Arquivo do dia: 28/01/2010

Citação de Shakespeare que Holden Caulfield acharia 'cem por cento': 'nós só ficamos em ordem quando estamos fora de ordem'."

” Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde eu nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse negócio me chateia e, além disso, meus pais teriam um troço se eu contasse qualquer coisa íntima sobre eles. São um bocado sensíveis a esse tipo de coisa, principalmente meu pai. Não é que eles sejam ruins – não é isso que estou dizendo – mas são sensíveis pra burro.

O escritor J. D. Salinger, de 91 anos, autor do clássico O Apanhador no Campo de Centeio, morreu nesta quinta-feira de causas naturais em sua casa nos Estados Unidos onde vivia isolado há anos por vontade própria, informam os jornais The New York Times e The Washington Post.

O romance “O apanhador no campo de centeio”, com seu imortal protagonista – o rebelde Holden Caulfield -, foi lançado em 1951 durante o período da Guerra Fria. A história de alienação juvenil e perda da inocência foi adotada por adolescentes em todo o mundo e ainda vende cerca de 250 mil cópias por ano. No total, já são mais de 60 milhões de exemplares em diversas línguas.

“Amo escrever”, disse Salinger em 1974, em uma de suas raras concessões ao jornal “The New York Times”. “Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer”. Ele não publicou nenhum trabalho literário com sua assinatura desde o conto “Hapworth 16, 1924” em junho de 1965. E não concedia entrevistas desde 1980 quando aumentou a sua devoção pelo budismo zen.

É um assunto que dificilmente será discutido nas rodas intelectuais porto-velhenses, talvez porque seja carnaval, porque talvez poucos leram Salinger, porque talvez Rondônia não produza centeio ou talvez porque as vicissitudes do cotidiano e a guerra diuturna contra a boçalidade tenham endurecido nossa alma.  Com   informações do Correio do Povo e Twitter.

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Citação de Shakespeare que Holden Caulfield acharia ‘cem por cento’: ‘nós só ficamos em ordem quando estamos fora de ordem’.”

” Se querem mesmo ouvir o que aconteceu, a primeira coisa que vão querer saber é onde eu nasci, como passei a porcaria da minha infância, o que meus pais faziam antes que eu nascesse, e toda essa lenga-lenga tipo David Copperfield, mas, para dizer a verdade, não estou com vontade de falar sobre isso. Em primeiro lugar, esse negócio me chateia e, além disso, meus pais teriam um troço se eu contasse qualquer coisa íntima sobre eles. São um bocado sensíveis a esse tipo de coisa, principalmente meu pai. Não é que eles sejam ruins – não é isso que estou dizendo – mas são sensíveis pra burro.

O escritor J. D. Salinger, de 91 anos, autor do clássico O Apanhador no Campo de Centeio, morreu nesta quinta-feira de causas naturais em sua casa nos Estados Unidos onde vivia isolado há anos por vontade própria, informam os jornais The New York Times e The Washington Post.

O romance “O apanhador no campo de centeio”, com seu imortal protagonista – o rebelde Holden Caulfield -, foi lançado em 1951 durante o período da Guerra Fria. A história de alienação juvenil e perda da inocência foi adotada por adolescentes em todo o mundo e ainda vende cerca de 250 mil cópias por ano. No total, já são mais de 60 milhões de exemplares em diversas línguas.

“Amo escrever”, disse Salinger em 1974, em uma de suas raras concessões ao jornal “The New York Times”. “Mas, só escrevo para mim mesmo e para o meu prazer”. Ele não publicou nenhum trabalho literário com sua assinatura desde o conto “Hapworth 16, 1924” em junho de 1965. E não concedia entrevistas desde 1980 quando aumentou a sua devoção pelo budismo zen.

É um assunto que dificilmente será discutido nas rodas intelectuais porto-velhenses, talvez porque seja carnaval, porque talvez poucos leram Salinger, porque talvez Rondônia não produza centeio ou talvez porque as vicissitudes do cotidiano e a guerra diuturna contra a boçalidade tenham endurecido nossa alma.  Com   informações do Correio do Povo e Twitter.

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