Mostra ABD Cine Goiás.

A polêmica questão dos resíduos eletrônicos compõe a saga de Heavy Metal (Hu Xiao de Jin Shu). O filme conta a história de cerca de 50 mil trabalhadores migrantes das partes atingidas pela pobreza do centro-oeste da China, que decompõem e reciclam, com métodos primitivos, cerca de dois milhões de toneladas de lixo eletrônico por ano. A obra mostra, entre gemidos e suspiros, vítimas de graves doenças, travando uma luta diária pela sobrevivência.

Na categoria troféu imprensa foi agraciado o documentário holandês Um Negócio Florescente (A Blooming Business), de Ton van Zantvoort traz um alerta sobre as pessoas no Quênia que são prisioneiras da indústria mundial das flores.

Durante quatro dias de Mostra Competitiva e público significativo, o festival, que se encerra neste domingo, 13, escolheu 10 obras, dentre os 28 trabalhos concorrentes, numa enxuta seleção de 552 filmes (de 67 países) inscritos. A programação contou com temas envolvendo o meio ambiente e produções diversificadas, além de convidados de renome nacional e internacional.

Os filmes vencedores serão exibidos no domingo, 13, a partir das 9 horas, no Cinemão.

CONFIRA LISTA OFICIAL DOS PREMIADOS DO XII FICA

Troféu Cora Coralina – R$ 50 mil – O grande prêmio do XII FICA, conferido ao maior destaque do Festival: Heavy Metal (Hu Xiao de Jin Shu), de Huaqing Jin (China / 2009).

Troféu Carmo Bernardes – R$ 35 mil – Destinado ao melhor longa-metragem: Efeito Reciclagem, do diretor Sean Walsh (Brasil – SP/2009).

Troféu Jesco Von Putkamer – R$ 25 mil – Para o melhor média-metragem: Caçando Capivara, dos diretores Derli, Marilton, Fernando, João Duro, Janaína, Joanina, Juninha e Zé Ca (Brasil-MG/2009).

Troféu Acari Passos – R$ 25 mil – Para o melhor curta-metragem: Recife Frio, do diretor Kleber Mendonça Filho (Brasil-PE/2009).

Troféu Bernardo Élis – R$ 25 mil – Oferecido à melhor série televisiva: Bringing Life to Space (Trazendo Vida ao Espaço), dos diretores Jakob Gottschau e Ojvind Hesselager (Dinamarca/2010).

Troféu José Petrillo – R$ 40 mil – Primeira melhor produção goiana: Sonho de Humanidade, direção de Amarildo Pessoa (Brasil-GO/2010).

Troféu João Bennio – R$ 40 mil – Segunda melhor produção goiana: Vida Seca, direção de Diego Mendonça (Brasil-GO/2009).

Troféu Luiz Gonzaga Soares (Sem premiação em dinheiro) – Conferido pelo júri popular, contemplando o melhor filme na visão do público: Bananas!*, do diretor Fredrik Gertten (Suécia/2009).

Troféu Imprensa (Sem premiação em dinheiro) – Melhor filme, eleito pelos profissionais da imprensa que participam da cobertura do XII FICA – A Blooming Business (Um Negócio Florescente), de Ton van Zantvoort (Holanda, 2009).

Menção Honrosa (Sem premiação em dinheiro) – Melhor curta-metragem: escolhido pelo júri por sua forma gráfica e inusitada aproximação ao problema do lixo: Les Anges Dechets (Os Anjos dos Dejetos), do diretor Pierre Trudeau (Canadá/2008).

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Ao norte – 8

Anoitecer no Parque Ferroviário da Madeira-Mamoré, em Porto Velho

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Vídeos começam a chegar para o Curtamazônia 2010. É lançado prêmio para roteiros

Um matuto abandona seu trabalho por uma pipa, se envolve em enrascada, entra em área militar e se dá mal . "O Curiosos Matutuo" tem direção,roteiro e produção de Jair Rangel de Souza(Pistolino) e direção de arte,montagem,trilha musical de Cristian. Filme estará concorrendo no Curtamazônia 2010.

A Organização do Curtamazônia/2010 divulga alguns dos filmes e vídeos que farão parte da Mostra Competitiva e concorrendo ao Troféu Três Caixas D’Água, símbolo de nossa capital que agora fará parte das premiações do cinema brasileiro. E continuam abertas as inscrições de filmes e vídeos de curta-metragem no site http://www.curtamazonia.com até o dia 24 de abril 2010, nas seguintes categorias: documentário, ficção, experimental, ambiental, animação e institucional.

Foi também lançado o prêmio “Conte sua história e deixe ela virar um roteiro cinematográfico”. No sentido de estimular novos talentos na área de roteiro para cinema, a organização do Festival de Cinema Curtamazônia/2010 conclama os estudantes , os profissionais liberais, a comunidade de Porto Velho em geral para essa nova campanha de estimular e incentivar a criação de histórias que irão virar roteiro cinematográfico.Sua história será sorteada durante o evento e o vencedor terá à sua disposição uma equipe de cineastas de Rondônia e Belém para auxiliar na execução de sua história e equipamentos para realização de seu novo filme de curta-metragem. As locações das produções se limitam na capital de Porto Velho. Consta no kit de produção cinematográfica: finalização do roteiro, externas com cinegrafista, equipe de produção, finalização digital, GC e 100 cópias em mídia DVD do material finalizado. Mande sua história para a Associação Curta Amazônia, Rua Raimundo Cantuária, 712-B, Bairro Baixa União, CEP: 76.805-862, Porto Velho-RO  Informações: (69) 3224-7077 – festival@curtamazonia.com

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Livros imprescindíveis para entender Rondônia – 6

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Profeta móvel 2

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Livros que ajudam a entender Rondônia – 1

CUIABÁ - DE VILA A METRÓPOLE NASCENTE-

Este álbum fotográfico reúne algumas centenas de imagens de Cuiabá, organizadas segundo um critério espaço-temporal, com a proposta de permitir um passeio pela cidade, desde as suas origens até os ultimos anos da década de 1960.
Esse momento foi crucial no processo de transformaçao urbana da cidade, que passou a receber grande fluxo migratório, em decorrência dos projetos oficiais e particulares de colonização para a expansão e ocupação da fronteira agrícola na Amazônia brasileira.

É uma importante fonte de informações para pesquisadores. acadêmicos e profissionais que pensam ou planejam a cidade, para os que constróem e interferem no seu traçado urbano.

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O estupro da criança é renovado pela própria Polícia

Por Nelson Townes, do noticiaRo.com

Quando as autoridades policiais anunciam que estão ouvindo ou pretendem fazer uma criança depor sobre a violência sexual que sofreu podem estar, verdadeiramente, submetendo a vítima a uma segunda experiência tão traumática quanto o estupro.

Não é um interrogatório comum, não é um adulto narrando como foi assaltado – ou mesmo violentado sexualmente. Trata-se de uma menina ou um menino psicologicamente abalado sendo forçado a reviver cenas que talvez marquem para sempre sua vida.

Por isso, é obrigatório que as tomadas de depoimentos, oitivas, testemunhos ou seja lá o nome que o delegado queira dar seja acompanhado por oficiais do juizado da Infância e da Adolescência e, principalmente, por psicólogos.

Melhor seria que os psicólogos fizessem tais horríveis interrogatórios que, embora necessários para a identificação dos criminosos, fazem a criança violentada novamente sofrer ao ser forçada a lembrar o terror, a dor e a vergonha.

Em Porto Velho, raramente uma vítima de estupro – criança, adolescente ou adulto – tem assistência psicológica antes, durante e após o interrogatório.

Uma criança vítima de exploração ou atentado sexuais, são indivíduos com a infância ultrajada, ou, se preferirem usar um clichê antigo, mas real, com a inocência perdida.

O que seria a inocência perdida? Uma criança descobrir que não é uma pessoa que deve ser respeitada, é apenas um objeto num mundo poderoso, uma coisa fraca que pode ser usada para sentir dor, obrigada a fazer coisas reougnantes e assustadoras. É uma criança que aprende a também não respeitar os outros seres humanos.

Daí a delicadeza, a sensibilidade, a paciência com que os depoimentos de menores vítimas de pedófilos ou de prostituição infantil, devem ser conduzidos.

Infelizmente, são raríssimos, praticamente inexistentes os policiais capazes de realizar tais interrogatórios em Rondônia. Teriam que ser profissionais altamente qualificados, especializados nessa área que é uma das mais críticas da Segurança do Estado de Rondônia.

Felizmente, uns poucos, pouquíssimos delegados estaduais e federais são sensíveis a isso. Por isso um deles removeu imediatamente de sua delegacia o policial que ao tomar o depoimento de uma menina estuprada perguntou:

“E quando ele tocou em você, você gostou?
A menina olhou o policial como havia olhado para o estuprador. Com horror.

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Boa sorte,mestres! Que nenhuma infâmia os atinja

Ensinar, aprender: leitura do mundo, leitura da palavra

Carta de Paulo Freire , aos professores

Nenhum tema mais adequado para constituir-se em objeto desta primeira carta a quem ousa ensinar do que a significação crítica desse ato, assim como a significação igualmente crítica de aprender. É que não existe ensinar sem aprender e com isto eu quero dizer mais do que diria se dissesse que o ato de ensinar exige a existência de quem ensina e de quem aprende. Quero dizer que ensinar e aprender se vão dando de tal maneira que quem ensina aprende, de um lado, porque reconhece um conhecimento antes aprendido e, de outro, porque, observado a maneira como a curiosidade do aluno aprendiz trabalha para apreender o ensinando-se, sem o que não o aprende, o ensinante se ajuda a descobrir incertezas, acertos, equívocos.

O aprendizado do ensinante ao ensinar não se dá necessariamente através da retificação que o aprendiz lhe faça de erros cometidos. O aprendizado do ensinante ao ensinar se verifica à medida em que o ensinante, humilde, aberto, se ache permanentemente disponível a repensar o pensado, rever-se em suas posições; em que procura envolver-se com a curiosidade dos alunos e dos diferentes caminhos e veredas, que ela os faz percorrer. Alguns desses caminhos e algumas dessas veredas, que a curiosidade às vezes quase virgem dos alunos percorre, estão grávidas de sugestões, de perguntas que não foram percebidas antes pelo ensinante. Mas agora, ao ensinar, não como um burocrata da mente, mas reconstruindo os caminhos de sua curiosidade razão por que seu corpo consciente, sensível, emocionado, se abre às adivinhações dos alunos, à sua ingenuidade e à sua criatividade o ensinante que assim atua tem, no seu ensinar, um momento rico de seu aprender. O ensinante aprende primeiro a ensinar mas aprende a ensinar ao ensinar algo que é reaprendido por estar sendo ensinado.

O fato, porém, de que ensinar ensina o ensinante a ensinar um certo conteúdo não deve significar, de modo algum, que o ensinante se aventure a ensinar sem competência para fazê-lo. Não o autoriza a ensinar o que não sabe. A responsabilidade ética, política e profissional do ensinante lhe coloca o dever de se preparar, de se capacitar, de se formar antes mesmo de iniciar sua atividade docente. Esta atividade exige que sua preparação, sua capacitação, sua formação se tornem processos permanentes. Sua experiência docente, se bem percebida e bem vivida, vai deixando claro que ela requer uma formação permanente do ensinante. Formação que se funda na análise crítica de sua prática.

Partamos da experiência de aprender, de conhecer, por parte de quem se prepara para a tarefa docente, que envolve necessariamente estudar. Obviamente, minha intenção não é escrever prescrições que devam ser rigorosamente seguidas, o que significaria uma chocante contradição com tudo o que falei até agora. Pelo contrário, o que me interessa aqui, de acordo com o espírito mesmo deste livro, é desafiar seus leitores e leitoras em torno de certos pontos ou aspectos, insistindo em que há sempre algo diferente a fazer na nossa cotidianidade educativa, quer dela participemos como aprendizes, e portanto ensinantes, ou como ensinantes e, por isso, aprendizes também.

Não gostaria, assim, sequer, de dar a impressão de estar deixando absolutamente clara a questão do estudar, do ler, do observar, do reconhecer as relações entre os objetos para conhecê-los. Estarei tentando clarear alguns dos pontos que merecem nossa atenção na compreensão crítica desses processos.

Comecemos por estudar, que envolvendo o ensinar do ensinante, envolve também de um lado, a aprendizagem anterior e concomitante de quem ensina e a aprendizagem do aprendiz que se prepara para ensinar amanhã ou refaz seu saber para melhor ensinar hoje ou, de outro lado, aprendizagem de quem, criança ainda, se acha nos começos de sua escolarização.

Enquanto preparação do sujeito para aprender, estudar é, em primeiro lugar, um que-fazer crítico, criador, recriador, não importa que eu nele me engaje através da leitura de um texto que trata ou discute um certo conteúdo que me foi proposto pela escola ou se o realizo partindo de uma reflexão crítica sobre um certo acontecimentos social ou natural e que, como necessidade da própria reflexão, me conduz à leitura de textos que minha curiosidade e minha experiência intelectual me sugerem ou que me são sugeridos por outros.

Assim, em nível de uma posição crítica, a que não dicotomiza o saber do senso comum do outro saber, mais sistemático, de maior exatidão, mas busca uma síntese dos contrários, o ato de estudar implica sempre o de ler, mesmo que neste não se esgote. De ler o mundo, de ler a palavra e assim ler a leitura do mundo anteriormente feita. Mas ler não é puro entretenimento nem tampouco um exercício de memorização mecânica de certos trechos do texto.

Se, na verdade, estou estudando e estou lendo seriamente, não posso ultra-passar uma página se não consegui com relativa clareza, ganhar sua significação. Minha saída não está em memorizar porções de períodos lendo mecanicamente duas, três, quatro vezes pedaços do texto fechando os olhos e tentando repeti-las como se sua fixação puramente maquinal me desse o conhecimento de que preciso.

Ler é uma operação inteligente, difícil, exigente, mas gratificante. Ninguém lê ou estuda autenticamente se não assume, diante do texto ou do objeto da curiosidade a forma crítica de ser ou de estar sendo sujeito da curiosidade, sujeito da leitura, sujeito do processo de conhecer em que se acha. Ler é procurar buscar criar a compreensão do lido; daí, entre outros pontos fundamentais, a importância do ensino correto da leitura e da escrita. É que ensinar a ler é engajar-se numa experiência criativa em torno da compreensão. Da compreensão e da comunicação.

E a experiência da compreensão será tão mais profunda quanto sejamos nela capazes de associar, jamais dicotomizar, os conceitos emergentes da experiência escolar aos que resultam do mundo da cotidianidade. Um exercício crítico sempre exigido pela leitura e necessariamente pela escuta é o de como nos darmos facilmente à passagem da experiência sensorial que caracteriza a cotidianidade à generalização que se opera na linguagem escolar e desta ao concreto tangível. Uma das formas de realizarmos este exercício consiste na prática que me venho referindo como “leitura da leitura anterior do mundo”, entendendo-se aqui como “leitura do mundo” a “leitura” que precede a leitura da palavra e que perseguindo igualmente a compreensão do objeto se faz no domínio da cotidianidade. A leitura da palavra, fazendo-se também em busca da compreensão do texto e, portanto, dos objetos nele referidos, nos remete agora à leitura anterior do mundo. O que me parece fundamental deixar claro é que a leitura do mundo que é feita a partir da experiência sensorial não basta. Mas, por outro lado, não pode ser desprezada como inferior pela leitura feita a partir do mundo abstrato dos conceitos que vai da generalização ao tangível.

Certa vez, uma alfabetizanda nordestina discutia, em seu círculo de cultura, uma codificação que representava um homem que, trabalhando o barro, criava com as mãos, um jarro. Discutia-se, através da “leitura” de uma série de codificações que, no fundo, são representações da realidade concreta, o que é cultura. O conceito de cultura já havia sido apreendido pelo grupo através do esforço da compreensão que caracteriza a leitura do mundo e/ou da palavra. Na sua experiência anterior, cuja memória ela guardava no seu corpo, sua compreensão do processo em que o homem, trabalhando o barro, criava o jarro, compreensão gestada sensorialmente, lhe dizia que fazer o jarro era uma forma de trabalho com que, concretamente, se sustentava. Assim como o jarro era apenas o objeto, produto do trabalho que, vendido, viabilizava sua vida e a de sua família.

Agora, ultrapassando a experiência sensorial, indo mais além dela, dava um passo fundamental: alcançava a capacidade de generalizar que caracteriza a “experiência escolar”. Criar o jarro como o trabalho transformador sobre o barro não era apenas a forma de sobreviver, mas também de fazer cultura, de fazer arte. Foi por isso que, relendo sua leitura anterior do mundo e dos que-fazeres no mundo, aquela alfabetizanda nordestina disse segura e orgulhosa: “Faço cultura. Faço isto”.

Outra ocasião presenciei experiência semelhante do ponto de vista da inteligência do comportamento das pessoas. Já me referi a este fato em outro trabalho mas não faz mal que o retome agora. Me achava na Ilha de São Tomé, na África Ocidental, no Golfo da Guiné. Participava com educadores e educadoras nacionais, do primeiro curso de formação para alfabetizadores.
Havia sido escolhido pela equipe nacional um pequeno povoado, Porto Mont, região de pesca, para ser o centro das atividades de formação. Havia sugerido aos nacionais que a formação dos educadores e educadoras se fizesse não seguindo certos métodos tradicionais que separam prática de teoria. Nem tampouco através de nenhuma forma de trabalho essencialmente dicotomizante de teoria e prática e que ou menospreza a teoria, negando-lhe qualquer importância, enfatizando exclusivamente a prática, a única a valer, ou negando a prática fixando-se só na teoria. Pelo contrário, minha intenção era que, desde o começo do curso, vivêssemos a relação contraditória entre prática e teoria, que será objeto de análise de uma de minhas cartas.
Recusava, por isso mesmo, uma forma de trabalho em que fossem reservados os primeiros momentos do curso para exposições ditas teóricas sobre matéria fundamental de formação dos futuros educadores e educadoras. Momento para discursos de algumas pessoas, as consideradas mais capazes para falar aos outros.
Minha convicção era outra. Pensava numa forma de trabalho em que, numa única manhã, se falasse de alguns conceitos-chave codificação, decodificação, por exemplo como se estivéssemos num tempo de apresentações, sem, contudo, nem de longe imaginar que as apresentações de certos conceitos fossem já suficientes para o domínio da compreensão em torno deles. A discussão crítica sobre a prática em que se engajariam é o que o faria.

Assim, a idéia básica, aceita e posta em prática, é que os jovens que se preparariam para a tarefa de educadoras e educadores populares deveriam coordenar a discussão em torno de codificações num círculo de cultura com 25 participantes. Os participantes do círculo de cultura estavam cientes de que se tratava de um trabalho de afirmação de educadores. Discutiu-se com eles antes sua tarefa política de nos ajudar no esforço de formação, sabendo que iam trabalhar com jovens em pleno processo de sua formação. Sabiam que eles, assim como os jovens a serem formados, jamais tinham feito o que iam fazer. A única diferença que os marcava é que os participantes liam apenas o mundo enquanto os jovens a serem formados para a tarefa de educadores liam já a palavra também. Jamais, contudo, haviam discutido uma codificação assim como jamais haviam tido a mais mínima experiência alfabetizando alguém.

Em cada tarde do curso com duas horas de trabalho com os 25 participantes, quatro candidatos assumiam a direção dos debates. Os responsáveis pelo curso assistiam em silêncio, sem interferir, fazendo suas notas. No dia seguinte, no seminário de avaliação de formação, de quatro horas, se discutiam os equívocos, os erros e os acertos dos candidatos, na presença do grupo inteiro, desocultando-se com eles a teoria que se achava na sua prática
Dificilmente se repetiam os erros e os equívocos que haviam sido cometidos e analisados. A teoria emergia molhada da prática vivida.
Foi exatamente numa das tardes de formação que, durante a discussão de uma codificação que retratava Porto Mont, com suas casinhas alinhadas à margem da praia, em frente ao mar, com um pescador que deixava seu barco com um peixe na mão, que dois dos participantes, como se houvessem combinado, se levantaram, andaram até a janela da escola em que estávamos e olhando Porto Mont lá longe, disseram, de frente novamente para a codificação que representava o povoado: “É. Porto Mont é assim e não sabíamos”.

Até então, sua “leitura” do lugarejo, de seu mundo particular, uma “leitura” feita demasiadamente próxima do “texto”, que era o contexto do povoado, não lhes havia permitido ver Porto Mont como ele era. Havia uma certa “opacidade” que cobria e encobria Porto Mont. A experiência que estavam fazendo de “tomar distância” do objeto, no caso, da codificação de Porto Mont, lhes possibilitava uma nova leitura mais fiel ao “texto”, quer dizer, ao contexto de Porto Mont. A “tomada de distância” que a “leitura” da codificação lhes possibilitou os aproximou mais de Porto Mont como “texto” sendo lido. Esta nova leitura refez a leitura anterior, daí que hajam dito: “É. Porto Mont é assim e não sabíamos”. Imersos na realidade de seu pequeno mundo, não eram capazes de vê-la. “Tomando distância” dela, emergiram e, assim, a viram como até então jamais a tinham visto.

Estudar é desocultar, é ganhar a compreensão mais exata do objeto, é perceber suas relações com outros objetos. Implica que o estudioso, sujeito do estudo, se arrisque, se aventure, sem o que não cria nem recria.
Por isso também é que ensinar não pode ser um puro processo, como tanto tenho dito, de transferência de conhecimento do ensinante ao aprendiz. Transferência mecânica de que resulte a memorização maquinal que já critiquei. Ao estudo crítico corresponde um ensino igualmente crítico que demanda necessariamente uma forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo, leitura do contexto.
A forma crítica de compreender e de realizar a leitura da palavra e a leitura do mundo está, de um lado, na não negação da linguagem simples, “desarmada”, ingênua, na sua não desvalorização por constituir-se de conceitos criados na cotidianidade, no mundo da experiência sensorial; de outro, na recusa ao que se chama de “linguagem difícil”, impossível, porque desenvolvendo-se em torno de conceitos abstratos. Pelo contrário, a forma crítica de compreender e de realizar a leitura do texto e a do contexto não exclui nenhuma da duas formas de linguagem ou de sintaxe. Reconhece, todavia, que o escritor que usa a linguagem científica, acadêmica, ao dever procurar tornar-se acessível, menos fechado, mais claro, menos difícil, mais simples, não pode ser simplista.
Ninguém que lê, que estuda, tem o direito de abandonar a leitura de um texto como difícil porque não entendeu o que significa, por exemplo, a palavra epistemologia.

Assim como um pedreiro não pode prescindir de um conjunto de instrumentos de trabalho, sem os quais não levanta as paredes da casa que está sendo construída, assim também o leitor estudioso precisa de instrumentos fundamentais, sem os quais não pode ler ou escrever com eficácia. Dicionários entre eles o etimológico, o de regimes de verbos, o de regimes de substantivos e adjetivos, o filosófico, o de sinônimos e de antônimos, enciclopédias. A leitura comparativa de texto, de outro autor que trate o mesmo tema cuja linguagem seja menos complexa.Usar esses instrumentos de trabalho não é, como às vezes se pensa, uma perda de tempo. O tempo que eu uso quando leio ou escrevo ou escrevo e leio, na consulta de dicionários e enciclopédias, na leitura de capítulos, ou trechos de livros que podem me ajudar na análise mais crítica de um tema — é tempo fundamental de meu trabalho, de meu ofício gostoso de ler ou de escrever.
Enquanto leitores, não temos o direito de esperar, muito menos de exigir, que os escritores façam sua tarefa, a de escrever, e quase a nossa, a de compreender o escrito, explicando a cada passo, no texto ou numa nota ao pé da página, o que quiseram dizer com isto ou aquilo. Seu dever, como escritores, é escrever simples, escrever leve, é facilitar e não dificultar a compreensão do leitor, mas não dar a ele as coisas feitas e prontas.
A compreensão do que se está lendo, estudando, não estala assim, de repente, como se fosse um milagre. A compreensão é trabalhada, é forjada, por quem lê, por quem estuda que, sendo sujeito dela, se deve instrumentar para melhor fazê-la. Por isso mesmo, ler, estudar, é um trabalho paciente, desafiador, persistente.
Não é tarefa para gente demasiado apressada ou pouco humilde que, em lugar de assumir suas deficiências, as transfere para o autor ou autora do livro, considerado como impossível de ser estudado.

É preciso deixar claro, também, que há uma relação necessária entre o nível do conteúdo do livro e o nível da atual formação do leitor. Estes níveis envolvem a experiência intelectual do autor e do leitor. A compreensão do que se lê tem que ver com essa relação. Quando a distância entre aqueles níveis é demasiado grande, quanto um não tem nada que ver com o outro, todo esforço em busca da compreensão é inútil. Não está havendo, neste caso, uma consonância entre o indispensável tratamento dos temas pelo autor do livro e a capacidade de apreensão por parte do leitor da linguagem necessária àquele tratamento. Por isso mesmo é que estudar é uma preparação para conhecer, é um exercício paciente e impaciente de quem, não pretendendo tudo de uma vez, luta para fazer a vez de conhecer.
A questão do uso necessário de instrumentos indispensáveis à nossa leitura e ao nosso trabalho de escrever levanta o problema do poder aquisitivo do estudante e das professoras e professores em face dos custos elevados para obter dicionários básicos da língua, dicionários filosóficos etc. Poder consultar todo esse material é um direito que têm alunos e professores a que corresponde o dever das escolas de fazer-lhes possível a consulta, equipando ou criando suas bibliotecas, com horários realistas de estudo. Reivindicar esse material é um direito e um dever de professores e estudantes.Gostaria de voltar a algo a que fiz referência anteriormente: a relação entre ler e escrever, entendidos como processos que não se podem separar. Como processos que se devem organizar de tal modo que ler e escrever sejam percebidos como necessários para algo, como sendo alguma coisa de que a criança, como salientou Vygotsky , necessita e nós também.

Em primeiro lugar, a oralidade precede a grafia mas a traz em si desde o primeiro momento em que os seres humanos se tornaram socialmente capazes de ir exprimindo-se através de símbolos que diziam algo de seus sonhos, de seus medos, de sua experiência social, de suas esperanças, de suas práticas.

Quando aprendemos a ler, o fazemos sobre a escrita de alguém que antes aprendeu a ler e a escrever. Ao aprender a ler, nos preparamos para imediatamente escrever a fala que socialmente construímos.
Nas culturas letradas, sem ler e sem escrever, não se pode estudar, buscar conhecer, apreender a substantividade do objeto, reconhecer criticamente a razão de ser do objeto.

Um dos equívocos que cometemos está em dicotomizar ler de escrever, desde o começo da experiência em que as crianças ensaiam seus primeiros passos na prática da leitura e da escrita, tomando esses processos como algo desligado do processo geral de conhecer. Essa dicotomia entre ler e escrever nos acompanha sempre, como estudantes e professores. “Tenho uma dificuldade enorme de fazer minha dissertação. Não sei escrever”, é a afirmação comum que se ouve nos cursos de pós-graduação de que tenho participado. No fundo, isso lamentavelmente revela o quanto nos achamos longe de uma compreensão crítica do que é estudar e do que é ensinar.
É preciso que nosso corpo, que socialmente vai se tornando atuante, consciente, falante, leitor e “escritor” se aproprie criticamente de sua forma de vir sendo que faz parte de sua natureza, histórica e socialmente constituindo-se. Quer dizer, é necessário que não apenas nos demos conta de como estamos sendo mas nos assumamos plenamente com estes “seres programados, mas para aprender”, de que nos fala François Jacob . É necessário, então, que aprendamos a aprender, vale dizer, que entre outras coisas, demos à linguagem oral e escrita, a seu uso, a importância que lhe vem sendo cientificamente reconhecida.

Aos que estudamos, aos que ensinamos e, por isso, estudamos também, se nos impõe, ao lado da necessária leitura de textos, a redação de notas, de fichas de leitura, a redação de pequenos textos sobre as leituras que fazemos. A leitura de bons escritores, de bons romancistas, de bons poetas, dos cientistas, dos filósofos que não temem trabalhar sua linguagem a procura da boniteza, da simplicidade e da clareza.
Se nossas escolas, desde a mais tenra idade de seus alunos se entregassem ao trabalho de estimular neles o gosto da leitura e o da escrita, gosto que continuasse a ser estimulado durante todo o tempo de sua escolaridade, haveria possivelmente um número bastante menor de pós-graduandos falando de sua insegurança ou de sua incapacidade de escrever.

Se estudar, para nós, não fosse quase sempre um fardo, se ler não fosse uma obrigação amarga a cumprir, se, pelo contrário, estudar e ler fossem fontes de alegria e de prazer, de que resulta também o indispensável conhecimento com que nos movemos melhor no mundo, teríamos índices melhor reveladores da qualidade de nossa educação.
Este é um esforço que deve começar na pré-escola, intensificar-se no período da alfabetização e continuar sem jamais parar.

A leitura de Piaget, de Vygotsky, de Emilia Ferreiro, de Madalena F. Weffort, entre outros, assim como a leitura de especialistas que tratam não propriamente da alfabetização mas do processo de leitura como Marisa Lajolo e Ezequiel T. da Silva é de indiscutível importância.
Pensando na relação de intimidade entre pensar, ler e escrever e na necessidade que temos de viver intensamente essa relação, sugeriria a quem pretenda rigorosamente experimentá-la que, pelo menos, três vezes por semana, se entregasse à tarefa de escrever algo. Uma nota sobre uma leitura, um comentário em torno de um acontecimento de que tomou conhecimento pela imprensa, pela televisão, não importa. Uma carta para destinatário inexistente. É interessante datar os pequenos textos e guardá-los e dois ou três meses depois submetê-los a uma avaliação crítica.

Ninguém escreve se não escrever, assim como ninguém nada se não nadar.
Ao deixar claro que o uso da linguagem escrita, portanto o da leitura, está em relação com o desenvolvimento das condições materiais da sociedade, estou sublimando que minha posição não é idealista.
Recusando qualquer interpretação mecanicista da História, recuso igualmente a idealista. A primeira reduz a consciência à pura cópia das estruturas materiais da sociedade; a segunda submete tudo ao todo poderosismo da consciência. Minha posição é outra. Entendo que estas relações entre consciência e mundo são dialéticas.
O que não é correto, porém, é esperar que as transformações materiais se processem para que depois comecemos a encarar corretamente o problema da leitura e da escrita.

A leitura crítica dos textos e do mundo tem que ver com a sua mudança em processo.

……………..

Esta carta foi retirada do livro ” Professora sim, tia não. Cartas a quem ousa ensinar” (Editora Olho D’Água, 10ª ed., p. 27-38) no qual Paulo Freire dialoga sobre questões da construção de uma escola democrática e popular. Escreve especialmente aos professores, convocando-os ao engajamento nesta mesma luta. Aos professores das escolas da periferia, em especial, desejo também que além da infâmia, nenhuma bala ou punhal os atinja, frutos da inversão dos valores sociais que nos atinge neste ido ano de 2010…

“Não é possível refazer este país, democratizá-lo, humanizá-lo,
torná-lo sério, com adolescentes brincando de matar gente,
ofendendo a vida, destruindo o sonho, inviabilizando o amor. Se
a educação sozinha não transformar a sociedade, sem ela
tampouco a sociedade muda.”

Matéria publicada originalmente em 8 de fevereiro de 2010. Conheça a Biblioteca Digital Paulo Freire , no link  http://www.paulofreire.ufpb.br/paulofreire/principal.jsp

Empunhando armas de grosso calibre, bombas e granadas, os policiais cercaram o prédio do Tribunal de Contas e tentaram impedir a manifestação dos trabalhadores em educação.

Empunhando armas de grosso calibre, bombas e granadas, policiais cercam o prédio do Tribunal de Contas do Estado, onde se reunia o Forum de Governadores do Norte, para tratar dentre outros assuntos da Ferrovia de Integração Centro-Oeste nesta sexta (12) . A tropa de choque da PM tentou impedir manifestação dos trabalhadores em educação.

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O inusitado acontece

Por Aparício Secundus Pereira Lima

Estive de férias recentemente e fui passear pela maravilhosa, paradisíaca e afrodisíaca ilha de Floripa. Sou um fanático por
fotografia (tenho mais de 20.000 fotos de qualidade entre razoável e boa – algumas excelentes, todas de autoria minha) e sempre ando com a máquina a tira – colo (como o Juruna andava com o gravador…). Depois de 7 dias de férias eu já havia filmado 30 minutos
com a minha JVC e batido 10 filmes de 36 poses. Florianópolis, Camboriú, Blumenau e circunvizinhanças estavam todas nos compartimentos da minha bolsa aguardando serem reveladas aos meus ávidos olhos quando do meu regresso a Brasília.
Na quinta – feira, resolvi dar uma caminhada com minha mulher pela Praia dos Ingleses, na ilha de Florianópolis. Minha intuição falou-me baixinho: “leve a máquina
de filmar”. Minha preguiça gritou aos brados: “Chega de filmagens e fotos, seu panaca”. Atendi ao segundo apelo e abandonei as máquinas fotográfica e de filmar no hotel.
No meio da caminhada deparamos com uma multidão de pessoas olhando em direção ao alto mar. Ao longe eu via uma cabeça de animal, peixe ou pessoa e dois homens
em um Jet-Sky jogando a corda para o ser que lutava desesperadamente pela vida no meio de ondas a uns 300 metros da praia.
Num dado momento eles conseguiram jogar a corda ou laçar o ser que se debatia a arrancaram com o Jet-Sky em direção a praia.
Todo mundo correu para perto para ver do que se tratava. Pensei, a princípio, em alguém que estava se afogando. À medida que se aproximava da praia eu ia mudando
minha certeza para um filhote de baleia, tartaruga gigante, até que o animal surgiu para os meus olhos escancarados de espanto. Pasme, meu caro leitor, pela luz dos olhos meus, era uma vaca! Uma vaca em toda a sua plenitude. Uma vaca com tetas e tudo que faz
daquele animal, uma simples vaca. Uma vaca marítima que lutou até a exaustão completa para não ser tragada pelo mar.
Depois de um alvoroço dos diabos conseguiram trazer a vaca até a praia. Sua barriga estava tremendamente dilatada em decorrência da água ingerida. Ela arfava
agonizante, olhos esbugalhados de pavor e encontrava-se totalmente estressada. Alguns mais afoitos, começaram a espremer-lhe a barriga tentando tirar a água, quando um gaiato gritou: “- Faz respiração boca – a – boca”…
15 minutos se passaram naquela agonia. De repente, a vaca levantou-se e saiu dando chifrada em todo mundo. Foi um corre – corre dos diabos. Um cara estava correndo
de costas, escorregou e levou um tremendo tombo arrancando risadas da multidão. Depois de certo tempo conseguiram segurar a vaca pela corda com que a haviam laçado no mar. Enquanto a vaca continuava bufando, ciscando as patas na areia quente da Praia dos Ingleses
eu me lamentava por não ter levado a câmera para documentar fato tão extraordinário.
Recordando os fatos:
* Vaca sendo laçada em alto mar por duas pessoas em um Jet-Sky;
* Vaca sobrevive e transforma a Praia dos Ingleses numa arena onde vivenciamos uma verdadeira tourada, similar, em grau bem inferior, às de Madrid.
Creio que o amigo leitor deve estar me achando um tremendo mentiroso, e que tudo não passa de conversa para boi dormir. Como faz falta uma máquina fotográfica ou uma
câmera para desmistificar dúvidas e lavrar em cartório o fato extraordinário ora relatado.
Se eu tivesse filmado, a cena estaria saindo no Fantástico ou nas “Pegadinhas do Faustão” e viraria celebridade nacional sobrepujando as tragédias, as calamidades
e toda espécie de sensacionalismo barato que enchem nosso estômago de fel.

Finalizando o relato, segundo explicações posteriores, a vaca estaria indo para o matadouro. No trajeto, pulou do caminhão e desembestou-se mar adentro na praia vizinha
à dos Ingleses.
O inusitado acontece. Acredite se quiser.

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Lá vem o trem…

São 1600 km que separam Uruaçu, em Goiás de Vilhena, em Rondônia.  É a Ferrovia de Integração Centro-Oeste, que terá entroncamento com a Ferrovia Norte-Sul, cruzando o Estado do Mato Grosso no sentido leste-oeste.  O trecho faz parte de um programa muito maior chamado Ferrovia Trasncontinental, que tem 4.400 quilômetros de extensão. Ela segue de Goiás, passa pelo Distrito Federal, por Minas Gerais e vai até o Rio de Janeiro. No outro sentido, segue em direção ao Acre ate a fronteira com o Peru. Em Rondônia será feita uma apresentação do projeto, que deverá contar com as presenças dos governadores de RO e AC  no dia 13 de março, pela manhã, na Associação Vilhenense de Educação e Cultura, que fica na Av. Liliana Gonzaga, nº 1265.

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Economia informal em alta

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Convite madeirista

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Os na"vi azuis dançaram. A cavalaria precisa massacrar os apaches

A verdade estava nua demais para Holywood. Guerra ao Terror venceu o Oscar de Avatar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados.

Eu acho que estava escancarado demais. Depois de uma crise como a bolha que estourou em 2008 , o fato desnudado de que o  capital integralmente domina o homem foi parar no cinema . Quando vi o filme (ainda não vi em 3 D) achei até estranho o denuncismo, neste  momento de verdadeira encruzilhada  que a Terra vive. Mas já que Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz e Madre Tereza de Calcutá tembém… Deixa prá lá.  Já dizia um teórico do cinema, e não me lembro quem,  um filme não pode ser uma mensagem. Mas Avatar é , e aí a porca começa a torcer o rabo, e o rabo, talqualmente aconteceu recentemente num site sensacionalista da capital, começa a roer o cachorro. Ora bolas, quem financia Holywood senão a indústria da guerra, numa deslavada (desculpem o trocadilho infame) lavagem de dinheiro legal ?

Fui dar uma fuçada na mídia tupiniquim, e , no Caderno 2 do Estadão, vi o comentário do Luiz Bolognesi, que conheci rápidamente numa van em algum Festival de Cinema  da vida. Bolognesi é casado com Laís Bodansky(os dois fizeram juntos “Bicho de Sete Cabeças”), filha do documentarista Jorge Bodansky que foi homenageado no Cineamazônia, aqui em Porto Velho. Como Bolognesi matou a cobra, mostrou o pau e o ficou segurando para a foto consagradora com o seu artigo “E ganhou a máquina de guerra”, acho que todos que viram o filme e também assistiram a entrega do Oscar merecem ler, mesmo que não tenham visto o outro , o “Guerra ao Terror”, que aliás pouca gente viu.    Bolognesi  já começa assim:  ” Filme vencedor  transforma os assassinos que dizimam culturas em heróis-santos.”  Caraio. Ou Caráleo. Tanto faz.

E ganhou a máquina de guerra. Filme vencedor transforma os assassinos que dizimam culturas em heróis-santos

Ao contrário do que parece à primeira vista, a polarização entre Avatar e Guerra ao Terror não traduz uma disputa entre cinema industrial e cinema independente, nem batalha entre homem e mulher. O que estava em jogo e continua é o confronto entre um filme contra a máquina de guerra e a economia que a alimenta e outro absolutamente a favor, com estratégias subliminares a serviço da velha apologia à cavalaria.

Avatar foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda de esquerda. E é. Por isso é interessante. No filme, repleto de clichês, os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são o “povo da floresta”. A certa altura, eles reúnem todos os ”clãs” para enfrentar o invasor americano. Clãs? Invasor americano? Que passa? É difícil entender como a indústria de Hollywood conseguiu produzir um filme tão na contramão dos interesses do país e transformá-lo no filme mais visto na história do cinema. Esse fato derruba qualquer teoria conspiratória, derruba décadas de pensamento de esquerda segundo a qual a indústria de Hollywood está sempre a serviço da ideologia do fast-food e da economia que avança com mísseis, aviões e tanques. Como explicar esse fenômeno tão contraditório?

Brechas, lacunas na história. Ou como diria Foucault, a história é feita de acasos e não de uma continuidade lógica cartesiana. A necessidade do grande lucro, da grande bilheteria mundial produziu uma antítese sem precedentes chamada James Cameron. O homem de Titanic tinha carta branca. Pelas regras da cultura do “ao vencedor, as batatas”, Cameron podia tudo porque era capaz de fazer explodir as bilheterias mundiais.

Mas calma lá, cara pálida, uma incoerência desse tamanho, você acredita que passaria despercebida? O general americano, vilão? As companhias americanas que extraem minério debaixo das florestas tratadas como o império das sombras? Alto lá. Devagar com o andor, mister Cameron.

Aí, alguém chegou correndo com um DVD na mão. Vocês viram esse filme da ex-mulher do Cameron? Não, ninguém viu? Então vejam. É sensacional. Ao contrário de Avatar, nesse DVD aqui o soldado americano é o herói. Aliás, mais que herói, ele é um santo que arrisca sua própria vida para salvar iraquianos inocentes. Jura? Temos esse filme aí? Sim, o pitbull americano é humanizado e glamourizado, mais que isso, ele é santificado.

Então há tempo.

Guerra ao Terror estreou no Festival de Veneza há dois anos. Por acaso eu estava lá como roteirista de Terra Vermelha, do diretor italiano Marco Bechis, e fui testemunha ocular da história. O filme da diretora Kathryn Bigelow foi absolutamente desprezado pelos jornalistas e pelo público. E seguiu assim. Indo direto ao DVD, em muitos países, sem passar pelas salas de cinema. Até ser resgatado pela indústria americana como um trunfo necessário para contestar Avatar e reverenciar a máquina de guerra e o sacrifício de tantos jovens americanos mortos e decepados em campo de batalha.

Trabalhando num projeto para o mesmo diretor italiano, que pretendia fazer um filme sobre os viciados em guerra no Iraque, eu pesquisei o assunto durante alguns meses. Tudo muito parecido com o filme de Bigelow, exceto por um detalhe. O detalhe é que os soldados americanos que se tornam dependentes da adrenalina da guerra tornam-se assassinos compulsórios e não salvadores de vidas. O sintoma dos viciados em guerra é atirar em qualquer coisa que se mexa, tratar a realidade como videogame e lidar com armas e balas de verdade como um brinquedo erótico. Se Guerra ao Terror representasse nas telas essa dimensão da realidade, seria um filme sensacional, mas não teria levado o Oscar, podem apostar.

Guerra ao Terror venceu o Oscar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados. A cena extremamente longa e minimalista em que os jovens soldados americanos em situação desprivilegiada combatem no deserto os iraquianos é o que, se não uma cena clássica de caubóis cercados por apaches? Sem nenhuma surpresa para filmes desse gênero, os garotos americanos vencem, matam os iraquianos sem rosto, como os caubóis faziam com os apaches no velho-oeste. A cena do garoto iraquiano morto, com uma bomba colocada dentro do corpo por impiedosos iraquianos, que literalmente matam criancinhas, tem a sutileza de um elefante numa loja de cristais. Propaganda baratíssima da máquina de guerra.

No filme de Cameron, os na”vi azuis podem ser os apaches que derrotam o general e expulsam a cavalaria americana. Mas isso é apenas uma ficção. Na vida real do Oscar, a cavalaria precisa continuar massacrando os apaches.

De Luiz Bolognesi, especial para o Estado Caderno 2 de 9/3/2010, página D4

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Os na”vi azuis dançaram. A cavalaria precisa massacrar os apaches

A verdade estava nua demais para Holywood. Guerra ao Terror venceu o Oscar de Avatar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados.

Eu acho que estava escancarado demais. Depois de uma crise como a bolha que estourou em 2008 , o fato desnudado de que o  capital integralmente domina o homem foi parar no cinema . Quando vi o filme (ainda não vi em 3 D) achei até estranho o denuncismo, neste  momento de verdadeira encruzilhada  que a Terra vive. Mas já que Obama ganhou o Prêmio Nobel da Paz e Madre Tereza de Calcutá tembém… Deixa prá lá.  Já dizia um teórico do cinema, e não me lembro quem,  um filme não pode ser uma mensagem. Mas Avatar é , e aí a porca começa a torcer o rabo, e o rabo, talqualmente aconteceu recentemente num site sensacionalista da capital, começa a roer o cachorro. Ora bolas, quem financia Holywood senão a indústria da guerra, numa deslavada (desculpem o trocadilho infame) lavagem de dinheiro legal ?

Fui dar uma fuçada na mídia tupiniquim, e , no Caderno 2 do Estadão, vi o comentário do Luiz Bolognesi, que conheci rápidamente numa van em algum Festival de Cinema  da vida. Bolognesi é casado com Laís Bodansky(os dois fizeram juntos “Bicho de Sete Cabeças”), filha do documentarista Jorge Bodansky que foi homenageado no Cineamazônia, aqui em Porto Velho. Como Bolognesi matou a cobra, mostrou o pau e o ficou segurando para a foto consagradora com o seu artigo “E ganhou a máquina de guerra”, acho que todos que viram o filme e também assistiram a entrega do Oscar merecem ler, mesmo que não tenham visto o outro , o “Guerra ao Terror”, que aliás pouca gente viu.    Bolognesi  já começa assim:  ” Filme vencedor  transforma os assassinos que dizimam culturas em heróis-santos.”  Caraio. Ou Caráleo. Tanto faz.

E ganhou a máquina de guerra. Filme vencedor transforma os assassinos que dizimam culturas em heróis-santos

Ao contrário do que parece à primeira vista, a polarização entre Avatar e Guerra ao Terror não traduz uma disputa entre cinema industrial e cinema independente, nem batalha entre homem e mulher. O que estava em jogo e continua é o confronto entre um filme contra a máquina de guerra e a economia que a alimenta e outro absolutamente a favor, com estratégias subliminares a serviço da velha apologia à cavalaria.

Avatar foi acusado nos Estados Unidos de ser propaganda de esquerda. E é. Por isso é interessante. No filme, repleto de clichês, os vilões são o general, o exército americano e as companhias exploradoras de minério do subsolo. Os heróis são o “povo da floresta”. A certa altura, eles reúnem todos os ”clãs” para enfrentar o invasor americano. Clãs? Invasor americano? Que passa? É difícil entender como a indústria de Hollywood conseguiu produzir um filme tão na contramão dos interesses do país e transformá-lo no filme mais visto na história do cinema. Esse fato derruba qualquer teoria conspiratória, derruba décadas de pensamento de esquerda segundo a qual a indústria de Hollywood está sempre a serviço da ideologia do fast-food e da economia que avança com mísseis, aviões e tanques. Como explicar esse fenômeno tão contraditório?

Brechas, lacunas na história. Ou como diria Foucault, a história é feita de acasos e não de uma continuidade lógica cartesiana. A necessidade do grande lucro, da grande bilheteria mundial produziu uma antítese sem precedentes chamada James Cameron. O homem de Titanic tinha carta branca. Pelas regras da cultura do “ao vencedor, as batatas”, Cameron podia tudo porque era capaz de fazer explodir as bilheterias mundiais.

Mas calma lá, cara pálida, uma incoerência desse tamanho, você acredita que passaria despercebida? O general americano, vilão? As companhias americanas que extraem minério debaixo das florestas tratadas como o império das sombras? Alto lá. Devagar com o andor, mister Cameron.

Aí, alguém chegou correndo com um DVD na mão. Vocês viram esse filme da ex-mulher do Cameron? Não, ninguém viu? Então vejam. É sensacional. Ao contrário de Avatar, nesse DVD aqui o soldado americano é o herói. Aliás, mais que herói, ele é um santo que arrisca sua própria vida para salvar iraquianos inocentes. Jura? Temos esse filme aí? Sim, o pitbull americano é humanizado e glamourizado, mais que isso, ele é santificado.

Então há tempo.

Guerra ao Terror estreou no Festival de Veneza há dois anos. Por acaso eu estava lá como roteirista de Terra Vermelha, do diretor italiano Marco Bechis, e fui testemunha ocular da história. O filme da diretora Kathryn Bigelow foi absolutamente desprezado pelos jornalistas e pelo público. E seguiu assim. Indo direto ao DVD, em muitos países, sem passar pelas salas de cinema. Até ser resgatado pela indústria americana como um trunfo necessário para contestar Avatar e reverenciar a máquina de guerra e o sacrifício de tantos jovens americanos mortos e decepados em campo de batalha.

Trabalhando num projeto para o mesmo diretor italiano, que pretendia fazer um filme sobre os viciados em guerra no Iraque, eu pesquisei o assunto durante alguns meses. Tudo muito parecido com o filme de Bigelow, exceto por um detalhe. O detalhe é que os soldados americanos que se tornam dependentes da adrenalina da guerra tornam-se assassinos compulsórios e não salvadores de vidas. O sintoma dos viciados em guerra é atirar em qualquer coisa que se mexa, tratar a realidade como videogame e lidar com armas e balas de verdade como um brinquedo erótico. Se Guerra ao Terror representasse nas telas essa dimensão da realidade, seria um filme sensacional, mas não teria levado o Oscar, podem apostar.

Guerra ao Terror venceu o Oscar porque, como nos filmes de forte apache, transforma os assassinos que dizimam outras culturas em heróis santificados. A cena extremamente longa e minimalista em que os jovens soldados americanos em situação desprivilegiada combatem no deserto os iraquianos é o que, se não uma cena clássica de caubóis cercados por apaches? Sem nenhuma surpresa para filmes desse gênero, os garotos americanos vencem, matam os iraquianos sem rosto, como os caubóis faziam com os apaches no velho-oeste. A cena do garoto iraquiano morto, com uma bomba colocada dentro do corpo por impiedosos iraquianos, que literalmente matam criancinhas, tem a sutileza de um elefante numa loja de cristais. Propaganda baratíssima da máquina de guerra.

No filme de Cameron, os na”vi azuis podem ser os apaches que derrotam o general e expulsam a cavalaria americana. Mas isso é apenas uma ficção. Na vida real do Oscar, a cavalaria precisa continuar massacrando os apaches.

De Luiz Bolognesi, especial para o Estado Caderno 2 de 9/3/2010, página D4

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Mais 96 milhões circulando na praça !

A Justiça do Trabalho liberou nesta terça-feira (9) por meio de alvará judicial assinado pela juíza federal do trabalho Isabel Carla de Moura Piacentini, da 2ª Vara do Trabalho de Porto Velho,  R$96,2 milhões para pagamento de precatório aos técnicos administrativos da Educação do quadro federal associados ao Sindicato dos Trabalhadores em Educação do Estado de Rondônia (Sintero).

Descontados os honorários advocatícios, os 1.085 técnicos administrativos da educação receberão cerca de R$78 milhões.

Em 2009, o Tribunal Regional do Trabalho de Rondônia e Acre liberou o pagamento de mais de R$400 milhões em precatório para os professores.

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Seminário de Implantação da Rede de Enfrentamento e Atendimento à Mulher Vítima de Violência

Nesta quinta(11) e sexta(12) acontece o Seminário de Implantação da Rede de Enfrentamento e Atendimento à Mulher Vítima de Violência, uma realização da Coordenadoria Municipal
de Políticas Publicas para Mulheres , Centro de Referência para Atendimento as Mulheres Vitimas de Violência “Sonho de Liberdade” e Conselho Municipal de Defesa dos Direitos da Mulher. O evento acontece no Teatro Banzeiros e maiores informações podem ser obtidas pelos fones (69) 3901 3000 e 3901 3640.

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Mais uma homenagem ao Dia da Mulher, tardia, porém sincera

Eu só quero é ser feliz,  Andar tranquilamente na favela onde eu nasci,   é.  E poder me orgulhar,  E ter a consciência que o pobre tem seu lugar,  é.

(Cidinho e Doca/Furacão 2000)

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A sambista que veio de Minas

Graças a suas apresentações vivas e contagiantes, a sua presença de palco e a sua pesquisa de repertório , Janaína Moreno é apontada como uma das principais revelações do samba para 2010. Foto : Silvio Rodrigues

Ela ja cantou com gente da pesada. D.Ivonne Lara, Noca da Portela, Walter Alfaiate, Monarco, Paulão 7 cordas , Moacyr Luz , Toninho Geraes e com os novos representantes   do samba como, Fabiana Cozza,  Edu Krieger, Pedro Miranda, Ana Costa e Luiza Dionísio. Recentemente fez uma participação no DVD da sambista  Tereza Cristina, ao lado de Seu Jorge e Marisa Monte. Esta é Janaína Moreno, sambista de primeira que se apresenta às sextas no Centro Cultural Carioca, ao lado do Teatro João Caetano, e aos sábados no Semente. Este humilde blogueiro teve a oportunidade de se deleitar com o show de Janaína e seu repertório escolhido a dedo.  Para quem anda ou pretende ir à Cidade Maravilhosa, é uma grande pedida ! Peça uma cerveja bem gelada e não caia no conto do “xoroquinho” , que consta no cardápio, nos enche de curiosidade e que, na verdade,  vem a ser o mesmo nosso “Magal que custa 1 real” , só que metido a besta e a “3 real” . Os efeitos devastadores são os mesmos e lembro a todos que na saída do Centro Cultural Carioca há uma escada… No site  www.janainamoreno.com.br você vê muito mais coisa sobre a artista. E eu aproveito, em nome da Janaína, para homenagear neste dia internacional da mulher, todas as mulheres sambistas e não sambistas deste Brasil varonil ! Salve Janaína !

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